terça-feira, 13 de setembro de 2011

Religião acessível

Fonte: http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=32687

Catedral do Rio de Janeiro celebrará missa com recursos de acessibilidade

Blog da Audiodescrição
Rio de Janeiro - RJ, 12/09/2011

Celebração da Santa Missa com recursos de acessibilidade

Deborah Prates

Há católicos que não frequentam a nossa Igreja por simples razões a saber: os cadeirantes informam que as suas cadeiras de rodas não passam pelos espaços garantidos à circulação. Os cegos reclamam que não conseguem ter o global entendimento dos fatos que acontecem na Missa. Os Surdos e surdocegos também não têm como participar prazerosamente dos encontros nas Igrejas em geral. Até para os idosos têm reclamações quanto a mobilidade, audição e visão nas cerimônias. Hão, outrossim que igualmente ser computados como excluídos das cerimônias as pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos.

Diante dessa breve explanação e por serem os católicos 57% (censo demográfico 2000) da população é que cumprirá ao nosso admirado e estimado "D. ORANI" celebrar a PRIMEIRA SANTA MISSA TOTALMENTE ACESSÍVEL NA nossa "CATEDRAL". Sem titubeios foi que "D. ORANI" disse SIM ao ouvir a solicitação e marcou a cerimônia para o DIA 23/SETEMBRO/2011, ÀS 10:00H., NA "CATEDRAL".

De forma concisa, a AUDIODESCRIÇÃO é a TRANSFORMAÇÃO DAS IMAGENS EM PALAVRAS. Com esse importante recurso de acessibilidade o cego pode, verdadeiramente, sentir-se INCLUÍDO no contexto dos acontecimentos ao mesmo tempo que as pessoas SEM deficiência visual. Vale frisar que a audiodescrição amplia também o entendimento de pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos.

A presença de intépretes de LIBRAS também se faz obrigatório com os demais recursos, a fim de que as pessoas surdas também usufruam igual direito as INFORMAÇÕES em condições de IGUALDADE com todos os demais.

Algumas providências bem mais simples hão que ser tomadas, de modo a beneficiar o trânsito/acesso/circulação das pessoas com mobilidade reduzida, tais como os cadeirantes, usuários de bengalas, de muletas e outros meios de locomoção. Para tanto hão que ser redimensionados os espaçamentos entre os bancos, bem como deverão ser observadas se as rampas de acesso permitem a esse seguimento uma afluência confortável, sem constrangimentos/impedimentos. Por mais esse contexto é que foi escolhida a "CATEDRAL", vez ser uma Igreja de construção moderna, o que facilita o conforto nesses aspectos.

Algumas Instituições estão apoiando a iniciativa, pelo que a sua participação será imprescindível na inteiração da semana da conscientização da sociedade na "LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA". Pedimos a divulgação dessa iniciativa de amor e solidariedade. Convide o seu vizinho, amigo, colega de trabalho, ...

Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro

Quando: 23 de setembro de 2011
Horário: 10:00h
Endereço: Avenida Chile 245, Centro - Rio de Janeiro, RJ
Informações: (021) 2240-2669 ou 2262-1797

Ela vai dançar sim!

Fonte: http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=32682

“Não mudaria nada em Beatriz”, diz Lindbergh Farias, sobre a filha Down

Época
Rio de Janeiro - RJ, 12/09/2011

Senador do Rio de Janeiro fala da experiência de ser pai de uma menina com Síndrome de Down

Isabel Clemente

O jeito expansivo lembra o líder estudantil dos cara-pintada, os jovens que saíram às ruas pedindo o impeachment do presidente Fernando Collor em 1992. Mas quem fala agora é o senador e pai de família Lindbergh Farias (PT-RJ), 41 anos, casado há 17 com Maria Antonia, união que resultou em Luiz (15) e Beatriz (1 ano e 2 meses). “A gente já pensa em outro filho, e só de pensar o clima fica maravilhoso”, diz Lindbergh, rindo, gesticulando, animado.

Beatriz nasceu em junho de 2010, pouco antes do início da campanha eleitoral que faria de Lindbergh o senador mais votado do Rio de Janeiro, com 4,2 milhões de votos. Beatriz, pequena demais, apareceu no colo do pai, ao lado do irmão e da mãe, no momento “esta é minha família” da propaganda eleitoral na TV. Baixa o pano. Nada mais foi dito. O que ninguém viu, e nem todo mundo soube depois, é que Beatriz é diferente. Tem Síndrome de Down. Pai e mãe foram informados depois do parto. Descobriram o universo das pessoas com deficiência e suas necessidades especiais. Entraram de cabeça nele. “Eu já abracei muitas causas na minha vida, mas esta causa me abraçou”, diz Lindbergh.

A probabilidade de nascer um bebê com Síndrome de Down é de um para 600 nascidos vivos. A chance aumenta com a idade dos pais, mas pode acontecer em qualquer família, em gestações de mulheres de qualquer idade e raça. A Síndrome de Down é um acidente genético. Todo ser humano tem 23 pares de cromossomos. O portador da Síndrome tem um cromossomo a mais ligado ao par 21. “Não existem graus de Síndrome de Down e as diferenças de desenvolvimento decorrem de fatores individuais, como carga genética, educação e meio ambiente”, diz o texto explicativo do site Fundação Síndrome de Down, uma boa referência para quem quer saber mais sobre o tema. As crianças com a Síndrome apresentam atrasos no desenvolvimento motor e na fala.

A filha de Lindbergh está com 1 ano e 2 meses. Fica de pé e ensaia os primeiros passos. O senador saca o celular e mostra o vídeo da neném. Aparece uma menininha de cabelos lisinhos, franja e perninha grossa se apoiando numa cadeira. Depois de uns instantes, ele cai sentadinha. Sem tirar os olhos da telinha, ele me pergunta:“Não é uma gostosa? Olha, é uma paixão en-lou-que-ce-do-ra. Ela sai do colo de qualquer um para o meu. Até da mãe! É um prestígio!!”.

Dia desses, num avião ao lado da presidente Dilma Rousseff, Lindbergh fez a mesma coisa. Mostrou fotos de Beatriz e viu fotos de Gabriel, o neto da presidente. “Você sabia que a presidente também conhece a Galinha Pintadinha!?”, diz, às gargalhadas, revelando o sotaque paraibano no “pintadinha”. “A gente com filhos vive num mundo paralelo. Eu quero sair na rua com Beatriz atrás dos cachorros. Conheço todos da vizinhança, tem o Luigi…tem o…”, diz, se divertindo com a própria história. “Tem coisa mais simples e feliz do que isso?”

A entrevista é interrompida porque há novidades no Plenário, um assessor avisa. É quarta-feira, dia que quase tudo acontece no Congresso. O senador pede licença. Precisa votar, mas promete retornar ao gabinete. Está disposto a falar mais da família. Lindbergh é daqueles que atribuem aos filhos o dom de tornar os pais pessoas melhores, “mais sensíveis”. Faz troça de si mesmo. Desanda a contar cenas domésticas corriqueiras.

“Noite dessas, eu estava tomando cerveja com um grande amigo, falávamos de família e tal. Lá pelas tantas eu viro para ele, já quase com um certo ar de superioridade, e tasco um ‘mas sua filha é normaaaal!’, diz, elevando o tom de voz, antes de rir de si mesmo com a onda que tirou. “É que Beatriz é maravilhosa”.

Lindbergh volta do Plenário, como prometido. A conversa segue. Sobre as dificuldades de lidar com uma criança especial, ele para pra pensar e diz o seguinte: “Eu sou tão feliz com ela. Ela é tão maravilhosa. Eu não queria um detalhe diferente em Beatriz”. E, para deixar claro que não está encarando tudo como um problemão, revela que sua maior preocupação são os outros.

