quinta-feira, 12 de março de 2009

Jornalista reúne propostas que serão encaminhadas ao Ministério da Saúde

Leandra Migotto Certeza levará sugestões da população aos participantes do I Seminário Nacional sobre Direitos Sexuais e Reprodutivos e Pessoas com Deficiência que acontecerá em março em Brasília.
Fonte: Rede Saci - 06/03/2009

A Convenção da ONU, sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo governo brasileiro em 2008, reitera a necessidade de que os Estados Partes tomem medidas para assegurar o acesso de pessoas com deficiência a serviços de saúde, inclusive na área de saúde sexual e reprodutiva e de programas de saúde pública destinados à população em geral.

Constitui ação prioritária do Ministério da Saúde o fortalecimento da Política dos Direitos Sexuais e Reprodutivos, que vem sendo implementada através de ações intersetoriais e interministeriais. A Política Nacional de Saúde para Pessoas com Deficiência estabelece em suas diretrizes que ações voltadas para a saúde sexual e reprodutiva são elementos de atenção integral à saúde das pessoas com deficiência.

Considerando a transversalidade do tema com outras Políticas como Saúde da Mulher, Saúde do Jovem e Adolescente, Saúde do Homem, Saúde da Criança, Saúde do Idoso, Programa Nacional de DST/AIDS, a Área Técnica Saúde da Pessoa com Deficiência/Departamento de Ações Programáticas Estratégicas/Secretaria de Atenção à Saúde, promove desde 2007 de maneira mais sistemática, discussões para o estabelecimento de estratégias que atendam a demanda da população com deficiência no que se refere às questões de Direitos Sexuais e Reprodutivos.

Nesta perspectiva, o Ministério da Saúde promoverá no período de 23 a 25 de março de 2009, na cidade de Brasília/DF, o I Seminário Nacional sobre Direitos Sexuais e Reprodutivos e Pessoas com Deficiência.

Como o encontro é restrito há um grupo de profissionais da área, entre eles: diversas pessoas com deficiência e representantes de ONGs voltadas à inclusão desses cidadãos, a jornalista, com deficiência física, Leandra Migotto Certeza, convidada a participar do seminário, teve a iniciativa de coletar sugestões para encaminhar uma carta aos seus organizadores.

O documento será uma extensão da Carta de Florianópolis elaborada por especialistas no tema, em 25 de junho de 2008, como resultado do I Fórum Nacional sobre DST/Aids e Deficiências, um dos eixos temáticos do VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST/Aids, que se aconteceu até 28 de junho do mesmo ano.

A participação de profissionais da área; membros de instituições; órgãos públicos; educadores; e pessoas com deficiência é fundamental para que o maior número possível de vozes seja ouvido no I Seminário Nacional sobre Direitos Sexuais e Reprodutivos e Pessoas com Deficiência, em Brasília. Cabe a sociedade dizer o que precisa, como e porque para que o Governo Federal programe políticas públicas adequadas à realidade e às necessidades de cada cidadão, em relação aos Direitos Sexuais e Reprodutivos das Pessoas com Deficiência.

A teia da inclusão se faz quando cada um tece um pedacinho fundamental para a formação do seu todo. Por isso, se você faz parte de um Conselho Municipal e/ou Estadual, Associação, ONG, Instituto, Fundação, universidade, escola, e/ou milita na área social em algum movimento, ajude a redigir este importante documento.

Leia a Carta de Florianópolis e acrescente sugestões amplas e/ou específicas à ela. Todas as propostas serão bem vindas e levadas ao seminário, dia 23/03 em Brasília, pela jornalista. Para se informar sobre o tema, pesquise: http://www.saci.org.br/index.php?modulo=busca¶metro=

Para saber sobre o fórum de Florianópolis: http://www.saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=21747
Todas as propostas devem ser encaminhadas até dia 17/03/09 para leandramigottocerteza@gmail.com, junto com o completo do seu autor e/ou autores; identificação da instituição a qual é membro; um resumo de 5 linhas sobre o principal objetivo da instituição; cidade e estado que reside; RG; CPF; CNPJ; cargo que ocupa da instituição; e-mail; site; telefone para contato, e autorização para divulgação dos dados. Pessoas físicas que não estejam vinculadas a nenhuma instituição também deve participar, se identificando pelo nome completo, RG e profissão.

O documento será entregue aos responsáveis pela Área Técnica da Saúde da Pessoa com Deficiência do Governo Federal, juntamente com os contatos de todos que o redigiram. É a contrapartida ao trabalho voluntário em prol da inclusão que estes agentes sociais fizeram. Espera-se com esta ação, aumentar a rede de contatos entre profissionais da área que ainda não são conhecidos pelo Governo Federal.

A Carta de Brasília Virtual (nome provisório para o documento) poderá ser divulgada por todas as mídias (desde que citadas todas as fontes) e seus redatores entrevistados. Desta forma o número de participantes em Brasília, de 23 à 25 de março, será bem maior! Contamos com a sua valiosa colaboração!

Maiores informações sobre a Carta de Brasília Virtual, telefone para Leandra: (11) 3453-5370 ou 8697-9067.

Carta de Florianópolis
Nós, participantes do I Fórum Nacional sobre DST/Aids e Deficiências, reunidos em Florianópolis, no dia 25 de junho de 2008, comprometidos com a causa da pessoa com deficiência e com a causa das pessoas vivendo com HIV/Aids e com deficiências associadas ou em decorrência;

Em consonância com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência;
Considerando a legislação brasileira sobre as temáticas da saúde e da deficiência, com ênfase nas que dizem respeito à acessibilidade, à universalidade, eqüidade e integralidade;
Reconhecendo a importância de abordar o tema da sexualidade nos seus múltiplos aspectos: violência e abuso sexual, direito ao exercício da sexualidade com segurança, dignidade e direito à reprodução, prevenção e promoção da saúde;

Considerando as recomendações da Primeira e Segunda Reunião de Especialistas em DST/Aids e Deficiências, dos Fóruns Macrorregionais de Saúde da Pessoa com Deficiência e da Reunião Ampliada sobre DST/Aids e Deficiências;

Reconhecendo a Carta de Porto Alegre, datada de 14 de maio de 2008, que identifica os obstáculos e propõe ações para a atenção integral à saúde da pessoa com deficiência e da pessoa que vive com HIV/Aids.

