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quarta-feira, 6 de maio de 2020

Dia Internacional das Pessoas com Osteogenesis Imperfecta






Não sou a ‘regra’. Sobrevivi quando a medicina me sentenciou.
Fraturei vários ossos pelo corpo todo, andei com 5 anos, cresci até 96cm.
Fui segregada em escolas exclusivas, trabalhei em empresas pseudo-inclusivas.
Sou Bacharel em Comunicação Social.
Recebi prêmios internacionais pelos meus textos.
Viajei sozinha para fora do Brasil, desfilei em escolas de samba...
Curti muito a vida noturna, ganhei campeonatos de natação.
Uso uma cadeira de rodas para me locomover. 


Nos Anos 30, teria sido esquecida no quartinho dos fundos.
No início do século XX, ficaria trancada em uma igreja.
Na Idade Média, teria sido afogada ao nascer.
O ‘diferente’ sempre assusta porque incomoda e toca
na maior ferida humana: sua natural fragilidade e finitude.
A inata imperfeição de todos os seres não tem lugar
na sociedade da beleza plastificada e da suposta simetria. 


“Em uma estrela, um brilho
Em princípio inatingível
Ofuscado pelo vidro
Oprimido, impedido,
Ilhado por sentido
Fundo, profundo,

Dentro de si mesmo”.

Leandra Migotto Certeza



Entrevista na íntegra e maior. Compartilhar sempre citando a fonte e a autoria!

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Carnaval Inclusivo no Brasil em 2020


Descrição da imagem: Foto de Caio Rocha e Zemile Kasala, Rei e Rainha do Carnaval de Teresina. Estão abraçados, sorrindo. Ela beija ele no rosto. Zemile veste fantasia colorida com laço de fitas na cabeça. E ele também está com uma fantasia bem colorida. Ela tem a pela morena e ele branca.



Boas notícias...

A Prefeitura de Teresina, junto com a Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves promoveram um concurso para escolher um Rei e uma Rainha com deficiência para o Carnaval da cidade. Caio Rocha, de 27 anos, e Zemile Kasala, de 28 anos foram vencedores. Ambos têm Síndrome de Down, e vão desfilar no  bloco “Eu Quero Pepitar”. O bloco foi criado por Pepita Duran e Karen Maciel, e surgiu após responsáveis por pacientes atendidos em uma clínica particular voltada para pessoas com deficiência reclamarem que não conseguiam sair com eles para brincar carnaval.

Este ano, o espaço de inclusão no desfile do maior bloco de rua do mundo, chega à nona edição em Recife. A prefeitura da cidade disponibilizará o Camarote da Acessibilidade no Galo da Madrugada, que desfila no dia 2 de março. O camarote será instalado no Pátio do Carmo, Avenida Dantas Barreto, com capacidade para 300 pessoas com deficiência, pessoas idosas, acompanhantes e convidados. 

Após reunião, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia com Ministério Público estadual de Salvador, ficou acertado o encaminhamento de um relatório apontando as dificuldades encontradas no circuito nos últimos anos, para que sejam adotadas providências para melhorar a acessibilidade para as pessoas com deficiência. Além disso, uma equipe de promotores de Justiça e servidores do Ministério Público estarão presentes no bloco das pessoas com deficiência ‘Me Deixa a Vontade’, que sairá na sexta-feira e no sábado de Carnaval, no Circuito Osmar.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, realiza neste ano a 5ª edição do projeto “Samba com as Mãos”, que disponibiliza vídeos com a tradução em Língua Brasileira de Sinais dos 14 sambas-enredos das agremiações que pertencem ao Grupo Especial de São Paulo. As pessoas com deficiência visual também contam com audiodescrição dos desfiles, direto do sambódromo, pelas redes sociais da Secretaria. Segundo o IBGE em São Paulo, existem 350 mil cegos e mais de 120 mil surdos.

Outro bloco que propõe uma iniciativa social e inclusiva é o “Encosta que Cresce”. Criado em 2015 em Brasília, vai oferecer ao público dois espaços de apoio às pessoas com deficiência. Terá intérpretes de Libras e monitores para auxiliar os foliões. 

