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terça-feira, 14 de julho de 2015

Retrocessos no processo de inclusão de 25% da população brasileira!


Mal assessorada, presidente Dilma veta artigo da Lei Brasileira da Inclusão
que previa cota em empresas de 50 a 99 empregados

            A inclusão social é a palavra-chave que deve nortear todo o sistema de proteção institucional da pessoa com deficiência no Brasil, mas ao sancionar a Lei Brasileira da Inclusão, dia 6 de julho, a presidente Dilma decidiu vetar um artigo que obrigava empresas com 50 a 99 empregados a reservar pelo menos uma vaga para pessoas com deficiência ou reabilitadas.
            Oficialmente, o veto foi solicitado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, justificando que “a medida poderia gerar impacto relevante no setor produtivo, especialmente para as empresas de mão de obra intensiva de pequeno porte, acarretando dificuldades no seu cumprimento e aplicação de multas que podem inviabilizar empreendimentos de ampla relevância social” segundo informou o Diário Oficial no dia 07com deficiência. Diante de evidências de erro grave em torno do veto, que fechará mais  de Julho.
            Mas esse argumento é mentiroso, equivocado e preconceituoso contra as pessoas ainda as portas de trabalho para o segmento, aproveitamos para relacionar alguns sinais:
           
  1. Lobistas não tiveram sucesso no parlamento, mas no planalto...
Durante a tramitação do projeto de lei na câmara e no senado, representantes de grupos econômicos pressionaram outros relatores no passado para torpedear a lei de cotas (o projeto tem cerca de 12 anos), mas os últimos relatores na câmara e no senado, respectivamente, Mara Gabrilli e Romário, conseguiram afastar essas ingerências garantindo a aprovação em 05/03/2015 na câmara e em 10/06/2015 no senado.

  1. Veto ignorou a história de cotas no Brasil
            Parece que os assessores de Dilma não sabiam que o país já teve uma lei de cotas para trabalhadores acidentados readaptados, válido para as empresas a partir de 20 empregados, que vigorou de 1960 a 1991, prevendo reserva de 2% de vagas nas empresas com de 20 a 200 empregados. A cota iniciava com 2% e chegava a 5%, conforme o decreto 48.959-A de 19/09/1960.

  1. Veto “protege” 58.806 empresas, onde muitas já contratam trabalhadores com deficiência.
            A lei de cotas vigente prevê vagas para 1,047  milhão de pessoas com deficiência, mas é cumprida em apenas 26,5% de seu potencial. Curiosamente as empresas de 50 a 99 empregados, que somam 58.806, já contrataram 25.704 trabalhadores com deficiência. As vagas ocupadas em empresas deste porte garantem o índice de 43,7%, mesmo sem serem obrigadas legalmente, o que deixa mais difícil a equipe da presidente Dilma explicar o veto. Os números são do Ministério do Trabalho e Emprego, RAIS 2013.

  1. Veto ignora 10,2 milhões de pessoas com deficiência com ensino médio ou superior completo.
            Atualmente existe 10,2 milhões de pessoas com deficiência com ensino médio e superior disponíveis para o trabalho, formados em escolas públicas ou privadas, que continuarão longe do trabalho formal por puro preconceito palaciano. Só entre quem concluiu o ensino superior há 2,8 milhões de pessoas com deficiência, número suficiente para preencher 47 vezes as vagas que foram vetadas pela presidente. (informação do censo do IBGE, 2010 e da RAIS, MTE, 2013).



  1. Países que se relacionam com o Brasil têm cotas na faixa que a presidente vetou:

  1. Itália - a cota é de 7% para empresas com mais de 50 empregados; 2 pessoas com deficiência em empresas com 36 a 50 trabalhadores; e uma pessoa com deficiência, se a empresa possuir entre 15 e 35 trabalhadores.

  1. França - a cota é de 6% para empresas a partir de 20 trabalhadores.

  1. Espanha - a cota é de 2% para empresas com mais de 50 trabalhadores fixos.

  1. Venezuela - a cota é de 1 pessoa com deficiência a cada 50 trabalhadores.

Essas informações estão disponíveis no site do Ministério do Trabalho e Emprego.

            Pelo que se vê, o veto realmente afeta interesses econômicos e sociais. E ao optar pelo veto, a presidente deixa uma mancha em sua relação com as pessoas com deficiência que ficam marginalizadas do trabalho.
            A propósito, o Ministério do Trabalho informa em seu site que “o processo de exclusão, historicamente imposto as pessoas com deficiência, deve ser superado por intermédio da implementação de políticas afirmativas e pela conscientização da sociedade acerca da potencialidade desses indivíduos.”

