segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Diferença entre política pública e projeto comercial demagogo

Comentário Caleidoscópio: Caro leitor, leia os textos abaixo e diga se um órgão público, pago com seus impostos, está correto ou não ao investir verba de todos os cidadãos em um projeto puramente comercial. Escreverei sobre as minhas considerações em breve. E não venham me dizer que o projeto é todo pago pelas empreas, porque não precisa ser PHD em nada e nem exercer qualquer cargo político para ter absoluta certeza que a Secretaria já torrou o seu rico dinheirinho em um concurso que não é prioritário em um país onde 90% das pessoas com deficiência são pobres!
A definição encontrada na Kipedia para Política pública é: um conceito de Política e da Administração que designa certo tipo de orientação para a tomada de decisões em assuntos públicos, políticos ou coletivos.

Embora, políticas públicas seja um conceito oriundo dessas duas áreas, vem sendo utilizadas na mais variadas áreas. Isso porque ele permite estudar o espaço social antes da implementação. Para tanto, torna-se necessário a montagem de equipe transdiciplinar pois um projeto de política pública, necessariamente deve permitir a transversalidade, além de estblecer um diálogo consencioso entre as partes. (Ferreira 2008)

Entende-se por Políticas Públicas “o conjunto de ações coletivas voltadas para a garantia dos direitos sociais, configurando um compromisso público que visa dar conta de determinada demanda, em diversas áreas. Expressa a transformação daquilo que é do âmbito privado em ações coletivas no espaço público” (Guareschi, Comunello, Nardini & Hoenisch, 2004, pág. 180).

Para José-Matias Pereira política pública compreende um elenco de ações e procedimentos que visam à resolução pacífica de conflitos em torno da alocação de bens e recursos públicos, sendo que os personagens envolvidos nestes conflitos são denominados "atores políticos".

Existem diferenças entre decisões políticas e políticas públicas. Nem toda decisão política chega a ser uma política pública. Decisão política é uma escolha dentre um leque de alternativas, já política pública, que engloba também a decisão política, pode ser entendida como sendo um nexo entre a teoria e a ação. Esta última está relacionada com questões de liberdade e igualdade, ao direito à satisfação das necessidades básicas, como emprego, educação, saúde, habitação, acesso à terra, meio ambiente, transporte etc.
Definições de: Guareschi, Neuza; Comunello, Luciele Nardi ; Nardini, Milena; Júlio César Hoenisch (2004). Problematizando as práticas psicológicas no modo de entender a violência. In: Violência, gênero e Políticas Públicas. Orgs: Strey, Marlene N.; Azambuja, Mariana P. Ruwer; Jaeger, Fernanda Pires. Ed: EDIPUCRS, Porto Alegre.
Concurso Moda Inclusiva premiará projetos de roupas diferenciadas para pessoas com deficiência.
A convite da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, estudantes de moda e estilismo poderão empregar talento e criatividade para propor roupas adequadas para a pessoa com deficiência.
A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência coordena mais uma iniciativa em prol de uma sociedade mais justa e inclusiva, onde todos tenham acesso igualitário aos produtos, bens e serviços disponíveis. Será lançado no dia 17 de novembro o concurso Moda Inclusiva. O lançamento será realizado pela secretária Linamara Rizzo Battistella, às 17h30, durante o evento Pense Moda, no Centro Brasileiro Britânico. (Rua Ferreira de Araújo, 741, Pinheiros- tel: 3812-6667).
Patrocinado pela Universidade Anhembi Morumbi, em parceria com Pense Moda, Vicunha e as principais faculdades de moda de São Paulo, o concurso Moda Inclusiva convidam os estudantes da área a apresentarem propostas de vestuário adaptado que atendam às necessidades e demandas das pessoas com deficiência.
O objetivo é promover a discussão no meio sobre a necessidade de se pensar e fazer moda que respeite a diversidade. As premiações incluem estágio remunerado na empresa Vicunha, publicação do croqui finalista em revista de moda Manequim, da Editora Abril, credenciais do SPFW.O vestuário para pessoas com deficiência tem potencial para se tornar um novo e expressivo segmento no mercado de moda.
O Brasil tem hoje 24,6 milhões de pessoas com deficiência. Somente no Estado de São Paulo, cerca de 4,2 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência. Esse nicho ganha ainda maior relevância a partir da entrada em vigor da Lei de Cotas, que estabelece reserva de percentual de vagas a trabalhadores com deficiência. O ingresso de maior volume de pessoas com deficiência no mercado de trabalho gera conseqüente aumento de seu poder aquisitivo e também de sua demanda por peças de vestuário.

O CONCURSO
As inscrições para o concurso Moda Inclusiva poderão ser feitas de 03 de dezembro a 27 de fevereiro de 2009, por meio do acesso ao site da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br/). Podem participar estudantes de moda e estilismo de universidades de todo o Estado. Para concorrer, os participantes deverão enviar um “look” (croqui e ficha técnica) para o endereço da Secretaria (av. Auro Soares de Moura Andrade, 564, portão 10, Barra Funda).
Os 20 participantes pré-selecionados – apoiados com tecido e materiais para a confecção da roupa - participarão de um desfile em abril. Uma banca julgadora composta por nove profissionais premiará as três melhores apresentações em um desfile no auditório da Secretaria.Muito mais do que incentivar a criatividade dos alunos, o concurso insere-se no contexto da Responsabilidade Social, chamando a atenção para o tema, ajudando na promoção de uma sociedade mais inclusiva, bem como colaborando para o aumento da auto-estima entre as pessoas com deficiência.
PENSE MODA - Pense Moda é um evento que promove um intercâmbio cultural entre profissionais de alto nível brasileiros (Joyce Pascowitch, Glória Kalil, Paulo Borges, Mandi Lennard, Bob Wolfenson, Chiara Gadaleta, Patrícia Carta, Erika Palomino, Alcino Leite Neto, Cris Barros entre outros) e internacionais, por meio de palestras, debates e mesas redondas para o crescimento criativo da moda brasileira, um reforço na busca por novos caminhos e formatos de apresentação, criação e comercialização.
AGENDA - Lançamento do concurso Moda Inclusiva: 17/11/2008
Inscrições: de 03/12/2008 a 27/02/2009. Entrega dos trabalhos: até 06/03/2009 - Divulgação dos 20 selecionados: 16/03/2009 - Realização do desfile: 22/04/2009.
Gustavo Sachs - Assessor de Imprensa Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência(11) 3663.3566 - r.202

Para que uma Convenção inclusiva??

Comentério Caleidoscópico: Faço minhas as sábias palavras do querido amigo Fábio Adiron, as quais tomei a liberdade de republicar aqui, na íntegra, para multiplicarmos essa indignação, e começarmos a tirar a bunda da cadeira da lamentação e agirmos IMEDIATAMENTE, por um ÚNICO mundo REAL: DIVERSO e INCLUSIVO!!! Fábio, muito obrigada pela lucidez das suas palavras!



Esse texto é especialmente dedicado a X & Y que pensam exatamente assim.



Eu não quero falar sobre inclusão, esse negócio é muito desagradável. Imagine só você, tem gente que acredita que as pessoas são iguais em direitos e deveres ! Tem gente que acha que todo mundo deve ir para a escola, que todo mundo precisa de cuidados médicos, de transporte, de lazer.

Acreditam até que é preciso ter trabalho para todos... Se essa idéia pega, como é que vão ficar as nossas relações de poder e dominação ?? Ficam colocando na cabeça das pessoas essas idéias subversivas de autonomia, de autodeterminação, desse jeito todo mundo vai querer ser auto-alguma-coisa. E aí acaba a sinecura, não vamos mais poder receber verbas públicas para cuidar delas, nem vamos poder mais pedir dinheiro para as empresas, para as pessoas.

Nós vamos viver do que ? Não esqueçam que muita gente depende disso. E não estou falando desse povinho que nós assistimos, mas de toda essa massa de gente que vive às custas da exclusão.Outro dia eu ouvi um cara dizendo que o governo deveria pegar toda sua verba da educação e investir em escolas públicas. Como se a escola pública prestasse para alguma coisa.
Um lugar que só tem pobres. Onde os professores ainda são idealistas. Se começarem a jogar dinheiro lá é até capaz desses professores trabalharem felizes, dos alunos aprenderem e começarem a questionar nosso modelo sócio-econômico.Não tenho muita certeza disso, mas dizem que esses professores ainda lêem Paulo Freire, que acreditam que a aprendizagem se dá na comunhão entre estudantes e mestres. Será que eles não sabem o que significa ser um “aluno” ? Não devem ter estudado latim, aluno quer dizer aquele que não tem luz.

Só a luz dos grandes mestres é que pode iluminar essas mentes corrompidas pela ilusão da igualdade. E luz é um produto caro, não pode ser dada sem critérios para qualquer um.Mas o pior de tudo é que de uns tempos para cá, além da inclusão social e da inclusão digital (outra besteira perigosa, deixar que todos tenham acesso à informação, se bem que isso pode render uns bons trocados para os fabricantes de computadores), andam falando em colocar pessoas com deficiência nas escolas.

Para que isso ? Afinal, não existe uma infinidade de locais onde esses inválidos possam ser atendidos ? Onde eles possam ser felizes com os seus semelhantes ? Se forem para as escolas comuns eles vão atrapalhar os demais alunos que serão obrigados a andar no mesmo ritmo lento deles. Como seremos uma nação competitiva nesse mundo globalizado se os nossos filhos tiverem de tolerar esse tipo de situação ? Além do que os professores não estão preparados para receber essas aberrações.

