quarta-feira, 29 de junho de 2016
“Muitos homens correm ao ver um filho com deficiência”, diz Olivia Byington
“Muitos homens correm ao ver um filho com deficiência”, diz Olivia Byington: Olivia, que também é mãe do humorista Gregório Duvivier, fala sobre os desafios e as recompensas da criação de seu filho que nasceu com uma síndrome rara...
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Vocês são todos preconceituosos
Saiba como trabalhar seus preconceitos inconscientes
Todas as pessoas têm preconceitos positivos e negativos — eles são um mecanismo de proteção do ser humano. Mas isso pode atrapalhar os processos de contratação.
Mariana Amaro, de San Francisco
Vocês são todos preconceituosos”, disse a consultora Rosalyn O’Neale para uma plateia composta por diretores e vice-presidentes de recursos humanos que acompanhava o evento de Gerência de Capital Humano, parte do OpenWorld, promovido pela empresa de tecnologia Oracle, em San Francisco, nos Estados Unidos. “E isso não é necessariamente algo ruim”, completou, para espanto geral dos espectadores. Rosalyn é estrategista de inclusão e diversidade e foi diretora na companhia Campbell Soul — aquela que Andy Warhol transformou em símbolo da pop art. Com mais de 30 anos de experiência, ela prestou serviço para empresas em 25 países, muitas delas nas listas internacionais de maiores do mundo. Seu trabalho consiste em desenvolver estratégias de inclusão, identificar talentos e preparar a liderança nas corporações. Autora do livro 7 Keys 2 Success: Unlocking the Passion for Diversity (ainda sem tradução em português), da Editora Aeon Publishing Inc, Rosalyn falou a VOCÊ RH e explicou por que preconceitos nem sempre são um problema.
Você afirma que preconceitos não são necessariamente ruins, o que vai contra tudo que aprendemos ao longo da vida. Por que diz isso?
O preconceito é um mecanismo de defesa dos seres humanos, e isso nos manteve vivos até hoje. Crescemos ouvindo de nossos pais: “Não fale com estranhos”. Esse discurso serve para nos proteger quando somos crianças. Desde pequenos, aprendemos a confiar em quem se parece conosco, que nos passa segurança. Isso cresce junto com as pessoas. E assim desenvolvemos os preconceitos. Se você vem de uma família que preza pela saúde e são todos magros e altos, é bem possível que, ao se encontrar com uma pessoa gorda, você imediatamente entenda que ela é desleixada e doente, mesmo sem ela falar nada. O problema está em você não ter consciência de que acha essa pessoa desleixada pelo simples fato de ela ser obesa. Todo mundo tem preconceitos. Isso não é ruim. O ruim é não ter consciência deles.
Como ter consciência então?
O primeiro passo, como em qualquer trabalho de autoconhecimento, é ser sincero com você e reconhecer seus preconceitos — os negativos e, principalmente, os positivos. Por exemplo, quando você analisa um currículo e vê que o candidato fez a mesma faculdade que você, esse candidato passa, automaticamente, a ser visto como melhor que os outros? Isso é um preconceito inconsciente positivo. Você lê outro currículo e nota que a pessoa tem o mesmo nome que sua mãe ou irmã e já passa a sentir mais simpatia por ela? É outro preconceito positivo. A realidade é que formamos nossa opinião sobre as pessoas antes mesmo de elas abrirem a boca.
Mas isso pode ser devastador em um processo de recrutamento, não?
Sim, e justamente por isso eu falo tanto que é imprescindível que as pessoas saibam quais são seus preconceitos, porque só assim elas conseguem passar por cima deles. Na próxima vez que você vir um candidato da sua faculdade, vai pensar bem se isso realmente significa que ele é melhor que o de outra instituição, sem tanto prestígio. Vai considerar que talvez essa outra pessoa precisasse trabalhar e sustentar a família e, por isso, não podia pagar uma mensalidade alta. Assim como um recrutador precisa pensar que, às vezes, um profissional que chega atrasado para uma entrevista de emprego não é necessariamente desorganizado, só porque você tem um amigo que é desorganizado e sempre chega atrasado aos compromissos.
Qual o impacto desses preconceitos no mercado de trabalho?
Você pode ignorar o melhor candidato sem perceber. Quando um profissional de RH está em um processo desses, ele projeta suas visões e valores nos currículos das pessoas. Conversando com gestores, descobri que, se o currículo é enviado em um papel colorido, ele automaticamente é descartado. Durante um processo é comum pensar: “Ele me lembra de tal pessoa”. Se a memória é de uma pessoa que você gosta, o candidato ganha com isso. Se o candidato se parece com alguém da sua família, você se sente relaxado durante a entrevista. É possível que falem de hobbies, família, filhos — e você saia do processo pensando: “Gostei dessa pessoa”. Se, por outro lado, o candidato não se parecer com ninguém, ou for uma pessoa de outra etnia, com uma cor de pele diferente, ou precisar de uma cadeira de rodas para se locomover, a tendência é que você, no papel de recrutador, se sinta mais tenso e faça as perguntas de forma mais dura e inflexível — e saia da sala de reunião pensando: “Eu não tenho certeza”.
Todos têm algum tipo de preconceito, mesmo em companhias com fortes programas de diversidade?