O inferno são os outros

“Tem deficiências e deficiências”, diz Lindbergh, propositadamente evitando enveredar pelas dificuldades maiores que muitas famílias enfrentam, conforme revelam esses dois posts antigos aqui do blog. “O Down tem muitas alegrias, grandes conquistas. Às vezes, os de fora olham de um jeito que não é o mesmo jeito de quem vive de perto. Você fica preocupado com o preconceito, claro. Vai ter a escola…Como vai ser na escola? A gente não quer que nosso filho sofra”, diz, sério, pensativo. “Mas vai rolar, ela vai ter que enfrentar, e nós também”.

Lindbergh parece lembrar de algo mais, antes de mudarmos de assunto. “No início, é sempre mais difícil. Teve uma coisa que um geneticista me disse…”. Ele se cala de repente. “Ele disse assim ’ninguém vai chamar tua filha para dançar’”. A voz faltou em algum trecho da frase. Com os olhos vermelhos e marejados, ele tenta prosseguir. “Eu desabei…eu desabei. Como assim ninguém vai chamar minha filha para dançar!?” Num esforço para se recuperar da emoção, ensaia continuar. “Desculpe, é bobeira minha…”
Silêncio no gabinete.

Beatriz, como outras crianças com a Síndrome, irá conviver com iguais e diferentes. Perceberá com o tempo as próprias limitações e aprenderá a lidar com elas. Ela vai dançar sim, remenda o pai. “Vai ter a festa das crianças e dos adolescentes como ela, vai ter festa com outros. Ela vai dançar. Vai freqüentar esses dois grupos. Maria Antonia diz que ela será independente, que vai morar sozinha!!”, diz Lindbergh, com o sorriso fácil de novo no rosto. 

Um dos mais graves erros de conduta com as pessoas Down, num passado não muito distante, era encará-las como doentes. A Síndrome de Down não é doença, mas muita gente não sabe disso. Por ser uma alteração genética, não tem cura. Hoje, o grande equívoco é infantilizar essas pessoas. Tratá-las eternamente como crianças, alertam os especialistas, o que só faz reduzir suas potencialidades. Essas crianças podem e devem estudar. Quando adultos, terão direito ao trabalho e poderão ter um relacionamento afetivo e vida sexual. Precisam, portanto, de educação e informação.

Como presidente da subcomissão permanente de Assuntos Sociais da Pessoas com Deficiência, Lindbergh decidiu buscar soluções para entraves corriqueiros e sérios na vida dos brasileiros necessitados de assistência especial. Em vez de brigar por uma lei e enveredar por complicadas negociações, ele resolveu bater na porta do Palácio do Planalto e convidar a presidente Dilma a comprar a briga. “Muita coisa pode ser resolvida com decretos presidenciais, portarias ministeriais e outros atos legais menos complicados”, disse.

No mesmo dia em que tomou posse na Casa Civil, a ministra Gleisi Hoffman chamou o senador para conversar. Foi encarregada pela presidente da República de tomar conta do assunto.Voaram ofícios do senador para a presidência, e para 11 ministérios. Seguiram-se reuniões e negociações. Esse trabalho-formiga está dando forma a um grande programa a ser anunciado por Dilma Rousseff no dia 21 de setembro. Trata-se de um conjunto de ações que vão da obrigação de incluir o diagnóstico precoce de autismo e Síndrome de Down no protocolo médico de atendimento aos recém-nascidos até a criação de um regime especial de aposentadoria para os trabalhadores com Down. A expectativa de vida dessas pessoas gira em torno de 43 anos. Não faz sentido exigir delas 30 anos de contribuição com o INSS como os demais, para ter o mesmo direito à aposentadoria.

Outras histórias

Políticos são procurados por pessoas em busca de soluções para os problemas mais diversos. Foi assim que Lindbergh conheceu Fausto, um rapaz carioca autista que havia sido aprovado na prova de habilidade específica de Música para a Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas foi reprovado no Enem. Fausto estava frequentando as aulas como ouvinte, até uma reunião entre o reitor, Lindbergh e os pais do candidato a aluno. Agora, ele estuda oficialmente e poderá se formar. “Olha que sensacional. A gente fica aqui no Congresso pensando em grandes projetos, e de repente tem essas pequenas vitórias que fazem toda a diferença na nossa vida”. O mais engraçado, conta Lindbergh, foi a sinceridade do rapaz. “No primeiro encontro ele foi logo me avisando ‘ó, não votei em você não. Votei no Cesar Maia!”.

No último domingo, o senador Lindbergh Farias embarcou para Nova York. Com a deputada federal Rosinha da Adefal (PTdoB/AL), uma das cadeirantes eleitas em 2010, ele integra a delegação brasileira da Conferência dos Direitos da Pessoa com Deficiência, das Nações Unidas.
Dados preliminares do Censo 2010 indicam que o contingente de brasileiros com deficiência aumentou em pelo menos 3 milhões de pessoas, estatística inflada cada vez mais por vítimas de acidentes de trânsito. Se esse dado se confirmar, há 28 milhões de brasileiros convivendo com deficiências. O maior problema desse grupo não são as próprias limitações, mas a falta de estrutura no país para exercerem a própria autonomia.

Deixo com vocês um vídeo do Ariel e suas “dicas de cidadania”. Esse vídeo é um trabalho da Oscip Vez da Voz, que se propõe a lutar pelos direitos das pessoas com deficiência. É um recado, curto, bonito e necessário. Divulguem. As nossas diferenças fazem do mundo um lugar mais interessante.

Inclusão escolar é possível


Fonte: http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=32689

Para incluir deficiente auditivo, escola do RS alfabetiza em libras

G1
Rio Grande do Sul, 12/09/2011

Aluno não se adaptou a aulas especiais e voltou para a escola do bairro. Professora da rede municipal do RS cursou libras para ensinar a turma

Ana Carolina Moreno

Os 19 alunos de uma turma do 1º ano do Fundamental no Rio Grande do Sul estão sendo alfabetizados em duas línguas: português e libras, a linguagem brasileira de sinais. Em nome da inclusão de um dos alunos, que desenvolveu surdez profunda depois de contrair meningite quando era bebê, o colégio desenvolveu uma parceria inovadora. E o resultado vem beneficiando toda a classe.

Filho de ex-alunos da Escola Municipal Professor Gilberto Jorge Gonçalves da Silva, na periferia de Porto Alegre, o garoto, hoje com oito anos, estudou lá desde o jardim de infância, mas foi transferido para um colégio especial para surdos ao iniciar o ciclo de alfabetização, em 2010.
Como não se adaptou à nova rotina e à longa distância entre a casa e a escola, a mãe do aluno decidiu fazer uma campanha para rematricular a criança no colégio do bairro.

A campanha deu certo. O menino voltou à antiga escola. Para recebê-lo, a orientadora educacional da instituição, Suzana Moreira Pacheco, criou um sistema de parceria com a escola especial para surdos Salomão Watnick, também da rede municipal. Desde agosto do ano passado, um estagiário foi contratado para servir de intérprete.

Três vezes por semana, o garoto frequenta a escola regular, onde a professora Valéria Cé Guerisoli guia a turma de 19 crianças na alfabetização com letras e sinais.
Nos outros dias, ele participa de atividades na escola especial, onde pode interagir com outras crianças surdas.

Segundo Suzana, a Prefeitura de Porto Alegre mantém a escola dedicada a atender às necessidades das crianças com deficiência auditiva. Mas, como não houve adaptação nesse caso, foi desenhada uma "organização que funciona para o aluno". Ela afirmou que "entre o ideal e o possível existe um intervalo, mas muita coisa dá pra fazer".

