quinta-feira, 23 de abril de 2009

Por que será?

Aprender com a imperfeição humana.

Por Leandra Migotto Certeza em 05/11/08.

Por que será que existem pessoas que perdem o precioso tempo da vida não a aceitando, simplesmente, como ela é? Conheço quem passou mais de 30 anos no luto, se culpando por tudo. Se vitimizando por cada gesto ou palavra. Achando que é a única no mundo que tem um filho com deficiência.

Motivo? Não existe! Apenas a louca vontade de se martirizar e sofrer. A dor parece dar prazer... Não sei... Não estou na pela dela, mas atitudes a condenam a esse julgamento.

Por que será que existem pessoas que ganham cada milésimo de segundo da vida ‘cantando vitória’ por aprender com a 'imperfeição perfeita' do ser humano? Conheço quem passou mais de 40 anos no presente, se alegrando por tudo. Evoluindo com cada atitude. Sabendo que, infelizmente, ainda é uma das poucas no país que tem dois filhos, sendo uma pessoa com deficiência.

Motivo? Não existe! Apenas a avalassaladora vontade de ser feliz! O prazer é dar prazer!!!! Sei! Mesmo não estando na pele dela, cada olhar cheio da mais pura aceitação - de, simplesmente, ser o que é - a glorificam para sempre!


A sutileza do preconceito

Quem viu Deus para dizer que ele tem as duas pernas?

Por Leandra Migotto Certeza – em 20/04/09.

“Cavalo dado não se olha os dentes”. “Sair com você dá muito mais trabalho”. “É bem mais complicado sair com duas pessoas com deficiência”. “Não é fácil. Tem que se preparar para receber alguém cem uma cadeira de rodas”. “Você pensa que é assim, tão simples?”. “Eu não posso carregar o problema dos outros nos ombros o tempo todo”. “Você não percebe que atrapalha?”. “Já vai lá tirar o sossego dos outros?” “Agora são dois para dar trabalho”.
É o que ouço desde que nasci. Mais ainda, a partir de 2005, quando para pessoas bem próximas a mim, ‘infelizmente’ escolhi como companheiro, um homem adorável que também tem deficiência física; e ‘ainda por cima’ é órfão e vive com pouquíssimos recursos financeiros.
Hoje – generosamente - identifico nas pessoas que dizem estas frases, maiores possibilidades de mudança, e me disponho a desnudar-me para tentar quebrar seus mitos e estigmas; apesar de continuar sentindo a mesma dilacerante dor de sempre: rejeição!

Antes reagia com muita agressividade. Impunha a minha deficiência. Era minha maior defesa e única forma de sobrevivência que eu conhecia. Agora dou a cara para bater. Arrisco. Mas sofro da mesma forma, até mais intensamente, por saber o exato significado de cada palavra, infelizmente, dita com tanta verdade.

Mesmo sofrendo não desisto de, simplesmente, viver: sem auto-piedade ou heroísmo. Pois não sei por qual motivo eu gosto muito da vida; por isso sempre me questiono: onde mora o preconceito? Tem cor, cheiro, textura, som, forma? Sinto que ele está em todas as partes. Dentro das pessoas tem sua morada eterna, e constrói sua história no Planeta.

Pessoas com deficiência eram consideradas ‘aberrações da natureza’ que deviam ser ‘eliminadas da face da Terra’ e jogadas do precipício. Depois viraram seres especiais que deveriam ser venerados, como aparições de santos. Eram consideradas pessoas super poderosas que tinham a obrigação de nos divertir e servirem de ‘amuleto’. Aí se tornaram ‘podres coitados doentes’, por quem deveríamos ter muita pena e obrigação de cuidar deles, mas bem longe dos nossos olhos...

Hoje são ‘apenas’ seres humanos à procura do seu lugar no mundo. Ou foi o mundo que nunca os enxergou como realmente são? Simplesmente, pessoas que lutam para serem vistas e respeitadas exatamente como são: com qualidades e defeitos; preconceitos e virtudes; medos e certezas; loiros e morenos; altos e baixos; homens e mulheres; negros e brancos; ricos de espírito e pobres de espírito; fortes e fracos; calmos e nervosos; simples e complicados; humildes e esnobes; cientistas e faxineiros.

Pessoas com deficiência comem; fazem xixi e côcô; riem; choram; sofrem; dão gargalhadas; ficam alegres; trabalham; estudam. Fazem sexo por prazer e não por obrigação de perpetuarem a espécie; criam seus filhos com seus companheiros ou não; vivem com autonomia; sentem dor; ficam doentes.

Pessoas com deficiência pagam seus impostos; são consumidores; tem todos os órgãos como pele, coração, olhos, estômago, cérebro; vão à igreja; votam; praticam sua religião. São presas; matam; comentem abusos sexuais; têm ou não liberdade de expressão; são criminosas.
Pessoas com deficiência recebem o Prêmio Nobel; são cientistas renomados; são premiadas por suas carreiras. Sofrem discriminação todos os dias; constituem famílias; são homossexuais, negros, índios, brancos, mestiços.

Pessoas com deficiência assumem cargos de liderança; são eleitos como vereadores, deputadas; têm condições financeiras para comparem e dirigirem seus carros adaptados; não tem condições de se alimentarem.
Pessoas com deficiência vivem em condições financeiras humilhantes; passam fome; vivem com AIDS; contraem doenças sexualmente transmissíveis; trabalham como escravos. Casam; ficam viúvas; sentem saudade; respiram o mesmo ar; adotam crianças; dão à luz a bebês.
Pessoas com deficiência fazem mestrado e doutorado; são analfabetos; viajam pelo mundo; e habitam o mesmo Planeta Terra que uma pessoa sem deficiência. Por isso devem ser respeitadas com equidade na medida de suas diferenças e igualdades.
Pensando nisso, o que é mais confortável para o seu ego? Sair às ruas ao lado de uma mulher, que se locomove em uma cadeira de rodas, empurrada por uma pessoa contratada para ajudá-la; ou empurrar você mesma a cadeira de rodas dela (se isso for possível, é claro!)? O que realmente lhe atrapalha: é o olhar dos outros para a pessoa com deficiência, ou o trabalho físico de empurrar a cadeira de rodas, por exemplo?
Ao tentar responder a estas perguntas ainda penso: onde mora o preconceito? Ele é percebido e digerido pelas pessoas que discriminam? Ele aparece de forma diferente entre pessoas com maior ou menor grau de instrução?
Ainda passo por experiências bem distintas: pessoas com menor grau de instrução, que acabaram de me conhecer, não me discriminaram em nenhum momento; fazendo questão de me incluírem em todas as atividades. Enquanto pessoas, com maior grau de instrução que cresceram comigo, parecem ainda não aceitar minha condição de estar no mundo; e me discriminam todos os dias, sutilmente ou diretamente.
Sem generalizações e preconceitos - afinal quem sou eu para julgar alguém - mas sempre me senti mais feliz ao lado de pessoas com menor grau de instrução, por não enxergar em seus olhos a face sutil da discriminação. Não sei por qual motivo, ainda são raras as pessoas com maior grau de instrução que aceitam com naturalidade a minha forma de estar no mundo.
Se eu pedi para nascer e ainda com uma deficiência física, não sei. Se eu pedi para nascer com uma deficiência física exatamente nesta família, também não sei. Se eu tenho que pagar meus pecados nesta encarnação, e por isso nasci com uma deficiência, também não sei. Se eu estou me purificando por ter nascido com uma deficiência e vou ‘virar santa’, também não sei. Se a vida é uma grande brincadeira de mau gosto, também não sei. Se a vida é a única maravilhosa razão de ser, também não sei. Se eu sou mais feliz ou infeliz por ter nascido com uma deficiência, também não sei. Se eu reagiria da mesma forma, se estivesse na pele das pessoas que ainda me discriminam, também não sei.
Tudo o que sei hoje é que sinto uma força maior do que eu. Vocês podem chamar esta força de alma, espírito, deus, razão, existência, ou o que quiserem, mas é ela que me obrigada a dizer ao mundo, que viver com uma deficiência não é diferente de, simplesmente, viver. Afinal, onde está a perfeição? Por que será que o ser humano teima em querer ser perfeito, se a perfeição não existe?
Tudo e todos vieram do caos dos vulcões e é pra lá que vamos. Ou alguém já descobriu outra teoria mais convincente? Reduzir a complexidade do Universo em Paraíso e Inferno é infantil demais em pleno século XXI. E mesmo que eu esteja redondamente enganada, é bem provável que existam anjos com assas quebradas ou tortas, e diabos cegos e surdos. E quem viu Deus para dizer que ele tem as duas pernas?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Encontro de Países Lusófonos

Carta de Santos

Rede Saci - 15/04/2009

Documento produzido no Encontro de Países Lusófonos em Santos entre 10 e 14 de setembro de 2008

Nós, os 570 participantes de 8 países de Língua Portuguesa, a saber: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, contando com a participação solidária de representantes do Setor da Deficiência de países irmãos da América Latina, a saber: México, Costa Rica, Guatemala, Paraguai, Chile, Panamá, Honduras e Peru, além de observadores de outros países e de organismos internacionais como Organização das Nações Unidas (ONU), Organização dos Estados Americanos (OEA), Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), entre outros,

Reunidos entre os dias 10 e 14 de setembro de 2008 na Cidade de Santos - SP, Brasil, para o Encontro de Países Lusófonos para a Divulgação e a Implementação da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência e seu Protocolo Facultativo (doravante Convenção), promulgados pela ONU,