Considerando o conhecimento, ferramentas e habilidades já desenvolvidas, além da existência das redes de referência e contra referência especializadas, no campo das DST/Aids e no campo da saúde da pessoa com deficiência;

Reconhecendo a importância do intercâmbio de experiências entre os movimentos sociais, organizações da sociedade civil e serviços que atuam na temática das DST/Aids e da Deficiência;
Conscientes da importância do controle social e da participação das pessoas que vivem com HIV/Aids e das pessoas com deficiência;

Reafirmando a urgência de as ações de prevenção, diagnóstico e tratamento das DST/Aids contemplarem as especificidades da pessoa com deficiência;
Recomendamos:
Criar um grupo de trabalho nacional multidisciplinar para elaboração de um plano para a integração das ações de enfrentamento da epidemia das DST/Aids com as ações que visam a atenção integral da saúde da pessoa com deficiência;

Promover ações de fortalecimento do protagonismo das pessoas vivendo com HIV/Aids e das pessoas com deficiência na construção, implementação, monitoramento e avaliação de ações na temática das DST/Aids e Deficiência;

Estimular a interação entre as organizações da sociedade civil, movimentos sociais, conselhos e órgãos governamentais que atuam na temática das DST/Aids e da Deficiência, com o apoio efetivo a projetos na área;

Diagnosticar e tratar precocemente as manifestações neurocognitivas e motoras decorrentes de infecções oportunistas e manifestações adversas do tratamento anti-retroviral da Aids, da sífilis, do herpes, do HTLV e de outras co-infecções, para minimizar potenciais complicações graves e incapacitantes;

Criar, alimentar, disponibilizar e divulgar um cadastro de tecnologias sociais desenvolvidas para o enfrentamento da epidemia, visando sua reprodução pelos interessados, em site construído segundo critérios de acessibilidade digital;

Viabilizar estudos e pesquisas sobre percepções e sintomas decorrentes das doenças crônicas (Aids) , valorizando o relato dos usuários e criando canais de comunicação entre eles e instituições de pesquisa;

Realizar uma pesquisa nacional para conhecer o perfil de pessoas vivendo com HIV, com ou sem deficiência;

Incentivar a discussão da temática da sexualidade, das DST/Aids e Deficiência nas Conferências e Conselhos Municipais, Estaduais e Nacionais de Saúde, da Criança e do Adolescente e da Pessoa com Deficiência;

Enfatizar a importância da discussão desse tema nas escolas da rede pública e privada por meio de iniciativas como o “Saúde e Prevenção nas Escolas”;

Aproximar as famílias e profissionais que trabalham na atenção à pessoa com deficiência da discussão desse tema e envolvê-los nas ações de promoção à saúde sexual e reprodutiva das pessoas com deficiência e das pessoas vivendo com HIV/Aids;

Sensibilizar gestores e capacitar profissionais na temática das DST/Aids e Deficiências;

Viabilizar a elaboração de materiais informativos em formatos acessíveis com linguagem facilitadora, inclusiva, pedagogicamente adequada, culturalmente sensível e tecnologicamente apropriada às especificidades das pessoas com deficiência;

Capacitar os profissionais dos serviços especializados para que saibam acolher e informar as pessoas com deficiência;

Promover condições de acessibilidade (em todos os aspectos: arquitetônico, de comunicação, atitudinal e outros) para pessoas com todos os tipos de deficiência na rede de serviços especializados, através da disseminação de informações técnicas e da legislação brasileira em vigor;

Para tanto, nós, participantes do I Fórum Nacional sobre DST/Aids e Deficiências, assumimos o compromisso de colaborar para a implementação dessas recomendações, acreditando que juntos seremos capazes de lançar as bases para a construção de políticas públicas que impactem substancialmente a atenção às DST/Aids e deficiências em todo o território nacional.

Fantasias Caleidoscópicas
É um projeto de pesquisa que busca retratar a imagem (na maioria das vezes, preconceituosa) que a sociedade tem em relação à sexualidade das pessoas com deficiência, e desmistificá-la por meio de um ensaio fotográfico sensual; exposição itinerante; duas publicações com entrevistas, depoimentos, ilustrações e artigos; e oficinas educativas interativas sobre saúde sexual, em instituições de ensino e centros culturais pelo Brasil, e países interessados em receber o projeto.
Pessoas com deficiência física, visual, auditiva, intelectual, múltipla e/ou surdocegueira, sejam elas: jovens; idosas; gestantes; obesas; casais homossexuais e/ou heterossexuais; de várias etnias e classes sociais foram convidadas pela fotógrafa Vera Albuquerque, junto com a jornalista, Leandra Migotto Certeza a mostrarem sua beleza e sensualidade. Para a fotógrafa, questiona-se, assim, o padrão de beleza - instituído pelos meios de comunicação e pela moral dominante - ressaltando a possibilidade de uma democratização do prazer, uma igualdade de direitos sexuais, uma disposição das mentes (e dos corações) contra os juízos prévios e os preconceitos.
Para a jornalista, dar voz às imagens é tão importante quanto o registro fotográfico, pois é interessante conhecer as histórias de vida dessas pessoas, que em sua maioria ainda são bem pouco ouvidas. O enfoque está na arte e na educação como agentes transformadores da realidade, aliados à palavra, como testemunha dos fastos e detentora de um poder de mudança na sociedade.

A exposição será totalmente acessível: com piso podotátil, catálogos em Braille e em formato digital para pessoas com deficiência visual; intérpretes de LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais para pessoas com deficiência auditiva; entre outros recursos. As publicações e as oficinas também serão totalmente acessíveis para todas as pessoas com deficiência, produzidas e ministradas por esses profissionais. Toda a renda obtida com a venda das duas publicações e as oficinas será destinada, exclusivamente, às instituições não governamentais idôneas brasileiras, que proporcionam oportunidades de inclusão na sociedade às pessoas com deficiência, por meio de atividades artísticas e educacionais.

Á convite da Associação Internacional para o Estudo da Sexualidade, Cultura e Sociedade, as primeiras nove fotos foram expostas no 6º Congresso Internacional Prazeres Dês-Organizados – Corpos, Direitos e Culturas em Transformação, em Lima no Peru, em junho de 2007. O projeto ficou em segundo lugar (categoria pôster) na premiação do congresso!!

Hoje as idealizadoras de Fantasias Caleidoscópicas buscam patrocínios, apoios e/ou parcerias (cotas ou integral) de empresas particulares ou públicas; instituições de ensino e/ou não governamentais (nacionais e/ou internacionais) para viabilizar a realização completa do ensaio (cachê para as pessoas fotografas, transporte, estadia e todos os gastos com a produção das fotos); montagem da exposição acessível; produção das duas publicações também acessíveis; e custos das oficinas, ministradas por educadores com deficiência, em escolas públicas e privadas, universidades; além de centros culturais.

