quinta-feira, 24 de março de 2011

A pessoa com deficiência nas empresas

Os vídeos da quinta aula do curso sobre educação inclusiva também não são completamente acessíveis!
Por professor Saulo

Nesta pasta,  o aluno irá encontrar propostas de leituras relacionadas com o tema. É importante observar que esses textos são referenciais para que estudantes da área administrativa, de recursos humanos e gestores em geral possam conhecer uma nova cultura organizacional que vem se firmando a partir das novas perspectivas inclusivas.
Também serão propostos alguns vídeos para enriquecer esse estudo.
 INCLUSÃO, CONCEITOS E HISTÓRIAS

Os estereótipos sociais e as narrativas: a construção das identidades sociais da pessoa com deficiência visual

A quarta aula do curso sobre educação inclusiva solicita uma discussão sobre o texto com o título desta postagem. Porém, o arquivo em um PDF, não podendo ser lido por pessoas com cegueira.

http://www.afeip.org/moodle/mod/page/view.php?id=21

Paradigmas da relação da sociedade com as pessoas com deficiência

A terceira aula do curso: "A Inclusão da Pessoa com Deficiência em Cenários da Diversidade" está no seguinte link: http://www.afeip.org/moodle/mod/resource/view.php?id=18. 
É leitura do texto: "Paradigmas da relação da sociedade com as pessoas com deficiência" de Maria Salete Fábio Aranha - UNESP - Marília, publicado no link: http://www.afeip.org/moodle/mod/resource/view.php?id=18. 


Desta vez o texto está publicado no próprio site do curso e não em PDF. Resta saber se pessoas com cegueira consegue acessar o site com autonomia...
A mensagem que escrevi no Café do curso foi esta: 
Caros colegas e caras colegas de curso,
Devido a problemas pessoais familiares, precisei me afastar das aulas. Agradeço por compreenderem. Como o prazo para entrega da resenha se encerrou, publico aqui alguns textos sobre o tema discutido.
Agradeço por comentarem, caso sintam vontade. E informo que irei escrever o texto desta aula e publicar em meu blog. Espero que o professor considere para que eu cumpra todas as atividades do curso...
Muito obrigada. Forte abraço, Leandra

Pessoas com cegueira conseguem ler textos em formato PDF?

Aula 2 do Curso Inclusão de Pessoas com Deficiência em Cenários de Diversidade:


Atividade:

Texto para leitura:


Coexão social: um enfoque INCLUSIVO!
Inicio o meu comentário sobre o artigo "Coesão social: um enfoque conceitual"(http://www.eclac.org/publicaciones/xml/4/29354/Cap2Cohesionpr.pdf),  questionando se os alunos com cegueira conseguem ler um texto em PDF. Segundo informações de amigos meus com deficiência visual, acredito que ainda não. Então, como um curso sobre educação inclusiva pode falar de percencimento? 
Para se garantir que as pessoas com deficiência (adquiridas ou não) consigam sair da invisibilidade, passando pela transparência, e finalmente, conquistanto o direito de exercer sua cidadania é preciso que as leis saiam do papel e passem para ações práticas, a começar pelo setor acadêmico. 
Tanto a teoria como a prática precisam ser realmente inclusivas, pois ainda é notório a falta de abordagem da deficiência como uma das 'variáveis' da discriminação. Por que quando se fala em grupo sociais, esquece-se da deficiência, citando apenas a etnia, idade, gênero e credos religiosos? Também é notável a exclusão da orientação sexual, entre as mesmas variáveis.
Por isso, afirmo que é preciso um grande aprofundamento da consciência das pessoas que se dizem defensoras dos Direitos Humanos para aprenderem a falar por todos e todas e não somente pela minoria das minorias.
Para ilustrar meu pensamento, basta apenas reler o trecho do artigo em estudo:
Por último, a cidadania está vinculada ao sentido de pertencimento na confl uência entre igualdade e diferença. Nesse ponto é necessário conjugar a maior igualdade de oportunidades com políticas de reconhecimento. O pertencimento é construído não só com maior eqüidade, mas também com maior aceitação da diversidade.
Não pode haver um “nós” internalizado pela sociedade, se essa mesma sociedade invisibilizar identidades coletivas, seguir práticas institucionalizadas ou cotidianas de discriminação de grupos definidas por diferenças sociais, geográficas, de gênero, idade e etnia, ou perpetuar lacunas sociais vinculadas a diferenças de etnia, gênero, idade e credos religiosos.