Benefícios 

Aos 40 anos e com 17 de carreira no ensino público, Valéria conta que frequentou um curso de libras durante um ano, já sabendo que poderia receber o garoto em sua turma. Segundo ela, aprender a linguagem de sinais não é só um conhecimento a mais para os alunos.
"Ela contribui para todos. Aquela criança que estava levando mais dificuldade para reconhecer a letra C, por exemplo, quando eu faço o uso do sinal com a mão ela começa a sentir mais facilidade", explicou.

A aprendizagem dos números também fica mais fácil, segundo Valéria. "Eles não sabem escrever '34', porque não associam o 'tri' de 'trinta' ao 'tre' de 'três', mas em libras eles sabem contar."
A professora afirmou que as crianças veem a linguagem de sinais "como um brincar, é quase um jogo de mímica". Elas inventaram sinais que correspondem ao nome de cada uma e, às vezes, querem até inventar novos sinais, quando não sabem se referir a algo.

Inclusão 

A escola Gilberto Jorge Gonçalves já vivenciou outras experiências de inclusão. "Temos alunos autistas, cada um é de um jeito completamente diferente", explicou Valéria, que se lembra de uma turma com até seis crianças portadoras de algum tipo de deficiência.

A diversidade nas salas de aulas incentivou a tolerância e o convívio pacífico entre os alunos. Certa vez, contou a professora, um colega emprestou sua cola para o aluno surdo, mas ele se esqueceu de devolvê-la. Em vez de se irritar ou tomar o objeto à força, o colega buscou Valéria para aprender o sinal que deveria usar na conversa com o amigo. "Isso é muito natural para mim, para os outros professores e para os alunos da escola", disse ela.

Aumento de alunos com deficiência matriculados

Fonte: http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=32694

Frequência escolar de crianças com deficiência triplica em três anos

Pantanal News
12/09/2011

Acompanhamento dos alunos que recebem Benefício de Prestação Continuada incentiva frequência

da Redação

O acompanhamento das crianças com deficiência, beneficiárias do Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social, resultou num aumento de três vezes na frequência escolar: o índice de presença desses jovens passou de 21% para 53% entre 2007 e 2010. Há quatro anos, dos 375, 3 mil beneficiários, 78 mil estudavam. Em 2010, essa proporção saltou para 229 mil em 435,9 mil beneficiários nessa faixa etária.

A experiência brasileira, existente em 2.622 municípios, será apresentada em um debate promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nesta quinta-feira, 8 de setembro, nos Estados Unidos. Na 4ª Conferência das Nações Unidas sobre Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, o programa do Brasil servirá de exemplo a ser seguido por países em desenvolvimento que queiram adotar o modelo brasileiro.

Parceria entre os ministérios do Desenvolvimento Social, da Educação, da Saúde e a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, o BPC na Escola desenvolve ações que estimulam a matrícula, na rede de ensino, de estudantes de até 18 anos.

Falando em nome do MDS, a diretora da Secretaria Nacional de Assistência Social, Maria José de Freitas, explicará como funciona o BPC na Escola. “O BPC na Escola foi escolhido como uma das experiências de sucesso do Brasil por aportar melhor qualidade de vida a esse público, criando mais oportunidades de inserção escolar e junto às demais políticas”, garante a diretora.

BPC – Garantido pela Constituição, o BPC equivale ao pagamento mensal de um salário mínimo a idosos a partir de 65 anos e a pessoas com deficiência. Atualmente, mais de 3,7 milhões de pessoas recebem o benefício, incluindo crianças e adolescentes.

Pedagogia ao alcance de todas e todos

Fonte: http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=32685


Educação Inclusiva é tema de estudo do curso de Pedagogia Unesp/Univesp

Unesp
12/09/2011

Aula inaugural contou com entrevista, ao vivo, da professora autora, pela Univesp TV

Pamela Bianca Gouveia

Estudantes do curso semipresencial de Pedagogia, oferecido pela Unesp no projeto Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) começaram, em 22 de agosto, os estudos do Eixo Articulador: Educação Inclusiva e Especial. A proposta dessas aulas, que serão intercaladas entre as disciplinas do currículo base, é oferecer instrumentos de análise das políticas e práticas de inclusão escolar de pessoas com deficiência.

O material foi elaborado pela professora Elisa Tomoe Moriya Schlünzen em conjunto com as assistentes Renata Rinaldi e Danielle Santos, todas do Câmpus de Presidente Prudente. A temática será dividida em cinco partes, com um total de 120 horas.

Na primeira aula, os estudantes assistiram a uma entrevista ao vivo com a professora Elisa, no estúdio da Univesp TV – canal digital (2.2) da multiprogramação da TV Cultura, e participaram com o envio de perguntas pela internet. O vídeo também está disponível no Acervo Digital da Unesp, no link:http://www.acervodigital.unesp.br/handle/123456789/40184

Durante as aulas de todo o Eixo Articulador, os alunos - que são professores em exercício na Educação Básica, serão instigados a realizar atividades e estudos sobre as ações práticas e pedagógicas da classe comum, refletir sobre o apoio do Atendimento Educacional Especializado (AEE). “Ao final deste Eixo, esperamos criar um espaço de análise da própria atuação profissional. Eles serão levados a analisar as práticas e os recursos que podem ser utilizados para uma perspectiva de escola inclusiva - como a promoção de atividades escolares que desenvolvam as habilidades de todos os alunos, incluindo as pessoas com deficiência”, afirma Elisa.

Dentre os principais temas que serão abordados, estão: política de educação inclusiva e adaptações curriculares; trabalho com projetos e apresentação de tecnologia assistiva e objetos educacionais; tecnologias educacionais digitais para o trabalho com conteúdos específicos e planos de Ensino e Projetos - para articulação dos diferentes conteúdos das metodologias de ensino.

Sobre o Projeto Unesp/Univesp

O programa da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) surge com a proposta de ampliar as chances de acesso à educação pública superior, oferecidas à população do Estado de São Paulo. No âmbito da Univesp, a Unesp oferece o curso semipresencial de Pedagogia, cujo objetivo é oferecer formação em nível superior para professores em exercício na Educação Básica, preferencialmente na rede pública de ensino. Este é o primeiro curso de graduação a distância oferecido pela Universidade.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Vivo intensamente com o meu corpo do jeito que ele é




Descrição das imagens: foto minha com o Marcos na praia nos beijando na boca em 2009, e outra foto quando posei para um lindo ensaio sensual de Vera Albuquerque. 

AMO ser uma LINDA baleia pequena!


BALEIA OU SEREIA?

por Gabi no facebook


Ontem vi um outdoor da Runner, com a foto de uma moça de biquíni e a frase:


"Neste verão, qual você quer ser? Sereia ou Baleia?


"Respondo:Baleias sempre estão cercadas de amigos.
Baleias têm vida sexual ativa, engravidam e têm filhotinhos fofos.
Baleias amamentam. 
Baleias nadam por aí, singrando os mares e conhecendo lugares legais como as banquisas de gelo da Antártida e os recifes de coral da Polinésia.
Baleias têm amigos golfinhos. 
Baleias comem camarão à beça.
Baleias esguicham água e brincam muito. 
Baleias cantam muito bem e têm até CDs gravados.
Baleias são enormes e quase não têm predadores naturais. 
Baleias são lindas e amadas.
Sereias não existem.
Se existissem viveriam em crise existencial:"Sou um peixe ou um ser humano?"


Runner, querida, prefiro ser baleia !
Garotas Reais Não São Perfeitas
Garotas Perfeitas Não São Reais

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sem torcer o nariz!


Hoje é o dia das alegrias com os amigo do peito. Primeiro o Zé Roberto e agora o Alex. 

