sábado, 27 de outubro de 2018

Sem mostrar o Lula será que o Haddad é tudo isso que se diz?




Informações de Luca Moreno: 

https://www.facebook.com/lucamorenocps

Assim como fiz com Ciro, fui checar a lista que viralizou dos feitos da gestão do Haddad para saber o que tinha de verdade e o que tinha de mentira de acordo com as mais diversas fontes desde Diário Oficial, a Promessas de Campanha, Cobranças da Oposição e Mídia Tradicional (que a gente sabe que bate no PT, né 🤷), somando 81 textos/sites diferentes. 
Escolham itens para convencer o amigo indeciso. Conversem com os indecisos, pesquisem outras fontes através dos títulos de outras reportagens, perceba se você e a pessoa estão no contexto de algum desses 36 feitos. Não precisamos gritar. Não precisamos aumentar o som, precisamos melhorar a qualidade dos nossos argumentos.

MAS O QUE FERNANDO HADDAD FEZ COMO PREFEITO DE SÃO PAULO?
1- CONSTRUIU 3 UPAS E DEIXOU 12 EM CONSTRUÇÃO, ANTES DE SUA GESTÃO, SÃO PAULO NÃO POSSUÍA NENHUMA;
VERDADE: Mas fica difícil quando a fonte oficial retira a notícia temporariamente do ar. Entre no site da prefeitura de São Paulo e faça a Busca por UPA, você verá os títulos com datas de 2014/15/16, mas quando tenta ler, a matéria não está disponível (http://www.capital.sp.gov.br/@@busca…).

Mas existem outras fontes:

Primeira UPA: http://www.brasil.gov.br/…/primeira-upa-24-horas-da-capital… publicado em 14/04/2014 



Esse site de 2014, faz um mapeamento colaborativo do balanço dos primeiros 18 meses de mandato de Haddad, e já inclui a primeira UPA. E outros 610274 ações. Sério, vale conferir (http://spressosp.com.br/…/nao-sabe-o-que-haddad-fez-por-sp…/)

2- RECUPEROU MAIS DE R$ 278 MILHÕES DESVIADOS EM ESQUEMAS CORRUPÇÃO PARA O COFRE DA CIDADE;
Os valores divergem, mas são maiores que isso. Esse número foi Haddad quem disse em 2016 (https://istoe.com.br/haddad-diz-que-gestao-foi-a-que-mais-…/)

Mas só da Máfia do ISS, que foi descoberta pela gestão Haddad, imaginava-se uns 500 milhões desviados, porque acreditavam que o período do tombo era de 2008 a 2012 (https://g1.globo.com/…/justica-condena-sete-membros-da-mafi…). 

Mas chega-se a 4 bilhões a entender que o caso vem desde 2005, e só Haddadão combateu (https://folhapolitica.jusbrasil.com.br/…/mafia-do-iss-tera-…).
Tem o caso Malluf com 25 milhões de dólares recuperados (http://agenciabrasil.ebc.com.br/…/prefeitura-recupera-us-25…). E tem outros, mas a lista aqui também é longa.


3- CONSTRUIU 33 HOSPITAIS DIA DA REDE HORA CERTA;

VERDADE. E na verdade foram 35. O site de olho na meta, criado em 2013, previa 32 unidades, e entregaram 35 até dezembro 2016 (https://2013.deolhonasmetas.org.br/goal/20)
A última inaugurada na gestão Haddad é a Butantã, e todas as outras estão listadas aí no site de cima

4- CONSTRUIU 3 HOSPITAIS GERAIS;
PARCIALMENTE VERDADE. As obras finais do terceiro hospital foram suspensas por orçamento no final de 2016. Digamos que cumpriu 75% da meta. (https://2013.deolhonasmetas.org.br/goal/22)
5- CONSTRUIU MAIS DE 400 CRECHES, A PONTO DE QUASE ZERAR A FILA DE ESPERA;
VERDADE PARCIAL. Foram 425 unidades. 
Achei sites do PSDB falando que seriam menos, porque esse número levaria em consideração as terceirizadas em serviço da prefeitura. Mas a fonte que resolvi trazer fala de forma imparcial o número de 394 creches em agosto de 2016. (https://noticias.uol.com.br/…/nao-e-bem-assim-veja-os-erros… publicado em 23/08). Mas quase zerar a fila é pedir demais. É verdade que a taxa de natalidade vem caindo desde os anos 80... 

O estado de São Paulo tinha em 2016 uma média de 1,7 filhos por mulher, enquanto a capital tem média de 1,8 (e alguns bairros, como o Brás, chegam a média de 2,9 filho por mulher) (http://g1.globo.com/…/mulheres-de-sao-paulo-tem-em-media-18…publicado 27/06/2016). 

É preciso fazer uma projeção maior para abranger a demanda de alunos no ensino infantil. O número, apesar de "alto", ainda é insuficiente. E essa insuficiência atinge em cheio as mães que não podem trabalhar, ou acabam levando crianças para o serviço, que não é o local correto de estarem. 

Preciso também ser justo, e dizer que vi reclamações de mães sobre as condições de algumas unidades, e sei que são verdadeiras as reivindicações delas. E não vi pais nos fóruns... Todos cometários que eu vi, sejam elogios ou críticas, vinham de mulheres. (Que fique claro que isso não eh uma "verdade" sexista, e sim uma constatação da minha pesquisa com as fontes que eu li).

6- CONSTRUIU UNIVERSIDADE NOS CEUs COM O UniCEU;
VERDADE
A iniciativa oferece vagas em cursos de Química, Pedagogia, Matemática, Português, Educação Física, Engenharia da Produção, Gestão em Saúde, Enfermagem, Biologia, Engenharia da Computação, e podem ser conferidos no site da Secretaria Municipal de Educação (http://portal.sme.prefeitura.sp.gov.br/…/Cursos-em-Andamento)

Já o Decreto que Haddad assinou em 17 de março e foi publicado no meu aniversário de 30 anos no Diário Oficial, você pode ler aqui:

7- CRIOU UM ÓRGÃO DE AUDITORIA INDEPENDENTE;
VERDADE 
Em 2013 o Haddad criou a Controladoria Geral do Município para combater a Corrupção (como no caso do ISS). O órgão era autônomo e independente para poder investigar qualquer pessoa da gestão pública. Em 2017 o Dória começou a desmontar CGM, e tirou poderes do órgão. Só que agora em 2018, o Doriana saiu da prefeitura e o Bruno Covas devolveu à CGM as regras na forma que foram criadas em 2013, pelo Haddad 
(https://sao-paulo.estadao.com.br/…/geral,covas-devolve-auto… essa é um publicação de 2018, mas vale pelo resumo e pelo histórico contra Dória).

8- DEU PASSE LIVRE A 700 MIL ESTUDANTES;
VERDADE
O benefício do Passe Livre foi concedido em fevereiro de 2015 pela gestão de Fernando Haddad (PT). Estudantes dos ensinos fundamental e médio matriculados na rede pública e estudantes de universidades públicas com renda familiar per capita menor que um salário mínimo e meio (valor nacional) têm direito ao benefício. Mas o Dória também estragou isso 

9- REDUZIU A DÍVIDA DO MUNICÍPIO PARA MENOS DA METADE, SENDO O PRIMEIRO PREFEITO DA HISTÓRIA DA CIDADE A ENTREGAR UMA DÍVIDA MENOR DO QUE RECEBEU.
VERDADE
De 79 bilhões para o Estado, passamos a dever 29 para a união. Ele renegociou a dívida exigindo quebra dos juros. 

Haddadão comprou briga até com a Dilma para São Paulo caminhar. http://g1.globo.com/…/haddad-vai-justica-para-obrigar-gover… (24/04/2015).

10- LEVOU A VIRADA CULTURAL PARA PERIFERIA;
VERDADE. Entre CEUs, Ruas Abertas e Centros Comunitários, a população teve arte, cultura e lazer, até que em 2017 o Dória achou melhor que o povo se deslocasse até o Centro e mudou tudo de novo.

11- AUMENTOU O PISO SALARIAL DOS PROFESSORES;
VERDADE, mas não fez mais que a obrigação.
Serra entregou a prefeitura com 2600 de piso, e Haddad deixou com 3550, uma diferença de 950 reais. Um aumento de 36,5% em 4 anos. 