Como falar de inclusão sendo excludente?

Este texto foi escrito como resposta ao exercício da primeira aula do curso: "Inclusão de pessoas com deficiência em cenários de diversidade", Associação Faculdade de Educação Inclusiva Paulista, após assistir aos vídeos sem acessibilidade.


Vídeos:

Atividade do curso:


A extinção da exclusão social de todas as pesoas só é possível por meio de ações da sociedade na construção de políticas públicas eficientes e eficazes.
Em primeiro lugar, não se trata de superar a exclusão, e sim, de acabar com ela definitivamente sem utopias, pois somente os seres humanos racionais são capazes de construir ou destruir convenção sociais.
É completamente possível e viável oportunizar todas as pessoas, não apenas para criar mercado comsumidor e a sustentabilidade do Planeta, mas principalmente, por uma questão de Direitos Humanos.
Todas as políticas públicas só existem porque a sociedade se organiza direta ou indiretamente (exercendo o direito de votar em seus goverantes e pagando seus tributos em uma democracia) por meio de ações próprias conjuntas ou coletivas (em ONGs ou pequenas associações de bairro). 
“Exclusão não é um estado que uns possuem, outros não. Não há exclusão em contraposição à inclusão. Ambos fazem parte de um mesmo processo: – “o de inclusão pela exclusão” – face moderna do processo de exploração e dominação. O excluído não está à margem da sociedade, ele participa dela, e mais, a repõe e a sustenta, mas sofre muito, pois é incluído até pela humilhação e pela negação de humanidade, mesmo que partilhe de direitos sociais no plano legal. 
Este texto escrito por Bader B. Sawaia, Doutora em psicologia social da PUC-SP, na obra: “Paralisado cerebral: construção da identidade na exclusão” (Cabral Editora Universitária - 2000), livro de Suely Satow - Mestre e Doutora em psicologia social pela PUC - SP e Bacharel em Filosofia e Comunicação Social também pela PUC - SP, ilustra o que penso sobre a inclusão: 
A inclusão pela humilhação se objetiva das mais variadas formas, desde a inclusão pelo “exótico” até a inclusão pela “piedade” (personagem coitadinho) e não tem uma única causa. O estigma de ser uma pessoa com deficiência se interpenetra com outras determinações sociais como classe, gênero, etnia e a capacidade de auto diferenciação dos indivíduos, configurando variadas estratégias de objetivação da reificação das diferenças". 
Portanto, não existem 'as pessoas com deficiência', 'os especiais', 'os diferentes', 'os anormais' (até porque não existe normalidade! todos somos diferentes) ou qualquer outra denominação. Existem os seres humanos que são por natureza imperfeitos e sujeitos a todas as 'fraquezas' do Planeta e/ou da sociedade (como acidentes geológicos entre outros, balas perdidas, catátrofes, acidentes de carro, atropelamentos, assaltos, ou mutanções genéticas).
Excluir, discriminar e ter um pré-conceito do que não aceitamos como parte integral de todos os seres vivos racionais, é maior prova de que estamos nos aniquilando a cada dia, pois não existem robôs ou seres extra-terrestes. A diversidade faz parte da humanidade com suas potencialidades, qualidades e deficiências.
Além disso, as doenças que causam deficiências ou mobilidades reduzidas temporárias, aliada ao número de idosos que em 2020 será de mais de 20% da população, precisam deixar de serem invisíveis a uma socidade capaz de conquistar autonomia, independência e desenvolvimento de suas potencialidades, respeitando suas especificações. 
Agora sem nenhuma dúvida, o que mais me assusta é que um curso sobre o tema tenha como tarefa vídeos sem acessibilidade total, conforme determina o artigo 9 sobre Acessibilidade da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, instituída pela ONU e retificada como emenda Constitucional pelo Brasil. Como os alunos com deficiência podem falar sobre superação da exclusão se são excluídos no prórpio curso?
Todo o conteúdo de qualquer curso, universitário ou não, precisa ter ínterprete de Língua Brasileira de Sinais, legenda oculta, áudiodescrição, além de estar hospedado em um portal completamente acessível para pessoas com cegueira ou surdez. 
Mais uma vez, o lema do movimento social das pessoas com deficiência: "Nada sobre nós, sem nós", foi completamente esquecido e desrespeitado pelo coordenador do curso de uma faculdade de educação inclusiva (lelmbre-se aqui que a Educação por si só deve ser para todos e todas, portanto, inclusiva por nateureza). 
A falta de inclusão neste curso é lamentável, pois, o protagonismo das pessoas com deficiência precisa ser cada dia mais incentivado quando se fala em inclusão. É necessário passar da teoria para a prática dentro do setor acadêmico!
Uma ótima sugestão é conhecerem o belíssimo trabalho do rapper Billy Saga, um jovem com deficiência física: http://www.facebook.com/profile.php?id=1179283570. É muito triste que o ótimo documentário sobre os rappers não pode ser visto por pessoas com cegueira, em um curso sobre educação inclusiva. 
Já o comentário que faço sobre o vídeo de empregabilidade de profissionais com deficiência é que o técnico ainda comete erros graves ao falar que as pessoas com surdez (ele não usou esta expressão correta, disse somente surdos) tem uma linguagem de sinais e que é preciso respeitar "o deficiente".
É preciso deixar bem claro que a LIBRAS é um língua oficinal no Brasil, e não uma linguagem. Além disso, chamar as pessoas como, simplesmente, 'deficientes' é inaceitável. 
Para esclarecer minha afirmação, cito um trecho do meu blog Caleidoscópio:
Deficiência é diferença humana que por suas singularidades, requer atenção às suas especificidades quanto à forma de comunicação, mobilidade, ritmos, estilos, e diversas maneiras de construir o conhecimento e os relacionamentos sociais. O termo Pessoas com Deficiência é o ÚNICO que deve ser empregado HOJE, pois tem os seguintesvalores agregados: 
Empoderamento: uso do poder pessoal para fazer escolhas, tomar decisões e assumir o controle da situação; 

