segunda-feira, 15 de abril de 2019

Oficina de Escrita de Memórias - Encontro de gente que ama contar suas histórias

Nossa Oficina dia 13 de abril foi um encontro enriquecedor de pessoas que gostam de escrever suas histórias! Coletiva Mamoeira e Caleidoscópio Comunicações parceria que deu certo! Agradeço a toda equipe que participou!!








Extinção do CONADE é crime contra os Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência



Extinção do CONADE é crime contra os Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência

O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta sexta-feira 12 de abril de 2019 um decreto que coloca fim aos conselhos sociais que integravam a Política Nacional de Participação Social (PNPS). Uma das organizações afetadas é o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), uma das bandeiras da campanha de Bolsonaro. O governo extinguiu todos os conselhos criados por decretos ou portaria antes de 2014, que é o caso do Conade.

A organização foi criada em 1999 para acompanhar e avaliar o desenvolvimento de uma política nacional para inclusão da pessoa com deficiência e das políticas setoriais de educação, saúde, trabalho, assistência social, transporte, cultura, turismo, desporto, lazer e política urbana dirigidos a esse grupo social.

Em 2003 o Conade foi incluído no governo e começou a fazer parte da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, também extinta por Bolsonaro. Atualmente, o conselho estava acoplado ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Em janeiro, o Conade teve as atividades suspensas para reajuste, mas a ministra Damares Alves havia garantido que em abril ele voltaria a funcionar normalmente.
Segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil existem 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que representa 23,92% da população brasileira. 

O Conade foi criado para que essa população possa tomar parte do processo de definição, planejamento e avaliação das políticas destinadas à pessoa com deficiência, por meio da articulação e diálogo com as demais instâncias de controle social e os gestores da administração pública direta e indireta.
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O futuro incerto do CONADE


Não obstante a designação em portaria ministerialde 19 de fevereiro dos novos membros do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE) para o período 2019-2021 e da garantia manifestada em nota pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) e sua titular, Damares Alves, de que suas atividades não serão suspensas, a edição do Decreto 9.579, de 11 de abril de 2019 colocou em suspenso não apenas as reuniões do colegiado, mas sua própria sobrexistência.


As razões para a dúvida estão expressas nas resoluções previstas no Decreto que, entre outras coisas, trata de condições para criação de novos colegiados interministeriais, da extinção daqueles instituídos nos moldes do Decreto nº 8.243, de 23 de maio de 2014, pelo governo anterior e de sua recriação conforme as providências do novo governo a serem encaminhadas até a Casa Civil no prazo de até o próximo 28 de maio. Também estão previstas no Decreto a revogação expressa das normas referentes aos colegiados eventualmente extintos em decorrência do Decreto.

Até o momento, algumas entidades representativas e com assento no Conselho, tais como a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos das Pessoas Idosas e das com Deficiência (AMPID) e a Federaçao Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD) já manifestaram suas preocupações em relação à manutenção do Conade dentro da estrutura do governo atual. 
Destaca-se que o decreto não visa exclusivamente o Conade, mas outros 700 conselhos criados em 2014 através da Política Nacional de Participação Social, do governo anterior.
O Conade foi criado em 1999, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, para funcionar no âmbito do Ministério da Justiça. Em 2003, no governo de Luis Inácio Lula da Silva, foi redenominado e realocado na estrutura do governo, passando a vincular-se à Secretaria Especial dos Direitos Humanos. 
Desde a sua criação, a competência principal do conselho vem sendo o acompanhamento e avaliação do desenvolvimento das políticas públicas setoriais de educação, saúde, trabalho, assistência social, transporte, cultura, turismo, desporto, lazer e política urbana dirigidos às pessoas com deficiência.
O Conselho é integrado por representantes de organizações não governamentais de e para pessoas com deficiência, dos ministérios setoriais, da Casa Civil da Presidência da República, da Ordem dos Advogados do Brasil, de organização nacional de trabalhadores, de organização nacional de empregadores, da comunidade científica, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia e da Associação Nacional do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência, totalizando 38 membros, sendo 19 representantes de órgãos governamentais e 19 da sociedade civil organizada.
Possui em sua estrutura o Plenário, a Presidência, a Presidência Ampliada, cinco Comissões Permanentes (Comissão de Atos Normativos, Comissão de Comunicação Social, Comissão de Articulação de Conselhos, Comissão de Políticas Públicas e Comissão de Orçamento e Finanças). A Presidência Ampliada é formada pelo(a) Presidente, Vice-Presidente e os(as) coordenadores(as) das comissões permanentes.