12- ACABOU COM A MÁFIA DO ISS;
VERDADE
Através da Controladoria Geral do Município, criada pelo próprio Haddad, desmontou e expôs a quadrilha de empresas que agiam com acordo com a prefeitura até 2012, porque 2013 Haddadão assumiu, e a bagunça acabou: https://m.folha.uol.com.br/…/1369376-situacao-era-de-degrad… publicado em 10/11/2013

13- PRIMEIRO PLANO MUNICIPAL DE CULTURA DA CIDADE;
VERDADE
O Decreto assinado por Haddad foi publicado em 30 de novembro de 2016 no Diário Oficial. Essa é a terceira ou quarta ação feita pelo Haddad depois de ter perdido a eleição. Ele continuou trabalhando por São Paulo até o dia que entregou a Prefeitura para o Dória, e depois continuou cobrando com zelo os trabalhos feitos por e que foram sendo destruídos por Dória. 

14- REDUZIU AS MORTES NO TRÂNSITO, COM MEDIDAS COMO A REDUÇÃO DE VELOCIDADE NAS MARGINAIS;
VERDADE
Dados divulgados pela Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) indicam que, na comparação com 2014, o ano passado teve 20,6% menos mortos, o que significa uma diferença de 257 óbitos. Nos 12 meses de 2014, foram registrados 1.249 óbitos no trânsito, contra 992 em 2015. 

A Prefeitura atribui a redução às ações implantadas por meio do Programa de Proteção à Vida (PPV), que desenvolveu ações como diminuição da velocidade permitida em várias avenidas, iluminação e revitalização de faixas de pedestres, além da implantação das ciclofaixas, que chegaram a 385,4 quilômetros em toda a cidade.

Sem contar que a Marginal Tietê ficou DEZENOVE MESES sem vítima fatal por atropelamento depois que Radard diminuiu a velocidade da via. https://m.folha.uol.com.br/…/1843631-marginal-tiete-complet…

15- MAIS DE 140 PRAÇAS COM Wi-fi;
VERDADE por perspectiva. 
Encontrei reportagens de abril de 2015 falando em 120 pontos de acesso a Wi-Fi livre. Não vi nenhuma falando em 140. A primeira é de 2013. http://g1.globo.com/…/haddad-entrega-120-pracas-com-wi-fi-e…

16- APROVOU O PLANO DIRETOR, PREMIADO INTERNACIONALMENTE E ELOGIADO PELA ONU;
VERDADE
Depois de analisar 146 candidaturas de 16 países, o comitê de avaliação da Convocação Pública de Práticas Inovadoras da Nova Agenda Urbana selecionou quatro projetos vencedores de Brasil, Costa Rica, Equador e Porto Rico.

Segundo o ONU-Habitat, o plano foi contemplado por seu propósito de “tornar a cidade mais humana, moderna e equilibrada, através do emprego e da moradia, para enfrentar as desigualdades socioterritoriais”. 
São informações da própria Organização das Nações Unidas https://nacoesunidas.org/plano-diretor-da-cidade-de-sao-…/…/

17- CONSTRUIU MAIS DE 400KM DE CORREDORES E FAIXAS DE ÔNIBUS;
VERDADE
Mas ficou mal informado:
Ele prometeu 150 km de faixas e 150 de corredores. Entregou 400 de faixas e metade da meta de corredores. 

18- ENTREGOU 400KM DE CICLOVIAS;
VERDADE
Prometeu e cumpriu a meta em 100%. E depois a meta foi destruída por Dória. https://2013.deolhonasmetas.org.br/goal/97

19- CENTENAS DE ÔNIBUS COM WIFI, AR-CONDICIONADO, CARREGADOR DE CELULAR E DE BILHETE ÚNICO;
VERDADE
São centenas mesmo: 804 ônibus com Wi-Fi 
344 que carregam bilhete único.

Mas a frota tem mais de 15 mil ônibus. Só não podemos cobrar mais, porque o projeto do segundo semestre de 2015 não estava entre as promessas e metas de campanha de quando ganhou a eleição.

20- BILHETE ÚNICO MENSAL;
VERDADE
O Bilhete Único Mensal quando lançado tinha custo de 140 reais, quando a passagem de ônibus e metrôs custavam 3 reais cada, e com o mensal tendo integração dos dois serviços por 230. 

Hoje o valor unitário está em 4 reais cada serviço, ou 6,96 a integração de ônibus e metrô, e 307 o mensal. 
Ou seja, um trabalhador que folga uma vez por semana, e usa ônibus e metrô para se deslocar na ida e na volta, gastaria (ele ou o patrão) 400 reais mensais (25 dias pagando 16 reais por dia). No bilhete único integrado, o gasto fica em 348 reais (25 dias gastando quase 14 reais por dia). E com o Bilhete Único Mensal, o valor eh fixo em 307 (economia de 93 reais, quase 25%) e você pode passear na folga, ou estender o rolê nos outros dias, porque as viagens são ilimitadas.

21- SANCIONOU A LEI QUE OBRIGA A INCLUSÃO DE ALIMENTAÇÃO ORGÂNICA NAS MERENDAS DAS ESCOLAS MUNICIPAIS;
VERDADE 
Realmente a lei LEI Nº 16.140, DE 17 DE MARÇO DE 2015 foi sancionada (aprovada/assinada) por Haddad, mas o Projeto de Lei Nº 451/13, é dos vereadores 
Natalini (PV) Ricardo Young (PPS), Nabil 
Bonduki (PT), Goulart (PSD), Dalton Silvano 
(PV) e Toninho Vespoli (PSOL), assim como mostra o diário oficial: https://www.google.com.br/url… mas o projeto tem ligação direta com o Projeto Premiado de Haddad, chamado Ligue os pontos, onde a ação tem como objetivo facilitar e ampliar a distribuição do alimento produzido pela agricultura familiar até a mesa das crianças nas escolas, por exemplo.

“O projeto apresentado por São Paulo busca multiplicar por três vezes a renda de famílias em situação de grande vulnerabilidade social, inserindo-os na cadeia produtiva agrícola de uma metrópole com 22 milhões de habitantes”

22- INSTALOU FAB LABS NA CIDADE, OFERECENDO À POPULAÇÃO ACESSO A COMPUTADORES COM INTERNET E IMPRESSORAS 3D, ALÉM DE PROFESSORES PARA ENSINAR COMO OPERAR OS EQUIPAMENTOS.
VERDADE
O projeto foi criado por Haddad: "Aqui será possível fazer desde um game até o protótipo de uma cadeira ou abajur. Nenhum município brasileiro tem Fab Labs como os que estamos inaugurando”, afirmou o prefeito Fernando Haddad.

Os Fab Labs são espaços de produção colaborativa e aprendizado interdisciplinar, que tem como principal público-alvo os estudantes. No local, os jovens terão acesso a impressoras 3D, cortadora laser, software de modelagem e animação para programação em computadores, fresadoras e equipamentos de eletrônica, entre outros recursos utilizados na cultura maker.

E O QUE FERNANDO HADDAD FEZ COMO MINISTRO DA EDUCAÇÃO?
23- CRIOU O PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS (ProUni), DEMOCRATIZANDO O ACESSO À UNIVERSIDADE PARA ESTUDANTES DE BAIXA RENDA E INSERIU MAIS DE 1,5 MILHÃO DE JOVENS NO ENSINO SUPERIOR;
VERDADE
Mas como ele pode ser o "Pai do ProUni, sendo que a Lei nº 11.096/2005 foi assinada pelo Lula em janeiro e Haddad só virou Ministro da Educação no final de julho? É que "Haddad anteriormente era secretário-executivo da pasta e foi responsável pela implementação do Prouni (Programa Universidade para Todos), um dos maiores projetos de visibilidade do ministério, cujo objetivo é conceder bolsas de estudo para alunos carentes em universidades particulares." https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0105200621.htm publicado em 01/05/2006

E na verdade o número é maior. São 2,5 milhões de bolsas desde a criação do programa (http://portal.mec.gov.br/…/65461-mec-libera-sistema-para-co… publicado em 20 de junho de 2018).

24- FORTALECEU O FUNDO DE FINANCIAMENTO ESTUDANTIL (FIES);
VERDADE
Essa amam falar que é mentira por puro desencontro de informações.
Acontece que existia um Crédito Educativo criado pelo Regime Militar em 1976, outro Crédito Estudantil assinado por Collor (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8436.htm25/06/1992) e por fim o FIES criado no governo Fernando Henrique em 1999 e transformado em lei em 2001 

Mas todos esses créditos tinham ou Juros demais, ou tempo de carência de menos, ou não cobriam 100% da mensalidade. 
Com as mudanças de Haddad em 2010, a prioridade de 100% passa a existir para os mais pobres. O prazo de carência passa a ser de 18 meses, o tempo de quitação da dívida passa a ser de três vezes o tempo do curso mais um ano, e a necessidade do fiador foi extinta para os que têm renda per capita de até um salário mínimo e meio, para os que cursarem licenciaturas e para quem tem bolsa parcial do Governo. (http://g1.globo.com/…/governo-lanca-fundo-que-permite-contr… 20/10/2010). 