Aconteceu em janeiro o grito de Carnaval 2020 do Bloco Carnavalesco “NADA SOBRE NÓS sem NÓS”, que faz parte dos blocos oficiais da Associação de Blocos e Cordões Carnavalescos de Campo Grande. Fundado em novembro de 2018, o bloco reúne pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida da capital. Idealizado por Damião Zacarias (pessoa com deficiência visual) e pelo jornalista Oscar Martinez, voluntário no Instituto Sul Mato Grossense para Cegos, Florivaldo Vargas; tem o objetivo de dar visibilidade e abertura de espaço acessível e participação na cultura do carnaval de rua da cidade. 

 Mas ainda falta acessibilidade no Carnaval e depois que ele passar... 

Foi realizada uma vistoria da operação Carnaval de Todos na Bahia. A ação que envolveu as superintendências de Proteção e Defesa do Consumidor, dos Direitos da Pessoa com Deficiência, órgãos da Secretaria de Justiça Social e a Delegacia do Consumidor, observou as condições de acessibilidade de camarotes dos circuitos Barra-Ondina. Durante esta fiscalização na Bahia, foram observadas questões como inclinação de rampas de acesso, sinalização tátil e visual, além da altura dos balcões de atendimento. 

Também foram vistoriados estruturas e projetos de sete camarotes, lavrado autos de constatação com um prazo para que os empreendimentos corrijam as irregularidades, sob pena de multa. O Camarote Oceania foi notificado e deverá ajustar rampas de acesso. No camarote do Reino foi pontuada a falta de sinalização tátil nas rampas e nos acessos para pessoas com deficiência; enquanto que no camarote Salvador foi constatado a falta de acesso para pessoas com deficiência à boate, e no camarote do Harém foi sinalizada, dentre outros pontos, a falta de saída adequada para pessoa com deficiência.
Na busca por visibilidade social e mais acessibilidade em Sete Lagoas (MG), um bloco formado por pessoas com deficiência física deve sair às ruas da cidade às vésperas do carnaval deste ano. O tema do movimento será “Ô abre alas que eu quero passar”. A iniciativa é de Geraldo Magela Pontes.que irá realizar a colagem de adesivos em locais de difícil acesso para as pessoas com deficiência, durante o desfile para chamar a atenção das autoridades. 

Já os cidadãos e cidadãs que pagam impostos em Itaquaquecetuba em São Paulo, denunciam a completa falta de acessibilidade, durante a época do Carnaval e depois que ele passar. São calçadas sem rampas, banheiros públicos sem acesso viraram depósito, falta de estacionamento, elevadores quebrados nos ônibus e até na estação de trem. Eles relatam que já fizeram reclamações, mas que agora decidiram se unir para exigir melhorias. A situação é ainda pior quando o assunto envolve transporte coletivo porque os ônibus demoram muito (mais de duas horas), e os elevadores de plataforma estão sempre com problemas para embarcar e desembarcar passageiros que usam cadeira de rodas. 


quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Gentileza gera Gentileza

A Gentileza e a Felicidade Comum




Para além do sentido semântico da palavra gentileza, que significa delicadeza, amabilidade e cortesia, ser gentil compreende a capacidade de ser empático. A pessoa gentil, portanto, é aquela que trata aos outros com respeito não apenas porque aprendeu que isso é sinal de boa educação, mas porque é capaz de reconhecer no outro um igual. Quando somos empáticos tendemos a nos colocar no lugar da outra pessoa, a ver o outro como um ser humano como nós: com sonhos, problemas, necessidades, dúvidas, medos, qualidades, defeitos, etc. Assim, resistimos à tentação de julgar o outro nos baseando em impressões momentâneas. Digo isso porque ser gentil é antes de tudo ser capaz de perceber as necessidades dos outros. Quando dizemos bom dia a alguém estamos não apenas sendo corteses, mas também estamos atendendo a uma necessidade humana de ser visto e percebido por seus iguais. Quem tem a consciência de que há necessidades humanas comuns a todos nós, independentemente de classe social, etnia, religião, etc., consegue ser gentil.
A relação entre ser gentil e ser capaz de reconhecer o outro como igual pode ser sustentada pela teoria da “sobrevivência do mais gentil”. Segundo essa teoria a gentileza foi um fator preponderante para a evolução da espécie humana, e um dos seus principais defensores é o cientista comportamental Sam Bowles. Bowles é professor do Instituto Santa Fé, nos Estados Unidos, e passou boa parte da vida acadêmica estudando as características socioeconômicas de sociedades antigas. Em seus estudos ele verificou que a gentileza foi um componente fundamental para o bom funcionamento das comunidades e para sua manutenção no longo prazo. Para ele, as pessoas gentis contribuem para o bem-estar do grupo favorecendo a sobrevivência de todos, incluindo a delas.
Se no passado a gentileza foi tão importante para a sobrevivência humana, em nossa época diz-se que tem se tornado um bem raro. Compartilho desta percepção. Penso que várias razões podem explicar o porquê de estarmos abandonando as atitudes gentis. Em parte isso reflete um modo de vida que aparentemente leva à perda da capacidade de prestar atenção em nós mesmos e ao outro. Diferentemente da vida em uma pequena tribo ou em uma vila da antiguidade, o ritmo no qual vivemos atualmente nos dá a sensação de fragmentação, seja do tempo, das experiências ou das relações que estabelecemos. Até há bem pouco tempo, uns 30/50 anos atrás, o comum era a pessoa nascer, crescer, casar, ter filhos e morrer na mesma cidade, ou pelo menos no mesmo estado.
Estudava-se todo o ensino fundamental e médio na mesma escola, que geralmente ficava no bairro em que se morava, no qual os professores eram os vizinhos. No bairro em que se morava também era onde se conhecia “o amor da vida” frequentando a praça, a igreja ou o clube. As férias eram passadas na casa de alguém da família, no máximo na mesma praia de sempre. Os amigos da infância e os primos se tornavam os padrinhos de casamento e dos filhos tidos. Ainda, no passado bem recente, um profissional costumava se aposentar na mesma empresa em que teve o primeiro emprego, e a profissão escolhida no vestibular garantia emprego e boa renda com apenas a graduação.
Podemos ver, assim, que o ritmo das nossas vidas mudou muito. Hoje, mesmo quem vive em pequenas cidades é afetado pela organização do espaço geográfico em grandes regiões urbanas industrializadas e habitadas por pessoas de origens diversas. Recebemos notícias, nos comunicamos e temos contato com modelos de vida de habitantes do mundo todo. Passamos por vários espaços educacionais entre a creche e a pós-graduação. Trabalhamos em diferentes empresas e em diferentes funções ao longo da vida. Moramos em diferentes bairros, cidades e até países. Quando não moramos, nos deslocamos em viagens, seja a passeio ou a trabalho. Resumindo, o universo das nossas relações ampliou-se consideravelmente, tal qual o uso que fazemos do tempo, seja estudando, trabalhando, se deslocando, se comunicando, etc.
Essa “pulverização” do tempo e do espaço vividos nos leva a estabelecer relações superficiais, ficamos sem muita condição de aprofundar o contato com as outras pessoas, e até mesmo de nos observarmos mais atentamente. A correria diária nos leva a ouvir e a ver mal, os outros ou a nós mesmos. Temos vizinhos dos quais não sabemos sequer o nome, colegas de estudo e de trabalho que não fazemos ideia de onde moram, nos envolvemos afetivamente com várias pessoas e raramente visitamos os parentes.
Ao mesmo tempo em que nos aproximamos fisicamente das pessoas, morando e trabalhando em espaços cada vez menores e mais lotados, nos distanciamos emocionalmente. Não nos conhecemos mais. Uma das formas de aprendermos a respeitar outra pessoa é conhecê-la, é saber quem ela é, o que viveu, o que pensa, o que sofreu, o que conquistou. A história de uma pessoa a humaniza, a aproxima de todos nós porque na história de vida do outro acabamos por reconhecer aspectos da nossa. Isso nos permite olhar o outro como igual, e esse reconhecimento nos leva a ser mais respeitosos, a ter mais consideração, a ser mais gentis.
A gentileza torna a vida em geral mais aprazível, proporciona a criação de vínculos com maior qualidade e melhora os contatos superficiais tornando-os menos estressantes e mais significativos, ou seja, com maior valor pessoal. Além disso, a gentileza é um instrumento relacional que ajuda a abrir portas, a facilitar processos de negociação de forma mais igualitária sem que prevaleça os interesses de um lado em função da autoridade ou da força puramente. Ao sermos gentis conseguimos adicionar valor às ações cotidianas, dotando-as de um caráter mais espontâneo e menos mecânico. Quando agimos com gentileza percebemos com maior clareza que nossas ações exercem efeitos sobre as outras pessoas. Como esses efeitos são positivos tendemos a nos sentir melhor.