Absolutamente, sim. Vou dar um exemplo. Estava fazendo um workshop em uma companhia de tecnologia, moderna, jovem, na qual as pessoas se vestiam de maneira casual e diziam que não tinham preconceitos com a comunidade LGBT. Havia um profissional recém-contratado na sala e alguém disse: “Dá para saber que ele é novo porque ainda está usando gravata”. Todos riram. A mensagem que ficou é que se aquele novato não desistir da gravata ele nunca será incluído no grupo. Os seres humanos são tribais. Procuramos outros membros da nossa tribo: quem se encaixa melhor, quem tem o perfil da companhia, quem vai se adaptar à nossa cultura.
A busca inconsciente por semelhantes não gera um ambiente corporativo homogêneo?
Sim, essa é a dificuldade. E acontece mesmo em companhias de tecnologia, que têm o discurso da diversidade na ponta da língua. Usar a palavra “encaixar” já é um termo que indica possível preconceito. Todas as empresas têm culturas e limites. Por exemplo, uma companhia valoriza o trabalho em equipe e a colaboração. O preconceito aparece quando você decide que tal pessoa não trabalha em equipe, nem colabora, porque usa uma gravata. O que as organizações ainda não perceberam é que a pessoa que usa a gravata, quando ninguém mais usa, que parece não se encaixar, é quem irá trazer a inovação — porque é ela quem está fazendo algo diferente.
O que costuma acontecer com quem é diferente nas companhias?
Na maioria dos casos, ou a pessoa muda seu jeito de ser, ou ela vai embora. Há muitas empresas falando que estão aumentando a contratação de mulheres, e 40% de todos os novos funcionários são mulheres, mas o percentual de diretoras não muda, porque a área de recursos humanos costuma analisar cada demissão como se fosse fato isolado. “Fulana saiu porque arrumou uma oferta melhor; beltrana, porque queria ficar com a família; sicrana, porque queria voltar a estudar.” Se elas estivessem felizes e se sentindo valorizadas, elas não teriam deixado a companhia. O preconceito inconsciente aparece quando um chefe tem uma vaga que exige viagens e dois funcionários, um homem e uma mulher, que acabaram de ter um filho. O chefe nem considera a mulher para a oportunidade porque acha que ela não vai querer deixar o filho em casa. E, muitas vezes, tudo que uma mãe que acabou de ter um filho quer é passar uma noite sozinha num quatro de hotel e conseguir dormir a noite inteira. Mas essas profissionais não são nem consideradas para o trabalho. É isso que estou tentando mudar.
FONTE:http://vocerh.uol.com.br/noticias/entrevista/saiba-como-trabalhar-seus-preconceitos-inconscientes.phtml#.V1nBKzUrLIV
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Leandra Migotto Certeza - escritora, jornalista e consultora
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sexta-feira, 27 de maio de 2016
A cultura do estupro e a naturalização da barbárie
Filhos saudáveis do patriarcado: a cultura do estupro e a naturalização da barbárie
Em 1935, um jornal mexicano noticiou que um homem bêbado jogou a namorada numa cama e a apunhalou cerca de vinte vezes. Quando questionado pela polícia sobre o crime, o assassino respondeu que apenas foram umas “facadinhas de nada”. Sensibilizada pelo ocorrido, Frida Kahlo desenhou a cena do crime: o assassino com um punhal ensanguentado na mão e ao seu lado, o corpo nu da mulher marcado pelas facadas; o rastro de sangue está presente na roupa do homem, na vítima, na cama, no chão e alastra até mesmo a moldura da tela. O homem aparenta uma postura brutal no rosto e imobilizada no corpo. A pintora disse a uma amiga que pintou o assassinato com aquela aparência porque no México assassinar é algo bastante satisfatório e natural.
Por: Paulinha Cervelin Grassi*, no Marcha Mundial das Mulheres
Fico pensando nessa menina perseguida, ridicularizada, ofendida, hostilizada, violentada por 30 homens no Rio de Janeiro… Será que ela não esperava que algum deles não fosse “consciente” para evitar essa crueldade? Não, não nos enganamos. O patriarcado, ao naturalizar da violência contra nós mulheres, cria muito bem seus filhos… Esses 30 homens não são doentes, são filhos saudáveis do patriarcado.
Como já alertou Frida, a violência naturalizada é satisfatória pra quem comete. Os vídeos, as imagens (com sangue escorrendo) que circularam na internet, traduzem essa satisfação masculina ao tomar nosso corpo como uma propriedade, como um objeto.
Aos homens surpresos com essa notícia, parem para pensar na sua construção, nas suas atitudes em consumir pornografia, em compartilhar fotos e vídeos de mulheres nuas/seminuas em grupos de Whatsapp, nas piadas machistas sobre nossos corpos, em achar divertido pegar “novinhas”. Percebam a cultura de estupro presente em suas vidas. Se defrontem com tal fato e parem para pensar quando acusam as mulheres feministas de radicais, exageradas.
A propósito, sobre a conjuntura nacional, a medida que retrocedemos nos direitos e na leitura de sociedade, abrimos cada vez mais espaços para a naturalização das barbáries.
#machismomata
Paulinha Cervelin Grassi é militante da Marcha Mundial das Mulheres no Rio Grande do Sul e artesã na Marias Lavrandeiras.
Fonte: http://www.geledes.org.br/filhos-saudaveis-do-patriarcado-cultura-do-estupro-e-naturalizacao-da-barbarie/
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Leandra Migotto Certeza - escritora, jornalista e consultora
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quinta-feira, 26 de maio de 2016
“Duas em cada três pessoas com deficiência sofrem rejeição no trabalho”
Em entrevista ao blog Vencer Limites, a diretora de comunicação corporativa e responsabilidade social da Novartis, Yara Baxter, aborda as dificuldades para a conquista da inclusão de fato no Brasil e destaca as ações da empresa para garantir que funcionários com deficiência sejam totalmente integrados.
