quarta-feira, 18 de maio de 2016

Realidade sobre qualidade na empregabilidade de profissionais com deficiência


Relato sincero de um profissional (qualificado) com deficiência

Trabalhei em uma multinacional por pouco mais de três anos, inclusive fazendo parte de um grupo que tratava de assuntos relacionados à diversidade nesta empresa e, percebo que salvo engano, há mais a questão de preenchimento de cotas com cargos de produção/operacional do que contratação de deficientes por empresas em cargos realmente importantes. Sei que eles existem, mas honestamente, como deficiente e profissional, me incomodo com a forma como isso ainda é encarado na mídia de forma glamorosa e como, de fato, é na realidade.
Atualmente estou desempregado e já enviei currículos para pelo menos umas 60 empresas e os contatos que recebo são de vagas para ganhar R$ 1000,00, R$ 1.300,00 e até (pasmem) R$ 670,00!!!
Tenho 45 anos de idade, sou deficiente há 25 anos, mas não necessito de adaptações ao ambiente de trabalho, tenho um filho pequeno e, além de ser analista de comunicação corporativa, também fui professor em uma conhecida faculdade, professor de publicidade em escola do ensino médio, especialidade na área de metalurgia – onde mais novo, atuei como ferramenteiro, ajustador mecânico e ainda fiz cursos de metrologia, pneumática, hidráulica, desenho técnico, CorelDraw, photoshop e Illustrator. Mais recentemente, fiz um curso intensivo de inglês para ter mais oportunidades no mercado, mas confesso, está bem complicado, e pouco tem a ver com a crise que o país atravessa!
Tenho cadastro na Catho, na iSocial, no Manager, Indeed e tantos outros sites e empresas que buscam o tal PCD, PNE, PPD e outras nomenclaturas que dão a pessoas como eu.
Certa vez, na empresa que trabalhei, convidamos um Coordenador de Diversidade de uma grande empresa para uma palestra e, nesta reunião, ele me disse que eu era o deficiente que toda empresa gostaria de ter, pois tinha formação, conteúdo e principalmente, não precisariam de investimentos estruturais para a minha contratação.
Concordo com ele, mas me decepciono com a realidade a partir do momento que envio um e-mail solicitando uma recolocação para 87 pessoas ligadas a empresas que apoiam a causa PCD/Lei de Cotas (tenho um mailling dessas pessoas, pois participava como membro da empresa em que atuava) e, destes 87  e-mails, apenas 1 pessoa me respondeu!!! Ou seja, as empresas querem incluir os deficientes ou apenas participam de workshops e feiras por questões de responsabilidade social para que conste no relatório anual da companhia e, com isso, valorize suas ações?
Em relação aos PCD’s contratados, as empresas os incluem também nos processos de capacitação e plano de carreira? Dão, de fato, oportunidades em nível de igualdade com os demais colaboradores ou pura e simplesmente cumprem as “cotas”? Quantos deficientes existem em cargos de liderança nas grandes empresas? Quantos anos um indivíduo necessita para ser promovido (ou visto) pelos seus gestores? Tenho a impressão de que essas vagas de cotas não são bem vistas por alguns dos empregados das empresas, pois passam a ideia de que temos algumas vantagens em relação aos demais, o que não é verdade, pois em alguns casos, o serviço executado é tão irrelevante que sequer somos vistos pelos gestores e analistas de outras áreas.
Falta envolvimento da direção que, por vezes, tem que “engolir” a Lei de Cotas para não prejudicar o orçamento com as multas que o governo aplica e isso causa um enorme constrangimento a quem ocupa a vaga.
Enfim, fica aqui meu desabafo e, quem sabe, esse texto sirva para a reflexão dos gestores das empresas e pessoas relacionadas ao universo das contratações de PCD’s.

Fonte: http://blog.isocial.com.br/relato-sincero-de-um-profissional-qualificado-com-deficiencia/

Santo Caos



Apesar da lei de cotas estar prestes a completar 25 anos de existência, a inclusão de pessoas com deficiência ainda é um desafio para a maioria das empresas. Além da inclusão, o engajamento entre PCDs e empresas também é uma dificuldade, e com o objetivo de entender esse cenário a Santo Caos realizou o primeiro estudo qualitativo sobre pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Fonte: http://www.santocaos.com.br/#!pcdsa/jfymz

Estudo sobre Empregabilidade de Profissionais com Deficiência

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Continuidade da existência da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência IMEDIATAMENTE!!!



logo do conade - ilustracao de duas figuras, uma verde e outra aul, dando os bracos em cima.
Nota das Entidades da Sociedade Civil que compõem o CONADE em defesa dos direitos da pessoa com deficiência.


