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quinta-feira, 26 de maio de 2016

“Duas em cada três pessoas com deficiência sofrem rejeição no trabalho”


Em entrevista ao blog Vencer Limites, a diretora de comunicação corporativa e responsabilidade social da Novartis, Yara Baxter, aborda as dificuldades para a conquista da inclusão de fato no Brasil e destaca as ações da empresa para garantir que funcionários com deficiência sejam totalmente integrados.

O desafio da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho está muito além das exigências da Lei de Cotas (8.213/1991 – art. 93), que completa 25 anos no próximo dia 24 de julho. Mesmo com muitas campanhas de conscientização e com os conteúdos abrangentes e aprofundados sobre o assunto disponíveis atualmente, ainda existem muitas barreiras contra a diversidade, que dificultam a plena compreensão das diferenças como algo benéfico para empresas e empregados.
Felizmente, cada vez mais, grandes corporações têm apostado na contratação de pessoas com deficiência e investido em ações para a desmistificação e o combate ao preconceito. Para saber mais, o blog Vencer Limites conversou com Yara Baxter, diretora de comunicação corporativa e responsabilidade social da Novartis. Segundo a executiva, o Brasil tem uma diversidade cultural, étnica e de gêneros que estimula a diversidade, e que precisa ser explorada.
Yara Baxter é diretora de comunicação corporativa e responsabilidade social da Novartis. Imagem: Divulgação
Yara Baxter é diretora de comunicação corporativa e responsabilidade social da Novartis. Imagem: Divulgação
Vencer Limites – Qual a sua avaliação sobre a inclusão de pessoas com deficiência no Brasil, de forma geral, em todos os setores (educação, trabalho, saúde, lazer, etc)?
Yara Baxter – Segundo pesquisa recente pela consultoria Santo Caos, 44,7% das pessoas com deficiência realizam atividades ocupacionais, mas apenas 1,8% têm registro no Ministério do Trabalho. Além disso, duas em cada três pessoas com deficiência ainda sofrem com a rejeição dos companheiros de trabalho.
A partir dessa fotografia, conseguimos identificar que há um caminho muito grande que deve ser trilhado no que tange à inclusão genuína de pessoas com deficiência no Brasil. Há muita desinformação sobre o assunto e ainda há preconceitos. Acredito que todos os representantes da sociedade civil e organizada devam atuar de forma ativa para que consigamos atingir um patamar de igualdade, não apenas para as pessoas com deficiência, mas para um ambiente inclusivo e diverso que atenda a necessidade de todos.
Atuo na Novartis há mais de 20 anos, e desde a fundação da empresa, o tema de diversidade e inclusão tem grande relevância. Desde 2008, a Novartis Brasil formalizou esse compromisso e criou o Comitê de Diversidade e Inclusão no Brasil. Hoje, o comitê conta com mais de 30 colaboradores que realizam reuniões regulares e atuam, entre outras atividades, para identificar quais são os reais problemas do dia a dia de pessoas com deficiência na empresa. Além disso, temos o cuidado de garantir a presença de um representante de RH para que cada assunto abordado seja devidamente endereçado e tenha uma resolução oficial.
Outro ponto fundamental é a participação de colaboradores de todas as hierarquias da empresa, inclusive da alta liderança, que fortalece e reforça o nosso comprometimento genuíno em proporcionar um bom e agradável ambiente de trabalho para todos. Na Novartis, nós consideramos diversidade e inclusão numa perspectiva de 360 graus, não limitado aos convencionais atributos como: etnia, gênero, religião, orientação sexual, idade, nacionalidade, a deficiência física e intelectual, mas também a governança de todas estas frentes. Cada um de nós é diferente e precisamos respeitar essas diferenças e com isso, aprendemos. Diversidade e inclusão geram inovação. Aprendemos diariamente com eles e essa troca de experiências é fundamental e enriquecedor para todos.
2. Quais as principais dificuldades para incluir de fato essa população, para que exerçam a cidadania real?
Yara Baxter – Primeiramente, deve haver uma conscientização da população com relação às pessoas com deficiência, desmistificando preconceitos e trazendo informações de qualidade sobre o tema. A partir do momento que você vence esse preconceito e enxerga o outro como igual, conseguiremos exercer a real cidadania.
Contratar um funcionário com deficiência pode ser relativamente simples. Entretanto, para gerar a real inclusão dessa pessoa no ambiente de trabalho, e proporcionar desenvolvimento profissional e pessoal de qualidade, é uma tarefa que exige um esforço diário, mas ao mesmo tempo muito gratificante.
