segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Da transparência à visibilidade 5 anos depois

Da transparência à visibilidade

Por Leandra Migotto Certeza - Rede SACI- 16/07/2003

Para Leandra Migotto Certeza, um dos principais fatores de transformação é a disseminação de informações e a comunicação entre as pessoas.
Comentário Caleidoscópio: Esta 'matéria-crônica' publicada em 2003, infelizmente, ainda é tão atual passados 5 anos! O processo de inclusão é bem lento no Brasil, por isso é preciso sempre relembrarmos a cada segundo onde nós estávamos há poucas horas atrás para iluminarmos o caminho em busca da liberdade. Cheio de luz será o dia em que não precisaremos mais lutar pela inclusão, pois ela será nossa única realidade!!

Participar do "II Seminário Internacional do Terceiro Setor - Parcerias e Alianças: Pontes para a Inclusão Social", realizado pelo SENAC Terceiro Setor em parceria com a Johns Hopkins Center for Civil Society Studies, em São Paulo, foi uma boa experiência. Creio que, após anos de trabalho, as pessoas com deficiência vêm finalmente conquistando o seu devido espaço. E oportunidades de reflexão como essa precisam ser ampliadas a cada dia para ‘evoluirmos’ da transparência à visibilidade. Sabem por quê?

Percebo que, como jornalista, surpreendo as pessoas. Devido às dificuldades ainda enfrentadas pelas pessoas com deficiência para cursarem uma universidade, são poucas as que exercem essa profissão. E ainda menos, as que têm acesso à realização de coberturas e entrevistas. Eu não penso duas vezes. Às vezes pergunto antes se o local é acessível, em outras, aproveito para dar uma de fiscal. Dessa vez, além de realizar o meu trabalho, também dei uma olhada para verificar se a teoria correspondia à prática. Observei que o Blue Tree Convention Ibirapuera dispõe de rampas na entrada, vagas demarcadas para estacionar veículos conduzidos ou que transportam pessoas com deficiência, elevadores com sinalização em sistema Braille (porém, sem sistema de auto-falante, que melhor orienta as pessoas com deficiência visual), banheiros adaptados e sinalizados (com algumas falhas, como a altura das pias).

Os auditórios têm portas largas, cadeiras móveis (fáceis de acomodar pessoas em cadeira de rodas) e rampa de acesso à mesa dos conferencistas. As mesas da recepção também estavam em uma altura acessível a todos. Os telefones públicos do hotel são posicionados para atender pessoas com dificuldades de locomoção ou de menor estatura (porém, não são acessíveis aos deficientes auditivos). As mesas utilizadas durante o coffe-break também estavam em uma altura mediana. Além disso, os organizadores do evento sabiam como auxiliar uma pessoa com dificuldade física em caso de alguma necessidade. Mas por que será que o material do evento, dessa vez, ainda não foi impresso em sistema Braille e as palestras não contavam com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais?

Talvez, a apresentação de apenas um painel desse seminário dedicado ao tema "Exclusão de pessoas portadoras de deficiência", no dia 9 de julho, já indique alguns caminhos para tentarmos responder essas e outras questões. Para a gerente da Rede SACI, Marta Gil, que participou do evento, "Ainda é difícil ver essas pessoas nas ruas. Falta acesso aos bens sociais básicos, como transporte, educação, saúde, mercado de trabalho, entre outros. Quando começamos a trabalhar, disponibilizando informações na Internet era muito difícil encontrar pessoas com deficiência visual utilizando computadores. Participar de seminários tão importantes como esse é uma grande vitória, mas ainda temos muito, o que construir. Precisamos de todo apoio do Terceiro Setor". Flávia Cintra, fundadora do Centro de Vida Independente de Santos, apontou um dos fatores para essa exclusão. "A sociedade ainda não leva em conta a diversidade humana e esquece que a minoria é a maioria".

Mediando os conferencistas, Faith Kasinga, advogada especialista em Direitos Humanos e diretora de programas do Centro de Filantropia e Responsabilidade - UFADHILI, do Quênia, introduziu o assunto aos aproximadamente 50 participantes nacionais e internacionais, afirmando que ainda é necessário quebrar muitas barreiras de atitude e físicas para vivermos em um mundo inclusivo. Para ela, as políticas públicas que garantam acesso ao mercado de trabalho e a educação são fundamentais para o exercício da cidadania dessas pessoas. "E para que isso aconteça de verdade, a participação das famílias das pessoas com deficiência é muito importante, pois, na maioria das vezes, acabam ficando excluídas também porque é muito caro pagar os tratamentos para os filhos deficientes. E não podemos nos esquecer de que essas pessoas precisam de voz ativa e participação política, econômica e social", concluiu.

Também constatei ser concensual aos palestrantes a falta de estatísticas seguras que tornem essas pessoas visíveis. Na Itália, a situação não é muito diferente do que a nossa. Estudos ainda imprecisos, segundo informações da representante do país no seminário, Elena de Palma, apontaram que 5% da população têm alguma deficiência. São aproximadamente 2300 pessoas. "Não conhecemos exatamente essas pessoas. E esquecemos que elas têm os mesmos direitos humanos que qualquer um de nós", afirmou.

A pesquisadora do Instituto Nacional de Estatística da Itália também ressaltou a importância da nova Classificação Internacional de Funcionalidade para definir as deficiências. Para ela, o modelo que valorizava somente a avaliação médica está ultrapassado. Hoje as pessoas com deficiência são abordadas também cultural e socialmente. "Em uma sociedade igualitária é preciso criar condições para essas pessoas participem de todas as atividades. É preciso afirmar que não só o deficiente deve ‘mudar’ para se adequar à sociedade. É um processo mútuo. Afinal, a acessibilidade é benéfica a todas as pessoas, sejam: idosas, obesas, gestantes, deficientes, e/ou temporariamente desabilitadas de alguma função", concluiu.

Pouco abordado pela mídia, 2003 - o Ano Europeu das Pessoas com Deficiência também foi lembrado por Palma. Segundo ela, a Itália comprometeu-se a proteger os direitos dessas pessoas, estender o debate sobre a importância das políticas públicas igualitárias e promover estratégias eficazes em inclusão social, unindo os governos, a sociedade civil, as organizações não-governamentais e as empresas privadas. "Estamos lutando para mudar o quadro das estatísticas imprecisas em nosso país e para dar visibilidade às pessoas com deficiência. Temos também uma preocupação especial com os jovens", concluiu.

Trabalhar em rede é compartilhar valores e experiências

Ouvindo as palavras de Marta Gil durante o seminário constatei que quando a Rede SACI começou, há três anos e meio, a idéia de que pessoas com deficiência eram invisíveis estava mais forte. Hoje, depois de muito trabalho duro, acredito que estamos passando da ‘era’ de invisibilidade para a transparência. Apesar de que em muitas regiões mais periféricas, inúmeras pessoas com deficiência ainda são completamente negligenciadas.

Porém, creio que um dos principais fatores de transformação é a disseminação de informações e a comunicação entre as pessoas. E esse deve ser um dos principais focos de discussão hoje. Para Marta, a concepção de rede vai se tornando cada vez mais concreta atualmente porque essa teia é tecida pelos fios da informação. "É muito bom trabalhar de forma responsável, interativa, compartilhando valores e experiências. Na dimensão de rede não há hierarquias e os resultados são inesperados e muito gratificantes", afirmou.

Ao explicar aos participantes internacionais o nome do projeto, que atua como facilitador entre a sociedade e as pessoas com deficiência, Marta descreveu o personagem folclórico do Saci-Pererê. "É um moleque peralta de uma perna só que viaja em um redemoinho e altera tudo por onde passa. O nosso saci vive na Internet". A mudança de paradigmas é um dos objetivos da Rede SACI - Solidariedade, Apoio, Comunicação e Informação que atua fora e dentro da Internet. Para ela a disseminação de tecnologias sociais também deve ser foco permanente de discussão, pois quanto mais longe for a teia formada por pessoas, mais informações vão chegar. "É importante termos e divulgarmos informações corretas e precisas", concluiu.
Outro ponto levantado pela socióloga é a necessidade de maior integração entre as próprias ‘minorias’, que juntas são a maioria. Para ela, precisamos estreitar os laços com os movimentos dos negros, das mulheres entre outros, pois a deficiência anda transversalmente nesses setores. Existem pessoas com deficiência de todas as raças, etnias, nacionalidades, gêneros, classes sociais, etc. Eu, particularmente, concordo com ela, pois já participei de vários encontros desses grupos e constatei a falta de informação sobre os deficientes. Acredito que quem prega a inclusão tem o dever de pensar amplamente, integrando essas pessoas.

Questionada pela platéia, Marta também afirmou que faltam políticas públicas que coloquem em prática as leis, que garantem os direitos dessas pessoas. "Temos uma das melhores legislações para as pessoas com deficiência. Falta fazer com que ela pegue!", declarou. Para ela, a comunicação traz as armas para que as pessoas pressionem os órgãos de direito.