Tudo bem, se não tiver outro jeito, pode-se até colocar esses deficientes na escola pública, essa já recebe a escória mesmo, um pouco mais um pouco menos não vai fazer diferença. Agora, obrigar as nossas brilhantes escolas particulares a aceitá-los, o que vai ser desse mundo ? Ainda acho que paralíticos, os disformes, os surdo-mudos, os ceguinhos e os retardados precisam mesmo é de locais próprios para eles – claro, subvencionados de forma a manter nossa economia da tutela em movimento.

Precisamos continuar lutando para que os deficientes fiquem felizes com seu salário-esmola (viram como funcionou ? muitas famílias nem deixam os filhos deficientes estudar ou trabalhar com medo de perder esse dinheirinho). Que achem o máximo andarem de ônibus de graça (mesmo que os ônibus não sejam acessíveis). E até que se iludam com a lei de cotas de emprego – desde que nenhuma escola permita que eles se qualifiquem para conseguir qualquer emprego.

Não é muito melhor quando eles fazem aquelas exposições de artesanato ? Podem até vender...Ah...você acha que eu estou sendo muito cruel ? Não concorda comigo ? Essa é a vida como ela é. Você está pensando em se aliar a esses inconsequentes da inclusão ? Acredita que isso vai fazer do mundo um lugar melhor para se viver ?

Bem, nesse caso, acho melhor você ler a Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência com bastante atenção.

Esses caras tem um monte de argumentos que contrariam tudo que eu escrevi aí em cima (e o pior, eles tem razão, mas eu preciso defender a minha “turma”)

Um aviso importante : se você não entendeu esse texto, continue lendo os demais textos do blog para saber do que exatamente tratamos aqui no http://xiitadainclusao.blogspot.com/

Descrição da imagem: crianças pobres sentadas no meio da rua, uma delas está numa cadeira de rodas.

Falta total de acessibilidade

Considerações sobre a acessibilidade

Rede saci - 17/11/2008

Extraídas do documento do SESC São Paulo "Idosos no Brasil" - Vivências, desafios e expectativas na na 3ª Idade.

Comentário SACI: transcrito e digitado em S.Paulo por Maria Amelia Vampré Xavier, da Rede de Informações Área Deficiências Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de S.Paulo, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais), Carpe Diem, SP, Sorri Brasil, SP, Rebrates, SP, Inclusion InterAmericana e Inclusion International em 11 de novembro, 2008.

Como todos sabemos, e particularmente nós, os idosos sabemos, no Brasil é difícil envelhecer especialmente se pertencemos ao largo contingente da população que não é rica e depende de aposentadorias iníquas para sohreviver e não viver. Há muitos aspectos da velhice, ou do envelhecimento, que devem ser estudados e um deles extremamente pertinente é, sem dúvida, a falta de acessibilidade da população mais velha aos equipamentos sociais das cidades.

Neste documento do SESC SP, de maio de 2007, os pesquisadores fazem as seguintes considerações:

4.2 Acessibilidade

· Um terço da população idosa (35%) declarou que encontra dificuldade para andar nas ruas e calçadas das cidades onde vive, sobretudo em função de buracos (23%), mas também pela irregularidade das calçadas(9%), pela existência de degraus (5%) e em função de calçadas estreitas (5%). Em geral, as mulheres sentem mais dificuldade que os homens para transitar nas ruas das cidades onde vivem (40% contra 29%) entre os homens).

· No acesso aos prédios públicos como bancos, shoppings e repartições públicas, 11% afirmam encontrar alguma dificuldade. O excesso de degraus e filas constituem os principais problemas (3%), bem como a falta de prioridade no atendimento aos idosos (2$).

· Com os transportes públicos 21% dos idosos encontram dificuldades, o que corresponde a l/4 da população idosa usuária, uma vez que 19% dos idosos afirmam não usar transporte público.

· A altura dos degraus dos ônibus é a principal dificuldade apontada (8%), mais reclamada entre as mulheres (11%), contra 4% entre os homens e variando de 9% entre os que possuem entre 60 e 69 anos a 16% entre os com 80 anos ou mais.

· Outras dificuldades percebidas são o fato de que os ônibus não pararem para os idosos e o mau atendimento que motoristas e cobradores dedicam aos idosos (5%) cada.

· Praticamente a totalidade dos idosos (94%) sabe que as pessoas a partir de 65 anos têm direito de usar transporte público gratuitamente, no entanto, somente metade deles (46%) faz uso desse beneficio.

Como vemos por estas estimativas, a não acessibilidade é um dos principais fatores para o indivíduo idoso permanecer isolado em sua casa, isso levando com freqüência a casos de depressão por seu afastamento do intercâmbio social que desfrutou durante a vida toda.
Aliás, para nós que militamos na área das deficiências e envelhecemos trabalhando, é bastante claro que a falta de acessibilidade empobrece nosso cotidiano.

Alerta nacional

AIDS & Saúde mental

Infoativo Defnet - 17/11/2008

Pesquisa revela prevalência do HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis em portadores de transtornos mentais.

Comentário SACI: ENSP, publicada em 14/11/2008.

Pesquisa realizada com 2.238 pacientes de unidades de saúde mental das cinco regiões do país revela que a infecção pelo HIV nos portadores de transtornos mentais é preocupante. Os dados indicam prevalência de 0,80% do vírus da aids nesse grupo. O valor encontrado está no mesmo intervalo de confiança do índice estimado para a população geral adulta, que é de 0,61%.
As prevalências das outras infecções também mostram a condição de vulnerabilidade dos pacientes analisados. Os dados fazem parte do "Estudo de soroprevalência da infecção pelo HIV, sífilis, hepatites B e C em instituições públicas de atenção em saúde mental: um estudo multicêntrico nacional", divulgado nesta terça-feira, dia 11 de novembro, em Brasília.

Coordenado pelo Grupo de Pesquisa em Epidemiologia e Avaliação em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o estudo contou com apoio financeiro do Programa Nacional de DST e Aids e da Coordenação Geral de Saúde Mental do Ministério da Saúde. Foram investidos cerca de R$ 300 mil para a elaboração da pesquisa.

Essa é a primeira iniciativa brasileira a estimar a prevalência de HIV, sífilis e hepatites B e C nessa população. Entre 2006 e 2007, 2.238 pacientes internados em 11 hospitais psiquiátricos e atendidos em 15 CAPS de todo o país passaram por entrevista e coleta de sangue para sorologia das infecções.

Tipo de infecção e estimativa pontual: Sífilis: 1,12% HIV: 0,80% HBsAg (infecção da hepatite B presente): 1,64% Anti-HBc (contato com o vírus da hepatite B): 14,70% Anti-HCV: 2,63%.

"Conhecer a realidade do HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis nessa população é o primeiro passo para construir ações que enfrentem o problema", lembra a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão. "Agora essa deixa de ser uma realidade desconhecida para se tornar uma realidade a ser enfrentada", diz.
De acordo com o coordenador da pesquisa, Mark Drew Guimarães, os dados confirmam o que estudos pontuais anteriores já indicavam: as pessoas com transtornos mentais estão sim vulneráveis a essas infecções. O epidemiologista faz questão de deixar claro, porém, que o risco está provavelmente relacionado a questões comportamentais e de situação de risco e não necessariamente à presença dos transtornos. "Eles têm vida sexual ativa, mas o uso do preservativo não é consistente", diz.

A pesquisa revelou que 88% dessas pessoas já tiveram relação sexual e que 61% tiveram nos últimos seis meses. Do total, 61% já tiveram mais de um parceiro e 16% tiveram mais de um parceiro nos seis meses anteriores.

O uso do preservativo, porém, é menor que na população geral. Somente 7% da população analisada na pesquisa relatou o uso de camisinha em todas as relações na vida. Na população de adultos brasileiros, a proporção de uso consistente de preservativos, em pesquisa realizada em 2005, foi de 33% entre casais com parcerias estáveis.

Prevenção - Dentre as unidades de atendimento psiquiátrico pesquisadas, apenas 26,9% realizavam programas de educação sexual, a maioria nos CAPS. Tais programas eram realizados por meio de oficinas com os pacientes, com temática sobre sexualidade e planejamento familiar, e também com palestras mensais e cursos de educação sexual. Somente 31% de todos os serviços indicaram oferecer programas e atividades de educação específicas para infecções sexualmente transmissíveis. A distribuição de camisinhas se dá em 30% dos serviços. Isso indica que, onde ocorrem oficinas, já se distribui camisinhas.

Diagnóstico - Da população analisada, 27% já haviam realizado teste anti-HIV antes da pesquisa. Na população geral em idade adulta, esse índice é de cerca de 30%. Uma das recomendações da pesquisa é a criação de estratégias para aumentar e facilitar o acesso dos pacientes a esses exames e aos demais diagnósticos das infecções sexualmente transmissíveis.

Intervenções - Outro desafio importante é o desenvolvimento de modelos de intervenção para prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e HIV entre pacientes com transtorno metal grave. Oito modelos teóricos já foram considerados eficazes. Baseadas na orientação sobre o risco e redução de comportamentos inseguros, no fortalecimento de atitudes, essas experiências foram consolidadas nos Estados Unidos e estão em processo de validação no Brasil.

Um grupo de pesquisadores das Universidades de Columbia (EUA), Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) coordena estudo para o desenvolvimento de uma intervenção adequada à realidade brasileira, inclusive com pesquisa etnográfica.

A principal recomendação dos pesquisadores é que a partir desses resultados, o Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de DST/Aids e da Área Técnica de Saúde Mental, desenvolvam mecanismos para reverter o quadro apresentado.

Uma das recomendações dos pesquisadores para as áreas de aids e saúde mental é que se desenvolvam mecanismos para estimular os serviços a implementar programas de educação em saúde sexual voltados para a prevenção dessas doenças. "É absolutamente necessário e urgente, ainda, que se aumente a disponibilidade de preservativos nos serviços de saúde mental, acompanhada de aconselhamento, dentro dos programas de educação em saúde sexual", diz o documento.