Temos um exemplo na Novartis de uma ação que realizamos em 2013, em Cambé (PR), onde está a fábrica da divisão Sandoz que produz genéricos. Com o objetivo de promover a inclusão na região e trazer pessoas com deficiência para trabalhar na fábrica, a equipe local criou o Projeto Incluir, que realizou um curso de diagnóstico e capacitação.
Na primeira etapa, foi feito um levantamento e 36 entrevistas foram realizadas com um grupo integrado por pessoas com deficiências visual, auditiva, intelectual e física. Os resultados mostraram que a maioria poderia trabalhar, mas não conseguia cumprir as necessidades da empresa ou não tinha instrução suficiente para atender ao processo de recrutamento. Os resultados também mostraram as áreas na quais essas pessoas querem ampliar o conhecimento, como o aprendizado de uma língua estrangeira, especialmente inglês, e melhorar a capacidade de lidar com o computador, com foco em tecnologia da informação.
A partir desses resultados, começamos a segunda fase do processo, que foi encontrar parcerias para nos apoiar em fornecer a capacitação. Fizemos a parceria com o SENAI. Eles forneceram o curso e a Sandoz Brasil cedeu a estrutura da fábrica e transporte gratuito para os participantes.
Como resultado da iniciativa, a fábrica da Sandoz em Cambé realizou a formatura de 14 alunos que finalizaram 160 horas de curso com um evento especial. Nós compartilhamos a iniciativa e currículos dos alunos com empresas da região, com uma carta assinada e enviada pelo RH e, recentemente, um dos estudantes do projeto foi contratada para o departamento de embalagem em Cambé.
Por meio desse exemplo de iniciativa inclusiva, podemos concluir que, para conseguirmos a cidadania real é necessário que diversas empresas, entidades, organizações não governamentais e órgãos oficiais participem ativamente dessas ações e trabalhem de forma integrada.
Vencer Limites – Qual a força do voluntariado na conquista da inclusão?
Yara Baxter – O fato de ser voluntário abre um precedente essencial nessa ação. Pra atuarmos de forma voluntária, precisamos acreditar naquilo que estamos fazendo. Quando isso acontece, as pessoas veem que é uma ação genuína e resolvem participar de forma ativa também gerando engajamento.
Vencer Limites – Por favor, explique mais sobre as ações que celebraram o ‘Dia da Parceria com a Comunidade’, principalmente aquelas voltadas às pessoas com deficiência.
Yara Baxter – Foram ações no ambiente digital com o objetivo de prover informações sobre saúde, qualidade de vida, cidadania e gerar engajamento por meio das redes sociais corretas. As ações voltadas às pessoas com deficiência contaram com posts diários sobre diversidade e inclusão e um depoimento online.
O vídeo sobre a ‘Carona solidária’ estimula um pequeno gesto de conceder uma carona de guarda-chuva ao cadeirante. Também foi compartilhado nessa semana o aplicativo ‘Hand Talk’, um tradutor para Libras (Língua Brasileira de Sinais) que auxilia na inclusão de pessoas com deficiência auditiva. Colocamos também o app ‘Cidadera’, que ajuda a avisar a prefeitura sobre locais de baixa acessibilidade.
Além disso, tivemos o vídeo com o colaborador Paulo Policastri, que tem Síndrome de Down e trabalha há 10 anos na empresa. Paulinho gravou um depoimento e contou como atua no mercado de trabalho, como é o seu dia a dia e ainda comentou sobre sua especialidade na cozinha. Ele retratou principalmente a importância da inclusão na sociedade.
Trabalhamos a inclusão em suas diferentes perspectivas, compartilhando informações por meio de gifs produzidos que trazem mitos e verdades sobre cada condição e desmistificando doenças que são marginalizadas, como hanseníase, epilepsia e esclerose múltipla. Todas essas ações estão disponíveis na comunidade ‘Embaixadores do Voluntariado’.
Vencer Limites – Quais exemplos positivos de outros países o Brasil deve observar para garantir a inclusão? E quais exemplos positivos o Brasil tem para mostrar?
Yara Baxter – Países como Noruega, Austrália, Suíça, Holanda e Canadá são referências na área de diversidade e inclusão, pois possuem uma base educacional sólida e condições socioeconômicas que propiciam um ambiente mais igualitário. Não precisamos citar ações complexas. Iniciativas simples fazem a diferença, como por exemplo, os ônibus em alguns países na Europa já são produzidos de acordo com a altura das calçadas para facilitar as entradas dos passageiros e cadeirantes, as estações de metrô possuem rampas de acesso e facilitam a circulação. Muitas vezes, esses pequenos detalhes que fazem a diferença na vida de um cadeirante colocam o Brasil em uma posição de desvantagem.
Apesar disso, no Brasil, temos uma diversidade cultural, étnica e de raças e gêneros formidável que contribui para troca de experiências e que propiciam um ambiente diverso de uma forma inovadora e que tem muito potencial para ser melhor explorada.
Fonte: http://brasil.estadao.com.br/blogs/vencer-limites/yarabaxter-novartis/