Já para Flavia Cintra, foi-se o tempo de questionarmos apenas os governos. "A sociedade junta tem poder de ação, haja visto o aumento do Terceiro Setor e das ONGs em nosso país. Não adianta criticar os governos!", declarou. Não concordo completamente com as palavras dela, pois creio que cabe à sociedade construir ambientes inclusivos junto aos governos que detêm o poder.
E cabe ao Estado ouvir o que seus membros têm a dizer e proporcionar condições mínimas de sobrevivência aos cidadãos que pagam seus impostos, junto às muito bem-vindas iniciativas privadas. Afinal, as leis existem para serem cumpridas com consciência. Temos que nos unir para construir uma nação mais humana, mas não podemos esquecer o importante papel do Estado.
Vale a pena saber o que rolou no seminário inteiro. Entrem no site: http://www.setor3.com.br/ e acompanhem a cobertura completa.

Múltipla

Múltipla

Sou
quantas máscaras tenho?

Estou
aqui, alí, dentro, fora
Quantas fozes escuto?

É impossível ser e estar aqui e agora
A essênsia é uma só
mas aparece mútipla

Nos prendemos a uma psique, alma, corpo, forma, cor, perfume, sabor
para não nos desprendemos para sempre
na imensidão dos universos
e virarmos AR

Leandra Migotto Certeza - 10/11/08

A REALIDADE é uma só!!!

Portadores de deficiência representam menos de 1% dos empregos formais
Fonte: JB Online - 07/11/2008

Do total de 37,6 milhões de vínculos empregatícios formais, 348,8 mil foram declarados como pessoas com deficiência.

BRASÍLIA - Pela primeira vez o Ministério do Trabalho e Emprego apresenta o resultado da inserção de portadores de deficiência no mercado formal de trabalho através dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).
De acordo com os números de 2007, do total de 37,6 milhões de vínculos empregatícios formais, 348,8 mil foram declarados como portadores de necessidades especiais, o que representa menos de 1% do contingente de empregos formais no Brasil.

Do total dos 348,8 mil trabalhadores portadores de necessidades especiais, 50,28% são deficientes físicos, 28,16% auditivos, 2,95% visuais, 2,41% mentais e 1,67% portadores de deficiências múltiplas. Foram declarados 14,02% empregados na situação de reabilitados.

O importante desta divulgação é mostrar a radiografia real do país. A Rais não é uma pesquisa. São dados reais fornecidos por todos os estabelecimentos do Brasil. Assim, podemos ver exatamente como é o mercado de trabalho - disse o ministro Carlos Lupi.

Com relação a gênero, os dados mostram que os homens têm uma maior representatividade em todos os tipos de deficiência, com uma participação em média de 62,76%.
No caso dos portadores de deficiência física, o percentual de participação masculina é de 60,11%, sendo de 63,47% no que se refere à deficiência auditiva, 65,97% à visual, 72,6% às mentais e 69,4% às múltiplas.

Os dados da Rais 2007 evidenciam que a remuneração média recebida pelos trabalhadores portadores de necessidades especiais é de R$ 1.389,66, ligeiramente superior à média dos rendimentos do total de vínculos formais (R$ 355,89).
Os assalariados com deficiência auditiva são aqueles que recebem a maior remuneração dentre os diversos tipos de deficiência (R$ 1.845,09). Por outro lado, os portadores de deficiência mental são os que revelaram o menor rendimento (R$ 728,06).
Segundo o recorte por gênero, é entre os portadores de deficiência mental onde se verifica que a remuneração da mulher (R$ 766,15) supera à auferida pelos homens (R$ 709,89).
Em sentido oposto, os portadores de deficiência múltipla são os que apresentam maior diferencial (48%) entre os rendimentos pagos segundo gênero (R$ 1.288,37 para os homens e R$ 7,94 para as mulheres), seguido dos deficientes auditivos (41%), expressos pelos rendimentos de R$ 2.066,97 e de R$ 1.463,05, respectivamente.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Amor...




Eu e meu noivo Marcos dos Santos estamos juntos desde setembro de 2005.

Max Ehrmann, poeta e advogado escreveu este texto em 1927. A força e beleza do texto associadas com a divulgação feita por um padre, gerou a falsa idéia que esta poesia havia sido encontrada "na velha Igreja de São Paulo, em Baltimore, no ano de 1692".

Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de quanta paz pode haver no silêncio.Tanto quanto possível, sem renunciar, mantenha boas relações com todas as pessoas.
Fale a sua verdade calma e claramente; e ouça a dos outros, mesmo a dos tolos e ignorantes; eles também têm sua história.
Evite as pessoas escandalosas e agressivas;elas atormentam o espírito. Se você se comparar com os outros, poderá se tornar vão ou amargo, pois haverá sempre pessoas melhores e piores que você.

Desfrute tanto suas realizações, quanto os seus planos. Mantenha-se interessado no seu trabalho, ainda que humilde; esse é um bem real frente às variações da sorte.
Tenha cautela nos negócios, pois o mundo está cheio de armadilhas.

Mas não se torne cético quanto à virtude que existe;muita gente luta por ideais nobrese em toda parte a vida está cheia de heroísmo. Seja você mesmo.
Principalmente, não simule afeição. Nem seja cínico em relação ao amor, pois, diante de toda aridez e desencanto, ele é perene como a relva.
Aceite com serenidade os ensinamentos do passar dos anos, renunciando com elegância ao que pertence à juventude.
Cultive a força do seu espírito para protegê-lo no infortúnio inesperado. Mas não se desespere com perigos imaginários. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão.
A despeito de uma disciplina rigorosa, seja brando consigo. Você é filho do universo como as árvores e as estrelas; você tem o direito de estar aqui.
E, mesmo que isso não seja muito claro para você, não tenha dúvida que o Universo segue na direção certa. Portanto, esteja em paz com Deus, como quer que você O conceba.
E quaisquer que sejam seus trabalhos e aspirações, na ruidosa confusão da vida, mantenha a paz em sua alma.
Apesar de todas as trapaças,agruras e desencantos, o mundo ainda é belo. Seja alegre. Se esforce para ser feliz.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ser e não ser

"Ser e não ser
Sentir e não sentir
Culpa
Medo

Crescer...

REVOLTA

A dor e a delícia de ser o que é

Simbiose
Raiva
Reflexo da descoberta de ser

Máscaras
Papéis
Representar

Chorar...

Deficiência
Independência
Prepotência

Receio de enfiar a faca com gosto na ferida esposta em minha 'carne-alma'

Medo da condição maquiavélica (?) de ser
simplesmente: HUMANA e IMPERFEITA"

Leandra Migotto Certeza - 03/11/08

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O que é Acessibilidade na Web?

Acesso à Internet por todos
Por Planeta Educação - 20/10/2008

Acessibilidade na internet ou acessibilidade na web significa permitir o acesso à web por todos, independente de tipo de usuário, situação ou ferramenta. É criar ou tornar as ferramentas e páginas web acessíveis a um maior número de usuários, inclusive pessoas com deficiências.
A acessibilidade na web beneficia também pessoas idosas, usuários de navegadores alternativos, usuários de tecnologia assistiva e de acesso móvel.

A acessibilidade na web engloba: - Sítios e Aplicações web: onde as pessoas podem perceber, compreender, navegar e interagir. - Navegadores, media players, puglins: que podem se usados efetivamente por pessoas com deficiências e que funcionem bem com tecnologias assistivas utilizadas por algumas pessoas com deficiência, para acessar a web. - Ferramentas de autoria web e outras tecnologias que envolvem a web: utilizadas para produção de conteúdo web e outras funções.

O conteúdo das páginas e as ferramentas devem estar preparados com acessibilidade. Os autores de conteúdo de páginas web e ferramentas devem ter em mente a diversidade do público. Muitos usuários podem, total ou parcialmente, não ver, ouvir, mover ou processar facilmente algum tipo de informação. Outros podem utilizar-se apenas do teclado para navegar. Muitos podem, ainda, utilizar-se de navegador textual.

Acesso à Web e Tecnologia Assistiva - Este item aborda como as pessoas com deficiência acessam a web, exemplos de barreiras ao acessar páginas e o uso de tecnologia assistiva (tecnologia de apoio).

Deficiência Visual - Cegueira - Para acessar a web, muitas pessoas cegas utilizam o leitor de tela. Alguns usuários usam navegadores textuais como o Lynx ou navegadores com voz em vez de utilizar um navegador comum (navegador com interface gráfica). É muito comum as pessoas cegas se utilizarem da tecla "tab" para navegar somente em links ao invés de ler todas as palavras que estão na página. Deste modo eles têm uma rápida noção do conteúdo da página ou podem acessar o link desejado mais rapidamente.

Leitor de tela: é um software que lê o texto que está na tela do microcomputador e a saída desta informação é através de um sintetizador de voz ou um display Braille - o leitor de tela "fala" o texto para o usuário ou dispõe o texto em Braille através de um dispositivo onde os pontos são salientados ou rebaixados para permitir a leitura.

Navegador textual: é um navegador baseado em texto, diferente dos navegadores com interface gráfica onde as imagens são carregadas. O navegador textual pode ser usado com o leitor de tela por pessoas cegas e também por pessoas que acessam a internet com conexão lenta.

Navegador com voz: é um sistema que permite a navegação orientada pela voz. Alguns possibilitam o reconhecimento da voz e a apresentação do conteúdo com sons, outros permitem acesso baseado em telefone (através de comando de voz pelo telefone e/ou por teclas do telefone).