Celebrando a entrada em vigor da Convenção e buscando promover e incentivar sua ratificação, implementação e monitoramento nos Países Lusófonos, em consonância com os demais tratados internacionais de Direitos Humanos;

Conscientes de que, apesar do espaço geográfico descontínuo e dos níveis diferenciados de desenvolvimento sócio-econômico, possuímos um idioma comum - o Português - que constitui um fator importante de identidade histórica e cultural;

Salientando o fato de que, apesar de a língua portuguesa ser falada por cerca de 236 milhões pessoas em todo o mundo, esta não constitui uma das línguas oficiais da ONU, resultando na restrição, e muitas vezes de exclusão, em participação, protagonismo e representação, com todas as conseqüências daí advindas;

Reconhecendo a importância histórica e o esforço empreendido até o momento, na criação da FDLP- Federação das Associações de Deficientes dos Países de Língua Portuguesa;

Reafirmando a importância dos esforços de cooperação e alianças para a ratificação, implementação e monitoramento da Convenção entre os Países Lusófonos, em sintonia com os demais países, especialmente aqueles do Sul que vivem afetados pela pobreza;

Considerando a situação de vulnerabilidade, exclusão, desigualdade e pobreza em que vive a maior parte da população de nossos países, e os distintos estágios de desenvolvimento da legislação e das políticas públicas existentes na área da deficiência;

Entendendo que os Direitos Humanos da pessoa com deficiência, especialmente aquelas que vivem em situação de pobreza, somente se concretizarão através da transversalização de ações inclusivas no âmbito do desenvolvimento social e econômico;

Conscientes da necessidade de especial atenção à situação de vulnerabilidade das mulheres, crianças e idosos com deficiência e daquelas pessoas com deficiência e suas famílias, afetadas por diversas situações decorrentes, por exemplo, dos conflitos armados, da violência urbana e doméstica, e do HIV-AIDS/SIDA, entre outras;

Preocupados com a escassez de mecanismos que garantam o efetivo exercício dos direitos humanos e da dignidade das PCD, enfatizados na Convenção e a necessidade de visibilidade e do engajamento efetivo deste coletivo no contexto nacional, regional e internacional;

Buscando garantir que pessoas com deficiência e respectivas famílias, e suas organizações representativas, estejam capacitadas, empoderadas e envolvidas em todos os estágios do processo de ratificação, implementação e monitoramento da Convenção, e possam encontrar respostas para suas questões individuais e coletivas à luz deste instrumento internacional;
Diante deste contexto histórico, político, social, econômico e cultural, propomos:
Que cada Estado envide esforços para garantir nacionalmente os recursos necessários para a implementação dos direitos previstos na Convenção;

Que se estabeleçam mecanismos de cooperação técnica e financeira a fim de promover e potencializar oportunidades para a colaboração Norte/Sul e Sul/Sul, com vistas à ratificação, implementação e monitoramento da Convenção;

Que se amplie a capacidade das organizações de pessoas com deficiência, de forma a otimizar seu protagonismo social em defesa dos direitos humanos e do desenvolvimento inclusivo;

Que se capacite os operadores de Direito, dentro do Sistema Judiciário de cada País, desde sua formação individual inicial e continuada, até a transversalizaçào da abordagem de Inclusão em todas as instâncias de atuação;

Que se incentive e apóie a operacionalização de Redes e outros espaços e mecanismos de informação, comunicação, intercâmbio, mobilização e colaboração entre os diferentes atores, nos países Lusófonos e seus pares, a nível local, regional e internacional;

Que se garanta o acesso à educação inclusiva e a atenção primária à saúde para as pessoas com deficiência e suas famílias, no nível da comunidade;

Que haja representação lusófona nas organizações e foros internacionais da área da deficiência e/ou relacionadas à Convenção; e se inclua representação da área da deficiência e a transversalização do tema da Inclusão, nas organizações, foros e atividades relacionadas aos Países Lusófonos, particularmente na Comunidade de Países de Língua Portuguesa - CPLP, inclusive para promover e apoiar o processo de ratificação e implementação da Convenção;
Que se apóie a ampliação, o desenvolvimento e a consolidação da FDLP- Federação das Associações de Deficientes dos Países de Língua Portuguesa.

Que se articule esforços de divulgação, ratificação e implementação da Convenção, entre os Países Lusófonos, de forma integrada à Agenda Global de Desenvolvimento - Objetivos do Milênio, Planos Estratégicos de Redução da Pobreza, Índices de Desenvolvimento Humano e outros instrumentos.

Que se estabeleçam e se adotem indicadores de inclusão em todos os instrumentos e mecanismos de monitoramento e avaliação de políticas públicas e programas para o desenvimento, à luz da Convenção;

Que se programe e promova encontros da rede de cooperação para o Desenvolvimento Inclusivo entre os Países Lusófonos para desenvolver planos de ação conjunta e avaliar a sua evolução e impacto na vida das pessoas com deficiência.

Reconhecemos e apreciamos a iniciativa e o apoio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Brasil, e demais parceiros listados a seguir, para a realização desde histórico evento:

O Governo do Estado de São Paulo; Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo; Fundação Faculdade de Medicina, São Paulo; Conselho Estadual dos Assuntos da Pessoa com Deficiência de São Paulo; Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência da Cidade de São Paulo; Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - CONADE; Coordenadoria Nacional para Inclusão da Pessoa com deficiência - CORDE; Prefeitura de Santos, SP; Conselho Municipal da Pessoa com Deficiente de Santos, CONDEFI; Centro de Vida Independente Arací Nallin, São Paulo; FDLP- Federação das Associações de Deficientes dos Países de Língua Portuguesa; Rede Latinoamericana de Organizações Não-Governamentais de Pessoas com Deficiência e suas Famílias - RIADIS; Instituto Interamericano de Deficiência e Desenvolvimento Inclusivo, IIDI; Business Square; Maxpress.

E conclamamos aos aqui representados a dar continuidade ao processo de valorização e cooperação entre os Países Lusófonos, para a concretização dos Direitos Humanos e a Inclusão Social das Pessoas com Deficiência.

Santos, SP, 14 de setembro de 2008.

Puro preconceito e discriminação

Preconceito por parte do Grupo Gen

Rede Saci - 15/04/2009

Naziberto fala sobre o livro digital acessível, e a distribuição ilegal, em resposta aos comentários do senhor Enoch Bruder

Naziberto Lopes de Oliveira

Prezado senhor Enoch Bruder:

Finalmente o senhor me respondeu. Pena que foi somente após a temperatura esquentar demais e os nervos ficarem a flor da pele. Estou apenas tentando exercer um direito constitucional que todo cidadão brasileiro deveria ter e que é o de acesso a informação e ao conhecimento, sendo que o senhor sabe melhor que eu que isso passa inescapavelmente pelo acesso aos livros que o Grupo Gen tão bem produz e comercializa.

Espero sinceramente que o senhor tenha paciência e respeito pelo diálogo e leia esta resposta até o final. A mesma paciência e respeito que eu tive ao redigi-la especialmente para o senhor. Vamos conversar sem intermediários, por favor, somos adultos, vacinados, inteligentes e podemos muito bem discutirmos e acertarmos nossos negócios sem a intermediação de outrem, leia-se Fundação Dorina Nowill.

Primeiro gostaria de lhe dar os parabéns por sua atuação junto a ABDR, Associação Brasileira de Direitos Reprográficos, na ferrenha defesa dos direitos de autores, produtores de livros e demais suportes de armazenamento do conhecimento escrito. Quero que saiba que sou também árduo defensor não apenas dos direitos de autores e produtores, mas também das pessoas que pretendem ser consumidoras de livros e são impedidas pelo simples fato de possuírem uma deficiência que os impossibilita de acessarem os livros no formato que se apresentam convencionalmente.

Realmente a questão da pirataria e da contrafação são problemas que precisam ser equacionados e passam por uma série de questões a serem revistas, entre elas a própria Lei dos Direitos Autorais, os custos dos livros, a necessidade de mais e bem aparelhadas bibliotecas públicas, a questão da universalização e popularização do acesso a leitura e assim por diante.

Parabenizo também a ABDR pelo lançamento do programa "pasta do professor" que tem procurado equacionar a questão da cópia generalizada de livros nas universidades por esse Brasil a fora. Lembro-me bem do tempo quando era ainda um universitário, como estudante cego lutava pelo direito de ter um livro que fosse em formato acessível dentro de uma biblioteca que contava com mais de 150 mil títulos, enquanto isso os outros estudantes faziam filas intermináveis nas portas da copiadora para duplicar aqueles livros que conseguiam retirar emprestado. Com o programa pasta do professor, penso que os custos praticamente iguais entre uma cópia xerográfica ilegal e a impressão de um capítulo produzido pela editora especificamente para isso, as coisas tendem a se equilibrar.

No entanto, agora gostaria de me debruçar sobre nosso assunto polêmico e que é a minha intenção de adquirir um livro de sua editora, no caso a Método, intenção esta que parece estar causando bastante conflito na cabeça do senhor e de seus colegas editores do Grupo Gen. Por isso vou destacar alguns trechos de sua resposta para minha solicitação, tecendo comentários e apresentando meus argumentos.

Sua resposta: "(...) esclarecemos que, com ajuda da Fundação Dorina Novil, estamos acertando para que possamos encaminhar arquivos digitais de livros para que possam ser convertidos para outros meios de acessibilidade para deficientes visuais."Assim, estaremos garantindo que os arquivos, mediante termos de compromisso com a Fundação, estarão preservados de uso indevido ou disseminação para a pirataria digital."