Além disso, há uma indicação de capacitar profissionais de saúde mental para aumentar seu conhecimento e habilidade nos aspectos de diagnóstico, tratamento e prevenção das infecções.

Perfil dos usuários pesquisados: 51,6% são mulheres 54,6% têm 40 anos ou mais 62,6% são separados ou solteiros 58,1% têm filhos 51,3% têm mais de cinco anos de escolaridade formal
Principal diagnóstico psiquiátrico registrado: Esquizofrenia e psicose não especificada: 47,7% Transtorno depressivo: 12,9% Transtorno bipolar: 9% Transtorno por uso de substâncias: 7,0% Demências: 6,8% Outros: 9,8% Ignorados: 6,9%

Fonte: Programa Nacional DST/Aids (pesquisadas as fontes pelo DEFNET - Dr. Jorge Márcio Pereira de Andrade - para difusão de interesse científico em SAÚDE MENTAL) www.ensp.fiocruz.br

A justiça é cega?

Suspensão de liminar garante concurso para juiz no domingo
Badauê Online - 14/11/2008

Concurso foi questionado por não oferecer condições para que candidatos cegos fizessem as provas.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, derrubou esta semana, a liminar proferida pelo desembargador Antonio Bayma Araújo que suspendia o concurso para preenchimento de 31 vagas ao cargo de juiz do Tribunal de Justiça do Maranhão.

O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Raimundo Freire Cutrim, explicou que a decisão do presidente do STF garante a realização do concurso no próximo domingo (16).
O Estado do Maranhão foi o requerente do pedido de suspensão da segurança, por meio da Procuradoria Geral do Estado. Essa a praxe para os três poderes.

Desde o início da polêmica, o presidente do TJ afirmava que o veto à participação de deficientes visuais no concurso não era um ato discriminatório e, sim, uma exigência das atribuições do cargo. Cutrim argumentava ainda não haver um só tribunal no país que tivesse um juiz cego em seu quadro de magistrados.

A prova objetiva do concurso para juízes, dia 16, terá duração de seis horas: início às 13h15 e término às 19h15. O edital 002/2008 determina que o acesso dos candidatos será franqueado às 12h30 e o fechamento dos portões ocorrerá às 13h.

No exame objetivo para futuros magistrados, a prova terá 100 questões, com uma resposta correta entre as quatro alternativas apresentadas em cada quesito.
As provas discursivas dessa categoria serão aplicadas de 15 a 18 de dezembro, com início sempre às 13h15.

Entenda o caso.
No despacho em que concedeu o mandado de segurança, com pedido de liminar impetrado pela OAB-MA, o desembargador Bayma Araújo decidiu que fosse feita a readaptação do edital, para permitir a participação de portadores de deficiência visual total ou parcial, assim como a realização de provas em braile, com leitura de prova e outros mecanismos de auxílio aos deficientes.
Comentário Caleidoscópio: O Dr. Ricardo Tadeu Marques da Fonseca - Procurador Regional do Ministério Público do Trabalho – 9ª Região também foi discriminado, anos atrás, por ter o seu direito negado de ser juiz.
Ricardo Tadeu Fonseca, tem 49 anos e é cego! É autor de várias publicações na área da pessoa com deficiência. Doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná, mestre em Direito do Trabalho pela Faculdade de Direito pela USP e bacharel em Direito também pela USP, tornou-se Procurador do Trabalho por concurso público de âmbito nacional em 1991.
O Poder Judiciário sofre de uma 'cegueira de consciência' por não aceitar que, um profissional altamente qualificado e renomado como ele, não possa exercer o seu direito como cidadão.
Atitude completamente incoerente e inaceitável, visto que a justiça se diz cega por não discriminar ninguém... Que país nós vivemos?
Conheça um pouco da brilhante trajetória do Dr. Ricardo lendo um dos principais artigos que ele escreveu sobre a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência: http://www.saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=23090

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Que justiça é essa????

Justiça libera colégio do RJ de matricular alunos com necessidades especiais.

Última Instância- 12/11/2008

O Colégio Pedro II não matricula alunos com idade superior ao limite etário por série, alunos que repetiram mais de uma vez a mesma série e alunos com deficiência.

Comentário SACI: Que absurdo é esse? Toda legislação não vale nada? Qualquer juiz pode legislar como bem entender? A sentença defende a obtenção de homogeneidade de alunos da mesma sala, de onde saiu isso? Constituição prás cucuias... Convenção prás cucuias... MEC prás cucuias... e a diversidade que se dane? Fábio Adiron Inclusão: ampla, geral e irrestrita http://xiitadainclusao.blogspot.com/
AVISO aos juízes que desconhecem a Legislação Brasileira! Segundo o artigo oitavo da Lei Federal 7.853/89, constitui crime punível com reclusão de um a quatro anos e multa: a) Recusar, suspender, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, porque é pessoa com deficiência.

O Colégio Pedro II foi desobrigado a matricular estudantes com idade superior ao limite etário por série, bem como aqueles que tiverem repetido mais de uma vez a mesma série e alunos portadores de necessidades educacionais especiais. A decisão da 8ª Turma Especializada do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) negou o pedido do MPF (Ministério Público Federal) que queria anular a Portaria 872/99 do Colégio Pedro II que estabelece esta prática.
Conforme informações do tribunal, a decisão do TRF-2 foi proferida no julgamento de apelação apresentada pelo MPF contra sentença da primeira instância.

O relator do processo, desembargador federal Raldênio Bonifácio Costa, lembrou que a portaria —ou a própria instituição— não exclui ou discrimina qualquer aluno portador de necessidades especiais, pois o Colégio Pedro II mantém diversos convênios com universidades e serviços especializados para auxiliar seus alunos com problemas psicomotores, dislexia e gagueira, além de prestar assistência psico-pedagógica para alunos que sofrem de dependência química.

O magistrado também ressaltou que além disso, o colégio tem alunos com deficiência auditiva (que usam aparelho corretivo) e visual (que fazem parte de um programa de cooperação técnica com o Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro), mas não está estruturado para receber estudantes surdos e portadores de síndrome de Down e, “se viesse a aceitar alunos que apresentassem tais características, correria o risco de errar nos procedimentos pedagógicos ou terapêuticos”, ponderou.

Ao proferir a decisão, o desembargador considerou que o aluno só se torna bi-repetente (não podendo ser re-matriculado) quando não obtém aproveitamento, mesmo após ter tido aulas extras de recuperação. Ainda assim, cada caso é discutido pelo Conselho de Classe, que é formado por coordenadores pedagógicos, pelos integrantes do Serviço de Orientação Escolar, pelos da Seção Técnica de Ensino e Avaliação, pelo representante da Associação de Pais e Mestres e pelo presidente do Grêmio Estudantil.

Com relação ao limite de idade por série, o relator do processo entendeu que ele foi estipulado pela portaria 872 para que ocorra o melhor aproveitamento didático-pedagógico de todos os alunos da classe.

O magistrado destacou ainda que “a não observância do limite de idade implicaria em desigualdade de condições e no comprometimento da qualidade”. Ele afirmou que esse limite faz-se necessário “a fim de obter-se a homogeneidade de alunos na mesma classe, garantindo um desenvolvimento racional e emocional equânime”.

O MPF havia ajuizado uma ação civil pública, argumentando que o colégio teria criado “inadmissíveis restrições etárias para o acesso às diversas séries daquela instituição federal de ensino”, e que assim estaria ferindo direitos fundamentais garantidos aos estudantes na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e na legislação educacional.
Sábado, 8 de novembro de 2008.
Comentário Caleidoscópio: O que dizer sobre um absurdo desses? Podem me xingar, criticar, odiar, mas TUDO o que eu tenho a dizer é que esses supostos seres humanos sofram graves acidentes e fiquem com várias deficiências, tenham filhos com problemas de aprendizado, e principalmente, voltem à Terra na pele dessas pessoas para sentirem a dor de serem discriminados, humilhados, excluídos, expulsos, e esmagados por ditadores, generais, crápulas, assassinos, covardes, fracos, medíocres, mesquinhos, egoístas, egocêntricos, e amebas como eles são hoje.
Desejo isso com todas as minhas forças, principalmente, para o prepotende suposto juiz, que não sabe o significado da palavra justiça porque trata seres humanos como amebas!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Vida!!!!

“Escrevo para me sentir viva”

Revista Época- 11/11/2008

Num caso semelhante ao do filme O Escafandro e a Borboleta, a advogada Leide Moreira perdeu quase todos os movimentos do corpo – e ditou um livro apenas com o olhar.
Por Solange Azevedo

Passa das 7 da manhã quando Leide Moreira, de 60 anos, desperta. A janela que corta a parede esquerda de seu quarto ilumina fotografias e desenhos fixados nas portas de seu guarda-roupa. São imagens da família, colocadas bem em frente à cama. De feição sóbria, a mãe de Leide aparece quando tinha uns 40 anos e, depois, com mais de 90.
Os netos sorriem. Gabriel, de 7 anos, pregou um escudo do Corinthians todo pintado de amarelo. Um presente para a vovó. Pedro, de 4, contribuiu com traços abstratos numa folha de sulfite. O calendário pendurado entre as fotos anuncia o fim de outubro. “É preciso viver plenamente o agora”, diz o texto impresso acima de uma bonita borboleta.

Leide está confinada há três anos nesse espaço de cerca de 12 metros quadrados. Ela é vítima de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurológica degenerativa e progressiva que afeta os neurônios motores – as células do sistema nervoso que controlam o movimento voluntário dos músculos.
Leide já atingiu um estágio da doença em que não fala, não anda, não pisca. Respira com a ajuda de um aparelho. Alimenta-se por meio de uma sonda. Comunica-se fazendo pequenos movimentos com o globo ocular. Com uma tabela nas mãos, uma de suas cuidadoras pronuncia as letras do alfabeto. Leide olha para o lado esquerdo para escolher “sim” e para o direito para dizer “não”. Outra cuidadora anota tudo num caderno de folhas alaranjadas e vai formando as palavras. Foi assim que Leide construiu todos os versos do livro Poesias para Me Sentir Viva, que será lançado nesta semana, em São Paulo. Sem emitir nenhum som, ela ditou letra por letra.