Exemplos de barreiras ao acessar o conteúdo de uma página: - Imagens que não possuem texto alternativo. - Imagens complexas. Exemplo: gráfico ou imagem com importante significado que não possuem descrição adequada. - Vídeos que não possuem descrição textual ou sonora. - Tabelas que não fazem sentido quando lidas célula por célula ou em modo linearizado. - Frames que não possuem a alternativa "noframe", ou que não possuem nomes significativos. - Formulários que não podem ser navegados em uma seqüência lógica ou que não estão rotulados.
- Navegadores e ferramentas de autoria que não possuem suporte de teclado para todos os comandos. - Navegadores e ferramentas de autoria que não utilizam programas de interfaces padronizadas para o sistema operacional em que foram baseados. - Documentos formatados sem seguir os padrões web que podem dificultar a interpretação por leitores de tela.

Baixa Visão - Para acessar a web, algumas pessoas com deficiência visual parcial usam monitores grandes e aumentam o tamanho das fontes e imagens. Outros usuários utilizam os ampliadores de tela. Alguns usam combinações específicas de cores para texto e fundo (background) da página, por exemplo, amarelo para a fonte e preto para o fundo, ou escolhem certos tipos de fontes.

Ampliador de tela: é um software que amplia o conteúdo da página para facilitar a leitura.
Exemplos de barreiras ao acessar o conteúdo de uma página: - Páginas com tamanhos de fontes absoluta, que não podem ser aumentadas ou reduzidas facilmente. - Páginas que, devido ao layout inconsistente, são difíceis de navegar quando ampliadas por causa da perda do conteúdo adjacente. - Páginas ou imagens que possuem pouco contraste. - Textos apresentados como imagens, porque não quebram as linhas quando ampliadas. - E existem outras barreiras, como as apresentadas para pessoas cegas, dependendo do tipo e extensão da limitação da visão.
Daltonismo - O daltonismo refere-se à falta de percepção a certas cores. Uma das formas mais comuns do daltonismo inclui a dificuldade de distinguir entre as cores vermelha e verde, ou amarelo e azul. Algumas vezes o daltonismo resulta em não perceber as cores. Para acessar a web, algumas pessoas personalizam as cores da página, escolhendo as cores das fontes e do fundo.

Exemplos de barreiras ao acessar o conteúdo de uma página: - Quando a cor é usada como único recurso para enfatizar o texto. - Contrastes inadequados entre as cores da fonte e fundo. - Navegadores que não suportam a opção para o usuário utilizar sua própria folha de estilo.
Deficiência Auditiva - Algumas pessoas surdas têm como primeira língua, a língua de sinais e podem ou não ler fluentemente uma língua, ou falar claramente. Para acessar a web, muitas pessoas dependem de legendas para entender o conteúdo do áudio. Pode ser necessário ativar a legenda de um arquivo áudio; concentrar muito para ler o que está na página, ou depender de imagens suplementares para entender o contexto do conteúdo. Os usuários também podem necessitar de ajuste no volume do áudio.

Exemplos de barreiras ao acessar o conteúdo de uma página: - Ausência de legendas ou transcrições de áudio. - Ausência de imagens suplementares relacionadas, como o conteúdo do texto, que poder ter lenta compreensão por pessoas que tem como primeira língua, a de sinais e não a que está escrita ou falada na página. - Ausência de linguagem simples e clara. - Requisitos para entrada de voz.

Deficiência Física - A deficiência física ou motora pode envolver fraqueza, limitação no controle muscular (como movimentos involuntários, ausência de coordenação ou paralisia), limitações de sensação, problemas nas juntas ou perda de membros. Algumas pessoas podem sentir dor, impossibilitando o movimento.

Para acessar a web, as pessoas com problemas nas mãos ou braços podem utilizar um mouse especial, um teclado alternativo com disposição da teclas que estejam de acordo com o movimento da mão, um dispositivo tipo ponteiro fixado na cabeça ou na boca; software de reconhecimento de voz; ou outras tecnologias assistivas para acesso e interação.

Teclado alternativo: é um dispositivo de hardware ou software que pode ser usado por pessoas com deficiência física, que fornece um modo alternativo de dispor as teclas como, por exemplo, teclado com espaçamentos maiores ou menores entre as teclas. Podem também possuir travas que permitem a pressão de uma tecla por vez, teclado na tela ou outras modalidades.

Exemplos de barreiras ao acessar o conteúdo de uma página: - Atividades onde o tempo de utilização é limitado. - Navegadores e ferramentas que não possuem suporte para teclado alternativo ou botões para todos os comandos efetuados por mouse. - Formulários que não podem ser navegados com a tecla "tab" em uma seqüência lógica.

Deficiência Mental - As pessoas com deficiência mental podem apresentar dificuldades em processar a linguagem escrita ou oral; focar uma informação ou entender informações complexas.
Para acessar a web, as pessoas com deficiência na aprendizagem, podem necessitar de diferentes modalidades ao mesmo tempo, para acessar a informação. Por exemplo, alguém que possui dificuldade na leitura, pode usar um leitor de tela com sintetizador de voz para facilitar a compreensão do conteúdo da página, enquanto uma pessoa com dificuldade em processar a audição, pode ser auxiliado por legendas para entender um áudio.

Outras pessoas precisam desativar animações ou sons a fim de focar o conteúdo da página, necessitar de mais tempo ou depender de imagens para entender o que lhe está sendo informado.

Exemplos de barreiras ao acessar o conteúdo de uma página: - Ausência de alternativas para permitir o recebimento das informações, como ausência de texto alternativo que pode ser convertido em áudio, de imagens suplementares ou de legendas para áudio. - Elementos visuais ou de áudio que não podem ser facilmente desligados. - Falta de clareza e consistência na organização das páginas. - Uso de linguagem complexa sem necessidade. - Páginas com tamanhos de fontes absoluta, que não podem ser aumentadas ou reduzidas facilmente. - Uso de imagens trêmulas ou sinais com certa freqüência de áudio que podem causar desconforto.
Vantagens em ter um Site Acessível - Seu website estará adaptado a diferentes tipos de conexão como, por exemplo, navegadores mais antigos, computadores menos potentes, ou sem mouse, e outros casos. - Seu website estará dentro dos princípios de acessibilidade preconizados pela Lei Federal de Acessibilidade (Lei no. 10 098, de 19 de dezembro de 2000), que estabelece noras gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências. - Você pode ter mais pessoas acessando suas informações ou serviços. - Ao ter mais acessos, seu website garantirá a adesão dessa comunidade e simpatizantes, e atrairá mais anunciantes.

Recomendações - O "Guia para tornar páginas web acessíveis" fornece informações técnicas básicas, para que web designers e desenvolvedores web, se iniciem na construção de sítios acessíveis.

As informações contidas neste guia têm como referência, o documento "Web Content Accessibility Guidelines 1.0 - WCAG 1.0" ("Recomendações para a acessibilidade do conteúdo da web 1.0") da W3C/WAI (Iniciativa da acessibilidade na web).

Para facilitar a consulta, as recomendações deste guia estão listadas por elementos de uma página web (imagem, frames, tabelas, etc.) e possuem exemplos em HTML/XHTML.
Links WAI - Web Accessibility Initiative WCAG 1.0 em Inglês: Web Content Accessibility Guidelines 1.0 - WCAG 1.0 WCAG 1.0 em Português: Recomendações para a acessibilidade do conteúdo da Web 1.0

Dicas Rápidas - Imagens e animações: Use o atributo alt para descrever a função de cada elemento visual. - Imagemaps: Use mapas client-side (o tag map) e texto para as regiões clicáveis. - Miltimídia: Inclua legendas e transcrições para o áudio e descrições para o vídeo. - Hiperlinks: Utilize texto que faça sentido fora do contexto. Evite a frase "clique aqui". - Oraganização da página: Use cabeçalhos, listas e uma estrutura consistente. Use CSS para layout e estilo sempre que possível. - Gráficos e diagramas: Sumarize o conteúdo ou use o atributo longdesc. - Scipts, applets e plug-ins: Para o caso de estarem desabilitados ou de não serem suportados pelo browser, forneça conteúdo alternativo. - Frames: Use o tag noframes e empregue títulos significativos. - Tabelas: Torne compreensível a leitura linha a linha. Resuma. - Valide seu trabalho: Use as ferramentas, checklist e os guias disponíveis em http://www.w3.org/TR/WCAG.

Validação - A validação da acessibilidade deve ser feita por meio de ferramentas e da revisão humana.

Os métodos automáticos são geralmente rápidos, mas não são capazes de identificar todas as nuances da acessibilidade. A avaliação humana pode ajudar a garantir a clareza da linguagem e a facilidade da navegação.

É recomendável proceder à validação desde as fases iniciais do desenvolvimento.
As questões de acessibilidade identificadas antecipadamente são mais fáceis de corrigir e evitar a repetição do erro.

Validadores Automáticos - Um validador verifica a sintaxe das páginas (por ex., HTML, CSS, XML). A sintaxe correta auxilia a eliminar problemas de acessibilidade.