Tudo isso fez o FIES crescer como nunca "na hisfória desfi paif".
Número de vagas do Crédito Estudantil assinado por Collor antes de FHC mexer no financiamento:
• 32.496 estudantes em 1995; 
• 11.374 estudantes em 1996; 
• 29.303 estudantes em 1997; 
• não houve processo seletivo em 1998.
Número de vagas com o FIES de FHC: 
• 80.102 estudantes em 1999; 
• 44.447 estudantes em 2000; 
• 50.410 estudantes em 2001. (https://www.google.com.br/url… publicado em 2001).
Número de vagas depois que Haddad mexeu no FIES:
• 76.200 estudantes em 2010; 
• 154.300 estudantes em 2011; 
• 377.800 estudantes em 2012; 
• 560.000 estudantes em 2013; 
• 731.000 estudantes em 2014; 

A partir daqui tivemos um boom orçamentário e aquela recessão parlamentar imposta pelo pessoal do Jereissati. Abre aspas: "O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT." (https://www.google.com.br/url… publicado em 13/12/2018)

E essa reportagem faz um comparativo de como o financiamento foi alterado ao longo dos anos, e traz os números citados sobre Haddad). 

25- Criou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para avaliar a qualidade do ensino nas escolas públicas no país;
VERDADE
"Ideb é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, criado em 2007, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), formulado para medir a qualidade do aprendizado nacional e estabelecer metas para a melhoria do ensino. Esse órgão é uma autarquia do Ministério da Educação (MEC)." https://todospelaeducacao.org.br/…/perguntas-e-respostas-o-… (publicado em 08/03/2018)

O cálculo foi estabelecido em um Decreto assinado por Lula, então Presidente e Haddad, então Ministro da Educação. O texto fala sobre outras metas da Educação, que incluem a qualidade contrapondo a quantidade nos números do ensino e a valorização do professor, tanto em valores éticos, quanto em valores financeiros.

26- FOI APROVADA A LEI Nº 11.738/2008, QUE FIXOU UM PISO SALARIAL PARA TODOS OS PROFESSORES DE ESCOLAS PÚBLICAS DA EDUCAÇÃO BÁSICA;
VERDADE. 
E esse é bem fácil encontrar a fonte, porque já está no enunciado: http://www.planalto.gov.br/…/_ato2007-2…/2008/lei/l11738.htm 16/07/2008).

Os valores aumentaram, mas continuam baixos em comparação com outras formações superiores. Poderiam dar a desculpa de mercado saturado, mas na verdade, o ministro e o governo federal encontraram resistência de prefeitos de centenas de cidades e de 5 governadores da época (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará) que alegavam não conseguirem pagar o valor para seus funcionários, e que a medida era inconstitucional. Posso com isso? http://www.brasil.gov.br/…/prefeitos-reclamam-do-impacto-da… (publicado em 11/05/2011)

Em 2009, quando a Lei do Piso entrou em vigor, o pagamento mínimo para professores passou de R$ 950 para R$ 1.024,67, em 2010, e chegou a R$ 1.187,14 em 2011. No ano seguinte, o piso passou a ser R$ 1.451. Em 2013, subiu para R$ 1.567 e, em 2014, foi reajustado para R$ 1.697. Em 2015, o valor era R$ R$ 1.917,78. Na série histórica, o maior reajuste do piso foi registrado em 2012, com 22,22%. No ano de 2016, o reajuste foi de 11,36%. (http://oincrivelze.com.br/…/veja-os-valores-do-piso-salari…/ 12/01/2017).

27- EXPANDIU E INTERIORIZOU O ENSINO SUPERIOR;
VERDADE
"Foram 126 campi universitários fora dos grandes centros, que se somam aos 214 novos de institutos federais, formando uma rede consistente no interior do país” disse Haddad em 2010 nas fontes oficiais do governo. Ele completa que "Os investimentos do Ministério da Educação cumprem o disposto na Constituição de 1988, que determinou a interiorização da educação". 

Na verdade a Constituição pedia força total nesse sentido nos 10 primeiros anos após sua publicação, mas como vimos, eles entenderam que era para começar a contar vinte anos depois de assinada 

28- CRIOU 18 NOVAS UNIVERSIDADES FEDERAIS;
VERDADE PARCIAL 
Nesse item, algumas faculdades foram criadas depois do período de Haddad no Ministério, e duas antes dele assumir.

1- Universidade Federal do ABC UFABC - Fundação 26 de julho de 2005 (13 anos)

2- Universidade Federal de Ciências da Saúde de PA (FUFCSPA) fundada como faculdade em 1953 e tendo apenas o curso de medicina até 2003, viu seu leque aumentar, assim como as pesquisas e projetos de saúde. O investimento federal a transformou de Faculdade em Universidade no ano de 2008, dentro da gestão do Haddad. 

3- Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL) Fundada como Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas 03 de abril de 1914 (104 anos), virou Centro Universitário em 1999 com os curso de Ciências e Nutrição. Só em 2005 virou Universidade Federal com cursos diversos de licenciatura e bacharelado em exatas, humanas e biológicas. E aumento expressivo de Doutores entre 2010 e 2012.

4- Universidade Federal do Triângulo Mineiro UFTM Fundação 27 de abril de 1953 (65 anos) com Faculdade de Medicina, e transformada por Decreto em 2005 em Universidade Federal, abrangendo cursos nas mais diversas áreas de conhecimento.

5- Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) Fundação em 30 de setembro de 1953 como Faculdade de Odontologia de Diamantina e transformada por lei federal (11.173/2005) em
6 de setembro de 2005 em Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, incluindo 33 cursos mantidos pelo MEC.

6-Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) A Escola Superior de Agronomia teve sua fundação em 1967 (ESAM) e em
2005 foi transformada em UFERSA pela lei 11.155, incluindo algumas dezenas de cursos de Ciências Agrária, Biológicas, Exatas e Humanas. 

7- Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Fundação em 23 de setembro de 1909 como Escola de Aprendizes, transformada em Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet-PR) em 1978 e enfim, em 7 de outubro de 2005 em Universidade Federal com 13 campus distribuídos em várias cidades do interior do Estado, incluindo Pato Branco, daí.

8- Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) - Fundação em 1 de agosto de 2005 (13 anos). 

9-Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Fundação em 3 de julho de 2006 (12 anos). O local já foi espaço da Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia, e hoje é o campus central de outros 5 espalhados pelo Recôncavo Baiano.

10-Universidade Federal do Tocantins (UFT) o local que já foi Faculdade Estadual de Goiás, se tornou Universidade por lei em 2000, e passou a montar o quadro de professores apenas em 2003. Já no primeiro vestibular, em 2004, estipulou cotas para indígenas, sendo pioneira nesse forma de seleção. Hoje são mais de 50 cursos espalhados em 7 campus pelo estado de Tocantins.

11- Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) Criada em 2006, foi estabelecida pela Lei 11.640 só em 11 de janeiro de 2008.

Antes disso funcionava como apenas "braço" de outras duas universidades do Rio Grande do Sul (Pelotas e Santa Maria).

12-Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Encontrei esta em uma lista como se fosse obra do PT, mas apesar de começar as atividades em 2004, foi criada por lei em 2002. De qualquer forma, a deixo aqui por critério de curiosidade, já que ela tem 10 campus espalhados em 3 estados diferentes! (E isso sim aconteceu depois de 2004).

13-Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Fundação em 12 de janeiro de 2010 na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Olha a URSAL aí gente! (contém ironia... já aviso, porque, vai saber, né...)

14- Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (UNILAB), fundação em 20 de julho de 2010, pela lei 12.289 

15- Universidade Federal do Cariri (UFCA), fundação em 5 de junho de 2013, pela lei 12.826, sendo desmembrada da UFC para depois contar com 5 campus.

16-Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA).
Fundação em 15 de outubro de 1971 (47 anos) como CAUSP, que era um Campus Avançado da USP. Sim, da USP de São Paulo mesmo. Em 1988 se tornou um Campus da UFPA (CAMAR) e só em
5 de junho de 2013 (5 anos atrás) se tornou UNIFESSPA pela lei 12.824 

17- Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), Fundação em 5 de junho de 2013 pela lei 12.825, após desmembramento da UFBA, contando com 5 campus atualmente.

18- Universidade Federal do Sul da Bahia (UFESBA), fundada em agosto de 2011, pela lei 12.818, contando com 3 campus.