As entidades da sociedade civil, abaixo assinadas, que compõem o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – CONADE, considerando que o atual momento do Pais exige que as instituições e sujeitos se posicionem no sentido de contribuir com a democracia e, especialmente, na garantia de conquistas para que não ocorram retrocessos sociais.

E considerando os avanços produzidos na área da pessoa com deficiência no contexto brasileiro nos últimos anos, onde as ações do governo federal são de substancial relevância para continuidade desse avanço.

E considerando que um dos fatores que julgamos de grande importância é a existência de ações da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD) e do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), como instâncias legítimas da expressão e garantia de direitos da pessoa com deficiência.


E ainda considerando que a Medida Provisória nº 726, de 12 de maio de 2016 editada pelo Exmo. Sr. Presidente da República em exercício Michel Temer, não previu na estrutura do novo Ministério Da Justiça e Cidadania a continuidade da existência da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Nesta perspectiva, as entidades subscritoras manifestam sua preocupação com a extinção do órgão, e reivindicam que a nova estrutura mantenha o espaço legitimamente conquistado, garantindo o protagonismo dos direitos da pessoa com deficiência, não se perdendo recursos humanos ou financeiros, para que possa levar adiante a sua importante missão de efetivação dos direitos assegurados na legislação nacional de promoção e proteção desses direitos, especialmente, aqueles garantidos na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, que foi ratificada no Brasil com equivalência constitucional, por meio do Decreto Legislativo no 186, de 9 de julho de 2008, conforme o procedimento do § 3º do art. 5º da Constituição. E promulgada pelo poder executivo, através do Decreto Nº 6949 de 25 de agosto de 2009 e no Estatuto da Pessoa com Deficiência, Lei Brasileira de Inclusão, Lei n.13.146, de 6 de julho de 2015.



As pessoas com deficiência representam mais de 45 milhões de homens e mulheres que ao longo da história foram marginalizadas, e tiveram seus direitos cerceados. É fundamental que o governo brasileiro continue com políticas voltadas a esse segmento como foi com o Plano Viver Sem Limite, e tenha a acessibilidade na centralidade de suas ações para garantir a igualdade de oportunidades como um princípio de suas atitudes e práticas.


Subscrevem a Nota:


OAB
AMPID
Federação Brasileira das Associações Síndrome de Down
FENAPESTALOZZI
ONCB
ABRA
FENEIS
APABB
ONEDEF
CONFEA
ABRC
FARBRA
CBDV
FENAPAES
MORHAN
Representação dos Conselhos Municipais dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Brasil
Brasília, 16 de maio de 2016.

Adeus ao gesso


Fonte: http://m.canaltech.com.br/noticia/saude/adeus-gesso-estudante-cria-acessorio-que-acelera-cura-de-ossos-quebrados-19966/

Se você já teve "a sorte" de quebrar um braço ou perna, com certeza deve ter passado pela experiência de ter o membro engessado por alguns dias ou semanas para que tudo voltasse ao normal. Há quem goste de colocar o gesso para deixar outras pessoas rabiscarem, mas muita gente acha a sensação bastante incômoda. Mas e se em vez de gesso você usasse um acessório feito a partir de uma impressora 3D?
Esse é o conceito do Cortex, um periférico de plástico que substitui o gesso tradicional por uma cobertura braçal toda vazada que, além de ser mais leve e livre de odores, dispensa todo aquele processo de engessar o braço e ainda permite que o usuário fique com o membro reto, sem precisar dobrá-lo. O projeto foi anunciado em junho do ano passado por Jake Evill, estudante da Victoria University of Wellington, na Nova Zelândia. O molde é impresso em terceira dimensão a partir de um raio X do osso quebrado do paciente.
O Cortex ainda não tem previsão para chegar ao mercado porque ainda está em fase conceito. No entanto, um novo protótipo baseado na mesma ideia promete dispensar de vez o uso do gesso e de quebra agilizar o processo de cura do osso danificado. Trata-se do Osteoid, um exoesqueleto semelhante ao Cortex e equipado com um dispositivo de ultra-som que acelera a cicatrização. As informações são do site The Verge.
Desenvolvido pelo estudante turco Deniz Karasahin, o Osteoid foi o projeto vencedor do Prêmio A'Design 2014, competição voltada para novas ideias na área da impressão 3D. Karasahin e sua equipe contam que o acessório é feito sob medida para cada usuário, é resistente a água e pode ser projetado em várias cores diferentes. "O objetivo é melhorar a experiência de todos quando o assunto é curar membros quebrados ou fraturados, concentrando-se no conforto do paciente e no tempo necessário para o corpo curar-se", dizem.
The Osteoid


