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segunda-feira, 16 de março de 2020

ALERTA: Coronavírus e as pessoas com deficiência



Descrição da imagem: ilustração de um cartaz de alerta sobre o corona vírus em que existem desenhos de trabalhadores como enfermeira, médica, bombeiro, policial, guarda de trânsito, professora. Em cima dos desenho está escrito: "Nós não podemos ficar em casa, mas você pode. #fiqueemcasa Covid-19. 


Fiquem atentos aos cuidados ESPECÍFICOS para pessoas com deficiência:

Continuam valendo TODOS os outros cuidados, claro.

Deficiência NÃO é doença!


Mas esse grupo requer cuidados referentes à sua condição.



Descrição da imagem: Ser uma pessoa com deficiência não significa por si só que ela apresente maior vulnerabilidade à COVID 19. Há entre essas pessoas um grupo de risco que compreende as que apresentam: restrições respiratórias; dificuldades na comunicação e cuidados pessoais; aquelas com condições autoimunes; as pessoas idosas (acima de 60 anos); as que apresentam doenças associadas como diabetes, hipertensão arterial, doenças do coração, pulmão e rim, doenças neurológicas; aquelas em tratamento de câncer. Algumas medida como o distanciamento social e isolamento pessoal podem ser impossíveis para quem requer apoio. Alguns cuidados e medidas devem ser reforçados, a seguir:  



Descrição da imagem: cuidados com cuidadores e profissionais de saúde: se apresentarem sintomas de gripe, evitar contato com pessoas com deficiência; utilizar EPI (equipamento de proteção individual) para proteção de gotículas durante o atendimento. 



Descrição da imagem: cuidados redobrados: pessoas com deficiência com quadro neurológico e idosos podem apresentar sintomas específicos associados à infecção pelo CORONAVÍRUS tais como: piora brusca no quadro geral de saúde, perda de memória e/ou confusão mental, perda de mobilidade e força, fadiga repentina. Nestes casos procurar serviço de saúde mais próximos do local da residência. Nas pessoas com deficiência do grupo de risco em uso de medicamento, não interromper o uso regular dos remédios a não ser por ordem médica; o uso de medicamento imunossupressores pode elevar o risco da pessoa com deficiência contrair infecção. Nestes indivíduos, as medidas de prevenção devem ser redobradas.     



Descrição da imagem: Higienização das mãos com água e sabão (durante 30 segundos) ou álcool gel a 70%; etiqueta respiratória quando possível (proteja a boca e o nariz com o braço ou um lenço descartável ao tossir ou espirrar), evitar aglomerações e viagens; evitar atividades em grupo; atenção redobrada aos cuidados de higiene pessoal (em especial às pessoas com deficiência intelectual com grau e dependência); com relação à higienização de cadeiras de rodas, bengalas, andadores e outros meio de locomoção, promover a limpeza com água e sabão ou álcool líquido a 70% uma vez ao dia e sempre após deslocamento externo.    

Seguindo as medidas já tomadas, nós que temos comprometimento físico motor, devemos nos precaver com as seguintes medidas:


• Evite lugares públicos;


• Se não for urgente evite ida aos hospitais, fisioterapias ou atividades em equipamentos que outras pessoas também utilizam;

• Conversem com familiares, oriente a não beijá-los, abraça-los e no momento dos cuidados que se higienizem;

• Os familiares, também, quando chegarem da rua, devem higienizar-se;

• Não acreditem em notícias milagrosas, álcool gel feito em casa, bebidas que curam ou evitam a contaminação;

• Alimentem-se bem, hidratem-se bem. Comam frutas como laranja, limão e também o tomate, que tem vitamina C e não esqueçam da banana, que tem potássio;

• Tenham sempre álcool gel por perto, evitem a mão no rosto;

• Mantenham o joystick limpo com álcool gel, assim como também o aro da roda da cadeira de rodas.