Meus comentários: Senhor Bruder, gostaria de esclarecer-lhe que outros meios de acessibilidade dos livros para pessoas com deficiência visual são justamente aqueles que lhe informei, isto é, livros em formato texto digital, como por exemplo, o formato PDF, ou seja, as editoras já possuem esse arquivo, uma vez que é a partir dele que fazem a impressão final do livro. Isso não requer nenhum tipo de tratamento especial do mesmo, a não ser que a pessoa cega precise do livro impresso em formato braile, pontos em relevo sobre papel, porém lhe informo que essas pessoas são a minoria, uma vez que hoje as ajudas técnicas, como os programas leitores de tela e sintetizadores de voz, já estão bastante acessíveis entre a população, mesmo aquela considerada mais carente. Lembro-lhe também que o próprio MEC já possui um programa de acessibilidade e inclusão digital que distribui notebooks, equipados com essas ajudas técnicas, para estudantes cegos das escolas públicas.

Outro ponto importante neste trecho de sua resposta é o fato do senhor dizer que confia na segurança dos dados dos livros que envia para a Fundação dorina Nowill, devido ao fato de firmarem um termo de compromisso entre si que impediria o "uso indevido" e a "disseminação por meio da pirataria digital".

Ora senhor Bruder, aqui eu não tenho como subentender outra coisa a não ser que o senhor está me acusando de ser um potencial duplicador do seu livro em formato digital, um potencial pirata. Afinal, eu também me ofereci para firmar um termo de compromisso com os senhores, declarando que o livro é para meu uso particular e me comprometendo a não duplicá-lo, porém, essa minha proposta foi totalmente ignorada. Qual o motivo?
A Fundação dorina Nowill tem mais idoneidade do que eu? Por acaso o senhor tem alguma informação desonrosa a respeito de minha conduta ética, conhece algum antecedente criminal constante em meu nome? Puxou alguma folha corrida minha em alguma delegacia que lida com defesa de direitos autorais? Talvez no ECADI, Escritório de Arrecadação de Direitos Autorais? Por gentileza me esclareça onde foi que o senhor encontrou alguma coisa Concreta ou mesmo supostamente desabonadora de meu nome.

Assim, não encontro outra maneira de entender a aceitação do termo de compromisso da Fundação Dorina Nowill em detrimento de um termo de compromisso de minha pesssoa, um cidadão brasileiro em dia com o pagamento de meus impostos e demais obrigações legais, a não ser por preconceito e discriminação.

Sua resposta: "Portanto, apenas estamos preservando nossas garantias comercias anti Pirataria, e em momento algum ensejando discriminação ou preconceito de Qualquer natureza. O que é de se lamentar realmente é a pobreza da educação Do povo brasileiro que gera a marginalidade e a criminalidade da pirataria De tudo o que se produz, inclusive a do livro, que aos poucos vem sufocado a Atividade editorial. Portanto, essa burocracia é o resultado que todos Pagam, todos."

Meus comentários: Vou começar pelo fim senhor Bruder. Quando o senhor fala que todos pagam pela burocracia que é advinda do risco da pirataria, quem o senhor está incluindo neste "todos"? No caso aqui em especial, como o senhor está lidando com uma pessoa cega e que representa indiretamente todas as outras pessoas cegas do Brasil que poderiam querer adquirir um livro dos senhores, então os "todos" aqui seriam apenas as pessoas cegas? Só posso imaginar isso, afinal, o restante das pessoas que poderiam compor o seu "todos" pode estar neste momento tranquilamente procurando as copiadoras para duplicar algum livro da editora Método que pegaram emprestado de algum colega ou biblioteca. Será que eles serão impedidos de fazer isso?
Por acaso o senhor conseguiu identificar aquela pessoa que está logo ali andando pela rua, entrando em uma copiadora e pedindo para que o atendente duplique aquele livro de concursos em quatro cópias e encaderne com espiral para facilitar o manuseio dele e de mais três amigos. Será que o senhor vai conseguir enviar esse rapaz para alguma Fundação que tenha firmado termo de compromisso com os senhores para a proteção daquele livro em papel?

Quero me referir agora a parte em que o senhor culpa a pobreza da educação do povo brasileiro que fomenta a marginalidade, a criminalidade, a pirataria e está levando as editoras à bancarrota ou como o senhor disse, sufocando-as. Certamente que esse é um fator importante, a falta de educação do povo, porém, do povo letrado, pois o povo sem acesso à educação não está preocupado em copiar livros, mas sim em comer, vestir, sobreviver. Esse povo letrado e mal educado a que me refiro é aquele que privilegia o jeitinho, o oportunismo, a vida fácil, o mais cômodo.

Neste caso o senhor acaba cometendo uma generalização muito perigosa quando compara a necessidade das pessoas cegas de acesso aos livros, adquirindo esses livros junto aos editores e livrarias, aos maus educados, marginais, criminosos, miseráveis, oportunistas, mal intencionados e contraventores. Jogar todos nós em uma vala comum é perigoso além de ser preconceituoso de sua parte também.

Se a minha intenção fosse copiar o livro para distribuição, meu comportamento seria completamente diferente daquele que tive ao procurá-los. Para que eu me ofereceria para firmar um termo de compromisso e responsabilidade com os senhores se tivesse a intenção de cometer um crime? Para que eu me identificaria junto aos senhores? Eu poderia simplesmente ter comprado a versão impressa do livro, a digitalizado por inteiro e depois distribuído para outras pessoas, quem sabe até comercializado para lucrar com isso. Quem me impediria?

Para sua informação, dentro de meu computador pessoal tenho armazenado mais de mil livros que digitalizei durante o meu tempo de estudante, além dos livros que tenho como passatempo e lazer. Quem me impede de duplicá-los a não ser a minha própria ética e minha consciência de que estaria agindo errado caso o fizesse? Difícil não? Por isso o senhor não pode jogar todas as pessoas cegas dentro de um saco e nos acusar de sermos os responsáveis pelo risco de falência do mercado editorial, até porque nunca tivemos a chance de participarmos dele como queremos, não conseguimos nos tornar consumidores respeitados e reconhecidos, uma vez que as editoras parecem nos enxergar a todos como uma massa disforme, desumanizada e descolorida a quem deram o nome de "filhotes carentes da Fundação Dorina".

Sua resposta: "O senhor conhece a excelência da Fundação Dorina Novil e é para ela que o Senhor deve dirigir seu pleito que será, assim, atendido com a maior Brevidade possível, sem ônus e sem seu sentimento de humilhação, ninguém merece isso!"
Meus comentários: Aqui o senhor afirma que eu devo conhecer a excelência da Fundação Dorina. Posso dizer que sim, realmente eles são muito bons no que fazem, prestando serviços às pessoas com deficiência visual carentes e que precisam desse tipo de assistencialismo, contando é claro com milhões de Reais em subsídios governamentais e também com os donativos que arrecadam junto a sociedade civil.
Agora não entendo quando o senhor decreta categoricamente que é para lá que eu devo seguir, porque ali seria o meu lugar, onde eu conseguiria o livro que desejo de graça e no formato que preciso. Como foi que o senhor conseguiu chegar a essa conclusão senhor Bruder? Intriga-me bastante esse posicionamento tão categórico.

Primeiro quero lembrar-lhe que ao solicitar o livro aos senhores eu já havia dito qual seria a especificidade do arquivo digital que preciso. Não preciso nada mais do que aquilo que pedi. Depois, quem foi que disse aos senhores que a Fundação Dorina Nowill é o lugar onde todas as pessoas cegas devem se dirigir quando o assunto é livros e leitura? Eu pensava que livros e leitura fossem coisas de editoras e livrarias, assim como remédios são coisas de farmácias e pães são coisas de padarias.
Gostaria imensamente que o senhor me apresentasse a procuração que a Fundação Dorina Nowill enviou aos senhores dizendo que eu, Naziberto Lopes de Oliveira, seria representado por ela e que somente por ela eu seria cuidado quando o assunto fosse livros e leitura. Preciso dessas informações para que eu possa tomar minhas providencias legais, afinal, se alegaram isso aos senhores estão cometendo crime de falsidade ideológica, falando e fazendo coisas em meu nome que eu jamais autorizei ou autorizarei que falem ou façam.

Muito pior, se por acaso disseram aos senhores que nós, os cegos, temos que ser tutelados e controlados por eles para que não cometamos crime de pirataria junto às editoras brasileiras, isso é ainda mais grave e merece ação judicial por calúnia e difamação, além de danos morais e materiais, pois estão prejudicando a imagem das pessoas cegas que não dependem deles, não são associados a eles e não os procuraram para autorizá-los a falar em seus nomes.

Uma derradeira consideração minha a respeito deste último trecho de sua mensagem é novamente destacando a parte em que o senhor fala que é para a Fundação Dorina que eu tenho que me dirigir, querendo dizer com isso que é para lá que toda pessoa cega irremediavelmente deve se dirigir. Pois bem, sendo assim, segundo sua visão, o fato de sermos cegos nos cola irremediavelmente naquela fundação, nos associa inapelavelmente àquela fundação, mesmo sem termos preenchido nenhuma ficha, assinado nada, autorizado nada.

