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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Indignação!! AÇÃO!!

Carta de Marcella Martins (Santa Maria - RS) à Presidente Dilma



Descrição da imagem: foto em close da presidenta Dilma emocionada engolindo um choro

Amigas e amigos, esclareço que publico esta carta como um desabafo de uma pessoa desesperada por ter perdido seres humanos queridos. Faço minhas as palavras dela porque devem ser lidas de forma genérica, pois, infelizmente, a maioria dos governos brasileiros e em vários países ainda não conseguem driblar o capitalismo selvagem que invadiu o Planeta, pelas mãos de homens e mulheres gananciosas e egoístas! 

Confesso que estes gigantescos problemas sempre existiram no Brasil, que veio de uma colonização de exploração e de uma cultura de corrupção tão enraizada. A presidenta Dilma tem sim o dever de lutar todos os dia de seu mandato (concedido pelo povo), de melhorar sempre mais as condições de fiscalização, legislação, distribuição de renda e desigualdade social; mas neste momento ela realmente se emocionou devido a gravidade e intensidade dessa tragédia. 

A responsabilidade pela evolução dos seres humanos é de todos nós! Dilma tem que partir para ações de prevenção de acidentes (considerados crimes) e punir exemplarmente cada responsável por esse genocídio! Neste momento, não deve existir nenhuma rivalidade partidária, política ou ideológica, e sim UNIÃO de todos os seres em busca da sobrevivência com qualidade de vida, segurança e dignidade. 

Cada a todos nós não podemos compactuarmos nunca mais com o nojento 'jeitinho brasileiro' da corrupção, começando por não aceitar ou realizar subornos em todas as ações do cotidiano. Além, de participar ativamente da vida política do Brasil, ocupando os órgãos públicos, acompanhando as audiências, denunciando, enviando abaixo-assinados, comentando na imprensa, e participando de manifestações pacíficas mas reivindicatórias nas ruas. Tragédias fenomenais provocadas por criminosos irresponsáveis, egoístas, capitalistas selvagens nojentos, NUNCA mais ocorram!!!        



"Engula o choro, presidente. Engula o choro ao falar da tragédia de Santa Maria. Engula o choro e todos os problemas desse país que nele estão escancarados. Engula que o medo do segurança de ser demitido neste país é maior do que sua consciência de deixar as pessoas saírem sem pagarem suas contas para não morrerem. 

Engula a soberba dos donos de empresa desta nação que não estão nada preocupados com pessoas como eu e até mesmo como a senhora porque estão focados demais em lucrar, e preferem fechar as portas como numa câmara de gás a ter prejuízos. Engula a pressão que todos os seus funcionários sentem todos os dias. 

Engula que para arcar com seus altíssimos impostos, todos eles dão um jeitinho bem brasileiro de se desviar dos regulamentos e leis. Engula que os órgãos responsáveis por evitar que isso aconteça não funcionam. Engula que eles deixaram essa, entre tantas e tantas casas mais, funcionar sem licença. Engula que provavelmente alguém que também ganha pouquíssimo aceitou um suborno para que isso acontecesse. 

Engula que a senhora deu "é" sorte por ser apenas essa casa entre todos os tantos lugares que deveriam estar fechados, que caiu na boca da mídia. Engula a mídia que vai atacar com todo o sensacionalismo possível em cima das famílias que estão procurando celulares em cima de corpos para reconhecer seus filhos. Engula as operadoras que não funcionam e que provavelmente impediram uma série de vítimas a pedirem socorro. 

Engula que o socorro que chega para se enfiar em lugares como este, pegando fogo, cheio de corpos de jovens para serem resgatados, recebe um salário vergonhoso, com descontos ainda mais vergonhosos, e ainda assim executam um trabalho triste e digno antes de voltarem para a casa e agradecerem por seus próprios estarem dormindo.

Não, presidente. Não chore ao falar da tragédia. Faça! Faça alguma coisa. E pare de nos dar como exemplos uma série de catástrofes para tomar medidas idiotas que não valerão de nada alguns meses depois. Não se emocione. Acione! Acione a todos os órgãos públicos, faça uma limpa em sua maldita corrupção e devolva à segurança pública, às instituições sérias, aos professores, aos bombeiros, aos enfermeiros, aos seguranças, aos jovens, o mínimo de dignidade. 

Não faça um discurso. Mude o percurso. Mude tudo porque estamos cansados de ver nossos iguais pegando fogo, morrendo afogados, morrendo nas filas, morrendo no crack, morrendo, morrendo, morrendo, e tendo como última imagem aquela TV aos fundos anunciando o fim de mais uma bilionária obra de estádio de futebol.