Saiba o que é o CORONAVÍRUS NO ARQUIVO:


Saiba o que fazer ao entrar em sair de casa para evitar contaminação!!
  1. Tire os sapatos.
  2. Desinfete as patas do seu pet após passear com ele.
  3. Tire a roupa e coloque-a em uma sacola plástica no cesto de roupas (lave com alvejante recomendado acima de 60º)
  4. Deixe bolsa, carteira, chaves, etc, em uma caixa na entrada.
  5. Tome banho. Se não puder, lave bem todas as áreas expostas (entre mãos, punhos, rosto e pescoço).
  6. Limpe seu celular e os óculos com sabão e água ou álcool.
  7. Limpe as embalagens que trouxe de fora antes de guardar (faço o procedimento de luvas).
  8. Tire as luvas com cuidado, jogue-as fora e lave as mãos.
  9. Ao sair, coloque uma vestimenta de manga longa.
  10. Prenda o cabelo e evite usar brincos, aneis e correntinhas.
  11. Se estiver com gripe ou tosse, coloque uma máscara, pouco antes de sair.
  12. Evite utilizar o transporte público.
  13. Se sair com seu pet, tente evitar que se esfregue contra superfícies externas.
  14. Leve lencinhos descartáveis e use-os para tocar as superfícieis.
  15. Amasse o lenço e jogue-o em um saco fechado dentro de lata de lixo.
  16. Ao tossir ou espirrar, não utilize as mãos ou o ar.
  17. Evite usar dinheiro. Se necessário, imediatamente, higienize suas mãos.
  18. Lave ou higienize suas mãos após tocar em qualquer objeto ou superfície.
  19. Não toque seu rosto antes de higienizar suas mãos.
  20. Mantenha distância das pessoas.

Texto de Sandra Ramalhoso - Coordenadora da Pastoral da Pessoa com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo, imagens da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e jornal Estação, Blog Vencer Limites.  

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

"Dores de Crescimento" - Minha mensagem de final de ano






Leitoras e leitores do Caleidoscópio, minha mensagem de final de ano é a leitura desta entrevista com Fernanda Lima.  

Leiam, releiam, reflitam, leiam de novo e só depois, comentem. 


E em janeiro de 2019, conversamos sobre o assunto em um novo texto que escreverei. 

Desejo um 2019 FORTE!!! 
Mas muito FORTE!!!!!!! 

O momento é de REFLEXÃO E AÇÃO URGENTE POR NENHUM DIREITO A MENOS!! 

JUNTAS E JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!! CORAGEM PARA TODAS E TODOS! 


https://revistatrip.uol.com.br/trip/fernanda-lima-empresta-sua-voz-a-diferentes-causas-e-lida-com-as-consequencias-dessa-escolha?


"Mudar estruturas de poder exige rupturas, e o ser humano tende a resistir à mudança, por medo do desconhecido, medo de ser livre e da responsabilidade que a liberdade traz". 

"Só posso pensar que essas estruturas de poder estão internalizadas a ponto de causar uma espécie de confusão entre o sentir e o dizer, uma confusão que fantasia que feminismo é contra o homem, que justiça social é pauta de determinado partido, que a lgbtfobia foi inventada pela esquerda e que o racismo se inverteu contra o branco. Essa surdez é um tampão de ouvido que muita gente tem medo de tirar. Eu, se pudesse, chegaria a cada uma dessas pessoas, daria uma abraço e diria: “Não tenha medo, somos irmãos”. Não foi isso que Cristo ensinou? Então por que estamos brigando contra a felicidade do outro?"

