segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O importante é dar o primeiro passo


Bacharel em Serviço Social, Francelene Rodrigues fala sobre a importância da participação na criação do Interconselho da Coordenadoria Regional de Saúde Leste de SP.

Entrevistadora: Leandra Migotto Certeza – jornalista*
Fotos: arquivo pessoal

Francelene Rodrigues, 39 anos, sempre morou na comunidade do bairro Itaim Paulista, na zona lesta cidade de São Paulo. Tem quatro filhas e netos. Sua deficiência física, a paraplegia, foi adquirida após uma violência doméstica do meu ex-marido, em 1998.

Atualmente, atua como líder comunitária onde vive e concluiu o curso de Bacharel em Serviço Social pela Universidade Camilo Castelo Branco do campus de Itaquera. 


Descrição da imagem: foto do rosto de Francelene

A publicação de 110 páginas do seu Trabalho de Conclusão de Curso - TCC: “A Criação do Interconselho de Saúde na Coordenadoria Regional da Zona Leste” (defendido dia 05 de dezembro de 2012) pode ser adquirido no Clube dos Autores (ver link abaixo), e serve de grande incentivo a todos os estudantes, e principalmente, aos com alguma deficiência que lutam por realizarem seus sonhos.

Francelene também palestra sobre inclusão social em organizações não-governamentais, se diverte, cuida da casa e dos filhos, e namora quando se identifica com alguém. “Não me curvo frente aos erros, nem admito sentimentos de pena. Hoje sou feliz assim como sou. Cresço com minhas experiências e sou um instrumento de inclusão!”.

Conte um pouco como foi o seu processo de inclusão educacional. Quais foram os maiores desafios e conquistas?

Amo estudar. O processo educacional foi tranqüilo, até adquirir a deficiência física. Sempre estudei em escolas públicas e conclui o magistério. Complicado foi quando decidi voltar aos estudos, pois a minha matricula no ensino médio supletivo foi recusada. Precisei adquirir outros conteúdos para prestar vestibular. Mas insisti e venci, e logo depois ingressei na faculdade, com algumas barreiras que ao decorrer do curso universitário foram superadas a cada dia. Mas muitos outros obstáculos apareceram pelo caminho até eu terminar o curso este em dezembro de 2012. Sei que eles precisam ser sempre ultrapassados.

Passou por preconceitos e discriminações?

Uma barreira inquebrantável sempre será o preconceito, que ainda existem em relação às pessoas com quaisquer tipos de deficiência no mundo, não só na faculdade. Esse sentimento, muitas vezes, vem da família; e é indiscutível que esse tema ainda seja uma barreira para muita gente. O maior preconceito foi em entender que eu mesma era preconceituosa com as pessoas e não elas comigo.

Sempre quis ser assistente social? Qual a importância dessa profissão em sua vida?

Decidi pela profissão, devido ao envolvimento dentro de minha própria comunidade na qual sou líder, e Conselheira de Saúde desde 2001. Sempre trabalhei em prol de melhorias para o bairro onde vivo. Amo a profissão que escolhi, e sei que mercado de trabalho está aberto, pela amplitude em conhecimentos, desafios e competências, que a área possui. Ser assistente social para mim é primeiramente ser cidadã, capaz de garantir direitos ao próximo e a si mesmo. Logo que cheguei à faculdade, foram feitas adaptações para garantir a acessibilidade em quase todos os espaços. Mas hoje as pessoas com deficiência podem se sentir livre para se locomoverem, pois fizeram rampas e instalaram dois elevadores. Fiquei muito feliz pelas mudanças.


Descrição da imagem: foto de Francelene segurando a capa do seu TCC

Qual a importância da participação popular nos Movimentos Sociais, nos Conselhos Gestores das Unidades Básicas de Saúde (UBS); e nos Conselhos Gestores de Supervisões Técnicas de Saúde (STS) da zona leste de SP, interligados direta ou indiretamente às decisões regionalizadas do Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com suas especificidades?

A importância desta participação popular atribui-se hoje ao envolvimento e articulação de forma organizada, que atualmente é representado pelos Movimentos Sociais e Conselhos de Direito como mecanismos de gestão das políticas públicas na intervenção e mediação paritária junto ao Estado e ao próprio controle social, de acordo com suas especificidades e necessidades locais, ou seja, nas UBS´s, distritais STS´s - Conselhos Gestores de Supervisões Técnicas de Saúde Regionais (norte, sul, sudeste e centro-oeste).

Esta participação vem ocorrendo com que freqüência?

Esta participação acontece de acordo com as diretrizes do SUS – Sistema Único de Saúde, mensalmente em cada instância com datas e pautas já pré-agendadas junto aos representantes por segmentos.

Quais os principais problemas enfrentados pela população em geral da zona lesta para conseguir participar ativamente das reuniões e ações dos Conselhos Gestores?

Neste caso não vejo problemas, porque a participação local acontece nas UBS´s, que geralmente estão localizadas próximas à residência das pessoas e das STS`s. E o transporte é garantido para todos os  Conselheiros e seus representantes, através de passes livres ou de carro. Suas ações são realmente discutidas da melhor maneira, e os problemas resolvidos na medida do possível em cada instância, seja local, distrital ou regional. E sempre ocorre de comum acordo com os seus representantes.