Essa melhora exerce influência tanto ao nível subjetivo (emocional e cognitivo) quanto ao objetivo (fisiológico). Pelo menos é o que relata o médico e pesquisador Stephen Post. Post, que é professor da Stony Brook University, também nos EUA, realizou um estudo envolvendo mais de 2000 pessoas, no qual encontrou indícios de que ser gentil faz bem à saúde. O que faz sentido, uma vez que as sensações positivas que temos quando somos gentis geram reações químicas em nosso cérebro que liberam neurotransmissores associados ao prazer, ao relaxamento e à alegria, como é o caso dos hormônios serotonina e ocitocina. Esse efeito físico e emocional da gentileza seria válido tanto para quem é gentil quanto para quem é beneficiado pela gentileza.
Dito de outra forma, há indícios de que a gentileza pode contribuir para uma vida mais feliz. A psicóloga Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, tem se dedicado a investigar a felicidade, e em um de seus estudos pediu aos participantes que praticassem ações gentis durante dez semanas. O que ela averiguou foi que a percepção de felicidade dos participantes aumentou durante o período no qual estavam envolvidos no estudo. O mais interessante em relação aos resultados encontrados por Lyubomirsky foi quanto à natureza das ações gentis. A pesquisadora encontrou uma correlação entre variedade das atitudes gentis e níveis de felicidade. Os participantes que foram gentis de diferentes formas – por exemplo: dizendo bom dia a estranhos, dando lugar a alguém no metrô, dando preferência aos pedestres no trânsito, etc., – registraram níveis bem mais altos de felicidade do que quem sempre repetia um único gesto de gentileza. Ainda, mais relevante, passado um mês depois do fim do estudo, os mais felizes continuavam pontuando alto nos testes para medição dos índices de felicidade.
Assim como os efeitos positivos da gentileza parecem ser potencializados quando somos gentis de diferentes formas, a prática da gentileza não diz respeito a apenas um conjunto de regras de conduta e de etiqueta. Aparentemente, a gentileza expressa uma forma de se relacionar com as outras pessoas que é pautada no respeito e na consideração. Pode-se dizer que ela é também um sinônimo de postura ética. Melhor dizendo, a gentileza ou a falta dela pode ser a expressão mais visível do caráter de uma pessoa e de seus valores. Nesse sentido, o exercício ou não da gentileza pode sinalizar o quanto uma pessoa está comprometida com a produção de vivências cotidianas melhores. Uma vez que a melhoria do que vivemos no dia-a-dia passa necessariamente pela qualidade das relações estabelecidas entre as pessoas. Sendo assim, a gentileza, como está sendo abordada aqui , pode contribuir para que as relações humanas de forma geral sejam mais justas, mais éticas e mais prazerosas. Seja num ambiente de trabalho, social ou íntimo, o exercício da gentileza pode nos ajudar a entender o posicionamentos do outro, sua forma de agir, pensar e sentir, ou pelo menos nos tornar mais tolerantes para lidar com as diferenças e os conflitos.
Ser gentil, portanto, tem mais a ver com o desejo de contribuir para uma vida melhor para todos do que com querer agradar a todos. A gentileza seria, então, tanto fruto da nossa capacidade de observar e respeitar o outro quanto a nós mesmos. Não dá para ser gentil quando negligenciamos e anulamos a nós mesmos em função das necessidades de outra pessoa. Quando ignoramos nossas próprias necessidades nos tornamos reféns da mágoa e do ressentimento, e nesse estado dificilmente somos capazes de sermos gentis. Fazemos “papel de bobo” quando nos sujeitamos ao lugar de perfeitos, certinhos, bonzinhos, etc. Nesses papeis tendemos a nos esforçar para satisfazer os interesses alheios. Isso não tem nada a ver com ser gentil. Quando desenvolvemos consideração e respeito por nós e pelos outros aprendemos a reconhecer os sinais de exploração, de abuso, etc.
Enfim, ser gentil não é ser bonzinho, mas atuar no sentido de tornar a vida melhor, ou pelo menos mais palatável. O bonzinho que assume as responsabilidades de outro, e nunca diz não, não é gentil. Quando assumimos as responsabilidades de outra pessoa estamos permitindo que alguns paguem pelos erros de outros, ou que alguns lucrem com o trabalho e a dedicação alheia, e isso de forma alguma pode ser confundido com gentileza. Ao agirmos assim não estamos sendo éticos e, ao mesmo tempo, reforçamos valores como preguiça, egoísmo, acomodação e outros que não contribuem para um mundo melhor. Similarmente, quando nunca dizemos “não” estamos reforçando em alguém a ideia de que tudo é permitido, de que não há limites, de que a vontade dela é soberana o suficiente para passar por cima de tudo e de todos e isso, definitivamente, não é ser gentil!
Em resumo, a gentileza verdadeira pode ser reconhecida quando o resultado do seu exercício gera uma condição que é percebida como boa para os dois lados, para quem faz a gentileza e para quem a recebe. Quase sempre, quando se é gentil tem-se como retorno apenas um sorriso, um “obrigado”, ou a simples sensação de ter feito o que é correto. Para muitos esse retorno tão “pequeno” pode não parecer o suficiente para fazer do mundo um lugar melhor para todos… Mas pergunte a alguém que costuma exercer a gentileza. Ousaria assegurar-lhe que a resposta comprovaria uma feliz percepção: a de que o que a princípio parece tão pouco é capaz de transformar o dia de uma pessoa, e até mesmo a forma como ela encara a si mesma, os outros e a própria vida. Experimente!
Fonte: 
https://www.psicologiasdobrasil.com.br/gentileza-e-felicidade-comum/