29- CRIOU 173 CAMPUS UNIVERSITÁRIOS;
VERDADE
Mas é difícil checar os valores exatos, pois a maioria das fontes contam os períodos por Governos (Lula e Dilma).
Como vemos aqui http://reuni.mec.gov.br/expansao (publicado em 2010) e aqui o mesmo fatiamento até 2012 (https://www.google.com.br/url…).
Fontes partidárias falam nesse valores exatos, mas não quero usar referência de sites ligados a partidos.

30- CRIOU 360 UNIDADES DOS INSTITUTOS FEDERAIS;
VERDADE por projeção (foram 500 dentro dos governos Dilma e Lula, eu teria que puxar uma por uma como fiz com as faculdades, e isso sério desgastante demais. Então aceitamos a projeção).

"De 1909 a 2002, foram construídas 140 escolas técnicas no país. Entre 2003 e 2016, o Ministério da Educação concretizou a construção de mais de 500 novas unidades referentes ao plano de expansão da educação profissional, totalizando 644 campi em funcionamento.
São 38 Institutos Federais presentes em todos estados, oferecendo cursos de qualificação, ensino médio integrado, cursos superiores de tecnologia e licenciaturas. 

Essa Rede ainda é formada por instituições que não aderiram aos Institutos Federais, mas também oferecem educação profissional em todos os níveis. São dois Cefets, 25 escolas vinculadas a Universidades, o Colégio Pedro II e uma Universidade Tecnológica."

31- IMPLEMENTOU O ENEM E POSTERIORMENTE O SISU;
O Enem foi criado em 1998 para medir a qualidade do Ensino Médio. Em 1999 foi usado por 93 cursos superiores em seu processo de seleção. E em 2005 o ProUni passa a utilizar a nota do Enem 2004 para conceder bolsas. Por um longo tempo foi utilizado para validar o Ensino Médio. 

Já o SiSU veio através da Portaria Normativa Nº 2, de 26 de janeiro de 2010:
"Institui e regulamenta o Sistema de Seleção Unificada, sistema informatizado gerenciado pelo Ministério da Educação, para seleção de candidatos a vagas em cursos de graduação disponibilizadas pelas instituições públicas de educação superior dele participantes."

32- EM 10 ANOS, ENTRE 2001 E 2010, O CRESCIMENTO NO NÚMERO DE MATRÍCULAS NO ENSINO SUPERIOR FOI DE 110%;
VERDADE.
Mas o período não abrange apenas a gestão do Haddad (lembrando que estou seguindo uma lista "padrão que viralizou, e não quero mudar os enunciados dos itens.
"Nos últimos 10 anos as matrículas​ dobraram, passando de 3,5 para 7,0 milhões de alunos. No período 2011-2012, as matrículas cresceram 4,4%, sendo 7,0% na rede pública e 3,5% na rede privada. 

As IES privadas têm uma participação de 73,0% no total de matrículas de graduação." As informações são do Censo de Educação Superior 2012, e tem vários gráficos para quem gosta de ver em escalas https://www.google.com.br/url…


33- O NÚMERO DE ALUNOS ENTRE 2003 A 2014 AUMENTOU DE 505 MIL PARA 932 MIL;

VERDADE.
O Censo 2014 mostra tabelas e gráficos de simples entendimento sobre esses números. 
Analisando o gráfico, é curioso perceber que as maiores altas vieram na Gestão Haddad (2005-2012), enquanto pouco cresceu entre 2003-2005 e entre 2012-2014.

34- LANÇOU O PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO (PDE), POR MEIO DO PDE, HOUVE A EXPANSÃO DE CRECHES, PRÉ-ESCOLAS E ESCOLAS TÉCNICAS;
VERDADE
O PDE foi lançado em conjunto com o Plano Metas Compromisso Todos pela Educação, instituído pelo Decreto Lei nº 6.094.
O PDE abrangia também o Proinfância 

Como vemos nesse PDF https://www.google.com.br/url… 
e podemos ter uma ideia geral nesse link:

35- Pelo PDE, houve a ampliação do número de vagas nas universidades federais e a formação de mestres e doutores, atingindo a marca 11 mil doutores formados e 30 mil mestres;
Esses números foi o próprio ex Ministro quem disse ainda em 2009.

Mas os números corretos na época são de 11.384 Doutores e 38.825 Mestres. 
Se chegarmos a 2012, quando ele saiu do Ministério, temos 13902 Doutores e 46962 Mestres. 
Fonte: Coleta Capes 1996-2012 e Plataforma Sucupira 2013-2014 (Capes, MEC). Elaboração CGEE, disponível em https://www.google.com.br/url…

36- No que se refere ao analfabetismo, houve queda de 11% para 8,6% entre 2005 e 2011.
Segundo informações do Senado em 2014, em 2005 o analfabetismo atingia 11,1% da população, e em 2011, os exatos 8,6% mencionados. 

Os 3 estados com as menores taxas​ de analfabetismo se encontram na região norte. E entre os três com maiores números, temos dois do sudeste e um nordeste.
Todas essas informações você encontra nesse PDF de março de 2014:


O ANTIPETISMO NÃO É JUSTIFICAVA PARA DESMERECER O TRABALHO DO FERNANDO HADDAD.



Paulistas, pelamordedeus, chega de PSDB no Governo. E entendam que, por exemplo, polícia militar/segurança e Ensino Médio/condições para gerar qualidade de ensino dos nossos jovens, são obrigações do governo do Estado, e aqui NUNCA teve PT pra gente jogar a culpa 🤷🏽‍♂️ 

Aqui nós tivemos 17 anos de Governadores do Regime Militar, 11 anos de governo do PMDB, e 24 anos de governo do PSDB. Aí, pra ajudar, a gente elege Tiriricas da vida, que levam mais uns 4 ou 5 desconhecidos junto para a Câmara Federal e para Assembleia Legislativa, e depois queremos culpar os outros pelas nossas péssimas escolhas...

Dorianão. Dória não é nem cremoso. Já cagou na cidade de São Paulo e pode cagar muito mais no Estado. O bicho é perigoso e marketeiro. Todos que conhecem de perto, desaprovam (na verdade o amam de paixão por alguns meses, mas como o Dória é uma coisa tóxica, ninguém fica perto por muito tempo).

Ele é reprovado pelo próprio partido. Ele é reprovado pelo ex-vice e atual prefeito, Bruno Covas, que já deu umas canetadas para voltar São Paulo para alguns moldes do Haddad (procure sobre Controladoria Geral do Município + Bruno Covas no Google, ou veja o link no final do texto). 

Ele é reprovado e desmascarado pelo atual governador, que foi vice do Alckmin (sim amiguinho de fora, nós sim estamos declarando apoio crítico ao Márcio France). Ele é reprovado até no teste de fidelidade do programa daquele cara da RedeTv (e ainda expôs a esposa nesse papelão todo). Ele está falando que o Bolsonaro é a favor dele, e tem vídeo do candidato desmentindo. O Senador eleito pelo candidato do partido também declara repúdio ao Dória. Todo mundo que conheceu, quer distância. 

Dória não, pelamordedeus! Se não gosta do França, tampe o nariz, aperte o 40, lave a mão, finja que votou branco, e comemore a saída do "gestor" da vida política por pelo menos dois anos 🙏
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24/08/2018 
O prefeito Bruno Covas (PSDB) decidiu desfazer uma medida polêmica de seu antecessor, João Doria (PSDB), e devolver à Controladoria-Geral do Município (CGM) o status de órgão independente, que responde diretamente ao prefeito. A CGM tem o objetivo de apurar e corrigir irregularidades administrativas e combater a corrupção.


Em publicação prevista para o Diário Oficial da Cidade desta sexta-feira, 24, Covas também veta alterações no órgão aprovadas posteriormente pela Câmara. As mudanças previam que, para investigar algum servidor da administração municipal, a CGM teria de informar o secretário da pasta à qual esse funcionário estava vinculado.

As mudanças estão na reforma administrativa da Prefeitura, que Covas teve de mandar para o Legislativo. Doria havia feito mudanças na Prefeitura quando assumiu, em 2017, unindo secretarias e mudando algumas nomenclaturas. Como fez a reforma por decreto, foi considerada irregular pelos próprios procuradores do Município.

Uma das mudanças era a vinculação da CGM à Secretaria de Justiça, o que ativistas pela transparência pública consideraram uma perda de independência do órgão. Doria sempre negou a possibilidade. A CGM agora voltar às regras de quando foi criada, em 2013, na gestão Fernando Haddad (PT).