Além de escrever em seu BLOG Caleidoscópio, e ser Repórter SACI Voluntária da www.saci.org.br, Leandra também palestra sobre o tema. Em maio de 2008, falou sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência no Papo Inclusivo, encontro organizado pelo CEMUPI - Centro de Estudos Multidisciplinar Pró-Inclusão. O CEMUPI pertence à Faculdade de Educação do Centro Universitário Belas Artes e tem a co-gestão do Grupo de Estudos Projeto Roma Brasil e dos Papos Inclusivos do Grupo Síndrome de Down.

Contatos com as idealizadoras do projeto:

Leandra Migotto Certeza – Jornalista - Tel: (11) 3453-5370 ou 8697-9067 – E-mail: leandramigottocerteza@gmail.com BLOG: http://leandramigottocerteza.blogspot.com/
Vera Albuquerque – Fotógrafa – E-mail:
vera_foto@yahoo.com.br

terça-feira, 3 de março de 2009

Tenho duas vidas

Tenho duas vidas (ou mais):
a prática e a interior
uso máscaras
visto muitas roupas
Tudo para proteger minha alma
da loucura que é a viver UNA.

Leandra Migotto Certeza - 05/02/2009

Estou de volta

Estou de volta
mas não estou ainda
O que me angustia
é saber que tenho medo
de ser tomada pelas palavras
e delas me tornar refém
por isso o início será devagar
começar pelas crônicas
e me deixar levar
até o dia em que a dor e a solidão
serão tão intenssas
como a alegria e
as boas e eternas lembranças
O mais profundo é saber que sei quem sou e há que vim
Tenho consciência que as palavras fazem parte de mim
São mais fortes,
são mais intensas
e marcarão meu
destino para sempre
AMO viver ao lado delas.

Leandra Migotto Certeza - setembro de 2007

Histórias

Tenho que contá-las,
vim pela palavra e para ele servirei
Viver é preciso
as palavras são meu ar
30 anos se passaram
e eu ainda não tomei coragem de encontrar
minha alma
refletida nas palavras
nas histórias
nas pessoas
Como conseguimos viver em dois mundos?

Leandra Migotto Certeza - junho de 2007

Fantasias Caleidoscópicas

Beijo doce
pele macia
desejo molhado
entrega
Olhar apaixonado
Tudo tão humano...
Não deveria ser preciso falar ao mundo que a beleza está em sermos humanos
Corpos assimétricos, falas, sentidos e sentimentos diferentes
É só isso
Mas ainda há um oceano
separando a simplicidade do corpo dizendo há que veio
da naturalidade em se encarar a condição humana da
DIVERSIDADE!

Leandra Migotto Certeza - maio de 2007

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

É para esse céu que eu vou

Fim de tarde em minha janela.
Começo de vida em minha alma.
É para esse céu que eu vou.
Lilás, rosa, azul, branco.
Finito.

Estar é reconhecer a insignificância significativa de cada ser vivo.
É viver cada segundo intensamente único.
Ser é saber que o que vale é o que deixamos.

Palavras, gestos, abraços, carinhos, risadas, choros...
Sem receio de parecer simples.
Sem medo de ser feliz.

Reconhecimento leva-se da alma que não é pequena por já ser inteira.

Leandra Migotto Certeza

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Educar é aprender com a diversidade humana!!!






Trabalhando com a Jéssica

Rede Saci - 19/02/2009

Professora mostra como é possível ensinar sem se deixar ficar imobilizada pelo "rótulo": Síndrome de Williams.

Após passar um tempo em outra cidade retornei a São Paulo e também para lecionar na escola que sempre trabalhei.

Ao conhecer a sala de aula me deparei com uma menina muito meiga e carinhosa, extremamente afetiva e às vezes muito "grudenta". Era a Jéssica, que fazia de tudo para chamar minha atenção, pois queria exclusividade.

Apesar de ter Síndrome de Williams que a "impossibilitava" de ter o mesmo retorno das demais crianças, Jéssica era muito especial, já era alfabetizada e tinha um vocabulário muito rico além de sua idade cronológica. Sua maior dificuldade era transcrever sua oralidade para a escrita e principalmente a matemática.

Antes de assumir a sala de aula, segundo relatos, soube que Jéssica dormia quase que diariamente na sala de aula. Com a ajuda dos alunos da sala passei a estimulá-la e a cobrar as atividades iguais aos outros alunos, respeitando as suas limitações. Ela começou a produzir muito mais. Participava oralmente de todas as atividades propostas e começou a ler os mesmos textos que os demais; dava opiniões e escrevia, dentro de sua capacidade.

Algumas atividades eram específicas para ela, outras eram adaptadas para a medida que ela conseguia fazer. Porém, a matemática continuava sendo um desafio: as dificuldades eram muitas e ela não conseguia entender o mecanismo do sistema de numeração decimal. Ficava quase impossível resolver situações de matemática, o que causava muita angústia e depressão.

Após muitas tentativas com materiais concretos, desenhos e outros, resolvi introduzir o *material dourado. *Para tentar fazer com que ela entendesse, passei a usá-lo como um dos recursos*, *para que ela pudesse manusear, substituir e efetuar operações matemáticas com sucesso.

Ela se apaixonou pelo o material e começou a manuseá-lo com muita agilidade. Sua empolgação e sua vontade de aprender me impressionaram muito. Foi numa tarde de quarta feira (nunca vou esquecer este dia, que me emocionou muito), que ela conseguiu formar um número com o uso do material. A alegria dela era tanta que parecia que ela ia explodir, os alunos gritavam o seu nome em coro, acompanhado de palmas e ela, chorando, falava:

- Professora, eu consegui, eu aprendi, te amo, muito obrigada!

Após este dia ela queria todos os dias fazer matemática e até montou um material dourado em sua casa usando sucata. A cada dia eu ia aumentando gradualmente o grau de dificuldade e ela respondia bem. Suas produções de textos se ampliaram e ela passou a fazer o uso de recursos como diálogos, suspenses e clímax na narração. Seus textos passaram a ter sequência nos fatos e significados. E nunca mais dormiu na sala de aula.
Nesta época eu estava passando por um momento muito difícil na minha vida, tanto emocional mente como financeiramente, estava sem esperança, enxergava o mundo em preto e branco, vivia um dia de cada vez.

A Jéssica foi para mim uma pessoa muito especial, não no sentido da deficiência, mas como pessoa, pois aprendi muito com ela. Com seu jeito alegre e extrovertido de ser, cheia de esperanças e sonhos, não desanimava diante de um desafio, não via maldade nas pessoas, era espontânea, natural e acreditava no ser humano. Ela era solidária e se preocupava com o outro.