Trechos da entrevista. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Discriminação educacional


Cadeirante intimado a devolver dinheiro pago pelo estado para ir à faculdade diz: ‘Não quero ser herói’

Fonte: http://extra.globo.com/noticias/rio/cadeirante-intimado-devolver-dinheiro-pago-pelo-estado-para-ir-faculdade-diz-nao-quero-ser-heroi-20261611.html

Igor na porta de casa, em Queimados

Até entrar na faculdade, Igor Lima da Cruz Gomes superou um parto prematuro, o abandono do pai, oito cirurgias, um erro médico, dificuldades financeiras e desafios diários com locomoção. A vaga no curso de Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), porém, ficou ameaçada por conta de míseros 33 degraus. Obstinado a vencer outra batalha, o cadeirante de 21 anos processou o governo do estado e a SuperVia pela falta de acessibilidade na estação de trem de Queimados, na Baixada Fluminense, onde mora. 

Em primeira instância, uma vitória: ele recebeu R$ 16.800 para, enquanto as obras não fossem feitas, prover um carro alugado que o levasse até a universidade durante três meses. No entanto, após um recurso do mesmo governo do estado que vem atrasando o pagamento de servidores, pensionistas, inativos, terceirizados e fornecedores, agora é Igor, intimado pela Justiça a devolver o valor já investido no transporte, quem “deve” ao poder público.

Por que você decidiu recorrer à Justiça?

Não era a minha primeira opção. Desde que eu soube que havia passado no vestibular, procurei vereadores e até o prefeito aqui de Queimados. Alguns fizeram promessas, outros disseram que não tinham como ajudar, mas o fato é que não consegui nada. Falei até com o gabinete do Romário em Brasília (o senador costuma defender causas relativas a pessoas com deficiência). Quando percebi que o início das aulas estava próximo, decidi procurar a Defensoria e ingressar com a ação.

Que dificuldades você enfrenta para ir até a faculdade?

Pra começar, o ônibus. O ponto é perto da minha casa, mas, às vezes, não tem o elevador, ou não funciona, ou sou eu que preciso ensinar ao motorista sobre como operar. Na estação de trem, eu até consigo passar da roleta, mas, na hora de descer para a área de embarque, só tem a escadaria. Preciso esperar surgirem quatro funcionários da SuperVia dispostos a ajudar, desmontar a cadeira e montá-la de novo (só as duas baterias pesam mais de dez quilos). Esse processo todo costuma demorar uns 20 minutos ou mais. Na Uerj, pelo menos, a acessibilidade é melhor (a Estação Maracanã foi reformada para a Olimpíada e a Paralimpíada).

Igor na casa onde mora com a mãe, Rogéria, que aparece ao fundo
Igor na casa onde mora com a mãe, Rogéria, que aparece ao fundo Foto: Roberto Moreyra

Como você recebeu a decisão sobre a devolução do dinheiro?

Quando fui notificado, já havia pagado os três meses de transporte particular com o valor que a juíza destinou inicialmente. A defensora pública que estava me acompanhando orientou que eu devolvesse tudo, mas não tenho nem perto disso, até porque não sei se a locadora estornaria sequer parcialmente essa verba (até o momento, ele só utilizou o serviço por pouco mais de um mês). O defensor que assumiu o caso agora, porém, disse que vai recorrer e que não preciso fazer isso desde já, porque o recibo é de data anterior a essa segunda decisão (a Defensoria não respondeu ao contato do EXTRA sobre o processo de Igor).

E se for mesmo preciso pagar?

Uma amiga da faculdade soube de tudo isso e resolveu ajudar organizando uma vaquinha virtual (http://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajudeoigor). O lado bom foi esse: acabei ficando mais próximo dos outros estudantes. Colocamos uma meta inicial de R$ 6 mil, que é o custo de um mês de transporte, e já estamos com quase R$ 4 mil (na noite de sexta-feira, o valor total foi alcançado e reajustado para R$ 17 mil, suficiente para cobrir toda a dívida com o estado). Teve gente que nem conheço doando mil reais, é uma coisa incrível. Ainda não sei como vai ficar a situação na Justiça, mas, dependendo, pelo menos já daria para pagar o aluguel do carro por outros três meses. Ah, também fizeram um abaixo assinado (https://www.change.org/p/supervia-ajude-igor-e-outros-milhares-de-portadores-de-necessidades-especiais), que tem 37 mil assinaturas (o número já chegou a quase 70 mil).