terça-feira, 14 de julho de 2015

Retrocessos no processo de inclusão de 25% da população brasileira!


Mal assessorada, presidente Dilma veta artigo da Lei Brasileira da Inclusão
que previa cota em empresas de 50 a 99 empregados

            A inclusão social é a palavra-chave que deve nortear todo o sistema de proteção institucional da pessoa com deficiência no Brasil, mas ao sancionar a Lei Brasileira da Inclusão, dia 6 de julho, a presidente Dilma decidiu vetar um artigo que obrigava empresas com 50 a 99 empregados a reservar pelo menos uma vaga para pessoas com deficiência ou reabilitadas.
            Oficialmente, o veto foi solicitado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, justificando que “a medida poderia gerar impacto relevante no setor produtivo, especialmente para as empresas de mão de obra intensiva de pequeno porte, acarretando dificuldades no seu cumprimento e aplicação de multas que podem inviabilizar empreendimentos de ampla relevância social” segundo informou o Diário Oficial no dia 07com deficiência. Diante de evidências de erro grave em torno do veto, que fechará mais  de Julho.
            Mas esse argumento é mentiroso, equivocado e preconceituoso contra as pessoas ainda as portas de trabalho para o segmento, aproveitamos para relacionar alguns sinais:
           
  1. Lobistas não tiveram sucesso no parlamento, mas no planalto...
Durante a tramitação do projeto de lei na câmara e no senado, representantes de grupos econômicos pressionaram outros relatores no passado para torpedear a lei de cotas (o projeto tem cerca de 12 anos), mas os últimos relatores na câmara e no senado, respectivamente, Mara Gabrilli e Romário, conseguiram afastar essas ingerências garantindo a aprovação em 05/03/2015 na câmara e em 10/06/2015 no senado.

  1. Veto ignorou a história de cotas no Brasil
            Parece que os assessores de Dilma não sabiam que o país já teve uma lei de cotas para trabalhadores acidentados readaptados, válido para as empresas a partir de 20 empregados, que vigorou de 1960 a 1991, prevendo reserva de 2% de vagas nas empresas com de 20 a 200 empregados. A cota iniciava com 2% e chegava a 5%, conforme o decreto 48.959-A de 19/09/1960.

