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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O amor venceu!


O amor é um dos maiores e mais fortes sentimentos humanos que vai além dos problemas e defeitos na difícil relação entre homens e mulheres. O meu coração está mais tranquilo e certo de que vale apena lutar por conquistar todos os dias a capacidade de amar com toda alma. 

Uma das mais importantes lições das crises e separações conjugais é o respeito pela individualidade e o cultivo do verdadeiro amor, capaz de superar até mesmo a dor. Recomeçar é sempre delicado e requer muita paciência e determinação para saber aprender com as mudanças da vida. 

Descrição da imagem: Leandra e Marcos juntos e felizes.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mãe

Herança eterna!

Por Leandra Migotto Certeza - 09/11/10

Mãe é aquela pessoa que nos acompanha sempre: dentro ou fora do corpo. Dela ou de nós. Só quem tem sabe o tamanho da dor ao perdê-la. E quem nunca soube quem ela é ou foi, sente a profundidade do seu vazio. Existem seres humanos que abusam e até matam seus filhos. Será que elas tiveram mães? Provavelmente não, mesmo que tenham saído do ventre de uma mulher, pois só quem concebeu seus filhos no coração é mãe.

A minha escolheu ser 24hs a pessoa que vive dentro de mim desde que apareci no planeta. Não apenas porque ela é a responsável pelo meu nascimento, mas porque a minha vida faz parte da dela. Inconsciente ou não. Escuto a voz da minha mãe sempre. Todos os dias. Ela me vigia ao mesmo tempo em que me ensina a voar sozinha. Quando penso em ligar para ela, o telefone toca. 
Digo que é ‘magia’ porque ela lê meus pensamentos. Brigamos a cada amanhecer, por isso, cada vez nos gostamos mais. Aprendemos uma com a outra o desafio gostoso e trágico que é viver. 

Quando eu era um bebê extremamente frágil aos olhos do mundo, só ela sabia, lá no fundo do seu coração, que eu era mais forte do que todos. Acreditou somente em meus olhos, brilhando por ser e estar. Como humana, acredito que minha mãe tenha tido medo, angústia, tristeza, receio, insegurança, dúvidas, desesperos, e muita dor. Mas como o amor incondicional de uma mãe para com seu filho sempre é mais forte, ela prosseguiu sem hesitar em trocar de lugar comigo se fosse preciso. Os cuidados físicos foram mais intensos nos primeiros anos, e só aumentaram quando eu resolvi prestar vestibular, atravessar uma rua, viajar para outro país, trabalhar, transar, me casar, entre tantas ‘loucuras’ que fiz. Imagino como deve ter sido difícil somente estar ao meu lado pronta para me segurar em seus braços, e não andar por mim.

Foi com ela que aprendi o único e verdadeiro significado de estarmos aqui: amarmos uns aos outros, mas sempre pedir nada em troca; nem mesmo um lugar no céu. Amor de mãe não se explica com teorias, práticas ou ideologias. Apenas se sente. Eu respiro sua herança. Sou feita de honestidade, lealdade, tranqüilidade, bondade, dedicação, carinho, ternura, generosidade, paciência, sabedoria e humildade que herdei dela! Também aprendi a gostar sempre de ajudar as pessoas, simplesmente, porque somos iguais na diferença. 

Diferença essa, que nunca afastou minha mãe da minha imagem nas ruas ou dentro das casas. Ela sempre me viu por inteira em metade de um corpo. Sempre foi as minhas ‘pernas’ e ‘braços’ em todos os momentos e lugares (e ainda é sempre que preciso, antes de eu peça). Sempre estava na primeira fila para me aplaudir com o maior orgulho do mundo, mesmo que só eu conseguisse ver a sua alegria em um sorriso tímido, mas em alguns momentos um pouco mais solto.

Minha mãe é aquela que passa para os alimentos o gosto de prepará-los com muito carinho às 5hs da manhã desde que nasci. É aquela ‘fada madrinha’ que deixa a casa brilhando com tanta garra ao trabalhar em múltiplas jornadas. É aquela mulher que consegue agradar à família sem ser vista ou referenciada. Por isso, a dor de vê-la sofrer muito me dilacera e paralisa. Mas quando penso que agora a luz se apagou, ouço seus passos fortes e rápidos pela casa antes de me despertar. O café já está pronto e nenhum detalhe foi esquecido. À noite faz o jantar com a mesma disposição que ficou o dia inteiro de pé para nos sustentar. Lava e passa roupa na hora em que estamos dormindo; e não se esquece de comprar o que cada um mais gosta quando vai ao supermercado. Cuida demais de nós sim. E por isso, muitas vezes, se esquece de se cuidar. Por isso, entramos em desacordo quando discutimos sobre a vida. Aprendemos uma com a outra, mas minha mãe me ensina muito mais porque veio primeiro e deixou o terreno preparado para mim.