O desafio da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho está muito além das exigências da Lei de Cotas (8.213/1991 – art. 93), que completa 25 anos no próximo dia 24 de julho. Mesmo com muitas campanhas de conscientização e com os conteúdos abrangentes e aprofundados sobre o assunto disponíveis atualmente, ainda existem muitas barreiras contra a diversidade, que dificultam a plena compreensão das diferenças como algo benéfico para empresas e empregados.
Felizmente, cada vez mais, grandes corporações têm apostado na contratação de pessoas com deficiência e investido em ações para a desmistificação e o combate ao preconceito. Para saber mais, o blog Vencer Limites conversou com Yara Baxter, diretora de comunicação corporativa e responsabilidade social da Novartis. Segundo a executiva, o Brasil tem uma diversidade cultural, étnica e de gêneros que estimula a diversidade, e que precisa ser explorada.
Yara Baxter é diretora de comunicação corporativa e responsabilidade social da Novartis. Imagem: Divulgação
Vencer Limites – Qual a sua avaliação sobre a inclusão de pessoas com deficiência no Brasil, de forma geral, em todos os setores (educação, trabalho, saúde, lazer, etc)?
Yara Baxter – Segundo pesquisa recente pela consultoria Santo Caos, 44,7% das pessoas com deficiência realizam atividades ocupacionais, mas apenas 1,8% têm registro no Ministério do Trabalho. Além disso, duas em cada três pessoas com deficiência ainda sofrem com a rejeição dos companheiros de trabalho.
A partir dessa fotografia, conseguimos identificar que há um caminho muito grande que deve ser trilhado no que tange à inclusão genuína de pessoas com deficiência no Brasil. Há muita desinformação sobre o assunto e ainda há preconceitos. Acredito que todos os representantes da sociedade civil e organizada devam atuar de forma ativa para que consigamos atingir um patamar de igualdade, não apenas para as pessoas com deficiência, mas para um ambiente inclusivo e diverso que atenda a necessidade de todos.
Atuo na Novartis há mais de 20 anos, e desde a fundação da empresa, o tema de diversidade e inclusão tem grande relevância. Desde 2008, a Novartis Brasil formalizou esse compromisso e criou o Comitê de Diversidade e Inclusão no Brasil. Hoje, o comitê conta com mais de 30 colaboradores que realizam reuniões regulares e atuam, entre outras atividades, para identificar quais são os reais problemas do dia a dia de pessoas com deficiência na empresa. Além disso, temos o cuidado de garantir a presença de um representante de RH para que cada assunto abordado seja devidamente endereçado e tenha uma resolução oficial.
Outro ponto fundamental é a participação de colaboradores de todas as hierarquias da empresa, inclusive da alta liderança, que fortalece e reforça o nosso comprometimento genuíno em proporcionar um bom e agradável ambiente de trabalho para todos. Na Novartis, nós consideramos diversidade e inclusão numa perspectiva de 360 graus, não limitado aos convencionais atributos como: etnia, gênero, religião, orientação sexual, idade, nacionalidade, a deficiência física e intelectual, mas também a governança de todas estas frentes. Cada um de nós é diferente e precisamos respeitar essas diferenças e com isso, aprendemos. Diversidade e inclusão geram inovação. Aprendemos diariamente com eles e essa troca de experiências é fundamental e enriquecedor para todos.
2. Quais as principais dificuldades para incluir de fato essa população, para que exerçam a cidadania real?
Yara Baxter – Primeiramente, deve haver uma conscientização da população com relação às pessoas com deficiência, desmistificando preconceitos e trazendo informações de qualidade sobre o tema. A partir do momento que você vence esse preconceito e enxerga o outro como igual, conseguiremos exercer a real cidadania.
Contratar um funcionário com deficiência pode ser relativamente simples. Entretanto, para gerar a real inclusão dessa pessoa no ambiente de trabalho, e proporcionar desenvolvimento profissional e pessoal de qualidade, é uma tarefa que exige um esforço diário, mas ao mesmo tempo muito gratificante.
Temos um exemplo na Novartis de uma ação que realizamos em 2013, em Cambé (PR), onde está a fábrica da divisão Sandoz que produz genéricos. Com o objetivo de promover a inclusão na região e trazer pessoas com deficiência para trabalhar na fábrica, a equipe local criou o Projeto Incluir, que realizou um curso de diagnóstico e capacitação.
Na primeira etapa, foi feito um levantamento e 36 entrevistas foram realizadas com um grupo integrado por pessoas com deficiências visual, auditiva, intelectual e física. Os resultados mostraram que a maioria poderia trabalhar, mas não conseguia cumprir as necessidades da empresa ou não tinha instrução suficiente para atender ao processo de recrutamento. Os resultados também mostraram as áreas na quais essas pessoas querem ampliar o conhecimento, como o aprendizado de uma língua estrangeira, especialmente inglês, e melhorar a capacidade de lidar com o computador, com foco em tecnologia da informação.
A partir desses resultados, começamos a segunda fase do processo, que foi encontrar parcerias para nos apoiar em fornecer a capacitação. Fizemos a parceria com o SENAI. Eles forneceram o curso e a Sandoz Brasil cedeu a estrutura da fábrica e transporte gratuito para os participantes.