Jamais em toda minha vida vi alguém expressar tão intensamente o amor, felicidade, gratidão em apenas um sorriso, um sorriso puro, sincero. Ela me ensinou o valor de um sorriso, a refletir sobre a minha vida, a enxergar o mundo colorido e de outra forma, me ensinou a ver as coisas boas que a vida oferece, a viver intensamente o dia como se fosse o último, a não desanimar diante dos desafios que a vida nos oferece, me ensinou que existem várias maneiras de ver, sentir, ouvir e principalmente de expressar.

Jéssica, hoje sei o significado da palavra "educar", sei romper barreiras, ser um ser humano melhor. Você veio ao mundo com a missão de transformar as pessoas. Aproveite cada instante que a vida lhe proporcionar, continue sendo assim como você é, levando vida, esperança e alegria às pessoas. Você é a luz que brilha em momentos de escuridão para as pessoas.

Este tempo que estivemos juntas tivemos muitas trocas aprendemos uma com a outra.
Continue sendo você, sorria sempre.

Professora Tânia Bazzani

Descrição da imagem do centro: foto de Jéssica linda, maravilhosa! Uma menina doce, sorrindo sempre! Ela é negra, usa óculos na escola e tem traços de pessoas com Síndrome de Willians. Nesta foto veste uma camiseta azul e vermelha e ao fundo árvores 'douradas' completam a linda paisagem.
Descrição da imagem do lado direito: Jéssica e seu namorado muito felizes na festa de Natal da ABSW de 2008. Ela veste uma blusa vermelha e ele uma azul. Estão radiantes de paixão!

Táxi acessíveis na cidade de São Paulo

Prefeitura entrega à cidade os primeiros táxis acessíveis
Fonte: Agencia Inclusive em 18/02/2009

Os veículos adaptados começaram a circular no dia 17 de fevereiro.
Comentário SACI: Dica do Eduardo Câmara: Lá no blog mantenho uma lista de todos os serviços de táxi e transporte acessível particular que conheço. Se conhecerem mais algum que não está na lista, me avisem! Abaixo está o endereço do post no blog e também a lista atualizada, contendo inclusive os novos táxis de SP. Além disso, pesquisei e liguei para cada uma das empresas para confirmar as informações. Acabei acertando/incluindo algumas informações sobre os nomes, sites, e-mails e telefones das empresas de SP, que não estavam corretos ou estavam faltando. http://www.oglobo.com.br/blogs/maonaroda Endereço do post: //oglobo.globo.com/blogs/maonaroda/post.asp?t=lista-de-taxis-acessiveis-brasil-afora&cod_Post=162595

Apresentação dos veículos ocorreu na frente do Edifício Matarazzo

Os primeiros 20 táxis acessíveis destinados ao atendimento exclusivo de passageiros deficientes ou com mobilidade reduzida passarão a operar nesta data, na capital. Em evento com a presença do prefeito da cidade de São Paulo, dos secretários municipais de Transportes e da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida foram apresentados os veículos.

Os táxis são todos Fiat modelo "Dobló" adaptados conforme normas técnicas estabelecidas pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito). Além de equipamentos próprios para acomodar o deficiente, eles também contam com rádio transmissor, ar condicionado, música ambiente e sistema de rastreamento, itens que permitem mais agilidade no atendimento, e mais conforto e segurança para os passageiros.

Para maior comodidade dos usuários, todos os táxis acessíveis são rádio-táxis, e podem ser chamados pelo telefone do respectivo Centro de Operações de cada empresa. Eles ficarão distribuídos em pontos estratégicos da cidade de modo a chegar rapidamente a qualquer destino. A listagem com os número de telefone pode ser consultada pelo Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) do Departamento de Transportes Públicos (DTP) (11) 2692-3302, 2291-5416, 2692-4094, ou pela internet, no site da Secretaria Municipal de Transportes.

O custo do carro mais a adaptação são de, aproximadamente, R$ 90 mil, totalmente bancado pelo taxista. As especificações técnicas para a modificação dos veículos estão discriminadas no "Manual dos Requisitos Básicos para Táxi Acessível" que foi elaborado pela Área de Desenvolvimento Tecnológico da SPTrans. Os interessados poderão ter acesso a esse manual pelo site da SMT. As tarifas cobradas pelos táxis acessíveis têm o mesmo valor das dos demais táxis (bandeirada R$ 3,50, quilômetro rodado R$ 2,10 e hora parada R$ 28,00) acrescido da taxa de R$ 3,50 por ser rádio-táxi.

Foram sorteados 80 alvarás novos para táxi acessível, sendo escolhidos 80 condutores/empresas titulares e mais 40 suplentes. Além dos 20 alvarás já distribuídos, outros estão em período de preparação e, ainda, ocorrerá a chamada de suplentes do sorteio tendo em vista algumas desistências formalizadas.

Essa é mais uma iniciativa da política da Prefeitura que busca integrar o deficiente em todos os aspectos da sociedade. Para tanto, a Secretaria Municipal de Transportes tem colaborado em diversos aspectos. Nos últimos quatro anos, a frota de ônibus acessíveis da cidade cresceu de 302 para 3.166 veículos, a maior do país. O serviço Atende, que transporta os usuários deficientes com alto grau de severidade e dependência, conta atualmente com 327 vans, que servem a 3.622 passageiros especiais e mais de dois mil acompanhantes. Também existe o Bilhete Único que garante a gratuidade para os deficientes nos ônibus da rede municipal. Até o final de 2008, a SPTrans já havia emitido 257 mil Bilhetes Especiais. É assim que a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Transportes estão integrando todos os paulistanos.

Serviço:
Número das Centrais de Táxis que contam com táxi acessível: Associação das Frotas de Táxis Rua Alfredo Maia, 533 - Ponte Pequena Fone.: 11 3229-7688 / 3228-1400 / 3326-0505 endereço eletrônico: www.alotaxi. com.br

Associação dos Taxistas Autônomos - Fuji Táxi 2 Fone.: 11 5073-3600 / 5077-3999 endereço eletrônico: fujitaxi@uol. com.br

Associação Delta Comum Rádio Táxi 1 Fone.:11 5072-4499 endereço eletrônico: comercial@teletaxi.sp.com.br

Metrópole SP Rádio Táxi Ltda. - ME 1 Fone.: 11 5575-6681 endereço eletrônico: metropole_sp@ yahoo.com.br

Associação Super Táxi dos Taxistas Autônomos 1 Fone.: 11 3982-6414 endereço eletrônico: supertaxi@supertaxi.com.br Fonte: Prefeitura SP http://portal. prefeitura. sp.gov.br/ noticias/ sec/transportes/2009/02/0060

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Calçadas de Natal são o retrato do caos.

Desniveladas, entradas de veículos inclinadas demais, varandas avançadas sobre o passeio público dificultam a locomoção pelas calçadas de Natal.