Validadores automáticos de acessibilidade apontam problemas de acessibilidade baseados somente na sintaxe (por exemplo, uma imagem em que o equivalente textual não foi colocado). Entretanto, a sintaxe correta não garante que o documento estará acessível, pois se pode fornecer o equivalente textual para uma imagem, mas o texto não estar descrevendo-a claramente.

Alguns validadores fornecem perguntas ou avisos para análise de partes mais subjetivas.
Alguns exemplos de validadores automáticos: Validadores de acessibilidade (a maioria possui serviço online gratuito e são baseados nas recomendações da WAI): - WebXACT (antigo Bobby) - Cynthia Says - Wave - A-Prompt - Da Silva (em Português)
Validadores de sintaxe: - W3C Markup Validation Service
Validador de CSS: - W3C CSS Validation Service

Os produtos acima mencionados são apenas exemplos. Outros validadores e ferramentas estão disponíveis em http://www.w3.org/WAI/ER/existingtools.html.

Cenário do Usuário - Muitos navegadores e sistemas operacionais permitem que os usuários configurem características que alteram a aparência, o som e o comportamento das páginas web. Com a variedade de navegadores e a diversidade de usuários têm-se experiências muito diferentes com a web. Se um sítio web é usável com uma das ferramentas, isto não garante que o sitio está acessível. Portanto, é importante testar em diversas ferramentas e situações:

Testar as páginas com um navegador textual: - Lynx - Lynx Viewer (Simulador)
Testar em vários navegadores gráficos, com: - Som e gráficos ativos; - Sem gráficos; - Sem som; - Sem mouse; - Sem carregar frames, programas interpretáveis, folhas de estilo ou applets.
Testar em vários navegadores, antigos e recentes.
Testar em outras ferramentas: - Navegador de emissão automática de fala: + IBM Home Page Reader - Leitor de tela: + Jaws + Virtual Vision (em português) + DosVox (gratuito e em português) - Software de ampliação - Tela de pequenas dimensões, etc.
Os produtos acima mencionados são apenas exemplos. Para uma lista detalhada de ferramentas usadas para acessar a web consulte http://www.w3.org/WAI/References/Browsing.
Ortografia e Gramática - Utilizar corretores ortográficos e gramaticais. Uma pessoa lendo uma página com um sintetizador de voz pode não reconhecer uma palavra com erro ortográfico. A verificação ortográfica e gramatical assegura que o conteúdo da página esteja correto. Isto também auxilia quando a língua nativa de algum leitor não for a mesma do documento.
A eliminação de problemas gramaticais aumenta o grau de compreensão. Revisar o documento. Rever o documento, verificando sua clareza e simplicidade. O ideal é pedir a um revisor experiente que reveja o conteúdo escrito e avalie a clareza da redação. Os revisores podem também melhorar a adequação de um documento, já que podem identificar questões culturais potencialmente delicadas provenientes do tipo de informação.

Validação Humana - Peça as pessoas com deficiências que revejam os documentos. Esses usuários, com ou sem experiência, são uma fonte inestimável de informações sobre o estado dos documentos, no que diz respeito ao seu grau de acessibilidade e de facilidade de utilização.
Checklist da WAI A WAI - possui uma tabela para checar se os pontos de verificação da WCAG1.0 foram satisfeitos. Em Inglês: Checklist of Checkpoints for Web Content Accessibility Guidelines 1.0 Em Português: Tabela de pontos de verificação das Recomendações para a acessibilidade do conteúdo da Web 1.0

Fonte: www.dasilva.org.br e www.serpro.gov.br

Políticas públicas culturais inclusivas

ENSP e MinC se unem em defesa das pessoas com deficiência
Por Infoativo DefNet - 20/10/2008

No evento as mesas redondas tinham um interprete de LIBRAS

Deficientes se reuniram para discutir políticas nacionais de culturaPela primeira vez, pessoas com algum tipo de deficiência dos vários segmentos das artes do Brasil reúnem-se para discutir e formular uma política nacional de cultura voltada para eles. É a 'Oficina nacional de indicação de políticas culturais para inclusão de pessoas com deficiência', promovida pela ENSP/Fiocruz em parceria com a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura. O encontro teve início no dia 16/10 e vai até 18/10.
Ao todo, estão reunidos, no Rio de Janeiro, quase 60 artistas do país inteiro para encaminharem ao MinC a indicação de diretrizes reconhecendo o potencial das atividades culturais produzidas pelas pessoas com deficiência, fruto de um compromisso assumido pelo ex-ministro Gilberto Gil e que, agora, tem continuidade com o atual ministro Juca Ferreira.
De acordo com Paulo Amarante, coordenador do Laps/ENSP/Fiocruz, "é um trabalho muito bonito ver essas pessoas vindo ao Rio para debater esse tema importante e sair daqui com uma proposta de política pública para o Estado". Confira, na Biblioteca Multimídia da ENSP, os áudios e apresentações desse primeiro dia de atividades. (Link Biblioteca Multimídia)
O debate era acessível a todos e contava com interprete de LIBRASA atividade teve início com a mesa que reuniu Isabel Maior, da Coordenação Nacional para Inclusão de Pessoa com Deficiência (Corde), destacando que 14,5% da sociedade brasileira é composta de pessoas com algum tipo de deficiência e espera que, ao final dessa atividade, essa população possa se beneficiar de um melhor acesso à cultura.
Em seguida, foi a vez de Vera Lúcia Fernandes, representando a Caixa Econômica Federal, principal fomentadora do evento, lembrando que o banco foi o primeiro a se preocupar com a acessibilidade aos portadores de deficiência e responsável também por grandes investimentos na cultura. Então, nada mais certo que participar de um encontro de vital importância para a sociedade brasileira.
Representando a ENSP/Fiocruz, Paulo Amarante reafirmou o momento histórico para a sociedade brasileira em construir efetivamente uma política pública com a participação do principal grupo envolvido e lembrou que a Fiocruz, por intermédio de Sérgio Arouca, passou a ver a saúde como uma forma de cidadania e qualidade de vida e, em seu entendimento, uma parceria com o MinC transforma a idéia de saúde como inclusão social para todos.
Por fim, o representante do Ministério da Cultura, Ricardo Lima, traçou um breve panorama da reconstrução do MinC desde o início da gestão do presidente Lula, culminando com a criação da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural voltada especificamente para setores que não têm espaço nas políticas públicas de governo. Do envolvimento com a ENSP, citou Ricardo Lima, "demos início ao projeto 'Loucos pela Diversidade' em 2007 e seguimos agora, em 2008, com essa oficina voltada para pessoas com necessidades especiais".

Antes da primeira mesa de debates, uma apresentação artística emocionou os presentes. A cantora Inês Helena, que perdeu a visão aos quatro anos de idade, interpretou canções de Tom Jobim e Vinícius de Morais (Insensatez), Gilberto Gil (Se eu quiser falar com Deus), Alberto Janes (Foi Deus) e declamou um poema de sua autoria (Eterno Cantar), acompanhada do violonista Kiko Chaves.

Mesa apresenta trajetória da cultura e deficiência no Brasil

A participação dos ouvintes marcou o encontroTrês experiências distintas marcaram o tom da primeira mesa da oficina. Tendo como tema 'Cultura e deficiência: trajetória e perspectivas', a primeira exposição foi realizada por Andréa Chiesorin, do Conselho Diretor da Associação Very Special Arts Brasil, que, desde 1990, faz um trabalho envolvendo artes produzidas por pessoas com ou sem deficiências. Em seu relato, apresentou a trajetória da AVSR-BR, criada por Albertina Brasil Santos, e o envolvimento com a Funarte para a promoção de ações culturais para ambas as populações.
Para Andréa "inclusão é a palavra-chave obtida através de produções artísticas com o intercâmbio de diálogos estéticos, e temos que ampliar o entendimento da sociedade brasileira sobre essas novas experiências". Apresentou imagens realizadas por um fotógrafo cego e de uma montagem da peça 'Morte e Vida Severina' em que tanto o diretor quanto todos os atores eram cegos.
Com 18 anos de experiência, a AVSR-BR já foi responsável por inúmeros festivais culturais em todo o país e até mesmo levando artistas especiais para o exterior, além da capacitação de mais de 20 mil professores, tornando-os aptos para trabalhar na relação das artes com as pessoas com necessidades especiais. "Nosso trabalho envolve dança, música, teatro, artes visuais, não existem limites para o que podemos fazer" afirmou, mas não deixando de lado a luta por ambientes mais propícios para essa parcela da população poder apresentar seus trabalhos ou para o público poder conferi-los.

Em seguida, foi a vez de João de Jesus Paes Loureiro, da Universidade Federal do Pará, trazer seu relato da dificuldade de um ex-gestor público lutar pelas pessoas com deficiência. Lembrou que seu primeiro envolvimento foi com um antigo aluno cego de um curso pré-vestibular. Contou que, ao gravar trechos de livros e poemas brasileiros, ajudou para que esse aluno passasse em primeiro lugar no vestibular para Direito no Pará.
Quando foi secretário municipal de cultura em Belém (PA) auxiliou, entre outros, cadeirantes a assistirem o desfile de carnaval na cidade e, ao passar para a Secretaria Estadual de Educação, lutou para que as escolas públicas fossem adaptadas para cadeirantes, com banheiros mais acessíveis, portas mais largas, adoção de impressoras em brailes ou trilhas para cegos, no início da década de 90.
"Mas de nada adiantou, pois, quando deixei a gestão pública, essas políticas foram se perdendo, muitas vezes por falta de investimento e reclamações de altos custos de investimentos para essa população. Não podemos deixar que os gestores públicos esqueçam essa população, deixando que todas os seus direitos sejam obtidos somente por meio das associações particulares", afirmou.

