quinta-feira, 24 de maio de 2012

Osteogenesis em Portugal

Doentes continuam à espera que o Plano Nacional saia da gaveta

Por Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

São frágeis, tão frágeis que basta um espirro para partirem uma costela ou um movimento mais brusco para quebrarem um osso. Uma fragilidade que poucos conhecem ou identificam, o que torna dos doentes com osteogénese imperfeita vítimas de uma doença rara, para a qual são poucos os apoios.

Parada. É assim que a Federação das Doenças Raras de Portugal descreve a implementação do Programa Nacional de Doenças Raras. A Associação Portuguesa de Osteogénese Imperfeita (APOI) concorda. E lamenta que os doentes diagnosticados com este problema no nosso país continuem a enfrentar muitas dificuldades, apenas porque a legislação destinada a facilitar-lhes a vida continua presa ao papel.

«Depois de, em 2007, o Programa ter sido anunciado, passados todos estes anos continuamos em banho-maria», confirma Maria do Céu Barreiros, presidente da APOI. E com inúmeras barreiras pela frente. Até porque são poucos os que ouviram falar da osteogênese imperfeita, médicos incluídos.

Contactado pelo Destak, o Departamento da Qualidade na Saúde da Direção-Geral da Saúde, responsável pela coordenação do Programa, confirmou que este foi aprovado em Janeiro de 2008, estando atualmente a identificar-se os centros de referência no País «e a ultimar a proposta de cartão de identificação dos doentes com doença rara, como mecanismo de proteção especial para estas pessoas quando, por exemplo, se deslocam a um serviço de urgência». Mas sobre a data de implementação, nada foi referido.

‘Ossos de vidro’

Não são de cristal ou tão pouco de vidro, embora seja este o termo por muitos usado para descrever os ossos destes doentes. Samuel L. Jackson deu corpo a uma vítima no filme O Protegido, onde fez de mau da fita castigado pelas fracturas, uma constante em quem sofre de osteogénese imperfeita. E apesar dos exageros, também aqui a ficção imitou a realidade.

«Esta é uma doença que provoca grandes incapacidades funcionais», explica Maria do Céu Barreiros. «Não há apoios específicos, ou seja, os doentes estão inseridos no regime geral, o que causa vários problemas.»

Problemas que começam cedo, traduzidos em fracturas. «Às vezes basta um movimento brusco para partir um osso, um espirro para partir uma costela.» E embora cura para já ainda não exista, há tratamentos que «ajudam a dar uma consistência óssea, que conciliados com técnicas cirúrgicas corrigem as deformações e evitam que o osso volte a partir».

Registo em falta

Contam-se cerca de cem doentes identificados no País. Mas a julgar pelas estatísticas internacionais, que referem a existência de um doente para cada 10 a 15 mil pessoas, deveriam existir 600 vítimas no nosso país. O que significa que muitos continuam por diagnosticar, já que não existe um registo. «E esse é um dos grandes problemas que enfrentamos, o tentar identificar as pessoas, sobretudo nas formas mais leves da doença.»

sábado, 28 de abril de 2012

"Construindo Caminhos com Amor" - III Congresso de Jovens e Adultos com Deficiência Intelectual e Múltipla











Federação das Entidades de Educação Terapêutica e Terapia Social sob Orientação Antroposófica no Brasil realiza evento com jovens e adultos com deficiência intelectual e múltipla de 23 a 27 abril de 2012.










Construindo caminhos com amor

Começo essa crônica pelo fim. Fim? Não, recomeço. Caminho. Construção. Continuidade. Ciclo. Vida e muito AMOR. Foram esses os sentimentos mais fortes em meu coração desde que recebi um e-mail com o convite para um congresso; até o dia em que registrei em vídeo o depoimento emocionado de um pai. Seu filho falou para uma platéia, pela primeira vez na vida, com segurança e muita alegria. O jovem contou como foi bom ter participado de um encontro em que fez novos amigos. Outra mãe relatou a importância do congresso para a independência de sua filha que começou a se expressar melhor, dentro e fora de casa.

Nesta tarde de confraternização, as falas daqueles jovens e adultos foram cada vez ganhando mais força, porque todos estavam radiantes ao lado dos seus familiares e amigos, compartilhando uma grande conquista: a oportunidade de terem vivenciado profundas experiências de encontro consigo mesmos em apenas uma semana!  Confesso que fiquei muito surpresa com a capacidade, de em tão pouco tempo, estas pessoas terem alcançado grandes avanços. Elas me mostraram o tamanho que o amor pode ter quando vibra na mesma freqüência: a intensidade da transformação. Este é o caminho! É ele que eu vou construir a cada novo amanhecer, depois de ter aprendido com pessoas tão especiais, que viver plenamente é respeitar quem somos; e acreditar que podemos sempre conquistar mais do que sonhamos.


Link das entrevistas em vídeo exclusivas com os participantes do congresso:

http://www.youtube.com/playlist?list=PL878D68678D5C4800&feature=mh_lolz

Vídeos: Leandra Migotto Certeza (jornalista).



Julia falou sobre como as pessoas podem ser felizes construindo caminhos com amor e alegria, superando dificuldades com independência. Após sua palestra no SESC Bertioga em São Paulo conversou conosco sobre a importância de compartilhar suas conquistas.