Quais foram às principais especificidades e necessidades encontradas na zona leste da cidade de São Paulo que culminaram com a criação do Interconselho na Coordenadoria Regional de Saúde Leste de SP em 2006?

O Interconselho Coordenadoria Regional de Saúde Leste de SP teve suas discussões preliminares no Conselho Gestor de Saúde de Itaquera. Durante alguns meses, esse coletivo discutiu a importância do controle social democrático nas coordenadorias, entendendo que a criação desse espaço seria necessário devido à constatação que as decisões e o poder político estariam nessa instância. Além disso, a cada mandato, o Conselho deparava-se com novas políticas e ações, naquele momento PT e PSDB, ou seja, com troca de gestões e novos comandos, aos quais teriam que se adaptar. Como forma de interação e inter-relação, o grupo resolveu criar um mecanismo por meio do qual passou a ter acesso direto e interligado à Coordenadoria Regional de Saúde Leste em suas decisões regionais. Assim nasce o Interconselho de Saúde.

Faça um breve resumo do atual diagnóstico encontrado nos Conselhos Gestores de Saúde da zona leste de SP. Quais são os principais desafios a serem vencidos?

Foi constado ausência das pessoas nas reuniões do Conselho Popular e apatia na participação; além da necessidade de ter um regimento interno efetivo e criar e/ou melhorar os canais de comunicação divulgação das informações. Por isso, verificamos que é preciso divulgar para a população e seus Conselhos, as leis e os decretos, garantir a convocação dos seus membros através de meios de comunicação; além da participação do trabalhador, gestor e usuários, tanto nas reuniões quanto nos eventos. Também é preciso acompanhar os demais Conselhos (locais e supervisão) através das atas e visitas; calendários anuais das reuniões de todos os conselhos; e a garantia do curso de capacitação para conselheiros gestores. O principal desafio no momento ainda é a capacitação desses conselheiros para que se apropriem das leis, decretos e possam disseminar um bom trabalho em cada segmento.

E as conquistas alcançadas?

As conquistas que alcançamos foram em relação à conscientização da importância desta participação popular organizada para que realmente o trabalho árduo dos conselheiros seja bem elaborado e posto em prática para melhorias de cada região.

Uma das propostas do seu Trabalho de Conclusão de Curso é servir de reflexão sobre a implantação de novas ações coletivas e decisivas num determinado grupo que respondam às necessidades de uma região, além de ser um registro histórico sobre a suma importância da participação popular no controle social. Explique como os estudantes e/ou bacharéis em Serviço Social irão utilizar os resultados apresentados em seu trabalho.

Ressalto que em nosso código de ética profissional, defendemos o aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participação política e da riqueza socialmente produzida; além de nos posicionarmos em favor da equidade e da justiça social, que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais. Com isso, espero, que os estudantes e/ou bacharéis em Serviço Social, através deste Trabalho de Conclusão de Curso possam se apropriar de novos mecanismos de gestão, e até mesmo contribuir para criar outros os quais não se limitam às regras já existentes; levando-os a pensar, discutir, mediar e ir além das questões sociais postas neste trabalho.

O meu objetivo foi mostrar que o profissional do Serviço Social também é importante neste contexto e pode contribuir muito em novas políticas e ações capazes de articular o controle democrático e o projeto ético-político do Serviço Social, que na verdade consolida a cidadania; a garantia dos direitos civis, sociais e políticos das classes trabalhadoras.

Conte um pouco sobre sua atuação nos movimentos sociais em prol dos Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência com ênfase na área da saúde. Quando você começou?

Bom, minha atuação começou em 2001 por necessidades próprias, três anos após eu ter adquirido a deficiência física. Depois pude constatar que não existia só eu neste mundo com deficiência física, e muitas outras pessoas que eu nunca imaginava, principalmente, na região em que moro até hoje. No início a batalha foi árdua; recebi muitos “nãos” pela frente, mas nunca desisti de lutar em prol dos direitos das pessoas com deficiências. Primeiro lutei foi por mim mesma, mas devido a minha garra, o que aprendi serviu para ajudar mais de cinco mil pessoas na região onde vivo. Isso me fortalece a cada dia que me lembro de como tudo começou; minhas participações nas reuniões de pais nas escolas de minhas filhas, depois no conselho gestor da UBS Jd. Campos; e no Orçamento Participativo onde dei o pontapé inicial de toda minha trajetória.

Em quantos órgãos públicos atuou? Quais foram os cargos que ocupou?

Naquele momento fiz minha primeira reivindicação pública solicitando a aprovação da acessibilidade nas escolas do distrito do Itaim Paulista / Curuçá. Quando não vi aprovado e posto em prática esta necessidade, não parei de cobrar o gestor local. E logo depois já estava eleita como Conselheira de Saúde na UBS Jd. Campo; e depois no próprio CMPD – Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência e no CIC - Centro de Integração e Cidadania em Defesa da Cidadania e Abertura de Espaço às Pessoas com Deficiência da zona Lesta. Também atuei no CTA Sérgio Arouca em relação à prevenção das DSTs e da AIDS, abordando a sexualidade da pessoa com deficiência, e participando de uma pesquisa pelo Instituto Amankai. Fui contratada pela Secretaria de Saúde como Agente de Prevenção para orientar as pessoas com deficiências físicas, auditivos e visuais sobre o uso dos preservativos a conscientização da saúde sexual.