Encerrando a primeira mesa de debates, a representante da Corde, Isabel Maior, traçou um panorama das políticas públicas voltadas para pessoas deficientes no Brasil. Sua apresentação lembrou das comemorações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos aonde em seu artigo 1 informa que todos nascem livres e iguais em diversidades e direitos. "Mas será que somos assim? Claro que não porque as desigualdades marcam os vários segmentos da sociedade brasileira, entre elas a das pessoas com deficiências".
A respeito da Corde, Isabel informou que a coordenação trabalha desde 1989, entre outras ações, no direito e na defesa da pessoa com deficiência e esteve sempre presente na trajetória de luta dessa população que, quase sempre, são visto como invisíveis para a sociedade em geral. Lembrou ainda que o movimento começa a se firmar na década de 80, principalmente após a ONU declamar 1981 como o Ano Internacional da Pessoa com Deficiência trazendo com isso um entendimento mundial de que a melhor forma de acabar com a discriminação ou desigualdade é através da inclusão, seja ela social, econômica ou política.

Para mostrar que ainda há muita desigualdade no Brasil, apresentou números de um censo do IBGE, do ano de 2000, informando que o país conta com 25 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, sendo que 70% encontra-se abaixo da linha de pobreza e 90% fora do mercado de trabalho. "Esse é um segmento social submetido à violação dos seus direitos humanos e cabe a nós lutar, cada vez mais, para que isso mude".
Apesar de tudo, lembrou que o Brasil foi o primeiro país a ratificar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, elaborado pela ONU em 2006, como forma de acabar com essa discriminação. E, para isso, todos os envolvidos têm que trabalhar pela concessão de um maior número de próteses e órteses, transportes e escolas acessíveis, empregabilidade, campanhas educativas e culturais e tudo aquilo que possa acabar com o preconceito social. "Vamos lutar pela regulamentação da Política Nacional do livro e da leitura, com livros mais acessíveis, para as legendas em português nas produções nacionais e nos requisitos de acesso à cultura através de projetos apoiados pela Lei Rounaet", concluiu.

Experiências pessoais mobilizam debate sobre pessoas com deficiência

Pessoas com deficiência assistindo a palestraAtravés da coordenação do pesquisador da ENSP, Paulo Amarante, a segunda mesa do dia 16 com o tema "Nada sobre nós sem nós" trouxe três exposições diversificadas de trabalhos com essa população. O vereador de Belo Horizonte Arnaldo Godói destacou a importância deste encontro como o ponto de retomada do processo de geração de políticas para deficientes que foi interrompido nos últimos anos, aproveitando principalmente a experiência dos inúmeros trabalhos existentes, principalmente o de Albertina Brasil Santos.
"Temos que conhecer a história de nosso movimento para aprender com erros do passado e pensar estratégias para o futuro, através das continuidades das políticas públicas", afirmou. Entretanto, o vereador acredita que transformar as diretrizes que sairão desta oficina não serão suficientes para garantir a continuidade das políticas públicas, uma vez que os direitos dos deficientes não são respeitados no Brasil.
Para ele, essa população é dispersa e fica aguardando que o poder público efetive tais ações. "Temos que participar mais dos movimentos políticos, culturais, sociais e não esperar acontecer. Se não nos politizarmos e ampliarmos nossa interlocução com o poder público ficaremos dependendo apenas das iniciativas privadas para executarmos nossas atividades", criticou.
Por fim, Arnaldo Godói destacou a importância de se superar os pontos individualizados na cultura dos deficientes para que seja gerada uma política de estado ampla e que contemple a todos, envolvendo a esfera federal, o Ministério da Cultura e os gestores estaduais e municipais.
A segunda a se apresentar foi Angel Vianna, coreógrafa da Faculdade Angel Vianna do Rio de Janeiro, que traçou o panorama da sua vida como bailarina e professora de dança agregada ao trabalho com pessoas com deficiência através da dança. Desde a década de 60 começou a estudar o corpo de forma anatômica e científica para explorar cada vez melhor a dança e foi através do trabalho com deficientes que consegui o máximo da expressão corporal.
"Trabalhar com a deficiência é trabalhar com a cabeça, o coração e o sentimento e não apenas ver o que está de fora, e esse foi o desafio que eu superei", afirmou. Foi assim que passou a entender melhor os deficientes e a elaborar técnicas de trabalho fazendo com que seus bailarinos se superassem nas apresentações de dança. "Quanto mais conhecimento tivermos do corpo, mais facilidade teremos para trabalhar com as deficiências das pessoas e era isso que eu sempre passava para meus alunos. Nada era impossível", ressaltou.
Ao encerrar sua exposição informou que recentemente criou um projeto de dança para pessoas com deficiência, com patrocínio da Petrobras, mas que não pode ser levado adiante pois para a Lei Rouanet seu projeto era de educação e não de arte. "Então eu pergunto: educação é arte ou arte é educação?"

Terminando o primeiro dia da oficina, o bailarino da Pulsar Companhia de Dança do Rio de Janeiro Rogério Andreolli disse que foi o primeiro artista deficiente a conseguir se profissionalizar no Brasil. Em seguida fez um discurso inflamado contra a última gestão da Funarte, responsável pela extinção do projeto "Arte sem Barreiras", criado por Albertina Brasil para pessoas com deficiência.
"Isso foi um desserviço e uma falta de respeito com todos nós", criticou. Segundo o bailarino, nos últimos anos a Funarte estava colocando a deficiência física à frente do artista, fazendo com que as artes elaboradas por eles ficassem renegadas a segundo plano e sem investimentos financeiros. Para ele, isso aconteceu porque são poucos os deficientes que se envolvem com as políticas públicas, principalmente por conta das adversidades encontradas por todos.
Por conta disso argumentou sobre o que as pessoas com deficiência desejam para o futuro, uma vez que esta oficina será responsável pelas diretrizes a serem adotadas pelo governo. "Temos que pensar em políticas que contemplem o ontem, o hoje e o amanhã, que sejam efetivas e que não sejam esquecidas quando mudarem os governantes no poder. Eventos como esse dão voz àqueles que são os principais interessados no processo. É impossível fazer política pública sem a participação de nós, deficientes", concluiu.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Viver é...

Lances do cotidiano de um poeta e escritor pelas ruas de São Paulo.

Por Leandra Migotto Certeza.

VIVER É.. é um flash na vida de Carlinhos - o compositor romântico. Lances do cotidiano de um poeta e escritor pelas ruas de São Paulo. Estar incluído é exercer sua cidadania com autonomia todos os dias, caleidoscopicamente como as músicas de Tom Zé, trilha do curta.

Criei, roterizei e fiz as principais imagens do filme para concorrer ao Festival Curtas Claro - http://www.clarocurtas.com.br/. Foi uma experiência muito intensa. Em uma semana captei as imagens - junto com meu noivo e cinegrafista amador, Marcos dos Santos - do meu amigo Carlinhos andando por aí.

Nadamos na piscina, adquirimos conhecimento na sala de leitura e fizemos cenas importantes na Internet Livre do SESC Pinheiros, em São Paulo. Foi muito divertido e estimulante. O tema era Diversidade e Inclusão. Por isso pensei em um curtíssimo documentário impactante e real (se é que essa definição existe). Quando começamos a filmar eu não tinha idéia de como iria costurar as imagens, já que decidi por não captar o som ambiente.
Sou formada em Produção Editorial, mas sempre atuei como jornalista. Fiz só três breves oficinas sobre roteiro e edição de vídeos para documentários, e para minha inocente surpresa, filmar não é nada fácil, ainda mais quando é preciso direcionar a câmera e conduzir uma cadeira de rodas ao mesmo tempo, com apenas duas mãos. Constatei que a prática é completamente diferente do que a teoria.

As primeiras imagens foram feitas com a câmera de um celular, mas como ficaram desfocadas não as utilizamos. Foi preciso refilmar todas as cenas com uma câmera simples de baixa resolução, mas desta vez, as imagens ficaram bem mais nítidas.

Nos encontramos dois dias no SESC Pinheiros, aproveitando os momentos que lá estamos, duas vezes por semana, para nadar. Eu fui levada por vans da Prefeitura de São Paulo pagas com os impostos dos contribuintes, pois andar de ônibus sozinha é impossível para mim, que tenho uma grave deficiência física (perda de cálcio nos ossos).

Os elevadores estão sempre quebrados, os cintos de segurança nunca prendem a cadeira de rodas no chão, e a grande maioria dos motoristas e cobradores nem sabem conduzir uma pessoa com deficiência, muito menos acomodá-la com total segurança dentro do ônibus.