Maravilhoso ler esta crônica do meu querido amigo-primo (torto porque eu empresto ele do meu primo rsrsrs). Alex foi um dos poucos caras que não torcia o nariz quando me acompanhava ao cinema junto com o meu amado 'priminho'. Explico a cena: eles têm provavelmente quase 2 metros e eu 96 centímetros (de puro convencimento rsrsrs)!!!


Esse menino doce (carinhosamente chamado por mim assim porque sou 'chata' mesmo com quem gosto e gosta de mim), é um ótimo profissional, escreve bem pra caramba, e ainda tem um coração de ouro e uma paciência de Jó para cuidar do lindo Lar dos Cães, deixado por seu pai de herança (que presente... rsrs). 

Quanta saudade dos nossos encontros.. Graças à ele e os amigos legais dos meus primos Dadu e Sil, tive uma adolescência um pouco mais tranquila. Aprendi a dar bananas aos garotos idiotas preconceituosos que viravam o rosto para não me beijar.  

Espero que conviver comigo um pouco tenha sido legal também para o Alex pensar sobre a diversidade da vida. 

Continuem assim querido Alex: inteligente e com um humor incrível! Beijos, Lê


Prova de obstáculos

Item emprestado: um par de muletas; Linha do tempo: só esta semana

Comentário SACIAlex Xavier tem 36 anos, vive em São Paulo, “está” jornalista e trabalhou na Rede SACI em 2003.

Alex Xavier

Ironias do destino: logo após publicar o post anterior, sobre caminhadas, torci o tornozelo e fui obrigado a imobilizar o pé. Até ontem, estava de muletas ou dando pulinhos em uma perna só. Eu deveria ter sossegado o facho em casa, aproveitando que me dei folga por uma semana (é bom ser meu próprio chefe). Mas não consegui ficar parado. Nos últimos dias, tropecei em desníveis, trombei em postes e caí em buracos em agradáveis passeios pelas caóticas ruas de São Paulo.

Uma hora ou outra, todos nós seremos pessoas com mobilidade reduzida. Seja porque engessamos o pé, estamos carregando malas ou, simplesmente, envelhecemos e não temos mais a agilidade da juventude. Acessibilidade deveria ser uma questão de toda a sociedade e não apenas de deficientes físicos. Tomei consciência disso em 2003, quando voltei ao Brasil após um ano sabático na Europa e tive dificuldade de encontrar emprego em redações (muita gente sendo demitida na época e eu querendo entrar…).

Fui atuar como jornalista, a convite da socióloga Marta Gil, na Rede SACI, um projeto da Universidade de São Paulo que trabalha com divulgação de informações sobre deficiência e acessibilidade. Além de atualizar o portal com notícias sobre o tema, a gente produzia reportagens e entrevistas e participava de encontros e congressos. O mais bacana é que a página investe em inclusão e possui ferramentas para que todos a acessem, mesmo deficientes visuais ou auditivos.

Eu adorava o ambiente de lá, bem jovial. Foi uma oportunidade de experimentar a vida no campus. Já que não passei na Fuvest quando prestei e a Fiam, onde cursei, tinha um prédio com jeitão de colégio, aqueles meses saciaram minha curiosidade acadêmica. Principalmente, no que diz respeito à alimentação, almoçando no bandeijão, no dogão ou na lanchonete do teatro, nas imediações da Praça do Relógio, onde ficava o nosso escritório. Também foi lá que conheci histórias de pessoas que não colocavam sua deficiência como desculpa para abandonar seus sonhos.

Não sou uma pessoa otimista. E até gosto disso, pois não conto com a vitória antes da hora. Sou bastante racional e tenho consciência de tudo que pode dar errado. Sinto até medo de falhar. Agora, nada disso me impede de tentar. Acho que aprendi a não desistir fácil diante de dificuldades. Às vezes, surpreendo-me com a forma como enfrento algumas situações bastante complicadas mantendo o bom humor. E aquela temporada “uspiana” de 2003 tem certo mérito nisso, pois me ensinou a não ver um obstáculo maior do que ele é. Hoje, não é qualquer torção que me derruba.

***
Assento preferencial

Na ausência de deficientes físicos, idosos, gestantes e pessoas com criança de colo, aqueles assentos preferenciais em ônibus e metrô podem ser usados por qualquer um. Mesmo assim, fujo deles. Não apenas por respeito, mas para não me estressar. Primeiro, porque, em São Paulo, nenhum transporte público fica tão vazio por muito tempo e logo eu teria de dar lugar a alguém. Segundo, porque tem velhinhas que não assumem a idade e se ofendem quando um jovem oferece o lugar. Inédito foi quando experimentei uma troca de papéis. Antes de operar o estômago, fiz um exame horrível (acho que se chama manometria ou PHmetria), que consistia em enfiar um catéter pelo meu nariz, passando pelo esôfago, para medir como minha digestão agia. Um dia inteiro com aquilo. Fui de metrô e, na volta, com aquela aparelhagem nada discreta, chamei a atenção. Tanto que uma senhorinha se levantou do assento preferencial para que eu sentasse.

__ Calma, minha senhora – respondi – Não estou morrendo. Este é apenas o meu iPod.
Destino: voltam hoje mesmo para as mãos do dono

A vida como ela é!

Reportagem ótima! Texto gostoso de ler e escolha certa para falar sobre a importante data 21 de setembro - Dia Nacional de Luta pelas Pessoas com Deficiência (não é dia 29 como está na matéria).

Leiam e comentem. Eu recomendo porque conheço o querido e inteligente Zé desde 2001, sou amiga do pessoal da FDC de SP (carinhosamente chamados de dinossauros da inclusão), e temos muitas histórias para contar sobre a vida com deficiência em um país ainda muito excludente e com uma das maiores disparidades sócio-econômicas e má distribuição de renda do mundo!

O Zé e sua linda família são um exemplo de vida sim! Principalmente para os políticos corruptos que não tem um pingo de vergonha na cara!! 

Fonte: http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=32583


Uma vida com paralisia cerebral

Saci
São Paulo, 23/08/2011

Zé Roberto, com paralisia cerebral, nos abriu a casa e a vida.

Eduardo Nascimento e Lia Segre

Casa

Zona Leste, rua Plínio Cavalcanti. A estação do metrô mais perto era a Artur Alvim, mesmo que não parecesse perto. Deve ter levado entre dez e quinze minutos subir aquelas ruas curvas e íngremes até a casa térrea de José Roberto Amorim - conhecido como Zé Roberto, ou só Zé. Bairro residencial, algum comércio. Não avistamos prédios nem no horizonte. Uma São Paulo bem diferente do centro e de outros bairros - até o céu, um azul intenso que não passou desapercebido.

Zé está sentado em sua cadeira, sua esposa atrás - blusa rosa pink - e sua filha sentada em uma pequena poltrona fúcsia, aos seus pés, do seu lado direito. Ao fundo uma parede branca com alguns retratos, e uma porta de madeira que dá para um quarto. O chão é de piso cor de laranja, como cerâmica.
Zé com a família
A casa, simples, três quartos, bege. Amarronzada. Roberto nos esperava a poucos metros do portão de grade, que só estava fechado, não trancado. Ouvia rádio – uma mania, disse – sentado na sua cadeira de rodas doada, que não era boa, reclamou, mas era doada pelo menos. Uma adaptação rústica, como um caixote de madeira, mantia seus pés firmes e atados à cadeira de rodas. Desligou o rádio com a língua e nos convidou a entrar.

Na sala ampla, uma grande estante de madeira com todos os tipos de tralha de uma casa de família. Nas paredes fotos antigas, preto e branco, de rostos que não reconhecemos. Zé mora com sua mãe, percebemos depois.