Outra mudança prevista é que as 32 Prefeituras Regionais da capital voltem a se chamar subprefeituras.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Gentileza gera Gentileza

A Gentileza e a Felicidade Comum




Para além do sentido semântico da palavra gentileza, que significa delicadeza, amabilidade e cortesia, ser gentil compreende a capacidade de ser empático. A pessoa gentil, portanto, é aquela que trata aos outros com respeito não apenas porque aprendeu que isso é sinal de boa educação, mas porque é capaz de reconhecer no outro um igual. Quando somos empáticos tendemos a nos colocar no lugar da outra pessoa, a ver o outro como um ser humano como nós: com sonhos, problemas, necessidades, dúvidas, medos, qualidades, defeitos, etc. Assim, resistimos à tentação de julgar o outro nos baseando em impressões momentâneas. Digo isso porque ser gentil é antes de tudo ser capaz de perceber as necessidades dos outros. Quando dizemos bom dia a alguém estamos não apenas sendo corteses, mas também estamos atendendo a uma necessidade humana de ser visto e percebido por seus iguais. Quem tem a consciência de que há necessidades humanas comuns a todos nós, independentemente de classe social, etnia, religião, etc., consegue ser gentil.
A relação entre ser gentil e ser capaz de reconhecer o outro como igual pode ser sustentada pela teoria da “sobrevivência do mais gentil”. Segundo essa teoria a gentileza foi um fator preponderante para a evolução da espécie humana, e um dos seus principais defensores é o cientista comportamental Sam Bowles. Bowles é professor do Instituto Santa Fé, nos Estados Unidos, e passou boa parte da vida acadêmica estudando as características socioeconômicas de sociedades antigas. Em seus estudos ele verificou que a gentileza foi um componente fundamental para o bom funcionamento das comunidades e para sua manutenção no longo prazo. Para ele, as pessoas gentis contribuem para o bem-estar do grupo favorecendo a sobrevivência de todos, incluindo a delas.
Se no passado a gentileza foi tão importante para a sobrevivência humana, em nossa época diz-se que tem se tornado um bem raro. Compartilho desta percepção. Penso que várias razões podem explicar o porquê de estarmos abandonando as atitudes gentis. Em parte isso reflete um modo de vida que aparentemente leva à perda da capacidade de prestar atenção em nós mesmos e ao outro. Diferentemente da vida em uma pequena tribo ou em uma vila da antiguidade, o ritmo no qual vivemos atualmente nos dá a sensação de fragmentação, seja do tempo, das experiências ou das relações que estabelecemos. Até há bem pouco tempo, uns 30/50 anos atrás, o comum era a pessoa nascer, crescer, casar, ter filhos e morrer na mesma cidade, ou pelo menos no mesmo estado.
Estudava-se todo o ensino fundamental e médio na mesma escola, que geralmente ficava no bairro em que se morava, no qual os professores eram os vizinhos. No bairro em que se morava também era onde se conhecia “o amor da vida” frequentando a praça, a igreja ou o clube. As férias eram passadas na casa de alguém da família, no máximo na mesma praia de sempre. Os amigos da infância e os primos se tornavam os padrinhos de casamento e dos filhos tidos. Ainda, no passado bem recente, um profissional costumava se aposentar na mesma empresa em que teve o primeiro emprego, e a profissão escolhida no vestibular garantia emprego e boa renda com apenas a graduação.
Podemos ver, assim, que o ritmo das nossas vidas mudou muito. Hoje, mesmo quem vive em pequenas cidades é afetado pela organização do espaço geográfico em grandes regiões urbanas industrializadas e habitadas por pessoas de origens diversas. Recebemos notícias, nos comunicamos e temos contato com modelos de vida de habitantes do mundo todo. Passamos por vários espaços educacionais entre a creche e a pós-graduação. Trabalhamos em diferentes empresas e em diferentes funções ao longo da vida. Moramos em diferentes bairros, cidades e até países. Quando não moramos, nos deslocamos em viagens, seja a passeio ou a trabalho. Resumindo, o universo das nossas relações ampliou-se consideravelmente, tal qual o uso que fazemos do tempo, seja estudando, trabalhando, se deslocando, se comunicando, etc.
Essa “pulverização” do tempo e do espaço vividos nos leva a estabelecer relações superficiais, ficamos sem muita condição de aprofundar o contato com as outras pessoas, e até mesmo de nos observarmos mais atentamente. A correria diária nos leva a ouvir e a ver mal, os outros ou a nós mesmos. Temos vizinhos dos quais não sabemos sequer o nome, colegas de estudo e de trabalho que não fazemos ideia de onde moram, nos envolvemos afetivamente com várias pessoas e raramente visitamos os parentes.
Ao mesmo tempo em que nos aproximamos fisicamente das pessoas, morando e trabalhando em espaços cada vez menores e mais lotados, nos distanciamos emocionalmente. Não nos conhecemos mais. Uma das formas de aprendermos a respeitar outra pessoa é conhecê-la, é saber quem ela é, o que viveu, o que pensa, o que sofreu, o que conquistou. A história de uma pessoa a humaniza, a aproxima de todos nós porque na história de vida do outro acabamos por reconhecer aspectos da nossa. Isso nos permite olhar o outro como igual, e esse reconhecimento nos leva a ser mais respeitosos, a ter mais consideração, a ser mais gentis.
A gentileza torna a vida em geral mais aprazível, proporciona a criação de vínculos com maior qualidade e melhora os contatos superficiais tornando-os menos estressantes e mais significativos, ou seja, com maior valor pessoal. Além disso, a gentileza é um instrumento relacional que ajuda a abrir portas, a facilitar processos de negociação de forma mais igualitária sem que prevaleça os interesses de um lado em função da autoridade ou da força puramente. Ao sermos gentis conseguimos adicionar valor às ações cotidianas, dotando-as de um caráter mais espontâneo e menos mecânico. Quando agimos com gentileza percebemos com maior clareza que nossas ações exercem efeitos sobre as outras pessoas. Como esses efeitos são positivos tendemos a nos sentir melhor.
Essa melhora exerce influência tanto ao nível subjetivo (emocional e cognitivo) quanto ao objetivo (fisiológico). Pelo menos é o que relata o médico e pesquisador Stephen Post. Post, que é professor da Stony Brook University, também nos EUA, realizou um estudo envolvendo mais de 2000 pessoas, no qual encontrou indícios de que ser gentil faz bem à saúde. O que faz sentido, uma vez que as sensações positivas que temos quando somos gentis geram reações químicas em nosso cérebro que liberam neurotransmissores associados ao prazer, ao relaxamento e à alegria, como é o caso dos hormônios serotonina e ocitocina. Esse efeito físico e emocional da gentileza seria válido tanto para quem é gentil quanto para quem é beneficiado pela gentileza.
Dito de outra forma, há indícios de que a gentileza pode contribuir para uma vida mais feliz. A psicóloga Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, tem se dedicado a investigar a felicidade, e em um de seus estudos pediu aos participantes que praticassem ações gentis durante dez semanas. O que ela averiguou foi que a percepção de felicidade dos participantes aumentou durante o período no qual estavam envolvidos no estudo. O mais interessante em relação aos resultados encontrados por Lyubomirsky foi quanto à natureza das ações gentis. A pesquisadora encontrou uma correlação entre variedade das atitudes gentis e níveis de felicidade. Os participantes que foram gentis de diferentes formas – por exemplo: dizendo bom dia a estranhos, dando lugar a alguém no metrô, dando preferência aos pedestres no trânsito, etc., – registraram níveis bem mais altos de felicidade do que quem sempre repetia um único gesto de gentileza. Ainda, mais relevante, passado um mês depois do fim do estudo, os mais felizes continuavam pontuando alto nos testes para medição dos índices de felicidade.
Assim como os efeitos positivos da gentileza parecem ser potencializados quando somos gentis de diferentes formas, a prática da gentileza não diz respeito a apenas um conjunto de regras de conduta e de etiqueta. Aparentemente, a gentileza expressa uma forma de se relacionar com as outras pessoas que é pautada no respeito e na consideração. Pode-se dizer que ela é também um sinônimo de postura ética. Melhor dizendo, a gentileza ou a falta dela pode ser a expressão mais visível do caráter de uma pessoa e de seus valores. Nesse sentido, o exercício ou não da gentileza pode sinalizar o quanto uma pessoa está comprometida com a produção de vivências cotidianas melhores. Uma vez que a melhoria do que vivemos no dia-a-dia passa necessariamente pela qualidade das relações estabelecidas entre as pessoas. Sendo assim, a gentileza, como está sendo abordada aqui , pode contribuir para que as relações humanas de forma geral sejam mais justas, mais éticas e mais prazerosas. Seja num ambiente de trabalho, social ou íntimo, o exercício da gentileza pode nos ajudar a entender o posicionamentos do outro, sua forma de agir, pensar e sentir, ou pelo menos nos tornar mais tolerantes para lidar com as diferenças e os conflitos.
Ser gentil, portanto, tem mais a ver com o desejo de contribuir para uma vida melhor para todos do que com querer agradar a todos. A gentileza seria, então, tanto fruto da nossa capacidade de observar e respeitar o outro quanto a nós mesmos. Não dá para ser gentil quando negligenciamos e anulamos a nós mesmos em função das necessidades de outra pessoa. Quando ignoramos nossas próprias necessidades nos tornamos reféns da mágoa e do ressentimento, e nesse estado dificilmente somos capazes de sermos gentis. Fazemos “papel de bobo” quando nos sujeitamos ao lugar de perfeitos, certinhos, bonzinhos, etc. Nesses papeis tendemos a nos esforçar para satisfazer os interesses alheios. Isso não tem nada a ver com ser gentil. Quando desenvolvemos consideração e respeito por nós e pelos outros aprendemos a reconhecer os sinais de exploração, de abuso, etc.
Enfim, ser gentil não é ser bonzinho, mas atuar no sentido de tornar a vida melhor, ou pelo menos mais palatável. O bonzinho que assume as responsabilidades de outro, e nunca diz não, não é gentil. Quando assumimos as responsabilidades de outra pessoa estamos permitindo que alguns paguem pelos erros de outros, ou que alguns lucrem com o trabalho e a dedicação alheia, e isso de forma alguma pode ser confundido com gentileza. Ao agirmos assim não estamos sendo éticos e, ao mesmo tempo, reforçamos valores como preguiça, egoísmo, acomodação e outros que não contribuem para um mundo melhor. Similarmente, quando nunca dizemos “não” estamos reforçando em alguém a ideia de que tudo é permitido, de que não há limites, de que a vontade dela é soberana o suficiente para passar por cima de tudo e de todos e isso, definitivamente, não é ser gentil!
Em resumo, a gentileza verdadeira pode ser reconhecida quando o resultado do seu exercício gera uma condição que é percebida como boa para os dois lados, para quem faz a gentileza e para quem a recebe. Quase sempre, quando se é gentil tem-se como retorno apenas um sorriso, um “obrigado”, ou a simples sensação de ter feito o que é correto. Para muitos esse retorno tão “pequeno” pode não parecer o suficiente para fazer do mundo um lugar melhor para todos… Mas pergunte a alguém que costuma exercer a gentileza. Ousaria assegurar-lhe que a resposta comprovaria uma feliz percepção: a de que o que a princípio parece tão pouco é capaz de transformar o dia de uma pessoa, e até mesmo a forma como ela encara a si mesma, os outros e a própria vida. Experimente!
Fonte: 
https://www.psicologiasdobrasil.com.br/gentileza-e-felicidade-comum/