Além disso, as calçadas são extremamente esburacadas; íngremes; cheias de lixos e obstáculos como: orelhões, barracas de vendedores ambulantes, entulhos de obras, postes, placas e; principalmente, devido a existência de carros estacionados bem em cima das raríssimas guias rebaixadas, posicionadas absurdamente, fora das faixas de pedestres.

Marcos acompanhou seu melhor amigo até o SESC, pelas ruas do Largo de Pinheiros, 'rodando' em sua cadeira de rodas de ré e a empurrando com os pés ao mesmo tempo, pois suas mãos são mais comprometidas fisicamente do que suas pernas.

Carlinhos sempre sobe ladeiras muito íngremes todos os dias para conseguir sair da instituição onde vive interno; entra nos ônibus carregado pelos passageiros (pois os elevadores também estão sempre quebrados); desvia de buracos e de todos os tipos de obstáculos; desce as raríssimas guias rebaixadas fora das faixas de pedestres; e atravessa avenidas e ruas movimentadas 'escalando' passarelas.

Tudo isso só é possível graças ao seu descomunal esforço físico e enorme disposição psicológica, junto com a grande solidariedade das pouquíssimas das pessoas que estão nas ruas e se dispõem a ajudá-lo quando preciso.
Carlinhos sabe das inúmeras dificuldades pelas quais a 99% das pessoas com deficiência sem condições financeiras passam todos os dias para viver nas cidades. Marcos também. Com a ajuda de um par de muletas canadenses, usa bem mais os braços para se locomover, pois suas pernas têm menos movimentos e força, devido à poliomielite que contraiu quando criança.
Carlinhos teve uma paralisia cerebral na hora do parto, o que comprometeu, principalmente, seus movimentos dos braços, mãos, pernas e a fala. Marcos não consegue andar sem o auxílio de muletas, mas entra em ônibus com mais facilidade do que seu amigo. Por isso, conseguiu captar imagens do seu amigo nas ruas com mais facilidade do que eu. Fez ótimas cenas rodando a câmera e apoiando o corpo em somente uma das muletas. Acompanhou Carlinhos dentro do ônibus, registrando momentos fundamentais do curta que seriam muito complicadas para eu filmar.

Os dois amigos são inseparáveis e sempre se aventuram pela cidade. São raras as vezes em que se desanimam e/ou desistem de ir a algum lugar devido as grandes dificuldades que irão encontrar.

Mas, obviamente, lutam para conscientizar todas as pessoas que viver em sociedade é respeitar as diferenças por meio da equiparação de oportunidades, como a construção de rampas, elevadores, guias rebaixadas em frente às faixas de pedestres, passarelas em nível médio, calçadas planas com pisos anti-derrapantes e sem obstáculos, ônibus completamente e corretamente acessíveis, funcionários qualificados e treinados para saber auxiliar as pessoas com mais dificuldade na hora de serem transportadas em ônibus, metros, trens, vans e táxi, semáfaros sonoros (para orientar pessoas surdas), pisos pódo-táteis (para orientar pessoas cegas), entre outros recursos que garantam total autonomia e independência a esses cidadãos que pagam seus impostos.
Editar o vídeo foi outro grande desafio. Eu e meu amado noivo aprendemos na raça, errando e acertando. Reeditamos todas as imagens mais de 6 vezes. Perdemos tudo umas 3 vezes, e finalmente conseguimos terminar a amadora edição em 9 dias, e enviamos o vídeo às 9hs do último dia do concurso. Uma locura que valeu muito a pena!!
Só consegui criar o roteiro ao ver as imagens várias vezes já semi-editadas. Pensei em contar a história do Carlinhos por meio de frazes poéticas. Não sei se consegui. Creio que não, pois depois de pronto o vídeo percebi como é complicado para o espectador prestar atenção às imagens e as palavras ao mesmo tempo. Acho que elas concorrem e causam um espécie de poluição visual.
O trabalho poderia ser bem mais elaborado, ter uma linguagem mais estruturada, e principalmente, estar tecnicamente bem melhor. Mas por ser nossa primeira experiência com a criação, produção e edição de vídeos, acreditamos que o resultado foi interessante. Resolvi participar do concurso na última hora, por isso tenho consciência dos grandes riscos que corro em não ser selecionada.
Não tínhamos recursos algum para nos deslocarmos para outros lugares, não dispúnhamos de equipamentos melhores, e encontramos várias dificuldades para transitar pelas ruas de São Paulo. Mas criarmos o vídeo com garra e corragem foi uma boa experiência pra todos. Só o pontapé para iniciarmos nossas carreiras no mundo das artes, seja criando, escrevendo, roteirizando, filmando, editando ou atuando. Espero que gostem!!!

O vídeo VIVER É ainda não pode ser divulgado porque está concorrendo, mas quem quiser conhecer um pouco mais sobre a vida do ator estreante, basta ler a entrevista que fiz com Carlinhos, em 2004, para o Site Sentidos: http://sentidos.uol.com.br/canais/materia.asp?codpag=6475&codtipo=1&subcat=54&canal=talento.

Torçam por nós e aguardem resultados e novidades sobre os finalistas do festival!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Um diploma com gosto de superação

A síndrome de Down não impediu João Vítor de conseguir um diploma universitário. Ele termina o curso em junho de 2009.
Publicado em 13/10/2008 por Paola Carriel.
Aos 19 anos, João Vítor Mancini prestou vestibular e passou no curso de Educação Física na Universidade Tuiuti do Paraná. Mas, além dos desafios comuns dos jovens que iniciam a vida universitária, ele tinha mais um obstáculo pela frente: a síndrome de Down.
João Vitor é um pioneiro na universidade, pois além dele só existem mais três portadores da síndrome que conseguiram passar no vestibular em todo o Brasil, mas não se sabe como foi o desempenho acadêmico deles. E disso o rapaz se orgulha: está prestes a se formar em junho de 2009, com um trabalho de conclusão de curso sobre a importância da educação física para o desenvolvimento dos portadores da síndrome de Down.
E, para quem acha que os professores pegaram mais leve com ele, João Vítor revela as dificuldades com sua matéria preferida. “Peguei dependência duas vezes em Anatomia”, diz. Aplicado, o rapaz não mediu esforços para passar na disciplina. Ele e os pais fizeram um acordo com a universidade: quando o laboratório estivesse livre, João Vítor iria para lá estudar. Após um semestre passando quase todas as tardes no laboratório, o resultado foi uma nota dez na prova.
O rapaz é o orgulho dos pais, Gonçalo Silva e Roseli Mancini. Eles souberam que o filho tinha síndrome de Down apenas após o parto. “Demos as mãos, rezamos e decidimos seguir em frente juntos”, diz a mãe. A primeira providência foi contar para toda a família e ligar para o pediatra que havia cuidado de Roseli na infância. “Ele havia estudado nos Estados Unidos e sabia muito sobre a síndrome, e nos ensinou formas de estimular o João Vítor”, conta.

Com dois dias de vida o menino já recebia estímulos dos pais, como música ambiente no quarto, claridade e ficar deitado no berço sempre de bruços. “Ele precisava ficar com o pescoço mais forte e cada vez que ouvia um barulho fazia um esforço e levantava a cabecinha para ver o que era”, lembra a mãe. Nos dois primeiros anos, ele freqüentou uma escola especial, mas depois os pais optaram por matriculá-lo em uma escola regular. “Esta parte foi muito difícil, pois recebemos muitos ‘nãos’”, afirma Silva.

João Vitor passou a estudar junto com outras crianças e diz que sofreu muito preconceito. “Alguns colegas me xingavam e brigavam, mas sempre tive apoio dos professores e da direção da escola”, afirma. Apesar disso, foi um aluno exemplar e nunca reprovou de ano. Passou no vestibular sem nem ter feito cursinho. “Era só para ser um teste”, diz. No último ano do ensino médio ele resolveu fazer a Educação de Jovens e Adultos (EJA), dividida por matéria em vez de bimestres. Ao saber da aprovação na Tuiuti, ainda faltavam duas matérias, uma delas Física. Mas ele passou as férias de verão estudando e conseguiu finalizar o ensino médio.

A mãe conta que João Vítor sempre foi muito determinado: “Ele dizia para nós que um dia iria fazer faculdade. É mérito dele, pela sua coragem em seguir em frente”. Quando a notícia da aprovação se espalhou, muitos jornais fizeram reportagens com a família. Silva ficou tão orgulhoso do filho que comprou vários jornais e saiu distribuindo para os amigos.

Agora, o plano de João Vítor é montar uma academia para pessoas com necessidades especiais. “O esporte é muito importante no desenvolvimento”, diz o rapaz, já com o merecido ar de bacharel em Educação Física. Os pais afirmam, cheios de orgulho, que ele é mesmo uma pessoa muito especial.

Educação e família fazem a diferença.

A síndrome de Down é um distúrbio em que os bebês nascem com três cromossomos 21, em vez de dois. Essa anormalidade pode causar fraqueza muscular, anomalia cardíaca, baixa estatura e retardo mental. A freqüência é de um caso para cada 1,6 mil nascimentos. Alguns especialistas acreditam que a educação e a participação da família podem fazer a diferença no desenvolvimento dos portadores.