Links das fotos do congresso:

http://www.facebook.com/media/set/?set=a.213752125407219.46574.146564135459352&type=1

http://www.facebook.com/media/set/?set=a.212592452189853.46336.146564135459352&type=3


Fotos: Leandra Migotto Certeza (jornalista), Gabriele Valente, Paula Mourão e Mariana Farcetta

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Congresso sobre inclusçao


“Construindo Caminhos com Amor"
Federação de Entidades de Pedagogia Curativa Antroposófica e Terapia Social do Brasil

III Congresso de Jovens e Adultos com Deficiências 


De 23 a 27 de abril de 2012 - SESC Bertioga


Dia 23 de abril
  • 20hs 30 min - Abertura: Dança com Cadeiras de Roda - Grupo Bailado de Santos
  • 21 horas – Programação do SESC
Dia 24 de abril


9 horas  - Integração
Ginástica com Poesia
Caminhada na praia
10 hs 30 min - Oficinas *


12hs 00 min - Almoço
15 horas - Oficinas o SESC**
19 horas - Jantar
20 horas - Encontro - Danças Circulares e de Salão e Depoimentos sobre o tema do
Congresso
21 horas - Programação do SESC


Dia 25 de abril
  • 9 horas - Integração - Ginástica com Poesia e Caminhada na praia
  • 10hs 30min  - Oficinas*
  • 12hs 00 min - Almoço
  • 15 horas  - Oficinas do SESC **
  • 19 horas - Jantar
  • 20 horas - Encontro
  • Danças e Depoimento
  • 21 horas - Programação do SESC
Dia 26 de abril
  • 9 horas - Integração - Tai Chi Chuan na praia e Caminhada na praia
  • 12hs 00 min - Almoço
  • 15 horas - Apresentação do "Circo Ponte das Estrelas”
  • 19 horas - Jantar
  • 20h 30 min horas - Sarau – SESC/Hóspedes e participantes do Congresso.
Dia 27 de abril


9 horas - Encerramento - Roda de Despedida


Oficinas disponíveis - Manhã dias 24, 25 e 26
  • Técnica de estamparia em sacolas de algodão cru (ecobags) - Isabel Cardoso - Galpão da Bocha
  • “Conversas sobre o Conhecimento do Ser Humano. Uma abordagem do ponto de vista da Antroposofia” _ Thomas Kraus_ Alemanha (com tradução) – Espaço Grafite
  • “Espaço Dança e Movimento” – Odeir Santos – Ginásio de Esportes
  • Música- “Cantos e (en) cantos do mar” – Inês Nigro e Arthur – Lanchonete
  • “O Tsurú “-Oficina de História e Origami – Magali Antelmi – Varanda da Lanchonete
Oficinas da Tarde dia 24 - Às 15h00
  • Oficina1) Observação de Aves – SESC
  • Oficina 2) Danças Circulares – Paula Mourão
  • Oficina 3) Palestra e debate: “Síndrome de Dow-talentos e conquistas”. Julia Marineck
  • Oficina 4) Percussão - Laércio
Oficinas da Tarde dia 25 - Às 15h00 
  • Oficina 1) Jogos Ambientais – SESC
  • Oficina 2) Danças Circulares – Paula Mourão
  • Oficina 3) Palestra e debate: “Síndrome de Dow-talentos e conquistas”. Julia Marineck
  • Oficina 4) Percussão - Laércio
Oficinas do SESC da Tarde dias 24 e 25 - Às 16h30 
  • Oficina 1) Animais Marinhos e Universo das Baleias
  • Oficina 2) Observação de Aves
  • Oficina 3) Jogos Ambientais
  • Circo “Ponte das Estrelas “– na lanchonete
  • Oficinas de malabares.