Como resultado da iniciativa, a fábrica da Sandoz em Cambé realizou a formatura de 14 alunos que finalizaram 160 horas de curso com um evento especial. Nós compartilhamos a iniciativa e currículos dos alunos com empresas da região, com uma carta assinada e enviada pelo RH e, recentemente, um dos estudantes do projeto foi contratada para o departamento de embalagem em Cambé.
Por meio desse exemplo de iniciativa inclusiva, podemos concluir que, para conseguirmos a cidadania real é necessário que diversas empresas, entidades, organizações não governamentais e órgãos oficiais participem ativamente dessas ações e trabalhem de forma integrada.
Vencer Limites – Qual a força do voluntariado na conquista da inclusão?
Yara Baxter – O fato de ser voluntário abre um precedente essencial nessa ação. Pra atuarmos de forma voluntária, precisamos acreditar naquilo que estamos fazendo. Quando isso acontece, as pessoas veem que é uma ação genuína e resolvem participar de forma ativa também gerando engajamento.
Vencer Limites – Por favor, explique mais sobre as ações que celebraram o ‘Dia da Parceria com a Comunidade’, principalmente aquelas voltadas às pessoas com deficiência.
Yara Baxter – Foram ações no ambiente digital com o objetivo de prover informações sobre saúde, qualidade de vida, cidadania e gerar engajamento por meio das redes sociais corretas. As ações voltadas às pessoas com deficiência contaram com posts diários sobre diversidade e inclusão e um depoimento online.
O vídeo sobre a ‘Carona solidária’ estimula um pequeno gesto de conceder uma carona de guarda-chuva ao cadeirante. Também foi compartilhado nessa semana o aplicativo ‘Hand Talk’, um tradutor para Libras (Língua Brasileira de Sinais) que auxilia na inclusão de pessoas com deficiência auditiva. Colocamos também o app ‘Cidadera’, que ajuda a avisar a prefeitura sobre locais de baixa acessibilidade.
Além disso, tivemos o vídeo com o colaborador Paulo Policastri, que tem Síndrome de Down e trabalha há 10 anos na empresa. Paulinho gravou um depoimento e contou como atua no mercado de trabalho, como é o seu dia a dia e ainda comentou sobre sua especialidade na cozinha. Ele retratou principalmente a importância da inclusão na sociedade.
Trabalhamos a inclusão em suas diferentes perspectivas, compartilhando informações por meio de gifs produzidos que trazem mitos e verdades sobre cada condição e desmistificando doenças que são marginalizadas, como hanseníase, epilepsia e esclerose múltipla. Todas essas ações estão disponíveis na comunidade ‘Embaixadores do Voluntariado’.
Vencer Limites – Quais exemplos positivos de outros países o Brasil deve observar para garantir a inclusão? E quais exemplos positivos o Brasil tem para mostrar?
Yara Baxter – Países como Noruega, Austrália, Suíça, Holanda e Canadá são referências na área de diversidade e inclusão, pois possuem uma base educacional sólida e condições socioeconômicas que propiciam um ambiente mais igualitário. Não precisamos citar ações complexas. Iniciativas simples fazem a diferença, como por exemplo, os ônibus em alguns países na Europa já são produzidos de acordo com a altura das calçadas para facilitar as entradas dos passageiros e cadeirantes, as estações de metrô possuem rampas de acesso e facilitam a circulação. Muitas vezes, esses pequenos detalhes que fazem a diferença na vida de um cadeirante colocam o Brasil em uma posição de desvantagem.
Apesar disso, no Brasil, temos uma diversidade cultural, étnica e de raças e gêneros formidável que contribui para troca de experiências e que propiciam um ambiente diverso de uma forma inovadora e que tem muito potencial para ser melhor explorada.
Fonte: http://brasil.estadao.com.br/blogs/vencer-limites/yarabaxter-novartis/
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Realidade sobre qualidade na empregabilidade de profissionais com deficiência
Relato sincero de um profissional (qualificado) com deficiência
Trabalhei em uma multinacional por pouco mais de três anos, inclusive fazendo parte de um grupo que tratava de assuntos relacionados à diversidade nesta empresa e, percebo que salvo engano, há mais a questão de preenchimento de cotas com cargos de produção/operacional do que contratação de deficientes por empresas em cargos realmente importantes. Sei que eles existem, mas honestamente, como deficiente e profissional, me incomodo com a forma como isso ainda é encarado na mídia de forma glamorosa e como, de fato, é na realidade.
Atualmente estou desempregado e já enviei currículos para pelo menos umas 60 empresas e os contatos que recebo são de vagas para ganhar R$ 1000,00, R$ 1.300,00 e até (pasmem) R$ 670,00!!!
Tenho 45 anos de idade, sou deficiente há 25 anos, mas não necessito de adaptações ao ambiente de trabalho, tenho um filho pequeno e, além de ser analista de comunicação corporativa, também fui professor em uma conhecida faculdade, professor de publicidade em escola do ensino médio, especialidade na área de metalurgia – onde mais novo, atuei como ferramenteiro, ajustador mecânico e ainda fiz cursos de metrologia, pneumática, hidráulica, desenho técnico, CorelDraw, photoshop e Illustrator. Mais recentemente, fiz um curso intensivo de inglês para ter mais oportunidades no mercado, mas confesso, está bem complicado, e pouco tem a ver com a crise que o país atravessa!
