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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Grávida de mim mesma.



Por Leandra Migotto Certeza*

Estou grávida de mim mesma. A concepção aconteceu tão rápido que eu nem me dei conta que o óvulo foi fecundado há mais de 14 anos, depois de muitas tentativas imaturas. A gestação é dolorida e pesada, e está só começando...

Descrição da imagem: foto, em close, das minhas pernas fechadas e com as mãos cruzadas sobre os joelhos, bem no meio do local por onde nascem os bebês. Estou de bermudas jeans super curtas; e sentada em minha cadeira de rodas.

O embrião se contorce a cada nova descoberta. A respiração fica mais lenta ou acelera a cada novo choro convulsivo ou abafado. O medo e a insegurança dão lugar a novas descobertas.

Conhecer a si mesmo no mesmo ritmo que se sente é complicado, mas parece o jeito mais sólido e intenso de se transformar e evoluir. Eu não posso engravidar, mas tenho o direito de ser mãe tendo uma deficiência física! Eu não posso dançar flamengo e tango, mas tenho o direito de me arrepiar quando vejo os corpos se unirem com a alma, a cada passo dos bailarinos.


Queria estar no lugar de quem tem um corpo diferente do meu. Tenho o direito de desejar ser outra pessoa, e como é bom! Não preciso bancar a conformada, aceitar a roupa de heroína (que me colocaram) ou me afundar no poço da depressão. Escolhi o caminho do meio.


Eu não posso fazer amor com tanta volúpia, e em posições que sempre sonhei; mas posso ter orgasmos estupendos! Eu não posso sentir meu corpo mudar, ao abrigar um novo ser em meu ventre, mas posso amar - incondicionalmente - as crianças que habitam e habitarão o meu coração.


Crescer é isso... Lidar com frustrações o tempo todo. Saber que a resiliência é o nome bonito que deram para a capacidade de amar. Eu não posso amamentar um bebê quentinho em meus braços, mas tenho muita seiva escorrendo, pelos fios da minha alma, para alimentar espíritos sedentos.


Eu tenho 96 cm, e o tamanho de quem eu queira ser, a cada novo amanhecer. Eu tenho o direito de me revoltar, quebrar vidraças internas, gritar bem alto e depois adormecer no colo do meu amado.


Fui poupada de tantas dores que a ferida só aumentou. A culpa não existe. É um sentimento idiota que o ser humano inventou para se auto-punir, por temer se olhar no espelho.


Religião é re-ligar, e não desligar o ser da realidade da sua imperfeição. Mas o melhor mesmo é encontrar um significado novo, a cada dia, para o que podemos ou não conseguimos.


O processo de crescimento é lento, mas tem raízes, tronco, caules, folhas, flores e frutos. Muitos frutos! Não é infértil. É grávido de vida. O meu auto-conhecimento se intensificou com a pancada da impossibilidade de não engravidar nunca.


O meu conhecimento sobre a vida; se multiplica cada vez que eu aprendo a me adaptar às potencialidades; e me dou o direito de vomitar o que sei que posso transformar, mesmo que ainda seja indigesto.


*Leandra Migotto Certeza, jornalista, ativista em Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, e autora do Blog Caleidoscópio.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

URGENTE: Convocação de advogados competentes

Descendo a ladeira, literalmente.

Injustiça pouca é bobagem!

Por Sacha Band*

Aldo Salzedas, 30 anos, portador de Paralisia Cerebral, deficiência que costuma ocorrer quando há algum tipo de procedimento médico inadequado, geralmente há a Anoxia (falta de ar antes, durante ou depois do parto) e que deixa seqüelas no sistema motor, ou a pessoa desenvolve alguma deformidade física, fala com dificuldade ou não anda. E em alguns casos, dependendo da gravidade, compromete o desenvolvimento intelectual. Não é o caso do Aldo que já concluiu, a duras penas, o curso de jornalismo. Só para se ter uma idéia, teve até que vender a cadeira de rodas para pagar as mensalidades.

O jornalista tem uma irmã e, alegando que o irmão é incapaz de gerir sua própria vida, apropriou-se dos bens da família e o expulsou de casa - Aldo morava na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, onde dividia com a irmã a moradia. Contudo, ele acredita que a razão principal é o fato de estar vivendo, há seis anos, com a ex-secretária que prestava serviços em sua residência. O que está em jogo, na verdade, são duas casas em São Paulo e duas casas em Cuiabá, não é pouco.

Aldo está vivendo um enorme impasse. Não consegue usufruir de consultoria jurídica gratuita porque é “proprietário” de bens imóveis e não consegue pagar um advogado particular porque não tem acesso à documentação, que está em poder da irmã, onde poderá provar que no final do processo irá arcar com os custos advocatícios. Restou ao jornalista a aceitar da sua companheira a moradia que lhe faltava.

Modesta e simples, com difícil acesso para quem é cadeirante – Aldo só consegue chegar à casa com ajuda de alguém, há uma ladeira muito íngreme - a casa fica no Jardim Alvarenga, fronteira com Diadema, extremo sul de São Paulo; longe das oportunidades de emprego, dos amigos, vizinhos e de sua residência, local onde era sua referência de vida.Aldo precisa com urgência de um advogado que se sensibilize com a sua causa, conquiste a partilha de bens e possa ser feliz, a sua maneira, e construir os próprios sonhos.

Briga entre irmãos é muito comum, desde que o mundo é mundo. Aliás, lembram de Abel e Caim? Um dos últimos embates entre membros da mesma família, que veio a público, e que teve conseqüências graves para ambos, um inclusive já morreu, foram os irmãos Collor de Mello. A história se repete, agora o protagonista é Aldo Sarzedas.

É por isso, que fazemos um apelo aos advogados que se interessam por causas como esta, para entrarem em contato conosco o mais rápido possível!!

*Sacha Band - estudante de jornalismo com deficiência física e amigo de Aldo - Tel: (11) 3663-5504 ou 9699-7668 ou sachaband@gmail.com ou MSN: sachaband@hotmail.com ou SKAYPE: SACHALEALDO - Tel: (11) 6331-2392.

Descrição da imagem: Foto de Aldo recostado em uma cama com bastante dificuldade física, por não estar bem acomodado em uma cadeira de rodas feita sob medida. Ele está em um quarto pequeno e sem estrutura para se fazer reabilitação. Aldo tem os cabelos pretos compridos e veste camiseta e bermudas.