Com a palavra, a presidente Dilma Roussef!

Abraços

Clemente
Coordenador do Espaço da Cidadania.



segunda-feira, 12 de março de 2012

Serviço Nacional de Aprendizagem do Coperativismo

Fonte: http://www.sescoopsp.org.br/default.php?p=noticias.php&id=4650


Quatro workshops discutem inclusão de pessoas com deficiência
01/03/2012









Descrição da imagem: duas pessoas sem deficiência e uma com deficiência física (sentada em sua cadeira de rodas) realizando atividades durante o workshop).  

O workshop Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho foi realizado em Piracicaba, Marília, Ribeirão Preto e São Paulo e teve como objetivo apresentar às cooperativas dicas de como proceder no caso de contratação de pessoas com deficiência em cumprimento à legislação.

“Esse é um tema novo para nós”. Foi assim que o Gerente da Promoção Social Mário César Ralise abriu o workshop realizado na sede do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo (Sescoop/SP), em São Paulo. O último workshop aconteceu dia 23 de fevereiro, fechando um ciclo de palestras realizadas também nas Regionais Oeste, Nordeste e Centro Paulista nos meses de janeiro e fevereiro. “Estamos trabalhando para cumprir a legislação e fazer nossa parte na inclusão de pessoas com deficiência na realidade cooperativista”, destacou César.

O objetivo dos workshops foi ajudar as cooperativas na contratação e inclusão de pessoas com deficiência e orientar sobre as possíveis dificuldades durante a recepção e convivência com o novo funcionário. “O foco foi na orientação comportamental, com vistas a quebrar tabus e oferecer mais segurança no trato adequado das pessoas com deficiência”, explicou Luciana Santos, analista de Projetos Sociais do Sescoop/SP, que esteve presente nos quatro workshops.

O trabalho contou com a parceria do Centro de Integração Empresa – Escola (CIEE), responsável pela realização da palestra “Inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. Convivendo com as diferenças”. Em São Paulo, a palestra foi ministrada pela assistente de projetos sociais e coordenadora do Programa CIEE de Pessoas com Deficiência, Fátima Fernandes.
  

Descrição da imagem: pessoas sem deficiência sentadas em uma sala assistindo às atividades. Foto das pessoas de costas.  

“Todos nós temos limitações. Ninguém é igual a ninguém. Os deficientes podem realizar quaisquer atividades se forem dadas as condições necessárias para isso”, destacou Fátima. “Tudo o que é novo assusta. Nosso papel então é dar dicas de como as empresas podem lidar com o deficiente no dia a dia”. Ser natural, evitar a superproteção e oferecer ajuda, mas não forçá-la, são algumas das dicas ensinadas na palestra.

 No Brasil, segundo os dados de censo demográfico do ano de 2000 divulgados pelo IBGE, mais de 24 milhões pessoas possuem algum tipo de deficiência (visual, auditiva, motora, física ou intelectual), ou seja, cerca de 15% da população brasileira. Atualmente, o CIEE encaminha para entrevistas em empresas entre 400 e 500 pessoas com deficiência por mês.
Ao longo dos quatro workshops, mais de 20 cooperativas puderam acompanhar as discussões.Na última ação, do dia 23, os participantes assistiram ainda a palestra do Auditor Fiscal da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo (SRTE), José Carlos do Carmo, que discorreu, principalmente, sobre questões relacionadas à Lei nº 8.213, de 24/07/1991. Segundo a lei, todas as empresas privadas com mais de 100 empregados devem ter Pessoas com Deficiência em seu quadro de funcionários (2% a 5%), inclusive as cooperativas.

“O que percebemos é certa restrição por parte das empresas. Elas têm uma lei para cumprir, querem que o deficiente tenha experiência, mas não estão dispostas a dar essa experiência”, lamentou Fátima durante o evento. “Mas isso tem mudado e a contratação de pessoas com deficiência virou um nicho de mercado. Antes, os deficientes precisavam das empresas; hoje, as empresas é que precisam deles. É uma inversão de papéis”.