É um caso similar ao do jornalista francês Jean-Dominique Bauby, autor de O Escafandro e a Borboleta, livro que Leide terminou de ler há pouco. Na obra, Bauby descreve a sensação de sofrer de uma síndrome chamada “locked-in” (algo como “trancado em si mesmo”). Ex-editor da revista Elle francesa, Bauby, que morreu em 1997, ficou com o corpo todo paralisado e sem poder falar depois de um acidente vascular cerebral. Só conseguia se comunicar piscando o olho esquerdo. Foi piscando esse olho que ele escreveu o livro, depois transformado em filme.
Embora o caso de Leide não seja descrito como uma síndrome locked-in, é provável que ela tenha sensações semelhantes às de Bauby. “Sinto falta de correr, conversar, brincar com meus netos”, diz Leide. Apesar das limitações que deixam seu corpo inerte, ela afirma ser feliz. “Vamos continuar vivendo. Nossa imaginação pode tudo”, afirmou ao filho Cesar depois de receber o diagnóstico da doença.

De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (ABrELA), essa enfermidade atinge, pelo menos, 2.500 pessoas por ano no Brasil. A incidência no mundo é semelhante: de um a dois casos para cada 100 mil habitantes. Apesar de ter sido descrita pela primeira vez no século XIX, suas causas permanecem desconhecidas.
Dois estudos recentes, feitos na Itália com 31 mil jogadores e ex-jogadores profissionais de futebol, mostraram que a incidência entre esses atletas é até 30 vezes maior que a média registrada na Europa. Suspeita-se que micronecroses criadas nos músculos durante atividades físicas intensas liberem uma substância que, levada até o cérebro, se transforma num composto conhecido como glutamato, um transmissor de impulsos cerebrais (ou neurotransmissor). O glutamato é fundamental para que o organismo dê respostas rápidas aos estímulos que recebe, mas se torna tóxico quando liberado em excesso.

Conhecida como doença de Lou Gehrig – homenagem à estrela do beisebol americano que morreu vítima do mal –, a ELA tem aparecido com mais freqüência no noticiário. Foi tema de artigo recente na revista Newsweek sugerindo o envolvimento da liga de beisebol no combate à doença. Outra vítima no cenário esportivo é o futebolista italiano Stefano Borgonovo, de 44 anos.
No início de outubro, os times italianos Fiorentina e Milan disputaram uma partida para arrecadar dinheiro para sua fundação. Ex-jogador dos clubes, Borgonovo planeja financiar pesquisas sobre a doença. Roberto Baggio, que no final da Copa de 1994 errou um pênalti e deu a taça à Seleção Brasileira, entrou no estádio empurrando a cadeira de rodas de Borgonovo.
Embora algumas pesquisas sugiram uma correlação com futebol ou beisebol, não é possível relacionar a doença à prática intensa de exercícios. Ciclistas e jogadores de basquete que atuaram entre 1945 e 2003 também foram examinados na Itália. Nenhum caso de ELA foi descoberto nessas modalidades. “Até agora não há respostas. Há apenas especulações”, diz Acary Souza Bulle Oliveira, chefe do setor de doenças neuromusculares da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Leide suspeitou que sua saúde não ia bem no fim de 2004, ao sentir uma progressiva perda de força no braço direito. Em pouco tempo, passou a ter dificuldades para realizar pequenas tarefas do cotidiano, como lavar os cabelos e abrir a porta do carro. Preocupada, procurou na internet as possíveis causas do problema. Levou um susto. “Só não queria que fosse ELA”, disse aos filhos na ocasião.
Dezenas de exames e alguns consultórios médicos depois, veio o diagnóstico. A agenda marcava 24 de fevereiro de 2005. No dia em que completou 57 anos, Leide teve a certeza de que sua vida mudaria para sempre. Naquele tempo, ainda corria com regularidade 10 quilômetros no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e fazia musculação duas ou três vezes por semana.

Advogada desde a década de 70 e sócia da filha do meio numa consultoria de projetos culturais, Leide perdeu todos os movimentos em cerca de um ano. O último foi o das pálpebras. “Foi desesperador”, diz o engenheiro Cristiano, de 33 anos, seu filho caçula. “Às vezes, eu acordava de madrugada porque ela estava chorando. Queria ir ao banheiro sozinha, mas caía no meio do caminho.”
Em agosto de 2005, Leide passou a ser alimentada por uma sonda. Seus músculos já não podiam deglutir. Três meses depois, passou a usar um respirador artificial. “Antes desses procedimentos, eu e meus irmãos conversávamos muito. Tínhamos pavor de que ela não aceitasse. A gente preparava uma série de argumentos para seduzi-la, pois a decisão final sobre o tratamento sempre foi dela”, diz o filho mais velho, o psicólogo Cesar, de 39 anos. “Nunca tivemos de gastar muita lábia. Ela sempre optou pela vida.”

Leide tem a forma clássica da doença, que atinge nove de cada dez pacientes. Por ser puramente motora, a ELA não afeta o tato, a audição, a visão, o paladar nem o olfato. Em geral, funções como a sexual e a cardíaca e os nervos que controlam os movimentos oculares (por serem mais resistentes que os demais) ficam preservados. Não prejudica a inteligência, o juízo e a memória.
Um dos cientistas mais brilhantes da atualidade, o físico inglês Stephen Hawking, convive com a ELA há 45 anos. É um caso raro de resistência. Apenas 10% das pessoas nessa condição sobrevivem mais de dez anos.

Entre os brasileiros, é possível que a sobrevida aumente em breve. Uma portaria assinada pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em julho, determina que o SUS forneça respiradores de graça a quem tem doenças neuromusculares.
A insuficiência respiratória é a principal causa de morte dos pacientes de ELA. Um medicamento capaz de aumentar em três meses a sobrevida dos doentes surgiu em 1994. De lá para cá, não houve descobertas que mudassem o curso da enfermidade. Embora ainda não haja cura, problemas decorrentes como cãibra, depressão e salivação devem ser tratados. Acompanhamento psicológico – inclusive de familiares e cuidadores – e fisioterapia são fundamentais.

A cada ano, pelo menos 2.500 brasileiros se tornam vítimas de esclerose lateral amiotrófica
Há sete anos, a psicóloga Vania de Castro atende pacientes, familiares e cuidadores. “Às vezes me perguntam como é lidar com a morte. Respondo que não lido com a morte, mas com a vida das pessoas que têm ELA”, diz. “Existir da forma que é possível não é negar a doença, é respeitar a singularidade de cada ser humano.”
Numa das visitas a Leide, Vânia notou mudanças na decoração na sala. Ao chegar ao quarto, disse: “Persiana na janela/Tapete no chão”. Leide pediu a tabela com as letras do alfabeto e completou: “A sala fica mais bela/Isso alegra meu coração”. Os versos de “Minha Sala” estão na página 75 do livro Poesias para Me Sentir Viva.

Os quatro versos de “Dilema” foram os primeiros criados por Leide usando a tabela. “Minha vida se esvaindo/Não sei se vou chorando ou sorrindo/Sorrindo pondo fim a uma agonia que não agüento mais/Chorando por deixar para trás pessoas que amo demais.”
A história e a obra de Leide se tornaram conhecidas internacionalmente na semana passada. Foram apresentadas num simpósio mundial sobre ELA, na Inglaterra. O próximo projeto de Leide é um documentário sobre sua luta pela vida. Bem encaminhado, o longa precisa de patrocínio para ser rodado.

“A poesia funciona como um refresco para nosso sofrimento”, diz Leide Moreira Jacob, de 37 anos, a filha do meio. Conhecida pelo apelido de Juninha, ela é a principal cuidadora da mãe. Além dela, nove funcionárias se revezam dia e noite. Do Rio de Janeiro, onde mora, Cesar observa a mãe pela internet. Há três câmeras instaladas no quarto.
Desde que ficou doente, Leide perdeu duas coisas que prezava muito: liberdade e privacidade. Viúva desde 1998, ela morava sozinha. Namorava. Às sextas-feiras, ia dirigindo até Franca, no interior paulista, para visitar a família. Baladeira, gostava de dançar, beber cerveja e coquetéis com os amigos do escritório. Era a mais animada da turma. “Bom dia, flor do dia”, dizia às colegas.

A “flor do dia” Ivania Soares, de 33 anos, que servia cafezinho no escritório, se tornou cuidadora de Leide. “Conto tudo para a Leide e ela me dá conselhos”, afirma Ivania. “Um dia, eu estava brava com a minha menina de 14 anos e perguntei se deveria dar uma surra nela. Leide respondeu que não. E que eu deveria ser muito amiga da minha filha.”
O humor das cuidadoras tem forte impacto no bem-estar de Leide. Detalhes do cotidiano, que podem parecer banais para outras pessoas, são fundamentais na vida de quem tem ELA. Quando os filhos, os amigos e parentes de Leide telefonam, as cuidadoras botam no viva-voz. Do outro lado da linha, eles relatam como estão, quando vão visitá-la e quanto ela é importante na vida deles. As perguntas mais simples feitas a Leide são respondidas no ato, com a ajuda das cuidadoras. As elaboradas, quando é necessário o uso da tabela, são respondidas depois.