Angelita Corrêa Scardua
Psicóloga, Mestre e Doutoranda pela USP (SP). Especializada em Desenvolvimento de adultos, na experiência de Felicidade e nos estudos da Psicologia Social.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Leandra participa do projeto Episódios do Sul do Goethe-Institut com SESC Consolação SP

Pessoal, é com muita alegria e emoção que compartilho uma das minhas participações mais significativas da minha vida! 


O debate todo é extremamente interessante com Marta Gil e Estela Lapponi. Os meus questionamentos estão a partir de 35 minutos do vídeo até o final. 



Amei estar ao lado de pessoas são interessantes, e finalmente, dentro de um ambiente inclusivo e não apenas no meio da área do movimento das pessoas com deficiência (como em ONGs, associações, eventos voltados para o tema e o público, escolas e universidades entre outros) 



OCUPAR os espaços públicos, culturais, acadêmicos e sociais é extremamente importante para todas as pessoas com deficiência, mostrarem para 90% da sociedade que já estão INCLUÍDAS por simplesmente EXISTIREM! Mas que infelizmente, ainda NECESSITAM romper gigantescos ESTIGMAS, PRECONCEITOS, DISCRIMINAÇÕES E TABUS para simplesmente VIVER EM SOCIEDADE COMO TODOS OS SERES HUMANOS!!





À mesa – Narrativas sobre o corpo imaginado, tecnológico e morto

Instalação

Uma instalação dialógica, em cinco atos, da Academia Móvel de Berlim como parte do projeto Episódios do Sul do Goethe-Institut.

O projeto reúne narrativas da conglomeração contínua entre corpos e implantações, seres humanos e dispositivos, de interfaces entre o corpo humano com artefatos e diferentes tecnologias.

Modificações tecnológicas e transformações do corpo parecem sensatas e legítimas sempre que apresentam caráter terapêutico ou socialmente integrador, como por exemplo um marca-passo cardíaco, dentaduras ou uma prótese de perna. Porém, inevitavelmente surge a questão sobre onde traçar a linha de limite em relação à tal autorremodelação. Até que ponto a problemática de recursos e a justiça social deve ter prioridade sobre o direito à auto-otimização? Será que o desejo de autotransformação corresponde — em última análise — à lógica da ideologia global de crescimento que sonha com um futuro intricadamente conectado, neoliberal, assustadoramente injusto e militarizado? Ou podemos imaginar tecnocorpos e ciborgues fantásticos, que propagam o reconhecimento da diferença, capazes de aglutinar máquinas, o orgânico, desejos e a imaginação?
Especialistas de diferentes disciplinas sentam-se à mesa e nos contam do potencial transformador – por meio de tecnologia e ficções — de nosso corpo..
Especialistas de diferentes disciplinas sentam-se à mesa e nos contam do potencial transformador – por meio de tecnologia e ficções — de nosso corpo.

Começamos com os mortos, corpos esquecidos e não identificáveis, nos quais está enterrado nosso futuro. Seguem diálogos sobre corpos com deficiências, os quais desafiam nossas possibilidades tecnológicas e sociais. E terminamos com os desejos e com a imaginação de corpos que estão no limiar de algo diferente, uma forma incipiente de existência que potencialmente se funde com outros seres humanos, animais, deuses e máquinas.

Sente-se à mesa. Ou participe no karaokê da imagem, e juntos vamos interpretar estas imagens inexplicáveis de corpos.

A partir de um conceito desenvolvido por Hannah Hurtzig em 2004, a Mobile Academy Berlin encena performances e encontros para o intercâmbio e a geração de conhecimento em colaboração rotativa com outros pesquisadores, teóricos, artistas e animais. Por meio de instalações performáticas, gestos convencionais de transferência de conhecimentos são colocados à renegociação, quer em diálogos, quer em formatos antigos ou novos de assembleia. Cada projeto é dedicado a um tema específico, sendo realizado e documentado em eventos ao vivo e depois disponibilizado em arquivos diferentes.

Episódios do Sul é um projeto iniciado pelo Goethe-Institut em cooperação com o Sesc e que reflete as dimensões metafóricas, culturais, sociais, históricas e políticas do que se chama de “Sul”. 

Fonte: http://www.goethe.de/ins/br/lp/prj/eps/epd/pt14367488.htm

terça-feira, 29 de maio de 2018

Muitos adultos com deficiência que vivem em instituições são vítimas de detenção ilegal no Brasil

“Eles ficam até morrer”

Uma vida de isolamento e negligência em instituições para pessoas com deficiência no Brasil

Um grupo de crianças com deficiência em uma instituição superlotada com 109 crianças na Bahia. 30 crianças, incluindo uma que tinha no máximo 5 anos, viviam nessa ala.



Leonardo, 25 anos, tem distrofia muscular – uma deficiência que causa fraqueza progressiva e perda de massa muscular. Desde os 15 anos, ele morou em uma instituição de acolhimento para pessoas com deficiência no Brasil. Sua mãe achava que não tinha escolha a não ser colocá-lo lá. 

“Sofri muito quando Leonardo precisou ser transferido para a instituição…, mas não tive outra escolha. O Estado não me dá nenhum apoio para cuidar dele em casa”, ela disse. 

Sua esperança era que a instituição pudesse cuidar dele de uma forma que ela não poderia. Leonardo dividia um quarto com outros 24 homens e mulheres com deficiência. As camas eram colocadas diretamente uma ao lado da outra, sem sequer uma cortina para dar privacidade. Leonardo não tinha controle sobre sua vida; ele estava sujeito ao cronograma e às decisões da instituição. Ele ficava na cama a maior parte do dia, mesmo para as refeições, sem nada relevante para fazer: 

"Eu sou colocado na cadeira de rodas de manhã, mas tenho que ser colocado de volta na cama porque... não há ninguém para me colocar de volta à noite. Sinto falta da minha casa e gostaria de morar com minha mãe, mas entendo que ela está envelhecendo e que não poderia me aguentar fisicamente". 