Descrição da imagem: foto do repórter Gabriel Trigueiro driblando um obstáculo em uma calçada. Imagem colocada d eponta cabeça lateralmente.


Colocar esta página em posição horizontal para ler o texto deve ter sido um gesto desconfortável para você, leitor. E nosso objetivo foi mesmo dificultar um pouco a sua vida, para que você entre no clima do assunto desta reportagem e entenda como é difícil a ‘‘missão’’ de quem caminha pelas calçadas das ruas de Natal.

Protegida na comodidade de seus carros com ar-condicionado, boa parte dos natalenses nem olha de lado para ver o cenário de descaso com o cidadão, que surge na paisagem urbana em forma de calçadas desniveladas, entradas de veículos inclinadas demais, varandas avançadas sobre o passeio público, paredões que impedem a circulação e obrigam as pessoas a disputar espaço com os carros. Esses são apenas alguns dos absurdos que se põem como obstáculos entre o pedestre natalense e sua cidadania.

Nas próximas edições, publicaremos uma série de matérias sobre a precariedade das calçadas em vários trechos da cidade, com a opinião dos cidadãos afetados pelo problema, a visão de urbanistas e a posição do poder público. Para ilustrar a situação, percorri avenidas em diferentes bairros, com diferentes perfis econômicos, urbanos e sociais. Minha primeira ‘‘aventura’’ foi andar na Avenida Jaguarari. Segue o relato:

Quarta-feira, 9h39. Meu trajeto a pé entre as avenidas Jaguarari e Alexandrino de Alencar já começa difícil. Estou caminhando numa calçada com menos um metro de largura, ou seja, menos de um terço do recuo previsto em legislação municipal.

Equilibrando-me entre a sarjeta onde corre esgoto a céu aberto e uma plataforma de cerca de dois metros de altura, que serve de base para as casas do trecho, tenho que olhar para trás de quando em quando e prestar atenção no trânsito. Corro o risco de ser esmagado, caso algum motorista perca o controle de seu carro. Logo a frente, ainda na calçada estreita, sou obrigado a virar de lado para passar entre o paredão e um poste de energia.

Em meio a esta aventura, resolvo subir uma escada esculpida no paredão, de corrimãos mambembes, para conversar com moradores sobre a situação de acessibilidade na rua. Encontro Dona Marlene, uma aposentada de 70 anos que caminha com auxílio de uma bengala. Ela tem medo de cair da plataforma, mal consegue subir e descer as escadas que dão acesso a sua casa e sofre para caminhar na região. ‘‘Não posso andar tranquila, morro de medo de me acidentar. Meu irmão caiu dessa escada uma vez e teve de ir para o hospital’’.

Foram os netos de Dona Marlene que construíram o corrimão de ferro usado pela aposentada para subir as escadas. Sua vizinha, a comerciante Tânia Garcia, também mandou fazer um acesso, com corrimãos de madeira que estão com parafusos soltos e ameaçam cair. Ela também teme acidentes e ainda se sente prejudicada pela dificuldade de acesso dos clientes a seu ponto. ‘‘É inconveniente e perigoso sempre’’.

Passado o trecho mais estreito da calçada, sigo em direção à Avenida Alexandrino de Alencar. O percurso é de obstaculos e armadilhas. Já castigado pelo calor de uma manhã de sol forte de fevereiro - não há árvores onde passam os pedestres -, cabe a mim a tarefa de escalar batentes altos, desviar de montes de areia usados em obras e me equilibrar para não escorregar em entradas de carro de ângulos íngremes, que preenchem todo o espaço entre os portões das casas e o asfalto. Com pisos inadequados para superfícies inclinadas, essas entradas representam aos pedestres um enorme risco de queda. A alternativa é arriscar-se andando na rua. É a Escolha do Sofia do cidadão natalense.

A mobilidade oferecida pelas calçadas parece piorar a cada metro que me aproximo da esquina da Jaguarari com a Alexandrino. Carros estacionados irregularmente me expulsam da calçada mais de uma vez. Ao atravessar ruas adjacentes, tenho de enfrentar barreiras de concreto nas esquinas.

Talvez achando que a medida vá diminuir os alagamentos na chuvas fortes, os moradores instalam murinhos de concreto delimitando suas propriedades, em pleno passeio público. A acessibilidade para portadores de deficiência é nenhuma, tanto nas esquinas quanto ao longo das calçadas. O pedestre que tiver duas pernas funcionando que pule os obstáculos. O semelhante que se dane e o poder público parece longe, bem longe.

Depois de vencer uma barreira de concreto na esquina com a Rua Coronel Silvino Bezerra e outra na esquina com a Rua Álvaro Carrilho, tenho um novo e desanimador trecho até o cruzamento com a Avenida Presidente Quaresma. Além dos problemas que já venho enfrentando desde a rótula da José Bento - calçadas estreitas, entradas irregulares de carros, barreiras de concreto e montes de areia de obras -, percebo que os desniveis se acentuam à medida em que o declive fica mais agudo.

Num determinado trecho, vários pedestres, entres os quais um idoso aparentando cerca de 80 anos, andam na rua em sentido oposto ao dos carros, para escapar das calçadas iclinadas e dos degraus de 50cm, 80cm, um metro de altura. Uma parte da calçada já próxima da Presidente Bandeira é particularmente uma armadilha: nesse pedaço, após vencer uma entrada para carros com duas faixas de cimento escorregadias e ângulo em torno de 45 graus, o pedestre tem de saltar de plataformas entre uma frente de casa e outra e descer inseguras escadas construídas pelos moradores para compensar o desnível. Qualquer distração pode ter sérias consequências.

O comerciante Moisés Oliveira, proprietário do imóvel da entrada de carros inclinada que acabo de citar, defende a construção. Ele conta que uma recente fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) o notificou, juntamente com outros moradores, e que a defesa já apresentada. ‘‘Essa minha entrada é até correta comparada com outras que tem aqui na rua. A calçada era muito alta e se eu não fizesse isso, não teria como entrar com meu carro’’.
A aposentada Tânia Soares, que mora numa rua perpendicular, também acha que os moradores não têm culpa. ‘‘Isso aqui é desse jeito há décadas e eu tenho de mudar? Eu por exemplo, se mexer na minha calçada vou comprometer o alicerce da minha casa’’.

Na esquina entre a Jaguarari e a Alexandrino, o caos na urbanização atinge seu ponto máximo. No lado onde ando, há carros estacionados na rua e também na calçada. A traseira de um dos carros parados na calçada praticamente cola com a lateral de outro estacionado na rua, então não me sobra espaço algum para andar. Do asfalto no qual caminho vejo que a esquina oposta tem mais de um metro e meio de altura e acesso através de escadas precárias. Para piorar, móveis de uma estofadora que funciona no local são expostos no passeio público, atrapalhando ainda mais o trânsito das pessoas.