O sistema de aceleração de cura do exoesqueleto é basicamente um sistema de baixa intensidade de pulsos de ultra-som (LIPUS, na sigla em inglês). De acordo com os criadores, dois conectores são plugados em uma das aberturas do acessório para ficar em contato direto com a pele na área lesada. Feito isso, o usuário com um osso quebrado precisa utilizar a braçadeira durante 20 minutos diários para acelerar o processo de cura, que chega a ser reduzido em 38%, para fraturas mais graves, e em até 80%, para as mais leves.
Para saber como está a recuperação do membro danificado, basta olhar para o gerador de pulsos. Segundo Karasahin, no centro do dispositivo existe um mecanismo de luzes que orienta o usuário sobre o estado do osso fraturado e do tempo de sessão dos pulsos de ultra-som. Por exemplo, se o paciente atingiu o tempo de 20 minutos de utilização do gadget, luzes começam a piscar e mudar de cor, indicando que chegou a hora de encerrar a sessão.
Karasahin afirma que o Osteoid levou quatro meses para ficar pronto. O próximo passo é a criação de um sistema de bloqueio que projete melhor o membro quebrado e acelere ainda mais o processo de cicatrização.

The Osteoid

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Dia das Mães



Herança eterna

Por Leandra Migotto Certeza. 

Mãe é aquela pessoa que nos acompanha sempre: dentro ou fora do corpo. Dela ou de nós. Só quem tem sabe o tamanho da dor ao perdê-la. E quem nunca soube quem ela é ou foi, sente a profundidade do seu vazio. Existem seres humanos que abusam e até matam seus filhos. Será que elas tiveram mães? Provavelmente não, mesmo que tenham saído do ventre de uma mulher, pois só quem concebeu seus filhos no coração é mãe.

A minha escolheu ser 24hs a pessoa que vive dentro de mim desde que apareci no planeta. Não apenas porque ela é a responsável pelo meu nascimento, mas porque a minha vida faz parte da dela. Inconsciente ou não. Escuto a voz da minha mãe sempre. Todos os dias. Ela me vigia ao mesmo tempo em que me ensina a voar sozinha. Quando penso em ligar para ela, o telefone toca. Digo que é ‘magia’ porque ela lê meus pensamentos. Brigamos a cada amanhecer, por isso, cada vez nos gostamos mais. Aprendemos uma com a outra o desafio gostoso e trágico que é viver.

Quando eu era um bebê extremamente frágil aos olhos do mundo, só ela sabia, lá no fundo do seu coração, que eu era mais forte do que todos. Acreditou somente em meus olhos, brilhando por ser e estar. Como humana, acredito que minha mãe tenha tido medo, angústia, tristeza, receio, insegurança, dúvidas, desesperos, e muita dor. Mas como o amor incondicional de uma mãe para com seu filho sempre é mais forte, ela prosseguiu sem hesitar em trocar de lugar comigo se fosse preciso. Os cuidados físicos foram mais intensos nos primeiros anos, e só aumentaram quando eu resolvi prestar vestibular, atravessar uma rua, viajar para outro país, trabalhar, transar, me casar, entre tantas ‘loucuras’ que fiz. Imagino como deve ter sido difícil somente estar ao meu lado pronta para me segurar em seus braços, e não andar por mim.

Foi com ela que aprendi o único e verdadeiro significado de estarmos aqui: amarmos uns aos outros, mas sempre pedir nada em troca; nem mesmo um lugar no céu. Amor de mãe não se explica com teorias, práticas ou ideologias. Apenas se sente. Eu respiro sua herança. Sou feita de honestidade, lealdade, tranqüilidade, bondade, dedicação, carinho, ternura, generosidade, paciência, sabedoria e humildade que herdei dela! Também aprendi a gostar sempre de ajudar as pessoas, simplesmente, porque somos iguais na diferença.

Diferença essa, que nunca afastou minha mãe da minha imagem nas ruas ou dentro das casas. Ela sempre me viu por inteira em metade de um corpo. Sempre foi as minhas ‘pernas’ e ‘braços’ em todos os momentos e lugares (e ainda é sempre que preciso, antes de que eu peça). Sempre estava na primeira fila para me aplaudir com o maior orgulho do mundo, mesmo que só eu conseguisse ver a sua alegria em um sorriso tímido, mas em alguns momentos um pouco mais solto.