Agora cuidado senhor Bruder, sei que esse pensamento não nasceu pronto na cabeça do senhor assim do dia para a noite, sabemos, nós as pessoas cegas com um pouco mais de consciência, capacidade racional e pensamento crítico, que a Fundação exerce um trabalho corpo a corpo junto a vocês editores sempre fomentando essa idéia ridícula, disseminando essa falácia de que toda pessoa cega está vinculada a Fundação e que somente a ela devemos nos dirigir quando precisamos de leitura, pois não temos responsabilidade, não temos capacidade de discernir o que é certo do que é errado e somente com o cabresto deles é que podemos seguir pela vida.
Cabresto este que se manifesta na obrigatoriedade de nos associarmos a eles para recebermos um código e uma senha a fim de que possamos ganhar "gratuitamente" alguns livrinhos. Cabresto este que talvez permita que eles possam continuar recebendo os subsídios públicos e sociais ao enumerarem a quantidade de cegos que os procuram e que precisam de "proteção".
Falando nisso senhor Bruder, lembro-me aqui de um trecho em nossa Constituição Federal que menciona que ninguém pode ser obrigado a associar-se ou a se manter associado a lugar algum, as pessoas são livres para ir e vir.

Contudo, pensando aqui nesse número que nos é impingido pela Fundação com o aplauso, apoio e a conivência dos senhores editores, peço licença para relembrar um fato histórico e que marcou a humanidade a pouco tempo, pouco mais de sessenta anos aproximadamente. Foi um tempo em que algumas pessoas eram numeradas nos pulsos para um melhor controle de seus tutores e carrascos.
A Alemanha foi no passado e ainda é realmente um país fantástico, notadamente o berço do conhecimento, da cultura, enfim, do saber humano e que ali foi construído e conservado por seu povo como em nenhum outro lugar do Mundo. Entretanto, mesmo em um lugar assim tão civilizado e culto, surgiu um movimento que manchou para sempre a história daquele povo e que foi o levante do Nacional Socialismo, mais conhecido como nazismo, que deixou marcas profundas na história de toda civilização moderna por sua atitude criminosa e intolerante.
É incrível constatar como uma idéia estapafúrdia e desequilibrada, encarnada em Hitler e seus seguidores fanáticos, conseguiu convencer uma grande parte do povo alemão de que existiria uma raça superior ariana e que principalmente a raça judia, vista por esses idealistas do apocalipse como inferior, seriam os maiores culpados pelas mazelas de seu país. Assim, esses profetas do caos conseguiram fazer boa parte da Alemanha pegar em armas e desprezar tudo aquilo que não fosse alemão, destruindo, saqueando, dominando e exterminando qualquer tipo de diferença em nome de uma pretensa homogeneidade.
Claro que não pretendo ensinar-lhe história senhor Bruder, mas apenas usei essa pequena explanação para fazer um paralelo. No nazismo, aqueles de raça judia eram vistos como pessoas não gratas na sociedade alemã, sendo excluídos e escorraçados aos poucos da mesma. Pior que isso foi que aos poucos foram sendo segregados em lugares próprios para eles, segundo o pensamento dominante é claro, um pensamento que disseminava em toda sociedade que os judeus eram perigosos, responsáveis pela exploração e miséria do povo alemão, e que deviam ser colocados em seus lugares apropriados. E a história do que se passou nos mostrou claramente quais eram os "lugares apropriados" eram esses.
Veja que coisa absurda senhor Bruder, como foi hediondo os nazistas alegarem que todos os judeus eram culpados pela desgraça de seu país e por isso mereciam apenas serem execrados, humilhados e exterminados. Como seria hediondo hoje em dia alguém afirmar que toda pessoa de origem alemã seria um nazista em potencial, merecendo apenas a repulsa e o desprezo social. Da mesma forma é hediondo afirmar que toda pessoa cega é um pirata em potencial, é responsável pela possível falência do mercado editorial, merecendo apenas a comiseração e caridade social, além de só podermos procurar "lugares apropriados" para saciarmos nossas necessidades de consumidores.
Claro que usei propositadamente uma comparação bastante polêmica e gritante para alertar que todos esses pensamentos são hediondos e devem ser rechaçados de nossas mentes. A minha intenção traçando esse paralelo foi apenas de tentar fazer o senhor compreender como é asqueroso esse tipo de idéia que nos joga todos em um saco de gatos, ignorando nossa subjetividade, nossas especificidades, nossa diversidade e nossa humanidade. Qualquer tipo de generalização é perigosa e pode causar distorções graves como estas.
Por fim, peço encarecidamente que o senhor não reduza a mim e nem os meus pares a meros filhotes de alguma Fundação ou entidade assistencial, a pessoas desprovidas de razão e autocontrole, desprovidas de senso do que seja certo e errado e sem responsabilidade. Principalmente, peço ao senhor que não nos reduza a pessoas incapazes de tomarmos nossas próprias decisões e fazermos nossas próprias escolhas, dizendo que só podemos, uma vez que somos cegos, nos dirigirmos a um único lugar porque aquele lugar seria o "mais apropriado para nós".
Esclareço que não tenho a menor pretensão de sensibilizá-lo com algum tipo de apelo emocional, muito pelo contrário, quero sensibilizá-lo pelo lado comercial, pois não apenas eu posso adquirir seu livro pagando por ele, mas também, abrindo essa possibilidade, o senhor estará deixando aberta a porta para qualquer outra pessoa cega que não precise do assistencialismo que a Fundação dorina Nowill oferece.
E pode acreditar que, graças a Deus, são muito poucos os cegos e pessoas com outros tipos de deficiência visual que ainda precisam daquele tipo de assistencialismo. As pessoas cegas estão invadindo o mercado de trabalho, com a ajuda da política das cotas e também de suas próprias competências, além do surgimento de ajudas técnicas que cada vez mais auxiliam com que estejamos presentes em todos os setores sociais, educação, trabalho, lazer, desportos e assim por diante. Espero ter feito o senhor pensar um pouco mais a respeito dessa minha intenção de relacionamento comercial, principalmente espero ter feito o senhor pensar um pouco mais profundamente a respeito da condição de algumas pessoas com deficiência em nosso País que se diz democrático e acolhedor à diversidade humana.
Por fim, se o senhor continuar acreditando que me vender diretamente um livro em formato digital é arriscado, suspeito, perigoso, pois este pode ser pirateado e distribuído, o senhor continuará insistindo em me acusar diretamente de ser uma pessoa suspeita, desonesta e criminosa, isso tudo sem nenhuma certeza, apenas baseando-se em uma possível futura atitude ilícita minha, uma vez de posse do livro. Igualmente o senhor estará acusando de potenciais criminosos todo o segmento de pessoas com deficiência visual e que precisa do mesmo tipo de livro que eu.
Realmente uma completa inversão de valores, uma vez que em nosso arcabouço legal, todos são inocentes até que se prove o contrário. No nosso caso, em sua visão, todos somos culpados até que se prove o contrário. Desta maneira, senhor Bruder, se isto não for preconceito e discriminação sinceramente eu não sei mais o que seria preconceito e discriminação. Acusar pessoas assim é humilhá-las senhor Bruder, e como o senhor mesmo declarou, isso ninguém merece, ninguém mesmo.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Jornalista reúne propostas que serão encaminhadas ao Ministério da Saúde

Leandra Migotto Certeza levará sugestões da população aos participantes do I Seminário Nacional sobre Direitos Sexuais e Reprodutivos e Pessoas com Deficiência que acontecerá em março em Brasília.
Fonte: Rede Saci - 06/03/2009

A Convenção da ONU, sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo governo brasileiro em 2008, reitera a necessidade de que os Estados Partes tomem medidas para assegurar o acesso de pessoas com deficiência a serviços de saúde, inclusive na área de saúde sexual e reprodutiva e de programas de saúde pública destinados à população em geral.

Constitui ação prioritária do Ministério da Saúde o fortalecimento da Política dos Direitos Sexuais e Reprodutivos, que vem sendo implementada através de ações intersetoriais e interministeriais. A Política Nacional de Saúde para Pessoas com Deficiência estabelece em suas diretrizes que ações voltadas para a saúde sexual e reprodutiva são elementos de atenção integral à saúde das pessoas com deficiência.

Considerando a transversalidade do tema com outras Políticas como Saúde da Mulher, Saúde do Jovem e Adolescente, Saúde do Homem, Saúde da Criança, Saúde do Idoso, Programa Nacional de DST/AIDS, a Área Técnica Saúde da Pessoa com Deficiência/Departamento de Ações Programáticas Estratégicas/Secretaria de Atenção à Saúde, promove desde 2007 de maneira mais sistemática, discussões para o estabelecimento de estratégias que atendam a demanda da população com deficiência no que se refere às questões de Direitos Sexuais e Reprodutivos.

Nesta perspectiva, o Ministério da Saúde promoverá no período de 23 a 25 de março de 2009, na cidade de Brasília/DF, o I Seminário Nacional sobre Direitos Sexuais e Reprodutivos e Pessoas com Deficiência.

Como o encontro é restrito há um grupo de profissionais da área, entre eles: diversas pessoas com deficiência e representantes de ONGs voltadas à inclusão desses cidadãos, a jornalista, com deficiência física, Leandra Migotto Certeza, convidada a participar do seminário, teve a iniciativa de coletar sugestões para encaminhar uma carta aos seus organizadores.

O documento será uma extensão da Carta de Florianópolis elaborada por especialistas no tema, em 25 de junho de 2008, como resultado do I Fórum Nacional sobre DST/Aids e Deficiências, um dos eixos temáticos do VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST/Aids, que se aconteceu até 28 de junho do mesmo ano.