“Para um ser humano nada é impossível. Não podíamos voar e inventamos o avião”, diz a psicóloga Regina Maria de Souza, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ela acrescenta que as pessoas não podem ser reduzidas às suas diferenças. “Assim como todos os brasileiros, quem tem necessidades especiais também sofre com o difícil acesso à educação, principalmente no ensino médio”, afirma.

No entanto, a psicóloga é otimista em relação à inclusão. “É possível haver outros casos como o de João Vítor? Sempre vou responder que é. Nem todos vão chegar lá, assim como nem todos os brasileiros chegam à universidade”, explica. “É preciso acreditar no ser humano. Ao contrário, como poderíamos ter o Stephen Hawking? Um tetraplégico que é o maior físico da atualidade”, exemplifica.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Antemanhã

A poucos passos do sonho
o esqueleto não ousa
aproximar-se do espelho
em que sonha:
sólida amação de carne
revestida de ossos frios.

Em seu interior, medula
afortunada, uma a uma
se recolhem as velhas sombras.
Quem o sonha ou quem
o vive? Quem o ampara
em sua levitação de asa,
corpo inútil em pleno vôo?

Fruto maduro sem polpa,
carne de outros ossos,
um esqueleto caminha
dentro do sonho em que é núvem,
poeira perdida no ar da manhã que surge.

Carlos Felipe Moisés - 1998 - Lição de Casa & Poemas anteriores - Nankin Editorial.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Índice de Desenvolvimento Humano

Brasil pretende construir novo sistema de indicadores
Bia Barbosa - Carta Maior- 21/06/07
SÃO PAULO - A luta histórica pela defesa, promoção e garantia dos direitos humanos ganhou, nos últimos anos, um aliado estratégico no enfretamento às violações cometidas por agentes públicos e privados.
A construção de indicadores para o setor, que apontam de forma precisa, qualitativa e quantitativamente, quais são essas violações, os grupos mais vulneráveis, suas causas e perspectivas de solução, é cada vez mais um importante instrumental técnico para uma afirmação baseada dos direitos. Mais do que isso, medir, cruzar e avaliar dados também são uma ferramenta central para promover o diálogo entre a construção de políticas públicas e os compromissos assumidos internacionalmente pelos Estados.
Há muito tempo a produção de estatísticas faz parte da lógica de planejamento de ações governamentais no Brasil. No campo dos direitos humanos, no entanto, os dados ainda são deficientes. "Há um ano e meio à frente da Secretaria, vemos que de fato há uma carência profunda de indicadores específicos para o setor ou indicadores com enfoque de direitos humanos sobre o que se passa na saúde, na educação, na moradia.
Isso atrapalha a afirmação dos direitos no seio dos governos. Sem indicadores fica mais difícil fazer uma pressão intergovernamental para que cada área incorpore esta perspectiva", explica Paulo Vanucchi, ministro de Direitos Humanos. Para ampliar o debate sobre a sistematização de indicadores que subsidiem a formulação e implementação de políticas públicas no campo, acontece até esta quinta (21), em São Paulo, um seminário internacional que reúne especialistas em avaliação e monitoramento de direitos humanos. "Nossa preocupação é chegar ao dado preciso e a uma investigação séria que possa fortalecer as batalhas que travamos em defesa dos direitos", explica José Gregori, presidente da Comissão Municipal de Direito Humanos de São Paulo, órgão promotor do evento.
Na avaliação dos participantes, é praticamente impossível planejar o desenvolvimento dos países sem a existência de um sistema de monitoramento adequado da situação dos direitos humanos. Isso não atenderia, portanto, somente aos interesses da sociedade civil, de acompanhar as ações e omissões dos governos em sua tarefa de controle social, mas dos próprios países.
Os aspectos a se analisar são múltiplos. Na construção de indicadores, podem ser utilizados dados coletados especificamente para o monitoramento de tratados, políticas e planos de ação ligados aos direitos humanos ou dados gerados com outros propósitos, mas que se relacionam com direitos de alguma forma.
A taxa de moralidade infantil medida em uma cidade, por exemplo, pode revelar informações não apenas sobre o respeito aos direitos da criança, mas também sobre saúde da mulher, renda familiar etc.Outras questões a serem respondidas são como o dado está sendo coletado, quem é responsável por seu levantamento - se o poder público, organizações não governamentais ou organismos internacionais -, para que tipo de indicador será usado - quantitativo ou qualitativo -, como o dado coletado será utilizado para garantir uma melhora efetiva da vida da população, se a informação poderá depois ser desagregada por critérios de sexo, origem social, raça, orientação sexual, entre outros.
"É preciso estabelecer o dado realmente imparcial, neutro e objetivo para a construção de um indicador", explica Laura Ferguson, pesquisadora associada do Programa de Saúde Internacional e Direitos Humanos da escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard. "E o indicador ‘perfeito' é o mais simples, o mais fácil de ser medido, o mais aceitável pela comunidade e o mais transparente", diz.
Para Raul Suarez de Miguel, coordenador do Metágora (projeto internacional de indicadores em direitos humanos, democracia e governança), para ser relevante, um indicador deve estar sempre relacionado a uma política pública ou programa de governo, ser uma forma de garantir direitos de determinada população, tornar evidente a responsabilidade dos governos nos processo e não só apontar problemas, mas encontrar soluções. "Medir direitos humanos é uma tarefa para mudar a qualidade de vida das pessoas. É um processo que tem características políticas, que deve ser participativo. Para serem sustentáveis, os indicadores precisam de base social e legitimidade política", completa.
A experiência brasileira.
Na década de 80, o principal indicador social construído no país era o PIB per capita. Nos anos 90, o Brasil passou a utilizar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) como forma de avaliar a qualidade de vida da população. Mais recentemente, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatíticas) empreendeu uma série de mudanças no sistema de coleta de informações domiciliares de forma a responder às novas demandas. E, nos últimos anos, uma série de indicadores relacionados aos direitos humanos vem sendo produzida.
Em 2005, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a pedido do presidente Lula, lançou a primeira versão do Radar Social, que analisa seis dimensões: trabalho, renda, educação, moradia, segurança e alimentação. A terceira versão do levantamento está prevista para 2008.
Em 2004, por demanda das Nações Unidas, o Brasil também elaborou seu relatório de evolução acerca dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, e apresentou dados da situação do país em relação às 18 metas e 48 indicadores elaborados pela ONU. A partir deste estudo, o país elaborou cinco novas metas nacionais, complementares e mais amplas que os Objetivos do Milênio.
No ano passado, Ipea, Ministério das Relações Exteriores e Secretaria Especial de Direitos Humanos coordenaram o segundo relatório brasileiro de acompanhamento do Pacto Interamericano de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (Pidesc).
E os próprios ministérios têm investido na elaboração e produção de informação em suas áreas específicas, muitas vezes com o apoio de conselhos com representação da sociedade civil."Temos avançado, mas ainda de forma não coordenada ou centralizada. Os relatórios ainda são feitos de forma assistemática. Surge a demanda, articula-se um grupo no âmbito governamental, prepara-se o relatório e, quando a tarefa termina, a equipe é desmontada", relata Luiz Fernando Lara Resende, do Ipea.
"O que precisamos agora é de um arcabouço institucional que nos permita desenvolver este sistema. Da parte do governo, não faltam recursos humanos para isso. É só uma questão técnica de pensar esses indicadores e uma questão política de dar prioridade a eles. Vejo como possibilidade institucionalizar algum grupo governamental, com participação da sociedade civil e, no prazo de um ano, apresentarmos uma proposta para ser validada nas áreas afins", acredita.
Algumas questões precisam ser respondidas neste processo. Será possível fugir da lógica setorial, por área, dos indicadores já produzidos ou o princípio de funcionamento deste sistema deve ser a indivisibilidade dos direitos humanos? Diante de uma prevalência de dados disponíveis acerca dos direitos econômicos e sociais, é hora de priorizar a produção de dados que respondam a garantia de direitos civis e políticos? Em maio do ano passado, no âmbito da reunião das altas autoridades em direitos humanos do Mercosul, foi criado um grupo de trabalho para elaborar um marco conceitual para o desenvolvimento de um Sistema de Indicadores de Direitos Humanos.
Na avaliação de Zulma Sosa, diretora da Direção Geral de Estatísticas, Pesquisas e Censos do Paraguai - país que tem este ano a presidência do Mercosul -, o grupo espera que as contribuições do processo brasileiro, resultantes em parte do seminário que termina nesta quinta em São Paulo, funcione como um importante laboratório e sirva de exemplo para que outros países avancem rumo a construção de indicadores para o setor.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Fui excluída de um concurso público

Candidata é excluída em concurso do Ministério da Justiça

Por Liliane Moraes- 29/09/2008

Prezados colegas,

Gostaria que esta mensagem fosse divulgada, até chegar à Brasília, pois não podemos continuar sendo excluídos da forma mais absurda possível em concursos, sobretudo os de âmbito nacional!
Neste sábado (dia 27/09) estive, com minha mãe, em uma escola estadual para fazer uma prova de concurso, cujo cargo era específico para Ciências Sociais e reservava uma vaga para pessoas com deficiência. Tratava-se do concurso do Ministério da Justiça, cuja organizadora é a Funrio.