Angelita Corrêa Scardua
Psicóloga, Mestre e Doutoranda pela USP (SP). Especializada em Desenvolvimento de adultos, na experiência de Felicidade e nos estudos da Psicologia Social.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

DESTRUIR RETROCESSOS DE 2017 PARA CONSTRUIR 2018 SOLIDÁRIO E INCLUSIVO !


Desejo que tenhamos muita força e coragem para enfrentarmos um Ano NOVO repleto de gigantescos desafios!
Que todos os fenomenais retrocessos de 2017 sejam destruídos e transformados em reflexões para uma temporada de SOLIDARIEDADE, UNIÃO, RESPEITO, INCLUSÃO, E DIVERSIDADE!!





ESTES SÃO OS MEUS DESEJOS PARA 2018.... 

VIVEREI 365 DIAS ACREDITANDO E ENVIANDO ENERGIAS POSITIVAS AO UNIVERSO PARA CONSEGUIR REALIZAR TODOS! E VOCÊS?



Descrição da imagem: vários símbolos de pessoas diferentes, brancas, negras, com deficiência, mulheres, homens, indígenas entre outras e uma frase escrita: "Tenho o direito de ser igual quando a diferença me inferioriza. Tenho direito de ser diferente quando a igualdade me descaracteriza" - Boaventura de Souza Santos.E abaixo da imagem está escrito: "O meu mundo é aberto a diversidade humana. Eu apoio essa ideia!" 



Descrição da imagem: lindas borboletas bem coloridas pousadas em uma flor laranja. 




Descrição da imagem: perfil de mulher negra com turbante colorido em um fundo lilás com desenhos africanos.  



Descrição da imagem: foto em preto e branco da escritora Conceição Evaristo com o microfone nas mãos onde está escrito: "A nossa escrevivência não pode ser lida como história para ninar os da casa grande e sim para comodá-los em seus sonhos injustos". 