Responsabilidade de contribuircom seus talentos para mudar a sociedade rumo à inclusão de todas as pessoas, com ou sem deficiência. 


E esse termo faz parte do texto daConvenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, criada pela Organização das Nações Unidas e ratificada pelo Brasil, dia 12/08/2008, junto com seu Protocolo Facultativo, assinado em 01/08/2008. A Convenção é o primeiro tratado internacional com status constitucional da história do Brasil. Portanto, é uma Emenda Constitucional! Leia a Covenção:http://portal.mj.gov.br/corde.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Notícias da minha avó Glaucia

Em 10 de março de 2011 21:23, Leandra Migotto Certeza <leandramigottocerteza@gmail.com> escreveu:
 
Queridas e queridos, 

Olá! Como vão? Tenho uma noticia que não gostaria de dar: hoje minha avó, Glaucia Esteves Migotto caiu e quebrou o ombro direito. Ela fará uma cirurgia (com anestesia geral) amanhã às 10hs no Hospital São Camilo em SP. Para quem ainda não sabe ela é neta de Vital Brazil. 

Mulher de garra e muita fé, como uma bela Vital, Glaucia é mãe de muitos filhos de sangue e de coração. Faz com muito carinho lindos gorros, casaquinhos, sapatinhos e coletes para crianças e adultos que precisam esquentar a alma. 

Sabem porque ela caiu? Estava na esteira na academia do prédio onde mora. É, minha avó-mãe-irmã é uma senhoria que goza de ótima saúde, trabalha desde adolescente, mora em seu apartamento sozinha com total independência. Ninguém da família consegue fazer essa mulher-menina diminuir o ritmo...Vai ao supermercado sozinha carregando sacolas pesadas, e também ao banco várias vezes por semana. 

Agora o que ela mais gosta de fazer é tricotar com as amigas e alunas nas aulas de artesanto da igreja, toda a semana. É ela quem continua a tecer a teia da vida som solidariedade ensinando o que significa AMOR ao próximo sem receber nada em troca!

Por isso, neste momento, é Glaucia que precisa de todas nossas energias positivas, orações e pensamentos cheios de alegria, esperança, e muito AMOR. A sua linda e unida família será sempre grata à vocês. 

Amanhã conto as novidades. O que mais esperamos é a uma recuperação integral dos movimentos, pois muito corações precisam ser aquecidos com o poder das suas mãos ao transformar a lã em AMOR. 

Beijos e abraços, 

Leandra Migotto Certeza - tataraneta de Vital Brazil    

Em 14/03/2011
 
Queridas e queridos, 

Olá! Como vão? Ufa... Em primeiro lugar, agradecemos do fundo do coração por tanto carinho! Ela leu todas as mensagens com muita alegria e emoção. 