Em 2017, Leonardo voltou a morar com sua mãe por um curto período porque a instituição onde morava não podia mais fornecer o apoio especializado que ele precisava. No final de 2018, ele se mudará para outra instituição que está em construção. 

Carolina (nome fictício), uma mulher de 50 anos com deficiência física, descreve sua experiência na instituição quando conversou com a Human Rights Watch: 

"Este lugar é muito ruim, é como uma prisão. Eu não quero ficar aqui. Eu sou obrigada a ficar aqui. Meus filhos não querem me ajudar em casa. Embora dois dos meus filhos venham me visitar a cada duas semanas, eu nunca saio. Eu gostaria de sair, ir embora daqui. É o meu sonho. Quando você fica assim [com uma deficiência], acabou". 

Adultos com deficiência tinham pouca ou nenhuma privacidade em 12 das instituições visitadas. Cerca de 30 pessoas viviam em grandes alas ou quartos com camas colocadas lado a lado, sem uma cortina ou qualquer outra separação. Algumas instituições tinham salas menores, com um número menor de pessoas, mas também com privacidade limitada. 

A maioria dos adultos e crianças com deficiência tinha poucos itens pessoais, ou nenhum, e, em alguns casos, eram forçados a compartilhar roupas – em um caso até mesmo escovas de dentes – com outras pessoas da instituição. 

Em uma instituição, os funcionários não forneciam absorventes higiênicos às mulheres durante o período menstrual, e sim fraldas. Funcionários de várias instituições não auxiliavam alguns adultos a se vestirem totalmente, de modo que os adultos usavam apenas camisas ou blusas e fraldas. 

A Human Rights Watch constatou que as condições e o tratamento oferecido eram particularmente ruins nas instituições visitadas que abrigavam um grande número de pessoas com necessidade de apoio intensivo. As condições e o tratamento eram desumanos e degradantes em algumas instituições para pessoas com deficiência visitadas pela Human Rights Watch no Brasil. 


Embora a legislação brasileira determine que a institucionalização de crianças não deva durar mais do que 18 meses, salvo comprovada necessidade fundamentada por autoridade judicial, muitas crianças com deficiência são colocadas em instituições por períodos muito mais extensos. Na maior parte das instituições visitadas, funcionários contaram à Human Rights Watch que a maioria das crianças tinha pelo menos um dos pais vivos. Muitas crianças com deficiência perdem contato com suas famílias e permanecem segregadas em instituições durante toda a sua vida. Em uma instituição, por exemplo, todos os 51 residentes estavam lá desde que eram crianças. Vários residentes tinham mais de 50 anos de idade. O diretor de uma instituição em São Paulo nos disse: “Eles ficam até morrer”. 

Segundo dados da Secretaria Nacional de Assistência Social, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Social, até 2016 havia 5.078 crianças com deficiência vivendo em instituições no Brasil. Este número provavelmente não reflete o número real, pois os dados são obtidos por meio de questionário preenchido pelas próprias instituições, sem posterior checagem ou supervisão por autoridade competente. De acordo com a mesma base de dados, 5.037 adultos com deficiência viviam em instituições.  


Leiam o Relatório Completo neste LINK:





sábado, 5 de maio de 2018

Viver com Osteogeneis Imperfecta é...





Viver com Osteogenesis Imperfecta é um desafio trágico e gostoso. Assim como é a vida de muitas pessoas... Com ou sem alguma deficiência. 


Nasci em 1977 quando pouco se conhecia sobre a condição física e menos ainda se falava sobre ela. Tive o privilégio de ter uma família que sempre me acolheu desde o momento que os médicos não acreditassem que eu sobrevivesse mais de uma semana; passando por uma infância alegre em meio as inúmeras fraturas; apoiando a complicada fase da adolescência e juventude; incentivando a vida adulta; e estando ao lado de cada conquista e desafios da maturidade. 


Graças ao grande esforço e dedicação constantes da família e dos amigos, nunca me faltou, tanto carinho e amor; como recursos financeiros para ter acesso à tratamentos médicos, educação inclusiva e vida cultural. 

Nasci em uma cidade grande com hospitais e clínicas de reabilitação de qualidade o que me permitiu evoluir ao máximo fisicamente e emocionalmente. 



Mas tudo isso só foi possível porque eu sempre batalhei incansavelmente para conquistar meus espaços em uma sociedade que aprendeu a conviver comigo e respeitar minhas limitações e direitos! 

Em uma sociedade que conheceu a minha forma de estar no mundo, fazendo dele um lugar bem melhor e mais acolhedor para evoluirmos como seres humanos!


É claro que passei por diversas situações de preconceitos e discriminações, desde as mais terríveis até as mais veladas. Também enfrentei momentos difíceis de super proteção que me trouxeram problemas complicados de se resolver. 

Porém, conseguir lidar com cada pedra no caminho e construí a minha história. Que não é melhor e nem pior do que a de ninguém, com Osteogenesis ou não. É apenas diferente e única! 


Sei que existem milhares de pessoas com a mesma deficiência física que a minha que não tiveram as mesmas condições de se desenvolverem e conquistarem uma vida de qualidade na medida de suas potencialidades. 

Devido principalmente, a gigantesca falta de distribuição de renda e equidade do nosso país, e principalmente, ao histórico de discriminação e completo abandono que existe em muitas regiões com pouquíssimos recursos!

Por isso, eu admiro - do fundo do coração - todas essas pessoas que batalharam trilhões de vezes mais do que eu e minha família para ultrapassar barreiras bem mais altas e pesadas do as que eu encontrei pelo caminho. 

A essas pessoas, eu parabenizo por terem alcançado tantas vitórias! Mas espero que a cada novo amanhecer cada vez menos seja preciso que quem tem Osteogenesis necessite sofrer tanto com quase nenhum acesso a uma verdadeira inclusão! 

Eu sonho e luto para que um número cada vez maior de famílias de pessoas com Osteogenesis consigam que seus direitos sejam respeitados! Que suas vidas sejam valorizadas e incentivadas a seguir em frente, sem medo de serem felizes! 



Porém, como esta realidade ainda está um pouco longe, sugiro e acredito que o melhor a ser feito - não apenas para lembrar o dia 06 de maio - mas todos os demais; que a UNIÃO seja uma constante! E a que a solidariedade esteja sempre PRESENTE!! 


  

quarta-feira, 7 de março de 2018

DIA INTERNACIONAL DA MULHER



O corpo de uma mulher é múltiplo.

Por Leandra Migotto Certeza.

A mulher é um universo profundo. Comecei a mergulhar nela aos 30 anos, quando meus desejos se afloram. Meu corpo sempre foi fraco, intocável. Meus desejos sempre estiveram no mais profundo poço do inatingível.

Pecado tocar. Errado querer. Feio. Todos apontam. Todos comentam. Todos olham. Eu nunca pude dizer há que vim. O que sou. O que desejo. O que espero. O que luto. O que preciso mostrar.

Sempre fui tolhida. Sempre fui quebrada. Sempre senti dor. Sempre me senti presa a um corpo infantilizado. A um meio corpo. A uma meia criança-menina-mulher. A algo indefinido.

Hoje quebro. Mas não o corpo. O que ele realmente é. A massa una entre alma e carne. Entre desejo e pudor. Entre vida e morte. Entre explosão e dor. Entre prazer e abrigo. Entre eu e muitas pessoas que moram em minha alma.

O corpo de uma mulher é múltiplo. É preciso mostrar ao mundo cada pedacinho que pulsa em corpos diferentes. São bocas em cabeças tortas, pernas grossas e curtas, bumbum arrebitado e torto, coxas arredondadas e cheias de ruguinhas infantis, púbis ardendo de tesão, seios pequenos em um tronco pequeno demais.

Não há cintura, não há quadril definido. Não há pernas finas e compridas. Não há balanço dos quadris. Não há andar sensual. Não há mini saia que leva ao mistério escuro como o céu que agora está em minha janela.

Não há uma mulher padronizada, robotizada, perfeita! Não há o esperado. Há outra possibilidade de ser mulher inteira com todos os sentimentos e sentidos que pulsam do corpo de alguém que sempre foi quem é.