Descrição da imagem: desenho de bonequinhos coloridos bem diferentes, um com cabelo castanho e óculos, outro ruivo, uma menina loira com cegueira e bengala, e menino negro sentado em uma cadeira de rodas. A frase escrita é: "Como as aves, as pessoas são diferentes em seus voos, mas iguais no direito de voar".  




Descrição da imagem: desenho de várias pessoas diferentes, uma negra sentada na cadeira de rodas com o computador no colo, uma loira de muletas, um rapaz com cegueira e seu cão-guia, uma mulher atleta com duas próteses nas pernas, um rapaz com surdez falando em Língua Brasileira de Sinais, e uma mulher sentada na cadeira de rodas falando por meio se sinais nas mãos com uma criança sem deficiência. A frase que está escrito em um fundo vermelho é: "Capacitismo Não!" 



Descrição da imagem: desenho de uma rampa e uma pessoa com deficiência física descendo com a cadeira de rodas. O texto escrito é: "Rampa de acesso não decoração. Se o seu estabelecimento não tem ele não é para todos".

Descrição da imagem: imagem do símbolo da justiça carregando uma placa com a seguinte frase: "A impunidade é a mãe da corrupção!". 




Descrição da imagem: foto em preto e branco da escritora Carolina Maria de Jesus onde está escrito a frase dela: "Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o seu sonho era escrever e o podre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Sejao que Deus quiser. Eu escrevi a realidade". 



Descrição da imagem: foto colorida da Maria da Penha, ativista pelos Direitos Humanos das Mulheres. Ela está sentada em sua cadeira de rodas e segura uma faixa colorida onde está escrito: "Homem de verdade não bate em mulher". 




Descrição da imagem: desenho de 5 bonequinhos representando a diversidade crianças. Uma é negra e está com um vestido rosa, outro é um menino com camiseta amarela e sentado em uma cadeira de rodas, outra tem cegueira, usa um vestido vermelho e uma bengala, um garotinho sem deficiência ao lado e no canto direito uma velinha sorrindo. A baixo da imagem está escrito: "A educação é um direito de todos".  



Descrição da imagem: ilustração colorida onde várias mãos também coloridas estão carimbadas em fundo branco e abaixo está os símbolos das principais deficiências: visual, auditiva, física, intelectual, além do símbolo de uma mulher grávida, um idoso, uma pessoa com muletas.   














domingo, 24 de dezembro de 2017

O verdadeiro espírito do NATAL é a SOLIDARIEDADE INCLUSIVA!!

Vídeos promocionais levam mensagens inclusivas!


Neste vídeo promocional de uma marca de alimentos, a mensagem de solidariedade aparece em uma menina com Síndrome de Down que aprende a correr com a ajuda de uma amigo muito especial, um ex-corredor mais velho negro que vive sozinho em uma casa perto de onde ela mora. O amigo a incentiva a continuar treinando muito, empresta o seu cachorro para ela continuar treinando todos os dias. E no final ela vence a corrida do bairro e chama o amigo para passar a noite de natal na casa dela com toda a sua família.  


Já neste vídeo promocional de uma marca de roupas, uma menina tenta falar com a vizinha nova da rua e não consegue porque ela não responde. Então, a menina percebe que ela não escuta e começa a aprender a falar em Língua Brasileira de Sinais. E quando a encontra na noite de natal se aproxima dela tocando no ombro e falando em LIBRAS - "Oi! Meu nome é Rita. Feliz Natal Você quer brincar?" 

FELIZ NATAL E ANO NOVO SEM PRECONCEITOS


Descrição da imagem: vários bonequinhos coloridos com fundo também coloridos, enfileirados um ao lado do outro.

FELIZ NATAL DA DIVERSIDADE HUMANA!
QUE 2018 SEJA UM ANO NOVO SEM PRECONCEITOS, DISCRIMINAÇÕES, CAPACITISMO (preconceitos contra pessoas com deficiência), RACISMO, MACHISMO, HOMOFOBIA E TODAS AS FORMAS DE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA!

Descrição da imagem: desenho do Papai Noel em um fundo azul com estrela onde está escrito: Natal da Diversidade. E na foto abaixo eu estou ao lado do Papai Noel com Síndrome de Down em uma festa da ABSW. 