Cristina é uma mulher de opinião forte, idéias muito criativas, grande agilidade, rapidez, perseverança, força de vontade, e determinação. Quando criança era um ‘moleque’ que empinava pipa, jogava bola e subia no telhado. Sempre fez travessuras. Gosta de animais, de música, artes e livros. Mas o que mais curte é esporte. Adora ver os jogos na TV, corre, caminha e anda de bicicleta. Nunca me deixa fora de algum passeio. O mais recente foi a viagem de trem para Paranapiacaba (interior de São Paulo). Minha mãe fez a loucura de me empurrar (junto com meu tio) na cadeira de rodas pelas ladeiras íngremes e cheias de buracos da cidade histórica completamente inacessível para pessoas com deficiência física.

Confesso que nem acreditei quando vi as ruas de paralelepípedo. Meu marido disse que só ela mesma para nos levar ali... Ultrapassamos inúmeras barreiras e limites, fora e dentro de nós! Foi inesquecível. Planejamos cada minuto com tanto carinho, sonhamos com cada momento, mas só na hora é que sentimos o poder do amor. Marcos (seu genro) ficou de boca aberta, e disse ao deitar na cama naquela noite que também é seu filho de coração. Eu sou mais do que filha. A amizade nos une para sempre como a melhor herança que alguém pode receber de uma mãe!
Mãe, eu te amo e serei sempre grata a você!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Blog: Eu, OI e ETC

A dica de hoje é o blog da minha amiga Simone Urbano.

Em "Eu, OI e ETC", ela conta como é viver com Ostegenesis Imperfecta, a mesma deficiência física que eu tenho.

Vale muito a pena seguir os ótimos relatos cheios de alegria, contados com carinho e muita experiência.

http://euoietc.blogspot.com/

Parabéns Si! Você é uma grande mulher!

Viver a vida!

Sou Leandra Migotto Certeza. Nasci em 1977. Os médicos disseram que eu não iria sobreviver.

Já no útero da minha mãe tive várias fraturas. Minha deficiência física era desconhecida, rara e grave. Hoje, muitas crianças com Osteogenesis Imperfecta, conhecida como “ossos de vidro” vivem sem dor e com autonomia.

Eu tive mais de 50 fraturas. Andei com 5 anos, e parei aos 7. Voltei a andar e aprendi a nadar com 14, e hoje me locomovo em uma cadeira de rodas com muita independência.

Minha infância foi muito alegre. Brincava na areia, de pega-pega, e corre cotia, andando de bundinha no chão. Meus amiguinhos nunca me deixavam de fora da diversão. Dos 5 aos 6 anos, vivi doces anos de criança feliz.

Tenho 96 cm, sou jornalista desde 1999, e estou junto (desde 2005) do meu grande companheiro, Marcos dos Santos. Sou muito feliz no amor! Estou apaixonada e vou me casar no civil.

Quando tinha 7 anos estudei em uma sala especial de um colégio público que segregava os alunos com deficiência dos demais por uma grade de ferro, como se eles tivessem uma doença contagiosa. O nosso pátio era escondido, e entrávamos pelos fundos da escola.

Eu sempre tive muita força de vontade para saber crescer em um corpo 'diferente' do que a sociedade convencionou como padrão. Tive 6 namorados, e tenho muitos amigos e amigas fiéis.

A fase mais difícil da minha vida foi na adolescência. Todos os garotos sempre viravam o rosto para não me beijarem. Uma ginecologista enfiou um livro de anatomia na minha frente, e disse que eu não podia fazer nada com o meu corpo!

Contei com o fundamental apoio da família e dos verdadeiros amigos, mas ainda enfrento MUITOS preconceitos, todos os dias, por várias pessoas, e por todos os lados.

Ganhei madalhas em campeonatos de natação, desfilei 5 vezes em escolas de samba, andei de moto, viagei sozinha para o Peru, e com o meu noivo para praia, várias vezes. Fiz vários cursos, subi muitas escadas na faculdade, carreguei mochilas muito pesadas e dancei noites inteiras.

Participei sempre das baladas e festas, bebi bastante até cair, assisti muitos shows, filmes e peças de teatro, vi várias exposições de arte, e trabalhei como educadora em outras.