Logo após já estava defendendo os direitos humanos, enquanto usuária dos serviços de saúde prestados a população, em Brasília como Delegada Eleita pelo segmento de pessoa com deficiência. Assumi o título de Conselheira Gestora, representante do segmento usuário local, distrital e regional de saúde, nas UBS´s Jd.Campos/AMA, CTA Sergio Arouca, STS do Itaim / Curuçá e na Coordenadoria Regional de Saúde para a criação e atuação na região Leste do Interconselho.

Descrição da imagem: foto de perfil de Fracelene

Quais foram às principais dificuldades enfrentadas e as conquistas alcançadas?

Foram muitas as dificuldades pelas quais passei, porque a princípio, me locomovia em cadeira de rodas comum e precisava sempre de acompanhante. Mas logo tudo foi se ajeitando, e a Supervisão, a Coordenadoria e a própria Prefeitura, já fornecia o transporte quando eu ia representá-los. Logo após, comecei a estudar e já utilizava o transporte do Atende da Prefeitura de SP (que leva de porta a porta as pessoas com deficiência), depois obtive o triciclo motorizado e comecei a sair mais sozinha para todos os locais.

Bom, por dificuldades todos nós passamos todos os dias enquanto pessoas com deficiência, mas tudo tem jeito, tudo passa e se resolve; basta só ter força, garra e determinação em alcançar nossos objetivos. Isso eu tenho como lição de vida e sempre sigo à risca este meu pensamento. Sou determinada em tudo o que faço e dificilmente me arrependo do que fiz.

Sua história de vida pessoal também foi marcada por diversos obstáculos, dificuldades, desafios e até graves problemas familiares. Conte um pouco dessa história.

Bom, acabei relatando um pouco de minha história na pergunta anterior; mas tenho paraplegia há 15 anos, devido à violência doméstica. Sofri um ferimento de arma de fogo pelo meu ex-marido e hoje uso uma cadeira de rodas. Este acontecimento foi muito triste a princípio, mas foi de onde tirei forças para chegar aonde cheguei hoje, com a conclusão de meu curso em Bacharel em Serviço Social. E também acredito que devido a todas as minhas dificuldades em particular, pude conquistar vários benefícios em prol de muitas pessoas com deficiências; e a maioria delas, foi em relação à saúde, onde atuo com muito orgulho até hoje, sempre em defesa deste segmento e suas necessidades básicas, além de defender também a violência contra mulheres ao qual também fui vítima.

E em que momento você percebeu que era chegada a hora de começar a lutar também por outras pessoas com deficiência que passaram por situações iguais ou parecidas com as que você viveu? E quando você sentiu a necessidade de ampliar seu ativismo social de forma mais ampla?

Com tantas participações sociais acabei reconhecendo que poderia ir mais longe, como cursar uma faculdade, a qual, concluo com muito orgulho agora e agrego a teoria do meu aprendizado à prática com toda esta minha bagagem enquanto liderança comunitária, representante da ONG ACADF e Ex-Conselheira nos Conselhos Gestores de Saúde nas UBS´s, na STS, na CRS - Leste, no CMPD, dentre outros locais os quais atuei com muito empenho e determinação obtendo êxito em minhas defesas em prol dos usuários dos serviços prestados não só pela saúde, mas por outros também em relação ao transporte, lazer, educação, segurança e habitação. Sinto-me realizada em tudo o que faço, porque faço com propriedade do assunto e com muito orgulho de poder contribuir para melhorias em prol de tal segmento.

Como está a educação inclusiva no Brasil? O que precisa ser incentivado e o que é necessário mudar?

Em linhas gerais, no Brasil, a educação inclusiva ainda deixa muito a desejar; primeiro porque os professores da rede pública, e mesmo da particular necessitam com urgência de capacitação, oferecida pelos seus próprios órgãos competentes. Os professores precisam também ter dedicação, paciência, consciência, competência; e o mais importante: ter aptidão e envolvimento não só porque a inclusão está na moda, e sim porque é urgentemente necessária em pleno século XXI. Mas ainda há barreiras e resistência desses profissionais. Acredito que só se faz educação se educando, e ela começa em casa.

Qual a mensagem que você deixa aos leitores?

Deixo a mensagem que as pessoas devem jamais desistir de seus sonhos, pois eles podem sim se tornar realidade. Desde que cada um procure se especializar no que melhor possa desempenhar. Que procurem algo que agrade primeiro a si próprio e tome gosto por tudo o que fizer, fazendo direito e com muita garra, força, vontade e determinação no objetivo desejado. E que nada é impossível para aquele que crê no seu próprio potencial enquanto ser humano, por que na verdade somos todos iguais em nossa diversidade inata. E como bem disse Vinícius de Moraes: “Por mais longe que seja a caminhada, o mais importante é dar o primeiro passo”.

Descrição da imagem: Francelene andando pelas ruas com sua cadeira motorizada.