NOTA DE REPÚDIO A EXTINÇÃO DO CONADE

A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos das Pessoas Idosas e das com Deficiência – AMPID, com assento no Conselho Nacional de Direitos da Pessoa Idosa – CNDI e no Conselho Nacional de Direitos da Pessoa com Deficiência – CONADE reforça as manifestações de repúdio e preocupação com a edição do Decreto 9.759, de 11 de abril de 2019.
A evolução da vida em sociedade pressupõe um trato dialógico, amplo e democrático, assegurando a síntese clara da soberania popular, valor legitimador das ações e políticas públicas.
O Decreto 9.759, de 11 de abril de 2019, extingue e estabelece diretrizes, regras e limitações para os colegiados da Administração Pública Federal, onde se incluem Conselhos de Direitos e de Políticas Públicas.
Segundo estabelece o artigo 1º de nossa Constituição Federal, “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta constituição”. Vigora em nosso ordenamento jurídico dois tipos de democracia, a representativa (exercida por meio de representantes eleitos) e a participativa (exercida diretamente pelo cidadão), esta última também conhecida como participação popular ou social.
Notamos que com o decorrer dos anos, num processo civilizatório,  houve uma ampliação da participação do cidadão nas decisões políticas de seu Estado, independentemente do nível federativo compreendido (federal, estadual e municipal), deixando-se de lado a democracia exclusivamente representativa. Passou-se, assim, a privilegiar também a democracia participativa, reconhecendo-se a importância da atuação daqueles que serão diretamente alcançados pela Política Pública a ser implementada. Nesse sentido, os Conselhos, como o CNDI e o CONADE, são espaços importantes e privilegiados de participação popular”.
A participação popular é uma garantia constitucional para o pleno exercício da cidadania, aproxima o cidadão da coisa pública, permitindo o controle e uma colaboração ativa nos processos, nas ações e na formulação e condução das políticas, sendo importante elemento para a construção de um cotidiano harmônico e democrático.

Os Conselhos de Direitos são integrados por representantes do Poder Público e da sociedade civil e se afigura como um ambiente legítimo para a escuta da população sobre seus direitos, bem como para a sua efetiva participação nas transformações sociais necessárias no evolutivo processo civilizatório, representando um importante  mecanismo que assegura ao Poder Público um melhor balizamento às suas ações e políticas com o objetivo de promover a paz e o bem estar social.

É esse locus um campo profícuo também para que o ente governamental melhor compreenda os reclamos da sociedade e valore seus planos, ações e políticas.
E é dentro deste contexto que a AMPID ressalta a importância dos Conselhos de Direitos e de Políticas Públicas como instrumento de controle social das ações governamentais desenvolvidas a favor do segmento correspondente em âmbito nacional, estadual ou municipal. Num Estado Democrático de Direito não há como prescindir do Controle Social, na medida que este é que assegurará a participação da população na gestão pública, garantindo  espaços onde a Sociedade Civil, diretamente interessada, possa influir nas políticas públicas, acompanhando,  avaliando e fiscalizando estas Políticas,  assegurando a concretização dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, com a promoção do bem de todos, sem qualquer tipo de discriminação.”

Assim, a AMPID, unindo-se aos que já manifestaram sua preocupação com a edição do Decreto 9.759/19, vem a público ressaltar a importância de uma sociedade participativa na gestão pública, externando que a extinção desses colegiados representa um indiscutível retrocesso tanto para vida em sociedade, como também para o próprio Poder Público, subtraindo um instrumento popular especializado à efetivação dos direitos aos quais tem pertinência temática (participação social), em desrespeito à Constituição Federal e Tratados Internacionais ratificados pelo Estado Brasileiro, deslocando o Brasil para uma posição diversa daquela que historicamente vinha trilhando, em direção aos valores da democracia e da dignidade da pessoa humana.

Brasília, 13 de abril de 2019.
Alexandre Alcântara – Presidente
Maria Aparecida Gugel – Vice-presidente
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Conheça como funciona e qual a importância dos Conselhos:


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Moção contra o fechamento dos Conselhos e Comissões

A Assembleia Geral da Abong, reunida nos dias 27 e 28 de março de 2019, na cidade de São Paulo, aprovou moção contra a limitação, congelamento e extinção dos conselhos e órgãos colegiados de políticas públicas federais que possuem participação da sociedade civil.

Publicado no último dia 11 de abril, o Decreto 9759/2019, extingue e limita a criação de órgãos colegiados no Governo Federal atingindo tanto aqueles com participação da sociedade civil e os estritamente de governo, como é o caso dos GTs interministeriais.