Longe de ser uma casa cheia de tecnologias sofisticadas, de aparências esdrúxulas, ganchos, fios, jeringonças, a casa de Zé Roberto era parecida com a maioria das que já tínhamos visto.

O banheiro talvez seja a parte mais modificada da casa. Com vaso rebaixado, sem divisória para o box. Na cozinha, não notamos alguma adaptação, a não ser uma boa parte da mesa sem cadeiras em seu entorno, de modo que Zé Roberto poderia se aproximar empurrado por alguém. Até gosta de comer sozinho às vezes - “como um cachorrinho”, brincou, pegando a comida com a boca já que não tem coordenação nas mãos. Seu maior sonho é que um dia sua filha, Yara, de dois anos, lhe dê comida na boca.

Tivemos a impressão de que a única parte que ele não podia freqüentar era o banheiro dos fundos, visto que era separado do chão por um par de degraus. O quintal é também o depósito da casa, com caixas de brinquedos, e cadeiras de banho, uma para ele e uma para sua mãe, que já está com 92 anos.

Quem vê Roberto pela primeira vez talvez não imagine que ele escreva no computador. Mas além de escrever, está preparando um livro com a história de sua vida. O título provisório é “Memórias”. Para isso, ele usa o Word e faz tudo com a língua. Por isso, o teclado é inclinado verticalmente – quase 90° -, e o mouse, com os botões invertidos, tem uma grande bola vermelha, que ele também mexe com a língua. Durante nossa visita, escreveu apenas seu nome como demonstração, sem erro de digitação. Seus espamos o impediram de escrever mais urante nossa visita. Quando está nervoso sua deficiência aflora, nos explicou.

Essas adaptações no computador foram feitas para ele especificamente. Comentou de um amigo que prefere o computador na posição horizontal usual. É por isso que não dá pra fazer linha de montagem com objetos adaptados, cada um tem uma necessidade. A melhor adaptação é com o deficiente opinando junto. Não importa terem os melhores profissionais de TO do mundo, se não tiver a opinião da própria pessoa que usará a tecnologia - há de se levar em conta muitas particularidades.

Zé utiliza muito o telefone também. Tinha um telefone adaptado, mas quebrou, mandou pro conserto e até agora não voltou (há dois anos). Uma boa coisa é viva voz. Hoje em dia tem um telefone com viva voz. Quando fala no celular, é preciso que segurem para ele. Zé, desde quando você tem deficiência física?

O teclado é fixado na vertical, com um suporte que o aproxima da cabeça de Zé. Ao lado esquerdo do teclado está o mouse, um suporte com uma grande bola no meio e dois botões dos lados.
Teclado de Zé, adaptado para que ele possa mexer com a língua

Primeiros anos

Eu já nasci assim, a paralisia cerebral é falta de oxigenação no cérebro. Em algum momento na gravidez, ou na hora do parto, faltou oxigênio e alguns neurônios morreram e, vocês sabem, eles não se regeneram. Em 1953 a ciência não tava tão avançada, a parteira que ajudou minha mãe foi minha vó. Mas hoje em dia continua tendo gente com paralisia cerebral, ainda não sabem porque.

Com um ano, eu não conseguia ficar sentado nem tinha firmeza no pescoço. Os médicos achavam que era falta de vitamina e me entupiram de vitamina. Mais tarde minha mãe descobriu que eu tive a paralisia e começou a me levar no fisioterapeuta. Não tinha nem cadeira de rodas e minha mãe me levava no colo.

Não fui para a escola, não tinha alternativa naquela época, tinha vontade de estudar, mas as escolas não aceitavam. Aos seis anos, eu fui internado na AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente -, que naquela época ficava nos Campos Elíseos, e fiquei oito anos lá, até 1967.

Cursei até a quarta série e aprendi muita coisa, mas uma coisa que nunca entendia era quando os terapeutas ocupacionais me colocavam num exercício de por cadarço em tênis. Tudo bem, treina a coordenação motora, tal, mas hoje em dia eu não ponho cadarço no meu tênis, e fiquei uns quatro anos fazendo isso - pra que? O que isso significa na minha vida atual?. Me colocavam num aparelho e eu conseguia andar, mas pra que, se hoje eu não consigo andar?

Lá eu descobri que havia muitas pessoas como eu. Mas meus pais só me visitavam uma vez por mês e me sentia um pouco sozinho, mas vendo hoje acho que foi positivo eu ter ficado lá. Naquela época não tinha opção. Família pobre ainda...

Quando saí de lá, não sabia me comunicar com meu vizinho. Fui para casa aos 14 anos, e me senti lesado. Na AACD Não te diziam que você não ia conseguir pegar ônibus, andar de cadeira de rodas na rua. Lá tudo é adaptado, mas do lado de fora num tem banheiro adaptado, rampa em todo lugar. Aqui em casa, meu pai, toda vez que juntava um dinheirinho, construía mais um cômodo e já adaptava.

Eu praticamente não saí de casa até os 30, era uma “internação domiciliar”. Vi meus três irmãos crescerem, se divertirem, namorarem, irem a festas com os amigos, e eu só com meus pais. A rua era de terra e tinha um degrau na saída, então eu quase não saía. Sábado a noite era um tédio.
Além disso, meus pais não entendiam meus desejos de adolescente, e reprimiam minha sexualidade. 

Eu ficava o dia inteiro olhando o portão, vendo as pessoas passarem. Via a menina bonita passando e acontecia o que é natural, meu pais diziam que eu tinha feito xixi na calça, não me explicavam que aquilo era normal.

Fraternidade Cristã

Só comecei a sair quando conheci a Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência (FDC). Foi a melhor reabilitação possível. Lá na Fraternidade falavam o contrário do que falaram na AACD: que eu podia fazer tudo. Todo terapeuta devia perguntar a seus pacientes: “o que o deficiente quer ser na vida? o que ele tem vontade?” Não adianta a sociedade dizer que você não pode. Por que aí que eu vou ficar com mais vontade de fazer mesmo. O importante é eu descobrir o que posso e não posso.

A FCD começou na França, em 40. Tinha um seminarista - Henri François - que tinha uma doença pulmonar e queria porque queria ser padre, aí acabaram ordenando ele, mas colocaram ele para trabalhar no hospital da cidade – Verdun. Lá, ele realizava reuniões entre os deficientes do hospital, que eram muitos, por causa da guerra. Essa organização cresceu eu se tornou internacional.

Ela veio para o Brasil na década de 70, na mesma época em que muitas outras entidades começaram a surgir no País, como o Núcleo de Integração de Deficientes (NID) e o Movimento dos Direitos da Pessoa com Deficiência (MDPD).

A unidade de FCD daqui segue o modelo francês. A gente faz grupos de debate, luta pelos nossos direitos e integra a comunidade. São cerca de 30 pessoas e nem todos têm deficiência e vocês não sabem o quanto é importante a comunidade para a pessoa com deficiência. Porque se eu não consigo pegar essa almofada, você consegue. Deus me tirou as duas mãos, mas me deu dez, vinte. Fico feliz quando percebo, no fim do dia, que eu não deixei de fazer nada.

Em 1998 eu voltei a estudar, tinha 48 anos. A escola que me aceitou não tinha adaptação, e eu ficava só nas salas do térreo. No começo, ninguém chegava perto. Aí, na época de provas, comecei a ajudar os colegas. A professora fazia uma prova oral comigo na sala de estudos, e meus colegas passavam para ir ao banheiro, e acabavam por ouvir as respostas. A partir daí eu me entrosei e a gente passou a, juntos, a reivindicar melhorias na escola, já que eu era o mais “cara de pau”.

