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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Discriminação educacional


Cadeirante intimado a devolver dinheiro pago pelo estado para ir à faculdade diz: ‘Não quero ser herói’

Fonte: http://extra.globo.com/noticias/rio/cadeirante-intimado-devolver-dinheiro-pago-pelo-estado-para-ir-faculdade-diz-nao-quero-ser-heroi-20261611.html

Igor na porta de casa, em Queimados

Até entrar na faculdade, Igor Lima da Cruz Gomes superou um parto prematuro, o abandono do pai, oito cirurgias, um erro médico, dificuldades financeiras e desafios diários com locomoção. A vaga no curso de Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), porém, ficou ameaçada por conta de míseros 33 degraus. Obstinado a vencer outra batalha, o cadeirante de 21 anos processou o governo do estado e a SuperVia pela falta de acessibilidade na estação de trem de Queimados, na Baixada Fluminense, onde mora. 

Em primeira instância, uma vitória: ele recebeu R$ 16.800 para, enquanto as obras não fossem feitas, prover um carro alugado que o levasse até a universidade durante três meses. No entanto, após um recurso do mesmo governo do estado que vem atrasando o pagamento de servidores, pensionistas, inativos, terceirizados e fornecedores, agora é Igor, intimado pela Justiça a devolver o valor já investido no transporte, quem “deve” ao poder público.

Por que você decidiu recorrer à Justiça?

Não era a minha primeira opção. Desde que eu soube que havia passado no vestibular, procurei vereadores e até o prefeito aqui de Queimados. Alguns fizeram promessas, outros disseram que não tinham como ajudar, mas o fato é que não consegui nada. Falei até com o gabinete do Romário em Brasília (o senador costuma defender causas relativas a pessoas com deficiência). Quando percebi que o início das aulas estava próximo, decidi procurar a Defensoria e ingressar com a ação.

Que dificuldades você enfrenta para ir até a faculdade?

Pra começar, o ônibus. O ponto é perto da minha casa, mas, às vezes, não tem o elevador, ou não funciona, ou sou eu que preciso ensinar ao motorista sobre como operar. Na estação de trem, eu até consigo passar da roleta, mas, na hora de descer para a área de embarque, só tem a escadaria. Preciso esperar surgirem quatro funcionários da SuperVia dispostos a ajudar, desmontar a cadeira e montá-la de novo (só as duas baterias pesam mais de dez quilos). Esse processo todo costuma demorar uns 20 minutos ou mais. Na Uerj, pelo menos, a acessibilidade é melhor (a Estação Maracanã foi reformada para a Olimpíada e a Paralimpíada).

Igor na casa onde mora com a mãe, Rogéria, que aparece ao fundo
Igor na casa onde mora com a mãe, Rogéria, que aparece ao fundo Foto: Roberto Moreyra

Como você recebeu a decisão sobre a devolução do dinheiro?

Quando fui notificado, já havia pagado os três meses de transporte particular com o valor que a juíza destinou inicialmente. A defensora pública que estava me acompanhando orientou que eu devolvesse tudo, mas não tenho nem perto disso, até porque não sei se a locadora estornaria sequer parcialmente essa verba (até o momento, ele só utilizou o serviço por pouco mais de um mês). O defensor que assumiu o caso agora, porém, disse que vai recorrer e que não preciso fazer isso desde já, porque o recibo é de data anterior a essa segunda decisão (a Defensoria não respondeu ao contato do EXTRA sobre o processo de Igor).

E se for mesmo preciso pagar?

Uma amiga da faculdade soube de tudo isso e resolveu ajudar organizando uma vaquinha virtual (http://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajudeoigor). O lado bom foi esse: acabei ficando mais próximo dos outros estudantes. Colocamos uma meta inicial de R$ 6 mil, que é o custo de um mês de transporte, e já estamos com quase R$ 4 mil (na noite de sexta-feira, o valor total foi alcançado e reajustado para R$ 17 mil, suficiente para cobrir toda a dívida com o estado). Teve gente que nem conheço doando mil reais, é uma coisa incrível. Ainda não sei como vai ficar a situação na Justiça, mas, dependendo, pelo menos já daria para pagar o aluguel do carro por outros três meses. Ah, também fizeram um abaixo assinado (https://www.change.org/p/supervia-ajude-igor-e-outros-milhares-de-portadores-de-necessidades-especiais), que tem 37 mil assinaturas (o número já chegou a quase 70 mil).