Não, presidente. Desculpe, mas na minha frente, a senhora não pode chorar. Não pode chorar sua culpa. Não pode chorar sua inércia. Não pode chorar no Chile mas também não pode chorar em Santa Maria. Porque isso é muito maior do que só um acidente. Isso é muito maior do que só sua comoção. 

Engula o seu choro, presidente. O seu, o dos jovens que perceberam que não teriam mais o que fazer que não morrer, e em especial, o de seus amigos e familiares, que em um país como esse, não têm outra opção que não chorar. Engula o choro, presidente."


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Mutilação genital feminina

Cultura ou violação?
Por: Mariângela Ribeiro, professora universitária de Sociologia, colaboradora do Gajop e assessora técnica da Ação em Gênero, Cidadania e Desenvolvimento [AGENDE].

Lendo El País (Espanha) de 1° de junho de 2009, vi uma matéria sobre Ester - mais uma jovem africana, do Sudão, que fugiu de casa e daquele país, ao descobrir que sofreria mutilação genital e, em seguida, se casaria com um idoso desconhecido.
A mutilação significa amputação do clitóris, podendo ser acrescida a dos lábios vaginais; e em outros casos, a costura dos mesmos. Como se observa na história, o ato da mutilação está vinculado a um cenário tradicional de parentesco que define o papel da mulher.
Conforme estudos, comunidades que realizam a mutilação acreditam que só assim garantirão o casamento das filhas. Ao contrário do que se pensa, não é uma prática islâmica por excelência, embora alguns grupos que a praticam aleguem que é recomendação do Profeta – fundamentação religiosa questionada por estudiosos da sharia, o código de leis.
O “corte genital feminino”, expressão preferida pela Unicef, é comum em 28 países da África, regiões do Oriente Médio e da Ásia. Também era praticado por indígenas da América Central e do Sul, embora seja cada vez mais raro entre esses povos. Enquanto o costume é abandonado entre grupos indígenas da América, tem sido levado por meio da imigração a locais que não o conheciam, como Suíça, Canadá Austrália etc.
O tema é sempre polêmico, já que o ato está ligado a ritos de passagens tradicionais para tais comunidades. A mutilação faz parte do ingresso da mulher na vida adulta e habilitação ao matrimônio, da mesma forma que outros rituais (alguns dos quais também deixam marcas) são realizados para homens e mulheres em outras situações. Daí porque defensores/as do culturalismo acusam o discurso dos Direitos Humanos que se coloca contra tal prática de etnocentrismo ocidental.
Crítica endossada por alguns/mas antropólogos/as que pontuam a noção de prazer centrada no clitóris como algo ocidental, ou seja, não universal. E, claro, por grupos que justificam o ato pela tradição ancestral e garantem que mulheres não são forçadas, e sim optam por passar pelo ritual.
O raciocínio relativista está centrado, como observa o caríssimo prof. Luciano Oliveira ao discutir a universalidade (ou não) dos Direitos Humanos, na oposição entre tradição e razão como a fonte primordial de legitimidade. Dito de outra forma, o argumento culturalista parece dizer que as sociedades tradicionais são naturais e as ocidentais não. Mas devemos lembrar que toda cultura é dinâmica.
“A cultura dos direitos humanos, que tolera muitas coisas, mas interdita outras, é tão “natural” quanto qualquer cultura “autêntica” de qualquer canto do mundo – que também se edificou destruindo outras” (Oliveira, 2008). E eu completaria dizendo que, se não destruindo, ao menos absorvendo e/ou distribuindo elementos de outros grupos.
Assim, ao se tratar o corte genital feminino apenas como um elemento cultural que não pode ser julgado, são minimizadas as relações de poder que existem em qualquer grupo humano. Seja aqui, no mundo ocidentalizado, seja nas comunidades não modernizadas.
A UNICEF calcula que entre 100 e 130 milhões de mulheres sofreram a referida mutilação, sendo que destas, 26 milhões experimentaram sua forma mais dolorida[1]. E é comum que muitas mulheres tentem fugir dessa cultura não compreendida por nós, etnocêntricos ocidentais.
Fuga nem sempre fácil. Ester, a jovem que motivou esse artigo, não quis dar mais detalhes sobre o trajeto feito, destacando apenas que a viagem, feita em caminhões até a Europa, passando pelo Marrocos, significa violações das mais diversas e até a morte para muitas mulheres.
E entrar na Espanha, como se sabe, não é também tarefa fácil. A jovem só conseguiu entrar em Ceuta (cidade espanhola que fica na costa marroquina) a nado. Como não se indignar com essas situações? Enfim, sei que não estou falando a partir do melhor dos mundos, que cada comunidade tem seus mecanismos ritualísticos e que os das comunidades secularizadas também carregam violências e violações. Porém, não quero “nivelar por baixo”.
Sou contra a mutilação genital feminina, do mesmo jeito que sou contra as violações em Guantánamo, a violência sexual legitimada por padrões sexistas e a discriminação racial, por exemplo. Mas hoje, foi a história de Ester que me sensibilizou.
[1] Que incluye el clítoris, los labios menores, parte de los mayores y la sutura de la vagina, con la única excepción de una pequeña apertura para evacuar la orina y el fluido menstrual.(El País, 02/06)
Para saber mais: "Me fui para que no me mutilaran” (Matéria do El Pais) www.elpais.com/articulo/sociedad/fui/mutilaran/elpepusoc/20090531elpepisoc_6/Tes
A universalidade dos Direitos Humanos (Texto de Luciano Oliveira, abril de 2008) http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=899