Fui revisora de textos, monitora educacional, colunista, repórter, atendente, recepcionista, e hoje sou jornalista, e aprendiz de escritora. Sou consultora sobre Deficiência, e ministro cursos, palestras e oficinas em empresas, escolas, centros culturais, ONGs e/ou grupo de pessoas.

Meus principais artigos estão no link: http://twixa.com/ryjMA

Recebi dois prêmios pelo meu trabalho como jornalista: um na Colômbia, por meu depoimento sobre educação para todos e todas, e outro no Peru, pelo projeto de fotos em equipe: "Fantasias Caleidoscópicas" que está no blog: http://fantasiascaleidoscopicas.blogspot.com/

Tornei-me uma forte ativista pelos Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, já fiz fotos sensuais, e coordeno um projeto sobre a sexualidade das pessoas com deficiência, um dos maiores tabus que ainda existem na sociedade.

Em fevereiro de 2010, o depoimento sobre a minha vida foi ao ar na novela "Viver a Vida", do Manoel Carlos na TV GLOBO para o mundo inteiro assistir! Os links são: http://www.youtube.com/watch?v=a9xC5DOLiQY  e http://www.youtube.com/watch?v=TyxaoaO13bA

Recebi um grande reconhecimento profissional na Universidade Federal de São Carlos: http://leandramigottocerteza.blogspot.com/2010/11/reconhecimento-profissioanal.html

Sou feita de honestidade, humildade, solidariedade, ética, companheirismo, sinceridade, amizade, simplicidade, energia positiva, força de vontade, carinho, lealdade, fidelidade, garra, corragem, e principalmente, fé no ser humano.

Sou eternamente e absolutamente contra: qualquer forma de CRIME, discriminação, preconceito (principalmente velado), racismo, homofobia, exploração, hipocrisia, injustiça, corrupção, sacanagem, enganação, falta de caráter e ética, desonestidade, maldade, traição, humilhação, hierarquia, prepotência, arrogância, maxismo, ganância, senssacionalismo, pieguiçe e falta de esperança.

Gosto muito do cheiro de terra molhada, comida feita em casa com amor, barulho de criança e bate papo de amigos, alegria e carinho de familia reunida, aventuras, novas experiências, beber vinho, pôr do sol, mar, praia, sexo, chocolate, silêncio, olhar doce de crianças e idosos, trabalhar, conversar, vibração de jovens, livros, e mais livros, falar, falar, falar, e falar, palavras e mais palavras...

Não sou melhor ou pior do que qualquer ser humano. Hoje busco minha autonomia financeira, equilíbrio emocional, paz interior e auto-conhecimento.

Sou muito auto-crítica, solidária, intensa, verdadeira, forte, 'justiceira', libidinosa, transparente, alegre, e companheira. Gosto de uma boa briga, falo pelos cotovelos, amo discutir ideias, trocar experiências, e viver cada dia como se fosse o único e o último.

Para mim a diversidade faz parte da vida!

O que mais gosto de fazer é escrever. Eu amo viver!


“Em uma estrela, um brilho

Em princípio inatingível

ofuscado pelo vidro

oprimido, impedido

Ilhado por sentido

fundo, profundo

Dentro de si mesmo.”


Leandra - 1997 à ...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Saudade de Rita Amaral



É com grande tristeza que comunico o falecimento de Rita Amaral, antropóloga ímpar, e presidente da ABOI: http://www.aboi.org.br/aboihist.html. Sua magnífica trajetória merece total reconhecimento da sociedade:http://pt.wikipedia.org/wiki/Rita_Amaral. Fique em PAZ!


Descrição da imagem: foto preta e branca de Rita Amaral de perfil com um cachimbo.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Magnificar a vida!


Recebi esta linda mensagem de um amigo muito especial e compartilho com meus leitores e leitoras...

Deus obrigado! Por debruçares minha essência sobre esta terra.
Dares vida ao meu corpo tendo como berço esta "Querência Amada”.
De fazer serpentear em minhas veias o sangue farrapo e guarani.
De ser "filho de Sepé" e de seu ímpeto guerreiro.

Agradeço a Ti, meu Deus, por esta incontrolável paixão pela revolucionária liberdade.
De fazer-me conhecer nesta existência terrena os preceitos de Che Guevara.
Somos companheiros, pois tremo de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo. Contigo, "Che", aprendi a endurecer sem jamais perder a ternura.

Deus onipresente! Agradeço por esta necessidade de autonomia e soberania.
De plantar em mim a "negação", a "rebeldia" e a "mente inconformada”.
Destes movimentos aos meus movimentos de igualdade. Agradecimento eterno.