Igor na formatura do Ensino Médio
Igor na formatura do Ensino Médio Foto: Arquivo pessoal

A SuperVia fez algum contato?

Já são três dias seguidos com um homem se dizendo do departamento jurídico de lá me ligando, mas sem nem dar o nome (a entrevista ocorreu na quinta-feira). Ele pede que eu envie a grade curricular da faculdade, para ter mais funcionários nos horários em que eu for passar pela estação. O que quase fez eu mandar o cara ir para aquele lugar foi ele afirmar que aquilo era um favor, que a SuperVia não tinha obrigação. E que não havia previsão para obras de acessibilidade em Queimados, mesmo depois da determinação da Justiça. Não aceitei, claro, até porque resolver só a minha situação não adianta. Não quero ser herói do Brasil, mas e os outros cadeirantes? Tudo bem que não tenhamos um país 100% adaptado, mas, pelo menos, o transporte público precisa ser.

Qual o seu problema de saúde?

Nasci prematuro de sete meses, pesando um quilo e meio (a mãe mostra fotos do bebê miúdo). Tive falta de oxigenação no cérebro, o que causou uma paralisia do tipo diplegia espástica. Até os 14 anos, fiz oito cirurgias para tentar corrigir os problemas nos membros inferiores, além de uma na vista. A penúltima intervenção, porém, acabou piorando muito meu quadro. Me disseram depois que a médica puxou demais o tendão do joelho, tirando a pouca firmeza que eu havia conseguido adquirir. Desde então, uso a cadeira de rodas.

Por que você optou pelo Direito?

Quando fui crescendo, começaram a surgir várias dúvidas. O que eu posso fazer? Quais os meus direitos? O interesse por conhecer as leis veio daí. Na escola, professores também me aconselharam nesse sentido. Consegui entrar na faculdade, e meu sonho agora é ser juiz.

A estação da exclusão: Igor só chega na área à direita com ajuda
A estação da exclusão: Igor só chega na área à direita com ajuda Foto: Márcio Alves / 20.10.2015

Obras para adaptar estação ainda não têm data

Procurada, a SuperVia não confirmou as ligações para a casa de Igor, mas reconheceu que fez contato com o rapaz. Por nota, a concessionária assegurou que “está mobilizada para oferecer auxílio no momento do embarque e do desembarque” do cadeirante. Porém, além de não especificar como se daria essa ajuda, a empresa não fixa datas para que a estação de Queimados se torne acessível.
A decisão em primeira instância, de 21 de julho, porém, dá um prazo de seis meses para que a reforma seja feita. Até a conclusão da obra, a SuperVia e o governo do estado precisariam assegurar o transporte do universitário, conforme determinou a juíza Isabel Teresa Pinto Coelho. Em setembro, a magistrada Luciana da Cunha Martins Oliveira acatou recurso e suspendeu o pagamento pela locomoção, mas não a imposição das obras na estação.

Mesmo diante da determinação judicial, a SuperVia afirma apenas que “apresentou defesa” e informa, genericamente, “que segue o plano de investimentos que prevê tais intervenções nas estações, conforme contrato de concessão”. Atualmente, segundo a própria empresa, somente 20 das 102 estações ferroviárias contam com itens de acessibilidade, 19 delas “adaptadas na gestão da atual concessionária”.

Enquanto corre a batalha na Justiça, Igor fez, anteontem, a primeira prova na Uerj. Na casa humilde de muro verde no bairro de Vila Americana, em Queimados, onde um banco de cimento na entrada e puxadores nas paredes improvisam acessibilidade, a vigilante Rogéria da Cruz, de 40 anos, não esconde o orgulho do filho. Sobra espaço, porém, para o receio de que os rivais à frente sejam poderosos demais.
— Nem eu sabia que ele era tão forte assim — derrete-se.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Pessoas desaparecidas

Projeto de Lei de Iniciativa Popular


O Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Pessoa Desaparecida nasce da dor de milhares de mães, pais e familiares cansados do descaso e falta de políticas sérias sobre o assunto no Brasil:

è Não existem dados seguros sobre estatísticas de pessoas desaparecidas no Brasil.