É Leide quem manda na casa. Ela é consultada quando é preciso tomar decisões. “Minha mãe nunca foi coitadinha. Reclama, se posiciona”, diz Juninha. Quando querem comer na sala ou sair para brincar com algum amiguinho do prédio, os netos Gabriel e Pedro vão até o quarto pedir permissão para a avó. Antes de dar os remédios (são 21 comprimidos e dois em gotas todos os dias) ou introduzir o alimento na sonda, as cuidadoras dizem o que vão fazer e esperam a autorização.
Leide não é tirada da cama se não quiser. Diariamente, costuma ficar fora do quarto meia hora de manhã, para o banho, e uma hora à tarde, para passear de cadeira de rodas pelo apartamento. A primeira parada é no quarto de Cesar e Cristiano. Leide fica brava quando encontra bagunça. As cobertas e as toalhas têm de estar perfeitamente esticadas.
Leide já reclamou de uma garrafa de vinho que estava de pé sobre o barzinho, quando deveria estar na posição horizontal. “Leide, você quer ficar um pouco na sacada?”, perguntam as cuidadoras. Nos dias quentes, ela costuma dizer sim. Ali, observa seus vasos de orquídeas, crianças brincando na quadra de esportes e eventuais movimentos na churrasqueira do prédio. “Fazemos questão de respeitar os desejos da minha mãe. Se negássemos seus direitos básicos, sua identidade iria se diluir”, diz Cesar.

As palavras de Leide são anotadas num caderno. Gentilezas de mãe e de dona da casa também ficam registradas. “Guardar um pedaço de bolo para o Cris”, ditou antes de receber a visita do caçula. Em outra ocasião, pediu que comprassem “sorvete e bolacha” para os filhos de uma das cuidadoras. Parte das tardes é reservada para ler jornal.
Leide só não aprecia os cadernos de economia e de esportes. “E a crise? Um amigo meu vai aplicar em inferninhos, em piranhas! Porque lá a bolsa roda, mas não cai!”, escreveu José Simão (colunista da Folha de S.Paulo). A cuidadora Eliane de Almeida Silva não consegue segurar a risada. Embora os músculos faciais de Leide não permitam a manifestação do riso, a impressão era que, naquele momento, ela estava gargalhando por dentro. “Leide gosta de coisas travessas”, diz Ivania. “Outro dia, mostrei vários toques de celular para ela. Os palavrões eram meio pesados.”

Apaixonada por MPB e livros, Leide tem mais de 70 CDs na estante do quarto. No primeiro dia em que estive conversando com ela, fui recebida ao som de “Encontros e Despedidas”, de Maria Rita. Atualmente, ela dedica algum tempo de seus dias à leitura de Ensaio Sobre a Cegueira, romance do português José Saramago. No ano passado, quando perdeu a mãe, ela se desesperou. “Pediu para a Ivania desligar o respirador. No dia seguinte, desculpou-se”, diz Juninha. Esses momentos de aflição são interpretados pela família apenas como momentos. “Quero viver. A cura é tudo o que eu espero”, diz Leide.

Assim é ELA.

A incidência da doença no mundo é de um a dois casos para cada 100 mil habitantes
O QUE É - Uma doença neurológica degenerativa e progressiva capaz de paralisar todos os músculos voluntários. Homens brancos são as vítimas mais freqüentes. Os primeiros sintomas surgem, em média, aos 57 anos. Em geral, a sobrevida do paciente é de três a cinco anos

FORMAS DE ELA - Nove de cada dez pacientes têm a forma esporádica (clássica). Os demais têm a forma familiar, de origem genética. Os primeiros sintomas da ELA familiar aparecem de dez a 15 anos antes da esporádica. Podem surgir, inclusive, na juventude
AS CAUSAS - Ainda são desconhecidas. Acredita-se que a exposição a fatores de risco como processos inflamatórios, agentes tóxicos e excesso de atividades físicas podem desencadear a morte dos neurônios motores nos indivíduos predispostos geneticamente à doença
OS PRINCIPAIS SINTOMAS - Fraqueza nos músculos, reflexos anormais, atrofia e fasciculações (contrações involuntárias) nos membros. Mais tarde, são afetadas as funções vocais e respiratórias. Com a morte dos neurônios motores, o paciente não é capaz de mover voluntariamente os músculos do corpo
FUNÇÕES NÃO-COMPROMETIDAS - ELA não afeta a inteligência, o juízo e a memória. Nem o tato, a audição, a visão, o paladar e o olfato. A percepção à dor é normal. Em geral, funções como a sexual, a cardíaca e de digestão e os nervos que controlam os movimentos oculares e os esfíncteres não são afetados
TRATAMENTO - ELA não tem cura. Drogas para retardar sua evolução estão sendo estudadas. Problemas decorrentes da doença, como cãibra, depressão e salivação, devem ser tratados. Acompanhamento psicológico, inclusive de familiares e cuidadores, e fisioterapia são fundamentais
Imóveis, mas cheios de vida
Mesmo sem movimentos, eles continuaram criativos.

A doença que afeta Leide Moreira e o físico Stephen Hawking não os impediu de continuarem lúcidos e motivados para se comunicar. Mesmo com a doença, Hawking manteve a fala, a ponto de participar de uma gravação do grupo de rock Pink Floyd, em 1994. Vítima de um AVC, o jornalista Jean-Dominique Bauby perdeu os movimentos do corpo. Desenvolveu a síndrome locked-in. Embora clinicamente o caso não tenha ligação com a esclerose lateral amiotrófica, ele só se expressava piscando.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

De qual inclusão estamos falando?

Homem barrado em agência bancária por usar muletas e mulher humilhada em ônibus por andar de cadeira de rodas. Cidadãos, contribuíntes e eleitores em dia com o Governo Federal.
Por Leandra Migotto Certeza.
Hoje meu noivo foi agredido em uma agência da Caixa Econômica Federal, no bairro de Pinheiros em São Paulo! O segurança barrou sua entrada alegando que suas muletas canadenses não poderia passar pela porta girtória de vidro!
Hoje eu fiquei mais de 15 minutos (após esperar 20 minutos pelo ônibus supostamente adaptado) aguardando dois funcionários da companhia de ônibus Intervias fecharem o vigéssimo elevador que estava quebrado desde que comecei a usar, com mais frequência, o transporte público do estado de São Paulo, há 1 ano. Esta linha de ônibus liga as cidadades como Cotia, Carapicuíba, Calcáia do Alto entre outras à São Paulo pela Rodovia Raposo Tavares.
O cidadão Marcos dos Santos foi pagar uma conta no banco, como milhões de brasileiros que estão em dia com suas obrigações econômicas, políticas e sociais. O eleitor Marcos dos Santos não deve um centavo ao Governo Federal, e muito menos à qualquer empresa privada. Por andar com um par de muletas foi discriminado como inúmeras pessoas todos os dias no Brasil.
Eu, Leandra Migotto Certeza, fui humilhada ao ser carregada em minha cadeira de rodas, para 'descer' no ponto de ônibus perto da minha casa - no bairro do Butantã, na cidade de São Paulo. Para não atrazar as demais viagens, o motorista junto com o cobrador, arriscaram minha integridade física.
Meu noivo foi obrigado a pagar sua conta em outra agência, mesmo depois de chamar o gerente para tentar ser atendido no local, após ter sua dignidade ferida. Saiu de Pinheiros novamente sem dever um centavo. O Governo Federal negligenciou seu voto como eleitor e seus impostos como cidadão ao não obedecer à Constituição da República e à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, documento internacional ratificado pela nossa nação.
Eu voltei para casa sem provas cabais (imagens irrefutáveis feitas com uma filmadora, que ainda não tenho porque estou desempregada) de que corri risco de morte nas mãos de funcionários completamente destreinados - para manuzear um elevador de uma empresa de ônibus - que só existe porque pago meus impostos régiamente.
E estas palavras serão lidas por pessoas (funcionários públicos e/ou profissionais da inciativa privada e/ou autônomos) que se dizem defensoras da Inclusão, nome bonito para vender livros; encher auditórios; ser tema de discussões infrutíferas na internet; e sustentar muitos profissionais que falam pelas pessoas com deficiência - pelo mundo a fora - sem nunca ter ouvido o que elas realmente têm a dizer, usado um par de muletas ou sentado em uma cadeira de rodas por um único dia!!!

Da transparência à visibilidade 5 anos depois

Da transparência à visibilidade

Por Leandra Migotto Certeza - Rede SACI- 16/07/2003

Para Leandra Migotto Certeza, um dos principais fatores de transformação é a disseminação de informações e a comunicação entre as pessoas.
Comentário Caleidoscópio: Esta 'matéria-crônica' publicada em 2003, infelizmente, ainda é tão atual passados 5 anos! O processo de inclusão é bem lento no Brasil, por isso é preciso sempre relembrarmos a cada segundo onde nós estávamos há poucas horas atrás para iluminarmos o caminho em busca da liberdade. Cheio de luz será o dia em que não precisaremos mais lutar pela inclusão, pois ela será nossa única realidade!!

Participar do "II Seminário Internacional do Terceiro Setor - Parcerias e Alianças: Pontes para a Inclusão Social", realizado pelo SENAC Terceiro Setor em parceria com a Johns Hopkins Center for Civil Society Studies, em São Paulo, foi uma boa experiência. Creio que, após anos de trabalho, as pessoas com deficiência vêm finalmente conquistando o seu devido espaço. E oportunidades de reflexão como essa precisam ser ampliadas a cada dia para ‘evoluirmos’ da transparência à visibilidade. Sabem por quê?