Obrigado, Deus, por ter me mostrado o "atrevimento"de "Foucault”.
De fazer-me sentir em toda a plenitude a causalidade da "relação de poder”.
De negar constantemente a subalternidade de meu ser.
De me atrever a contestar a "liberdade vigiada".

Deus mantenha-me assim como sou por todo o sempre.
Permita-me sempre ser este pequeno "Quixote sonhador”.
Permita-me, meu Deus, jamais perder a esperança.
E assim por todo o sempre, poder magnificar a vida.


Alex Garcia

Pessoa com Deficiência. Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Escritor. Especialista em Educação Especial. Vencedor II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga-RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência Professional Program on International Leadership, Employment, and Disability (I-LEAD) Mobility International USA / MIUSA. Membro da World Federation of Deafblind - WFDB. Colunista da Revista REAÇÃO e do Portal Planeta Educação. Idealizador do Conselho Municipal de Direitos das Pessoas com Deficiência de São Luiz Gonzaga-RS

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Depoimento na TV GLOBO

Leandra Migotto Certeza na Novela "Viver a vida"

Amigas e amigos,

Foi maravilhoso contar um pouco da minha história de vida na TV. Sou apenas mais uma gota no oceano de emoções da vida... Fico feliz de tocar e cativar os corações das pessoas que amam "Viver a Vida"!

Assistam e divulguem! Beijos, Lê.

Depoimento curto na TV GLOBO:

http://www.youtube.com/watch?v=TyxaoaO13bA

Depoimento maior no site da REDE GLOBO:

http://www.youtube.com/watch?v=a9xC5DOLiQY

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Saudade...

Tia Heleninha

Por Leandra Migotto Certeza

Biscoitos crocantes com canela, licor de ameixa, gatinhos, plantas, muito carinho e rizadinhas. É assim que me recordo de Tia Heleninha, como seu filho carinhosamente chamava sua doce mãe, Helena. Meu tio materno, filho de Helena, é meu segundo pai, e sua mãe, uma pessoa muito especial que eu tive o prazer de conhecer.

Quando a visitava em sua linda casa, o que mais gostava era ouvir algumas histórias que contava sobre seus filhos. Tia Heleninha falava pouco, mas sempre tinha um farto sorriso no rosto quando me via. Dizia que eu trazia alegria para ela. Os momentos que desfrutamos juntas foram muito gostosos, e eu nunca vou me esquecer deles.

Professora Helena era uma mulher tímida e muito carinhosa com os amigos, que sempre a visitavam. Adorava juntar todos para os demorados almoços ou lanches, em sua casa, cheia de muito verde e ar puro. Sempre contava com um grande orgulho do barco que o filho está construindo em seu jardim, e ria das minhas aventuras com sua filha pelos bares de São Paulo.

Eu dormi em sua casa algumas noites, e sempre fui muito bem acolhida. Ainda adolescente, eu ficava encantada com tantas fotos da família nas paredes, tapetes e almofadas diferentes, e móveis antigos. Sua casa era aconchegante. Tia Heleninha parecia ter um olhar distante, mas um sorriso fácil, quando os amigos se aproximavam dela.

Lembro do cheiro dos biscoitos que eu devorava; do licor que eu sempre levava para casa; dos gatinhos fofos correndo pela sala; e do sapatinho de lã colorido, tricotado por ela, e que ainda aquecem meus pés. Lembro também que ela gostava de ficar, às vezes, quietinha ao meu lado sem dizer uma só palavra. Nossos olhares eram suficientes...

Hoje recebi a triste notícia que Tia Heleninha foi embora e nunca mais vou poder vê-la. Ela ficará em meu coração para sempre, assim como todo o carinho que sempre transmitiu às pessoas.
Sentirei a sua falta sempre que for até Caucáia porque ela não estará mais lá, arrumando suas plantinhas. O que me conforta é que cada flor que ela plantou continuará exalando o doce perfume das suas mãos macias. E o gosto de seus biscoitos deliciosos ficará para sempre em minha boca.
Descrição das imagens: no canto superior esquerdo está um lindo botão de rosa vermelha; e no canto inferior direito, um gatinho malhado, muito fofo, tirando uma soneca.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A história de Jéssica



Chamo-me Jéssica, tenho 17 anos.Sou uma pessoa muito feliz.Namoro o Thiago, o amor da minha vida.Sou alfabetizada, estou na sétima série.Falo inglês, sei um pouco de libras, francês.Navego na Internet.Sou recreadora de crianças.Faço e vendo bijuteria.Sou muito independente, viajo sozinha, ando de ônibus urbano e vou ao banco.Sou muito amada pelos meus Familiares e amigos.Tenho uma Cachorra muito fofa “Perola”.Enfim sou uma adolescente igual a qualquer menina de minha idade.Mas nem sempre minha vida foi assim.