è O Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD) é falho e desatualizado.

è O CNPD era um reivindicação da Rede Nacional de Identificação e  Localização de Crianças e Adolescentes Desaparecidos (RedeSap), que está em atividade desde 2002, mas só foi instituída formalmente em agosto de 2011, por portaria da Secretaria de Direitos Humanos.

è Não há integração de dados sobre pessoas desaparecidas entre os Estados do Brasil.

è Nem todos os Estados tem sites com informações sobre pessoas desaparecidas (site do Governo ou Secretarias de Seguranças Públicas).

è Não existem delegacias especializadas em todos os Estados do país; e as que existem não cumprem com a competência que a demanda requer; apenas fazem o boletim de ocorrência mas não investigam o desaparecimento.

è Não existe estrutura para atendimento psicológico ou apoio aos familiares dos desaparecidos.

è Não existe divulgação em massa na mídia partindo de órgãos oficiais, e sim da sociedade civil quando se mobiliza (TV, internet, rádio ou jornais). 

Sandra Moreno, mãe de Ana Paula Moreno Germano, na sua busca incansável por respostas em todos os âmbitos (Municipal, Estadual e Federal) e esferas de Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), espera que a partir deste Projeto de Lei o Brasil passe a tratar e olhar com seriedade o assunto; que há anos só traz dor e sofrimento às famílias.

Mas, Sandra Moreno não é uma exceção e não é única nessa luta! Via de regra e boa parte de familiares de pessoas desaparecidas no Brasil passam pelo mesmo drama.

O que esperar deste Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Pessoa Desaparecida?!

Esperamos que a apresentação de uma proposta de iniciativa popular, sensibilize não só a sociedade civil, mas as esferas públicas de poderes constituídos (municipal, estadual e federal).

Para que mais uma lei?! Porquê não usar o que já existe, e a partir daí cobrarmos dos nossos Poderes, aplicação da lei?

Por mais difícil que se possa acreditar, não temos leis que determinem a uniformidade quanto às questões do desaparecimento de uma pessoa. Cada Estado (quanto tem), administra precariamente a questão “Pessoas desaparecidas”, por um único e justo motivo; o desaparecimento de uma pessoa não é crime, e para tanto, não existem delegacias especializadas para o tratamento correto. A mesma delegacia que se registra um boletim de ocorrência para roubo, furto, assassinato, também é a mesma que se registra o desaparecimento de uma pessoa; temos resultados apenas do registro e muitas vezes a falta de continuidade no processo de investigação de um desaparecimento. O assunto cai no esquecimento!

Assine e ajude-nos a mudar!

Somente através da luta pelos nossos direitos e buscas por respostas legítimas que podemos mudar conceitos nesse país.

Somente através da união de forças e na busca por soluções de problemas, podemos realmente lutar e buscar resultados efetivos.

Você tem 2 formas de nos ajudar a mudar a triste realidade das famílias de pessoas desaparecidas no Brasil; o assunto é sério e não pode cair no esquecimento!

1. Assinatura eletrônica – Clique aqui, preencha seus dados corretamente e ajude-nos na mudança!

Por favor, preencha todos os dados corretamente. Caso contrário, sua assinatura eletrônica será invalidada!

2. Assinatura em papel - Se você quiser imprimir, colher a assinaturas no seu bairro, escola (somente maiores de 16 anos podem assinar!), faculdade, associação, igreja, comunidade, imprima aqui.

Precisamos forçar e tornar nítido estes problemas para a sociedade civil!