Percebo que, como jornalista, surpreendo as pessoas. Devido às dificuldades ainda enfrentadas pelas pessoas com deficiência para cursarem uma universidade, são poucas as que exercem essa profissão. E ainda menos, as que têm acesso à realização de coberturas e entrevistas. Eu não penso duas vezes. Às vezes pergunto antes se o local é acessível, em outras, aproveito para dar uma de fiscal. Dessa vez, além de realizar o meu trabalho, também dei uma olhada para verificar se a teoria correspondia à prática. Observei que o Blue Tree Convention Ibirapuera dispõe de rampas na entrada, vagas demarcadas para estacionar veículos conduzidos ou que transportam pessoas com deficiência, elevadores com sinalização em sistema Braille (porém, sem sistema de auto-falante, que melhor orienta as pessoas com deficiência visual), banheiros adaptados e sinalizados (com algumas falhas, como a altura das pias).

Os auditórios têm portas largas, cadeiras móveis (fáceis de acomodar pessoas em cadeira de rodas) e rampa de acesso à mesa dos conferencistas. As mesas da recepção também estavam em uma altura acessível a todos. Os telefones públicos do hotel são posicionados para atender pessoas com dificuldades de locomoção ou de menor estatura (porém, não são acessíveis aos deficientes auditivos). As mesas utilizadas durante o coffe-break também estavam em uma altura mediana. Além disso, os organizadores do evento sabiam como auxiliar uma pessoa com dificuldade física em caso de alguma necessidade. Mas por que será que o material do evento, dessa vez, ainda não foi impresso em sistema Braille e as palestras não contavam com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais?

Talvez, a apresentação de apenas um painel desse seminário dedicado ao tema "Exclusão de pessoas portadoras de deficiência", no dia 9 de julho, já indique alguns caminhos para tentarmos responder essas e outras questões. Para a gerente da Rede SACI, Marta Gil, que participou do evento, "Ainda é difícil ver essas pessoas nas ruas. Falta acesso aos bens sociais básicos, como transporte, educação, saúde, mercado de trabalho, entre outros. Quando começamos a trabalhar, disponibilizando informações na Internet era muito difícil encontrar pessoas com deficiência visual utilizando computadores. Participar de seminários tão importantes como esse é uma grande vitória, mas ainda temos muito, o que construir. Precisamos de todo apoio do Terceiro Setor". Flávia Cintra, fundadora do Centro de Vida Independente de Santos, apontou um dos fatores para essa exclusão. "A sociedade ainda não leva em conta a diversidade humana e esquece que a minoria é a maioria".

Mediando os conferencistas, Faith Kasinga, advogada especialista em Direitos Humanos e diretora de programas do Centro de Filantropia e Responsabilidade - UFADHILI, do Quênia, introduziu o assunto aos aproximadamente 50 participantes nacionais e internacionais, afirmando que ainda é necessário quebrar muitas barreiras de atitude e físicas para vivermos em um mundo inclusivo. Para ela, as políticas públicas que garantam acesso ao mercado de trabalho e a educação são fundamentais para o exercício da cidadania dessas pessoas. "E para que isso aconteça de verdade, a participação das famílias das pessoas com deficiência é muito importante, pois, na maioria das vezes, acabam ficando excluídas também porque é muito caro pagar os tratamentos para os filhos deficientes. E não podemos nos esquecer de que essas pessoas precisam de voz ativa e participação política, econômica e social", concluiu.

Também constatei ser concensual aos palestrantes a falta de estatísticas seguras que tornem essas pessoas visíveis. Na Itália, a situação não é muito diferente do que a nossa. Estudos ainda imprecisos, segundo informações da representante do país no seminário, Elena de Palma, apontaram que 5% da população têm alguma deficiência. São aproximadamente 2300 pessoas. "Não conhecemos exatamente essas pessoas. E esquecemos que elas têm os mesmos direitos humanos que qualquer um de nós", afirmou.

A pesquisadora do Instituto Nacional de Estatística da Itália também ressaltou a importância da nova Classificação Internacional de Funcionalidade para definir as deficiências. Para ela, o modelo que valorizava somente a avaliação médica está ultrapassado. Hoje as pessoas com deficiência são abordadas também cultural e socialmente. "Em uma sociedade igualitária é preciso criar condições para essas pessoas participem de todas as atividades. É preciso afirmar que não só o deficiente deve ‘mudar’ para se adequar à sociedade. É um processo mútuo. Afinal, a acessibilidade é benéfica a todas as pessoas, sejam: idosas, obesas, gestantes, deficientes, e/ou temporariamente desabilitadas de alguma função", concluiu.

Pouco abordado pela mídia, 2003 - o Ano Europeu das Pessoas com Deficiência também foi lembrado por Palma. Segundo ela, a Itália comprometeu-se a proteger os direitos dessas pessoas, estender o debate sobre a importância das políticas públicas igualitárias e promover estratégias eficazes em inclusão social, unindo os governos, a sociedade civil, as organizações não-governamentais e as empresas privadas. "Estamos lutando para mudar o quadro das estatísticas imprecisas em nosso país e para dar visibilidade às pessoas com deficiência. Temos também uma preocupação especial com os jovens", concluiu.

Trabalhar em rede é compartilhar valores e experiências

Ouvindo as palavras de Marta Gil durante o seminário constatei que quando a Rede SACI começou, há três anos e meio, a idéia de que pessoas com deficiência eram invisíveis estava mais forte. Hoje, depois de muito trabalho duro, acredito que estamos passando da ‘era’ de invisibilidade para a transparência. Apesar de que em muitas regiões mais periféricas, inúmeras pessoas com deficiência ainda são completamente negligenciadas.

Porém, creio que um dos principais fatores de transformação é a disseminação de informações e a comunicação entre as pessoas. E esse deve ser um dos principais focos de discussão hoje. Para Marta, a concepção de rede vai se tornando cada vez mais concreta atualmente porque essa teia é tecida pelos fios da informação. "É muito bom trabalhar de forma responsável, interativa, compartilhando valores e experiências. Na dimensão de rede não há hierarquias e os resultados são inesperados e muito gratificantes", afirmou.

Ao explicar aos participantes internacionais o nome do projeto, que atua como facilitador entre a sociedade e as pessoas com deficiência, Marta descreveu o personagem folclórico do Saci-Pererê. "É um moleque peralta de uma perna só que viaja em um redemoinho e altera tudo por onde passa. O nosso saci vive na Internet". A mudança de paradigmas é um dos objetivos da Rede SACI - Solidariedade, Apoio, Comunicação e Informação que atua fora e dentro da Internet. Para ela a disseminação de tecnologias sociais também deve ser foco permanente de discussão, pois quanto mais longe for a teia formada por pessoas, mais informações vão chegar. "É importante termos e divulgarmos informações corretas e precisas", concluiu.
Outro ponto levantado pela socióloga é a necessidade de maior integração entre as próprias ‘minorias’, que juntas são a maioria. Para ela, precisamos estreitar os laços com os movimentos dos negros, das mulheres entre outros, pois a deficiência anda transversalmente nesses setores. Existem pessoas com deficiência de todas as raças, etnias, nacionalidades, gêneros, classes sociais, etc. Eu, particularmente, concordo com ela, pois já participei de vários encontros desses grupos e constatei a falta de informação sobre os deficientes. Acredito que quem prega a inclusão tem o dever de pensar amplamente, integrando essas pessoas.

Questionada pela platéia, Marta também afirmou que faltam políticas públicas que coloquem em prática as leis, que garantem os direitos dessas pessoas. "Temos uma das melhores legislações para as pessoas com deficiência. Falta fazer com que ela pegue!", declarou. Para ela, a comunicação traz as armas para que as pessoas pressionem os órgãos de direito.

Já para Flavia Cintra, foi-se o tempo de questionarmos apenas os governos. "A sociedade junta tem poder de ação, haja visto o aumento do Terceiro Setor e das ONGs em nosso país. Não adianta criticar os governos!", declarou. Não concordo completamente com as palavras dela, pois creio que cabe à sociedade construir ambientes inclusivos junto aos governos que detêm o poder.
E cabe ao Estado ouvir o que seus membros têm a dizer e proporcionar condições mínimas de sobrevivência aos cidadãos que pagam seus impostos, junto às muito bem-vindas iniciativas privadas. Afinal, as leis existem para serem cumpridas com consciência. Temos que nos unir para construir uma nação mais humana, mas não podemos esquecer o importante papel do Estado.
Vale a pena saber o que rolou no seminário inteiro. Entrem no site: http://www.setor3.com.br/ e acompanhem a cobertura completa.

Múltipla

Múltipla

Sou
quantas máscaras tenho?

Estou
aqui, alí, dentro, fora
Quantas fozes escuto?

É impossível ser e estar aqui e agora
A essênsia é uma só
mas aparece mútipla

Nos prendemos a uma psique, alma, corpo, forma, cor, perfume, sabor
para não nos desprendemos para sempre
na imensidão dos universos
e virarmos AR

Leandra Migotto Certeza - 10/11/08

A REALIDADE é uma só!!!

Portadores de deficiência representam menos de 1% dos empregos formais
Fonte: JB Online - 07/11/2008

Do total de 37,6 milhões de vínculos empregatícios formais, 348,8 mil foram declarados como pessoas com deficiência.

BRASÍLIA - Pela primeira vez o Ministério do Trabalho e Emprego apresenta o resultado da inserção de portadores de deficiência no mercado formal de trabalho através dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).
De acordo com os números de 2007, do total de 37,6 milhões de vínculos empregatícios formais, 348,8 mil foram declarados como portadores de necessidades especiais, o que representa menos de 1% do contingente de empregos formais no Brasil.

Do total dos 348,8 mil trabalhadores portadores de necessidades especiais, 50,28% são deficientes físicos, 28,16% auditivos, 2,95% visuais, 2,41% mentais e 1,67% portadores de deficiências múltiplas. Foram declarados 14,02% empregados na situação de reabilitados.

O importante desta divulgação é mostrar a radiografia real do país. A Rais não é uma pesquisa. São dados reais fornecidos por todos os estabelecimentos do Brasil. Assim, podemos ver exatamente como é o mercado de trabalho - disse o ministro Carlos Lupi.