A participação de profissionais da área; membros de instituições; órgãos públicos; educadores; e pessoas com deficiência é fundamental para que o maior número possível de vozes seja ouvido no I Seminário Nacional sobre Direitos Sexuais e Reprodutivos e Pessoas com Deficiência, em Brasília. Cabe a sociedade dizer o que precisa, como e porque para que o Governo Federal programe políticas públicas adequadas à realidade e às necessidades de cada cidadão, em relação aos Direitos Sexuais e Reprodutivos das Pessoas com Deficiência.

A teia da inclusão se faz quando cada um tece um pedacinho fundamental para a formação do seu todo. Por isso, se você faz parte de um Conselho Municipal e/ou Estadual, Associação, ONG, Instituto, Fundação, universidade, escola, e/ou milita na área social em algum movimento, ajude a redigir este importante documento.

Leia a Carta de Florianópolis e acrescente sugestões amplas e/ou específicas à ela. Todas as propostas serão bem vindas e levadas ao seminário, dia 23/03 em Brasília, pela jornalista. Para se informar sobre o tema, pesquise: http://www.saci.org.br/index.php?modulo=busca¶metro=

Para saber sobre o fórum de Florianópolis: http://www.saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=21747
Todas as propostas devem ser encaminhadas até dia 17/03/09 para leandramigottocerteza@gmail.com, junto com o completo do seu autor e/ou autores; identificação da instituição a qual é membro; um resumo de 5 linhas sobre o principal objetivo da instituição; cidade e estado que reside; RG; CPF; CNPJ; cargo que ocupa da instituição; e-mail; site; telefone para contato, e autorização para divulgação dos dados. Pessoas físicas que não estejam vinculadas a nenhuma instituição também deve participar, se identificando pelo nome completo, RG e profissão.

O documento será entregue aos responsáveis pela Área Técnica da Saúde da Pessoa com Deficiência do Governo Federal, juntamente com os contatos de todos que o redigiram. É a contrapartida ao trabalho voluntário em prol da inclusão que estes agentes sociais fizeram. Espera-se com esta ação, aumentar a rede de contatos entre profissionais da área que ainda não são conhecidos pelo Governo Federal.

A Carta de Brasília Virtual (nome provisório para o documento) poderá ser divulgada por todas as mídias (desde que citadas todas as fontes) e seus redatores entrevistados. Desta forma o número de participantes em Brasília, de 23 à 25 de março, será bem maior! Contamos com a sua valiosa colaboração!

Maiores informações sobre a Carta de Brasília Virtual, telefone para Leandra: (11) 3453-5370 ou 8697-9067.

Carta de Florianópolis
Nós, participantes do I Fórum Nacional sobre DST/Aids e Deficiências, reunidos em Florianópolis, no dia 25 de junho de 2008, comprometidos com a causa da pessoa com deficiência e com a causa das pessoas vivendo com HIV/Aids e com deficiências associadas ou em decorrência;

Em consonância com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência;
Considerando a legislação brasileira sobre as temáticas da saúde e da deficiência, com ênfase nas que dizem respeito à acessibilidade, à universalidade, eqüidade e integralidade;
Reconhecendo a importância de abordar o tema da sexualidade nos seus múltiplos aspectos: violência e abuso sexual, direito ao exercício da sexualidade com segurança, dignidade e direito à reprodução, prevenção e promoção da saúde;

Considerando as recomendações da Primeira e Segunda Reunião de Especialistas em DST/Aids e Deficiências, dos Fóruns Macrorregionais de Saúde da Pessoa com Deficiência e da Reunião Ampliada sobre DST/Aids e Deficiências;

Reconhecendo a Carta de Porto Alegre, datada de 14 de maio de 2008, que identifica os obstáculos e propõe ações para a atenção integral à saúde da pessoa com deficiência e da pessoa que vive com HIV/Aids.

Considerando o conhecimento, ferramentas e habilidades já desenvolvidas, além da existência das redes de referência e contra referência especializadas, no campo das DST/Aids e no campo da saúde da pessoa com deficiência;

Reconhecendo a importância do intercâmbio de experiências entre os movimentos sociais, organizações da sociedade civil e serviços que atuam na temática das DST/Aids e da Deficiência;
Conscientes da importância do controle social e da participação das pessoas que vivem com HIV/Aids e das pessoas com deficiência;

Reafirmando a urgência de as ações de prevenção, diagnóstico e tratamento das DST/Aids contemplarem as especificidades da pessoa com deficiência;
Recomendamos:
Criar um grupo de trabalho nacional multidisciplinar para elaboração de um plano para a integração das ações de enfrentamento da epidemia das DST/Aids com as ações que visam a atenção integral da saúde da pessoa com deficiência;

Promover ações de fortalecimento do protagonismo das pessoas vivendo com HIV/Aids e das pessoas com deficiência na construção, implementação, monitoramento e avaliação de ações na temática das DST/Aids e Deficiência;

Estimular a interação entre as organizações da sociedade civil, movimentos sociais, conselhos e órgãos governamentais que atuam na temática das DST/Aids e da Deficiência, com o apoio efetivo a projetos na área;

Diagnosticar e tratar precocemente as manifestações neurocognitivas e motoras decorrentes de infecções oportunistas e manifestações adversas do tratamento anti-retroviral da Aids, da sífilis, do herpes, do HTLV e de outras co-infecções, para minimizar potenciais complicações graves e incapacitantes;

Criar, alimentar, disponibilizar e divulgar um cadastro de tecnologias sociais desenvolvidas para o enfrentamento da epidemia, visando sua reprodução pelos interessados, em site construído segundo critérios de acessibilidade digital;

Viabilizar estudos e pesquisas sobre percepções e sintomas decorrentes das doenças crônicas (Aids) , valorizando o relato dos usuários e criando canais de comunicação entre eles e instituições de pesquisa;

Realizar uma pesquisa nacional para conhecer o perfil de pessoas vivendo com HIV, com ou sem deficiência;

Incentivar a discussão da temática da sexualidade, das DST/Aids e Deficiência nas Conferências e Conselhos Municipais, Estaduais e Nacionais de Saúde, da Criança e do Adolescente e da Pessoa com Deficiência;

Enfatizar a importância da discussão desse tema nas escolas da rede pública e privada por meio de iniciativas como o “Saúde e Prevenção nas Escolas”;

Aproximar as famílias e profissionais que trabalham na atenção à pessoa com deficiência da discussão desse tema e envolvê-los nas ações de promoção à saúde sexual e reprodutiva das pessoas com deficiência e das pessoas vivendo com HIV/Aids;

Sensibilizar gestores e capacitar profissionais na temática das DST/Aids e Deficiências;

Viabilizar a elaboração de materiais informativos em formatos acessíveis com linguagem facilitadora, inclusiva, pedagogicamente adequada, culturalmente sensível e tecnologicamente apropriada às especificidades das pessoas com deficiência;

Capacitar os profissionais dos serviços especializados para que saibam acolher e informar as pessoas com deficiência;

Promover condições de acessibilidade (em todos os aspectos: arquitetônico, de comunicação, atitudinal e outros) para pessoas com todos os tipos de deficiência na rede de serviços especializados, através da disseminação de informações técnicas e da legislação brasileira em vigor;

Para tanto, nós, participantes do I Fórum Nacional sobre DST/Aids e Deficiências, assumimos o compromisso de colaborar para a implementação dessas recomendações, acreditando que juntos seremos capazes de lançar as bases para a construção de políticas públicas que impactem substancialmente a atenção às DST/Aids e deficiências em todo o território nacional.

Fantasias Caleidoscópicas
É um projeto de pesquisa que busca retratar a imagem (na maioria das vezes, preconceituosa) que a sociedade tem em relação à sexualidade das pessoas com deficiência, e desmistificá-la por meio de um ensaio fotográfico sensual; exposição itinerante; duas publicações com entrevistas, depoimentos, ilustrações e artigos; e oficinas educativas interativas sobre saúde sexual, em instituições de ensino e centros culturais pelo Brasil, e países interessados em receber o projeto.
Pessoas com deficiência física, visual, auditiva, intelectual, múltipla e/ou surdocegueira, sejam elas: jovens; idosas; gestantes; obesas; casais homossexuais e/ou heterossexuais; de várias etnias e classes sociais foram convidadas pela fotógrafa Vera Albuquerque, junto com a jornalista, Leandra Migotto Certeza a mostrarem sua beleza e sensualidade. Para a fotógrafa, questiona-se, assim, o padrão de beleza - instituído pelos meios de comunicação e pela moral dominante - ressaltando a possibilidade de uma democratização do prazer, uma igualdade de direitos sexuais, uma disposição das mentes (e dos corações) contra os juízos prévios e os preconceitos.
Para a jornalista, dar voz às imagens é tão importante quanto o registro fotográfico, pois é interessante conhecer as histórias de vida dessas pessoas, que em sua maioria ainda são bem pouco ouvidas. O enfoque está na arte e na educação como agentes transformadores da realidade, aliados à palavra, como testemunha dos fastos e detentora de um poder de mudança na sociedade.

A exposição será totalmente acessível: com piso podotátil, catálogos em Braille e em formato digital para pessoas com deficiência visual; intérpretes de LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais para pessoas com deficiência auditiva; entre outros recursos. As publicações e as oficinas também serão totalmente acessíveis para todas as pessoas com deficiência, produzidas e ministradas por esses profissionais. Toda a renda obtida com a venda das duas publicações e as oficinas será destinada, exclusivamente, às instituições não governamentais idôneas brasileiras, que proporcionam oportunidades de inclusão na sociedade às pessoas com deficiência, por meio de atividades artísticas e educacionais.