Descrição das imagens: a primeira imagem tem duas mulheres vestidas com gorrinho de Natal vermelho olhando uma para outra com paixão. E a segunda imagem tem dois homens também se olhando com rostinho colado e enrolados em luzinhas de Natal. 


Descrição das imagens: são três Papai Noel diferentes, um sentado na cadeira de rodas, outro com bengala usada por pessoas com cegueira e óculos escuros, e o último usando as mãos para falar em LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais. 



Descrição das imagens: na primeira é uma moça oriental vestida com roupas de natal, a segunda é um Papai Noel negro de óculos, e na terceira é uma família de pessoas negras com roupas em estilo africano bem coloridas em volta de uma mesa de Natal com frutas, velas e instrumentos musicais.    

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Leandra Migotto Certreza entrevista com exclusividade João Simões - ator da peça Colegas





Pessoal, é com grande alegria e satisfação, que compartilho com vocês uma ótima entrevista que realizei com exclusividade!

Assisti a peça "Colegas no teatro" e tive a maravilhosa oportunidade de estar ao lado dos três atores e atrizes. Foi uma experiência incrível e muito enriquecedora!!


Vejam como João Simões, terceiro entrevistado, já atuou em várias peças e diz que é isso o que ele gosta na vida: ser ator!

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Colheita


Colheita

Por Leandra Migotto Certeza*

Escrevo aqui após ler este forte poema de Vinícius Blauth Chaim, sobrinho da minha também tia e amiga. Não o conheço, mas convivi por mais de 35 anos com a mesma pessoa que o inspirou a deixar esta marca na areia da vida...

Areia

Olhando direto para fogueira
Contemplando o momento
Em que eu serei nada mais do que poeira
Um dia onde não mais verei a cachoeira
Um dia onde o fim não estará próximo porém estará aqui
Melhor eu ficar quieto quando estiver perto de desaparecer
Não quero fazer ninguém sofrer

Os meus últimos momentos
Segurei aquela mão fria
Aquela mão que me amava
Aquela pessoa que chorava
Aquela pessoa que trocava sorrisos
Aquela pessoa em que chamava uma irmã
Aquela pessoa…

Piso em um chão agora
Porém, não sou, nem estou igual.

Acordei
Olhando pra cima me curei
Olhando para baixo chorei
Para todos os lados vi pessoas
Com luz, com escuro, pessoas boas

Pra baixo, vi mágoas
Vi minha família
Vi meus amigos favoritos
Eu, em um lugar com tudo
Mas também com um vão agudo

Agora estarei no mar
Estou em todo lugar
Minhas cinzas materiais
Meus sentimentos especiais

Eu penso
Um mundo crível
Um mundo de onde não verei mais
As cores do arco-íris
Os sorrisos dos meus amigos
O abraço da minha família
O sol forte e lindo
O ar macio e frio

Agora estarei no mar
Estou a perfumar
Estou aqui
Estou ali,
Não estou olhando pra fogueira

E estou
No Mar
Eu estou
Na Chuva
Eu estou
No fogo
Da fogueira
Eu estou

Na Areia

Para mim o que fica é o colheita.
Colheita de sorrisos fartos e doces de uma moça ‘diferente’ que eu conheci aos 6 anos.
De cabelos louros e pele clara, iluminou um lado da minha vida que eu não conhecia.
Foi com a convivência divertida ao lado dela que eu aprendi a amar incondicionalmente a Natureza em toda a sua grandeza e PLENITUDE.
E FINITUDE

Foi brincando de boneca-gente (empurrando seus braços duros feito robô - eu dizia), que descobri a alegria em rir da própria casca que habitamos.
Quando menina, não lembro de tê-la visto triste uma única vez…
E como me deixava feliz quando abria um sorriso e me abraçava apertado olhando para dentro da minha caixa também ‘diferente’.
Eu me sentia segura e acolhida ao seu lado...