Sabem porque ainda não tive tempo de escrever? Minha doce avó está bem melhor e serelepe! A cirurgia foi um sucesso. Agora ela tem uma placa com 11 pinos, colocados no dia 11 de 2011 rsrsrs.

A recuperação é um pouco lenta demais para o ritmo dela... Vovó está aprendendo a fazer o que pode com a mão esquerda (já come sozinha e até arruma as coisas que nós não colocamos no lugar correto rsrs), dorme e come bem, conversa bastante, lê e é claro dá todas as coordenadas para os filhos administrarem bem a loja que trabalha há anos. 

Em casa desde sábado, as visitas foram várias. Vieram todos os filhos, nossa sempre querida Tia Maria, alguns sobrinhos, os netos e hoje uma amiga da Igreja. Telefonemas então, perdemos a conta... Ela é muito querida por todos! 

Bom, quinta-feira dia 17/03 ela tem consulta médica com o ortopedista do hospital São Camilo em SP para sabermos os próximos passos. Por enquanto o braço direito está somente apoiado em uma tipóia e com um curativo no local da cirurgia. Ela precisa mantê-lo sobre o corpo quietinho, o que cansa um pouco. Mas logo, logo, acreditamos que será possível movê-lo mais. Mas a mão ela já consegue mexer perfeitamente, e até abriu potes sozinha. 

Como a saúde dela é muito boa para os seus 82 anos e 9 meses (como ela mesma fez questão de me dizer), não está tomando nenhum medicamento. Nos dois dias em que esteve no hospital tomou pouco antibiótico e anti-inflamatório. Em casa ainda não foi preciso nada para dor porque não teve. 

Bom, por hoje é só. Agora tenho que estar ao lado dela para fazer companhia e viver mais uma vez os momentos mais lindos e importantes da minha vida: aprendendo a AMAR. 

Prometo que escreve assim que conseguir para dar mais notícias.

Beijos e abraços calorosos,

 

ASSINEM!

Um monumento pelas vítimas da ditadura



Tenho 34 anos e apenas sei sobre esse capítulo terrível da história do Brasil e do mundo pelos relatos de quem viveu na pele. Não consigo nem imaginar o tamanho gigantesco da dor que permanecerá para sempre nas famílias desses gerreiros… 

Confesso que me emociono muito ao pensar nas pessoas que ficaram com deficiências e doenças causadas pelas torturas!!! 

Por isso, lutarei com as minhas armas, as palavras, até o último dia da minha vida para que a PAZ, o REPEITO, e a SOLIDARIEDADE sempre vençam os tiramos e ditadores sanguinários! Apoio integralmente todos os movimentos para que cada ser humano na Terra conheça apenas a ÚNICA e DURA VERDADE!!!!!


Por Eduardo Guimarães
No momento em que a presidenta Dilma Rousseff torna público que pretende bancar a Comissão da Verdade de forma a desmascarar os que torturaram, estupraram e assassinaram garotos e garotas idealistas que lutavam pela libertação do Brasil das garras da ditadura militar, vem à mente uma reflexão: até hoje, o Brasil não fez um único grande monumento às vítimas daquele regime.
Logo, teremos no SBT uma novela contando  as atrocidades que foram cometidas neste país contra os que pegaram em armas para defender o Brasil dos usurpadores que, por falta de votos, deram um golpe de Estado que redundou em uma ditadura de duas décadas e tanto. Essa novela deve se desenrolar paralelamente à Comissão da Verdade, que, com o apoio da presidenta, agora irá vingar.
Nesse momento de resgate da verdade, porém, as mentiras e a enganação se travestem de jornalismo e tentam vender a teoria absurda de que “os dois lados” têm que ser investigados pela Comissão da Verdade. Uma distorção tão hedionda que não resiste à menor reflexão.
Tomemos o exemplo de Dilma. Ela tinha 19 anos quando foi presa, torturada e só depois julgada. Como milhares de outros brasileiros, sentou-se no banco dos réus. Mesmo sendo inocente. E ficou encarcerada por três longos anos. Teve até sorte…
Se prevalecesse a teoria sobre ser necessário julgar “os dois lados” – o dos assassinos, torturadores e estupradores da ditadura e o da resistência àquele regime criminoso –, Dilma teria que ser julgada de novo. Os que foram exilados, os que foram torturados, os que foram presos, todos teriam que passar por tudo de novo.
Agora, alguém conhece um único torturador ou assassino integrante da ditadura que tenha sido julgado? Não, mas conhece milhares de vítimas que foram não só julgadas, mas punidas com torturas e até com a morte, muitas vezes sem jamais terem se envolvido em nada. Apenas porque os esbirros da ditadura acharam que estavam envolvidas.
Remember Wladimir Herzog, entre tantos outros.
Por todo este país, milhares carregam até hoje as marcas e seqüelas da tortura. Só seus corpos sobreviveram, porque suas almas foram assassinadas há décadas. Muitos de nós conhecem alguém que até hoje estremece quando ouve um baque ou qualquer ruído mais forte, sob lembranças redivivas daquele período de trevas.
Então, quero propor aqui que o governo federal, sob a liderança da Excelentíssima Senhora Presidenta da República,  Dilma Vana Rousseff, execute e inaugure, com toda a pompa e circunstância, um grande monumento às vítimas da ditadura militar. Tanto para as vítimas que se foram quanto para as que arrastam por este país a dor que lhes foi imposta.
Há alguns poucos monumentos escondidos por este país, mas esse tem que ser feito em Brasília, em plena Praça dos Três Poderes. Para que este país jamais esqueça.
Se houver bastante apoio a esta iniciativa, será composto um documento com essa proposta e enviado à Presidência da República com os nomes dos signatários. Só assim, finalmente este país fará uma homenagem à altura das milhares de vítimas (vivas e mortas) daquele regime hediondo que o infelicitou  por vinte longos anos.
Você apóia? 
ASSINE!
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