Minha mãe é aquela que passa para os alimentos o gosto de prepará-los com muito carinho às 5hs da manhã desde que nasci. É aquela ‘fada madrinha’ que deixa a casa brilhando com tanta garra ao trabalhar em múltiplas jornadas. É aquela mulher que consegue agradar à família sem ser vista ou referenciada. Por isso, a dor de vê-la sofrer muito me dilacera e paralisa. Mas quando penso que agora a luz se apagou, ouço seus passos fortes e rápidos pela casa antes de me despertar. O café já está pronto e nenhum detalhe foi esquecido. À noite faz o jantar com a mesma disposição que ficou o dia inteiro de pé para nos sustentar. Lava e passa roupa na hora em que estamos dormindo; e não se esquece de comprar o que cada um mais gosta quando vai ao supermercado. Cuida demais de nós sim. E por isso, muitas vezes, se esquece de se cuidar. Por isso, entramos em desacordo quando discutimos sobre a vida. Aprendemos uma com a outra, mas minha mãe me ensina muito mais porque veio primeiro e deixou o terreno preparado para mim.

Cristina é uma mulher de opinião forte, idéias muito criativas, grande agilidade, rapidez, perseverança, força de vontade, e determinação. Quando criança era um ‘moleque’ que empinava pipa, jogava bola e subia no telhado. Sempre fez travessuras. Gosta de animais, de música, artes e livros. Mas o que mais curte é esporte. Adora ver os jogos na TV, corre, caminha e anda de bicicleta. Nunca me deixa fora de algum passeio. O mais recente foi a viagem de trem para Paranapiacaba (interior de São Paulo). Minha mãe fez a loucura de me empurrar (junto com meu tio) na cadeira de rodas pelas ladeiras íngremes e cheias de buracos da cidade histórica completamente inacessível para pessoas com deficiência física. Confesso que nem acreditei quando vi as ruas de paralelepípedo. Meu marido disse que só ela mesma para nos levar ali...

Ultrapassamos inúmeras barreiras e limites, fora e dentro de nós! Foi inesquecível. Planejamos cada minuto com tanto carinho, sonhamos com cada momento, mas só na hora é que sentimos o poder do amor. Marcos (seu genro) ficou de boca aberta, e disse ao deitar na cama naquela noite que também é seu filho de coração. Eu sou mais do que filha. A amizade nos une para sempre como a melhor herança que alguém pode receber de uma mãe!  

Mãe, eu te amo e serei sempre grata a você!

PS: Escrevi este texto em 2010. Hoje estou casada há 2 anos e vivo com o meu marido. Mas minha mãe continua cuidando de mim 24hs dos 365 dias do ano, e também do genro-filho que ganhou. É ela quem prepara pratos gostosos e leva para nós, lava a minha roupa mais delicada, faz compras no supermercado, telefona todos os dias para saber como estamos e nos dá broncas. Também ainda continua me dando carona e ajudando em tudo o que preciso. 

Agora, o mais importante é que ela continua presente muito mais em ações, conselhos, conversas, e exemplos do que em recursos materiais. Como dizem, mãe e mãe, com 5 ou 40 anos de idade, menina solteira ou adulta e casada. Sempre posso contar com o amor incondicional dela e estou com ela dentro de mim porque sou o que ela me transformou: uma mulher melhor!  

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Tudo é transitório


Sobre o amor

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.
O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.
Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.
Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.
O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia.Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.
“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”. Zygmunt Bauman
Fonte: http://www.portalraizes.com/estamos-todos-numa-solidao-e-numa-multidao-ao-mesmo-tempo-zygmunt-bauman/

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Irmãs da mesma paixão: literatura