Amar e ser amada trouxe força a minha alma para conseguir se libertar do corpo da sociedade que sempre me toliu. Da mãe interna que sempre me proibiu de ser eu mesma. Da mãe externa que sempre teve medo de me ver despedaçada.

Eu não posso engravidar, mas tenho o direito de ser mãe tendo uma deficiência física! Eu não posso dançar flamenco e tango, mas tenho o direito de me arrepiar quando vejo os corpos se unirem com a alma, a cada passo dos bailarinos.

Queria estar no lugar de quem tem um corpo diferente do meu. Tenho o direito de desejar ser outra pessoa, e como é bom! Não preciso bancar a conformada, aceitar a roupa de heroína (que me colocaram) ou me afundar no poço da depressão. Escolhi o caminho do meio.


Eu não posso fazer amor com tanta volúpia, e em posições que sempre sonhei; mas posso ter orgasmos estupendos! Eu não posso sentir meu corpo mudar, ao abrigar um novo ser em meu ventre, mas posso amar – incondicionalmente – as crianças que habitam e irão habitar o meu coração. Eu não posso amamentar um bebê quentinho em meus braços, mas tenho muita seiva escorrendo, pelos fios da minha alma, para alimentar espíritos sedentos.




Imagem de borboletas e ramos de flores rosas claras e escuras do lado direito e círculos leves e soltos na cor rosa clara do lado esquerdo. No centro da imagem está escrito: Somo iguais nas Diferenças".





Foto de uma mulher negra com os cabelos compridos e levemente ondulados. Ela está de vestido branco, sentada de lado na sua cadeira de rodas, olhando para a câmera com uma pose sensual e a mão na cabeça jogando os cabelos para trás.




Foto colorida de duas mulheres. Uma tem surdocegueira e está com as mãos no queixo da outra para se comunicar por um método próprio usado por pessoas com esta deficiência. E a outra mulher sem deficiência está ao lado falando baixo o que ela escuta em um evento dentro de um auditório. As duas mulheres são brancas e tem cabelos castanhos escuros na altura dos ombros.





Foto de uma mulher branca com deficiência física passando roupa somente com a parte superior dos dois braços. A imagem foca o ato dela passar a roupa e não mostra o rosto da moça que está com os cabelos castanhos escuros cacheados sobre os olhos e de lado para a câmera.





Foto de duas mulheres brancas e loiras namorando. As duas estão sentadas em suas cadeira de rodas e tem deficiência física. Uma usa blusa de cor preta e a outra de cor branca. A mulher de cabelos curtos está com a cabeça jogada pra trás e sorrindo de alegria porque a sua namorada está dando um beijo apaixonado no rosto dela.




Foto de uma mulher japonesa sentada em sua cadeira de rodas branca. Ela usa vestido de noiva branco, não tem os dois braços e está com um laço rosa no cabelo longo, liso e castanho escuro.




Foto de uma moça com nanismo em uma pose sensual, olhando para a câmera e sentada em cima de um violão. Ela está nua com uma das mãos na frente dos seios, e as pernas cruzadas. Veste apenas sapatos de salto alto bico fino e um colar de pérolas. A foto em preto e branco.




Foto colorida de uma mulher com deficiência física cuidando do seu filho bebê com os pés porque ela não tem os dois braços. Ela é branca, tem os cabelos curtos e ruivos e usa óculos escuros. Parece estar em uma praia ou piscina porque tem uma imagem de uma bóia ao fundo.




Foto de um casal com sua filha nos braços. A moça e mãe é branca, tem cabelos louros e Síndrome de Down e usa óculos. E o rapaz e marido é branco com cabelos castanhos escuros e não tem deficiência. Eles estão sorrindo e vestem camisetas de cor azul, e filhinha branca um vestidinho estampado preto e branco e tem um laço na cabeça.




Foto de um casal com deficiência visual. A moça e mãe (branca de cabelos castanhos) está gravida e tem nos braços uma réplica da imagem de um feto para ter a ideia da imagem do seu exame de ultra sonografia. E o rapaz e pai (branco de cabelos um pouco grisalhos) tem nas mãos a réplica de uma imagem do que seria a cabeça do bebê. Eles estão sorrindo e sentados um ao lado do outro.




Foto de uma mãe com duas filhas pequenas que tem microcefalia. Ela está com as meninas no colo e todas são brancas e tem cabelos louros; e vestem camisetas amarelas e estão sorrindo.




Imagem de uma mulher (branca de olhos e cabelos castanhos) sem as pernas sentada em um skate com o filho bebê branco no colo por meio de um colete.




Logo da campanha de combate a toda violência contra mulheres com e sem deficiência. A imagem com o texto: "Violência contra uma é violência contra todas" está escrita em LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais e em Braille, sistema de leitura e escrita para pessoas com deficiência visual.


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Leandra escreve em Oficina Literária no SESC Pinheiros


A cidade que pouco conheço

Por Leandra Migotto Certeza

É múltipla! Caótica! Frenética! Inspira e transpira… Sonha e destrói. Une e acelera. Tem verde, e muito mais cinza. Caminha e engarrafa. Tudo, agora e ao mesmo tempo hoje. Nos bairros, ainda tem casinhas. Mas os arranha-céus são a maioria nas avenidas. As ruas podem ser bem sujas, mas nos muros tem grafite colorido (quando o Prefeito deixa!).

Cinemas e teatro vários, mas pra bem poucos. As freiras livres são ponto de encontro de aromas, cores e texturas. Nos parques, brinquedos, árvores, riachos e grandes museus se misturam. E quem vive nela é camaleão. Todas as estações aparecem em um único dia. E desaparecem com a mesma intensidade.

Nasci em um hospital bem conhecido e também vivo há 35 anos em um dos bairros que muita gente sabe onde fica. Mas conheço pouquíssimo as regiões da cidade. Sou turista em Sampa! Minha viagem está só começando… Quero sair do reduto Av. Paulista e bairro de Pinheiros / Butantã. Porém, quando passeio nos finais de semana, ainda procuro ir ao que está mais perto. Afinal, rodar pelas calçadas é um gigantesco enduro! Aventura total!

Transporte público acessível? Não sei para quem… Mesmo com a minha cadeira de rodas motorizada eu passo por perrengues fenomenais. Buracos? Prefiro chamar de crateras! Sem me esquecer das montanhas que surgem no meio dos passeios públicos.

Públicos? Penso em como está se tornando a maior megalópole do país agora que tudo virou lucro de bem poucos… O parque Villa Lobos, na região Oeste, tem bem mais gente com carro do ano do que bicicleta ou à pé. Afinal, estacionar agora custa caro.

Os pequenos sacolões de bairro, em sua maioria bem administrados há anos por famílias, serão aniquilados! O monopólio dos mega supermercados irá abocanhar mais este filão! Carnaval e Virada Cultural? Cada um no seu quadrado da segregação social! Misturar? Para quê?

O lema desta administração é TRABALHO! Nem que para mostrar serviço seja preciso passar por cima dos pequenos comerciantes e da diversidade cultural. Só que não! Trabalho sem desenvolvimento de todas e todos e distribuição de renda, é CAPITALISMO SELVAGEM.

Triste é ver que várias ciclovias estão sendo destruídas para os carros passarem, agora com a velocidade maior permitida novamente! Mas o que dói mesmo é o nosso dinheiro gasto com os altos impostos indo para pagar passagens de avião e despesas - de quem se diz trabalhar pela cidade - mas na verdade faz campanha eleitoral desde o primeiro dia de mandato.


Problemas? A cidade que ainda pouco conheço, tem inúmeros! E terá muito mais todos os dias, com esta ou outra administração. Creio que o que falta é a noção básica do que seja PÚBLICO e PRIVADO. E do que seja: LUCRO e AÇÃO SOCIAL. Afinal, a cidade só existe porque as pessoas vivem, trabalham, consomem, pagam altíssimos impostos e se divertem nela! Cabe a cada um de nós repensarmos o nosso papel na Pólis!   

Manhã em Sampa

Manhã cinzenta
Nojenta
Na lama da cidade luz
Manha opaca
Calada
Na calma da cidade grande
Manhã amena
Pequena
Na falta da cidade cheia
Manhã macia
Tranquila
Na clara cidade escura             


Textos produzidos por Leandra durante a Oficina Literária de Arte e Expressão realizada no SESC Pinheiros em Janeiro e Fevereiro de 2018.

Professoras da oficina: Maria de Lourdes Chaves Ferreira. Jornalista, publicitária, com pós-graduação em psicopedagogia. Finalista do Prêmio Flip de Literatura 2017 – categoria poesia e Maria Regina Chaves Ferreira. Psicóloga – Especialização em psicologia junguiana.