A situação deixa o marketólogo Gilson Roberto indignado. ‘‘É muito perigoso andar aqui. As pessoas pagam seus impostos e ainda têm de andar em calçadas altas, sujas, com buracos. Nossa cidade não tem infra-estrutura’’.

O reformador de móveis Eurípedes Dantas também reclama da altura da calçada e argumenta que a presença de objetos às vezes previne acidentes. ‘‘Estou aqui nesse ponto há 35 anos e várias vezes pessoas idosas deixaram de cair porque se seguraram nos móveis’’.
Exceção

Depois de passar por mais esse ‘‘perrengue’’, dobro na Alexandrino, em direção à Prudente. Não há padronização no piso das calçadas e nem adequação às normas de acessibilidade, mas pelo menos o terreno é mais plano e não encontro desníveis gritantes. Fico surpreso com a calçada de uma loja de carros, única do trajeto que tem piso anti-derrapante e ladrilhos para orientar deficientes visuais.

O estabelecimento é do comerciante Antônio Pereira. Ele sabe que sua loja é uma ilha de respeito à urbe, em meio a um quadro de caos. ‘‘Fiz esse piso um ano atrás pensando em meus clientes e na população. Além da calçada ser adequada, você pode ver que os carros não estacionam fora da área interna da loja, então o passeio público fica livre. Mas no geral, ninguém liga para as leis’’.

A arquiteta Gleyce Elali destaca o aspecto cultural do problema. ‘‘Em Natal, as calçadas não são feitas pensado nas pessoas. Elas são construídas para facilitar a entrada dos carros, as atividades dos comerciantes, mas não para tornar melhor a locomoção dos cidadãos. E falo de todos as pessoas, não apenas dos idosos e deficientes’’. Ela destaca que a cidade já teve elaborados dois planos de acessibilidade e que todos os projetos de reforma e construção têm de ser apresentados dentro das normas, à Semurb e ao Conselho Regional de Arquitetura, Engenharia e Agronomia (Crea). ‘‘Mas sem fiscalização, não adianta de nada’’.

Falta de acessibilidade física em Natal

Falta calçada em Nova Descoberta

GABRIEL TRIGUEIRO - Da equipe do Diário de Natal.

Em muitas vias de Natal, os pedestres sofrem para caminhar em calçadas desniveladas e muito estreitas. Mas na Rua Djalma Maranhão, principal corredor do bairro de Nova Descoberta, a situação é ainda pior. Além de enfrentar barreiras arquitetônicas, a população também tem de dividir espaço com mercadorias expostas no passeio, por comerciantes que não respeitam os limites de suas lojas, e andar na pista em trechos onde carros estacionados e carrinhos de lanche ocupam todo o passeio público.
Cadeirantes dificilmente têm como
fazer uso dos trechos de calçadas. Foto de Joana Lima / DN.
Comecei meu trajeto pela via por volta das 10h, andando em direção ao bairro de Morro Branco, do lado esquerdo da via, no meu ponto de vista, ou seja, no sentido oposto à mão dos carros. Os primeiros dez metros da caminhada não têm pavimentação e estão sujos de esgoto e fezes de cavalo. Vencida essa primeira parte, a subida da ladeira me desafia com batentes que separam as frentes de casa, quando o correto seria haver uma inclinação constante.


Outro problema são as entradas para carros, que formam inclinações perpendiculares nas quais preciso de cuidado redobrado para não escorregar. Esse problema se acentua na calçada de uma loja de brinquedos, com piso bem inclinado e sem rampas de ligação aos trechos vizinhos. Logo em seguida, aparece o primeiro obstáculo não arquitetônico. Um carrinho de lanches bloqueia minha passagem.


Decido andar entre o objeto e o muro de uma casa. Nesse momento, além de me locomover de lado, sou obrigado a subir uma escada e um batente para chegar ao próximo trecho. Sigo caminhando em direção ao cruzamento com a Avenida Amintas Barros e muitas surpresas ainda me aguardam. Após passar por uma esquina na qual as calçadas beiram meio metro de altura, me deparo com um trecho de difícil circulação em frente a um mercadinho.


Nessa parte, a calçada está quase toda tomada por caixas com frutas, garrafões de água mineral e vários outros produtos. Mas o pior é o lixo amontoado e as moscas voando por cima. Ando me espremendo para não bater nos outros pedestres, nos garrafões, nas frutas e, principalmente, nos sacos de lixo. Também tomo cuidado para não cair na rua, já que a calçada é bem alta. Insatisfeito, entro no mercado e pergunto a um vendedor o porquê das mercadorias e do lixo no passeio público. ‘‘A gente deixa as mercadorias aí rapidamente, só enquanto não tem onde espaço para colocar aqui dentro. Mas sempre fica um espaço para o pessoal passar’’, explica.


Sobre o lixo, o homem me diz que os sacos estão ali à espera da coleta diária. O trecho seguinte de calçadas tem desníveis e carros estacionados de um lado da rua, além de placas de propaganda e lixo no passeio oposto. Ao prosseguir com minha caminhada, vejo mais e mais irregularidades. Um pequeno restaurante tem um grande portão que abre para fora e reduz o espaço dos pedetres pela metade. Do outro lado, uma oficina de bicicletas mantém peças do lado de fora. Após percorrer mais alguns metros de batentes, barreiras, rampas, irregulares e desníveis variados, sou obrigado a andar por dentro de um supermercado, já que a calçadas do estabelecimento está completamente tomada por sete carros estacionados transversalmente.


Termino minha caminhada neste sentido indo do supermercado à esquina com a Rua Amintas Barros, trecho em declive que, para variar, tem sequências de calçadas menos inclinadas em relação à rua, o que gera batentes altos, difíceis para descer com segurança. Em seguida, resolvo subir de volta uma parte da rua pela calçada oposta.


Após me espremer entre a pista de rolamento e os andaimes de uma obra, sigo até uma loja de rações e acessórios para animais de estimação. A calçada em frente está preenchida de gaiolas e outros objetos. A exemplo da justificativa dada pelo vendedor do mercadinho, o dono da loja, Elias Silva, explica que não há espaço para as mercadorias na parte interna. ‘‘Quando acaba o expediente, em coloco as coisas aqui dentro e fica lotado’’, explica. ‘‘Mas você pode ver que tem um espaço para as pessoas passarem (o tel espaço tem menos de um metro de largura, quando a legislação municipal determina pelo menos 2,5m de passeio livre). O problema daqui é o trânsito de carros. Nunca vi ninguém reclamando das calçadas’’, afirma.