[Coluna] Três jovens autoras nacionais que você precisa conhecer


Quantos autores nacionais você leu ultimamente? Deles, quantos eram mulheres? Se entrarmos em uma livraria hoje, acredito que apenas cerca de 10% dos livros pertencem a autores nacionais. Estou chutando, é claro (e agradeço a qualquer um que puder me trazer dados mais concretos sobre o assunto). Mas acho que não tenha chutado assim tão longe. Desses 10% de literatura nacional a que temos acesso, não deve passar de 1% o número de livros escritos por mulheres. Repito: esses dados não passam de “achômetro”, baseado no que percebo enquanto leitora e escritora.
Hoje comemoramos o Dia da Literatura Nacional. Não quero julgar a literatura que produzimos como melhor ou pior que a literatura estrangeira – não é o tipo de questionamento que nos caiba. O que eu quis saber com minhas perguntas é quanta confiança depositamos nos artistas nacionais. Se é tão simples depositar confiança em autores de que nunca ouvimos falar, residentes num país cujo nome é impossível de ser dito sem darmos um nó na língua, por que não fazermos o mesmo com aquele autor que tem o mesmo sobrenome que o nosso – e que morou na mesma rua que nossa avó? E se é tão fácil cultuarmos como “divas” as autoras estrangeiras, por que não repetirmos o feito com aquela autora que é tão acessível e parecida conosco? Discuto o assunto da participação literária feminina um pouco mais profundamente aqui, mas não é o meu foco no artigo de hoje. Hoje, minha ideia é apresentar para vocês três autoras – independentes! – que tive o prazer de conhecer e que acrescentaram demais à minha experiência como leitora. Prontos?

Jarid Arraes

Jarid Arraes ao lado da ilustradora do seu livro, Aline Valek
Jarid Arraes ao lado da ilustradora do seu livro, Aline Valek
Conheci a Jarid em um evento dos alunos do curso de Editoração da USP. Ela é uma pessoa incrível, bastante divertida. E rolou muita identificação porque somos da mesma terrinha – o Ceará. Jarid é cordelista e autora do livro “As lendas de Dandara”, um conjunto de contos narrados por Dandara dos Palmares, companheira de Zumbi. O livro foi belamente ilustrado pela escritora e ilustradora,Aline Valek.
Além disso, Jarid faz um lindo trabalho na Casa de Lua, reunindo escritoras cis e transgênero para ajudá-las com suas produções literárias – é tanto uma espécie de clube da escrita quanto um espaço de acolhimento, ajuda mútua e catarse. Os encontros são mensais e gratuitos, basta levar seu material de escrita.
Clique aqui para conhecer melhor o trabalho da Jarid. E se ficou interessado em “As lendas de Dandara“, clique aqui para adquirir uma cópia (disponível nos formatos físico e digital).

Aline Valek

Aline Valek, escritora independente e ilustradora
Aline Valek, escritora independente e ilustradora
E por falar em Aline Valek, conheci o trabalho dessa escritora incrível graças ao twitter. A Aline já possui dois livros (digitais) publicados: “Pequenas Tiranias” e “Hipersonia Crônica”, disponíveis tanto na Amazon quanto naKobo Books. Além disto, é uma das organizadoras da coletânea de ficção científica feminista “Universo Desconstruído”. Em seu blog, a escritora fala sobre filmes, livros, feminismo e cotidiano com muita propriedade. O estilo da Aline é carregado de uma poesia melancólica muito bonita.
Para esse ano, a autora tem o projeto de criar um livro físico com os textos da sua newsletter, “Bobagens Imperdíveis”. Sou assinante da news da Aline já há alguns meses e adoro abrir minha caixa de e-mail e encontrar um textinho dela lá, pronto para ser lido. Agora que ela mudou a frequência da news para quinzenal, confesso que está me dando uma saudade imensa. Mas a espera compensa!

Lady Sybylla

Lady Sybylla, Capitã da Frota Estelar
Lady Sybylla, Capitã da Frota Estelar
Meu caso de amor com o Momentum Saga, blog da escritora Lady Sybylla, foi instantâneo e permanece. Embora focado em ficção científica – um assunto de que ela entende bastante aliás – o blog também abre espaço para outros temas bacanas como diversidade, participação da mulher no mercado literário e até mesmo dicas de organização pessoal (muitos úteis, por sinal).
Lady Sybylla é uma das cabeças por trás da coletânea “Universo Desconstruído”, em parceria com Aline Valek. A coletânea é focada no desenvolvimento de uma ficção científica nacional aberta à diversidade. E como pouco trabalho não é com ela, Lady Sybylla ainda consegue tempo para traduzir alguns livros de ficção científica de domínio público, como o recentemente traduzido“Robôs do Mundo, Ergam-se!”. Ela possui dois livros publicados: “Diga meu nome e eu viverei” e “Missão Infinity”, ambos disponíveis para download gratuito no blog da autora. Você paga recomendando os livros nas suas redes sociais. Recomendo demais que leiam!