Quando nasci, minha mãe percebeu que eu era diferente, embora ela falasse para os médicos, eles diziam que era da cabeça dela. Mesmo desacreditada minha mãe insistiu. Minha correu atrás de terapias tratamento mesmo não sabendo o que eu tinha.Houve momentos que chamaram minha mãe de louca. Ela percebia que meu desenvolvimento era diferente, demorei em levantar a cabeça, sentar, andar, falar, muitas infecções, uma criança muito irritada, Hiperativa... Por ironia do destino tive meningite bacteriana aos 16 meses, que atrasou ainda mas o meu desenvolvimento, andei com quase 3 anos, sempre tive muita dificuldades motoras. Passaram a tratar seqüela de Meningite, embora minha mãe nunca concordou com este diagnóstico.

Só descobriram o que eu tinha aos 7 anos, isto porque minha mãe encontrou com um médico americano no corredor de um hospital e ele disse que eu tinha Síndrome de Williams. Minha família me levou a uma geneticista e lá foi diagnosticada a Síndrome de Williams. Uma síndrome genética que falta um pedaço do cromossomo 7 , não tenho elastina , tenho muito cálcio no corpo, já operei 2 vezes da estenose aórtica supravalvar, tenho problema na bexiga, dor de ouvido, muita dificuldade para amarrar cadarço, não sei o que é direita ou esquerda, sou muito ansiosa, uso óculos, usei aparelho no dente, porque meus dentes eram para fora.Se vcs quiserem saber mais entrem na Internet: http://www.swbrasil.org.br/

Minha mãe me colocou na creche aos 4 meses,porque ela sempre trabalhou fora. No segundo dia chamaram a minha mãe para perguntar o que eu tinha, minha falou que os médicos diziam que eu era normal. Era uma loucura, eles não sabiam como lidar comigo, eu era muito chorona e mole, todo começo de ano não queriam que eu mudasse de turma, por que eu não acompanhava as outras crianças, minha mãe exigia que ficasse com crianças de minha idade, ela sempre acreditou que eu convivendo com pessoas da mesma idade eu ia ter referencia passando a acompanhar meus amiguinhos e isso sempre aconteceu embora mais lento.
Com isso eu mesmo atrasada acabava aprendendo com meus amiguinhos, minha mãe era tirada de mãe chata, ela nunca me tratou diferente. Ela sempre foi muito general, nunca me deixou ter privilégio sempre exigiu que minhas dificuldades fossem respeitadas, mas que eu fosse tratada igual meus amiguinhos. Tanto que minha mãe me mudou 2 vezes de creche porque as tias estavam me mimando muito, e eu manipulava as tias.Aos 5 anos fui estudar Escola Municipal de Educação Infantil, próxima de casa, como sempre chamaram meus Pais no segundo dia de aula para perguntar o que e tinha e avisaram que eles não estavam preparados para lidar comigo, queriam diminuir o meu horário escolar, meus pais não concordaram. Falaram que sabiam que eu era diferente mas como os médicos não haviam dado diagnóstico, eu era tratada como um pessoa normal.

Nesta EMEI aconteceu de tudo, ficava isolada no canto da sala de aula, todos dias a professora reclamava que não sabia como trabalhar comigo. Eu ficava perambulando pela escola, me molhava no bebedouro, sumiam meus materiais escolares, eu não me integrava com a turma.O Relacionamento da minha família com a escola piorou quando começaram a acontecer coisas desagradáveis como:- Molhar toda a escola com uma mangueira que achei ligada.- Desligar o quadro de força que achei aberto.- Pintar uma parede que o pintor esqueceu de guardar as tintas.- Tomar chuva durante 4 horas no play ground da escola porque a professora me esqueceu, como conseqüência acabei pegando uma pneumonia ficando indo parar numa UTI.- Apanhar todos os dias das outras crianças- Fugir da escola em horário de aula.- Bilhetes mal educados da professora.Houve até boletins de ocorrências em delegacias.
Nesta época já se falavam em SAPNE (sala de apoio pedagógico para pessoas com necessidades Especiais) Eu freqüentava pela manhã e ia a para a EMEI a tarde , Era muito longe tinha que atravessar a cidade, acordava de madrugada, estava sempre cansada e de mal humor.Como eu já estava com 7 anos, meus pais resolveram entrar na justiça para conseguir uma escola adequada as minhas necessidades, por falta de opção acabei indo estudar numa sala especial.