Tenho cadastro na Catho, na iSocial, no Manager, Indeed e tantos outros sites e empresas que buscam o tal PCD, PNE, PPD e outras nomenclaturas que dão a pessoas como eu.
Certa vez, na empresa que trabalhei, convidamos um Coordenador de Diversidade de uma grande empresa para uma palestra e, nesta reunião, ele me disse que eu era o deficiente que toda empresa gostaria de ter, pois tinha formação, conteúdo e principalmente, não precisariam de investimentos estruturais para a minha contratação.
Concordo com ele, mas me decepciono com a realidade a partir do momento que envio um e-mail solicitando uma recolocação para 87 pessoas ligadas a empresas que apoiam a causa PCD/Lei de Cotas (tenho um mailling dessas pessoas, pois participava como membro da empresa em que atuava) e, destes 87 e-mails, apenas 1 pessoa me respondeu!!! Ou seja, as empresas querem incluir os deficientes ou apenas participam de workshops e feiras por questões de responsabilidade social para que conste no relatório anual da companhia e, com isso, valorize suas ações?
Em relação aos PCD’s contratados, as empresas os incluem também nos processos de capacitação e plano de carreira? Dão, de fato, oportunidades em nível de igualdade com os demais colaboradores ou pura e simplesmente cumprem as “cotas”? Quantos deficientes existem em cargos de liderança nas grandes empresas? Quantos anos um indivíduo necessita para ser promovido (ou visto) pelos seus gestores? Tenho a impressão de que essas vagas de cotas não são bem vistas por alguns dos empregados das empresas, pois passam a ideia de que temos algumas vantagens em relação aos demais, o que não é verdade, pois em alguns casos, o serviço executado é tão irrelevante que sequer somos vistos pelos gestores e analistas de outras áreas.
Falta envolvimento da direção que, por vezes, tem que “engolir” a Lei de Cotas para não prejudicar o orçamento com as multas que o governo aplica e isso causa um enorme constrangimento a quem ocupa a vaga.
Enfim, fica aqui meu desabafo e, quem sabe, esse texto sirva para a reflexão dos gestores das empresas e pessoas relacionadas ao universo das contratações de PCD’s.
Fonte: http://blog.isocial.com.br/relato-sincero-de-um-profissional-qualificado-com-deficiencia/
Santo Caos
Fonte: http://www.santocaos.com.br/#!pcdsa/jfymz
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Continuidade da existência da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência IMEDIATAMENTE!!!
Nota das Entidades da Sociedade Civil que compõem o CONADE em defesa dos direitos da pessoa com deficiência.
As entidades da sociedade civil, abaixo assinadas, que compõem o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – CONADE, considerando que o atual momento do Pais exige que as instituições e sujeitos se posicionem no sentido de contribuir com a democracia e, especialmente, na garantia de conquistas para que não ocorram retrocessos sociais.
E considerando os avanços produzidos na área da pessoa com deficiência no contexto brasileiro nos últimos anos, onde as ações do governo federal são de substancial relevância para continuidade desse avanço.
E considerando que um dos fatores que julgamos de grande importância é a existência de ações da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD) e do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), como instâncias legítimas da expressão e garantia de direitos da pessoa com deficiência.
E ainda considerando que a Medida Provisória nº 726, de 12 de maio de 2016 editada pelo Exmo. Sr. Presidente da República em exercício Michel Temer, não previu na estrutura do novo Ministério Da Justiça e Cidadania a continuidade da existência da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Nesta perspectiva, as entidades subscritoras manifestam sua preocupação com a extinção do órgão, e reivindicam que a nova estrutura mantenha o espaço legitimamente conquistado, garantindo o protagonismo dos direitos da pessoa com deficiência, não se perdendo recursos humanos ou financeiros, para que possa levar adiante a sua importante missão de efetivação dos direitos assegurados na legislação nacional de promoção e proteção desses direitos, especialmente, aqueles garantidos na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, que foi ratificada no Brasil com equivalência constitucional, por meio do Decreto Legislativo no 186, de 9 de julho de 2008, conforme o procedimento do § 3º do art. 5º da Constituição. E promulgada pelo poder executivo, através do Decreto Nº 6949 de 25 de agosto de 2009 e no Estatuto da Pessoa com Deficiência, Lei Brasileira de Inclusão, Lei n.13.146, de 6 de julho de 2015.
As pessoas com deficiência representam mais de 45 milhões de homens e mulheres que ao longo da história foram marginalizadas, e tiveram seus direitos cerceados. É fundamental que o governo brasileiro continue com políticas voltadas a esse segmento como foi com o Plano Viver Sem Limite, e tenha a acessibilidade na centralidade de suas ações para garantir a igualdade de oportunidades como um princípio de suas atitudes e práticas.
Subscrevem a Nota:
OAB
AMPID
Federação Brasileira das Associações Síndrome de Down
FENAPESTALOZZI
ONCB
ABRA
FENEIS
APABB
ONEDEF
CONFEA
ABRC
FARBRA
CBDV
FENAPAES
MORHAN
Representação dos Conselhos Municipais dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Brasil
Brasília, 16 de maio de 2016.
Adeus ao gesso
Fonte: http://m.canaltech.com.br/noticia/saude/adeus-gesso-estudante-cria-acessorio-que-acelera-cura-de-ossos-quebrados-19966/
Se você já teve "a sorte" de quebrar um braço ou perna, com certeza deve ter passado pela experiência de ter o membro engessado por alguns dias ou semanas para que tudo voltasse ao normal. Há quem goste de colocar o gesso para deixar outras pessoas rabiscarem, mas muita gente acha a sensação bastante incômoda. Mas e se em vez de gesso você usasse um acessório feito a partir de uma impressora 3D?