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Dia dos e das Jornalistas




Eu me sinto muito feliz por ter me tornado uma ótima jornalista sempre comprometida com os Direitos Humanos e defendendo a Justiça e Igualdade de Oportunidades entre todas as pessoas. Trabalho desde 1998 como forte atuante pela informação, reflexão, registro, e divulgação dos Direitos e Deveres dos cidadãos e cidadãs com deficiência do Brasil. 

Minha trajetória foi fruto de conquistas honestas e persistentes. Tenho orgulho dos textos que escrevi, das entrevistas que fiz, do eventos que cobri, das reportagens que redigi e principalmente das pessoas que conheci e fiz que conhecerem. Eu sei o quanto batalhei para propagar os valores de respeito e dignidade que tanto acredito. 

Em breve vou contar a minha história no mercado de trabalho da Comunicação e mostrar como foi o meu processo de inclusão social. Parabenizo todos e todas que são jornalistas comprometidos com a VERDADE dos FATOS!

quinta-feira, 24 de março de 2016

Definições importantes



O que é discriminação, preconceito e estigma?
A discriminação presume a ação - tratar diferente, anular, tornar invisível, excluir, marginalizar - de um grupo social ou indivíduo contra outro grupo social ou indivíduo. 
O preconceito pressupõe crenças prévias sobre as capacidades intelectuais, física, moral, entre outras, dos indivíduos ou grupos sociais, sem levar em conta fatos que contestem essas crenças preconcebidas. 
O estigma - marca ou rótulo atribuído às pessoas ou grupos, seja por pertencerem a determinada classe social, por sua identidade de gênero, por sua cor/raça/etnia é sempre uma forma de simplificação, de desqualificação da pessoa e do grupo. 
O que é estereótipo?
Consiste na generalização e atribuição de valor (na maioria das vezes negativo) a algumas características de um grupo, reduzindo-o a esses traços e definindo os “lugares de poder” a serem ocupados. É uma generalização de julgamentos subjetivos feitos em relação a um determinado grupo, impondo-lhes o lugar de inferior e de incapaz no caso dos estereótipos negativos.
Qual a diferença entre direitos de cidadania e direitos humanos?
Os direitos de cidadania são delimitados pela ordem jurídica de um Estado-nação. A constituição de cada país define e garante quem é cidadã (o), além de determinar quais são seus direitos, considerando características como idade, estado civil, gênero, entre outras. 
Os direitos humanos são válidos independentes do país em que se esteja, ou seja, no Brasil ou em qualquer parte do mundo, prevalecem os direitos humanos porque se referem ao respeito à dignidade da pessoa, independentemente de sua nacionalidade.
Fonte: Centro Latino Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM).

quinta-feira, 17 de março de 2016

Leandra tem posição política!

EM CIMA DO MURO, JAMAIS!!!
Eu que estava precisando esclarecer a minha posição política frente aos acontecimentos, encontrei nas sábias palavras do PSOL um alento! Faço delas as minhas palavras!!! Ficar em cima do muro, jamais!!! Seguir em frente sempre à esquerda e ao lado da total abolição das classes sociais: somos todos seres humanos!!!!!!!! Iguais na medida de nossas diferenças!!! Desculpem as palavras, mas fazemos coco e xixi igual!!! Todos temos os mesmos direitos e deveres!!! Repito: TODOS!!!!!


A SAÍDA É PELA ESQUERDA – Nota da Bancada do PSOL 50 - Partido Socialismo e Liberdade
Face à velocidade dos últimos acontecimentos e a radicalização da crise política, tomamos um posicionamento firme e sem meias palavras:
1. Somos oposição programática e de esquerda ao governo Dilma. Combatemos suas políticas regressivas e questionamos as concessões feitas ao grande capital. Diante da atual crise, do ajuste fiscal e da retirada de direitos, é inegável que este governo tem se afastado dos reais anseios da maioria da população.
2. Somos favoráveis a toda e qualquer investigação, desde que respeitado o Estado Democrático de Direito, sem seletividade ou interferências externas. É preciso que se desvendem as relações promíscuas entre os Poderes da República e o grande empresariado.
3. As últimas atitudes do juiz Sérgio Moro representam claro uso político da Justiça e comprometem o trabalho desenvolvido pela Operação Lava Jato. Atitudes que possuem objetivos midiáticos rompem regras democráticas básicas e favorecem a estratégia de um golpe institucional.
4. Somos contra a saída gestada pelos partidos da oposição conservadora, pelo grande capital e pelos grandes meios de comunicação. O impeachment, instrumento que só pode ser usado com crime de responsabilidade comprovado, se tornou uma saída para negar o resultado das urnas, com o propósito de retirar a presidenta Dilma do poder, buscando um “acordão” para salvar outros citados nas investigações da Lava Jato. A troca de governo acelerará os ajustes pretendidos pelos poderosos, retirando direitos dos trabalhadores e atingindo nossa soberania.
5. A saída é pela esquerda. É necessário promover uma reforma política profunda, com ampla participação popular, ter coragem de mudar radicalmente os rumos da economia, auditar a dívida pública, priorizar o consumo e a produção, taxar as grandes fortunas e baixar a taxa de juros de forma consistente. Propostas não faltam. Mas é preciso coragem para contrariar interesses do grande capital.
Assinam:
Deputado Federais:
Ivan Valente (PSOL/SP)
Chico Alencar (PSOL/RJ)
Glauber Braga (PSOL/RJ)
Jean Wyllys (PSOL/RJ)
Luiza Erundina (PSOL/SP)
Edmilson Rodrigues (PSOL/PA)