CNPJ: 07.288.474/0001-20

quarta-feira, 21 de março de 2012

Todos os dias são de luta

Fonte: http://inclusaoja.com.br/2012/03/21/todos-os-dias-sao-de-luta/


Por Claudia Grabois
Hoje é o Dia Internacional da Síndrome de Down e o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial – em foco a diversidade e as diferenças, em questão o respeito e a legitimação, a necessidade de exercer a cidadania em um estado democrático de direito, com leis, políticas públicas e programas eficazes para o combate ao preconceito e à discriminação e para a efetivação dos direitos positivados, com equiparação e em igualdade. O acesso e a permanência na educação são partes integrantes desse conjunto de ações
No que tange as pessoas com deficiência, os avanços na educação inclusiva são frutos de uma longa caminhada, na qual foram protagonistas as pessoas com deficiência e seus familiares, com a participação ativa de defensores dos direitos humanos, especialmente do direito à educação – fundamental para o exercícios dos demais direitos.
O que se percebe atualmente nas escolas é que não existe boa receptividade para retrocessos nas políticas públicas de inclusão, ou para políticos que levantam bandeiras de restrição de direitos (os quais, certamente, são sempre bem recebidos, porém, com a merecida desconfiança). Ou seja, o espaço para “politicagens” está restrito e lida-se com isso, na maioria das vezes, conhecendo conjuntura e contextos. É certo também que cabe a cada um(a) decidir o seu caminho e que conveniências não são descartadas, mas em tempos de redes sociais, as informações e intenções são mais óbvias.
Podemos pensar nos motivos que podem levar pessoas públicas a se articularem para defender restrições de direitos e o modelo de saúde/assistencialista que se contrapõe ao modelo social, este sim de combate à miséria. Mas compreender por que fazem pressão para segmentar políticas públicas de educação, elegendo deficiências para o pertencimento, ainda é um desafio, pois foi da demanda pela garantia da dignidade inerente a todos os seres humanos que surgiu o sujeito de direitos. E educação é direito inalienável.
Foi pela obrigação de fazer do poder público que os avanços aconteceram; da dupla matrícula no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) – que garante recursos para que o estudante esteja na escola comum e receba o atendimento educacional especializado - ao Programa BPC na Escola , a motivação está nos preceitos constitucionais duramente conquistados pela sociedade.
As matrículas de estudantes com síndrome de down em classes comuns, felizmente, crescem e são incentivadas – inclusive por instituições especializadas. Lamentavelmente, tal incentivo não acontece na mesma intensidade para pessoas das mesmas idades com paralisia cerebral, transtorno global do desenvolvimento ou deficiência múltipla. Posso concluir que existe uma triste “seleção natural” que me assusta. Considerando que a maioria das pessoas com deficiência é pobre, poderia dizer que tais práticas podem vir a promover, a médio prazo, um apartheid entre as deficiências. Ou seja, as pessoas com deficiência consideradas “leves e moderadas” – e as mais abastadas – exerceriam os seus direitos, sendo que as consideradas “graves” – principalmente as mais pobres – continuariam nas instituições (e a viver na linha da pobreza). Idéias que, inclusive, foram bem difundidas durante o ano de 2011, com o uso dos termos mencionados.
Em geral, as pessoas lutam de forma mais intensa pelos seus e acaba sendo fácil esquecer que são milhões de pessoas com deficiência, com especifidades que se unem a tantas outras características. Por isso, é preciso lembrar que os caminhos se cruzam e até se entrelaçam. As pessoas – não importa se com síndrome de down ou paralisia cerebral – têm os mesmos direitos e, no que diz respeito à Educação, todas as crianças e adolescentes devem igualmente frequentar os bancos das escolas. Não podemos permitir, por exemplo, que nos vendam a ideia de que é legítimo haver equipes multidisciplinares para avaliar e encaminhar para classe comum ou para escola especial (principalmente por uma questão de humanidade, que, inclusive, precede as leis). Porque exclusão mata e é desumano. Recursos para atender todas as especificidades, sim, são bem-vindos, necessários e de direito. Para além das Pessoas com síndrome de down existe, sim, vida. Todos e todas são seres humanos.
As Pessoas são diferentes, mesmo. E, além disso, toda pessoa é um mundo e um mar de complexidade. Pessoas com e sem deficiência, tanto faz. Somos igualmente gente. Recentemente, ouvi de um pessoa com paralisia cerebral que se pudesse mudar alguma coisa em sua vida não mudaria a sua condição. E, assistindo a um programa de televisão, novamente ouvi uma fala semelhante.
Acho que precisamos nos conscientizar de que compomos a mesma humanidade, que, de fato, é e sempre foi diversa. Podemos encarar o mundo ou considerando as diferenças como parte integrante e formadora de contextos ou como algo que precisa de cura para se homogeneizar. Nesse segundo entendimento, as diferenças precisariam de “preparo” para frequentar as salas de aula para que a pessoa pareça igual àquele considerado “normal” (?). Aprender igual, falar igual, parecer igual talvez seja a busca de alguém que jamais existirá de fato, pois as pessoas são o que são, independentemente de tentativas para torna-lás o que queremos que sejam. A relação “Eu e Tu” proposta pelo filósofo, escritor e pedagogo austríaco Martin Buber estará ameaçada ao tentarmos fazer com que o outro atenda expectativas e pague por nossos mais escondidos preconceitos.
Dia Internacional da Síndrome de Down é, sim, um dia de luta pela garantia e efetivação dos direitos: direitos humanos; direitos das pessoas com síndrome de down e com outras tantas características; direitos de todos e de todas; direitos constitucionais; direitos de iguais na diferença.
Em tempo: as instituições filantrópicas especializadas, com seus saberes e conteúdos acumulados, são fundamentais para a construção da escola inclusiva, a escola de todos(as) e de cada um(a).
TODOS OS DIAS SÃO DE LUTA.
Abraços Inclusivos.

Dia Internacional da Síndrome de Down


Leiam o ótimo artigo do meu amigo Jorge Márcio:

http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2012/03/nao-somos-anormais-somos-apenas-cida.html

Mais uma vez no mês de março tomamos a Síndrome de Down para reflexão e comemoração. Em 21 de março deste ano ela também estará na ONU. Mais uma conquista, uma maior visibilização e mais reconhecimento desta diferença de ser e estar com uma deficiência.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Serviço Nacional de Aprendizagem do Coperativismo

Fonte: http://www.sescoopsp.org.br/default.php?p=noticias.php&id=4650


Quatro workshops discutem inclusão de pessoas com deficiência
01/03/2012









Descrição da imagem: duas pessoas sem deficiência e uma com deficiência física (sentada em sua cadeira de rodas) realizando atividades durante o workshop).  