Conheça mais sobre Fracelene: http://www.facebook.com/francelene.rodrigues

Link para comprar a publicação do TCC:










Descrição da imagem: capa do TCC de Frencelene


*Leandra Migotto Certeza é jornalista e repórter voluntária da Revista Síndromes. Ela tem deficiência física (Osteogenesis Inperfecta), é assessora de imprensa voluntária da ABSW, e mantém o blog “Caleidoscópio – Uma janela para refletir sobre a diversidade da vida” - http://leandramigottocerteza.blogspot.com/


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Semana da Acessibilidade no Centro Cultural Banco do Brasil

Semana da Acessibilidade no Centro Cultural Banco do Brasil

De 20 a 25 de novembro de 2012

Todas as atividades são gratuitas.

PROGRAMAÇÃO

Dia 20 - Terça-feira, 14h

- História em Quadrinhos Tátil:

Que tal criar uma história em quadrinhos sem utilizar a visão? Com os olhos vendados, o público é convidado a criar uma utilizando principalmente o tato. 10 lugares com retirada de senha meia hora antes.

Dia 21 - Quarta-feira, 14h

- Visita Sensorial à exposição “Planos de Fuga”:

Propondo a utilização do tato, audição e olfato, além da visão. 10 lugares com retirada de senha meia hora antes.

Dia 22 - Quinta-feira, 14h

- Visita Sensorial ao prédio do CCBB:

Visitante é convidado a participar de um jogo com diversas possibilidades através do tato e do olfato, que o levará à uma viagem histórica, passando pelos estilos arquitetônicos do prédio e resgatando a imagem da sociedade paulistana dos anos 1920. 10 lugares com retirada de senha meia hora antes.

Dia 23 - Sexta-feira, 14h

- Contação de história em Libras - Capela dos Aflitos:

No Cemitério dos Aflitos no bairro da Liberdade, foram enterrados muitos sentenciados à forca. Quando a sentença do soldado Chaguinhas ia ser cumprida, a corda arrebentou uma, duas, três, quatro vezes! Diz a lenda urbana que o local onde ficava o cemitério é, até hoje, mal assombrado, 20 lugares com retirada de senha meia hora antes.

Dia 24, sábado, 9h30 às 12h

- Práticas e Reflexões com Educadores: Acessibilidade e Inclusão

Neste encontro, as convidadas Carolina Fomin e Thais Frota abordam as dificuldades enfrentadas no dia a dia pelas pessoas com deficiência em espaços urbanos, edificações e mobiliários. No final, o público é convidado a fazer uma visita pelo espaço do CCBB para vivenciar na prática as barreiras mais comuns, 70 lugares com retirada de senha uma hora antes.

13h30 - 14h30

- Oficina "Ritmo Sensorial: música para surdos":

Um coletivo de jovens que realiza baladas para surdos mostra ao público ouvinte e não-ouvinte, de maneira teórica e prática, como os surdos vivenciam a música através do tato, das vibrações das músicas e do olfato. Com Leonardo Castilho, educador do MAM e Edinho Santos, educador do Museu Afro Brasil e Museu do Futebol, ambos fazem parte do coletivo Vibração e do grupo Corpo Sinalizante, 20 lugares com retirada de senha uma hora antes.

15h - 17h

- Mesa redonda: Pessoas com deficiência em Instituições Culturais:

Neste encontro contamos com a participação de Daina Leyton, Coordenadora do Educativo e Acessibilidade do Museu de Arte Moderna de São Paulo; Cláudio da Costa Rubiño; Coordenador de Acessibilidade do Museu Afro Brasil; Amanda Tojal; Coordenadora do Programa Educativo Públicos Especiais (PEPE) da Pinacoteca do Estado de São Paulo e Ialê Pereira Cardoso Brandão; Coordenadora do Núcleo de Ação Educativa do Museu do Futebol e Amaury Costa Brito; Assistente do Núcleo de Ação Educativa do Museu do Futebol.

Os convidados abordam a atuação de pessoas com deficiência nos respectivos espaços culturais, 40 lugares com retirada de senha uma hora antes.

17h30 - 18h15

- Oficina: Interação com Surdocegos:

Por diversas vivências, a oficina aborda formas de interação com surdocegos, trás informações sobre esta deficiência e dicas de como lidar com o surdocego, com o intuito de promover sua inclusão em espaços sociais. Com Elizabeth Aparecida Figueira, pós-graduada em Tradução e Interpretação em Libras, graduada em Pedagogia com Habilitação em Deficientes pela PUC/SP, e formação em Surdocegueira e Guia-interpretação de surdocegos e em Audiodescrição, 20 lugares com retirada de senha uma hora antes.

Dia 25, domingo 15h

- Visita Sensorial ao prédio do CCBB

SERVIÇO

Semana da Acessibilidade: Autonomia para Todos
Data: de 20 a 25 de novembro
Onde: CCBB – SP
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - SP
Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652.
Fonte: Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência - SP

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Curso Acessibilidade e Cultura no SESC Vila Mariana



O Centro de Pesquisa e Formação do Sesc é um espaço que pretende articular produção,

formação e difusão de conhecimentos, por meio de cursos, palestras, encontros, estudos,

pesquisas e publicações nas áreas de Educação, Cultura e Artes. Em atividade desde

agosto de 2012, esse ambiente busca favorecer as trocas de saberes, bem como o

compartilhamento de ideias e experiências.


De 27 de novembro a 01 de dezembro de 2012, o Centro de Pesquisa e Formação recebe

convidados para ministrar o curso Acessibilidade e Cultura.