E studei lá por 3 anos apesar de ter aprendido muita coisa hoje sei que foi perca de tempo, a sala tinha 8 colegas de várias deficiência acabava aprendendo as manias deles, chorava para não ir, fugia da sala e ia para sala dos “ditos normais”. No segundo ano de sala especial,na escola ia ter uma feira de ciência e minha sala ia falar sobre o papel, ai a sala foi fazer uma visita a uma fabrica de papel, neste dia minha mãe recebeu um bilhete da professora, que não havia prestado atenção e nem me interessei por nada, no dia da feira minha mãe me levou para a minha sala A professora tinha feito uma market de todo o processo da fabrica, ai entrou uma senhora e eu perguntei se ela queria uma explicação, expliquei tudo que haviam falado lá, neste dia eu convenci minha família que eu estava num lugar errado.
Embora minha família sem condição financeira, sempre tive acesso todos os profissionais (fono, psicólogo, neuropsicologo, psicopedagoga, terapeuta ocupacional, musico terapeuta, psicomotrocista) necessários para o meu desenvolvimento, isto era possível porque minha mãe teve a cara de pau de ir a consultórios e pedir a possibilidade de me atenderem gratuito ou pagamento simbólico, ou até mesmo fazer faxina no consultório para pagar as terapias. Com este fato citado acima minha mãe relatou para eles e os mesmo se juntaram e me aplicaram vários testes.

O resultado foi que eu estava acima daquela turma, era por isto que eu não prestava atenção em nada.Naquela época já se falava em INCLUSÂO, orientaram a escola para me incluir na primeira série. A escola teve muita resistência em me incluir alegando que eu não estava preparada e no ano seguinte eu estava novamente na classe especial. Novamente no segundo dia de aula a professora falou que não estava preparada para lidar comigo, neste dia minha mãe explodiu e falou tudo que pensava de um educador, falou coisas horríveis.Minha mãe me levou para casa com a certeza que nunca mais eu pisava numa escola, mas graças Deus a professora ligou a noite para minha mãe e pediu desculpas, disse que ela precisava ouvir tudo aquilo, disse também que estava muito envergonhada, falou do medo que ela sentia em relação a mim e pediu ajuda para minha mãe.I sto fez muita diferença as duas passaram a trabalharem juntas, falando a mesma língua, em 3 meses eu estava alfabetizada.No ano seguinte fui “incluída”.

Vocês devem estar pensando que é um final feliz, pasmem foi ai que começaram todos os meus pesadelos.Fui “incluída” numa classe com 42 alunos, a professora recém formada com mais 2 hiperativos na sala. Eu ficava jogada no fundo da sala de aula, sumiam todos os meus materiais, apanhava dos colegas, a professora não me dava atividades, ficava passeando pelos corredores era um pesadelo para todos, minha mãe era proibida de entrar na escola, quando ela ia falar com a direção eles alegavam que a “ inclusão” não tinha dado certo e eu tinha que voltar para sala especial mas minha família acreditavam na minha capacidade, sabiam que eu não estava sendo atendida de maneira adequada.

Minha mãe continuava recebendo os bilhetes de reclamações, Um dia ligaram para minha mãe ir me buscar porque eu estava agressiva na sala reclamara que eu tinha enfiado um lápis no ouvido de um colega de sala de aula, minha mãe foi muito preocupada porque eu sempre fui dócil e amável, minha mãe saiu comigo sentou no banco da praça e me perguntou o porque? Mostrei minha orelha toda ensangüentada e disse para ela:- Ontem o colega puxou minha orelha até sangrar fui falar para a professora e ela falou:- Bem feito quem mandou você mexer com ele.- Hoje eu fui me vingar. Minha mãe chorou e voltamos na escola ela pediu para ver o livro de ocorrências e não tinha nada relatada do fato do dia seguinte, ai minha mãe exigiu que também constasse no livro o acontecido e o colega também recebesse advertência igual eu.Meus pais se sentiam constrangidos quando iam à reunião de pais os assuntos sempre era eu. Um dia minha mãe foi falar com coordenadora Pedagógica da escola e ela muito impaciente falou para a minha mãe que ela enchia o saco, quem era minha mãe para ensinar o serviço para ela, sendo que ela tinha 18 aos de pedagogia.