O workshop Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho foi realizado em Piracicaba, Marília, Ribeirão Preto e São Paulo e teve como objetivo apresentar às cooperativas dicas de como proceder no caso de contratação de pessoas com deficiência em cumprimento à legislação.

“Esse é um tema novo para nós”. Foi assim que o Gerente da Promoção Social Mário César Ralise abriu o workshop realizado na sede do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo (Sescoop/SP), em São Paulo. O último workshop aconteceu dia 23 de fevereiro, fechando um ciclo de palestras realizadas também nas Regionais Oeste, Nordeste e Centro Paulista nos meses de janeiro e fevereiro. “Estamos trabalhando para cumprir a legislação e fazer nossa parte na inclusão de pessoas com deficiência na realidade cooperativista”, destacou César.

O objetivo dos workshops foi ajudar as cooperativas na contratação e inclusão de pessoas com deficiência e orientar sobre as possíveis dificuldades durante a recepção e convivência com o novo funcionário. “O foco foi na orientação comportamental, com vistas a quebrar tabus e oferecer mais segurança no trato adequado das pessoas com deficiência”, explicou Luciana Santos, analista de Projetos Sociais do Sescoop/SP, que esteve presente nos quatro workshops.

O trabalho contou com a parceria do Centro de Integração Empresa – Escola (CIEE), responsável pela realização da palestra “Inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. Convivendo com as diferenças”. Em São Paulo, a palestra foi ministrada pela assistente de projetos sociais e coordenadora do Programa CIEE de Pessoas com Deficiência, Fátima Fernandes.
  

Descrição da imagem: pessoas sem deficiência sentadas em uma sala assistindo às atividades. Foto das pessoas de costas.  

“Todos nós temos limitações. Ninguém é igual a ninguém. Os deficientes podem realizar quaisquer atividades se forem dadas as condições necessárias para isso”, destacou Fátima. “Tudo o que é novo assusta. Nosso papel então é dar dicas de como as empresas podem lidar com o deficiente no dia a dia”. Ser natural, evitar a superproteção e oferecer ajuda, mas não forçá-la, são algumas das dicas ensinadas na palestra.

 No Brasil, segundo os dados de censo demográfico do ano de 2000 divulgados pelo IBGE, mais de 24 milhões pessoas possuem algum tipo de deficiência (visual, auditiva, motora, física ou intelectual), ou seja, cerca de 15% da população brasileira. Atualmente, o CIEE encaminha para entrevistas em empresas entre 400 e 500 pessoas com deficiência por mês.
Ao longo dos quatro workshops, mais de 20 cooperativas puderam acompanhar as discussões.Na última ação, do dia 23, os participantes assistiram ainda a palestra do Auditor Fiscal da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo (SRTE), José Carlos do Carmo, que discorreu, principalmente, sobre questões relacionadas à Lei nº 8.213, de 24/07/1991. Segundo a lei, todas as empresas privadas com mais de 100 empregados devem ter Pessoas com Deficiência em seu quadro de funcionários (2% a 5%), inclusive as cooperativas.

“O que percebemos é certa restrição por parte das empresas. Elas têm uma lei para cumprir, querem que o deficiente tenha experiência, mas não estão dispostas a dar essa experiência”, lamentou Fátima durante o evento. “Mas isso tem mudado e a contratação de pessoas com deficiência virou um nicho de mercado. Antes, os deficientes precisavam das empresas; hoje, as empresas é que precisam deles. É uma inversão de papéis”.

“As cotas são plenamente justificáveis, e a legislação é uma discriminação positiva”, afirmou José Carlos. “Ela é uma ferramenta fundamental reconhecida pelas pessoas que trabalham com inclusão social. Ela não é uma lei de punição. As empresas não são obrigadas a ficar com os trabalhadores se eles não corresponderem com suas expectativas”, esclareceu.
De acordo com o auditor fiscal, o direito a trabalho é fundamental para as pessoas com deficiência. “É importante que a sociedade dê a esse grupo a condição de consumidores. Só assim eles mudarão essa situação de discriminação e exercer plenamente a cidadania”, conclui José Carlos.

domingo, 11 de março de 2012

Grande absurdo!

Universidade de Curitiba barra TCC voltado à inclusão de pessoas com deficiência


Nesse mês uma aluna do último ano de Administração me procurou para conversar sobre o seu trabalho de conclusão de curso. Ela teve a ideia de desenvolver o projeto de um bar completamente preparado para receber pessoas com deficiência e que use desse preparo como diferencial para atrair a clientela. O projeto foi barrado e impedido de continuar, pelos seguintes motivos:

• O empreendimento não teria mercado. Pessoas com deficiência não frequentam casas noturnas, bares e afins.