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Para que uma Convenção inclusiva??

Comentério Caleidoscópico: Faço minhas as sábias palavras do querido amigo Fábio Adiron, as quais tomei a liberdade de republicar aqui, na íntegra, para multiplicarmos essa indignação, e começarmos a tirar a bunda da cadeira da lamentação e agirmos IMEDIATAMENTE, por um ÚNICO mundo REAL: DIVERSO e INCLUSIVO!!! Fábio, muito obrigada pela lucidez das suas palavras!



Esse texto é especialmente dedicado a X & Y que pensam exatamente assim.



Eu não quero falar sobre inclusão, esse negócio é muito desagradável. Imagine só você, tem gente que acredita que as pessoas são iguais em direitos e deveres ! Tem gente que acha que todo mundo deve ir para a escola, que todo mundo precisa de cuidados médicos, de transporte, de lazer.

Acreditam até que é preciso ter trabalho para todos... Se essa idéia pega, como é que vão ficar as nossas relações de poder e dominação ?? Ficam colocando na cabeça das pessoas essas idéias subversivas de autonomia, de autodeterminação, desse jeito todo mundo vai querer ser auto-alguma-coisa. E aí acaba a sinecura, não vamos mais poder receber verbas públicas para cuidar delas, nem vamos poder mais pedir dinheiro para as empresas, para as pessoas.

Nós vamos viver do que ? Não esqueçam que muita gente depende disso. E não estou falando desse povinho que nós assistimos, mas de toda essa massa de gente que vive às custas da exclusão.Outro dia eu ouvi um cara dizendo que o governo deveria pegar toda sua verba da educação e investir em escolas públicas. Como se a escola pública prestasse para alguma coisa.
Um lugar que só tem pobres. Onde os professores ainda são idealistas. Se começarem a jogar dinheiro lá é até capaz desses professores trabalharem felizes, dos alunos aprenderem e começarem a questionar nosso modelo sócio-econômico.Não tenho muita certeza disso, mas dizem que esses professores ainda lêem Paulo Freire, que acreditam que a aprendizagem se dá na comunhão entre estudantes e mestres. Será que eles não sabem o que significa ser um “aluno” ? Não devem ter estudado latim, aluno quer dizer aquele que não tem luz.

Só a luz dos grandes mestres é que pode iluminar essas mentes corrompidas pela ilusão da igualdade. E luz é um produto caro, não pode ser dada sem critérios para qualquer um.Mas o pior de tudo é que de uns tempos para cá, além da inclusão social e da inclusão digital (outra besteira perigosa, deixar que todos tenham acesso à informação, se bem que isso pode render uns bons trocados para os fabricantes de computadores), andam falando em colocar pessoas com deficiência nas escolas.

Para que isso ? Afinal, não existe uma infinidade de locais onde esses inválidos possam ser atendidos ? Onde eles possam ser felizes com os seus semelhantes ? Se forem para as escolas comuns eles vão atrapalhar os demais alunos que serão obrigados a andar no mesmo ritmo lento deles. Como seremos uma nação competitiva nesse mundo globalizado se os nossos filhos tiverem de tolerar esse tipo de situação ? Além do que os professores não estão preparados para receber essas aberrações.