Neste dia minha mãe cansada de tudo saiu da escola e foi para o fórum, chegando lá pediu para falar com o juiz da vara do menor, falaram que ele não a receberia , minha mãe deu uma de louca ficou 4 horas sentou na porta dele, quando começou chegar a imprensa o juiz a recebeu, minha mãe explicou tudo que estava acontecendo e pediu uma autorização para eu ficar em casa sem estudar. Inconformado o Juiz pediu explicação para a secretária de Educação, a escola respondeu que minha mãe era omissa e eu não tinha atendimento, (como já citei acima sempre tive todos profissionais necessários para meu desenvolvimento) ai minha mãe mostrou todos os laudos que tinha, o juiz viu que eles que eram omissos .

Foi marcada uma reunião com todos os profissionais que me acompanhavam (19), conselhos e meus pais, foram 4 horas de reunião e esclarecido tudo. A escola foi reformada para se adequarem as minhas necessidades, a direção afastada, todos se conscientizaram e passaram a respeitar minhas limitações, também adaptaram o currículo escolar. Com esta intervenção eu e meus colegas com deficiências tivemos um ganho muito grande acabaram as salas especiais todos foram incluídos.Estudei nesta escola até a terceira série, ai minha mãe acabou me tirando por conta da escola ser longe e eu tinha que tomar 2 condução para chegar.
Fui estudar numa escola próxima de casa, no começo se assustaram porque eu fui a primeira com deficiência a estudar lá, eu e minha mãe esclarecemos tudo e eu ensinei eles a lidar comigo, estudei lá por 2 anos.Tive problemas na quinta série, primeiro queriam me dar atestado de terminalidade. Eu não queria parar de estudar, então minha família me matriculou numa escola Publica muito famosa. Novamente voltamos a lutar, a escola funcionava com classes ambientes ( o aluno que vai até o professor), nos intervalos eu me perdia acabava estudando em sala errada, eu ia todos os dias, mas ficava com falta.

Mi ha mãe tentou de todas as formas tentar ajudar a escola , mas eles tinham muita resistência em ouvir minha mãe, até a professora da quarta série foi até a escola para ensin- los como lidar comigo, mas nem isto adiantou, na matemática sei fazer as 4 operações com material dourado , o professor de matemática não sabia usar este material, não consigo copiar a lição da lousa com rapidez, o professor apagava antes de eu te copiado, só escrevo com letra de forma o professor de português exigia que eu escrevesse com letra cursiva, tentamos de todas as formas para eu permanecer na escola.

No final do ano eu muito decepcionada e frustrada decidi que ia parar de estudar. Minha família me aconselhava não desistir minha mãe falava que acreditava em mim, que eu tinha potencial. Depois de muita insistência minha mãe me falou do CIEJA ( Centro Integrado de Educação de Jovens e adultos ), me pediu para eu ir conhecer, lá fui muito bem recebida, me identifiquei muito com meus colegas com a minha idade. Estou estudando lá há 2 anos. O sistema educacional do CIEJA é por ciclos , cada um corresponde há 2 série escolares estou no terceiro que corresponde a sétima série.

Quando tinha 11 anos percebi que minha família estava me protegendo muito, tinha uma moça que trabalhava em casa para cuidar de mim, eu não saia sozinha, minha mãe ou meu pai me levava para a escola e meus irmãos me buscavam. Eu sabia que eles faziam isto porque gostavam de mim. Mas me sentia sufocada, eu sempre tive a liberdade de falar tudo que penso em casa sempre tive o direito a voz e voto como qualquer membro de minha família, um dia resolvi ter uma conversa séria com eles, comecei perguntando se eles confiavam em mim , todos disseram que sim, ai eu questionei porque eu precisava de babá, porque eu não podia ir a padaria, na feira sair sozinha, falei que não era mais um bebê? Foi como eu tivesse jogado uma bomba em casa, uma revolução, me pediram um tempo, vi minha mãe muito preocupada afinal ela sempre esteve do meu lado.

A primeira vez que me deixaram ir à padaria só , encontrei o meu vizinho na rua que me pegou na mão e me levou de volta para casa dizendo que eu estava fugindo, minha esclareceu que eu ia a padaria, ele chamou minha mãe de louca.Uma vez estava esperando meu irmão num terminal de ônibus o fiscal chamou a policia dizendo que eu estava perdida nem me perguntaram nada e me levaram para a delegacia ai chegou lá dei o endereço de casa e o telefone da minha mãe ai ela foi lá me buscar.O próximo passo foi me ensinar a ir só para a escola, sei que não devo falar com estranhos, depois tiraram a babá. A primeira vez que fiquei só em casa cheguei muito atrasada na escola, ai minha família percebeu a minha dificuldade com horário, minha mãe comprou vários despertadores coloridos para tocarem nos horários necessários, eu me guiava pelas as cores, hoje sei ver a hora no relógio digital.