• As pessoas com deficiência não dispõem de recursos financeiros para usufruir desse serviço.
• As pessoas sem deficiência se sentiriam desconfortáveis em um estabelecimento voltado para deficientes.
Alguém mais, além de mim e dessa aluna, discorda completamente disso?
O bar iria contar com rampas de acesso, cardápios em braile, um profissional com domínio de Libras, banheiros adaptados e as mesas seriam dispostas visando a boa circulação de cadeira de rodas. Era nesse conjunto de medidas que a aluna estava apostando para apresentar um negócio inovador, requisito pontuado pela orientação.
Além disso, a aluna trabalharia com a norma NBR-9050, da ABNT, que estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade.
É espantoso ver que uma postura como essa está dentro de uma universidade, sendo transmitida para futuros administradores. Dizer que deficiente não sai. Afirmar que um projeto que visa inclusão é uma perda de tempo. Reafirmar preconceitos.
Que tal olhar o projeto como algo sim inovador, que visa atender uma clientela ainda não contemplada? Se a pessoa com deficiência não freqüenta estabelecimentos noturnos, por se sentir mal acolhida, podemos propor um espaço que mude esse conceito, não podemos?
Eu debati recentemente aqui no blog o aumento do número de pessoas com deficiência no Brasil, tendo duas referências principais: o IBGE e o DPVAT. De acordo com o Censo do IBGE 2010, o Brasil tem hoje cerca de 45 milhões de pessoas que apresentam algum tipo de deficiência. Em 2000 esse grupo chegava 24,5 milhões.
Casos de invalidez permanente, entre pessoas vítimas de acidentes de trânsito se multiplicaram por quase cinco entre 2005 e 2010, passando de 31 mil para 152 mil por ano. E esse número não parou de aumentar. Até setembro de 2011, já eram 166 mil casos, segundo o DPVAT, seguro obrigatório pago por proprietários de automóveis. Os dados revelam que a maioria dos acidentados (mais de 70% dos casos em 2011) usava moto e está em plena idade economicamente ativa, entre 18 e 44 anos.
O dado mais pontual que eu encontrei em relação ao poder econômico de pessoas com deficiência veio da Reatech, a segunda maior feira de acessibilidade e reabilitação do mundo, que acontece anualmente em São Paulo.
A expectativa de movimentação de recursos na última edição foi de R$ 550 milhões em negócios, só durante a Feira. Ainda de acordo com a Reatech, o setor de produtos e serviços para reabilitação movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão no País, ao ano, sendo R$ 200 milhões só com vendas de cadeiras de rodas e R$ 800 milhões em automóveis e adaptações veiculares.
Público para o empreendimento existe sim e dinheiro também. Temos bares em diferentes bairros, para diferentes classes, com diferentes preços. E tem bolso para tudo também.
Desenvolver um bar que fosse modelo em adaptação e atendimento à pessoa com deficiência tem a ver com cumprimento de normas técnicas, com sustentabilidade (uma vez que ele contempla o pilar social e o pilar cultural), apresenta oportunidades legais de marketing e comunicação com o público e agregaria valor ao bairro e à cidade. É um ótimo exercício e poderia perfeitamente ser aceito.
Mas não, ao invés disso, o profissional que tem como função fomentar ideias para o futuro foi conservador e tolheu uma proposta diferente, vinda de uma estudante com vontade de quebrar um paradigma, de arriscar.
Você, empreendedor, o que achou dessa proposta?
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Fonte:

sexta-feira, 9 de março de 2012

Luto pelo fim do culto à literatura na TV

"Um livro é um inacabado universo de imagens e pensamentos e linguagem, um espaço de sonhos não realizados e um manifesto desejo de forma. Um livro é uma passagem de tempo, um espaço expansível, uma sequência de elemento cuja discreta identidade é absorvida pela realidade de uma experiência sem fronteiras, um conjunto estático de unidades cujas diferenças irremediáveis voltam o observador para seus espaços interiores em um ato contraditório de envolvimento e transcendência". 

Johanna Drucker - pesquisadora e artista plástica norte americana


Infelizmente, a TV Cultura acabou com o maravilhoso programa Entrelinhas sobre literatura!!! Que grande vergonha nacional!!!! 


quinta-feira, 8 de março de 2012

É proibido



Descrição da imagem: por do sol lindo, dourado e brilhante em meio a coqueiros e árvores frondosas no SESC Bertioga em dezembro de 2011


É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.



Por Pablo Neruda - poeta

Dia Internacional da Mulher

Dentro de mim


cólica
cama
Dentro de mim
perfume forte
telefone estridente
Dentro de mim
cheiro de azedo 
grito abafado
Dentro de mim
vento frio 
corte profundo
Dentro de mim
zumbido no ouvido
comida engasgada
Dentro de mim
palavra cortada
barulho no quarto
Dentro de mim
choro calado
corpo suado
Dentro de mim
garrafa vazia
agulha de costura
Dentro de mim
boca seca
cheiro de abacate
Dentro de mim


Leandra Migotto Certeza em 2001

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Existem 150 médicos genetistas no Brasil inteiro!!!


Com 150 especialistas em doenças raras, Brasil pouco avançou


O Brasil registra cerca de 150 profissionais especializados em doenças raras, segundo dados da Sociedade Brasileira de Genética Médica. Em entrevista àAgência Brasil, por ocasião do Dia Mundial das Doenças Raras, lembrado nesta quarta-feira, o presidente do órgão, Marcial Francis Galera, alertou que nos últimos anos o País registrou poucos avanços no campo da genética clínica. Ele lembrou que 80% dos casos de doenças raras têm origem genética.
Segundo Galera, em 2009 o governo brasileiro lançou a Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica. "De lá para cá, a coisa andou muito pouco". Para ele, seria necessária uma portaria normatizando o assunto. Este ano, acrescentou, o tema foi retomado, com uma reunião no início deste mês. "Mas, do ponto de vista concreto, nada saiu do lugar".
Para o especialista, há certa "acomodação" por parte do governo, já que a maioria dos pacientes com algum tipo de doença rara só consegue atendimento em hospitais universitários. A verba utilizada para atender os casos é proveniente de investimentos em projetos de pesquisa.
Fonte: 

Genética no SUS - Da invisibilidade à transparência

Leitores e leitoras, infelizmente, a ampla reportagem que escrevi em 2005 continua atual. 