Segundo a Constituição Federal de 1988, todo poder emana do povo – que o exerce por meio de seus representantes ou diretamente. A participação autônoma das organizações e movimentos sociais nos conselhos de políticas públicas é a melhor forma da sociedade civil envolver-se na definição dessas políticas, definir prioridades e fiscalizar a atuação do Governo Federal.

O encerramento ou congelamento desses órgãos e conselhos de políticas públicas é uma medida antidemocrática e que irá impactar a sociedade por conta da falta de transparência na aplicação dos recursos públicos. As principais políticas afetadas são as de direitos humanos, igualdade racial, indígena, rural, cidades, LGBT+ e meio ambiente.

Para revogar essa medida, a Abong irá acionar a Frente Parlamentar Mista pela Democracia e Direitos Humanos.

Essa Frente, composta por mais de 50 organizações, atua junto com parlamentares da nova legislatura para barrar retrocessos sociais e por “uma sociedade plural, ativa e diversa (...) na luta pela ampliação de direitos”, como diz o documento de criação da Frente.

Para saber quais conselhos e comissões foram extintas, acesse: 



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Mais informações sobre o tema: 








sábado, 6 de abril de 2019

Escritoras com deficiência - Trancadas do lado de dentro!


Por Leandra Migotto Certeza*


Legenda da foto: eu junto com as mulheres da Coletiva Mamoeira durante o encontro do projeto VAI. 


Quem sou?
Mistério doce
Forma diferente por ser igual
Humana,
Calma,
Intensa,
Densa,
Ardente
Exatamente como deve ser
Se um dia aparecerei?
Não sei...
Sigo o destino de não saber se existe destino
Vivo cada minuto como se fosse o último porque ele é
Carrego comigo todas as dores e delícias de ser mulher
Imperfeita / perfeita
Por simplesmente ser
Sem medo de existir

Certo dia, eu tive a felicidade de ouvir, que quando fazemos alguma coisa é porque simplesmente precisamos fazer. O ato de compor uma música, pintar um quadro, tocar um instrumento, esculpir uma peça, escrever um poema ou um singelo texto, assim como outras inúmeras ações podem ser considerados ‘divinos dons artísticos’ ou não. Porém, a beleza está em se fazer por fazer. Pelo simples fato de exprimir uma necessidade interior que transcende a qualquer norma, conceito ou objetivo pré estabelecido.

Por isso eu escrevo! Escrevo pela paz que sinto ao colocar no papel todos os sentimentos e experiências vividas até agora. Sem se ‘pré ocupar’ com o que as pessoas irão pensar; com o que realmente se tornará um dia o meu caderno, e com o que o meu espírito tanto sonhara. Mas será que serei lida? 

A escritora Virginia Woolf brilhantemente descreveu a saga das mulheres do século XVI, não apenas para existir e sobreviver, mas principalmente para viver e se sentir realizada, como ser humano, e não propriedade e/ou ‘saco de pancada’, literalmente. Eu constato que, infelizmente, pouca coisa ou quase nada mudou desde aquela época até hoje.

Atualmente, eu ainda luto para sobreviver em uma sociedade que valoriza a força física como a principal e mais rentável forma de trabalhar; e consequentemente descarta a maioria daquelas mulheres que possuem alguma deficiência, como eu. Não tenho um “Teto Todo Meu”, mas resisto e busco a cada novo amanhecer, uma luz para continuar seguindo o que sinto ânsia em fazer: ESCREVER minhas histórias...

Histórias
Tenho que contá-las
Vim pela palavra e para ela servirei
As palavras são meu ar
Tomei coragem de encontrar a minha alma refletida...
Nas palavras, nas histórias, nas pessoas...
Como conseguiremos viver em dois mundos?

Mas em que mundo eu vivo? Totalmente excludente ainda! Não sou apenas eu quem afirmo isso, mas Kenny Fries, autor americano premiado com uma bolsa de estudos Arts and Literary Arts do Rockefeller Foundation Bellagio em 2019. As autoras com deficiência, Adrienne Rich e Lucy Grealy, fazem parte do livro: Staring Back: The Disability Experience de Inside Out (Olhando para trás: a experiência de deficiência de dentro para fora), editado por Kenny e publicado pela Plume. É a primeira antologia multi-gênero de escritores e escritoras com deficiência do Planeta!

Escritoras brasileiras com deficiência. Você sabe que existem?