Quando chegamos ao local da prova, o coordenador me abordou e perguntou se eu havia solicitado prova especial. Disse-lhe que sim, que havia preenchido as opções disponíveis no formulário eletrônico, as quais contemplavam braille e ledor, visto que não havia opção de prova no computador. Ele me pediu uns minutos e, ao retornar, afirmou: "Infelizmente, sua prova em braille não foi enviada do RJ, também não foi enviado ledor oficial, mas podemos pedir a algum fiscal que leia para você..."

Eu disse que sem braille seria muito difícil, pois havia provas de Lógica, Espanhol e Informática, além de prova de Português, que exige leitura do próprio candidato. O coordenador, então, ligou para a coordenação geral no Rio de Janeiro e me deu o telefone, para conversar com o responsável pelo concurso.

Ao explicar a ele a situação, ouvi daquele Sr. que, em Estado algum, se faz prova em braille e que fariam o possível para que alguém a lesse para mim. Depois que argumentei ao telefone que o que jamais se fez foi prova sem braille, desligamos e fomos para a sala de prova, já no horário previsto em edital para o seu início, para que a pessoa que se propôs a ler, visse o conteúdo.

Quando a moça que leria verificou a prova, logo disse que a de Espanhol era muito extensa, e que, portanto, não poderia me ajudar, inclusive por não se responsabilizar pela pronúncia de língua estrangeira.

Não insisti pela ajuda, pois, além de tudo, havia uma questão discursiva, a qual necessitaria que eu ditasse ao final, para transcrição no cartão e se já pagando e treinando ledores o trabalho não costuma ser perfeito, imaginem com voluntariado improvisado!

Assinei a lista de freqüência e fomos embora. Confesso-lhes que jamais havia me sentido tão excluída. Não pelas pessoas que ali estavam, mas pela situação que se observava: uma instituição com total descaso com os candidatos com deficiência inscritos no concurso, e que, pelo que se percebeu, quase nenhum interesse teve em verificar a relação de inscritos, para ver se algum necessitava do mínimo de condições para realizar as provas.

O coordenador local sugeriu que fosse ao MPU e entrasse com ação, pois trata-se de um concurso nacional, contudo, este não é um caso isolado, pois se tem observado inúmeras situações de discriminações e descasos contra pessoas com deficiência, sobretudo no mercado de trabalho e concursos federais, por todo o país.

Por isso, penso que é tempo de se fazer discussões acerca das condições que vem sendo dadas nessas provas, pois encontramos ledores despreparados, indeferimentos nas solicitações de provas no computador, dentre outros problemas que ferem a idéia de igualdade de condições no desenvolvimento das provas.

Agradeço a atenção de todos que leram este e-mail e desculpo-me pelo alongado da carta, mas este é o sinal de protesto de uma pessoa que está, sim, qualificada, mas que tem se sentido prejudicada em vários concursos federais.

Atenciosamente,
Liliane Moraes, Mestranda em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará

"Embora o mundo esteja cheio de sofrer, está cheio também de formas de superá-lo. Meu otimismo, então, não descansa na ausência do ruím, mas em uma opinião contente no preponderante de bom e de um esforço disposto a cooperar sempre com o bom, que pode prevalecer."

(Helen Keller)

Doze preceitos na área das deficiências

Os 12 preceitos foram elaborados pelo educador italo-americano, Leo Buscaglia

Rede Saci - 29/09/2008

Leo Buscaglia, educador ítalo-americano, autor do excelente livro "Os Deficientes e seus pais", elaborou estes 12 preceitos no sentido de percebermos as mudanças de paradigmas em relação às pessoas com deficiência no século XXI:

1. Lembre-se de que as pessoas com deficiência são indivíduos próprios. Elas não pertencem a você, à família, aos médicos, à sociedade.

2. Lembre-se de que cada pessoa com deficiência é diferente das outras e que, independente do rótulo que lhe seja imposto para a conveniência de outras pessoas, ela ainda assim é uma pessoa "única". Não existem 2 crianças com síndrome de Down que sejam iguais, ou dois adultos com deficiência auditiva que respondam ou reajam da mesma forma.

3. Lembre-se de que elas são pessoas antes de tudo e que têm o mesmo direito à auto-realização que quaisquer outras pessoas - no seu ritmo próprio, à sua maneira e por seus próprios meios. Somente elas podem superar suas dificuldades e encontrar a si mesmas.

4. Lembre-se de que as pessoas com deficiência têm a mesma necessidade que você de amar e ser amado, de aprender, partilhar, crescer e experimentar, no mesmo mundo em que você vive. Elas não têm um mundo separado. Existe apenas um mundo.

5. Lembre-se de que as pessoas com deficiência têm o mesmo direito que você de fraquejar, falhar, sofrer, desacreditar, chorar, proferir impropérios, se desesperar. Protegê-las dessas experiências é evitar que vivam.

6. Lembre-se de que somente as pessoas com deficiência podem lhe dizer o que é possível para elas. Nós, que as amamos, devemos ser observadores atentos e sintonizados.

7. Lembre-se que as pessoas com deficiência devem agir por conta própria. Podemos oferecer-lhes alternativas, possibilidades e instrumentos necessários - mas somente elas podem colocá-los em ação. Nós podemos apenas permanecer firmes, e estar presentes para reforçar, encorajar, ter esperanças e ajudar quando possível.

8. Lembre-se que as pessoas com deficiência, assim como nós, estão preparadas para viver como desejarem. Elas também devem decidir se desejam viver em paz, com amor e alegria, como são e com o que têm, ou deixar-se ficar numa apatia lacrimosa, esperando a morte.

9. Lembre-se de que as pessoas com deficiência, independente do grau, têm um potencial ilimitado para se tornar não o que nós queremos que sejam mas o que elas desejam ser.

10. Lembre-se de que as pessoas com deficiência devem encontrar sua própria maneira de fazer as coisas - impor-lhes nossos padrões( ou os da cultura) é irreal e até mesmo destrutivo. Existem muitas maneiras de se amarrar os sapatos, beber em um copo, chegar até o ponto do ônibus.

11. Há muitas formas de se aprender e se adaptar. Elas devem encontrar a forma que melhor se lhes ajuste. Lembre-se de que as pessoas com deficiência também precisam do mundo e das outras pessoas para que possam aprender.
O aprendizado não acontece apenas no ambiente protetor do lar ou em uma sala de aula, como muitas pessoas acreditam. O mundo é uma escola, e todas as pessoas são professores. Não existem experiências insignificantes. Nosso trabalho é agir como seres humanos afetuosos, com curativos emocionais sempre prontos para uma possível queda, mas com novos mapas à mão para novas aventuras.

12. Lembre-se de que todas as pessoas com deficiência têm direito à honestidade em relação a si mesmas, a você e a sua condição. Ser desonesto com elas é o pior serviço que alguém pode lhes prestar. A honestidade constitui a única base sólida sobre a qual qualquer tipo de crescimento pode ocorrer. E, acima de tudo, lembre-se de que elas necessitam do que há de melhor em você.
A fim de que possam ser elas mesmas e que possam crescer, libertar-se, aprender, modificar-se, desenvolver-se e experimentar, você deve ter essas capacidades. Você só pode ensinar aquilo que sabe. Se você é aberto ao crescimento, ao aprendizado, às mudanças, ao desenvolvimento e às novas experiências, permitirá que elas também o sejam

Declaração de Manágua:

"Queremos uma sociedade baseada na igualdade, na justiça, na equiparação e na interdependência, que assegure uma melhor qualidade de vida para todos, sem discriminação de nenhum tipo, que reconheça e aceite a diversidade como fundamento para a convivência social. Uma sociedade onde o primeiro direito seja a condição de pessoa, de todos os seus integrantes, que garanta sua dignidade, seus direitos humanos, sua autodeterminação, sua contribuição à vida comunitária e seu pleno acesso aos bens sociais."

Declaração de Manágua, 3 Dezembro 1993

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A cada olha humano

Raio de sol na cortina entreaberta. Buzina de ônibus. Despertador. Pálpebras se abrem. Logo se fecham. Sirene de ambulância. No fundo da cabeça, chefe grita. Amanhece. A rotina começa.
Dar de comer ao gato, mas não esquecer de passar perto daquela casa e ver se o menino sarou da virose e conseguiu ganhar peso (isso não faz a menor diferença para o IBOPE). Medo? Todo muito tem. Mas é diferente de ser só um sentimento (o que já é o bastante...). Difícil é não ter forças nem para guiá-lo para um quarto escuro.
Sente o corpo espreguiçar, os músculos contraem tamanha é a dor da lembrança das moscas invadindo a boca da menina no meio de tanto ranho e restos de terra. Garganta seca ao bocejar. Imagem de um córrego lamacento invade seu percoço. Vontade de beber água fresca. Diferente do café da dona Maria requentado na panela encardida.
Vira para o lado da cama. Descobre o pé esquerdo e o lençol começa a escorregar. Arrepio de frio ou preguiça de sair da cama? Frio? Será que madeira molhada proteje o pé descalço dos primeiros passos do bebê?
Leandra Migotto Certeza - exercício do curso de roteiro para documentário do SENAC feito em 10/07/01 e editado 26/09/08. Proposta: partindo de uma imagem de Sebastião Salgado escrever um texto livre.