[Confira aqui todos(as) os(as) signatários(as) da nota: http://www.psol50.org.br/…/a-saida-e-pela-esquerda-nota-da…/ ]

ONU ressaltou que o País ignora os direitos básicos do cidadão com deficiência e seu papel na sociedade.

Brasil trata pessoa com deficiência como doente, diz ONU

Por LUIZ ALEXANDRE SOUZA VENTURA
26 Agosto 2015 | 10:57

Durante reunião em Genebra, Organização das Nações Unidas criticou modelo assistencialista brasileiro e ressaltou que o País ignora os direitos básicos do cidadão com deficiência e seu papel na sociedade. A reportagem foi cedida especialmente ao blog Vencer Limites pelo jornalista Jamil Chade.

———-
Foto: Fernando Pereira/ Secom/ PMSP
Foto: Fernando Pereira/Secom/PMSP
Reportagem cedida especialmente ao blog Vencer Limites pelo jornalista Jamil Chade.
A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que o governo brasileiro ainda lida com pessoas com deficiência por meio de políticas assistencialistas, e não na perspectiva de direitos humanos. A entidade examina pela primeira vez a situação no Brasil, indicou que o número de pessoas internadas em instituições ainda é elevada e que não existem medidas suficientes para que uma pessoa com deficiência possa viver de forma autônoma. A avaliação ocorreu dentro do mecanismo do Comitê dos Direitos de Pessoas com Deficiências, reunido desde ontem, e que analisa todos os países.
“As políticas e leis no Brasil parecem presas no modelo médico da deficiência”, afirmou Theresia Degener, relatora do Comitê. “Aparentemente, o modelo de direitos humanos dos deficientes não tem sido adotado até agora”, criticou.
Entre os especialistas, o modelo médico da deficiência considera a questão como uma doença, ignorando o papel dessa pessoa na sociedade ou seus direitos. O modelo é considerado como ultrapassado e tem base em políticas assistencialistas. “O Brasil tem mostrado progresso. Mas ainda não é suficiente”, alertou Degerener.
Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução
Theresia também alerta para a questão da tutela e do fato de que poucos grupos de pessoas com deficiência têm sido consultados na elaboração de leis. Cobra, ainda, uma campanha de conscientização da população sobre a questão e desafios enfrentados por esses cidadãos.
Outro problema é o grau de institucionalização. Theresia admite que existe uma queda no número de pessoas internadas em instituições. Mas o volume total ainda seria elevado. “Muitas pessoas ainda estão detidas na base da deficiência e muitos são forçados a viver em instituições ou com membros de suas famílias por que não existem serviços para garantir uma vida independente nem programas de assistência pessoal” declarou. Cerca de 11 mil pessoas, contando apenas aquelas com deficiência física, estariam em instituições, segundo a ONU.
A relatora ainda apontou que tem recebido dezenas de acusações de tortura em alguns desses centros e o próprio governo admitiu que, entre 2011 e 2014, mais de 31 mil processos foram abertos por violações contra pessoas com deficiência.
Brasil não garante vida independente a pessoas com deficiência, diz ONU
Pepe Vargas, ministro de Direitos Humanos e que defendeu a posição do governo, declarou em Genebra que o Brasil está dando “largos passos para sair do assistencialismo”. Ele admite que “muito precisa ser feito para garantir os direitos” das pessoas com deficiência, mas garante que, nos próximos anos, o Brasil irá superar o modelo assistencialista.
O ministro ainda apresentou uma série de leis criadas nos últimos anos para garantir direitos às pessoas com deficiência, entre eles o acesso a transporte, habitação, nas comunicações e mesmo na Internet.
Vargas acredita que existe “uma confusão” por parte da relatora da ONU e insiste que a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) mudou no Brasil. “Temos uma lei que prevê uma substituição do modelo”, declarou. Segundo ele, não existe mais a situação de manicômios no País e a mudança está ocorrendo, inclusive para garantir benefícios sociais no Ministério da Previdência.