Com relação a gênero, os dados mostram que os homens têm uma maior representatividade em todos os tipos de deficiência, com uma participação em média de 62,76%.
No caso dos portadores de deficiência física, o percentual de participação masculina é de 60,11%, sendo de 63,47% no que se refere à deficiência auditiva, 65,97% à visual, 72,6% às mentais e 69,4% às múltiplas.

Os dados da Rais 2007 evidenciam que a remuneração média recebida pelos trabalhadores portadores de necessidades especiais é de R$ 1.389,66, ligeiramente superior à média dos rendimentos do total de vínculos formais (R$ 355,89).
Os assalariados com deficiência auditiva são aqueles que recebem a maior remuneração dentre os diversos tipos de deficiência (R$ 1.845,09). Por outro lado, os portadores de deficiência mental são os que revelaram o menor rendimento (R$ 728,06).
Segundo o recorte por gênero, é entre os portadores de deficiência mental onde se verifica que a remuneração da mulher (R$ 766,15) supera à auferida pelos homens (R$ 709,89).
Em sentido oposto, os portadores de deficiência múltipla são os que apresentam maior diferencial (48%) entre os rendimentos pagos segundo gênero (R$ 1.288,37 para os homens e R$ 7,94 para as mulheres), seguido dos deficientes auditivos (41%), expressos pelos rendimentos de R$ 2.066,97 e de R$ 1.463,05, respectivamente.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Amor...




Eu e meu noivo Marcos dos Santos estamos juntos desde setembro de 2005.

Max Ehrmann, poeta e advogado escreveu este texto em 1927. A força e beleza do texto associadas com a divulgação feita por um padre, gerou a falsa idéia que esta poesia havia sido encontrada "na velha Igreja de São Paulo, em Baltimore, no ano de 1692".

Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de quanta paz pode haver no silêncio.Tanto quanto possível, sem renunciar, mantenha boas relações com todas as pessoas.
Fale a sua verdade calma e claramente; e ouça a dos outros, mesmo a dos tolos e ignorantes; eles também têm sua história.
Evite as pessoas escandalosas e agressivas;elas atormentam o espírito. Se você se comparar com os outros, poderá se tornar vão ou amargo, pois haverá sempre pessoas melhores e piores que você.

Desfrute tanto suas realizações, quanto os seus planos. Mantenha-se interessado no seu trabalho, ainda que humilde; esse é um bem real frente às variações da sorte.
Tenha cautela nos negócios, pois o mundo está cheio de armadilhas.

Mas não se torne cético quanto à virtude que existe;muita gente luta por ideais nobrese em toda parte a vida está cheia de heroísmo. Seja você mesmo.
Principalmente, não simule afeição. Nem seja cínico em relação ao amor, pois, diante de toda aridez e desencanto, ele é perene como a relva.
Aceite com serenidade os ensinamentos do passar dos anos, renunciando com elegância ao que pertence à juventude.
Cultive a força do seu espírito para protegê-lo no infortúnio inesperado. Mas não se desespere com perigos imaginários. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão.
A despeito de uma disciplina rigorosa, seja brando consigo. Você é filho do universo como as árvores e as estrelas; você tem o direito de estar aqui.
E, mesmo que isso não seja muito claro para você, não tenha dúvida que o Universo segue na direção certa. Portanto, esteja em paz com Deus, como quer que você O conceba.
E quaisquer que sejam seus trabalhos e aspirações, na ruidosa confusão da vida, mantenha a paz em sua alma.
Apesar de todas as trapaças,agruras e desencantos, o mundo ainda é belo. Seja alegre. Se esforce para ser feliz.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ser e não ser

"Ser e não ser
Sentir e não sentir
Culpa
Medo

Crescer...

REVOLTA

A dor e a delícia de ser o que é

Simbiose
Raiva
Reflexo da descoberta de ser

Máscaras
Papéis
Representar

Chorar...

Deficiência
Independência
Prepotência

Receio de enfiar a faca com gosto na ferida esposta em minha 'carne-alma'

Medo da condição maquiavélica (?) de ser
simplesmente: HUMANA e IMPERFEITA"

Leandra Migotto Certeza - 03/11/08

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O que é Acessibilidade na Web?

Acesso à Internet por todos
Por Planeta Educação - 20/10/2008

Acessibilidade na internet ou acessibilidade na web significa permitir o acesso à web por todos, independente de tipo de usuário, situação ou ferramenta. É criar ou tornar as ferramentas e páginas web acessíveis a um maior número de usuários, inclusive pessoas com deficiências.
A acessibilidade na web beneficia também pessoas idosas, usuários de navegadores alternativos, usuários de tecnologia assistiva e de acesso móvel.

A acessibilidade na web engloba: - Sítios e Aplicações web: onde as pessoas podem perceber, compreender, navegar e interagir. - Navegadores, media players, puglins: que podem se usados efetivamente por pessoas com deficiências e que funcionem bem com tecnologias assistivas utilizadas por algumas pessoas com deficiência, para acessar a web. - Ferramentas de autoria web e outras tecnologias que envolvem a web: utilizadas para produção de conteúdo web e outras funções.

O conteúdo das páginas e as ferramentas devem estar preparados com acessibilidade. Os autores de conteúdo de páginas web e ferramentas devem ter em mente a diversidade do público. Muitos usuários podem, total ou parcialmente, não ver, ouvir, mover ou processar facilmente algum tipo de informação. Outros podem utilizar-se apenas do teclado para navegar. Muitos podem, ainda, utilizar-se de navegador textual.

Acesso à Web e Tecnologia Assistiva - Este item aborda como as pessoas com deficiência acessam a web, exemplos de barreiras ao acessar páginas e o uso de tecnologia assistiva (tecnologia de apoio).

Deficiência Visual - Cegueira - Para acessar a web, muitas pessoas cegas utilizam o leitor de tela. Alguns usuários usam navegadores textuais como o Lynx ou navegadores com voz em vez de utilizar um navegador comum (navegador com interface gráfica). É muito comum as pessoas cegas se utilizarem da tecla "tab" para navegar somente em links ao invés de ler todas as palavras que estão na página. Deste modo eles têm uma rápida noção do conteúdo da página ou podem acessar o link desejado mais rapidamente.

Leitor de tela: é um software que lê o texto que está na tela do microcomputador e a saída desta informação é através de um sintetizador de voz ou um display Braille - o leitor de tela "fala" o texto para o usuário ou dispõe o texto em Braille através de um dispositivo onde os pontos são salientados ou rebaixados para permitir a leitura.

Navegador textual: é um navegador baseado em texto, diferente dos navegadores com interface gráfica onde as imagens são carregadas. O navegador textual pode ser usado com o leitor de tela por pessoas cegas e também por pessoas que acessam a internet com conexão lenta.

Navegador com voz: é um sistema que permite a navegação orientada pela voz. Alguns possibilitam o reconhecimento da voz e a apresentação do conteúdo com sons, outros permitem acesso baseado em telefone (através de comando de voz pelo telefone e/ou por teclas do telefone).

Exemplos de barreiras ao acessar o conteúdo de uma página: - Imagens que não possuem texto alternativo. - Imagens complexas. Exemplo: gráfico ou imagem com importante significado que não possuem descrição adequada. - Vídeos que não possuem descrição textual ou sonora. - Tabelas que não fazem sentido quando lidas célula por célula ou em modo linearizado. - Frames que não possuem a alternativa "noframe", ou que não possuem nomes significativos. - Formulários que não podem ser navegados em uma seqüência lógica ou que não estão rotulados.
- Navegadores e ferramentas de autoria que não possuem suporte de teclado para todos os comandos. - Navegadores e ferramentas de autoria que não utilizam programas de interfaces padronizadas para o sistema operacional em que foram baseados. - Documentos formatados sem seguir os padrões web que podem dificultar a interpretação por leitores de tela.

Baixa Visão - Para acessar a web, algumas pessoas com deficiência visual parcial usam monitores grandes e aumentam o tamanho das fontes e imagens. Outros usuários utilizam os ampliadores de tela. Alguns usam combinações específicas de cores para texto e fundo (background) da página, por exemplo, amarelo para a fonte e preto para o fundo, ou escolhem certos tipos de fontes.

Ampliador de tela: é um software que amplia o conteúdo da página para facilitar a leitura.
Exemplos de barreiras ao acessar o conteúdo de uma página: - Páginas com tamanhos de fontes absoluta, que não podem ser aumentadas ou reduzidas facilmente. - Páginas que, devido ao layout inconsistente, são difíceis de navegar quando ampliadas por causa da perda do conteúdo adjacente. - Páginas ou imagens que possuem pouco contraste. - Textos apresentados como imagens, porque não quebram as linhas quando ampliadas. - E existem outras barreiras, como as apresentadas para pessoas cegas, dependendo do tipo e extensão da limitação da visão.
Daltonismo - O daltonismo refere-se à falta de percepção a certas cores. Uma das formas mais comuns do daltonismo inclui a dificuldade de distinguir entre as cores vermelha e verde, ou amarelo e azul. Algumas vezes o daltonismo resulta em não perceber as cores. Para acessar a web, algumas pessoas personalizam as cores da página, escolhendo as cores das fontes e do fundo.

Exemplos de barreiras ao acessar o conteúdo de uma página: - Quando a cor é usada como único recurso para enfatizar o texto. - Contrastes inadequados entre as cores da fonte e fundo. - Navegadores que não suportam a opção para o usuário utilizar sua própria folha de estilo.
Deficiência Auditiva - Algumas pessoas surdas têm como primeira língua, a língua de sinais e podem ou não ler fluentemente uma língua, ou falar claramente. Para acessar a web, muitas pessoas dependem de legendas para entender o conteúdo do áudio. Pode ser necessário ativar a legenda de um arquivo áudio; concentrar muito para ler o que está na página, ou depender de imagens suplementares para entender o contexto do conteúdo. Os usuários também podem necessitar de ajuste no volume do áudio.