Igor na formatura do Ensino Médio
Igor na formatura do Ensino Médio Foto: Arquivo pessoal

A SuperVia fez algum contato?

Já são três dias seguidos com um homem se dizendo do departamento jurídico de lá me ligando, mas sem nem dar o nome (a entrevista ocorreu na quinta-feira). Ele pede que eu envie a grade curricular da faculdade, para ter mais funcionários nos horários em que eu for passar pela estação. O que quase fez eu mandar o cara ir para aquele lugar foi ele afirmar que aquilo era um favor, que a SuperVia não tinha obrigação. E que não havia previsão para obras de acessibilidade em Queimados, mesmo depois da determinação da Justiça. Não aceitei, claro, até porque resolver só a minha situação não adianta. Não quero ser herói do Brasil, mas e os outros cadeirantes? Tudo bem que não tenhamos um país 100% adaptado, mas, pelo menos, o transporte público precisa ser.

Qual o seu problema de saúde?

Nasci prematuro de sete meses, pesando um quilo e meio (a mãe mostra fotos do bebê miúdo). Tive falta de oxigenação no cérebro, o que causou uma paralisia do tipo diplegia espástica. Até os 14 anos, fiz oito cirurgias para tentar corrigir os problemas nos membros inferiores, além de uma na vista. A penúltima intervenção, porém, acabou piorando muito meu quadro. Me disseram depois que a médica puxou demais o tendão do joelho, tirando a pouca firmeza que eu havia conseguido adquirir. Desde então, uso a cadeira de rodas.

Por que você optou pelo Direito?

Quando fui crescendo, começaram a surgir várias dúvidas. O que eu posso fazer? Quais os meus direitos? O interesse por conhecer as leis veio daí. Na escola, professores também me aconselharam nesse sentido. Consegui entrar na faculdade, e meu sonho agora é ser juiz.

A estação da exclusão: Igor só chega na área à direita com ajuda
A estação da exclusão: Igor só chega na área à direita com ajuda Foto: Márcio Alves / 20.10.2015

Obras para adaptar estação ainda não têm data

Procurada, a SuperVia não confirmou as ligações para a casa de Igor, mas reconheceu que fez contato com o rapaz. Por nota, a concessionária assegurou que “está mobilizada para oferecer auxílio no momento do embarque e do desembarque” do cadeirante. Porém, além de não especificar como se daria essa ajuda, a empresa não fixa datas para que a estação de Queimados se torne acessível.
A decisão em primeira instância, de 21 de julho, porém, dá um prazo de seis meses para que a reforma seja feita. Até a conclusão da obra, a SuperVia e o governo do estado precisariam assegurar o transporte do universitário, conforme determinou a juíza Isabel Teresa Pinto Coelho. Em setembro, a magistrada Luciana da Cunha Martins Oliveira acatou recurso e suspendeu o pagamento pela locomoção, mas não a imposição das obras na estação.

Mesmo diante da determinação judicial, a SuperVia afirma apenas que “apresentou defesa” e informa, genericamente, “que segue o plano de investimentos que prevê tais intervenções nas estações, conforme contrato de concessão”. Atualmente, segundo a própria empresa, somente 20 das 102 estações ferroviárias contam com itens de acessibilidade, 19 delas “adaptadas na gestão da atual concessionária”.

Enquanto corre a batalha na Justiça, Igor fez, anteontem, a primeira prova na Uerj. Na casa humilde de muro verde no bairro de Vila Americana, em Queimados, onde um banco de cimento na entrada e puxadores nas paredes improvisam acessibilidade, a vigilante Rogéria da Cruz, de 40 anos, não esconde o orgulho do filho. Sobra espaço, porém, para o receio de que os rivais à frente sejam poderosos demais.
— Nem eu sabia que ele era tão forte assim — derrete-se.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Companhia da aviação Gol desrespeita cidadã com deficiência física!

Por Maria Dolores Fortes


Em  setembro deste ano fiz a  solicitação à GOL do desconto para acompanhante (de acordo com a Resolução Anac nº 280, de no mínimo 80% na passagem aérea do(a) acompanhante, Esse desconto deve ser concedido para compra da passagem aérea à acompanhante da pessoa com deficiência que necessita de auxilio para alimentação, toilletetc).