O Ministério da Saúde brasileiro precisa ter vergonha na cara e utilizar uma das maiores taxas de impostos do mundo para salvar vidas imediatamente!!!! 

É com grande alegria que compartilho com vocês, um dos ótimos trabalhos 100% voluntários que realizei com uma dedicação enorme desde 2001, quando fazia parte da ABOI - Associação Brasileira de Osteogenesis Imperfecta em SP. 


Espero que os ativistas sociais reconheçam a trajetória desta importante luta! Logo estarei de volta nesta fundamental batalha...

Parabéns a todas e todos que hoje levantam esta bandeira com inteligência, dedicação, comprometimento, coragem, e principalmente, MUITA amizade, generosidade e solidariedade!!!!

Como diz minha família adotiva do coração da ABSW - Associação Brasileira de Síndorme de Williams: "Somos muitos, mas somos UM" !!!!


Fonte: http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=15992


Doenças genéticas são discutidas em encontro nacional

Rede SACI
02/05/2005

Três milhões de cidadãos nascem com alguma síndrome genética por ano no Brasil. O Governo Federal realiza testes pelo SUS - Sistema Único de Saúde para detectar apenas três doenças. Mais de 500 ainda não são diagnosticadas

Leandra Migotto Certeza*

A Genética só foi reconhecida pelo Conselho Regional de Medicina há 10 anos, mas existe há mais de 40 no Brasil. De 3 a 5% dos brasileiros têm uma doença genética, porém ainda existem apenas 200 geneticistas no país.

Somente 11 são formados por ano. Trinta mortes em cada mil crianças ocorrem em pessoas com síndromes genéticas. Um terço dos leitos dos setores de pediatria do SUS são ocupados por crianças com doenças genéticas. "Quando acontecerem grandes melhorias na saúde da população, pessoas com síndromes genéticas ganharão em qualidade de vida", afirmou a geneticista, Dra. Adriana Bührer Alves do Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Genética Clínica, durante o "I Encontro Nacional de Apoio a Portadores de Doenças Genéticas": http://www.portaldassindromes.com.br/.

Graças ao empenho da Associação Brasileira de Genética Clínica e de associações como: X Frágil do Brasil, Instituto Canguru, Associação Marfan Brasil, Associação Brasil Huntington, entre outras, mais de 300 pessoas trocaram informações e experiências em São Paulo, dias 2 e 3 de abril. Os temas das treze palestras e mesas redondas foram específicos como: o papel do cuidador e das associações de apoio; como viver com ou sem o diagnóstico; tratamentos e medicamentos de alto custo; ética em doenças genéticas; e amplos como: inclusão escolar e profissional, e acessibilidade física e comunicacional.

Representantes de associações, médicos, pais e cidadãos com doenças genéticas presentes no encontro questionaram os palestrantes principalmente sobre a falta de diagnósticos e tratamentos públicos de saúde de qualidade. Atualmente a sociedade luta para conseguir testes gratuitos, independente da probabilidade de uma determinada doença na população. Segundo os participantes SUS precisa credenciar serviços genéticos e não apenas laboratórios isolados.

Como viver com ou sem o diagnóstico

Uma doença genética é uma alteração na cadeia protéica, uma mutação na seqüência do DNA. Essa alteração pode ser nociva ou não para o organismo. "40 a 50% das síndromes genéticas não tem diagnósticos. Aparecem 15 casos novos nos SUS por ano. O Brasil está bastante atrasado, mas os EUA levam 5 anos para fechar um diagnóstico", afirmou a Dra. Adriana. Para ela a situação brasileira é muito delicada e necessita de mudanças urgentes, mas a situação da maioria dos diagnósticos também é muito complicada no mundo inteiro.

Já para a Dra. Íscia Lopes Cendes do Departamento de Genética Clínica da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), a hipótese diagnóstica é tão ou mais importante do que ele. "Para se fechar um diagnóstico é preciso primeiro conhecer muito bem o paciente. Saber o que pesquisar ser feito de acordo com resultados da análise clínica é fundamental para encontrar os melhores caminhos em busca de um diagnóstico o mais preciso possível. É preciso também saber em que parte do organismo fazer o teste, caso contrário não ele será eficaz. Existem muitos pontos complexos e relativos a serem analisados".

Na era da clonagem é preciso sempre agir com muita ética 

Fazer teste para detectar somente algumas doenças é discriminação. Infelizmente o Governo Federal ainda precisar ser muito pressionado pela sociedade para agir com ética. A Dra. Íscia informou que existem doenças em que o quadro clínico com todos os seus sintomas só aparecerá mais tarde, isso se aparecer. Ela colocou em discussão a obrigatoriedade de se saber o diagnóstico de um paciente, quando, e por que, mas antes de tudo defende que "qualquer teste deve ser feito somente após a autorização por escrito do paciente, pois o DNA é a história de vida de uma pessoa e deve ser guardado confidencialmente. Também não se deve deixar de diagnosticar uma doença só porque se supõem que ela não tem tratamento conhecido pela medicina atualmente".