Para a perita da ONU Silvia Chang, porém, as informações recebidas pela entidade indicam que a institucionalização de cidadãos com deficiência é ainda permitida, sem o consentimento da pessoa.
'A Acessibilidade' (The Accessibility). Imagem: Reprodução
‘A Acessibilidade’ (The Accessibility). Imagem: Reprodução
Críticas – A sociedade civil também apresentou um informe denunciando problemas no País. Segundo o documento, uma pessoa com deficiência no Brasil ainda vive com sérias dificuldades para ter acesso aos mesmos locais que o restante da população, seja por falta de infraestrutura adequada ou por falta de treinamento de professores, motoristas e gestores.
“A falta de acesso tem sido a maior barreira a ser superada no Brasil”, alertou o informe apresentado pela Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas com Autismo (Abraça), a Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência do Brasil (FCD), o Instituto Baresi e a Rede Brasileira do Movimento de Vida Independente, entre outras.
Uma lei de 2000 estabelecia até 2010 para que todo o transporte público fosse adaptado. “Mas muitas empresas ainda não cumprem a lei”, acusaram as entidades. Ônibus interestatais e muitas empresas de transporte urbano ainda não teriam instalado elevadores para cadeiras de roda. Motoristas não foram instruídos a operar o sistema, quando existe, e não são poucos os casos de ônibus de linhas urbanas que “aceleram quando uma pessoas com deficiência está em um ponto”.
Falta de acesso tem sido a maior barreira a ser superada no Brasil
Segundo as entidades, o governo tem feito esforços para adaptar os aeroportos, mas o mesmo compromisso não é visto com metrôs, trens e outros transportes. Os edifícios públicos teriam de ter sido adaptados até 2009. “Mas muitos ainda não estão”, alerta o documento.
Um dos peritos da ONU, Stig Langvad, relatou como ele mesmo sofreu para circular pelo Rio de Janeiro, no ano de 2000. “Há 15 anos, eu estive no Brasil e não havia ônibus, não havia metrô adequado, não havia hotéis”, contou. Ele relatou como tentou ir ao estádio do Maracanã e teve de retornar. Também contou que fez um passeio pelo centro da cidade, mas não conseguiu entrar em nenhum lugar. A representação do governo garantiu que muito mudou desde então. “Se melhorou tanto, porque não me convida para ver?”, cobrou o perito.
Outros peritos da ONU, como Munthian Buntan e Damjian Tatic, também cobraram explicações, alertando que as leis podem existir. Mas não haveria garantias de que elas têm sido adotadas.
Sede da ONU em Genebra. Imagem: Reprodução
Sede da ONU em Genebra. Imagem: Reprodução
Com mais de 46 milhões de pessoas com deficiências no Brasil, as ONGs também apontam que nem mesmo as construtoras têm erguido os novos apartamentos dentro dos padrões exigidos pela lei para garantir a circulação de cadeiras de roda ou acesso aos banheiros. Nos centros de saúde, a questão do acesso é ainda um obstáculo. Um levantamento apresentado à ONU aponta que, de 241 unidades de saúde avaliadas em sete Estados, 60% delas não estavam adequadas a receber pessoas com deficiência.
As políticas de emprego tiveram certos avanços, mas enquanto o Brasil gerou 6,5 milhões de postos de trabalho entre 2007 e 2010, 42 mil empregos para pessoas com deficiência foram fechados. Nas escolas, a falta de assistência especializada é a barreira. Em 2008, 93 mil estudantes com deficiência foram inscritos na rede pública. Em 2014, esse número caiu para 61 mil.
Os peritos da ONU também alertam para a situação das crianças. Para Hyung Kim, crianças brasileiras com deficiências ainda têm problemas para ter acesso a escolas. Para Diana Kingston, os dados recebidos pela ONU mostram que “muitas crianças ainda vivem em instituições”. Para o governo, o acesso à escola avança, mas ainda tem desafios para garantir a universalização.
Fonte: http://brasil.estadao.com.br/blogs/vencer-limites/brasil-trata-pessoa-com-deficiencia-como-doente-diz-onu/