Á convite da Associação Internacional para o Estudo da Sexualidade, Cultura e Sociedade, as primeiras nove fotos foram expostas no 6º Congresso Internacional Prazeres Dês-Organizados – Corpos, Direitos e Culturas em Transformação, em Lima no Peru, em junho de 2007. O projeto ficou em segundo lugar (categoria pôster) na premiação do congresso!!

Hoje as idealizadoras de Fantasias Caleidoscópicas buscam patrocínios, apoios e/ou parcerias (cotas ou integral) de empresas particulares ou públicas; instituições de ensino e/ou não governamentais (nacionais e/ou internacionais) para viabilizar a realização completa do ensaio (cachê para as pessoas fotografas, transporte, estadia e todos os gastos com a produção das fotos); montagem da exposição acessível; produção das duas publicações também acessíveis; e custos das oficinas, ministradas por educadores com deficiência, em escolas públicas e privadas, universidades; além de centros culturais.

Além de escrever em seu BLOG Caleidoscópio, e ser Repórter SACI Voluntária da www.saci.org.br, Leandra também palestra sobre o tema. Em maio de 2008, falou sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência no Papo Inclusivo, encontro organizado pelo CEMUPI - Centro de Estudos Multidisciplinar Pró-Inclusão. O CEMUPI pertence à Faculdade de Educação do Centro Universitário Belas Artes e tem a co-gestão do Grupo de Estudos Projeto Roma Brasil e dos Papos Inclusivos do Grupo Síndrome de Down.

Contatos com as idealizadoras do projeto:

Leandra Migotto Certeza – Jornalista - Tel: (11) 3453-5370 ou 8697-9067 – E-mail: leandramigottocerteza@gmail.com BLOG: http://leandramigottocerteza.blogspot.com/
Vera Albuquerque – Fotógrafa – E-mail:
vera_foto@yahoo.com.br

terça-feira, 3 de março de 2009

Tenho duas vidas

Tenho duas vidas (ou mais):
a prática e a interior
uso máscaras
visto muitas roupas
Tudo para proteger minha alma
da loucura que é a viver UNA.

Leandra Migotto Certeza - 05/02/2009

Estou de volta

Estou de volta
mas não estou ainda
O que me angustia
é saber que tenho medo
de ser tomada pelas palavras
e delas me tornar refém
por isso o início será devagar
começar pelas crônicas
e me deixar levar
até o dia em que a dor e a solidão
serão tão intenssas
como a alegria e
as boas e eternas lembranças
O mais profundo é saber que sei quem sou e há que vim
Tenho consciência que as palavras fazem parte de mim
São mais fortes,
são mais intensas
e marcarão meu
destino para sempre
AMO viver ao lado delas.

Leandra Migotto Certeza - setembro de 2007

Histórias

Tenho que contá-las,
vim pela palavra e para ele servirei
Viver é preciso
as palavras são meu ar
30 anos se passaram
e eu ainda não tomei coragem de encontrar
minha alma
refletida nas palavras
nas histórias
nas pessoas
Como conseguimos viver em dois mundos?

Leandra Migotto Certeza - junho de 2007

Fantasias Caleidoscópicas

Beijo doce
pele macia
desejo molhado
entrega
Olhar apaixonado
Tudo tão humano...
Não deveria ser preciso falar ao mundo que a beleza está em sermos humanos
Corpos assimétricos, falas, sentidos e sentimentos diferentes
É só isso
Mas ainda há um oceano
separando a simplicidade do corpo dizendo há que veio
da naturalidade em se encarar a condição humana da
DIVERSIDADE!

Leandra Migotto Certeza - maio de 2007

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

É para esse céu que eu vou

Fim de tarde em minha janela.
Começo de vida em minha alma.
É para esse céu que eu vou.
Lilás, rosa, azul, branco.
Finito.

Estar é reconhecer a insignificância significativa de cada ser vivo.
É viver cada segundo intensamente único.
Ser é saber que o que vale é o que deixamos.

Palavras, gestos, abraços, carinhos, risadas, choros...
Sem receio de parecer simples.
Sem medo de ser feliz.

Reconhecimento leva-se da alma que não é pequena por já ser inteira.

Leandra Migotto Certeza

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Educar é aprender com a diversidade humana!!!






Trabalhando com a Jéssica

Rede Saci - 19/02/2009

Professora mostra como é possível ensinar sem se deixar ficar imobilizada pelo "rótulo": Síndrome de Williams.

Após passar um tempo em outra cidade retornei a São Paulo e também para lecionar na escola que sempre trabalhei.

Ao conhecer a sala de aula me deparei com uma menina muito meiga e carinhosa, extremamente afetiva e às vezes muito "grudenta". Era a Jéssica, que fazia de tudo para chamar minha atenção, pois queria exclusividade.

Apesar de ter Síndrome de Williams que a "impossibilitava" de ter o mesmo retorno das demais crianças, Jéssica era muito especial, já era alfabetizada e tinha um vocabulário muito rico além de sua idade cronológica. Sua maior dificuldade era transcrever sua oralidade para a escrita e principalmente a matemática.

Antes de assumir a sala de aula, segundo relatos, soube que Jéssica dormia quase que diariamente na sala de aula. Com a ajuda dos alunos da sala passei a estimulá-la e a cobrar as atividades iguais aos outros alunos, respeitando as suas limitações. Ela começou a produzir muito mais. Participava oralmente de todas as atividades propostas e começou a ler os mesmos textos que os demais; dava opiniões e escrevia, dentro de sua capacidade.

Algumas atividades eram específicas para ela, outras eram adaptadas para a medida que ela conseguia fazer. Porém, a matemática continuava sendo um desafio: as dificuldades eram muitas e ela não conseguia entender o mecanismo do sistema de numeração decimal. Ficava quase impossível resolver situações de matemática, o que causava muita angústia e depressão.

Após muitas tentativas com materiais concretos, desenhos e outros, resolvi introduzir o *material dourado. *Para tentar fazer com que ela entendesse, passei a usá-lo como um dos recursos*, *para que ela pudesse manusear, substituir e efetuar operações matemáticas com sucesso.

Ela se apaixonou pelo o material e começou a manuseá-lo com muita agilidade. Sua empolgação e sua vontade de aprender me impressionaram muito. Foi numa tarde de quarta feira (nunca vou esquecer este dia, que me emocionou muito), que ela conseguiu formar um número com o uso do material. A alegria dela era tanta que parecia que ela ia explodir, os alunos gritavam o seu nome em coro, acompanhado de palmas e ela, chorando, falava:

- Professora, eu consegui, eu aprendi, te amo, muito obrigada!

Após este dia ela queria todos os dias fazer matemática e até montou um material dourado em sua casa usando sucata. A cada dia eu ia aumentando gradualmente o grau de dificuldade e ela respondia bem. Suas produções de textos se ampliaram e ela passou a fazer o uso de recursos como diálogos, suspenses e clímax na narração. Seus textos passaram a ter sequência nos fatos e significados. E nunca mais dormiu na sala de aula.
Nesta época eu estava passando por um momento muito difícil na minha vida, tanto emocional mente como financeiramente, estava sem esperança, enxergava o mundo em preto e branco, vivia um dia de cada vez.

A Jéssica foi para mim uma pessoa muito especial, não no sentido da deficiência, mas como pessoa, pois aprendi muito com ela. Com seu jeito alegre e extrovertido de ser, cheia de esperanças e sonhos, não desanimava diante de um desafio, não via maldade nas pessoas, era espontânea, natural e acreditava no ser humano. Ela era solidária e se preocupava com o outro.

Jamais em toda minha vida vi alguém expressar tão intensamente o amor, felicidade, gratidão em apenas um sorriso, um sorriso puro, sincero. Ela me ensinou o valor de um sorriso, a refletir sobre a minha vida, a enxergar o mundo colorido e de outra forma, me ensinou a ver as coisas boas que a vida oferece, a viver intensamente o dia como se fosse o último, a não desanimar diante dos desafios que a vida nos oferece, me ensinou que existem várias maneiras de ver, sentir, ouvir e principalmente de expressar.

Jéssica, hoje sei o significado da palavra "educar", sei romper barreiras, ser um ser humano melhor. Você veio ao mundo com a missão de transformar as pessoas. Aproveite cada instante que a vida lhe proporcionar, continue sendo assim como você é, levando vida, esperança e alegria às pessoas. Você é a luz que brilha em momentos de escuridão para as pessoas.

Este tempo que estivemos juntas tivemos muitas trocas aprendemos uma com a outra.
Continue sendo você, sorria sempre.

Professora Tânia Bazzani

Descrição da imagem do centro: foto de Jéssica linda, maravilhosa! Uma menina doce, sorrindo sempre! Ela é negra, usa óculos na escola e tem traços de pessoas com Síndrome de Willians. Nesta foto veste uma camiseta azul e vermelha e ao fundo árvores 'douradas' completam a linda paisagem.
Descrição da imagem do lado direito: Jéssica e seu namorado muito felizes na festa de Natal da ABSW de 2008. Ela veste uma blusa vermelha e ele uma azul. Estão radiantes de paixão!