No Brasil eu arrisco a dizer que a situação de abandono entre as escritoras com deficiência ainda é bem pior! Vejamos… Quem de vocês conhece a escritora com deficiência visual Bartyra Soares que tomou posse na Academia Pernambucana de Letras em 2015? O primeiro livro de Bartyra, “Enigma” foi publicado em 1976, seguido por “Sombras consolidadas”, em 1980. A autora publicou, posteriormente, outras nove obras. Bartyra também tem poemas publicados em diversas antologias, revistas e jornais. Como contista e poeta, já recebeu quinze prêmios literários!

Creio que vocês também não saibam que outra autora com deficiência visual, Lídia Maria Cardia lançou seu primeiro livro de poesias: “Apenas Um Minuto”, durante a abertura da 36ª Semana Literária & Feira do Livro do SESC SP em 2017? Sobre seu livro, ela diz que os poemas são baseados em personagens comuns à nossa sociedade: “nem todos os personagens sou eu, muitas vezes eu narro histórias sobre as mulheres, o que elas vivem, o que passam, os mendigos, as crianças, mãe solteira, os namorados”. E seu processo criativo não espera hora nem lugar: “escrevo no ônibus rascunhando, nas madrugadas, se eu acordo com aquela intenção, levanto escrevendo e vejo o sol nascer”.

Outra importante jornalista que escreveu um livro e fez história, foi a saudosa Ana Beatriz Pierre Paiva. Junto com outros seis jovens com deficiência intelectual, publicou em 2011 a obra: “Mude o Seu Falar Que Eu Mudo Meu Ouvir”? Foi o primeiro livro sobre acessibilidade atitudinal escrito por jovens com deficiência intelectual no Brasil. Um grande marco lançado na sede da ONU - Organização das Nações Unidas, em Nova York, em versões em inglês e português.

Já a escritora e poetisa surda Emiliana Faria Rosa, doutora em linguística, mestra em educação e professora de Língua Brasileira de Sinais na UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, também contou sobre a experiência de escrever o seu livro de poesias "Borboletas Poéticas", em 2018 no Programa Especial da TV Brasil. Ela ficou surda aos onze anos, e assim se define: “sobre ser surda? Sim, sou surda. Bilíngue, ou seja, tenho duas línguas: a Libras (Língua Brasileira de Sinais) e o português. Sortuda, eu… Duas línguas para ser, viver, criar. O Português é a minha língua de escrita; a libras é minha língua de liberdade. E borboletas? Também. Eu aprendi a gostar quando percebi que sou, somos borboletas…” O livro de Emiliana apresenta três fases, que segundo a autora refletem o amadurecimento e florescimento poético; e cada pétala do casulo cai junto a uma nova fase de um novo poema.

E quem de vocês também sabe que a Biblioteca Braille Dorina Nowill, em Taguatinga (DF), lançou a primeira Academia Inclusiva de Autores Brasilienses? Ela foi fundada com o intuito de promover a obra literária de pessoas com deficiência visual no Brasil e no mundo. E as autoras lançaram em 2010 a obra: “Revelando Autores em Braille”, que traz um compilado de histórias e poemas escritos de forma inclusiva.

Kátia Iuriko Ito e Luciana Scotti (escritoras com deficiência física), Joana Belarmino (escritora com cegueira) são outras renomadas escritoras brasileiras que provavelmente você não sabia que existiam! Por qual motivo? Por que as mulheres com deficiência ainda são invisíveis aos olhos da sociedade, e as escritoras mais ainda!

Dentro dos próprios cursos, grupos ou clubes de escrita, elas são excluídas, por não conseguirem ter acesso aos locais das reuniões, (que em sua maioria possuem escadas), não têm intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (para pessoas com surdez e/ou com deficiência auditiva), ou escritos e impressos em Braille ou com  áudio-descrição (para pessoas com cegueira e/ou deficiência visual), por exemplo, entre outros recursos de acessibilidade comunicacional e atitudinal.

Quando eu conheci o Clube de Escrita para Mulheres na internet, encontrei uma oportunidade de compartilhar meus tesouros literários com outras escritoras. E por isso, me inscrevi no edital da Coletiva Mamoreira, uma rede formada por um grupo de mulheres que se uniram com o objetivo de valorizar, promover e intermediar a literatura criada por escritoras por meio da preparação, da revisão e da elaboração de projetos gráficos.

Porém, eu fui a única escritora com deficiência física em uma seleção de mais de 15 autoras. Sendo que nenhuma escritora com deficiência visual, auditiva, intelectual ou múltipla sequer se inscreveu. Sinal de que existe um grande caminho a ser percorrido para conectar o mercado editorial, as editoras independentes com as autoras com e sem deficiência e suas produções literárias.


Um caminho para as escritoras com deficiência serem ouvidas!