Depois de completar os estudos, fiz vários cursos - de fisioterapia na USP, de artesanato -, e num deles conheci a Zelinda, minha esposa - que também tem deficiência física. Eu esbarrei no trabalho dela e ela ficou brava comigo. Depois, pedi desculpas e acabamos saindo pra jantar. Precisava de alguém para me dar comida na boca, ela se ofereceu e continua dando até hoje. Nos casamos há três anos, e há dois temos a Yara, nosso maior tesouro!

Vida pública

Depois que começou a militar via FCD, não parou mais. Uma das suas atuações mais importantes foi no Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência. O movimento brigou por transporte, rampa, atendimento.“Se as entidades não atuassem, hoje nenhum deficiente pegaria metrô. Hoje, quem vê o elevador na Sé não sabe, mas aquilo foi briga de anos”. Zé conta que, depois de muita luta, o metrô pediu que as entidades vistoriassem todas as estações para checar a acessibilidade.

Zé Roberto está na esquerda da foto, levemente de perfil na sua cadeira de rodas. Leva camiseta polo azul marinha, e calça de moleton branca. Na direita, duas das alunas. Elas sorriem e escrevem no caderno. Ao fundo uma estante de madeira cheia de objetos, como pastas, cadernos,papés, caixas, cestas.
Zé Roberto durante nossa visita. Ao seu lado, duas alunas da Terapia Ocupacional - USP

Também mandaram sugestões para a Constituinte de 88, “a gente acreditava que depois que a Constituição estivesse pronta, tudo se resolveria, e que quando as pessoas com deficiência conseguissem tudo, iam parar de militar”. A legislação, opina, é avançada, mas não é cumprida.

O Conselho, nessa época, só tinha representantes de entidades e Zé acredita que assim ele deixava de ouvir vozes muito importantes, da própria pessoa com deficiência. 





Acabou extinguindo-se na mesma década de 80, e só foi retomado na gestão de Luíza Erundina, em 89, seguindo um modelo de participação democrática. Hoje as decisões do Conselho são tomadas em plenárias abertas à participação das pessoas com deficiência. 


Mas os problemas de agora são outros: apesar de não ser mais conselheiro, Zé participou da última eleição e disse que “sentiu vergonha do Conselho que ajudou a criar”, pois viu candidatos a conselheiro sem a vontade política e motivação que ele tinha quando participava.

Atualmente faz parte do Conselho de Segurança da sua região, Artur Alvim, representando as pessoas com deficiência. Zé nos lembrou que o dia 29 de setembro, próximo, é dia da luta da pessoa com deficiência. Dia de luta, salienta, não de churrasco - apesar de gostar de churrasco. “Porque se a gente não chutar o pau da barraca, não sai do quarto!”

Veja mais fotos no álbum do Picasa do Jornalismo Saci: picasa.saci


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Vida autônoma e independente para pessoas com deficiência

Fonte: http://www.inclusive.org.br/?p=20811

Uma vida que vale a pena viver

quinta-feira, setembro 1, 2011
Ilustração de carta simbolizando o e-mail. Envie por e-mail | Aumentar a fonte do texto. Diminuir a fonte do texto. | Por Equipe Inclusive
George Martin
Tradução: Patricia Almeida para a Inclusive

Palestra apresentada por Robert Martin no Congresso Mundial – México novembro de 2006.

Ele fala da dor que ele e seus amigos tiveram que sofrer e suportar nas instituições e do apoio de que necessitam quando eles saem delas.

Nós não estamos mais discutindo se as instituições devem ser fechadas, estamos discutindo quando elas vão fechar. Por que digo isso? Deixe-me citar o artigo 19 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, sobre vida independente e inclusão na comunidade.

Os Estados-Partes desta Convenção reconhecem o direito igual de todas as pessoas com deficiência a viver em comunidade, com escolhas iguais às outras pessoas, e tomarão medidas efetivas e apropriadas para facilitar o pleno gozo das pessoas com deficiência desse direito e sua plena inclusão e participação na comunidade.

Isso significa dizer que devemos ser capazes de escolher onde e com quem vivemos. Temos de ser capazes de obter o apoio que precisamos para viver e participar na comunidade. Devemos ter o mesmo direito de utilizar os serviços em nossa comunidade que os outros. Pessoas com deficiência intelectual têm lutado por esses direitos durante anos. Agora é nossa hora de obtê-los.

O artigo 12 da Convenção é sobre o nosso reconhecimento como pessoas perante a lei. Quer dizer que nós poderemos desfrutar o mesmo direito que os outros à nossa capacidade legal. Nossa capacidade legal diz respeito ao nosso direito de tomar nossas próprias decisões e agir com base nelas. Haverá salvaguardas para evitar abusos para aqueles que precisam dessa proteção.

No entanto qualquer tipo de apoio deve respeitar os nossos direitos, nossa vontade e nossa preferência e deve ser livre de conflitos de interesse ou influência indevida. Haverá também apoio com relação à decisão apoiada para aqueles que precisam deste suporte.
Nunca devemos esquecer que a institucionalização daqueles de nós com uma deficiência intelectual tem sido uma das peças mais destrutivas da engenharia social na história da humanidade. Levou à nossa segregação da sociedade porque fomos marcados como diferentes. Eu sei disso porque eu era uma dessas pessoas.


Nosso institucionalização, levou à nossa desumanização como crianças, adolescentes e adultos.
Os funcionários que trabalhavam nas instituições também se institucionalizaram em seu pensamento e na forma como agiam. De que outra forma podemos explicar o abuso e a degradação do que foi e ainda é tanto uma parte da vida daqueles de nós que foram forçados a viver em uma instituição?


Quando nós fomos institucionalizados, nos juntamos aos mais pobres dos pobres, não só em termos de dinheiro e status social, mas também no que diz respeito aos sentimentos de auto-estima, o nosso próprio valor e como os outros nos viam. À medida que retiramos pessoas das instituições os outros precisam entender como a instituição rouba a essência de quem você é.


O argumento econômico ainda é usado por muitos para justificar as instituições. Aqueles que ainda argumentam que as instituições oferecem cuidados de alta qualidade a um preço acessível precisam pensar novamente. Eles não fizeram suas contas para encontrar o verdadeiro custo de manter alguém em uma instituição por 50, 60 anos. Se eles tivessem feito, iriam preferir abrir os portões e esperar que a pessoa nunca mais voltasse.


Cidades inteiras ainda dependem de sua instituição local para emprego e seu sucesso econômico. No entanto, estão esquecendo a vida das pessoas.Nunca foi nossa decisão viver em uma instituição. Nós nunca assinamos papéis ou batemos na porta das instituições. Outros tomaram essas decisões por nós, porque eles tinham o direito ou o poder de fazê-lo. Nunca fizemos nada de errado, quebramos nenhuma lei, mas por causa da nossa deficiência fomos retirados da sociedade.

Eu tenho muitos amigos que conseguiram deixar as instituições e não sei de nenhum que tenha voltado de bom grado.
Alguns vão dizer também que a instituição em que trabalham ou conhecem é muito boa. Que o pessoal é muito atencioso e há muitas coisas boas acontecendo para os nossos. As palavras-chave em sua declaração são “os nossos“. Eles não percebem que estão tentando ser donos da vida de outra pessoa.

Nunca devemos esquecer que a institucionalização é um mecanismo para controlar a vida de uma pessoa. Diz respeito à tomada de decisões importantes para estas pessoas e esperar que elas se encaixem em um estilo de vida que alguém acredita que é bom para eles. Se viver em uma instituição é tão bom para nós porque é que a maioria das pessoas cresceram em uma família? Por que as famílias são tão valorizadas em todas as sociedades?