Táxi acessíveis na cidade de São Paulo

Prefeitura entrega à cidade os primeiros táxis acessíveis
Fonte: Agencia Inclusive em 18/02/2009

Os veículos adaptados começaram a circular no dia 17 de fevereiro.
Comentário SACI: Dica do Eduardo Câmara: Lá no blog mantenho uma lista de todos os serviços de táxi e transporte acessível particular que conheço. Se conhecerem mais algum que não está na lista, me avisem! Abaixo está o endereço do post no blog e também a lista atualizada, contendo inclusive os novos táxis de SP. Além disso, pesquisei e liguei para cada uma das empresas para confirmar as informações. Acabei acertando/incluindo algumas informações sobre os nomes, sites, e-mails e telefones das empresas de SP, que não estavam corretos ou estavam faltando. http://www.oglobo.com.br/blogs/maonaroda Endereço do post: //oglobo.globo.com/blogs/maonaroda/post.asp?t=lista-de-taxis-acessiveis-brasil-afora&cod_Post=162595

Apresentação dos veículos ocorreu na frente do Edifício Matarazzo

Os primeiros 20 táxis acessíveis destinados ao atendimento exclusivo de passageiros deficientes ou com mobilidade reduzida passarão a operar nesta data, na capital. Em evento com a presença do prefeito da cidade de São Paulo, dos secretários municipais de Transportes e da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida foram apresentados os veículos.

Os táxis são todos Fiat modelo "Dobló" adaptados conforme normas técnicas estabelecidas pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito). Além de equipamentos próprios para acomodar o deficiente, eles também contam com rádio transmissor, ar condicionado, música ambiente e sistema de rastreamento, itens que permitem mais agilidade no atendimento, e mais conforto e segurança para os passageiros.

Para maior comodidade dos usuários, todos os táxis acessíveis são rádio-táxis, e podem ser chamados pelo telefone do respectivo Centro de Operações de cada empresa. Eles ficarão distribuídos em pontos estratégicos da cidade de modo a chegar rapidamente a qualquer destino. A listagem com os número de telefone pode ser consultada pelo Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) do Departamento de Transportes Públicos (DTP) (11) 2692-3302, 2291-5416, 2692-4094, ou pela internet, no site da Secretaria Municipal de Transportes.

O custo do carro mais a adaptação são de, aproximadamente, R$ 90 mil, totalmente bancado pelo taxista. As especificações técnicas para a modificação dos veículos estão discriminadas no "Manual dos Requisitos Básicos para Táxi Acessível" que foi elaborado pela Área de Desenvolvimento Tecnológico da SPTrans. Os interessados poderão ter acesso a esse manual pelo site da SMT. As tarifas cobradas pelos táxis acessíveis têm o mesmo valor das dos demais táxis (bandeirada R$ 3,50, quilômetro rodado R$ 2,10 e hora parada R$ 28,00) acrescido da taxa de R$ 3,50 por ser rádio-táxi.

Foram sorteados 80 alvarás novos para táxi acessível, sendo escolhidos 80 condutores/empresas titulares e mais 40 suplentes. Além dos 20 alvarás já distribuídos, outros estão em período de preparação e, ainda, ocorrerá a chamada de suplentes do sorteio tendo em vista algumas desistências formalizadas.

Essa é mais uma iniciativa da política da Prefeitura que busca integrar o deficiente em todos os aspectos da sociedade. Para tanto, a Secretaria Municipal de Transportes tem colaborado em diversos aspectos. Nos últimos quatro anos, a frota de ônibus acessíveis da cidade cresceu de 302 para 3.166 veículos, a maior do país. O serviço Atende, que transporta os usuários deficientes com alto grau de severidade e dependência, conta atualmente com 327 vans, que servem a 3.622 passageiros especiais e mais de dois mil acompanhantes. Também existe o Bilhete Único que garante a gratuidade para os deficientes nos ônibus da rede municipal. Até o final de 2008, a SPTrans já havia emitido 257 mil Bilhetes Especiais. É assim que a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Transportes estão integrando todos os paulistanos.

Serviço:
Número das Centrais de Táxis que contam com táxi acessível: Associação das Frotas de Táxis Rua Alfredo Maia, 533 - Ponte Pequena Fone.: 11 3229-7688 / 3228-1400 / 3326-0505 endereço eletrônico: www.alotaxi. com.br

Associação dos Taxistas Autônomos - Fuji Táxi 2 Fone.: 11 5073-3600 / 5077-3999 endereço eletrônico: fujitaxi@uol. com.br

Associação Delta Comum Rádio Táxi 1 Fone.:11 5072-4499 endereço eletrônico: comercial@teletaxi.sp.com.br

Metrópole SP Rádio Táxi Ltda. - ME 1 Fone.: 11 5575-6681 endereço eletrônico: metropole_sp@ yahoo.com.br

Associação Super Táxi dos Taxistas Autônomos 1 Fone.: 11 3982-6414 endereço eletrônico: supertaxi@supertaxi.com.br Fonte: Prefeitura SP http://portal. prefeitura. sp.gov.br/ noticias/ sec/transportes/2009/02/0060

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Calçadas de Natal são o retrato do caos.

Desniveladas, entradas de veículos inclinadas demais, varandas avançadas sobre o passeio público dificultam a locomoção pelas calçadas de Natal.






Descrição da imagem: foto do repórter Gabriel Trigueiro driblando um obstáculo em uma calçada. Imagem colocada d eponta cabeça lateralmente.


Colocar esta página em posição horizontal para ler o texto deve ter sido um gesto desconfortável para você, leitor. E nosso objetivo foi mesmo dificultar um pouco a sua vida, para que você entre no clima do assunto desta reportagem e entenda como é difícil a ‘‘missão’’ de quem caminha pelas calçadas das ruas de Natal.

Protegida na comodidade de seus carros com ar-condicionado, boa parte dos natalenses nem olha de lado para ver o cenário de descaso com o cidadão, que surge na paisagem urbana em forma de calçadas desniveladas, entradas de veículos inclinadas demais, varandas avançadas sobre o passeio público, paredões que impedem a circulação e obrigam as pessoas a disputar espaço com os carros. Esses são apenas alguns dos absurdos que se põem como obstáculos entre o pedestre natalense e sua cidadania.

Nas próximas edições, publicaremos uma série de matérias sobre a precariedade das calçadas em vários trechos da cidade, com a opinião dos cidadãos afetados pelo problema, a visão de urbanistas e a posição do poder público. Para ilustrar a situação, percorri avenidas em diferentes bairros, com diferentes perfis econômicos, urbanos e sociais. Minha primeira ‘‘aventura’’ foi andar na Avenida Jaguarari. Segue o relato:

Quarta-feira, 9h39. Meu trajeto a pé entre as avenidas Jaguarari e Alexandrino de Alencar já começa difícil. Estou caminhando numa calçada com menos um metro de largura, ou seja, menos de um terço do recuo previsto em legislação municipal.

Equilibrando-me entre a sarjeta onde corre esgoto a céu aberto e uma plataforma de cerca de dois metros de altura, que serve de base para as casas do trecho, tenho que olhar para trás de quando em quando e prestar atenção no trânsito. Corro o risco de ser esmagado, caso algum motorista perca o controle de seu carro. Logo a frente, ainda na calçada estreita, sou obrigado a virar de lado para passar entre o paredão e um poste de energia.

Em meio a esta aventura, resolvo subir uma escada esculpida no paredão, de corrimãos mambembes, para conversar com moradores sobre a situação de acessibilidade na rua. Encontro Dona Marlene, uma aposentada de 70 anos que caminha com auxílio de uma bengala. Ela tem medo de cair da plataforma, mal consegue subir e descer as escadas que dão acesso a sua casa e sofre para caminhar na região. ‘‘Não posso andar tranquila, morro de medo de me acidentar. Meu irmão caiu dessa escada uma vez e teve de ir para o hospital’’.

Foram os netos de Dona Marlene que construíram o corrimão de ferro usado pela aposentada para subir as escadas. Sua vizinha, a comerciante Tânia Garcia, também mandou fazer um acesso, com corrimãos de madeira que estão com parafusos soltos e ameaçam cair. Ela também teme acidentes e ainda se sente prejudicada pela dificuldade de acesso dos clientes a seu ponto. ‘‘É inconveniente e perigoso sempre’’.

Passado o trecho mais estreito da calçada, sigo em direção à Avenida Alexandrino de Alencar. O percurso é de obstaculos e armadilhas. Já castigado pelo calor de uma manhã de sol forte de fevereiro - não há árvores onde passam os pedestres -, cabe a mim a tarefa de escalar batentes altos, desviar de montes de areia usados em obras e me equilibrar para não escorregar em entradas de carro de ângulos íngremes, que preenchem todo o espaço entre os portões das casas e o asfalto. Com pisos inadequados para superfícies inclinadas, essas entradas representam aos pedestres um enorme risco de queda. A alternativa é arriscar-se andando na rua. É a Escolha do Sofia do cidadão natalense.

A mobilidade oferecida pelas calçadas parece piorar a cada metro que me aproximo da esquina da Jaguarari com a Alexandrino. Carros estacionados irregularmente me expulsam da calçada mais de uma vez. Ao atravessar ruas adjacentes, tenho de enfrentar barreiras de concreto nas esquinas.

Talvez achando que a medida vá diminuir os alagamentos na chuvas fortes, os moradores instalam murinhos de concreto delimitando suas propriedades, em pleno passeio público. A acessibilidade para portadores de deficiência é nenhuma, tanto nas esquinas quanto ao longo das calçadas. O pedestre que tiver duas pernas funcionando que pule os obstáculos. O semelhante que se dane e o poder público parece longe, bem longe.