Oficinas de Escrita Inclusivas podem ser um caminho interessante para promover cada vez mais a aproximação das escritoras, os centros culturais e as editoras. Falar sobre nossas Memórias de forma livre foi o que um grupo de pessoas com e sem deficiência fizeram dia 13 de abril no Centro de Cultura do Butantã em SP.  

Naquela manhã foi possível exercitar o LUGAR DE FALA e compartilhar lembranças, seja por meio de textos escritos ou contados em Língua Portuguesa ou Língua Brasileira de Sinais. A atividade mediada por mim aconteceu através de dinâmicas de sensações, onde quem participou teve vendas nos olhos para sentir objetos e frutas; além de ouvir músicas e ver imagens.    

O objetivo da atividade inclusiva foi desenvolver a criatividade e alguns dos potenciais de relatos verbais, pictórios e/ou escritos dos participantes da oficina por meio de leituras de textos curtos como exemplo para demonstrar certos aspectos das técnicas de “Cena” e “Memórias”, existentes nas Narrativas Biográficas do gênero do Jornalismo Literário. A oficina terá intérprete de LIBRAS.




Descrição da imagem: eu estou sentada em minha cadeira de rodas na frente de uma mesa com livros e um telão onde está escrito: Histórias de Vida - Narrativas Autobiográficas - Textos de Memórias. Atrás de mim está o intérprete de LIBRAS. Estamos em uma sala com janelas ao fundo e paredes branca.  



Um novo olhar da sociedade sobre as escritoras com deficiência.

Para Graziela C. Drago, (a Zeligara), escritora e revisora de textos da Coletiva Mamoeira: “são muitos os fatores que dificultam a participação das pessoas com deficiência nos espaços culturais, dificuldades causadas principalmente pelo descaso com a sua condição específica e a falta de acesso físico e comunicacional. E nos casos de deficiência intelectual, embora a estrutura física não seja tão impeditiva, falta formação especializada para o trabalho comunicativo e afetivo necessário”.

A escritora comentou que antes de me conhecer não havia tido contato com escritoras com deficiência. Para ela ter trabalhado comigo foi essencial para que tivesse mais interesse para esta questão, valorizando as produções em LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais. Como por exemplo, da escritora que conheceu durante o projeto da Coletiva Mamoeira, a poeta Gabriela Grigolom Silva, surda que compõe poemas em LIBRAS e em Língua Portuguesa.

“Assim como o lugar das mulheres na literatura seja importante em razão do padrão estabelecido ser o masculino, também para as pessoas com deficiência é importante a sua expressão, uma vez que a expressão padrão é a de pessoas sem deficiência. Por isso, apresentar outra perspectiva, histórica ou pessoal, sobre a condição de um outro olhar na sociedade, um outro olhar sobre a poesia do mundo, é completamente fértil, tanto para a pluralidade literária quanto para a identidade do grupo identificado”, comentou Zeligara.

Já para Raphaela da Costa Crispim, educadora que faz parte da Coletiva Mamoeira: “as escritoras com deficiência quase não aparecem pela falta de inclusão nos espaços. Elas precisam se sentir convidadas a frequentar os espaços, isso é feito com um trabalho contínuo de investimento em inclusão. Por isso, é importante que sempre tenha acessibilidade, para que o público de pessoas com deficiência aumente e  exerçam seus direitos de cidadãos, de acesso à cultura, arte e educação. O lugar de fala destas escritoras é de extrema importância, para garantir legitimidade e propriedade aos discursos. E também para entendermos as peculiaridades da produção de uma escritora com deficiência.

Camila Honorato de Barros é jornalista, educadora, escritora, e foi selecionada pelo projeto da Coletiva Mamoeira. Ela com  comentou que ter me conhecido despertou a sua responsabilidade de, enquanto escritora que apoia outras mulheres, também pesquisar mais sobre o assunto e procurar formas de dar visibilidade às suas colegas escritoras com deficiência. “Já que o mercado editorial não impulsiona, temos que nos amparar. É nossa responsabilidade procurar formas de proporcionar recursos acessíveis para que todos tenham acesso. Eu visito muito o Itaú Cultural, o Museu da Imagem e do Som e a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Em todos eles, vi muita estrutura para acolher pessoas com deficiência, inclusive com atividades específicas em braile e conteúdos com áudio descrição, bem como experiências sensoriais e intérpretes em vídeos explicativos sobre exposições”.  

Para Camila a importância do lugar de fala para as escritoras com deficiência é sobrevivência, resistência, acolhimento e um meio importantíssimo de se ter voz. A literatura é um ambiente e tanto pro grito de: “estou aqui, existo, você também pode olhar pra mim”. 