A médica também esclareceu que o teste preditivo é diferente do diagnóstico porque irá apenas saber a probabilidade de uma doença genética surgir ou não em uma pessoa. Portanto, é uma questão de ética muito séria e nunca deve ser feito sem a autorização do próprio paciente, pois envolve questões futuras de qualidade de vida e preconceito. "A procura pelo teste deve ser espontânea, o médico deve manter sigilo absoluto, só pode ser realizado em adultos, e todos os pacientes devem ter acompanhamento psicológico antes de depois do teste. Além disso, eles não devem ir para o prontuário do paciente".

Segundo informações da antropóloga e Diretora da ANIS - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, existem políticas públicas discriminatórias onde as pessoas que vão apenas fazer uma doação de sangue recebem folhetos de "alerta" sobre a suposta possibilidade de gerarem filhos com uma síndrome genética, e segundo o governo "deveriam" fazer o teste o mais rápido possível. "É muito grave saber que o Governo acaba com o direito de uma pessoa decidir sobre sua própria vida e ainda discrimina doentes genéticos. Uma atitude dessas é considerada prática de eugenia. É preciso cuidar da saúde pública, fazer campanhas de prevenção, mas não induzir as pessoas a tomar atitudes".

A mesma falta de ética ocorre na mídia e no Governo Federal ao divulgar informações completamente erradas a respeito das pesquisas com células tronco. Segundo a Dra. Mayana Zats do Instituto de Biociência do Centro de Estudo do Genoma Humano da Universidade de São Paulo, a mídia anunciou em uma campanha de massa a cura de problemas no coração por meio de tratamentos com células tronco. "Em primeiro lugar, atualmente não falamos em tratamentos seguros, e muito menos em cura, pois as pesquisas estão apenas começando. Existem grandes probabilidades, testes e muitos estudos sérios e éticos, mas nada ainda foi comprovado. Não se pode brincar com a ciência e prometer milagres falsos". 

As dificuldades de se obter medicamentos de alto custo 

Segundo informações do Instituto Canguru, o SUS só disponibiliza 100 medicamentos que servem para apenas 31 doenças. A verba disponível para 2005 é de 1 bilhão de reais. É preciso reformular as políticas públicas de saúde e fiscalizar o gasto desse dinheiro que saí do bolso do contribuinte. "Precisa se avaliar em que situação uma família vive, para depois dizer se o medicamento é de alto custo ou não. Vai depender também do número de vezes que a pessoa tem necessidade de tomar o remédio", esclareceu Soraya Araujo, presidente do instituto.

Em 1998 somente 109 mil pacientes recebiam medicamentos de alto custo, hoje o Canguru é a principal ONG que os consegue através de mandatos judiciais. Para ela ainda não é a melhor alternativa, mas infelizmente a única viável atualmente. Segundo pais do instituto, os governos municipais, estaduais e federais dizem estar investindo em políticas públicas para a obtenção de medicamentos de alto custo, mas ainda precisam deixar de discriminar pessoas com doenças genéticas, e não escolher quais devem ser atendidas e quais não.

Seguindo o caminho da união um grupo de pesquisadores junto com a sociedade civil conseguiu-se depois de muita luta aprovar no Congresso Nacional a Lei de Biossegurança que regulamente as pesquisas com células tronco (leia matéria). Para a Dra. Mayana, a sociedade deve pressionar os governos sempre que for preciso, usando muito a mídia responsável para conscientizar o maior número de pessoas sobre a importância de temas ainda pouco debatidos e conhecidos, como as doenças genéticas.

O cuidador de pessoas com doenças genéticas deve ter uma vida equilibrada

Para Maria Gorette da Associação Brasil Huntington, e Martha Carvalho, da Associação X Frágil, todo cuidador deve cuidar antes tudo de si mesmo. Ter uma vida equilibrada é crucial para conseguir ajudar quem tem uma síndrome genética. É preciso sempre manter a auto-estima, o amor próprio, uma vida afetiva e emocional saudável, e principalmente, solicitar ajuda quando sentir necessidade. Uma pessoa cansada e desanimada não consegue ter forças para apoiar pessoas que precisam de cuidados 24 horas por dia. Ninguém é de ferro, portanto, revezar os dias ao lado de pessoas doentes, e reservar horas para o lazer do cuidador são fundamentais.

Outro ponto levantado pelas presidentes das associações é a importância do cuidador ser sempre franco sobre os seus sentimentos com quem está doente, dizendo quando não pode ou não quer realizar tal tarefa. Segundo pesquisas das associações, são as mulheres quem mais assumem o duplo papel de mães, esposas, donas de casa, trabalhadoras, e principalmente cuidadoras em tempo integral de parentes com doenças genéticas, portanto ficam em sua maioria bastante sobrecarregadas. Elas são alvo das reuniões e atividades das associações que procuram sempre alertar para a importância de se dividir as tarefas e responsabilidades com os homens da família e/ou amigos.