O tempo das instituições acabou. Não devemos esquecer as lições do passado, mas é hora de seguir em frente.
O título do meu discurso de hoje é uma vida que vale a pena, por que nossas vidas são tão valiosas quanto as dos outros. Eu quero falar de minha própria experiência e o que eu aprendi ao longo do caminho.

Primeiro temos que nos certificar de que crianças são sejam mais colocadas em instituições. Devemos impedir que nossos adolescentes e adultos sejam colocados lá. Você pode fazer isso quando for para casa hoje – dizer “não às instituições“.
Devemos começar a construir o apoio que tanto as famílias como aqueles de nós com deficiência necessitam para viver e participar da nossa comunidade. Eu tenho visto muitos dos meus amigos numa luta tão difícil quando eles deixaram a instituição porque não havia o apoio adequado. Ainda me lembro como foi difícil para mim.

Eu estava tão assustado e com medo. Também foi assim para a minha família porque não havia ninguém para apoiá-la. Este mesmo apoio deve ser disponibilizado às famílias que ainda têm seus filhos com deficiência que vivem com eles.

Nossas famílias precisam de apoio para compreender as nossas necessidades quando estamos crescendo. Elas muitas vezes precisam de ajuda quando somos adolescentes. Elas começam a perceber que as nossas oportunidades para viver e trabalhar na comunidade podem ser muito limitadas. No passado, muitas vezes foi nesta fase que fomos colocados em instituições ou lares de idosos.

No entanto, há uma outra situação que muitas vezes pode fazer com que acabemos encurralados. É quando nós ficamos morando com os nossos pais por muito tempo, até que eles se tornem demasiado velhos para nos ajudar na transição. Nestes casos podemos ser colocados em uma instituição ou em lares. Isso pode acarretar na perda de contato com nossos próprios pais e familiares.

Nós podemos ser colocados em lares de idosos com nossos pais, apesar de estarmos apenas com 40, 50 anos de idade. Conheço várias pessoas com quem isso aconteceu. Podemos nos tornar o cuidadores de nossos próprios pais. Passamos de ter apoio à prestação de apoio, o que pode ou não funcionar para nós. Finalmente, mas menos provável, podemos mudar para uma casa nossa ou viver com as pessoas com que desejamos viver.

À medida que retiramos as pessoas das instituições é preciso lembrar que eles podem não ter ideia do que viver na comunidade realmente significa. Meus amigos que vieram de instituições no Japão ainda visitam as pessoas que ficaram nas instituições. Eles contam a eles sobre sua própria vida na comunidade. O que é difícil, o que você tem que procurar. Eles oferecem amizade e uma mão amiga.

Este apoio dos pares é vital, pois apenas aqueles de nós que fizeram essa transição  podem realmente entendê-la. No entanto, os financiadores e os funcionários não reconhecem essa necessidade. Supostamente eles sabem de tudo quando, infelizmente, não sabem de nada.

Este apoio dos pares é vital para que as pessoas possam ter uma escolha real quanto ao local onde vão viver e com quem morar, como prometido na Convenção. Viver em comunidade significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Para mim, é quer dizer ter o direito de viver do jeito que eu quero viver.

Não se trata de viver em lares com padrão 5 estrelas. É a minha vida, na minha própria casa, com aqueles que desejam viver comigo. Neste momento é com minha esposa e nossa gata Lynda Pippa. Claro que precisamos de apoio para viver de um modo que seja saudável.

Não deveríamos ter de viver na sujeira e na miséria. No entanto, nós também não devemos ter de viver em lares onde não podemos ser nós mesmos por causa dos funcionários. Onde temos medo de colocar o nosso copo na mesa porque pode marcar a madeira. Tenho visto algumas casas assim e é realmente triste.

Quando você vive na instituição seus únicos amigos são aqueles à sua volta que compartilham de sua deficiência. Raramente há qualquer oportunidade de conhecer qualquer outra pessoa.
Ao retirar as pessoas das instituições suas amizades devem ser protegidas. Tenho visto muitas pessoas perder seus amigos quando eles saem da instituição. Eles são enviados para diferentes bairros e cidades. Eles se mudam para lares diferentes e outros lugares para viver. Devemos lembrar que essas pessoas não dirigem, não sabem como pegar um ônibus ou um trem. Elas geralmente não escrevem e e-mail é uma palavra que só outras pessoas usam.

Devemos lembrar também que algumas dessas amizades foram feitas ao longo dos muitos anos que estávamos trancados. Elas são muito importantes para nós. O que precisamos é uma consciência e um bom apoio para garantir que essas amizades continuem. Infelizmente isso raramente é uma prioridade para os outros quando deixamos a instituição.

Nós não temos que viver na mesma casa, na mesma rua ou até mesmo na mesma cidade para mantermos a nossa amizade. O que precisamos é do apoio certo.Logo que eu deixei a instituição eu era totalmente dependente dos outros se eu queria ir a qualquer lugar. Outras pessoas decidiam se eu poderia ir e como eu iria chegar até lá. Agora eu sou capaz de tomar essas decisões por mim e eu posso viajar pelo mundo. Não é assim para a maioria dos meus amigos.

Agora eu quero falar sobre nossas famílias. Eu sempre soube que tinha uma família, mãe, pai e minha irmã. No entanto, como eu estava crescendo como uma criança na instituição, eu realmente não os conhecia. Eu tenho outros amigos que nunca mais viram seus pais. Muitas vezes eles tinham irmãos e irmãs que eles não sabiam que existiam. Seus irmãos e irmãs também não sabia que eles existiam.

Eu pessoalmente conheço pessoas que por terem sido colocadas em uma instituição, perderam toda a família. Eles têm um nome, mas ninguém tem certeza se é o seu nome correto, pois seu arquivo foi perdido.
Muitas das peças importantes de nossas vidas nunca foram documentadas. Quando passamos de instituição para instituição nossa história foi-se perdendo. Nossas amizades e relacionamentos não eram conhecidos. Às vezes, quando deixamos uma instituição querem que a gente deixe nossa vida anterior para trás. Eles querem que a gente só viva uma nova vida. Eles esquecem que ter vivido na instituição é parte da nossa história, parte de nossa vida.

Minha família tornou-se uma família deficiente. Porque eu tinha uma deficiência meus pais foram rejeitados pelo resto da nossa família e seus amigos. Muitos pais aqui hoje vão saber exatamente do que eu estou falando. Nós e nossas famílias precisamos de apoio e ajuda quando deixamos as instituições. Nossos pais muitas vezes carregam muita culpa.

Nossos irmãos e irmãs não podem saber quem somos. Nossa família mais ampla nunca pôde nos conhecer e pode ainda não querer fazê-lo. Nossos vizinhos, muitas vezes, acham que somos perigosos e não devemos estar vivendo perto deles.

Geralmente é um momento muito difícil para nós quando estamos tentando aprender a nos adaptar. No entanto, na minha experiência há pouca ajuda disponível para nós ou nossas famílias. O que é esperado de nós é que simplesmente retomemos nossas vidas.

Quero agora voltar-me para algo que você não vai encontrar nos livros de texto sobre a vida. É o que acontece dentro de você como pessoa quando você está institucionalizado. Esta é provavelmente a parte mais importante do meu discurso de hoje, pois é uma área que simplesmente não é entendida.

Eu tenho falado muitas vezes sobre minha própria vida e as vidas de meus amigos. Eu compartilhei com vocês o que senti ao perder minha família, meu direito de ser criança e a dor que tantos de nós sofreu nas instituições. O que eu nunca compartilhei são alguns de nossos sentimentos interiores e eu acho que é o momento certo para fazer isso agora.