terça-feira, 8 de março de 2011

8 de março

No Dia Internacional de Luta pelos Direitos das Mulheres, compartilho um relato sobre a descoberta da minha sexualidade com a deficiência física:








Descrição da imagem: é a segunda foto  (em preto e branco) do ensaio Fantasias Caleidoscópicas. A roupa de renda preta sensual e transparente, completam a 'produção'. Leandra desta vez deitada sob um fundo cinza, parecendo flutuar. Virada de lado e com um olhar sedutor, tem os pés suspensos no ar, com um leve toque de 'ingenuidade'.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Reconhecimento e admiração

É maravilhoso, sentir o reconhecimento pela razão da minha vida: as palavras. 
Sou grata Stella por tanto carinho!  

A sutileza do preconceito:



Texto forte, Leandra. Acho que vc traz com muita força esse desejo da vida em sua plenitude. Deficiência é o encontro de uma limitação no corpo e do ambiente que o recebe, que pode ser mais ou menos cruel. Nosso ambiente ainda é muito cruel e faz com que as pessoas fiquem mais isoladas. Você tem sido essencial nesse despertar das pessoas a diversidade da vida e a possibilidades de ser feliz do jeito que a gente é, sem ter que ficar se adequando, se normalizando. Bjão! Stella Nicollau

sexta-feira, 4 de março de 2011

Árvore da vida - Pessoas com deficiência protagonistas de suas histórias

Conversa franca entre os “dinossauros” da inclusão e os “super-jovens” do século XXI.

Por Leandra Migotto Certeza.

Quando eu nasci, em 1977, muitas mudas já tinham sido plantadas em solos afofados por mãos calejadas. Todas regadas com suor e lágrimas: de dores e alegrias. No solo, muitas sementes preciosas, que não chegaram a germinar, alimentaram com encorpados nutrientes, as fortes raízes de pequenas árvores que começavam a crescer. Depois vieram as folhas. Uma a uma brotando. Tudo só foi possível, graças à luz do sol, ao frescor das águas, a leveza da brisa, a força das chuvas, e principalmente, ao olhar atendo de poucos, mas fortes mulheres e homens de coragem. Cada um doou um pedacinho de sua alma àquelas mudinhas cheias de determinação em viver e mostrar ao mundo a transformação de sonhos em realizações, que nascem da união entre seres humanos.

Mãos, braços, mentes, próteses, pés, corações. Pernas, rodas, olhos, órteses, ouvidos, muletas, sentimentos. Idéias, aparelhos, bengalas, cães-guia, ações. Todos juntos cultivaram as mudas, acompanharam o crescimento de cada caule, de cada galho, de cada folha. Os guerreiros e saudosos amigos com deficiência: Rui Bianchi do Nascimento, Sérgio Cunha Lisbôa, Maria de Lurdes Guarda, Araci Nallin, Maria Neide de Palma, Sérgio Del Grande e muitos outros de igual importância, viveram cada dia para plantar árvores da inclusão, da cidadania, da autonomia, da independência, da tolerância, da diversidade, da fraternidade, do amor, da solidariedade, da união, da gratidão, da persistência, da fé, e da PAZ.