Fonte: 

http://www.abaixoassinadobrasil.com.br/index.php/projeto-de-lei/assine-aqui-e-ajude-nos-a-mudar

Aqui, você lê o texto-base do que pleiteamos no Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Pessoa Desaparecida no Brasil.

http://abaixoassinadobrasil.com.br/index.php/projeto-de-lei/texto-base-do-projeto-de-lei

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A presença da diversidade dentro do tecido social


Fonte: http://www.rac.com.br/blog/31789/32/katia-fonseca/a-diversidade-sinalizando-o-desconhecido

22/08/2011 16:25:54
A diversidade sinalizando o desconhecido  Compartilhar3
foto:

Por Lilia Pinto Martins

Li recentemente, no Portal RAC, do maior grupo de mídia impressa do Interior de São Paulo, reportagem de nossa amiga Katia Fonseca, jornalista e Presidente do CVI-Campinas. A matéria, do dia 25 de julho, trazia como título “Casal com Nanismo Gera Criança Sem Problema Físico”. (A reportagem está postada aqui neste blog, no dia 02/08/;2011 - veja http://www.rac.com.br/blog/31255/32/katia-fonseca/o-bebe-de-fabiola-e-fernando)

Recolho da reportagem aqueles trechos que considero mais significativos para conhecer a história do casal e, neste contexto, lançar algumas questões que me parecem instigantes.

A começar, pela introdução da própria reportagem: “A ciência garante que é possível, mas a maioria duvida: pessoas pequenas (1) podem gerar filhos que terão estatura padrão”.

E continua: “Fabíola Dreher Guimarães e Fernando Vieira Guimarães são a prova viva disso. O casal, que mora em Campinas, deu à luz, nesta segunda-feira (25), Lívia, uma bebê com saúde e que não terá problema de crescimento”.... “Fabíola tem 21 anos e mede 1,20m. Fernando tem 28 anos e mede 1,35m. Eles se conheceram há cerca de três anos, pela internet ..... Em maio de 2009, eles se viram pela primeira vez, ´numa balada de pequenos`, em São Paulo. Começaram a namorar e, em um ano, estavam casados”....

“Nenhum dos dois nasceu em Campinas. Ela é.... do Paraná, e ele nasceu na capital paulistana ... e vieram para Campinas por diferentes razões: Fabíola em busca de melhores oportunidades de estudo e trabalho .... e Fernando atrás de Fabíola. ´Me apaixonei por ela`, confessa”. “Fabíola ficou grávida sem planejar .... No entanto, filhos sempre estiveram nos planos de ambos”..... “Nos três primeiros meses, Fabíola passou muito mal por causa dos enjoos. Mas nada que não seja esperado da maioria das gestações ... Depois, teve uma gravidez tranqüila”..... 

“Fabíola e Fernando preferiam ter gerado um bebê como eles – que se tornasse também um pequeno. ´Os médicos torciam para que nossa filha tivesse estatura padrão e achavam que a gente torcia pra isso também`, conta o pai. Ambos estão ainda em suspenso a respeito de como será criar uma criança grande .... ´No começo, eu estava pirando com o fato do bebê não ser um pequeno, confessa Fernando... A mamãe ainda não sabe como vai agir e se sentir frente à doce Lívia que acaba de nascer. Mas sabe o que quer para o futuro de sua bebê....”.
Uma reportagem sensível, apresentando a narrativa de simples fatos que cercam nosso cotidiano, estimula-nos a ir além dos fatos, procurando ângulos não antevistos. Desse modo, fui instigada a examinar dois aspectos da reportagem que me chamaram a atenção de imediato.

Em primeiro lugar, fica patente o afeto e o cuidado que ambos inspiram um para com o outro, cercando a relação de uma “liga” muito peculiar chamada enamoramento. Nada de muito particular, já que esta “liga”, ou melhor “vínculo afetivo”, é parte intrínseca das relações humanas. 