“As cotas são plenamente justificáveis, e a legislação é uma discriminação positiva”, afirmou José Carlos. “Ela é uma ferramenta fundamental reconhecida pelas pessoas que trabalham com inclusão social. Ela não é uma lei de punição. As empresas não são obrigadas a ficar com os trabalhadores se eles não corresponderem com suas expectativas”, esclareceu.
De acordo com o auditor fiscal, o direito a trabalho é fundamental para as pessoas com deficiência. “É importante que a sociedade dê a esse grupo a condição de consumidores. Só assim eles mudarão essa situação de discriminação e exercer plenamente a cidadania”, conclui José Carlos.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Reconhecimento profissional em revista

Queridas e queridos, é com grande alegria que compartilho outro importante reconhecimento sobre uma das crônicas que mais amo:  "Grávida de mim mesma". 


Ela foi publicada na Revista Alternativa, como um trabalho de conclusão de curso de uma jornalista carinhosa que me entrevistou, a Dani Almeida. Vale a pena conferir e divulgar: 


Link:

http://issuu.com/revista_alternativa/docs/revista_alternativa?mode=window&backgroundColor=%23222222

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Espaço da Cidadania


Pessoas com deficiência ocupam mais postos de trabalho, aponta pesquisa.

                    A sociedade brasileira está convivendo melhor com as diferenças.

Este foi o sentimento geral externado pelos participantes do evento que marcou o 11º aniversário do Espaço da Cidadania, no dia 15 de fevereiro.


O encontro reuniu jornalistas, empresas, entidades especializadas no atendimento às pessoas com deficiências, órgãos públicos e outros setores da sociedade. 

O Superintendente Regional do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo, José Roberto de Melo e o Gerente Regional do Trabalho e Emprego de Osasco e Região, Edson Rabassi, comentaram os resultados da pesquisa que comprova crescimento de ocupação de vagas por trabalhadores com deficiência daquela região.

No setor metalúrgico 77,43% das vagas da Lei de Cotas estavam ocupadas e o índice sobe para 90,23% no setor automotivo, aquele que fornece autopeças para as empresas montadoras de veículos, caminhões, ônibus e motos do país e do exterior.

O evento teve manifestação de representantes de várias instituições a favor da lei de cotas e cobertura jornalística. Relacionamos abaixo alguns links de acesso para:



                                                    

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mafalda Ribeiro

Fonte: http://mulher.sapo.pt/cronicas/thank-god-i-m-a-wheels-woman/a-minha-mae-chamava-me-girina-1205749.html

A minha mãe chamava-me Girina

A minha mãe chamava-me Girina


Texto de Mafalda Ribeiro - comunicadora com Osteogenesis Imperfecta

Sob o mesmo prisma do sapo que um dia se transformou em príncipe, pelo poder do amor, atrevo-me a partir de hoje - que é um dia perfeito porque é sete - e semanalmente, sempre as quartas-feiras, a desfiar o novelo das minhas emoções aqui.


Porque nem tudo o que parece é... 
Sou uma mulher que faz do tempo um compasso de espera pelo toque do tal beijo no sapo. Um beijo dado pela humanidade a tudo o que é apelidado de diferente, quando diferentes somos todos, até os sapos. Um beijo capaz de transformar o ângulo de visão daqueles que experimentam beijar e com isso ver para além das aparências. Um beijo que deveria acontecer mais do que uma vez e diariamente ao contrário de ter anualmente data marcada para ser dado: o 3 de Dezembro em que se assinalou o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.
Porque há mulheres que, se lhes tirarmos aquilo que se vê à primeira vista, são, como deveriam ser todas as mulheres, princesas no trono da vida todos os dias. Sentadas nele, com um olhar mais atento, penetrante nas coisas banais, são mulheres que guardam dentro de si a perseverança e a aceitação de permanecerem permanentemente num corpo incompleto de um qualquer dos cinco sentidos. Vale-lhes o sexto, quase exclusivamente concedido à mulher, ainda mais apurado aquando da falta de visão, audição, sensibilidade no tacto, fala ou mobilidade.
Eu sou uma dessas mulheres a quem o destino concedeu um trono com rodas. Há mais de um quarto de século, não sabia o que eram fadas boas nem bruxas más, mas senti a magia (que dura até hoje) da invisível varinha de condão que me tocou nas primeiras horas de vida e me soprou baixinho ao ouvido: "vive..."! Agora, sentada na minha cadeira de rodas sei que fui abençoada; ser como sou não é uma maldição sedenta de um milagre, é um estado de consciência de que os finais felizes não foram escritos só para príncipes e princesas. Afinal, os sapos também são filhos de Deus...