Unir-se e compartilhar experiências com outras pessoas que estão passando pela mesma situação também é muito importante para que os familiares e amigos de doentes genéticos se conheçam, aprendam um com o outro, e vivenciem novas formas de obter qualidade no dia-a-dia. O principal objetivo das associações é lutar para implantar políticas públicas eficazes voltadas à saúde. A solidariedade é a chave para conseguir atingir os objetivos, por isso estabelecer parcerias com os governos, sociedade civil, e empresários é fundamental.

Venda de artesanato proporciona qualidade de vida a cidadãos com ossos de cristal

Quatro membros da ABOI - Associação Brasileira de Osteogenesis Imperfecta -venderam artesanatos produzidos pelos próprios cidadãos com OI. A doença é provocada por uma falha no colágeno (tecido formador do osso) que resulta numa estrutura óssea extremamente frágil, sujeita a fraturas contínuas, inclusive durante o período da gestação. Atinge 1 a cada 21.000 nascidos, e muitos médicos ainda conhecem pouco sobre ela. Segundo informações do Prof Dr. Decio Brunoni, Coordenador do Centro de Genética Médica da Universidade Federal Paulista - UNIFESP/EPM - presente no encontro -, desde 1760 existem descrições clínicas sobre OI, mas o teste molecular foi feito somente em 1983. Como é uma doença monogâmica, a probabilidade de saber se vai surgir em outra pessoa da mesma família é bastante alta. Outras informações podem ser obtidas no site http://www.ncbi.mim.nh.gov/entriz/dispomam.

Lindas velas artesanais decoradas e perfumadas, doces, porta-jóias pintados a mão e adoráveis caixinhas de presentes estilizadas, foram vendidas para que mães consigam levar seus filhos aos hospitais, informações sobre OI sejam divulgadas em congressos, reuniões com profissionais de saúde sejam realizadas, listas de discussão na internet continuem ativas, e novos projetos finalmente saíam do papel. Os benefícios materiais conseguidos no encontro foram poucos, mas sem dúvida que tornar a OI e a ABOI reconhecidas entre a comunidade de síndromes genéticas é muito importante.

Hoje a Associação Brasileira de Osteogenesis Imperfecta sobrevive com pouquíssimos recursos materiais e humanos. Faltam principalmente voluntários realmente comprometidos. Ainda não há uma sede fixa, nem ao menos um informativo impresso, quanto mais telefone, material de escritório, computador ligado à internet, verba para despesas com correio e organização de reuniões. Apesar das inúmeras dificuldades, um pequeno grupo de pessoas formado em sua maioria por quem tem OI luta com todas as suas forças para manter a ABOI viva ajudando quem precisa. Em meio às dificuldades, em 2001 conseguiram que o Ministério da Saúde assinasse uma Portaria criando Centros de Referência em OI no Brasil disponibilizando pelo SUS um medicamento que ajuda os ossos a reterem o cálcio.

Para participarem do encontro, membros com dificuldades financeiras produziram artesanatos com recursos próprios. Também se esforçaram muito fisicamente para assistir todas as palestras mesmo morando em regiões distantes de São Paulo.

Inclusão educacional e profissional

Crianças e jovens com doenças genéticas ou deficiências têm o direito constitucional de estudarem em colégios regulares e cidadãos com deficiências de trabalharem com dignidade. Mas a realidade infelizmente ainda está bem distante dessa teoria. É preciso mudar os paradigmas porque o suposto "padrão" é feito para uma minoria, pois a maioria da sociedade é diversa e não igual. Muitos professores, diretores, e pais ainda não aceitam alunos com deficiências e/ou doenças nas salas de aula. Somente a informação correta e a mudança do ponto de vista educará as pessoas sobre a troca enriquecedora de experiências que a diversidade humana pode trazer. Estas questões foram levantadas pelos palestrantes Flavia Cintra e Renato Laurentti, profissionais do Instituto Paradigma. Ambos adquiriram uma lesão medular e lutam para conseguir viver com dignidade em um país excludente como o nosso.

Qualificação profissional, potencial e competência são os valores avaliados pela Gerente de Recursos Humanos, Eliana Oliveira dos Laboratórios Fleury - Medicina Diagnóstica. Para ela ter ou não uma deficiência, não pode ser considerada pela empresa como um empecilho ou vantagem. "Não podemos taxar o profissional com deficiência como incompetente ou super herói. Ele é uma pessoa com qualidades e defeitos. Deve ser tratado igual na medida de suas diferenças. É preciso respeitar suas necessidades de equiparações de oportunidades, como acessibilidade física e comunicacioal, e cobrar os resultados de produção no ambiente de trabalho".

Hoje a empresa tem 9 deficientes visuais, 4 físicos, 3 intelectuais, e 1 auditivo em seu quadro de funcionários. Ainda não cumpriu a política afirmativa de reserva de vagas (Lei 8.213), mas pretende continuar admitindo esses profissionais de forma qualitativa. Um programa de convivência desenvolvido com os funcionários pais de crianças com deficiência vem alcançando bons resultados. Ele surgiu depois que o primeiro funcionário com deficiência intelectual foi admitido pela empresa. "No começo sentimos muito receio, - confessa Eliana - mas depois aprendemos muito com eles".