No curso, os palestrantes apresentarão temas atuais como a relação das pessoas com

deficiência em espaços culturais diversos, como museus, salas de espetáculos etc, e

recursos como a audiodescrição, tradução de libras para atividades culturais e tecnologia


Acessibilidade e Cultura

Apresentação de temas atuais sobre as relações sociais, as pessoas com deficiência e a
cultura. Curso composto pelos seguintes tópicos:

27/11 - Acessibilidade, Cultura e Inclusão - Enfoque sobre conceitos fundamentais
sobre a acessibilidade, pensando o fazer cultural enquanto traço constitutivo do
Homem e as pessoas com deficiência como consumidoras e produtoras de cultura,
por meio da interação social vista como elemento estimulador da criatividade e da
ampliação do olhar.

Com Marta Gil (Socióloga e consultora na área da Deficiência. Colaboradora do SENAI-
SP e do Planeta Educação. Coordenadora Executiva do Amankay Instituto de Estudos e
Pesquisas Fellow da Ashoka Empreendedores Sociais).

Convidados: Lílian Vânia de Abreu Silva Olah e Naiane Coroline Silva Olah (Tradutoras
e intérpretes do português para LIBRAS) e Mark Van Loo (Diretor artístico da
Bombelêla Dance Company).

28/11 - Museus e cultura para Pessoas com Deficiência - Os conteúdos teóricos
abordam o histórico do desenvolvimento da acessibilidade cultural no Brasil e a
comunicação sensorial como estratégia de acessibilidade para públicos diversos.

Com Viviane Sarraf (Licenciatura em Educação Artística pela FAAP. Especialista em
Museologia pelo Curso de Especialização em Museologia do MAE-USP. Mestre no
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da USP. Doutoranda no
Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP. Recebeu prêmios e títulos nacionais
e internacionais por sua atuação profissional e acadêmica. Organizou o Encontro
Regional de Acessibilidade em Museus, em parceria com a Fundação Dorina Nowill
para Cegos e com o MAM São Paulo, projeto pioneiro no Brasil. Tem experiência
na área de Museologia e Cultura, com ênfase em acessibilidade para pessoas com
deficiência e públicos não usuais.

29/11 - Audiodescrição e o acesso à programação cultural - A audiodescrição é um
recurso de acessibilidade comunicacional que amplia o entendimento das pessoas
com deficiência visual em diversos tipos de eventos e produtos audiovisuais por meio
de informação sonora. A palestra abordará a utilização do recurso em suas várias
possibilidades, como: peças de teatro, óperas, filmes, espetáculos de dança e outros,
e demonstra como tem colaborado para a formação de públicos que apreciam as
apresentações pela magia das palavras.

Com Lívia Maria Villela de Mello Motta (Professora e doutora em Linguística Aplicada
e Estudos da Linguagem pela PUC-SP, com parte de seu doutoramento feito na
Universidade de Birmingham-ING. Trabalha como audiodescritora e professora de
cursos de audiodescrição , implementando o recurso em peças de teatro, filmes,
óperas, espetáculos de dança, eventos sociais, religiosos e acadêmicos. Foi consultora
do MEC/UNESCO e criadora do site/blog: Ver com palavras. Organizou junto com Paulo
Romeu Filho o primeiro livro brasileiro sobre o tema: Audiodescrição: transformando
imagens em palavras.)

30/11 - O guia digital "Acessibilidade Cultural”- Iniciativa do Instituto Mara Gabrilli, o
guia acessibilidadecultural.com.br disponibiliza informações sobre os equipamentos
culturais da cidade de São Paulo para ampliar o acesso e inclusão de pessoas com
deficiência aos espaços, linguagens artísticas e práticas culturais. Nessa palestra serão
apresentadas as bases e critérios da pesquisa, que avaliou mais de 300 equipamentos
culturais da cidade de São Paulo da perspectiva da acessibilidade. Serão apresentados
depoimentos de pessoas com deficiência que usam o guia para sua avaliação.

Com Camila Benvenuto (Psicóloga e especialista em gestão de ambientes inclusivos.
Experiência internacional como acompanhante terapêutica em residência inclusiva
para pessoas com deficiência em Richmond Hill / Canadá. Atuou como coordenadora
de projetos de inclusão na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e
Mobilidade Reduzia - SP. Atualmente coordena o Instituto Mara Gabrilli.) e
convidados.

Haverá tradução português-libras-português.

27 a 30/11. Terça a sexta, das 14h às 18h.
01/12. Sábado, visita a Virada Inclusiva - horário e atividades definidas no curso.
04/12.Terça, das 14h às 16h.
20 vagas.

R$ 30,00 (usuário inscrito no Sesc e dependentes, +60 anos, professores da rede

pública de ensino e estudantes com comprovante)

R$ 15,00 (trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no SESC)


Inscrições pelo Portal Sesc no endereço www.sescsp.org.br/

centrodepesquisaeformação, ou pessoalmente nas Unidades do SESC do Estado de

Endereço: Rua Pelotas, 141, 5º andar da Torre A.

Horário: Terça a sexta, das 13h30 às 21h30. Sábados e feriados, das 9h30 às 18h.