Esse é o conceito do Cortex, um periférico de plástico que substitui o gesso tradicional por uma cobertura braçal toda vazada que, além de ser mais leve e livre de odores, dispensa todo aquele processo de engessar o braço e ainda permite que o usuário fique com o membro reto, sem precisar dobrá-lo. O projeto foi anunciado em junho do ano passado por Jake Evill, estudante da Victoria University of Wellington, na Nova Zelândia. O molde é impresso em terceira dimensão a partir de um raio X do osso quebrado do paciente.
O Cortex ainda não tem previsão para chegar ao mercado porque ainda está em fase conceito. No entanto, um novo protótipo baseado na mesma ideia promete dispensar de vez o uso do gesso e de quebra agilizar o processo de cura do osso danificado. Trata-se do Osteoid, um exoesqueleto semelhante ao Cortex e equipado com um dispositivo de ultra-som que acelera a cicatrização. As informações são do site The Verge.
Desenvolvido pelo estudante turco Deniz Karasahin, o Osteoid foi o projeto vencedor do Prêmio A'Design 2014, competição voltada para novas ideias na área da impressão 3D. Karasahin e sua equipe contam que o acessório é feito sob medida para cada usuário, é resistente a água e pode ser projetado em várias cores diferentes. "O objetivo é melhorar a experiência de todos quando o assunto é curar membros quebrados ou fraturados, concentrando-se no conforto do paciente e no tempo necessário para o corpo curar-se", dizem.
O sistema de aceleração de cura do exoesqueleto é basicamente um sistema de baixa intensidade de pulsos de ultra-som (LIPUS, na sigla em inglês). De acordo com os criadores, dois conectores são plugados em uma das aberturas do acessório para ficar em contato direto com a pele na área lesada. Feito isso, o usuário com um osso quebrado precisa utilizar a braçadeira durante 20 minutos diários para acelerar o processo de cura, que chega a ser reduzido em 38%, para fraturas mais graves, e em até 80%, para as mais leves.
Para saber como está a recuperação do membro danificado, basta olhar para o gerador de pulsos. Segundo Karasahin, no centro do dispositivo existe um mecanismo de luzes que orienta o usuário sobre o estado do osso fraturado e do tempo de sessão dos pulsos de ultra-som. Por exemplo, se o paciente atingiu o tempo de 20 minutos de utilização do gadget, luzes começam a piscar e mudar de cor, indicando que chegou a hora de encerrar a sessão.
Karasahin afirma que o Osteoid levou quatro meses para ficar pronto. O próximo passo é a criação de um sistema de bloqueio que projete melhor o membro quebrado e acelere ainda mais o processo de cicatrização.
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Leandra Migotto Certeza - escritora, jornalista e consultora
às
12:46
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segunda-feira, 9 de maio de 2016
Dia das Mães
Herança eterna
Por
Leandra Migotto Certeza.
Mãe é
aquela pessoa que nos acompanha sempre: dentro ou fora do corpo. Dela ou de
nós. Só quem tem sabe o tamanho da dor ao perdê-la. E quem nunca soube quem ela
é ou foi, sente a profundidade do seu vazio. Existem seres humanos que abusam e
até matam seus filhos. Será que elas tiveram mães? Provavelmente não, mesmo que
tenham saído do ventre de uma mulher, pois só quem concebeu seus filhos no
coração é mãe.
A minha
escolheu ser 24hs a pessoa que vive dentro de mim desde que apareci no planeta.
Não apenas porque ela é a responsável pelo meu nascimento, mas porque a minha
vida faz parte da dela. Inconsciente ou não. Escuto a voz da minha mãe sempre.
Todos os dias. Ela me vigia ao mesmo tempo em que me ensina a voar sozinha.
Quando penso em ligar para ela, o telefone toca. Digo que é ‘magia’ porque ela
lê meus pensamentos. Brigamos a cada amanhecer, por isso, cada vez nos gostamos
mais. Aprendemos uma com a outra o desafio gostoso e trágico que é viver.
Quando eu
era um bebê extremamente frágil aos olhos do mundo, só ela sabia, lá no fundo
do seu coração, que eu era mais forte do que todos. Acreditou somente em meus
olhos, brilhando por ser e estar. Como humana, acredito que minha mãe tenha tido
medo, angústia, tristeza, receio, insegurança, dúvidas, desesperos, e muita
dor. Mas como o amor incondicional de uma mãe para com seu filho sempre é mais
forte, ela prosseguiu sem hesitar em trocar de lugar comigo se fosse preciso. Os
cuidados físicos foram mais intensos nos primeiros anos, e só aumentaram quando
eu resolvi prestar vestibular, atravessar uma rua, viajar para outro país,
trabalhar, transar, me casar, entre tantas ‘loucuras’ que fiz. Imagino como
deve ter sido difícil somente estar ao meu lado pronta para me segurar em seus
braços, e não andar por mim.
Foi com
ela que aprendi o único e verdadeiro significado de estarmos aqui: amarmos uns
aos outros, mas sempre pedir nada em troca; nem mesmo um lugar no céu. Amor de
mãe não se explica com teorias, práticas ou ideologias. Apenas se sente. Eu
respiro sua herança. Sou feita de honestidade, lealdade, tranqüilidade,
bondade, dedicação, carinho, ternura, generosidade, paciência, sabedoria e
humildade que herdei dela! Também aprendi a gostar sempre de ajudar as pessoas,
simplesmente, porque somos iguais na diferença.