Exemplos de barreiras ao acessar o conteúdo de uma página: - Ausência de legendas ou transcrições de áudio. - Ausência de imagens suplementares relacionadas, como o conteúdo do texto, que poder ter lenta compreensão por pessoas que tem como primeira língua, a de sinais e não a que está escrita ou falada na página. - Ausência de linguagem simples e clara. - Requisitos para entrada de voz.

Deficiência Física - A deficiência física ou motora pode envolver fraqueza, limitação no controle muscular (como movimentos involuntários, ausência de coordenação ou paralisia), limitações de sensação, problemas nas juntas ou perda de membros. Algumas pessoas podem sentir dor, impossibilitando o movimento.

Para acessar a web, as pessoas com problemas nas mãos ou braços podem utilizar um mouse especial, um teclado alternativo com disposição da teclas que estejam de acordo com o movimento da mão, um dispositivo tipo ponteiro fixado na cabeça ou na boca; software de reconhecimento de voz; ou outras tecnologias assistivas para acesso e interação.

Teclado alternativo: é um dispositivo de hardware ou software que pode ser usado por pessoas com deficiência física, que fornece um modo alternativo de dispor as teclas como, por exemplo, teclado com espaçamentos maiores ou menores entre as teclas. Podem também possuir travas que permitem a pressão de uma tecla por vez, teclado na tela ou outras modalidades.

Exemplos de barreiras ao acessar o conteúdo de uma página: - Atividades onde o tempo de utilização é limitado. - Navegadores e ferramentas que não possuem suporte para teclado alternativo ou botões para todos os comandos efetuados por mouse. - Formulários que não podem ser navegados com a tecla "tab" em uma seqüência lógica.

Deficiência Mental - As pessoas com deficiência mental podem apresentar dificuldades em processar a linguagem escrita ou oral; focar uma informação ou entender informações complexas.
Para acessar a web, as pessoas com deficiência na aprendizagem, podem necessitar de diferentes modalidades ao mesmo tempo, para acessar a informação. Por exemplo, alguém que possui dificuldade na leitura, pode usar um leitor de tela com sintetizador de voz para facilitar a compreensão do conteúdo da página, enquanto uma pessoa com dificuldade em processar a audição, pode ser auxiliado por legendas para entender um áudio.

Outras pessoas precisam desativar animações ou sons a fim de focar o conteúdo da página, necessitar de mais tempo ou depender de imagens para entender o que lhe está sendo informado.

Exemplos de barreiras ao acessar o conteúdo de uma página: - Ausência de alternativas para permitir o recebimento das informações, como ausência de texto alternativo que pode ser convertido em áudio, de imagens suplementares ou de legendas para áudio. - Elementos visuais ou de áudio que não podem ser facilmente desligados. - Falta de clareza e consistência na organização das páginas. - Uso de linguagem complexa sem necessidade. - Páginas com tamanhos de fontes absoluta, que não podem ser aumentadas ou reduzidas facilmente. - Uso de imagens trêmulas ou sinais com certa freqüência de áudio que podem causar desconforto.
Vantagens em ter um Site Acessível - Seu website estará adaptado a diferentes tipos de conexão como, por exemplo, navegadores mais antigos, computadores menos potentes, ou sem mouse, e outros casos. - Seu website estará dentro dos princípios de acessibilidade preconizados pela Lei Federal de Acessibilidade (Lei no. 10 098, de 19 de dezembro de 2000), que estabelece noras gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências. - Você pode ter mais pessoas acessando suas informações ou serviços. - Ao ter mais acessos, seu website garantirá a adesão dessa comunidade e simpatizantes, e atrairá mais anunciantes.

Recomendações - O "Guia para tornar páginas web acessíveis" fornece informações técnicas básicas, para que web designers e desenvolvedores web, se iniciem na construção de sítios acessíveis.

As informações contidas neste guia têm como referência, o documento "Web Content Accessibility Guidelines 1.0 - WCAG 1.0" ("Recomendações para a acessibilidade do conteúdo da web 1.0") da W3C/WAI (Iniciativa da acessibilidade na web).

Para facilitar a consulta, as recomendações deste guia estão listadas por elementos de uma página web (imagem, frames, tabelas, etc.) e possuem exemplos em HTML/XHTML.
Links WAI - Web Accessibility Initiative WCAG 1.0 em Inglês: Web Content Accessibility Guidelines 1.0 - WCAG 1.0 WCAG 1.0 em Português: Recomendações para a acessibilidade do conteúdo da Web 1.0

Dicas Rápidas - Imagens e animações: Use o atributo alt para descrever a função de cada elemento visual. - Imagemaps: Use mapas client-side (o tag map) e texto para as regiões clicáveis. - Miltimídia: Inclua legendas e transcrições para o áudio e descrições para o vídeo. - Hiperlinks: Utilize texto que faça sentido fora do contexto. Evite a frase "clique aqui". - Oraganização da página: Use cabeçalhos, listas e uma estrutura consistente. Use CSS para layout e estilo sempre que possível. - Gráficos e diagramas: Sumarize o conteúdo ou use o atributo longdesc. - Scipts, applets e plug-ins: Para o caso de estarem desabilitados ou de não serem suportados pelo browser, forneça conteúdo alternativo. - Frames: Use o tag noframes e empregue títulos significativos. - Tabelas: Torne compreensível a leitura linha a linha. Resuma. - Valide seu trabalho: Use as ferramentas, checklist e os guias disponíveis em http://www.w3.org/TR/WCAG.

Validação - A validação da acessibilidade deve ser feita por meio de ferramentas e da revisão humana.

Os métodos automáticos são geralmente rápidos, mas não são capazes de identificar todas as nuances da acessibilidade. A avaliação humana pode ajudar a garantir a clareza da linguagem e a facilidade da navegação.

É recomendável proceder à validação desde as fases iniciais do desenvolvimento.
As questões de acessibilidade identificadas antecipadamente são mais fáceis de corrigir e evitar a repetição do erro.

Validadores Automáticos - Um validador verifica a sintaxe das páginas (por ex., HTML, CSS, XML). A sintaxe correta auxilia a eliminar problemas de acessibilidade.

Validadores automáticos de acessibilidade apontam problemas de acessibilidade baseados somente na sintaxe (por exemplo, uma imagem em que o equivalente textual não foi colocado). Entretanto, a sintaxe correta não garante que o documento estará acessível, pois se pode fornecer o equivalente textual para uma imagem, mas o texto não estar descrevendo-a claramente.

Alguns validadores fornecem perguntas ou avisos para análise de partes mais subjetivas.
Alguns exemplos de validadores automáticos: Validadores de acessibilidade (a maioria possui serviço online gratuito e são baseados nas recomendações da WAI): - WebXACT (antigo Bobby) - Cynthia Says - Wave - A-Prompt - Da Silva (em Português)
Validadores de sintaxe: - W3C Markup Validation Service
Validador de CSS: - W3C CSS Validation Service

Os produtos acima mencionados são apenas exemplos. Outros validadores e ferramentas estão disponíveis em http://www.w3.org/WAI/ER/existingtools.html.

Cenário do Usuário - Muitos navegadores e sistemas operacionais permitem que os usuários configurem características que alteram a aparência, o som e o comportamento das páginas web. Com a variedade de navegadores e a diversidade de usuários têm-se experiências muito diferentes com a web. Se um sítio web é usável com uma das ferramentas, isto não garante que o sitio está acessível. Portanto, é importante testar em diversas ferramentas e situações:

Testar as páginas com um navegador textual: - Lynx - Lynx Viewer (Simulador)
Testar em vários navegadores gráficos, com: - Som e gráficos ativos; - Sem gráficos; - Sem som; - Sem mouse; - Sem carregar frames, programas interpretáveis, folhas de estilo ou applets.
Testar em vários navegadores, antigos e recentes.
Testar em outras ferramentas: - Navegador de emissão automática de fala: + IBM Home Page Reader - Leitor de tela: + Jaws + Virtual Vision (em português) + DosVox (gratuito e em português) - Software de ampliação - Tela de pequenas dimensões, etc.
Os produtos acima mencionados são apenas exemplos. Para uma lista detalhada de ferramentas usadas para acessar a web consulte http://www.w3.org/WAI/References/Browsing.
Ortografia e Gramática - Utilizar corretores ortográficos e gramaticais. Uma pessoa lendo uma página com um sintetizador de voz pode não reconhecer uma palavra com erro ortográfico. A verificação ortográfica e gramatical assegura que o conteúdo da página esteja correto. Isto também auxilia quando a língua nativa de algum leitor não for a mesma do documento.
A eliminação de problemas gramaticais aumenta o grau de compreensão. Revisar o documento. Rever o documento, verificando sua clareza e simplicidade. O ideal é pedir a um revisor experiente que reveja o conteúdo escrito e avalie a clareza da redação. Os revisores podem também melhorar a adequação de um documento, já que podem identificar questões culturais potencialmente delicadas provenientes do tipo de informação.

Validação Humana - Peça as pessoas com deficiências que revejam os documentos. Esses usuários, com ou sem experiência, são uma fonte inestimável de informações sobre o estado dos documentos, no que diz respeito ao seu grau de acessibilidade e de facilidade de utilização.
Checklist da WAI A WAI - possui uma tabela para checar se os pontos de verificação da WCAG1.0 foram satisfeitos. Em Inglês: Checklist of Checkpoints for Web Content Accessibility Guidelines 1.0 Em Português: Tabela de pontos de verificação das Recomendações para a acessibilidade do conteúdo da Web 1.0

Fonte: www.dasilva.org.br e www.serpro.gov.br