Muitos se perguntam por que eu defendo tão apaixonadamente não só fechar até a última instituição, mas também demolí-las para sempre. Por que eu já me pronunciei tantas vezes nas Nações Unidas para defender o fim das instituições.

Quando somos forçados a viver em uma instituição algo morre dentro de você. Você se sente inútil e apenas um fardo para sua família. Você luta para ir embora a cada dia. Você chora por sua família, mas as lágrimas secam quando você percebe que eles não virão.

Você vê o abuso em torno de você, as coisas cruéis que são feitas com seus amigos e se você for azarado que eles são feitas com você. Você vê a injustiça, mas é impotente para detê-la.
Provavelmente você vai aprender a intimidar os outros, pois é dessa forma que você vai conseguir sobreviver. Você aprende a não confiar em ninguém, que os médicos, os enfermeiros e os funcionários não são seus amigos.

Eu vivi em um buraco do inferno, uma instituição chamada Lake Alice por 6 meses. Foi os seis meses mais desesperadores da minha vida. Hoje as pessoas que estavam na direção naquela época estão enfrentando investigações criminais e o governo está sendo forçado a pagar milhões de dólares em compensação.

Lembro-me bem com a idade de quatorze anos que eu não queria ir em frente. Eu queria que tudo parasse. Eu não via nenhuma razão para viver. Eu queria acabar com a minha própria vida. Eu não tinha uma vida digna de viver. É assim para muitos dos meus amigos, mas pouco ou nada é feito para eles quando finalmente deixam a instituição.

Só 35 anos após deixar as instituições recebi tratamento para o abuso que sofri neles. Muitos de nós fomos super medicados ou nos deram medicamentos errados. Eu quase morri por conta disso. Anos mais tarde, muitos de nós que deixaram as instituições ainda usamos drogas antigas ou dosagens altas demais porque as nossas necessidades não são vistas como importante pelos outros.

O que aconteceu conosco como pessoas nunca foi compreendido. Eu vejo a frustração e raiva com o que aconteceu com os meus amigos. Eu os vejo ser oprimido e vejo o seu sentimento de desamparo. Não foi apenas na Nova Zelândia que isso aconteceu. Eu me lembro de estar em uma reunião de Auto Defensores em Londres, com pessoas de todo o mundo. Lembro-me de todos nós, explodindo em lágrimas quando começamos a falar sobre o que havia acontecido com cada um de nós nas instituições.

Foi o meu amigo Ake da Suécia que ensinou a todos nós que viver em uma instituição não é um modo de vida humano. Eu nunca esqueci a sua mensagem.
Meu apelo é para uma maior compreensão e ajuda nesta área. Não é suficiente viver e participar na comunidade. Devemos também ter o direito de ser uma pessoa completa e ter uma vida digna de ser vivida.

Isto significa que em vez de nos colocar em um programa para aprendermos a nos comportar por causa do que fizeram conosco no passado, precisamos de ajuda para sarar feridas muito profundas. Os terapeutas devem parar de nos rotular como muito difícil, pois eles precisam aprender a trabalhar com a gente e satisfazer as nossas necessidades. Isso também significa que, independentemente de quando deixamos as instituições a necessidade de elaborar nosso enclausuramento deve ser reconhecida. 

Que a nossa necessidade de entender o que aconteceu com a gente seja tratada.
Finalmente, para a transformação da instituição para a vida na comunidade ser bem sucedida devemos começar a mudar a percepção da comunidade de quem nós, como pessoas com deficiência intelectual somos.
Não se trata de nos transformarmos para que possamos viver na comunidade. Trata-se de transformar a comunidade para que haja um lugar respeitado por todos. Não deve haver exceções.

Devemos ser incluídos, incluídas em nossas famílias, incluídas em nossas escolas, incluídas na força de trabalho, incluídos na habitação na comunidade e incluídos em nossa comunidade. É através dessa inclusão que nos tornaremos pessoas reais, vamos tomar o nosso lugar na sociedade. Vamos finalmente ter uma vida digna de viver.
É muitas vezes o preconceito, o mal-entendido e, infelizmente, por vezes, o ódio que enfrentamos que torna a nossa vida tão difícil.
Meu sonho é simplesmente isso.

Como a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência diz, vamos todos viver em comunidade e respeitar os direitos de todas as pessoas. Todos nós seremos capazes de escolher viver onde e com quem queremos.
Todos nós seremos capazes de ter o apoio que precisamos para viver uma vida plena, independentemente das nossas necessidades. Todos nós seremos capazes de nos comunicar uns com os outros de uma forma significativa, independentemente de como isso é feito. Todos teremos a mesma oportunidade de fazer amigos, construir relacionamentos e pertencem à nossa família.

Acredito que todos quer dizer TODOS mesmo – não deve haver exceções. Nós vamos realizar este sonho quando a última instituição se fechar e, finalmente estaremos livres. Não haverá mais segregação e separação. Todas as pessoas receberão apoio para viver a vida que escolherem para si mesmas, não importa o que essa escolha possa ser.

Vamos realmente ter uma vida digna de viver.

Robert Martin

Robert Martin nasceu com uma deficiência intelectual em Wanganui, Nova Zelândia, e passou a infância em instituições, experimentando a dor da separação de sua família. Aos quinze anos ele começou a deixar a instituição onde vivia, para participar de um serviço para aprender a morar em uma casa. Robert finalmente mudou-se para uma residência com apoio e passou a viver de forma independente na comunidade. Foi empregado como trabalhador de Suporte em um albergue que oferece assistência residencial para 40 pessoas com deficiência intelectual.

Durante o tempo que viveu em instituições Robert viveu em primeira mão o tratamento terrível que muitos de seus companheiros tiveram que suportar. Dentro do ambiente anormal da instituição, Robert desenvolveu comportamentos desafiadores como uma resposta às condições ambientais e sociais e restrições. Nas palavras de Robert, ” estava agindo normalmente em um ambiente muito anormal”. Mesmo depois de deixar as instituições e utilizar os serviços para pessoas com deficiência, Robert continuou a observar o comportamento da equipe que foi abusiva e humilhante com os que recebiam o tratamento.

Robert passou a viver e trabalhar na comunidade, mas se manteve em contato com seus amigos. Ele foi convidado a integrar o Comitê do Poder local e doou o seu tempo ao trabalho do Grupo local Pessoas Primeiro. Seu trabalho foi reconhecido e ele se tornou um líder dentro do movimento de auto-defensores na Nova Zelândia.
Seu próximo passo foi o movimento de Auto-Defensores Internacional promovido pela da Inclusion International.

Robert logo se tornou presidente do Comitê Internacional Auto-Defesa e membro do Conselho da Inclusion International. Neste papel Robert viajou por todo o mundo e sua liderança é reconhecida tanto dentro do movimento de auto-defensores como na Inclusion International.

Robert é também membro de dois outros comitês internacionais, a Aliança Internacional de Deficiência (IDA)e do Painel de Peritos para a Normas das Nações Unidas para Pessoas com Deficiência.

Robert visitou as Nações Unidas em Nova York duas vezes por ano durante cinco anos para ajudar a desenvolver a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Ele acredita que a Convenção está ajudando a superar algumas das discriminações que muitos de seus amigos com deficiência intelectual enfrentam em suas vidas diárias.

Robert é um forte defensor dos direitos das pessoas com deficiência e seu trabalho foi reconhecido em 2008 pelo Governo da Nova Zelândia, quando ele foi premiado com um membro da Ordem do Mérito da Nova Zelândia. Ele também foi premiado com uma bolsa por Paul Harris do Rotary.

Robert é um orador muito hábil e tem falado em várias conferências internacionais e eventos.

No link abaixo, reportagem em inglês sobre Robert Martin