Os queridos amigos com deficiência: Messias Barbosa, Maria Amélia Galan, Gilberto Frachetta, Ana Rita de Paula, Elza Ambrózio, Suely Satow, Claudia Sofia Pereira, Doralice Simões, Francisca das Chagas Felix de Sousa, Lia Crespo, Flavia de Paiva Vital, Elisabete Araki, Tuca Munhoz, Francilene Rodrigues, Galeno Silva, Pérola Ventura, Sidney Tobias de Souza, Salete Fernandes, Juovelina Nunes, João Bentin, Marco Antonio Pellegrini, Izabel Maior, e muitos outros de igual importância, vivem hoje para polinizar cada semente de inclusão plantada por seus amigos. Hoje, eu e muitas outras pessoas com deficiência; começaram a sentir o perfume de suas flores, mas só nossos filhos, sobrinhos, primos, netos, e bisnetos colherão seus primeiros frutos.

Para manter as árvores da inclusão vivas é preciso cultivá-las e preservá-las sempre. Afofar o solo, cortar as ervas daminhas, matar os parasitas, regar, adubar, tirar as folhas mortas. E deixar o solo, a chuva, e o vento agirem na medida certa do amanhecer ao anoitecer. É uma intensa e eterna vigília. É uma ação que requer muita perseverança, tenacidade, esperança, força de vontade, determinação, e principalmente, fé em abundância.

Quando vemos garotos e garotas, jovens e crianças com deficiência, que vestiram a camisa da inclusão pela primeira vez - mas já abraçaram os troncos dessas árvores com tanta garra - creio que devemos sentir muita alegria em saber que as sombras frondosas das antigas inspiraram o plantio de novas mudas. Mas é preciso urgentemente que esses meninos e meninas com deficiência, NUNCA se esqueçam da floresta que seus antepassados plantaram.
Cada árvore tem uma história, uma raiz, uma idade, uma trajetória. Deve-se sempre ouvir - atentamente e respeitosamente - o que estes antepassados têm a dizer sobre as batalhas que enfrentaram pela inclusão, pois muitas guerras ainda precisarão ser vencidas. Cada folhinha nova revigora essa floresta, mas sem raízes que as sustentem com firmeza, nenhuma flor nascerá mais e nenhum fruto surgirá mais. Os jovens guerreiros da inclusão têm a obrigação de aprender as lições com quem deixou suas marcas de sangue pelas estradas da diversidade.   

Os movimentos sociais - protagonizados por pessoas com deficiência - que se articularam mais a partir do Ano Internacional das Pessoas com Deficiência, em 1981, como: o CPSP – Clube dos Paraplégicos de São Paulo, ADEVA – Associação de Deficientes Visuais e Amigos, FCD – Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes, o NID – Núcleo de Integração do Deficiente, MDPD – Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes, ONEDEF - Organização Nacional de Entidades de Deficientes Físicos, FENEIS – Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos, APCB – Associação de Paralisia Cerebral do Brasil, CVI – Centros de Vida Independente, Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa Deficiente, Conselho Municipal da Pessoa Deficiente, entre outros de igual importância, foram os principais responsáveis por mudanças significativas na história mundial e nacional.

Muitas batalhas foram travadas, barreiras transpostas e dificuldades vencidas para que hoje; os jovens com deficiência (adquiridas ou não), seja de qual for sua classe social, idade, gênero, etnia, opção sexual ou nacionalidade possam usufruir os vários direitos conquistados. Os jovens de hoje têm o dever de conhecer a única história desses movimentos sociais contadas somente pelas bocas dos “dinossauros” da inclusão. Pois, muitos deles nem eram nascidos, ou eram crianças de colo, quando as primeiras mudas destas árvores foram plantadas. Estes jovens não têm o direito de renegar o verdadeiro e único passado de suas vidas! Só poderão continuar plantando essas árvores em solos férteis adubados pelos seus antepassados. Mudas em solos áridos não vingam.