Em setembro, como agora, fiz a compra de minha passagem, a reserva de minha acompanhante e enviei o LAUDO MEDIF preenchido pelo meu médico do ACCAMARGO. Foi enviado o laudo pelo menos meia dúzia de vezes e em cada momento havia uma nova exigência, inclusive de outro laudo além do MEDIF. Barraram até mesmo minha passagem fazendo exigências absurdas. Sendo que minha deficiência é apenas física e tenho limitações de movimento, mas estou em excelentes condições de saúde. Já viajei inúmeras vezes inclusive em voos internacionais sem problema algum. 

Apenas enviei o laudo MEDIF, visto o direito que temos, outorgado pela ANAC. Mas, pelo que vemos, na GOL fazem questão de dificultar o acesso ao direito. Um mês, laudos indo e voltando, fiz a reclamação no site “Reclame aqui “ e no dia seguinte a questão foi resolvida e cederam o desconto.

Em outubro viajei para Aracaju, novamente e infelizmente pela Gol. Como a empresa que e contratou, comprou a passagem de minha acompanhante, não houve exigência, nem empecilho algum.

Agora, em novembro, fiz nova solicitação a GOL de passagem para acompanhante para meu retorno de Salvador-São Paulo. Fui à Salvador pela TAM, que também solicitou laudo MEDIF, mas simplificado e em menos de 24h, aprovou o desconto de acompanhante sem burocracia.

Meu médico particular e sua assistente, preencheram os laudos MEDIF e relatório médico para GOL exatamente igual ao que tinha sido feito e aprovado pelo médico do ACCAMARGO, em setembro.Fiz a reserva da acompanhante no mesmo dia de minha compra e no dia seguinte enviei os Laudos.Novamente a saga se repetiu, inúmeras exigências e bloquearam até mesmo meu embarque. 

A Gol retornou o laudo pelo mesmo equívoco ocorrido no mês de setembro, mas que havia sido aprovado Refizemos o laudo, porém, até o dia do embarque (25/11/2013, 9.35 AM) não houve retorno do Medif. Antes de ir para o aeroporto, liguei para o SAC da empresa por horas a fio, ou não completava a ligação ou caia após longa espera na linha. Fui ao aeroporto horas antes do horário previsto para embarque e não havia responsável da empresa para solucionar o problema. Mandaram ligar no SAC novamente. 

O mesmo ocorreu. Não completava a ligação pelo celular ou ligando do orelhão, atendiam e muito tempo depois, na espera, a ligação caia. Fui levada à uma sala da Gol para fazer a ligação havia acessibilidade para entrar. Fiz queixa na ANAC do aeroporto, que indicaram a procurar a gerência da GOL para solucionar o problem. Não havia gerência ou não apareceu. Perdi voo. Remarcaram para o dia seguinte indicando que aguardavam retorno do MEDIF. 

Minha reserva no hotel finalizava-se no dia 25, pois fui novamente a trabalho. Não houve nenhuma atenção e amparo da empresa aérea. Eu deveria retornar à SP dia 25/11, pois, trabalho e resido. Foram refeitos os laudos várias vezes e novas exigências apareciam, inclusive de Novo relatório medico com data atualizada e detalhado (Relatar também neste NOVO relatório medico com data atualizada-  referente a outra  doença descrita,  Saturação de oxigênio em ar ambiente, frequência respiratória, PA, Hemograma completo e Hemoglobina para que possamos analisar a possibilidade de Embarque (há um item que solicitada data da última cirurgia, no meu caso, faz quase um ano)). 

Relatei à empresa que esses relatórios eram impossíveis de adquirir, visto que resido em SPe sabemos, que mesmo aqui, não é fácil que marquemos uma consulta médica de imediato. Ainda, tanto PA, frequência cardíaca e saturação, já constavam no laudo, todas dentro dos padrões de normalidade. Mais ainda, como disse e consta nos laudos, tenho apenas deficiência física, nada mais. As intransigências da empresa seguiram e nada se resolveu até o final do dia 26/11.

 Fiz a compra de uma nova passagem aérea pela AVIANCA. Solicitei o desconto de acompanhante, que foi concedido de imediato. Solicitaram somente um simples laudo médico declarando porque a necessidade de acompanhante). Como sempre porto esses laudos, não houve problemas nenhum. Tudo se resolveu sem burocracia e com muito tranquilidade pela AVIANCA. Parabenizo essa empresa. Com relação a GOL, vou encaminhar esse relato ao MINISTÉRIO PÚBLICO, AO CONSELHO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA e acionar os órgãos de defesa do consumidor para ressarcimento dos danos físicos e morais.