Eu, Leandra Migotto Certeza que escrevo desde os 9 anos de idade, sinto na pele a urgente necessidade de um LUGAR DE FALA DAS ESCRITORAS COM DEFICIÊNCIA. Pois, ainda hoje com 42 anos eu não conquistei um espaço no mundo literário. Acredito que seja porque as barreiras são muitas e precisam ser derrubadas imediatamente!

Para que isso aconteça é preciso que os portais e as redes sociais tenham recursos de acessibilidade virtual, como textos compatíveis com os sintetizadores de voz e descrição de todo o conteúdo publicado para que pessoas com cegueira, consigam ler. Além disso, também é necessário que os vídeos sejam publicados com legendas e janelas de Língua Brasileira de Sinais para que pessoas com surdez compreendam.

Junto com estes recursos, os espaços onde acontecem os encontros e eventos culturais e literários precisam ser totalmente acessíveis para pessoas que andam em cadeira de rodas ou tenham qualquer deficiência física e/ou mobilidade reduzida.

E para que isso ocorra todas as pessoas responsáveis por organizar estes encontros devem ter como premissa o conceito de Desenho Universal, e não apenas pensem no assunto quando uma escritora com deficiência se inscreve. Afinal, a verdadeira inclusão só acontece quando todas e todos conseguem ter acesso às informações, e aos locais com autonomia, segurança e conforto.  

É necessário também permitir que as ESCRITORAS BRASILEIRAS COM DEFICIÊNCIA produzam, publiquem e sejam divulgadas! Só assim, elas não se sentirão mais TRANCADAS DO LADO DE DENTRO!  



Escritoras com deficiência, livros e movimentos:

Obras de Bartyra Soares:
Obras de Lídia Maria Cardia:
Emiliana Faria Rosa:
Slam Resistência Surda:
Livro: “Olhando para trás: a experiência de deficiência de dentro para fora”:
https://www.amazon.com/Staring-Back-Disability-Experience-Inside/



Escritoras sem deficiência:

Blog da escritora Zeligara - https://exscretos.blogspot.com/
Blog da escritora Camila - http://meninadaestrada.com.br
Clube de Escrita para Mulheres - http://clubedaescrita.com.br/



*Leandra Migotto Certeza é jornalista (MTb 40546), consultora e palestrante em Inclusão e Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência desde 1998. É escritora, poeta e faz cursos de Jornalismo Literário e Escrita Criativa. Criadora da Coleção Janelas do Selo Caleidoscópio – Biografias e Autobiografias de Mulheres com Deficiência.  






segunda-feira, 1 de abril de 2019

Leandra realizará Oficina de Escrita sobre Memórias em SP - Atividade Inclusiva




Amigas e amigos, é com muita alegria que eu divulgo a primeira atividade de 2019 em minha nova carreira como estudante de escrita. 

Fui convidada pelas lindas e fortes mulheres da Coletiva Mamoeira para participar deste importante projeto! 

Vou realizar uma Oficina aberta a todas e todos e com acessibilidade para pessoas com deficiência. 

A atividade terá intérprete de LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais e será em um local com acesso para pessoas com deficiência física. 



Espero vocês lá! Divulguem!!! Vamos preencher os espaços culturais com muita garra e coragem nas palavras de AMOR!!!










Descrição do folheto de divulgação da Oficina: fundo em cor rosa bem clarinho escrito: 

"Casa da Cultura do Butantã, 11h - 14hs - 13/04/19
Escrita de Memória - Qual história você quer contar?









Descrição da imagem: mulheres da Coletiva Mamoeira ao lado de Leandra.


sexta-feira, 8 de março de 2019

DIA INTERNACIONAL DE LUTA CONTRA O FEMINICÍDIO




8 de março não é dia de flores. É dia de lembrar de todas as mulheres mortas e violentadas. É dia de luta, de acolhimento e de cobrar da sociedade direitos básicos a todas nós. 