É claro que muitas mudanças precisam surgir, discussões devem ser travadas, novidades devem ser testadas e outras vozes devem ser ouvidas. O rio segue seu curso, mas a paisagem muda com o passar dos tempos. A evolução é inevitável e muito benéfica, desde que beba na fonte daqueles que abriram suas margens com suor e lágrimas. Revolucionar é fundamental. Quebrar com estruturas arcaicas também. Nada é imutável. Ninguém é perfeito. Nenhuma idéia é universal e inquestionável. Os valores do amor, paz, cidadania, autonomia, independência, liberdade, e  fraternidade podem vestir novas roupas, desde que NUNCA percam suas essências.     

Creio que os “super-jovens” do século XXI precisam aprender as diferenças básicas e fundamentais entre: políticas públicas e projetos isolados; integração e inclusão; manifestação política popular e eventos privados ou do terceiro setor; acessibilidade e desenho universal; pessoas com deficiência física e pessoas com deficiências em geral; associações e órgãos públicos; assistência social e direitos sociais; assistencialismo e empoderamento; entre outras. Também precisam conhecer o significado de conceitos básicos e fundamentais como: democracia, políticas afirmativas, movimento social, sociedade civil organizada, discriminação, desigualdade social, preconceito, entre outros. Além de saberem como realmente funcionam os poderes e serviços públicos, as leis, e ações relativas às pessoas com deficiência, antes de falarem aos quatro cantos, em nome de mais 14,5% da população brasileira e 10% da mundial.

E também creio que cabe aos “dinossauros” da inclusão muita HUMILDADE, paciência, lucidez, tranqüilidade, flexibilidade, espírito de equipe, abertura ao novo, jogo de cintura, e diplomacia para ouvir com muita atenção o que a nova geração tem a dizer. Dar bronca quando preciso, e corrigir duramente os erros por eles cometidos, mas nunca se colocarem em cima de pedestais, desejando serem glorificados e reverenciados. O isolamento dos grupos que se dizem donos da verdade, com certeza absoluta, também não leva a lugar algum, a não ser a um retrocesso no processo de inclusão duramente conquistado.   

Os conflitos só são saudáveis quando os dois lados têm igual número de argumentos. Ninguém deve ser simplesmente ignorado por ser jovem, assim como ninguém deve ser duramente pisoteado por ser velho. Todos vivenciam experiências enriquecedoras que somente trocadas, compartilhadas, multiplicadas, somadas, misturadas, dividias, dialogadas, e discutidas ganharão força para continuarem plantando muitas outras árvores da inclusão, tão necessárias quando as que fazem parte da atual floresta da DIVERSIDADE!         
  

“Ilusões do amanhã”

“Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes, parece de mim esquecer
Procuro em todas, mas todas não são você
Eu quero apenas viver
Se não for para mim que seja para você
Mas às vezes você parece me ignorar sem nem ao menos me olhar
Machucando-me pra valer
Atrás dos meus sonhos eu vou correr,
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente para cada um o meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito
Quando estou só, penso na minha solidão,
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão

Juro que às vezes, nem ao menos sei quem sou.
Talvez eu seja um tolo, que acredita num sonho
Na procura de te esquecer
Eu fiz brotar a flor
Para carregar junto ao peito
E crer que esse mundo, ainda tem jeito,
E como príncipe sonhador
Sou um tolo que ainda acredita no amor”.

O autor desse poema é Alexandre Lemos – o príncipe sonhador. Ele era aluno da APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Rio de Janeiro, e tinha na época 28 anos. O texto foi publicado na Revista “Cartas Abertas”, número 31 de julho/agosto/setembro de 2003, criada pela FCD – Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes. 


“Caminhada”

“É preciso caminharmos juntos,
É preciso acreditar sem medo,
Buscar o amor mesmo sob as guerras do pranto;
É preciso acreditar na esperança
Tentar até a última gota
Persistir contra o limite
É preciso se dar as mãos, e fazer-se forte na luta pela vida
Não importa o poço que se faz presente
A fé é bem mais importante
É preciso gritar por um mundo mais justo
Esqueça sua cor, sua religião, seu orgulho, sua dor
O amor é bem mais importante
É preciso evitar a lágrima do amigo
Para que a nossa não seja esquecida
É preciso um amigo para não estar sozinho
E assim se conseguirá
Porque já se reuniram forças
É preciso caminhar juntos
Acredite...”

Antonio Reis Sobrinho, autor deste poema é de Feira de Santana - BA e faz parte da FCD – Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes. O texto foi publicado na publicação da FCD, a Revista “Cartas Abertas”, número 63 de 1989.    