Diferença
essa, que nunca afastou minha mãe da minha imagem nas ruas ou dentro das casas.
Ela sempre me viu por inteira em metade de um corpo. Sempre foi as minhas ‘pernas’
e ‘braços’ em todos os momentos e lugares (e ainda é sempre que preciso, antes
de que eu peça). Sempre estava na primeira fila para me aplaudir com o maior
orgulho do mundo, mesmo que só eu conseguisse ver a sua alegria em um sorriso
tímido, mas em alguns momentos um pouco mais solto.
Minha mãe
é aquela que passa para os alimentos o gosto de prepará-los com muito carinho
às 5hs da manhã desde que nasci. É aquela ‘fada madrinha’ que deixa a casa
brilhando com tanta garra ao trabalhar em múltiplas jornadas. É aquela mulher
que consegue agradar à família sem ser vista ou referenciada. Por isso, a dor
de vê-la sofrer muito me dilacera e paralisa. Mas quando penso que agora a luz
se apagou, ouço seus passos fortes e rápidos pela casa antes de me despertar. O
café já está pronto e nenhum detalhe foi esquecido. À noite faz o jantar com a
mesma disposição que ficou o dia inteiro de pé para nos sustentar. Lava e passa
roupa na hora em que estamos dormindo; e não se esquece de comprar o que cada
um mais gosta quando vai ao supermercado. Cuida demais de nós sim. E por isso,
muitas vezes, se esquece de se cuidar. Por isso, entramos em desacordo quando
discutimos sobre a vida. Aprendemos uma com a outra, mas minha mãe me ensina
muito mais porque veio primeiro e deixou o terreno preparado para mim.
Cristina
é uma mulher de opinião forte, idéias muito criativas, grande agilidade,
rapidez, perseverança, força de vontade, e determinação. Quando criança era um ‘moleque’
que empinava pipa, jogava bola e subia no telhado. Sempre fez travessuras. Gosta
de animais, de música, artes e livros. Mas o que mais curte é esporte. Adora
ver os jogos na TV, corre, caminha e anda de bicicleta. Nunca me deixa fora de
algum passeio. O mais recente foi a viagem de trem para Paranapiacaba (interior
de São Paulo). Minha mãe fez a loucura de me empurrar (junto com meu tio) na
cadeira de rodas pelas ladeiras íngremes e cheias de buracos da cidade
histórica completamente inacessível para pessoas com deficiência física. Confesso
que nem acreditei quando vi as ruas de paralelepípedo. Meu marido disse que só
ela mesma para nos levar ali...
Ultrapassamos
inúmeras barreiras e limites, fora e dentro de nós! Foi inesquecível.
Planejamos cada minuto com tanto carinho, sonhamos com cada momento, mas só na
hora é que sentimos o poder do amor. Marcos (seu genro) ficou de boca aberta, e
disse ao deitar na cama naquela noite que também é seu filho de coração. Eu sou
mais do que filha. A amizade nos une para sempre como a melhor herança que
alguém pode receber de uma mãe!
Mãe, eu
te amo e serei sempre grata a você!
PS: Escrevi este texto em 2010. Hoje estou casada há 2 anos e vivo com o meu marido. Mas minha mãe continua cuidando de mim 24hs dos 365 dias do ano, e também do genro-filho que ganhou. É ela quem prepara pratos gostosos e leva para nós, lava a minha roupa mais delicada, faz compras no supermercado, telefona todos os dias para saber como estamos e nos dá broncas. Também ainda continua me dando carona e ajudando em tudo o que preciso.
Agora, o mais importante é que ela continua presente muito mais em ações, conselhos, conversas, e exemplos do que em recursos materiais. Como dizem, mãe e mãe, com 5 ou 40 anos de idade, menina solteira ou adulta e casada. Sempre posso contar com o amor incondicional dela e estou com ela dentro de mim porque sou o que ela me transformou: uma mulher melhor!
PS: Escrevi este texto em 2010. Hoje estou casada há 2 anos e vivo com o meu marido. Mas minha mãe continua cuidando de mim 24hs dos 365 dias do ano, e também do genro-filho que ganhou. É ela quem prepara pratos gostosos e leva para nós, lava a minha roupa mais delicada, faz compras no supermercado, telefona todos os dias para saber como estamos e nos dá broncas. Também ainda continua me dando carona e ajudando em tudo o que preciso.
Agora, o mais importante é que ela continua presente muito mais em ações, conselhos, conversas, e exemplos do que em recursos materiais. Como dizem, mãe e mãe, com 5 ou 40 anos de idade, menina solteira ou adulta e casada. Sempre posso contar com o amor incondicional dela e estou com ela dentro de mim porque sou o que ela me transformou: uma mulher melhor!
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Leandra Migotto Certeza - escritora, jornalista e consultora
às
08:34
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quinta-feira, 28 de abril de 2016
Tudo é transitório
Sobre o amor
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.
O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.
Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.
Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.
O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia.Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.