Por: Heloisa Aun

Nesta sexta-feira, 8 de março, é lembrado o Dia Internacional da Mulher. Uma data que representa, acima de tudo, a luta dos avanços conquistados pelas mulheres ao longo das últimas décadas.
Diferentemente de outras datas comemorativas criadas pelo comércio, o 8 de março tem origem nos movimentos sociais. É comum associá-lo ao incêndio ocorrido em Nova York (EUA) em 25 de março de 1911, na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram carbonizados, sendo 125 mulheres e 21 homens.
Embora o ocorrido tenha marcado a trajetória das lutas feministas, outros eventos anteriores podem ter levado à criação da data. O Dia Internacional da Mulher foi oficializado apenas em 1975, quando a ONU intitulou de “Ano Internacional da Mulher” para lembrar suas conquistas políticas e sociais.
Ao contrário do senso comum, nós, mulheres, não queremos parabéns, bombons ou flores.
Não queremos ser mortas após terminar um relacionamento.
Não queremos ser agredidas apenas porque recusamos beijar um homem.
Não queremos viver com medo de ser assediada ou estuprada.
Não queremos que nos culpem pela violência sofrida ou questionem nossa denúncia.
Não queremos que o assassinato de mulheres negras aumente a cada ano.
Não queremos que nossos corpos sejam sexualizados.
Não queremos viver relacionamentos abusivos.
Não queremos ganhar menos do que vocês exercendo a mesma função.
Não queremos que mulheres pobres morram depois de abortarem.
Não queremos nos privar de algo apenas por ter nascido mulher.
Mas o que nós queremos de vocês, homens?
Queremos que essa transformação parta de vocês, também.
Queremos que vocês intervenham, sim, quando virem um homem assediando uma mulher.
Queremos que vocês ouçam e respeitem quando damos a nossa opinião sobre algo.
Queremos que vocês repensem todos os dias seus comportamentos machistas.
Queremos que vocês dividam e se responsabilizem pelas tarefas de casa.
Queremos que vocês desconstruam as piadas sexistas dentro da família ou em grupos de amigos.
Queremos que vocês parem de tentar controlar suas companheiras.
Queremos que vocês deixem de justificar atitudes agressivas por “ciúmes”.
Queremos que vocês assumam seus filhos e filhas.
Queremos que vocês não nos estuprem.
Queremos que vocês não nos matem.

8 de março não é dia de flores. É dia de lembrar de todas as mulheres mortas e violentadas. É dia de luta, de acolhimento e de cobrar da sociedade direitos básicos a todas nós. 


http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-03/dia-internacional-da-mulher-tera-marchas-por-todo-o-pais

Dia Internacional da Mulher tem marchas por todo o país

Atos defendem fim da violência e respeito a direitos civis e sexuais

Publicado em 08/03/2019 - 09:25
Por Letycia Bond - Repórter da Agência Brasil  Brasília
Em pelo menos 45 cidades brasileiras, incluindo 17 capitais, protestos marcam hoje (8) o Dia Internacional da Mulher. Os atos da Marcha Mundial das Mulheres defendem o fim da violência, o respeito aos direitos civis e direitos reprodutivos e sexuais.
As imigrantes e refugiadas, as mulheres com deficiência, a questão da representatividade política, além do respeito aos direitos do público LGBTQIA+ estão entre as bandeiras das manifestações que ocorrerão ao longo do dia. A vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), cujo assassinato completa um ano sem solução no dia 14, será homenageada.
A maior parte da agenda que motiva a mobilização no Brasil coincide com os pleitos que levam às ruas mulheres de outros países nesta data.

Brasil

No caso brasileiro, o movimento também contesta a reforma da previdência. Ganha destaque ainda a luta pela democracia, pelos direitos dos povos indígenas e por uma educação não sexista, princípios defendidos, no final do mês passado, pela então representante da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), Nadine Gasman, pilares da igualdade de gênero.
Relatórios recentes, produzidos  por diferentes fontes, mostram que, embora as bandeiras da marcha sejam idênticas de um ano para o outro, é necessário manter os temas em discussão. De acordo com levantamentos condensados no site Violência contra as Mulheres em Dados, pelo Instituto Patrícia Galvão, a cada minuto, nove mulheres foram vítimas de agressão, em 2018.

Violência

De acordo com informações da segunda edição do estudo Visível e Invisível – A Vitimização de Mulheres no Brasil e do 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2017, a cada nove minutos, uma mulher sofreu estupro. Além disso, diariamente, 606 casos de lesão corporal dolosa – quando é cometida intencionalmente – enquadraram-se na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).
O elevado número de estupros envolve um outro crime multiplicado na sociedade brasileira: o assédio sexual. Dados de 2015 da organização não governamental (ONG) Think Olga, as brasileiras são sexualmente assediadas, pela primeira vez, aos 9,7 anos de idade, em média.
Em 2013, a pesquisa Percepção da Sociedade sobre Violência e Assassinatos de Mulheres, elaborada pelo Data Popular Instituto Patrícia Galvão, revelou que quase metade dos homens (43%) acreditava que as agressões físicas contra uma mulher decorrem de provocações dela ao ofensor. A proporção foi menor entre as mulheres: 27%.
De janeiro de 2014 a outubro de 2015, informou a ONG Think Olga, as buscas por palavras como "feminismo" e "empoderamento feminino" cresceram 86,7% e 354,5%, respectivamente.