INCLUSÃO/EXCLUSÃO - duas faces da mesma moeda deficitária

Por Jorge Márcio


"Toda pessoa tem o direito a um recurso efetivo, perante os tribunais nacionais competentes, que o amparem contra atos que violem seus direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição e pela lei." (Artigo 8º da Declaração Universal dos Direitos Humanos)

Passei, mais uma vez, um dia refletindo sobre o processo de construção dos pré-conceitos que ainda cerceam e mutilam a dignidade da vida de pessoas com deficiência e dos que vivem com transtornos psíquicos cronificados. Joguei para o alto uma moeda, buscando um cara ou coroa jurídico-judicial. Tudo começou com uma mensagem por e-mail de uma amiga, que é professora, uma educadora que trabalha com a Educação Especial, lá no Sul do nosso Brasil. Ela vive defendendo autistas, paralisados cerebrais e outros ditos ''deficientes" por lá. Nessa mensagem urgente e emergente ela pede ajuda para defender a seu irmão.
LEIA O TEXTO NA ÍNTEGRA EM:
Afinal temos, conforme recente matéria do Jornal O Globo (16/02/2011) um possível revival psiquiátrico fisicalista com o retorno das lobotomias e do uso da eletroconvulsoterapia. Dizem ser apenas para os casos considerados ''sem esperança'' de cura ou tratamento pelos medicamentos psicofarmacológicos... Porém, no espaço destinado aos ''loucos infratores", temos um campo onde a Bioética e os Direitos Humanos não se cansam de apontar para sua vulneração ativa e a transformação destes em ''cobaias humanas" para experimentação biotecnológica.
Quantas faces tem uma moeda? - sempre digo que esquecemos de seu "terceiro" lado,  a face que une as duas faces de Jano.  Nos milhares de Janos com deficiência intelectual qual é a sua verdadeira face? Vamos procurá-la antes de encontrar a solução mais fácil, institucional, naturalizada, e final: o encarceramento?

copyright jorgemarciopereiradeandrade 2011-2012 ( favor citar o autor e as fontes em reproduções livres na Internet ou meios de comunicação de massa)
Indicação para Reflexão: A Casa dos Mortos - documentário - Débora Diniz
http://www.acasadosmortos.org.br/#
Contribuições para o debate e para a leitura crítica sobre o tema:
A estratégia da periculosidade: psiquiatria e justiça penal em um hospital de custódia e tratamento
A doença mental no direito penal brasileiro: inimputabilidade, irresponsabilidade, periculosidade e medida de segurança-
 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-59702002000200006&script=sci_arttext
A periculosidade social e a saúde mental -

A lobotomia e o eletrochoque ganham novas aplicações no tratamento de doenças -

http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2011/02/16/a-lobotomia-o-eletrochoque-ganham-novas-aplicacoes-no-tratamento-de-doencas-923812915.asp

Indicações bibliográficas:

Bioética
Claudio Cohen & Marco Segre (Orgs.) - Ed. Edusp - São Paulo, SP, 2002.
Direitos Humanos - normativa internacional
Oscar Vieira Vilhena (Org.) - Ed. Max Limonad - São Paulo, SP, 2001.
El sufrimiento mental - El poder, la ley y los derechos
Emiliano Galende & Alfredo Jorge Kraut - Ed. Lugar Editorial - Buenos Aires, Argentina, 2006.
Psiquiatria Social e Reforma Psiquiátrica
Paulo Amarante (Org.) - ver Cidadania versus Periculosidade Social: a desinstitucionalização como desconstrução do saber , Denise Dias Barros, pág. 171.
Ed. Fiocruz, Rio de Janeiro, RJ, 2008.
Vulnerabilidade e Vulneração: quando as pessoas com deficiência, passam a ser questão de Direitos Humanos?
Jorge Márcio Pereira de Andrade - in Revista Saúde e Direitos Humanos, Ano 6 Número 6,  Ministério da Saúde/FIOCRUZ, Brasília, DF, 2010.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Notícias da CMPD

Encaminho para conhecimento de todos, o informe de Regina Atalla, Presidente da Riadis, sobre a última reunião do Senado acerca da comissão para regulamentação da convenção...

Um forte abraço,
Alexandre Mapurunga


http://www.inclusaoediversidade.com/2011/03/informe-reuniao-senado-dia-28-fev.html