E-mail: centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br


Agenda CPF: www.sescsp.org.br/centrodepesquisaeformacao

Curta! : www.facebook.com/CentrodePesquisaeFormacao

Metrô: Ana Rosa 750m/Paraíso 1000m

PREFIRA O TRANSPORTE PÚBLICO
www.sescsp.org.br/transportepublico

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Entre bolhas e garrafas

Carta de uma irmã de uma pessoa com autismo
Eu não sei exatamente em que parte da minha vida eu percebi que cuidaria de você, mas lembro que sempre pedia um brinquedo para nós dois nas cartas que escrevia para o Papai Noel.
Eu sei que quando a mamãe nos deixava dormindo no quarto, eu te transformava na minha conchinha. Eu tinha medo do bicho-papão sair de debaixo da cama e você era a minha proteção. Eu ficava pensando que poderia gritar: “Ei, cara, ele é o meu irmão! Olha o tamanho dele!”.
Eu também não lembro como ficamos quando o papai foi embora. Nunca vou saber o que você lembra ou entende sobre o homem mais importante das nossas vidas. Mas eu sei que você sabe o que é saudade, porque quando a mamãe demora para chegar, você abre a janela da sala e fica esperando-a aparecer. No começo eu achava que era o tédio de ficar brincando de bonecas ou vendo eu dublar aquela minha banda favorita, mas depois eu entendi que era amor. Aliás, tudo que eu sei sobre amor foi ensinado por você. E coisas sobre força, fé, resignação e coragem foram com a mamãe. Ela é o nosso exemplo e a nossa super heroína, por mais que negue a sua grandiosidade de vez em quando.
Eu li em um livro que um dos maiores sonhos dos irmãos de autistas não-verbais é vê-los falando. Eu não sei se esse dia vai chegar, mas sei que nós conseguimos entender um ao outro. Você pega no meu braço, geme, olha nos meus olhos e eu já entendo o recado, como se “te entender” fosse algo destinado a nascer comigo. E vice-versa, é a mesma coisa, muitas vezes eu sentei triste e ganhei o seu abraço ou a sua cabeça nos meus ombros porque você já sabia o que eu estava sentindo ou querendo.
Carta ao irmão com autismo
Quando éramos pequenos, eu até fazia cara feia para as pessoas que te olhavam de um jeito estranho. Por ficar encarando, já deixei muita gente sem saber o que fazer por causa disso. E quando riram de você, eu briguei, fiquei brava e tirei satisfação. Para mim você sempre foi o cara que metia medo no bicho-papão dentro do quarto, e fora dele era eu quem tinha que meter medo nos bichos-papões da vida real. Nós dois cumprimos muito bem o nosso trabalho, não é? Hoje, no auge do meu 1,80 m., eles podem pensar “Ei, cara, olha o tamanho dela! É a irmã dele!”.
Sempre fomos de ficar na varanda todo final de tarde, se lembra? Mesmo sem falar, você escutava todas as minhas histórias enquanto ficava entretido com as bolhas de sabão na garrafa, o brinquedo que a mamãe inventou e que você nunca mais largou. Víamos o pôr-do-sol e o céu misturando todos os seus tons para virar noite. Dias como aqueles me faziam perceber a importância das coisas simples e sinceras. Você me ensinou a dar afeto e a valorizar as coisas pequenas. Se hoje eu gosto de estrelas e abraços, a culpa é sua.
Nunca sentei para conversar com alguém que tivesse um irmão autista, mas eu sei que esse tipo de pessoa acaba se tornando um ser humano diferente, pois autistas transformam pessoas. Acredito que você é o responsável pelas partes mais bonitas do meu jeito, do meu caráter e da minha alma. Você me abraça sempre que eu te dou banho, limpo o seu prato ou te coloco para dormir e eu acho que é a sua forma de dizer “obrigado”, mas no final das contas sou eu quem tem que agradecer.
Igor, você nunca me defendeu das crianças maldosas e nem dos namorados com defeito. Nunca pudemos sentar juntos e resolver uma questão complicada de matemática ou discutir sobre a melhor faculdade ou a profissão adequada. Mas você sempre ficava ao meu lado enquanto eu brincava de boneca, sempre assistiu filmes comigo e me ensinou a dar carinho. Com você, eu aprendi a ter sentidos, o que faz de mim um alguém sensível o bastante para reconhecer os sentimentos de outras pessoas. Crescer contigo foi aprender o significado de cada pequeno passo. Todo dia nós vivemos e ganhamos algo que vale a pena.
Nunca pude te ouvir dizer que me ama, mas eu sei que sim. Você é quem sempre ficou por perto, sem se incomodar com o que eu estava fazendo, e quem me ensinou que a gente tem sempre que entrar no mundo dos outros para entendê-los. Entrando no seu, eu me tornei alguém melhor. Apesar de você ter autismo, muitas vezes foi você quem não permitiu que eu me isolasse. E para mim, isso é amor. Obrigada.
Nota do editor: a autora criou recentemente um blog para quem quiser entender e conversar sobre autismo:entrebolhasegarrafas.blogspot.com.
Descrição das imagens: fotos do Igor e da Letícia quando crianças sentados no sofá, engatinhando no chão e em cima de um carro. 
Escreve desde que se entende por gente. Gosta de beijos, abraços, risadas, pessoas doces e ri com toda a força que pode. Há quem diga que ela só fala de amor, mas ela insiste em retrucar dizendo que fala de vida. Atende por @lemione no twitter e não queira saber o porquê do nick. Ela nunca lembra.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Nem herói ou coitadinho

Por Leandra Migotto Certeza em 03/09/2003



Você é um cidadão? Cumpre com seus deveres e exige os direitos? Então, gostaria de ser sempre chamado de super-herói? Ou constantemente tachado pelas pessoas de coitadinho? É bem provável que não. Pois como todo ser humano você tem capacidades e potenciais a serem desenvolvidos. Ser super ou sub estimado o coloca em constante e sufocante pressão. É cobrado a corresponder a uma imagem que não existe e conseqüentemente, ninguém conseguirá enxergar quem realmente você é.