Não é o que pensa o aposentado Josafá Pereira da Cruz, 84 anos, que mora no bairro há mais de quatro décadas e é dono de um dos raros trechos da Djalma Maranhão que tem calçada larga, plana e desobstruída. ‘‘Aqui, cada um faz as calçadas de um jeito. As pessoas estacionam carros, botam mercadorias, ferragens, carrinhos de lanche e tudo mais. É horrível para andar’’, reclama. Seu filho, o engenheiro civil Ivan Pereira da Cruz, defende que o poder público aja com energia. ‘‘A prefeitura tem autoridade para chegar e tirar essas coisas (referindo-se às barreiras arquitetônicas e aos objetos) e devia tirar mesmo’’, opina.

Descrição da imagem: foto de uma calçada em Natal que tem três degraus e está completamente em desnível.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Para reflerir sempre!

LENTAMENTE...
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoínho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida a fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante…
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio pleno de felicidade.
Pablo Neruda.

Quarta-capa

Tatiana Rolim - Meu andar sobre rodas.
Por Leandra Migotto Certeza.
Para Tatiana Rolim nossa alma é intocável. Ao olharmos alguém por inteiro é preciso humildade e paciência. Focalizar cada detalhe como único e especial. Todos somos capazes de buscar nas dores de ontem o resgate de flores para o amanhã.
Naquela quarta-feira em 1995 estava tudo programado, exceto o final. Em frações de segundo as adversidades proporcionaram uma grande reviravolta em seu 'eu interior'. Garra, determinação, ousadia e bom humor inato sustentaram sua personalidade frente às mudanças da vida.
Reabilitada fisicamente, Tatiana hoje faz questão de lutar contra todas as barreiras impostas em seu dia-a-dia. Expolorando toda sua sexualidade, ávida para o amor, apaixonada pela vida e por suas surpresas, a autora nos mostra as diversas formas de estar no mundo.
Viajando através de sua história o leitor encontrará um novo universo a ser explorado, o das potencialidades. Descubra seu andar sobre rodas.

Quarta-capa do livro "Meu andar sobre rodas" de Tatiana Rolim. Texto escrito em 2001. Áurea Editora - ISBN: 85-88678-03-9.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Crítica de arte

Bienal ou Canibal?

Abapuru - Obra de Tacila do Amaral - 1928 - óleo/tela 85 X 73cm.
Por Leandra Migotto Certeza.

“Nenhuma fórmula para a contemporânea do mundo. Ver com olhos livres” (trecho do Manifesto da poesia pau-brasil de Oswald de Andrade de 1924.). Será que os críticos esqueceram desse 'detalhe', ao julgar a desapropriação de certos artistas ao tema da mostra? Bienal é aquela exposição de arte que todos esperam dois anos para ver ou um reduto de intelectuais?. E arte é para ver, ou “Aquilo que você vê não é aquilo que você vê”?.

A percepção vai além da visão e a arte vai além da história. É um estado de primeira-idade, contemplação do primeiro instante tanto de um estudante como o de um artista. “Nossa época anuncia a volta ao sentido puro” (trecho do Manifesto da poesia pau-brasil). Sentido esse, que as crianças têm ao intrigar-se com as formas 'diferentes' de René Magritte, alegrar-se com as cores de Tarsila e Van Gogh; libertar-se com o “fantasma” de Antonio Manoel; ou se aterrorizar com a obra de Edgar de Souza. A experiência de ir a um lugar inusitado, o qual não se tem repertório algum pode ser um passo a caminho da busca do conhecimento, desde que não se caia na 'banalização' comercial dos tempos modernos.

A arte está sendo feita para dialogar com o universo e não para ficar preza aos museus ou galerias. Levar o que se diz 'cultura' ao povo é resgatar sua própria identidade. Cultura é tudo o que se vive, seja em uma selva ou dentro de um apartamento. “Temos a base dupla e presente - a floresta e a escola...” (trecho do manifesto poesia pau-brasil). Conhecimento se adquire através do empirismo, com uma 'pitada' de filosofia e teoria. O equilíbrio é a chave que abrirá todas as portas do mundo. “A alegria é a prova dos nove” (manifesto antropofágico).

“Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.” (manifesto antropofágico). 'Entender' a Bienal em seu contexto histórico e artístico é fundamental para todos os cidadãos, matéria-prima dos artistas e do próprio homem, mas 'curtir' as cores, as formas, e os sentimentos refletidos pelas obras é uma das experiências mais ricas que alguém possa ter.

Não cabe exclusivamente a uma exposição de arte 'tapar o buraco' da desinformação e falta de repertório da maioria das pessoas. Todo processo de erudição, deve ser construído através da educação básica em uma sociedade mais estruturada. Mas não é maravilhoso ver a surpresa estampada no rosto dos velhinhos, o sorriso nas crianças, o amor apaixonante no casal de namorados, a dúvida no semblante do crítico de arte, a descoberta de um novo mundo nos olhos da dona-de-casa? Isso é uma mágica que se renova a cada dois anos... Unir os pedaços da vida é um ato mais do que antropofágico. É um ato humano.

“Preocupado no que as obras têm a lhe dizer individual e pessoalmente, o público não busca um discurso totalizante da exposição e não deve ser criticado por isso. Essa tampouco é uma obsessão dos artistas, e não devia ser. É obsessão de curadores, críticos, historiadores, diretores.”, afirma o crítico Teixeira Coelho. “No passado, a Bienal teve a função de ser um museu temporário. Hoje não é mais. Os museus cumprem a função de trazer grandes exposições. Para trabalhar com material histórico, a Bienal deve entender que história da arte e crítica da arte andam juntas e fariam muito sentido se trabalhassem dentro da contextualização presente.”, esclarece o curador da mostra Paulo Herkenhoff.

O curador pretende evitar noções como fronteiras entre as salas e estimular diálogos entre os selecionados e sua participação com o público. Para ele a Bienal não tem um tema exclusivo, mas trabalha com o conceito de antropofagia, que consiste na incorporação de valores culturais alheios para a criação de sua própria identidade.

É uma mostra de 'curadores vale-tudo', da antropofagia à 'angústia canibal de ser anulado pelo fascínio do objeto', passando pelo trans-humano e a fotografia como 'roubo da alma'. “Buscamos noções de transparência, que permitissem diálogos e que enriquecessem e ampliassem as possibilidades de percurso. Era preciso entender que, ao mesmo se as obras tem existências individuais, essa transparência permitiria um fluxo do olhar entre elas. Os grandes segmentos da Bienal devem estabelecer conexões entre si”, disse Herkenhoff.