Tudo bem, se não tiver outro jeito, pode-se até colocar esses deficientes na escola pública, essa já recebe a escória mesmo, um pouco mais um pouco menos não vai fazer diferença. Agora, obrigar as nossas brilhantes escolas particulares a aceitá-los, o que vai ser desse mundo ? Ainda acho que paralíticos, os disformes, os surdo-mudos, os ceguinhos e os retardados precisam mesmo é de locais próprios para eles – claro, subvencionados de forma a manter nossa economia da tutela em movimento.

Precisamos continuar lutando para que os deficientes fiquem felizes com seu salário-esmola (viram como funcionou ? muitas famílias nem deixam os filhos deficientes estudar ou trabalhar com medo de perder esse dinheirinho). Que achem o máximo andarem de ônibus de graça (mesmo que os ônibus não sejam acessíveis). E até que se iludam com a lei de cotas de emprego – desde que nenhuma escola permita que eles se qualifiquem para conseguir qualquer emprego.

Não é muito melhor quando eles fazem aquelas exposições de artesanato ? Podem até vender...Ah...você acha que eu estou sendo muito cruel ? Não concorda comigo ? Essa é a vida como ela é. Você está pensando em se aliar a esses inconsequentes da inclusão ? Acredita que isso vai fazer do mundo um lugar melhor para se viver ?

Bem, nesse caso, acho melhor você ler a Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência com bastante atenção.

Esses caras tem um monte de argumentos que contrariam tudo que eu escrevi aí em cima (e o pior, eles tem razão, mas eu preciso defender a minha “turma”)

Um aviso importante : se você não entendeu esse texto, continue lendo os demais textos do blog para saber do que exatamente tratamos aqui no http://xiitadainclusao.blogspot.com/

Descrição da imagem: crianças pobres sentadas no meio da rua, uma delas está numa cadeira de rodas.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

De qual inclusão estamos falando?

Homem barrado em agência bancária por usar muletas e mulher humilhada em ônibus por andar de cadeira de rodas. Cidadãos, contribuíntes e eleitores em dia com o Governo Federal.
Por Leandra Migotto Certeza.
Hoje meu noivo foi agredido em uma agência da Caixa Econômica Federal, no bairro de Pinheiros em São Paulo! O segurança barrou sua entrada alegando que suas muletas canadenses não poderia passar pela porta girtória de vidro!
Hoje eu fiquei mais de 15 minutos (após esperar 20 minutos pelo ônibus supostamente adaptado) aguardando dois funcionários da companhia de ônibus Intervias fecharem o vigéssimo elevador que estava quebrado desde que comecei a usar, com mais frequência, o transporte público do estado de São Paulo, há 1 ano. Esta linha de ônibus liga as cidadades como Cotia, Carapicuíba, Calcáia do Alto entre outras à São Paulo pela Rodovia Raposo Tavares.
O cidadão Marcos dos Santos foi pagar uma conta no banco, como milhões de brasileiros que estão em dia com suas obrigações econômicas, políticas e sociais. O eleitor Marcos dos Santos não deve um centavo ao Governo Federal, e muito menos à qualquer empresa privada. Por andar com um par de muletas foi discriminado como inúmeras pessoas todos os dias no Brasil.
Eu, Leandra Migotto Certeza, fui humilhada ao ser carregada em minha cadeira de rodas, para 'descer' no ponto de ônibus perto da minha casa - no bairro do Butantã, na cidade de São Paulo. Para não atrazar as demais viagens, o motorista junto com o cobrador, arriscaram minha integridade física.
Meu noivo foi obrigado a pagar sua conta em outra agência, mesmo depois de chamar o gerente para tentar ser atendido no local, após ter sua dignidade ferida. Saiu de Pinheiros novamente sem dever um centavo. O Governo Federal negligenciou seu voto como eleitor e seus impostos como cidadão ao não obedecer à Constituição da República e à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, documento internacional ratificado pela nossa nação.
Eu voltei para casa sem provas cabais (imagens irrefutáveis feitas com uma filmadora, que ainda não tenho porque estou desempregada) de que corri risco de morte nas mãos de funcionários completamente destreinados - para manuzear um elevador de uma empresa de ônibus - que só existe porque pago meus impostos régiamente.
E estas palavras serão lidas por pessoas (funcionários públicos e/ou profissionais da inciativa privada e/ou autônomos) que se dizem defensoras da Inclusão, nome bonito para vender livros; encher auditórios; ser tema de discussões infrutíferas na internet; e sustentar muitos profissionais que falam pelas pessoas com deficiência - pelo mundo a fora - sem nunca ter ouvido o que elas realmente têm a dizer, usado um par de muletas ou sentado em uma cadeira de rodas por um único dia!!!