Como tenho falta de coordenação motora apertei muito o botão do micro ondas (1 hora) ao colocar um pão para descongelar e ele pegou fogo, minha mãe descartou o micro, e colocou Rabo quente (uma boca de fogão elétrica), nosso fogão tinha acendimento automático, girei vários botões coloquei fogo no fogão , minha mãe descartou o acendimento automático, não uso o fogão porque não gosto de fósforos. Mas já estou aprendendo a usar o fogão e cozinhar afinal um dia quero ter minha casa.È muito engraçado as pessoas ainda não estão acostumados com a minha independência vivem me perguntando se estou perdida.

Sofri muitos preconceitos, nunca liguei para isto, aprendi a lidar, quando tinha 5 anos reconheço que eu era um pouco esquisita: usava botas ortopédicas, tampão no olho, aparelho no dente e babava. Moramos num prédio, quando descia para brincar as crianças me mandavam embora, como sempre ganhei muitos brinquedos da moda, eu descia com o brinquedo que eles não tinham ai brincavam comigo, com isto conquistei a todos. Na escola aprendi a conquistar meus colegas , temos que mostrar as nossas qualidades para as pessoas compreenderem que somos como qualquer pessoa e respeitarem nossas limitação.Outro dia entrei no ônibus quando me sentei ao lado de um senhor ele imediatamente se levantou, preferiu ir de pé, ai eu perguntei para ele qual o preconceito que ele estava sentindo, só queria entende se era porque sou pobre, negra, mulher ou porque tenho deficiência ele ficou bravo desceu no próximo ponto.

Já sofri tentativa de abuso sexual na escola, graças a Deus minha mãe sempre conversou sobre este assunto comigo e eu aprendi a identificar quando somos obrigados a fazer o que não queremos, ai eu corri e denunciei eles para a direção da escola.Quando estou sozinha não falo com ninguém e nem sento com homens no ônibus, por uma vez eu sentei e ele pos as mãos nas minhas pernas, levantei e me mudei de lugar , me senti muito triste, liguei para minha mãe que me esperou no final com a policia.

Quero casar com o Thiago e ter filhos, dizem que meus filhos terão a SW, para mim não tem problema nenhum tenho muito orgulho de ter SW e daí se meus filhos tiverem, tenho certeza que eles serão pessoas maravilhosas.Participo da Associação Brasileira de síndrome de Williams, que minha mãe acabou se juntando com outras mães e fundando, lá é muito legal, mas fico muito preocupada com meus amigos. Tenho alguns que tem a minha idade e suas mães ainda os tratam como bebês, outros que não conseguiram estudar, outros que a família não acredita no potencial deles, mas espero um dia mudar tudo isto e todos terem a mesma oportunidade que eu tive.Tenho muitos amores, minha mãe, meu pai, meus 2 irmãos (maternos), minhas Irmãs(paternas) enfim toda famílias toda, Meus amigos, a coisa fofa da Perola, e o meu amor Thiago, estamos namorando desde o Natal , ele me faz muito feliz, ele também tem Síndrome de Williams e as nossas famílias dão o maior apoio.

Vou terminar dando um conselho para os pais de pessoas como eu: Não mimem seus filhos trate eles iguais a qualquer filho, acredite em seu filho o futuro dele será o que você correr hoje lembre se seu filho tem deficiência , mas não é incapaz.Conselho para Professores: Quando você receber uma pessoa com qualquer deficiência não tenha medo não somos ETs somos seres humanos iguais a vocês, não tenham medo de perguntar para nos ou nossas mães a suas duvidas. Não somos um transtorno e sim uma pessoas que tem direito de cidadão de estudar como qualquer um.Me magoa muito me lembrar dos professores que não me aceitaram, mas de uma coisa eu tenho certeza eles perderam a única oportunidade de morar no meu coração, todos as pessoas que acreditaram em mim tem um lugar especial no meu coração.
Agradeço a minha Família principalmente minha mãe que sempre lutou por mim , graças a ela hoje eu sou uma cidadã. Agradeço a todos que sempre acreditaram em mim.Espero que me história ajude a muitas pessoas vencerem o preconceito e melhora a qualidade de vida sendo INLUIDO na sociedade.