Mas o que dizer, vindo de pessoas tradicionalmente tratadas como “bobos da corte”, e vivendo apenas em função do divertimento e do prazer que despertam nos outros? Como imaginar, pensariam alguns, que neste “mundo dos pequenos” (2) existiria algo além daquilo para o que estes “pequenos” estão destinados, ou seja, ser pretexto de piada para espetáculos circenses ou programas humorísticos? Nada mais reducionista que um pensamento desta natureza, revelando o quanto dentro de nossa “humanidade” podemos ser perversos, estigmatizando pessoas e confinando-as em padrões de existência muito aquém de sua condição humana.
Felizmente, a realidade, sinalizando fatos como o da reportagem, confirma uma convicção que sempre tivemos, e que mostra como a diferença que cerca os humanos entre si, não lhes retira a humanidade, conferindo-lhes os mesmos anseios e desejos que acompanham os seres humanos em geral, desde que o mundo é mundo. E por uma razão muito simples: somos pessoas, acima de qualquer diferença.

Um segundo ponto a focalizar: tanto Fabíola, quanto Fernando mantinham a expectativa de ter um filho também “pequeno”, mostrando-se surpresos ao tomar conhecimento do contrário, por não saberem como seria lidar com uma criança “grande”, ou seja, com uma filha que terá padrões de estatura diferenciados dos padrões de ambos. E mal leio este trecho da reportagem me vem a pergunta: curioso, a expectativa do casal não deveria ser o inverso da que experimentaram, ou seja, ter um filho com uma estatura padrão, que o identificaria dentro dos padrões sociais da normalidade? Não é sempre a expectativa pela “normalidade” que se coloca frente a situações novas, profundamente investidas de emoções e sentimentos, como é o nascimento de um filho? E não é exatamente o contrário que se verifica, isto é, a “normalidade” da filha causando dúvidas e estranheza ao jovem casal? Como é desejar que se repita no filho uma condição de “diferença”, que em lugar de trazer seu significado intrínseco de individuação, é normalmente tratada e representada como minusvalia? Que força misteriosa é esta, atraindo para o que é “igual”, mesmo quando o igual significa a diferença? Sim, porque o caso em questão é exemplar para apontar este paradoxo, quando a condição de diferença dos pais é vivenciada como “normalidade”, a ponto de suscitar neles a expectativa por um filho igual dentro da diferença que os identifica. E para surpresa geral, a condição de “normalidade” da filha causa estranheza exatamente pela diferença que apresenta em relação aos pais. 

Este questionamento leva a supor que, em princípio, somos guiados pelo desejo por um mundo que não tenhamos que ser defrontados com a diversidade, condição que não deixa de ser aprisionante, mas que sem dúvida fala de sentimentos e desejos bem primitivos. Tenho a impressão que, de fato, estar frente à diversidade, com tudo o que isto representa, é dar-se conta de um outro, que sendo diferente de nós, suscita dúvidas, angustias e conflitos, por fugir a nosso desejo de ter este outro como espelho de nós mesmos, continuando a ilusão de que somos o centro do mundo. Nada nos assusta mais do que o desconhecido e o inesperado, que rompe com esta ilusão, retirando-nos do “paraíso” e reavivando ameaças muito primitivas, tanto de nosso passado pré-histórico, quanto de nosso psiquismo primário, formado por fantasias insconscientes que nos acompanham em nosso desenvolvimento humano. 

Lidar com a diferença, trazendo o desconhecido e o inesperado, será sempre uma situação desafiante, frente, talvez, a uma escolha alternativa e preferencial que não apresente conflitos a primeira vista. Esta pode ser uma das razões porque é tão usual colocar alguns segmentos que representam a diversidade, fora dos padrões humanos e sociais. Mas nada tão ilusório quanto negar o conflito em quaisquer perspectivas das relações humanas, conflito, a meu ver, origem, não só de litígios intransponíveis, como também de processos estruturantes para relações mais humanizadas e oxigenadas, exatamente, pela presença da diversidade dentro do tecido social. 

(1) Denominação adotada pelo casal entrevistado
(2) Adoto a denominação utilizada na reportagem, seguindo a opção do casal entrevistado.