Numa sociedade canibal, o sistema de signos não admite variantes. Então, por que não fazer uma Bienal de um artista só? Simples: porque os artistas resistem a essa redução, mesmo quando se apropriam da obra dos outros para construir a sua. “A história como fenômeno geral nunca teve a racionalidade que nela querem encontrar os sistemas de idéias variados. Menos ainda a tem a história da arte. Na 'história' da arte haverá espelhamentos, influências, reverberações. Mas não uma linha, menos ainda silogismos.” (Teixeira Coelho).

Nossos ancestrais guaranis, por exemplo, achavam que a pessoa se dividia em duas partes quando morria: uma ligada ao corpo físico e outra à alma e ao verbo. Assim, os devorados consideravam seus canibais como veículos de transcendência, porque seus corpos não apodreciam na terra e nem virariam espectros maliginos. Cabe lembrar que autoria é uma questão moderna, burguesa. O artista antigo tinha a consciência de que não vinha do zero, de que tinha uma história. Canabalizava conscientemente a obra alheia.

Ao assumir que 'só a antropofagia nos une', a Bienal não está declarando seu credo no que os católicos romanos chamavam de transubstanciação, ou seja, a devoração do corpo de Cristo no momento da comunhão. Está sim, assumindo que a padronização cultural na era da Internet acabou com a possibilidade da autoria. Não existe, assim, espaço para a obra original, não contaminada. A matriz responsável pela geração dos artistas transformou todos eles em seres intercambiáveis, o que é mais monstruoso que o canibalismo original.

A antopofagia surge dentro dessa perspectiva de se trabalhar a questão da cultura brasileira, que perpassa por várias artes: está na pintura, na literatura, no cinema, na fotografia, no teatro, na música. Depois atravessa o tempo. Ela toma uma forma em 1928 com a pintura de Tarsila do Amaral, mas já era possível falar de modos antropofágicos na pintura brasileira há séculos, desde o barroco, por exemplo. Ao mesmo tempo, a antropofagia atravessa o tempo, na direção presente na medida em que artistas como Glauber Rocha, Caetano Veloso, Hélio Oiticica, Lygia Clark foram capazes de reencontrar possibilidades de antropofagia para o momento específico em que viveram.

Qual a vitalidade de uma cultura que gira ou que se faz girar tanto tempo ao redor de um único eixo? Mário reinou sozinho durante quase meio século, mesmo depois de Oswald publicar seus manifestos, e continua sendo envocado. De outro lado, Oswald e a antropofagia só foram aceitos no final dos anos 60. Não há outros nomes e idéias com base nos quais poderia aventurar a cultura brasileira? “A Bienal tem a função de apresentar um panorama, um recorte da arte. A Antropofagia foi desde o começo uma escolha que estivesse vinculada à cultura do Brasil. Não queríamos ter a Europa como ponto de referência, e sim nossa própria cultura como ponto de partida”, esclarece Herkenhoff. ” Nunca fomos catequizados. Fizemos foi carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.” (manifesto Antropofágico).

“Conta todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida.” (manifesto Antropofágico). “Antropofagia não é um padrão. Toda vez que alguém enlata a antropofagia, ela deixa de ser antropofagia.” (Paulo Herkenhoff). É hora de cumprirmos o quarto 'mandamento' do Manifesto Antropofágico, que pede para sermos 'contra todas as catequeses', e passar à devoração final da própria antropofagia e de seu pai e profeta.

“Quanto a mim vou à Bienal ver as obras uma a uma. O prazer visual que o ficcionista Herkenhoff me der será sempre mais decisivo que a lenda imposta às obras. E vou pensando que, se há um manifesto a afirmar hoje, é aquele em favor da libertação dos curadores, e das obras de arte. A arte, assim como as exposições, não precisa de tese a cosê-las, conclui Teixeira Coelho.

Exercício da disciplina História de Arte do curso de Comunicação Social, escrito na Universidade Anhembi Morumbi em ?/?/1998.
Legenda da imagem: reprodução da obra Ubapuru de Tarcila do Amaral. Figura de um ser humano com braços e pernas bem maiores do que a cabeça, retratadas de lado em cor de pele. Ao fundo do ser humano um céu azul celeste, um cactus gigante bem verde e um sol bem redondo, laranja forte e amarelo vivo. As cores e as formas são bem marcadas e marcentes na obra de Tarcila.

'Dedicatória-resenha'

O sopro leve da poesia
Por Leandra Migotto Certeza.

As palavras são como pedras trilhando o caminho da vida. Feliz é aquele que tem um amigo que as escolha. O poeta é a aquele que anda a caçar idéias, como um caçador de borboletas, procurando prender ao pensamento as palavras que ao vento se perdem no seu mundo solitário. O amigo é aquele que as carrega pela vida, com um caderninho pendurado no pescoço e as entrega ao poeta com um sorriso leve e seguro.
O leitor ao abrir as páginas de “EU&MCZ 15 anos de poesia” de Henrique Osório da Fonseca - economista de profissão e poeta de coração - sentirá o sopro leve da vida, como um olhar de amigo. Em meio a verdadeiras declarações de amor (como em “Teu olhar” poema feito de palavras simples); um bilhete a namorada; ou confissões escancaradas do sentimento humano mais incontrolável como a paixã (que é leveda as últimas consequências nos versos de “Refúgio”); à reflexões profundas sobre as diversidades sociais; além do próprio fazer poético, tudo misturado em um mar de sentimentos, o leitor mergulhará em uma busca interior.

O livro é recheado de dedicatórias, homenagens e palavras sobre sua tragetória como poeta. Para o leitor que gosta de conhecer, não só a vida de quem está por tráz dos livros através de suas obras, mas também fora delas; esta coletânea de versos simples e introspectivos será bem saborosa, com “gostinho de quero mais.” Agora para o leitor que está acostumado a um texto construído inteiramente por metáforas e vocabulário erudito, sua obra não passará de um simples caderno de anotações.

“A grande sabedoria vê tudo num só, a pequena sabedoria multiplica-se entre as muitas partes.” Ao colocar esta frase anônima como epígrafe de sua obra, Henrique Osório, declara aos leitores, que as palavras são nada mais do que um retrato dos mais simples sentimentos humanos. Todo leitor aberto às inúmeras janelas da vida que os livros nos trazem, saberá apreciar, em sua obra, a essência humana: sua alma caleidoscópica.
'Dedicatória-resenha' escrita a pedido do professor Luiz Carlos Palma para a obra EU&McZ - 15 anos de Poesia - Henrique S. Osório da Fonseca - Scortecci Editora - pg. 25 - ISBN: 85-73272-158-8 - em ?/?/ 1998