Um ser humano pode ter mais facilidades para realizar determinadas coisas e/ou menos para outras. Pois a diversidade é inata a todos. Ninguém é perfeito! E todos estamos no mesmo barco. Então, por que rotularmos a maneira como cada um encontra para continuar vivo? O que pode parecer tão complicado para você pode ser fácil para outra pessoa e vice-versa. 

Depende do repertório e da experiência de cada um. Para um jogador de basquete, que usa uma cadeira de rodas desde que nasceu, vencer mais uma partida não significa ser melhor do que todos os outros. Já para quem conseguiu fazer um bolo sozinho pela primeira vez, pode ser uma grande vitória. Mas também não gostaria de ser idolatrado por isso. Elogios ou críticas não preconceituosas e bem colocadas estarão livres de julgamentos e taxações. 

Quando um atleta vence uma prova, não seria muito mais sensato relatarmos seu desempenho elogiando seu esforço na medida de suas capacidades, mesmo que ele tenha superado outro atleta? Isso não significa que ele é o melhor do mundo. 

O mesmo serve para alguém que ainda não teve acesso aos recursos necessários para exercer sua cidadania. Apenas por estar momentaneamente em uma situação socialmente desfavorecida, não quer dizer que não tenha capacidade de realizar o que alguém em melhor situação financeira consegue. Ou que seja uma pessoa totalmente incapaz. 

O mesmo raciocino vale para alguém que tenha ficado surdo devido a um acidente de trabalho. Ele pode ou não desenvolver mais os seus outros sentidos, devido à falta de audição. Porém, também não é um herói por realizar melhor um determinado serviço. Poderá cometer falhas como qualquer outro. Mas também não deve ser considerado um coitadinho, incapaz de voltar ao mercado de trabalho. Outro exemplo é quando vemos um cego na rua. Não seria muito mais justo conhecê-lo primeiro, antes de comentarmos com o colega do lado que ele é um "coitado" por que não enxerga com os olhos?

Justamente por serem humanas as pessoas não deveriam ser idolatradas, ignoradas ou alvos de piedade. Independente da etnia; nacionalidade; gênero; opção sexual; idade; tamanho; peso; déficit aparente como uma deficiência física, intelectual, mental, auditiva, visual, múltipla (a união de duas ou mais), ou não aparente como o mau caráter. 

Porém, infelizmente ainda são preconceituosamente utilizadas expressões como: "vencer obstáculos é o lema dos deficientes", "a maioria dos obesos supera barreiras todos dos dias", "conquistar espaços com muita garra é o objetivo de todas as mulheres", "ele é um ser especial e super eficiente", "mesmo morando em um lugar tão precário, realiza algo fenomenal", "em uma cadeira de rodas é um super-herói", "deficientes mentais são um exemplo de vida", "pode ultrapassar limites mesmo sendo cego" e etc. Estas expressões proporcionam um distanciamento da condição humana.

O mesmo ocorre no extremo oposto, com expressões também preconceituosas como: "ajude, pois ele é um coitadinho", "carentes precisam do seu apoio", "quem é paraplégico é um incapaz", "todo negro é fraco", "a maioria dos idosos são dependentes", "é pequeno, mas merece sua ajuda", "cuide dos aleijados que não podem viver sozinhos", "apesar de ele ser pobre, conseguiu realizar tal coisa", "mesmo sem uma perna, trabalha", entre outras. 

Generalizar, nivelar, taxar, pré-julgar, acreditar exclusivamente no senso comum não conhecendo como realmente é o outro, só nos conduz à ignorância, ao preconceito, e à atitudes discriminatórias. Devemos estar dispostos a assumir nossa diversidade e humanidade, e não construirmos esteriótipos ou reforçarmos tabus já ultrapassados.

As pessoas com alguma deficiência - objeto de análise desta publicação - por estarem começando a serem reconhecidas como cidadãos após dois séculos de ostracismo, infelizmente, ainda são preconceituosamente consideradas superiores a todos, tratadas com piedade e assistencialismo, ou completamente negligenciadas. 

Creio que cada um de nós é responsável por alterar rapidamente e por completo essa visão distorcida. Pois pessoas com deficiência como qualquer outro indivíduo também rirem; choram; ficam triste, cansadas; gritam; dormem; tem um bom desempenho na escola; são promovidas no trabalho; ocupam cargos de liderança; dirigem um carro; vivem internadas em hospital; fazem bagunça; cometem crimes; tiram dúvidas sobre sexo; viajam; sofrem acidentes; cursam universidade; são analfabetas; usam roupas da moda; são antipáticas, chatas, bravas, felizes, ou revoltadas; tem direito ao esporte, lazer, saúde, moradia, alimentação, entre outras inúmeras características. Portanto, merecem respeito por suas especificidades, e devem ser tratadas iguais na medida das suas diferenças. Nem a mais ou a menos.