Quando comecei a questionar tudo e não entender muita coisa, foi ela quem me mostrou caminhos tão ‘diferentes’ e possíveis, bem longe do que ‘as pessoas da sala de jantar’ (que bem fala Marisa Monte), teimava em jogar na minha cara.
Traduzia letras de música de rock e me falava que eles não eram tudo, apenas uma parte (e na maioria das vezes um pouco duvidosa…. rsrsrs).
Falava sério - olhando nos olhos - que a Xuxa não era exemplo de NADA.
Demorei um pouco para entender que o caminho da auto-aceitação não passava pela imagem distorcida de supostos modelos sociais que inocentemente acreditamos ser os melhores e únicos.

Depois veio a fase mais cheia de ensinamentos (palavra que acredito ela não gostaria que eu falasse, mas para mim foi).
Aprendi a fazer papel reciclado sendo levada - com muito carinho no colo por ela - em uma oficina em que me senti tão incluída…
Aprendi que é preciso não produzir aquilo que o homem não tem a capacidade de descartar sem agredir a natureza.
Aprendi a não adquirir materiais e embalagens sem nenhuma utilidade.
Aprendi a separar os resíduos da forma correta para a coleta seletiva.
Aprendi a comer os alimentos (principalmente as frutas) por inteiro! Mesmo que a casca de pêssego fosse horrível! rsrsrsrs

Nossos adoráveis e quentes papos sobre política (em todos os sentidos, incluindo a responsabilidade de cada uma na sociedade) me fizeram ser quem sou hoje.

Tenho na memória o dia em que vi seus olhos se encherem de água quando uma linda árvore ardia em chamas bem na nossa frente!
Pra mim ela também parecia sentir a dor daquele pedaço de natureza se esvaindo…
Por mais que ela fosse a pessoa por quem eu mais entendi o significado de FIM, parecia que no fundo ela acreditasse que a natureza era ETERNA.

Sempre divertida e estabanada… Comia com tanta vontade que a gente até ficava sem fome… rsrsrs.
Andava rápido. Falava alto. Olhava nos olhos.
Aceitava a vida… Mas no fundo, pra mim, tinha uma tristeza misteriosa…

Foi com ela que aprendi que o AMOR não se compra nunca! Nem com chantagem emocional, egoísmo ou prepotência.
E que para ser feliz lá no fundo, primeiro é preciso saber nos respeitarmos.
Mesmo que machuquemos profundamente quem amamos muito um dia…
Não era perfeita. E nem sonhava em um dia ser…

Quando ela adoeceu dei um soco muito forte no travesseiro e BERREI!!
Tão jovem… Com a vida inteira pela frente… Puta merda! Ela não!
Mas logo meu coração acalmou e chorei muito junto com uma mistura esquisita de sorrisos…
Chegou a hora dela, caramba. Assim, como vai chegar a minha!
Foi esta a MAIOR lição que aprendi com a breve mais INTENSA passagem dela por aqui.
Tudo PASSA! TUDO mesmo!!

Ainda bem que tive a GRANDE felicidade de ter tido a oportunidade de conviver com ela e aprendido tanta coisa boa sobre a vida que é tão efêmera...

Não sei quantos anos eu vou ficar por aqui. Mas enquanto durar, guardarei com muito carinho e amor, a doce lembrança da uma grande amiga-tia e saberei colher os frutos que ela plantou em mim…

Patrícia Blautch, te agradeço por ter estado ao meu lado…   
    

PS: escrevi este texto no dia do aniversário da Pat (5 de outubro) porque ela pra mim sempre será lembrada VIVA!!!      



*Leandra Migotto Certeza tem Osteogenesis Imperfecta, é
comunicadora pela Universidade Anhembi Morumbi, jornalista desde 1998 com ampla e premiada experiência em inclusão. Trabalha como consultora e palestrante em empresas, ONGs, escolas e universidades. É estudante de Jornalismo Literário - Narrativas Biográficas e de Escrita Criativa. Escreve poemas desde os 9 anos.
Lançaráo selo Caleidoscópio de biografias sobre pessoas com deficiência, e começará pela Coleção Janelas contando a sua trajetória profissional. Assina a coluna “Bate papo” no portal Sem Barreiras, mantêm 2 blogs e participa do Coletivo Mulheres pela Inclusão.