Mercado de trabalho

A aspiração à justiça econômica também garante a aderência de muitas mulheres às passeatas. De acordo com documento divulgado ontem (7), pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a diferença está presente nos contracheques. A entidade apontou que as mulheres ganham, em média, salário 20% menor que o dos homens.
O Banco Mundial estimou que a desigualdade de gênero estendida ao ambiente profissional custa ao mundo US$ 160 trilhões. A quantia está relacionada à significativa participação feminina no mercado de trabalho, pois as mulheres representam, no mínimo, 40% da força laborativa em 80 países, de acordo com o Pew Research Center.

Dupla jornada

No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há mais mulheres entre os trabalhadores com ocupações por tempo parcial (até 30 horas semanais) do que homens. Elas são as principais responsáveis pelo cuidado de pessoas e afazeres domésticos, perfazendo, por semana, três horas a mais de trabalho do que os homens. A disparidade salarial chega a ser de 23,5% no país, outro desafio a ser enfrentado.
Para a terapeuta de ThetaHealing Rosana Almeida, deve-se ter cuidado com idealizações do que é ser mulher, sobretudo quando restringem as ambições da população feminina ou enaltecem a imagem da mulher que tudo resolve, porque reforçam estereótipos de gênero.
"[Isso] é algo imposto a imagem da mulher maravilha, da guerreira: 'Guerreira, você sustenta a casa. Guerreira, você cria seu filho sozinha.' Isso é uma coisa que fica imposta, uma pressão que tá aqui ativa, de que você vai ter que lidar sozinha, lutar o tempo inteiro”, disse. "Não que esse processo de conquista seja uma coisa ruim, mas a luta em si o tempo inteiro, essa sobrecarga vai nos deslocando do principal, que é ser mulher”, acrescentou.
Para Rosana Almeida, as mulheres, em geral, têm questionado os papéis que foram historicamente associados a elas. Assim como os homens, que, na sua opinião, têm se mostrado mais propensos a viver de outras formas. "Isso é uma mudança. Há muita coisa ainda imposta, registrada como sendo papel a ser feito. Cada vez mais, as mulheres estão querendo romper com isso ou adoecem, e é inevitável querer mudar."

Conscientização

Por intermédio de palestras, oficinas e reuniões programadas, as participantes da mobilização Marcha Mundial das Mulheres promoverão ao longo do dia e também durante o ano eventos para discussão. Debate incentivado pelo feminismo asiático põe em pauta a busca pela compreensão sobre mulheres racializadas.
Como esclarecem Caroline Ricca Lee, Gabriela Akemi Shimabuko e Laís Miwa Higa, no livro Explosão Feminista, em um capítulo dedicado ao tema, a vertente asiática do feminismo tem, entre suas pautas, a quebra da tradição do silêncio, tão disseminada nas culturas asiáticas e que contribui para a omissão da violência doméstica.
O objetivo é obter mais reconhecimento de identidades constituídas a partir de processos diaspóricos e dar mais visibilidade a trajetórias que têm como contexto a guerra ou a colonização.
Compreender a própria linhagem feminina e o que simboliza essa sucessão pode ser uma experiência rica, na avaliação da terapeuta Kakal Alcântara, idealizadora do método Ciranda Sistêmica, que incorpora princípios da constelação familiar. Ao tratar de questões como o patriarcado, por exemplo, a terapeuta explica que algumas participantes dividem a história de suas ascendentes, o que é, muitas vezes, libertador.
"É muito interessante perceber como as mulheres têm tido essa, eu até uso essa palavra ‘ousadia’ de olhar lá para atrás e salvar as mães, os relacionamentos das mães, as vidas financeiras das mães, entendendo, de um lugar muito profundo, o tamanho e o lugar de filha”, ressaltou Kakal Alcântara. “Quando elas se percebem nesse lugar, que podem receber e não se sentir endividadas, é como se elas fossem liberadas de poder viver todo o prazer do feminino."
A terapeuta ressaltou que os processos de conhecimento são distintos. "As alianças passam a acontecer não só pela dor, mas, desta vez, pelo pleno exercício de poder escolher fazer diferente e ainda ser abençoada pela ancestralidade, pra poder atuar de um modo diferente."

Outras reportagens sobre o tema: 

https://www.sul21.com.br/areazero/2019/03/mulher-ganha-em-media-795-do-salario-do-homem-diz-ibge/