Publicado originalmente no portal: http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=6825

APARTHEID das pessoas com deficiência

Em homenagem pela passagem da ativista social que nos deixou dia 07/06/12.


Por Ana Paula Crossara de Rezende 


"Vivemos em um mundo onde muito se fala sobre Direitos Humanos, mas o desrespeito permanece em pauta para muitos dos humanos. Na maioria das vezes, no imaginário coletivo, quando se fala em direitos humanos associamos com cadeias lotadas, práticas cruéis e de tortura para presos. Ocorre que, existem várias pessoas que, apesar de serem gente, da mesma espécie científica dos homo sapiens, parecem invisíveis e não são facilmente associadas às questões que envolvem direitos humanos.
 
Estou falando das pessoas com deficiência, que em muitos casos não cometeram nenhum crime e que ainda pagam impostos, mas são excluídas da possibilidade de usufruir de direitos humanos básicos, simplesmente por conviverem diariamente com uma deficiência que receberam de “presente da vida”.
 
Importante esclarecer que a deficiência dessas pessoas é só mais uma característica dentre as várias que todo mundo possui, mas comumente é representativa dessas pessoas, como se a pessoa fosse sua deficiência, o que é um absurdo! Muitos dos meus leitores vão dizer que não, que as pessoas com deficiência também são sujeitos de direitos, inclusive os humanos e universais, e que a legislação brasileira e até a nossa Constituição não fala em diferentes níveis de cidadania.
 
Tudo muito lindo até aparecer uma pessoa com deficiência no mundo real e que queira estudar na sua escola, ler os livros que você publicou, trabalhar na sua empresa, divertir-se no seu estabelecimento de lazer, até mesmo freqüentar a sua igreja, assistir a um casamento ou fazer uma visita à sua casa ou local de trabalho.
 
O pânico aumenta se essa pessoa se recusar a ser carregada ou se simplesmente apontar que o problema é a escada, a falta de livro no formato acessível, a ausência de audiodescrição na propaganda linda que você colocou na televisão, ou a falta de acessibilidade virtual no sítio da sua empresa. Bom, a sua casa estaria resguardada não fosse aquela vontade incontrolável de sua visita que, depois de uns aperitivos precisa, como toda pessoa, usar o banheiro.
 
E agora? Você não sabia e não foi informado/a que em uma porta de 60 centímetros não passa uma cadeira de rodas? Você não tem obrigação de saber que o livro impresso não atende todas as necessidades de todos os leitores e que isso pode ser considerado, pelo código do consumidor, um defeito? E você que é o responsável pela igreja esqueceu que a porta lateral – aquela onde tem a rampa exigida pela Prefeitura – precisava estar aberta? Será que pedir desculpas vai adiantar alguma coisa ou só vai piorar a raiva pela exclusão tácita que a pessoa está sentindo?
 
A escola não pode recusar a matrícula porque é crime, mas ela cria tanta confusão na hora em que é informada sobre a deficiência da criança que muitos pais preferem não expor seus filhos a tamanha discriminação. É por isso que afirmamos que vivemos num APARTHEID silencioso contra as pessoas com deficiência.
 
Ninguém diz que não se pode entrar na igreja, só que a porta, quando existe, está trancada e ninguém tem a chave e ainda pior, ninguém pensa em como abrir a porta, mas em como se livrar daquela pessoa com deficiência ou em como evitar a presença dela para não mostrar a incoerência entre o discurso e a prática.
 
Naquele momento o problema é a presença da pessoa com deficiência e simplesmente é bastante complexo para a pessoa, nessas situações de “crises”, que só quer participar mostrar que o problema é a falta de acessibilidade ou o desrespeito aos direitos daquele ser humano ali diante de você. E no imaginário coletivo e na vida real vamos criando mais e mais barreiras para separar essas pessoas do nosso convívio.
 
Transporte acessível? Só especial e separado porque não podemos imaginar que uma pessoa queira sair de sua casa e viver… E por falar nisso, quando encontramos alguém com deficiência que está aí no mesmo lugar que você, batalhando por sua independência como a maior parte dos brasileiros e das brasileiras, logo rotulamos – EXEMPLO DE VIDA, não queremos saber de fato o que ela faz, mas para segregar colocamos em outra categoria dos que devem ser admirados… Porque assim fica mais fácil deixá-los longe de nosso convívio.
 
Mas ainda nos resta uma esperança que a Convenção Sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, primeiro Tratado Internacional de Direitos Humanos, elaborada pela ONU e com caráter vinculante, seja ratificada pelo Brasil, com quorum qualificado para dar visibilidade a 14,5% da população, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE de 2000 para que possa ser usada como arma de enfrentamento mundial desse terrível APARTHEID silencioso e que você pode contribuir e muito para sua manutenção se continuar omisso e fazendo de conta que não vê tudo o que disse acima. Por isso e muito mais, queremos que essa Convenção seja rotulada como a Convenção contra o APARTHEID das pessoas com deficiência.” 

(Ana Paula Crosara de Resende – advogada, membro do Centro de Vida Independente Araci Nallin, professora de acessibilidade e inclusão social da Universidade de Uberaba).

Pablo Neruda



"É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.”