“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”. Zygmunt Bauman
Fonte: http://www.portalraizes.com/estamos-todos-numa-solidao-e-numa-multidao-ao-mesmo-tempo-zygmunt-bauman/
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Leandra Migotto Certeza - escritora, jornalista e consultora
às
13:34
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sexta-feira, 8 de abril de 2016
Irmãs da mesma paixão: literatura
[Coluna] Três jovens autoras nacionais que você precisa conhecer
Quantos autores nacionais você leu ultimamente? Deles, quantos eram mulheres? Se entrarmos em uma livraria hoje, acredito que apenas cerca de 10% dos livros pertencem a autores nacionais. Estou chutando, é claro (e agradeço a qualquer um que puder me trazer dados mais concretos sobre o assunto). Mas acho que não tenha chutado assim tão longe. Desses 10% de literatura nacional a que temos acesso, não deve passar de 1% o número de livros escritos por mulheres. Repito: esses dados não passam de “achômetro”, baseado no que percebo enquanto leitora e escritora.
Hoje comemoramos o Dia da Literatura Nacional. Não quero julgar a literatura que produzimos como melhor ou pior que a literatura estrangeira – não é o tipo de questionamento que nos caiba. O que eu quis saber com minhas perguntas é quanta confiança depositamos nos artistas nacionais. Se é tão simples depositar confiança em autores de que nunca ouvimos falar, residentes num país cujo nome é impossível de ser dito sem darmos um nó na língua, por que não fazermos o mesmo com aquele autor que tem o mesmo sobrenome que o nosso – e que morou na mesma rua que nossa avó? E se é tão fácil cultuarmos como “divas” as autoras estrangeiras, por que não repetirmos o feito com aquela autora que é tão acessível e parecida conosco? Discuto o assunto da participação literária feminina um pouco mais profundamente aqui, mas não é o meu foco no artigo de hoje. Hoje, minha ideia é apresentar para vocês três autoras – independentes! – que tive o prazer de conhecer e que acrescentaram demais à minha experiência como leitora. Prontos?
Jarid Arraes
Conheci a Jarid em um evento dos alunos do curso de Editoração da USP. Ela é uma pessoa incrível, bastante divertida. E rolou muita identificação porque somos da mesma terrinha – o Ceará. Jarid é cordelista e autora do livro “As lendas de Dandara”, um conjunto de contos narrados por Dandara dos Palmares, companheira de Zumbi. O livro foi belamente ilustrado pela escritora e ilustradora,Aline Valek.
Além disso, Jarid faz um lindo trabalho na Casa de Lua, reunindo escritoras cis e transgênero para ajudá-las com suas produções literárias – é tanto uma espécie de clube da escrita quanto um espaço de acolhimento, ajuda mútua e catarse. Os encontros são mensais e gratuitos, basta levar seu material de escrita.
Clique aqui para conhecer melhor o trabalho da Jarid. E se ficou interessado em “As lendas de Dandara“, clique aqui para adquirir uma cópia (disponível nos formatos físico e digital).
Aline Valek

Aline Valek, escritora independente e ilustradora
E por falar em Aline Valek, conheci o trabalho dessa escritora incrível graças ao twitter. A Aline já possui dois livros (digitais) publicados: “Pequenas Tiranias” e “Hipersonia Crônica”, disponíveis tanto na Amazon quanto naKobo Books. Além disto, é uma das organizadoras da coletânea de ficção científica feminista “Universo Desconstruído”. Em seu blog, a escritora fala sobre filmes, livros, feminismo e cotidiano com muita propriedade. O estilo da Aline é carregado de uma poesia melancólica muito bonita.
Para esse ano, a autora tem o projeto de criar um livro físico com os textos da sua newsletter, “Bobagens Imperdíveis”. Sou assinante da news da Aline já há alguns meses e adoro abrir minha caixa de e-mail e encontrar um textinho dela lá, pronto para ser lido. Agora que ela mudou a frequência da news para quinzenal, confesso que está me dando uma saudade imensa. Mas a espera compensa!
Lady Sybylla
Lady Sybylla, Capitã da Frota Estelar
Meu caso de amor com o Momentum Saga, blog da escritora Lady Sybylla, foi instantâneo e permanece. Embora focado em ficção científica – um assunto de que ela entende bastante aliás – o blog também abre espaço para outros temas bacanas como diversidade, participação da mulher no mercado literário e até mesmo dicas de organização pessoal (muitos úteis, por sinal).
Lady Sybylla é uma das cabeças por trás da coletânea “Universo Desconstruído”, em parceria com Aline Valek. A coletânea é focada no desenvolvimento de uma ficção científica nacional aberta à diversidade. E como pouco trabalho não é com ela, Lady Sybylla ainda consegue tempo para traduzir alguns livros de ficção científica de domínio público, como o recentemente traduzido“Robôs do Mundo, Ergam-se!”. Ela possui dois livros publicados: “Diga meu nome e eu viverei” e “Missão Infinity”, ambos disponíveis para download gratuito no blog da autora. Você paga recomendando os livros nas suas redes sociais. Recomendo demais que leiam!
Autor: Soraya CoelhoVer todos os posts de Soraya Coelho
Nascida e criada no meio de livros, descobriu sua paixão por palavras, papel e canetas coloridas ao longo de 26 anos de muita imaginação. Acredita em coisas fantásticas e se esforça para fazê-las ganhar forma. Defensora fiel do empoderamento feminino (e da existência de fadas).
Fonte: http://leitorcabuloso.com.br/2016/04/coluna-quatro-jovens-autoras-nacionais-que-voce-precisa-conhecer/
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Leandra Migotto Certeza - escritora, jornalista e consultora
às
12:31
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