Depois de vencer uma barreira de concreto na esquina com a Rua Coronel Silvino Bezerra e outra na esquina com a Rua Álvaro Carrilho, tenho um novo e desanimador trecho até o cruzamento com a Avenida Presidente Quaresma. Além dos problemas que já venho enfrentando desde a rótula da José Bento - calçadas estreitas, entradas irregulares de carros, barreiras de concreto e montes de areia de obras -, percebo que os desniveis se acentuam à medida em que o declive fica mais agudo.

Num determinado trecho, vários pedestres, entres os quais um idoso aparentando cerca de 80 anos, andam na rua em sentido oposto ao dos carros, para escapar das calçadas iclinadas e dos degraus de 50cm, 80cm, um metro de altura. Uma parte da calçada já próxima da Presidente Bandeira é particularmente uma armadilha: nesse pedaço, após vencer uma entrada para carros com duas faixas de cimento escorregadias e ângulo em torno de 45 graus, o pedestre tem de saltar de plataformas entre uma frente de casa e outra e descer inseguras escadas construídas pelos moradores para compensar o desnível. Qualquer distração pode ter sérias consequências.

O comerciante Moisés Oliveira, proprietário do imóvel da entrada de carros inclinada que acabo de citar, defende a construção. Ele conta que uma recente fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) o notificou, juntamente com outros moradores, e que a defesa já apresentada. ‘‘Essa minha entrada é até correta comparada com outras que tem aqui na rua. A calçada era muito alta e se eu não fizesse isso, não teria como entrar com meu carro’’.
A aposentada Tânia Soares, que mora numa rua perpendicular, também acha que os moradores não têm culpa. ‘‘Isso aqui é desse jeito há décadas e eu tenho de mudar? Eu por exemplo, se mexer na minha calçada vou comprometer o alicerce da minha casa’’.

Na esquina entre a Jaguarari e a Alexandrino, o caos na urbanização atinge seu ponto máximo. No lado onde ando, há carros estacionados na rua e também na calçada. A traseira de um dos carros parados na calçada praticamente cola com a lateral de outro estacionado na rua, então não me sobra espaço algum para andar. Do asfalto no qual caminho vejo que a esquina oposta tem mais de um metro e meio de altura e acesso através de escadas precárias. Para piorar, móveis de uma estofadora que funciona no local são expostos no passeio público, atrapalhando ainda mais o trânsito das pessoas.

A situação deixa o marketólogo Gilson Roberto indignado. ‘‘É muito perigoso andar aqui. As pessoas pagam seus impostos e ainda têm de andar em calçadas altas, sujas, com buracos. Nossa cidade não tem infra-estrutura’’.

O reformador de móveis Eurípedes Dantas também reclama da altura da calçada e argumenta que a presença de objetos às vezes previne acidentes. ‘‘Estou aqui nesse ponto há 35 anos e várias vezes pessoas idosas deixaram de cair porque se seguraram nos móveis’’.
Exceção

Depois de passar por mais esse ‘‘perrengue’’, dobro na Alexandrino, em direção à Prudente. Não há padronização no piso das calçadas e nem adequação às normas de acessibilidade, mas pelo menos o terreno é mais plano e não encontro desníveis gritantes. Fico surpreso com a calçada de uma loja de carros, única do trajeto que tem piso anti-derrapante e ladrilhos para orientar deficientes visuais.

O estabelecimento é do comerciante Antônio Pereira. Ele sabe que sua loja é uma ilha de respeito à urbe, em meio a um quadro de caos. ‘‘Fiz esse piso um ano atrás pensando em meus clientes e na população. Além da calçada ser adequada, você pode ver que os carros não estacionam fora da área interna da loja, então o passeio público fica livre. Mas no geral, ninguém liga para as leis’’.

A arquiteta Gleyce Elali destaca o aspecto cultural do problema. ‘‘Em Natal, as calçadas não são feitas pensado nas pessoas. Elas são construídas para facilitar a entrada dos carros, as atividades dos comerciantes, mas não para tornar melhor a locomoção dos cidadãos. E falo de todos as pessoas, não apenas dos idosos e deficientes’’. Ela destaca que a cidade já teve elaborados dois planos de acessibilidade e que todos os projetos de reforma e construção têm de ser apresentados dentro das normas, à Semurb e ao Conselho Regional de Arquitetura, Engenharia e Agronomia (Crea). ‘‘Mas sem fiscalização, não adianta de nada’’.

Falta de acessibilidade física em Natal

Falta calçada em Nova Descoberta

GABRIEL TRIGUEIRO - Da equipe do Diário de Natal.

Em muitas vias de Natal, os pedestres sofrem para caminhar em calçadas desniveladas e muito estreitas. Mas na Rua Djalma Maranhão, principal corredor do bairro de Nova Descoberta, a situação é ainda pior. Além de enfrentar barreiras arquitetônicas, a população também tem de dividir espaço com mercadorias expostas no passeio, por comerciantes que não respeitam os limites de suas lojas, e andar na pista em trechos onde carros estacionados e carrinhos de lanche ocupam todo o passeio público.
Cadeirantes dificilmente têm como
fazer uso dos trechos de calçadas. Foto de Joana Lima / DN.
Comecei meu trajeto pela via por volta das 10h, andando em direção ao bairro de Morro Branco, do lado esquerdo da via, no meu ponto de vista, ou seja, no sentido oposto à mão dos carros. Os primeiros dez metros da caminhada não têm pavimentação e estão sujos de esgoto e fezes de cavalo. Vencida essa primeira parte, a subida da ladeira me desafia com batentes que separam as frentes de casa, quando o correto seria haver uma inclinação constante.


Outro problema são as entradas para carros, que formam inclinações perpendiculares nas quais preciso de cuidado redobrado para não escorregar. Esse problema se acentua na calçada de uma loja de brinquedos, com piso bem inclinado e sem rampas de ligação aos trechos vizinhos. Logo em seguida, aparece o primeiro obstáculo não arquitetônico. Um carrinho de lanches bloqueia minha passagem.


Decido andar entre o objeto e o muro de uma casa. Nesse momento, além de me locomover de lado, sou obrigado a subir uma escada e um batente para chegar ao próximo trecho. Sigo caminhando em direção ao cruzamento com a Avenida Amintas Barros e muitas surpresas ainda me aguardam. Após passar por uma esquina na qual as calçadas beiram meio metro de altura, me deparo com um trecho de difícil circulação em frente a um mercadinho.


Nessa parte, a calçada está quase toda tomada por caixas com frutas, garrafões de água mineral e vários outros produtos. Mas o pior é o lixo amontoado e as moscas voando por cima. Ando me espremendo para não bater nos outros pedestres, nos garrafões, nas frutas e, principalmente, nos sacos de lixo. Também tomo cuidado para não cair na rua, já que a calçada é bem alta. Insatisfeito, entro no mercado e pergunto a um vendedor o porquê das mercadorias e do lixo no passeio público. ‘‘A gente deixa as mercadorias aí rapidamente, só enquanto não tem onde espaço para colocar aqui dentro. Mas sempre fica um espaço para o pessoal passar’’, explica.


Sobre o lixo, o homem me diz que os sacos estão ali à espera da coleta diária. O trecho seguinte de calçadas tem desníveis e carros estacionados de um lado da rua, além de placas de propaganda e lixo no passeio oposto. Ao prosseguir com minha caminhada, vejo mais e mais irregularidades. Um pequeno restaurante tem um grande portão que abre para fora e reduz o espaço dos pedetres pela metade. Do outro lado, uma oficina de bicicletas mantém peças do lado de fora. Após percorrer mais alguns metros de batentes, barreiras, rampas, irregulares e desníveis variados, sou obrigado a andar por dentro de um supermercado, já que a calçadas do estabelecimento está completamente tomada por sete carros estacionados transversalmente.


Termino minha caminhada neste sentido indo do supermercado à esquina com a Rua Amintas Barros, trecho em declive que, para variar, tem sequências de calçadas menos inclinadas em relação à rua, o que gera batentes altos, difíceis para descer com segurança. Em seguida, resolvo subir de volta uma parte da rua pela calçada oposta.


Após me espremer entre a pista de rolamento e os andaimes de uma obra, sigo até uma loja de rações e acessórios para animais de estimação. A calçada em frente está preenchida de gaiolas e outros objetos. A exemplo da justificativa dada pelo vendedor do mercadinho, o dono da loja, Elias Silva, explica que não há espaço para as mercadorias na parte interna. ‘‘Quando acaba o expediente, em coloco as coisas aqui dentro e fica lotado’’, explica. ‘‘Mas você pode ver que tem um espaço para as pessoas passarem (o tel espaço tem menos de um metro de largura, quando a legislação municipal determina pelo menos 2,5m de passeio livre). O problema daqui é o trânsito de carros. Nunca vi ninguém reclamando das calçadas’’, afirma.


Não é o que pensa o aposentado Josafá Pereira da Cruz, 84 anos, que mora no bairro há mais de quatro décadas e é dono de um dos raros trechos da Djalma Maranhão que tem calçada larga, plana e desobstruída. ‘‘Aqui, cada um faz as calçadas de um jeito. As pessoas estacionam carros, botam mercadorias, ferragens, carrinhos de lanche e tudo mais. É horrível para andar’’, reclama. Seu filho, o engenheiro civil Ivan Pereira da Cruz, defende que o poder público aja com energia. ‘‘A prefeitura tem autoridade para chegar e tirar essas coisas (referindo-se às barreiras arquitetônicas e aos objetos) e devia tirar mesmo’’, opina.

Descrição da imagem: foto de uma calçada em Natal que tem três degraus e está completamente em desnível.