  1. Veto “protege” 58.806 empresas, onde muitas já contratam trabalhadores com deficiência.
            A lei de cotas vigente prevê vagas para 1,047  milhão de pessoas com deficiência, mas é cumprida em apenas 26,5% de seu potencial. Curiosamente as empresas de 50 a 99 empregados, que somam 58.806, já contrataram 25.704 trabalhadores com deficiência. As vagas ocupadas em empresas deste porte garantem o índice de 43,7%, mesmo sem serem obrigadas legalmente, o que deixa mais difícil a equipe da presidente Dilma explicar o veto. Os números são do Ministério do Trabalho e Emprego, RAIS 2013.

  1. Veto ignora 10,2 milhões de pessoas com deficiência com ensino médio ou superior completo.
            Atualmente existe 10,2 milhões de pessoas com deficiência com ensino médio e superior disponíveis para o trabalho, formados em escolas públicas ou privadas, que continuarão longe do trabalho formal por puro preconceito palaciano. Só entre quem concluiu o ensino superior há 2,8 milhões de pessoas com deficiência, número suficiente para preencher 47 vezes as vagas que foram vetadas pela presidente. (informação do censo do IBGE, 2010 e da RAIS, MTE, 2013).



  1. Países que se relacionam com o Brasil têm cotas na faixa que a presidente vetou:

  1. Itália - a cota é de 7% para empresas com mais de 50 empregados; 2 pessoas com deficiência em empresas com 36 a 50 trabalhadores; e uma pessoa com deficiência, se a empresa possuir entre 15 e 35 trabalhadores.

  1. França - a cota é de 6% para empresas a partir de 20 trabalhadores.

  1. Espanha - a cota é de 2% para empresas com mais de 50 trabalhadores fixos.

  1. Venezuela - a cota é de 1 pessoa com deficiência a cada 50 trabalhadores.

Essas informações estão disponíveis no site do Ministério do Trabalho e Emprego.

            Pelo que se vê, o veto realmente afeta interesses econômicos e sociais. E ao optar pelo veto, a presidente deixa uma mancha em sua relação com as pessoas com deficiência que ficam marginalizadas do trabalho.
            A propósito, o Ministério do Trabalho informa em seu site que “o processo de exclusão, historicamente imposto as pessoas com deficiência, deve ser superado por intermédio da implementação de políticas afirmativas e pela conscientização da sociedade acerca da potencialidade desses indivíduos.”

Com a palavra, a presidente Dilma Roussef!

Abraços

Clemente
Coordenador do Espaço da Cidadania.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Espaço da Cidadania


Pessoas com deficiência ocupam mais postos de trabalho, aponta pesquisa.

                    A sociedade brasileira está convivendo melhor com as diferenças.

Este foi o sentimento geral externado pelos participantes do evento que marcou o 11º aniversário do Espaço da Cidadania, no dia 15 de fevereiro.


O encontro reuniu jornalistas, empresas, entidades especializadas no atendimento às pessoas com deficiências, órgãos públicos e outros setores da sociedade. 

O Superintendente Regional do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo, José Roberto de Melo e o Gerente Regional do Trabalho e Emprego de Osasco e Região, Edson Rabassi, comentaram os resultados da pesquisa que comprova crescimento de ocupação de vagas por trabalhadores com deficiência daquela região.

No setor metalúrgico 77,43% das vagas da Lei de Cotas estavam ocupadas e o índice sobe para 90,23% no setor automotivo, aquele que fornece autopeças para as empresas montadoras de veículos, caminhões, ônibus e motos do país e do exterior.

O evento teve manifestação de representantes de várias instituições a favor da lei de cotas e cobertura jornalística. Relacionamos abaixo alguns links de acesso para: