sábado, 3 de outubro de 2020

URGENTE: Escola Especial não é Inclusiva!! Não ao Decreto 10.502! Retrocessos não passarão! Direitos Humanos são inegociáveis!


 
URGENTE ASSINE A PETIÇÃO:


Escola Especial não é Inclusiva!!
Não ao Decreto 10.502!
Retrocessos não passarão!
Direitos Humanos são inegociáveis!

Você sabia que, nos anos 60, o estudante com deficiência só poderia ser matriculado em uma turma comum quando estivesse “pronto” para acompanhar os demais colegas nas atividades? Somente alguns ingressavam.

Quando não alcançava o ideal esperado, permanecia fora, numa classe especial ou nas escolas especiais. Se você nasceu antes dos anos 2000, provavelmente teve pouca ou nenhuma chance de estudar com colegas com deficiência.

As famílias tinham vergonha e isolavam os filhos com deficiência em casa. Muitos eram encaminhados a hospitais psiquiátricos.

O resultado dessa discriminação é que, ainda hoje, a gente acha “normal” segregar as pessoas com deficiência, como se elas fossem o problema, o desvio da norma.

Foi só na década de 90, e com muita pressão dos movimentos sociais, que isso começou a mudar. Tivemos a Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, assinada, em 2007, por 160 países.

No Brasil a Convenção tem força de lei desde 2009. É a Lei nº 6949!

Já o direito de alunos com deficiência estudarem em escolas e classes comuns também está previsto em lei desde 2008.

Doze anos pode parecer muito tempo, mas, se a gente refletir, a educação brasileira tem muito mais experiência em discriminar e excluir, do que em garantir a inclusão.

A novidade é que o Governo Federal publicou, no dia 1 de outubro de 2020, o Decreto 10.502, que tem o objetivo de garantir às famílias das pessoas com deficiência o direito de decidir se querem matricular seus filhos em uma escola regular, em uma escola especial ou em uma escola bilingue.

Sim, esta não é uma política nova, é o que acontecia 30 anos atrás! Portanto, um GIGANTESCO RETROCESSO!

Ao invés de investir na consolidação da educação inclusiva, o governo alega que os alunos não tem se beneficiado da inclusão (que ele não faz esforço para garantir) e decidiu andar para trás.

Para que as famílias possam escolher? Não, para deslocar os investimentos da rede pública e das escolas regulares para instituições especializadas.

Quem se beneficia dessa decisão, quem tem interesse nisso? Acho que essas são as perguntas que temos que fazer.

O Decreto 10502 é sobre interesse econômico, e não sobre direitos humanos.

Não ao Decreto 10.502!

Escola especial não é inclusiva! Segregar não é incluir!
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A Comissão Nacional de Direitos da Pessoa com Deficiência do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CDPCD/CFOAB) recebeu a manifestação de pessoas com deficiência, de suas entidades representativas e de diversos integrantes da sociedade civil, de que a nova Política Nacional de Educação Especial (PNEE), lançada pelo Governo Federal no dia 30/9/2020 e normatizada pelo Decreto nº 10.502, de 30/09/2020, apresenta graves retrocessos para a educação inclusiva.
Ocorre que a OAB e a Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência junto ao Conselho Federal possuem o compromisso de respeito e defesa da Constituição Federal de 1988, bem como da Convenção da ONU sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência que foi recepcionada no ordenamento jurídico brasileiro com status de Emenda Constitucional.

É importante ressaltar que a discussão não versa sobre um direito de “escolha”, mas sim, em especial, acerca da garantia dos direitos da pessoa com deficiência no sistema educacional, da ampliação da acessibilidade e das adaptações para a permanência em qualquer instituição de ensino e do cumprimento de normas constitucionais e infraconstitucionais.

Deste modo, em 30/09/2020, a Comissão Nacional instaurou procedimento administrativo tendo por escopo a elaboração de estudo técnico-jurídico que possa vir a ser utilizado como fonte de subsídios necessários para que o Conselho Federal da entidade possa, oportunamente, deliberar sobre as medidas, inclusive judiciais, se for mesmo o caso, a serem tomadas no sentido de evitar qualquer retrocesso na efetivação dos direitos das pessoas com deficiência.
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Pode o Governo Federal dispor de direito fundamental que é da criança e do adolescente?
Considerando a Constituição Federal, o Decreto Legislativo 186 de 2008 e o Decreto Executivo 6949 de 2009, o Decreto Presidencial 10.502 de 2020 viola preceitos constitucionais.

Agora, mais do que isso, na prática esse ato promoverá diretamente a exclusão educacional, tirará dos bancos da escola um número enorme de estudantes e, por consequência, promoverá a pobreza e afetará a economia e o desenvolvimento nacional.

Mas pode o Governo Federal dispor de um direito fundamental que é da criança e do adolescente? No meu entendimento não, de forma alguma, o direito não é dele, o direito não é do governo federal.

O Ministério da Educação Não tem o direito de violar princípios constitucionais.

A violação dos princípios constitucionais diz respeito às Pessoas, afeta Vidas, são crianças e adolescentes que perderão direitos e voltarão à invisibilidade.

O retrocesso social será de 30 anos e o impacto na vida de crianças e adolescentes ainda não pode ser mensurado, no momento o desenho é caótico.

Cada criança excluída do sistema de ensino e cada vida não vivida importa. É certo afirmar que pelo novo Decreto seres humanos serão excluídos do sistema de ensino e hierarquizados.

Portanto não podemos aceitar que crianças e adolescentes sejam colocados em situação que enseja perda de direitos e exclusão da vida em sociedade.

O direito à educação é inalienável e indisponível, o direito é da criança e do adolescente. Educação é Direito Humano.

O governo não tem o direito de privar crianças da educação em classe comum da escola regular, mas é o que faz ao promover a segregação.

O Brasil, Estado contratante da Convenção(CDPD), tem o dever de aprofundar políticas públicas de inclusão educacional, com dotação orçamentária adequada.
Exclusão da Educação não é política pública e tampouco matéria para decreto.

A Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (CDPD) é Norma Constitucional.

Compartilho o Artigo 24: Educação:

1 – Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência à educação. Para efetivar esse direito sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades, os Estados Partes assegurarão sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida, com os seguintes objetivos:

a) O pleno desenvolvimento do potencial humano e do senso de dignidade e autoestima, além do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos, pelas liberdades fundamentais e pela diversidade humana;

b) O máximo desenvolvimento possível da personalidade e dos talentos e da criatividade das pessoas com deficiência, assim como de suas habilidades físicas e intelectuais;

c) A participação efetiva das pessoas com deficiência em uma sociedade livre.

2 – Para a realização desse direito, os Estados Partes assegurarão que:

a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino primário gratuito e compulsório ou do ensino secundário, sob alegação de deficiência;

b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino primário inclusivo, de qualidade e gratuito, e ao ensino secundário, em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem;

c) Adaptações razoáveis de acor do com as necessidades individuais sejam providenciadas;

d) As pessoas com deficiência recebam o apoio necessário, no âmbito do sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação;

e) Medidas de apoio individualizadas e efetivas sejam adotadas em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, de acordo com a meta de inclusão plena.

3 – Os Estados Partes assegurarão às pessoas com deficiência a possibilidade de adquirir as competências práticas e sociais necessárias de modo a facilitar às pessoas com deficiência sua plena e igual participação no sistema de ensino e na vida em comunidade. Para tanto, os Estados Partes tomarão medidas apropriadas, incluindo:

a) Facilitação do aprendizado do Braille, escrita alternativa, modos, meios e formatos de comunicação aumentativa e alternativa, e habilidades de orientação e mobilidade, além de facilitação do apoio e aconselhamento de pares;

b) Facilitação do aprendizado da língua de sinais e promoção da identidade linguística da comunidade surda;

c) Garantia de que a educação de pessoas, em particular crianças cegas, surdocegas e surdas, seja ministrada nas línguas e nos modos e meios de comunicação mais adequados ao indivíduo e em ambientes que favoreçam ao máximo seu desenvolvimento acadêmico e social.

4 – A fim de contribuir para o exercício desse direito, os Estados Partes tomarão medidas apropriadas para empregar professores, inclusive professores com deficiência, habilitados para o ensino da língua de sinais e/ou do Braille, e para capacitar profissionais e equipes atuantes em todos os níveis de ensino. Essa capacitação incorporará a conscientização da deficiência e a utilização de modos, meios e formatos apropriados de comunicação aumentativa e alternativa, e técnicas e materiais pedagógicos, como apoios para pessoas com deficiência.

5 – Os Estados Partes assegurarão que as pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino superior em geral, treinamento profissional de acordo com sua vocação, educação para adultos e formação continuada, sem discriminação e em igualdade de condições. Para tanto, os Estados Partes assegurarão a provisão de adaptações razoáveis para pessoas com deficiência.

Conto com vocês para reverter esse triste quadro pintado durante a pandemia de 2020, tempo em que se fala em redesenhos e em novo normal.

Excluir pessoas com deficiência não é nada Normal e é inaceitável para o “novo normal”, por inúmeras razões humanas que sequer caberiam nesse texto.

Exclusão educacional é discriminação.
Direitos Humanos São Inegociáveis.
Direitos Humanos São Inegociáveis - Claudia Grabois
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A ​Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Rede-In)​, composta por 20 entidades da sociedade civil que acreditam na inclusão e lutam por ela, vem manifestar intenso repúdio ao Decreto n° 10.502/2020, publicado em 1o de outubro de 2020, pelo Governo Federal.

Acreditamos que todas as crianças, adolescentes e jovens têm o direito de conviver em sociedade em equiparação de condições e oportunidades. É missão da escola incluir e formar cidadãos que compreendem as diferenças e respeitam a singularidade humana.
A recém publicada Política Nacional de Educação Especial visa substituir a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva que foi construída mediante intenso debate com a sociedade civil e alinhada com os princípios da Constituição Federal.

É inaceitável que, por meio de Decreto Presidencial, sem qualquer legitimidade democrática, se dê um retrocesso de mais de 30 anos de luta pela inclusão e diversidade.
A "nova" política regride para um paradigma antigo e já ultrapassado de segregação de estudantes em classes e escolas especiais, sendo flagrantemente inconstitucional.

A inclusão é o único caminho possível para uma educação de qualidade, capaz de garantir a equidade nas condições de aprendizagem e de fazer cessar a discriminação em relação a estudantes com deficiência.

A Constituição Federal (artigos 1o, III, 3o, IV, 5o, ​caput​, 205, 208, III), assim como a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Artigos 3 e 24), que impõem o dever de assegurar sistema educacional inclusivo em todos os níveis. Essa também é a meta de número 4 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4.

Apesar da tentativa da atual Política de fazer parecer que cabe na inclusão a existência de um sistema de ensino segregado em escolas especiais, o Comentário Geral no 4 (2016) do Comitê de monitoramento da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência sobre o direito à educação inclusiva já deixou bem claro que escolas especiais não são modelos inclusivos.
A justificativa do atual governo para a promulgação de tal Política seria a de garantir o direito das famílias de escolherem o melhor para seus filhos, porém não há possibilidade de escolha quando o único sistema educacional possível é o inclusivo.

O Brasil precisa de investimento em educação inclusiva para possibilitar:

1- A formação inicial e continuada de professores,

2- A incorporação de metodologias, abordagens e estratégias de desenho universal de aprendizagem e que permitam a consideração das diferenças e singularidades de cada estudante,

3- E a eliminação de barreiras de acessibilidade e de aprendizagem, a fim de assim criar um ambiente educacional justo e profícuo para todos.
A criação de tal ambiente, contudo, não ocorrerá se os investimentos - que deveriam ser direcionados à escola pública e regular, de maneira prioritária - forem, agora, destinados a instituições especializadas.

Cabe ressaltar, ainda, que as instituições especializadas funcionam também como clínicas, oferecendo atendimentos terapêuticos às pessoas com deficiência. Muitas famílias se sentem contempladas por este tipo de abordagem, porque têm acesso a terapias para seus filhos.

É importante ressaltar, todavia, que não cabe à escola o papel de fornecer atendimentos de saúde. Escola é lugar de aprendizagem, é lugar de conviver com as diferenças e de acolhê-las.

Precisamos, então, defender a continuidade dos investimentos na escola regular, e também no SUS e no SUAS, para que os direitos à educação e à saúde de qualidade sejam garantidos.
Note-se que o Decreto publicado não foi referendado pelo Conselho Nacional dos Direitos de Pessoas com Deficiência e tampouco tem o respaldo da maioria das entidades da sociedade civil formadas por e para pessoas com deficiência, o que fere o Artigo 4, item 3, da Convenção e vai de encontro ao antigo lema dos movimentos de pessoas com deficiência: ​NADA SOBRE NÓS SEM NÓS.
Devemos nos mobilizar para que o Decreto emitido pelo Governo seja revogado ou declarado inconstitucional e ilegal, por todas as vias possíveis.

Além de deturpar o conceito de inclusão, ele dispõe que determinados estudantes “não se beneficiam da educação regular inclusiva”, algo que não se justifica nem jurídica nem cientificamente, já que diversas pesquisas comprovam que a inclusão escolar é benéfica para toda a sociedade, além de ser desejo da maioria da população brasileira e direito constitucional e humano de todos os estudantes, com ou sem deficiência.
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Nós, da Associação Brasileira para Ação pelos Direitos das Pessoas Autistas (ABRAÇA) contestamos e repudiamos fortemente o Decreto nº 10.502/2020, que institui a “Política Nacional da Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida”. 
Entendemos que o texto do decreto promulgado em 30 de setembro de 2020:
  • Descaracteriza o sentido de inclusão estabelecido pelo art. 24 da Convenção Internacional de Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), tratado que tem status constitucional no ordenamento jurídico brasileiro (Decreto nº 6.949/2019);
  • Representa um grande retrocesso em relação à Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva de 2008;
  • Viola a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), em seu art. 27, quanto ao direito à educação em um sistema educacional inclusivo em todos os níveis; 
  • Legitima a discriminação em razão da deficiência, por meio da permissão de práticas excludentes que impedem e impossibilitam o reconhecimento, o desfrute e o exercício do direito humano à educação por parte de alunos com deficiência, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, (Cf. art. 4º, 5º da LBI).
Nossas principais discordâncias formais e materiais são as seguintes:
1- O texto distorce conceitos e abre a possibilidade de se entender Inclusão como um paradigma educacional que pode ter resultados não benéficos (art. 2º, VI; art. 9º, III). 
Entendemos que a perspectiva educacional inclusiva é fundamental para o florescimento de uma sociedade democrática de direitos, pautada pela busca da igualdade e pelo acolhimento das diferenças. 
Nesse sentido, não existe inclusão não benéfica.  Se não é benéfico, não é inclusão. Todos os alunos, com e sem deficiência, se beneficiam diretamente da educação inclusiva.

2- O decreto abre possibilidade de financiamento de classes especializadas em escolas ditas inclusivas (mas que não são) e de escolas especializadas (art. 2º, VI e VII). Em escolas inclusivas, todas as demandas educacionais são atendidas no contexto comum, do qual participam todos os estudantes, com e sem deficiência, compartilhando o mesmo ambiente e as mesmas experiências. 
É contraditório, nesse sentido, reconhecer que instituições inclusivas possam ter classes especializadas e que sistemas de ensino inclusivos sejam compostos por entidades especializadas. Segundo o Comentário Geral nº 4 do Comitê da ONU pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, a educação oferecida em ambientes separados daqueles utilizados por estudantes sem deficiência é chamada de segregação.

3- Há, no decreto, a sugestão falaciosa de que a família e a equipe multidisciplinar podem optar por uma “alternativa educacional mais adequada” (art. 3º, VI; art. 6º, IV, art. 9º, III) ao mesmo tempo que assume que definirá critérios para determinar quais são os “educandos que não se beneficiam das escolas regulares inclusivas” (art. 9º, III), revelando que não haverá, de fato, escolha. 

4- Ainda assim, mesmo que fosse verdade, a ideia de que a comunidade escolar pode decidir pela inserção do estudante em classes ou instituições especializadas desvirtua o próprio sentido da palavra “inclusão”. 
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, “pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”(Lei nº 8069/1990, art. 55). Portanto, quando falamos de educação inclusiva, tratamos de um direito humano indisponível e inegociável.

5- Ao falar de “educandos que não se beneficiam das escolas regulares inclusivas”, a política tira o foco das barreiras (arquitetônicas, comunicacionais, atitudinais, etc.) e atribui ao educando com deficiência qualidade de estar apto ou não a frequentar um determinado espaço. 
Isso demonstra claramente o alinhamento desta política ao modelo médico da deficiência, já superado desde a ratificação da CDPD. Não se pode exigir pré-requisitos para acessar o direito à educação. O direito já é nosso, independente de nossas características ou demandas. Quem precisa se adequar é a Escola, garantindo acessibilidade, adaptações razoáveis e apoio.

6- O texto fala em garantir que o educando esteja em um “ambiente menos restritivo possível” (art. 9, III), deixando claro que a criação de ambientes restritos é uma possibilidade, a ser concretizada diante de uma suposta inadequação do estudante no contexto educacional comum. 
Além de tirar o foco das barreiras – estas, sim, criadoras da restrição de direitos e de oportunidades – a ideia de criar ambientes especiais ou restritos é contraditória à perspectiva da “Educação para todos”. Segundo essa visão, todos os estudantes devem aprender nos mesmos contextos educacionais, sendo a presença de cada um necessária e indispensável para o aprendizado de todos.

7- O decreto descaracteriza o Atendimento Educacional Especializado como um serviço com vistas a assegurar a inclusão na escola regular, não limitando seu papel a complementar e suplementar, mas abrindo a possibilidade para que seja substitutivo do ensino regular (art. 4, III). 
Além do mais, lista, em seu art. 7º, uma série de centros educacionais destinados a atender deficiências específicas de modo segregado, onde, por exemplo, crianças autistas só conviveriam com outras crianças autistas. 

8- Pessoas com deficiência têm direito à educação e à saúde de qualidade. O artigo 7º cita “outros serviços e recursos para atender os educandos da educação especial”, sem especificação, o que abre uma brecha para que verbas destinadas à educação financiem outros tipos de serviços não educacionais, inclusive terapêuticos. 
Um direito não se sobrepõe ao outro. Competências e espaços devem ser respeitados. Ter todos os serviços em um mesmo espaço nos remete às instituições totais, onde pessoas com deficiência são segregadas e têm negado o direito à vida em comunidade.

9- Embora o Decreto fale em aprendizado ao longo da vida, não trata da transversalidade da educação especial desde a Educação Infantil até a Educação Superior, da Educação de Jovens e Adultos ou da Educação Técnica e Profissionalizante. Em vez disso, se limita a colocar a Universidade no papel de prestadora de serviços e de produtora de conhecimento sobre deficiência, o que não necessariamente inclui pessoas com deficiência. 
E, portanto, interrompe o processo de inclusão que vem sendo desenvolvido nas instituições universitárias desde a implementação das cotas e dos núcleos de inclusão e acessibilidade dos estudantes universitários com deficiência. 
Dessa forma, desrespeita o art. 24 da CDPD, que garante o aprendizado ao longo da vida sem exclusão baseada em deficiência. Segundo o Comentário Geral nº 4 do Comitê da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, o aprendizado ao longo da vida inclui acesso a pré-escola, ensino fundamental, médio e superior, treinamento vocacional e educação continuada, atividades extracurriculares e sociais. Tudo isso mediante a garantia de adaptações razoáveis. 

10- O Decreto adota a definição de aprendizado ao longo da vida de que, como “a educação não acontece apenas no âmbito escolar”, o “aprendizado pode ocorrer em outros momentos e contextos, formais ou informais, planejados ou casuais, em um processo ininterrupto”. 
Embora seja verdade, não é papel do Estado. Com tal definição, portanto, o governo se desobriga em vez de regulamentar as provisões dispostas no art. 24 da CDPD que asseguram, por exemplo, acesso ao ensino superior em geral, treinamento profissional de acordo com sua vocação, educação para adultos e formação continuada, sem discriminação e com igualdade de condições.

11- A consulta às pessoas com deficiência, por meio de suas organizações representativas, é essencial no processo de elaboração de legislações e políticas relacionadas às pessoas com deficiência. 
A ausência de tal consulta na construção desta Política fere o direito das pessoas com deficiência a participar em decisões que afetam diretamente as suas vidas, contrariando o que foi estabelecido pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (artigo 4.3), tornando o processo de construção desse decreto ilegítimo e inconstitucional. 
A consulta a organizações de classes profissionais, especialistas, familiares ou prestadores serviços não contempla a obrigação de consultar as organizações representativas de pessoas com deficiência, que, segundo o Comentário Geral nº 7, do Comitê da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, são aquelas lideradas, dirigidas e governadas por pessoas com deficiência.

Conclamamos os agentes públicos e políticos, os movimentos sociais, as pessoas com deficiência e seus familiares e toda a sociedade a lutar em defesa da educação inclusiva no Brasil.

Ressaltamos a importância do engajamento de todas as pessoas para resistir ao processo de desmonte da inclusão. 
Não nos resignaremos diante da perda dos inúmeros avanços civilizatórios que obtivemos em mais de uma década de consolidação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva!

#EscolaEspecialNãoéInclusiva
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA AÇÃO PELOS DIREITOS DAS PESSOAS AUTISTAS (ABRAÇA)

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Raras trajetórias









“Raras trajetórias” nasceu das pesquisas “Como são raras essas crianças e adolescentes!?” e “A Rede carioca de imunodeficiências primárias (Recip) como modelo sustentável de diagnóstico de doenças raras para o Sistema Único de Saúde”, do Instituto Fernandes Figueira (IFF/ Fiocruz). O vídeo é uma iniciativa da Disseminação Científica do PMA/Fiocruz, com a produção do Criar Brasil. Registra os relatos de uma adolescente e um adulto jovem com doenças raras, além de seus familiares e profissionais de saúde.



No vídeo, compartilham suas experiências na educação, na saúde, no trabalho, na ciência, nas associações e na política, buscando sensibilizar familiares e sociedade em geral, especialmente profissionais da saúde e da educação. É destacada a importância do direito ao cuidado integral, à educação de qualidade e ao enfrentamento de preconceitos que criam barreiras ao reconhecimento dos direitos dessa população.

domingo, 20 de setembro de 2020

Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiências - Não quero ser tolerada! Exijo respeito!







Sou Leandra Miogotto Certeza, escritora e jornalista.


Não quero ser tolerada! Exijo respeito! 

Eu nasci, existo e permaneço. A cada olhar de preconceito, devolvo com um sorriso. A cada ato de discriminação, combato com um grito! A cada exclusão, imponho minha presença! A cada porta fechada, abro muitas janelas pelas mídias digitais e denuncio!! E se for preciso PROCESSO!

Ninguém tem a obrigação de me aceitar, muito menos de me tolerar. Todos podem desejar que eu morra ou que viva bem longe. Mas NUNCA conseguirão que estes pensamentos tão mesquinhos ultrapassem suas mentes e corações. Nada e nem ninguém me atingirá! E muito menos me derrubará!
Então, sugiro que gritem bem alto de baixo do chuveiro ou entre os seus travesseiros para que ninguém ouça. Por que da porta pra fora do seu quarto, você vive em SOCIEDADE e eu FAÇO PARTE DELA!! Você tem a OBRIGAÇÃO LEGAL de me RESPEITAR!! Será que me expressei de forma objetiva, ou preciso repetir?
Leia esta frase como se eu estivesse falando bem alto no seu ouvido, tá? EU EXISTO E VOCÊ TEM A OBRIGAÇÃO LEGAL DE ME RESPEITAR – EXATAMENTE COMO EU SOU – SEMPRE QUE ESTIVERMOS NOS MESMOS ESPAÇOS CONVIVENDO EM SOCIEDADE!!
Ah… E só mais uma coisinha: EU TAMBÉM TENHO O DIREITO LEGAL E LEGÍTIMO DE ESTAR EM QUALQUER LUGAR QUE DESEJE! VOCÊ NÃO PODE ME IMPEDIR DE ABSOLUTAMENTE NADA! ENTENDEU?
Eu posso frequentar exatamente a mesma escola ou faculdade que o seu filho! Eu posso trabalhar no supermercado que você faz compras ou na multinacional da sua filha. Eu também vou aparecer ao seu lado na danceteria, hotel ou cruzeiro.
Posso morar bem ao seu lado, no mesmo condomínio, rua ou bairro. Eu estou passeando pelos parques, praças e vielas da sua cidade. Eu consigo visitar museus e centros culturais da sua comunidade. Viajo para praias, campos, e qualquer ponto turístico. Também ando pelas ruas, estradas, calçadas, passarelas, ciclovias, aviões, trens, barcos, metrôs, ônibus e elevadores!
E não esqueça que eu TENHO TOTAL DIREITO CONSTITUCIONAL de trabalhar em qualquer profissão que eu deseje e tenha qualificações. Então, não ‘se assuste’ se você for atendida por mim em um hospital, escritório de advocacia, táxi, igreja, centro de pesquisa científica, bar, multinacional, órgão público, universidade, casa de show, companhia aérea, padaria, restaurante, empresa de comunicação, salão de beleza, gabinete da câmara municipal ou da assembléia legislativa e do judiciário! E em tantos outros lugares!! Até pesquisando sobre vida em outros planetas!
Bem que eu gostaria de povoar um novo espaço nas galáxias totalmente livre de CRIMES DE DISCRIMINAÇÃO, mas por enquanto, vivo aqui na TERRA, juntinho com você e todos que me amam ou me odeiam!! Vou lutar até o último dia da minha vida para simplesmente SER FELIZ EM PAZ!
E a cada OBSTÁCULO, BARREIRA, PRECONCEITO OU ATÉ PROJETO DE LEI INCONSTITUCIONAL, que você ou qualquer um achar que colocou na minha frente para me atrapalhar, eu vou aumentar a minha carga de energia vital para PERMANECER COM ALEGRIA EXATAMENTE AO SEU LADO TE MOSTRANDO COMO É POSSÍVEL E ENRIQUECEDOR VIVERMOS JUNTOS, NOS RESPEITANDO!!
PS: Só mais uma coisinha: você não precisa me INCLUIR em nada porque eu JÁ FAÇO PARTE DA MESMA SOCIEDADE QUE A SUA!!

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

CURSO SOBRE DIVERSIDADE E INCLUSÃO



O que é normal e anormal? Vamos refletir sobre o conceito de normalidade em nossa sociedade e em nós mesmos para compreender melhor a questão das diferenças.

A inclusão de pessoas deficientes deve ser entendida da mesma forma que a inclusão de pessoas “diferentes”, ou seja, a partir do reconhecimento da diversidade. Neste sentido, estamos propondo que se repense todo o sistema de exclusão racial, sexista e xenofobia. Os espaços educativos e artísticos são locais privilegiados para esse tipo de discussão.

O objetivo do curso é contribuir para a formação de profissionais e pessoas que convivem com a deficiência; problematizar o conceito de inclusão e normalidade; e refletir sobre diversas situações de diversidade e onde ela nos afeta.

Facilitadoras: Júlia Paladino, Estela Lapponi e Leandra Migotto Certeza

Data: de 24 até 27 de agosto de 2020

INSCRIÇÕES: 

http://sedes.org.br/site/cursos-sedes/inclusao-ampliando-possibilidades/?fbclid=IwAR30UnSfsBat0NJOasX0PNzoC6FWWPU5f6WuCh2-HFZhV1SEuCcujwEOmss

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

EDUCAÇÃO INCLUSIVA E ACESSIBILIDADE É TEMA DE DEBATE COM EDUCADORES!

 


Educação Inclusiva e Acessibilidade foi tema deste importante bate papo com educadores, no qual eu participei Assistam e compartilhem com o maior número de pessoas interessadas!

https://drive.google.com/file/d/1q3LEP88yEOUXqqtTCWu9rZdDFzv3hVYk/view?usp=sharing 




terça-feira, 28 de julho de 2020

“Muitas pessoas com deficiência já estavam isoladas, mesmo antes da pandemia”


Conversei com a psicóloga Shirley Aparecida Rocha Menezes sobre como o isolamento social e a discriminação de pessoas com deficiência são agravados na pandemia.




Por Leandra Migotto Certeza*

Eu sei bem o que é se sentir trancada do lado de dentro desde que tomei consciência de como é viver com deficiência em uma sociedade excludente. Mas o isolamento social, a discriminação e o preconceito sempre estiveram presentes no meu cotidiano, com maior intensidade durante a adolescência. Depois que tomei posse do meu lugar de fala, aprendi a lutar contra o auto isolamento. Realizei trabalhos, compartilhei experiências e entendi a importância de dar voz a quem ainda se sente como eu me sentia: invisibilizada!  

Antes desta pandemia, eu vivia uma das fases mais leves e produtivas, tanto afetivamente como profissionalmente. O contato com as ruas, as pessoas, os lugares e, principalmente, a independência para poder ir e vir (quando eu desejava, e para onde eu me sentia bem), faz uma falta gigantesca! A flexibilização com todos os cuidados de prevenção não está nos meus planos porque os riscos são muito maiores para pessoas com deficiência, como eu. A minha quarentena só acabará quando eu tomar a vacina!  

Para quem tem deficiências mais graves e, principalmente, dificuldades financeiras, o tal do ‘novo normal’ será mais demorado e doloroso. Por isso, resolvi entrevistar mulheres com deficiência que ainda estão se sentido muito solitárias. Penso que suas histórias de vida possam nos inspirar a seguir em frente, juntas e cada vez mais fortes para não serem esquecidas e isoladas!  

A conversa deste mês foi com a psicóloga Shirley Aparecida Rocha Menezes, que é filha de pai ajudante geral (segundo ela, aquele que não recusa trabalho) analfabeto; e de mãe, dona de casa e cuidadora. Nasceu em Taubaté, interior de SP, em 3 de setembro de 1985, com uma deficiência desconhecida até os 8 meses de vida, quando foi diagnosticada com Osteogênese Imperfecta (uma falha no colágeno que enfraquece os ossos). Ao longo dos seus 34 anos, teve 1533 fraturas pelo corpo todo. Parou de contar contar há 16 anos. Mas disse que nunca deixou de ter fraturas. 

Shirley está sorrindo e com o sol batendo em seu rosto em close. Ela tem a pele negra, cabelos pretos, batom vermelho e delineador nos olhos pretos. 








Eu conheci a Shirley há 20 anos, quando participamos de uma associação que trocava informações sobre a deficiência que ela e eu temos. Na época, fiquei muito impressionada com a coragem e a força de uma menina que sempre teve mais dificuldades do que eu, e conquistou tantos objetivos! Aprendi bastante com o olhar doce e intenso de quem sabia que iria realizar muitos sonhos…  

Mulher negra com deficiência física que vive uma união homoafetiva, Shirley me contou como tem sido difícil manter o equilíbrio físico e emocional em meio às adversidades da pandemia. Ela, que desde março não saí de casa para fazer nada, está precisando passar por importantes consultas médicas de rotina e reabilitação para manter a saúde, mas não há médicos além dos voltados aos atendimentos de emergência para a covid-19. Emocionalmente, Shirley disse que está oscilando muito: tem dias que fica razoavelmente bem, e em outros se sente sufocada e destruída; sem vontade de viver… Confira os principais trechos da nossa conversa:

Leandra: Você acredita que muitas pessoas com deficiência já viviam isoladas antes da pandemia? 

Shirley: Existem muitas pessoas com deficiência que sempre estiveram isoladas, mesmo antes da pandemia. São pessoas que moram em instituições, ou vivem isoladas mesmo dentro de suas casas. E o pior: muitas estão rodeadas por outras pessoas que as incapacitam ainda mais. Estas pessoas com deficiência vivem à margem da sociedade, e quem não tem deficiência pensa que elas não precisam de nada além do que o básico para viver; sem qualquer qualidade de vida, e sem que suas necessidades mínimas sejam atendidas.   

Leandra: Com a pandemia, esse isolamento agrava a situação das pessoas com deficiência?

Shirley: Sim, pois elas podem estar sofrendo maus tratos e coisas absurdas sem qualquer possibilidade de ajuda! Tenho recebido relatos e denúncias de instituições (lugares onde elas deveriam ser sentir seguras) de torturas psicológicas. É estarrecedor a capacidade de alguns seres em causar dor nos outros! Eu temo pela vida das pessoas com deficiência nesse momento. Pois aqueles que têm possibilidade de se defender (nem que seja através da voz), já estão passando por dores emocionais inigualáveis; imagina, então, uma pessoa impossibilitada de se defender… O risco é gigantesco!

Leandra: E como você se sente em relação à falta de atenção dos governos às pessoas com deficiência durante a pandemia?  

Shirley: É torturante ver tantas pessoas morrendo e pouco sendo feito! E o pior é se sentir oprimida frente à situação de desgoverno que vemos em nosso país, onde o preconceito e a discriminação de todos os tipos estão latentes. A palavra de hoje é medo e insegurança, sem perspectivas de mudança. E o pior é a angústia de ter receio de adoecer, porque as pessoas ao redor não estão cumprindo o isolamento, e pior ainda, xingam e maltratam quem está ficando em casa.

Leandra: Conte um pouco da sua vida. Quais foram as maiores dificuldades? E quais foram as suas conquistas?   

Shirley: Deparei-me com os entraves sociais desde muito pequena. A exclusão da sociedade pela minha deficiência me negou a escola regular aos 7 anos de idade, o que acarretou minha inserção na vida escolar apenas com 11 anos. Mas me descobri, como pessoa, quando li a primeira frase! Foi um dos dias mais felizes da minha vida. A partir daí tive certeza que o conhecimento iria me transformar. E é exatamente o que vem acontecendo. Passei por todo o processo de adolescência e ingresso na vida adulta por inúmeros conflitos, mas aproveitei cada segundo. Chorei, sorri, bebi, comi, dancei, saí, me diverti, me decepcionei, me declarei, fui rejeitada; sofri preconceito (e cometi também); amei e fui amada. Hoje tenho meu amor, minha casa e meu gato.


Shirley está sentada em sua cadeira de rodas e ao lado estão duas mulheres da universidade. Elas seguram junto com Shirley a moldura com o seu diploma de psicologia. 


Leandra: Fale sobre as suas conquistas profissionais. Por que você escolheu a psicologia? 

Shirley: Em 2015 me formei bacharel em psicologia, especialista em psicoterapia familiar. E estou em processo de especialização em psicologia jurídica. Eu acho que não fui eu que escolhi a psicologia, mas ela que me escolheu. Pois, eu sempre me intriguei por histórias, por entender como as pessoas sentiam, e o que eles sentiam. E quando me deparei com esse lugar de escuta, onde simplesmente escutar cura; me apaixonei e me realizei como nunca imaginei antes. Gosto da ideia de que não existe uma única verdade, e que nossas experiências vão qualificar minha forma de agir sobre um determinado tema. Gosto de citar Von Glosersfeld (1984): “Os Deuses possuem a certeza, mas nós, como homens, só podemos conjecturar”.

Leandra: A sua tese de especialização do Curso de Intervenção Familiar: Psicoterapia e Orientação fala do significado do cuidar em famílias de pessoas com deficiência e os desafios nas relações e no empoderamento dessas famílias. O que você quis apresentar com ela?

Shirley: Durante a minha pesquisa demonstrei que nem sempre a deficiência é um impedimento; e que muita das vezes as dificuldades encontradas pelos sujeitos são construídas socialmente, e potencializadas nos grupos aos quais pertence, como família, comunidade. E tais impedimentos vão da falta de estruturas físicas de espaços públicos a aceitação desse sujeito como cidadão com direitos e deveres.

Leandra: A pandemia afetou a sua vida profissional?

Shirley: Eu já passava por muitas dificuldades antes da pandemia para tentar me fortalecer no mercado que atuo. Pois psicologia é nome, é indicação e participação. Mas com a quarentena, mantive os poucos pacientes que já tinha e ninguém está buscando terapia, em um momento que avalio ser essencial. Tenho muitos trabalhos voluntários para fazer, mas recebo dinheiro por bem poucos.

Leandra: Mesmo com grandes dificuldades financeiras, você é Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Taubaté. Qual a importância do ativismo social em sua vida?

Shirley: Estou no Conselho desde o final de 2019 e gosto muito de ser ativista! Eu participo de alguns grupos de ação social, gosto de fazer trabalhos voluntários com mulheres em situação de risco. Também sou palestrante em escolas públicas falando dos direitos e deveres da pessoa com deficiência há alguns anos. O maior desafio como ativista social é ver que a pessoa com deficiência ainda tem pouquíssimos direitos atendidos, e os que têm são dados como caridade. Por isso, é preciso lutar por direitos que a maioria acha serem benefícios! 

Leandra: Como mulher com deficiência, negra e vivendo uma relação homoafetiva, você enfrentou muitos preconceitos e discriminações. Quais foram as mais marcantes? E como você lidou com os sentimentos?

Shirley: Como mulher negra passei pelos maiores desafios e preconceitos! Por exemplo, quando fui seguida por seguranças em uma grande loja na minha cidade. Além de escutar coisas referentes às minhas características físicas como: “Nossa porque não alisa mais o cabelo”; entre outras falas discriminatórias. E como pessoa com deficiência já passei por vários momentos de discriminação e preconceito. 

Leandra: Quando você descobriu a sua sexualidade?  

Shirley: Percebi que tinha interesse realmente por uma mulher quando eu tinha 20 anos. Na verdade sempre senti que eu era diferente das minhas amigas, pois os meninos comuns não me atraíam. Gostava dos mais delicados, sei lá… A primeira moça que me apaixonei à primeira vista foi minha amiga por muitos anos. Eu guardei esse segredo, afinal ela não era uma pessoa com deficiência, e isso sempre foi muito frustrante para mim. Eu também nunca fui muito popular e a mais atraente do grupo. Essa moça era homossexual assumida há muito tempo. E eu me encantei por ela, mas acreditava que eu era última pessoa que iria chamar atenção dela. Eu era apenas uma amiga confidente, não mais que isso. Foram quatro anos me escondendo… Depois, devido aos discursos preconceituosos da sociedade, acabei cometendo o erro de ter minha primeira vez com um cara bem escroto (algo que me arrependo muito), e aí descobrir que não tinha jeito. 

Leandra: E como você lidou com os seus sentimentos depois dessa descoberta?

Shirley: Sempre tive muito dificuldade em me enxergar como possível de ser amada. Sempre me senti inferior às demais mulheres! Acho que, infelizmente, até hoje tenho problemas de baixa auto estima. Somente durante a faculdade, que conheci minha companheira; e que me descobri como mulher. Nós nos descobrimos. Atualmente não tenho vergonha de falar que me relaciono com uma mulher. Entendo que gosto de pessoas, na verdade do jeito que me tratam. Não sinto que eu tenha crise de identidade. Estou apaixonada por uma grande mulher, que tem deficiência física também. Hoje moramos juntas, e faz 7 meses que alugamos uma casa. E essa foi a melhor decisão das nossas vidas!

Leandra: Como foi a reação das duas famílias quando vocês foram viver juntas?

Shirley: Contei sobre a minha vida sentimental para minha mãe através de uma carta que ela não respondeu até hoje… No início do nosso relacionamento foi bem difícil, pois as famílias julgavam que estávamos juntas por falta de opção. Diziam: “deixa elas, afinal quem vai querer se casar com elas…” Minha família falou para minha esposa: “Como você vai ficar com ela? Se não pode cuidar dela?” Essa foi umas das piores coisas de escutar! Eu falei para ela que eu não queria ninguém para cuidar de mim. E sim alguém para me amar apenas. Quando resolvemos morar juntas rolou um estresse da parte das duas famílias, sendo que estávamos há 10 anos em um relacionamento. A pandemia afetou toda a minha vida, mas em especial no meu relacionamento, sinto que, eu e minha companheira, Aline, estamos exausta.  


Shirley e Aline Renata Abacherli em foto preta e branca. Elas estão juntas olhando uma para outra e sorrindo. 







Leandra: Na faculdade você viveu situações de discriminação e exclusão? 

Shirley: Sim, quando uma professora resolveu aplicar uma prova em dupla, por se tratar de um conteúdo muito extenso. Na sala tinha mais ou menos uns 50 alunos. Existiam duplas, trios e até quartetos de alunos, mas eu não estava em nenhum deles! Fui excluída! E essa não era a primeira vez que acontecia de eu ser esquecida dos grupos de alunos. Então, resolvi fazer a prova individual, mas é claro que não dei conta de responder todas as perguntas.

Comuniquei ao departamento pedagógico do curso que a prova não havia sido finalizada por questões acadêmicas, e sim por questões de preconceito e discriminação. Assim que entreguei a prova e me retirei, a professora veio atrás de mim perguntando o que significava aquela colocação. Aí eu gritei com ela no corredor… “Só vocês que não enxergam, que eu sou excluída, e só participo quando os professores me colocam em algum grupo. E quando estou em um grupo, faço o trabalho sem direito a voz e direito a nada”.  

Leandra: E no ambiente de trabalho, qual foi a situação de preconceito mais marcante?

Shirley: Foi com uma paciente nova. Quando fui chamá-la na recepção e a conduzi até a sala, ela me olhou com uma cara de desacreditada. Assim que entramos na sala ela me perguntou: “Você acha que pode me ajudar?”. Eu respondi: “No processo terapêutico somos apenas condutores, mas quem faz o trabalho é você”.  Ao fim da sessão ela falou: “Quando pensei em passar na psicóloga, imaginei uma mulher loira, alta, muito bonita…” Eu lhe perguntei: “Como você lida com suas frustrações?”. Um grande detalhe nesse caso: a paciente tinha uma deficiência causada por paralisia cerebral…

Leandra: Qual a importância da solidariedade para as pessoas com deficiência hoje com a pandemia? 

Shirley: A pandemia trouxe muitas dores, mas também me fez ver as grandes graças que a vida me possibilitou. Quando começou o isolamento social, fazia 4 meses que havia alugado meu apartamento em um condomínio; e vejo que aqui está a minha mais nova alegria, pois estou cercada por pessoas especiais. Minhas vizinhas e amigas fazem de tudo para nos ajudar em relação às coisas que precisam ser feitas na rua, como compras de alimentação, remédios e até socorro se necessário. 

E minha família também está sempre à disposição, em especial minha irmã que está na linha de frente na casa dos meus pais, fazendo tudo para manter a segurança da minha mãe e do meu sobrinho. Atualmente, eu e minha companheira estamos mantendo a limpeza e rotinas. E como eu dependo bastante fisicamente, minha companheira vem me ajudando em tudo. O que vem sendo bem desgastante para ela.

Leandra: Você acredita que a pandemia irá mudar as pessoas?

Shirley: Acredito que se faz necessário hoje, uma transformação de perspectiva de toda uma sociedade. E, principalmente, se as chamadas minorias se unissem no entendimento que somos maioria, o primeiro passo seria dado… Mas sinto que nossa sociedade precisa de mais compaixão, e esperança para começar esse processo de mudança… Para entender que mais importante que qualquer dogma, ou ideologia é a nossa espécie que é a Humana. Quem quiser falar comigo, escreva: shirley.psic6@gmail.com 


Leandra Migotto Certeza* É Bacharel em Comunicação Social e estuda Jornalismo Literário e Escrita Criativa. Lançará sua autobiografia: “Cadê a jornalista?”, a primeira obra da Coleção Janelas do Selo Caleidoscópio, que publicará biografias e autobiografias de mulheres com deficiência desconhecidas da grande mídia. 

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Qual o amor que aceita as pessoas como elas são?


Autora: Leandra Migotto Certeza

Ao assistir na internet um vídeo desses que todo mundo acha ‘fofinho’, me questionei: amar é tentar modificar o outro, ou aceitá-lo exatamente como ele, sem cometer um CRIME DE DISCRIMINAÇÃO? Antes que vocês conheçam o vídeo, vou contar o roteiro e as minhas impressões sobre ele.
Um porco espinho (que, obviamente, tem o corpo inteiro formado por espinhos!) está muito triste e chorando. Ele tenta participar da turma dos animais como qualquer um deles, mas nunca é aceito! Na hora em que está na escola, todos os bichinhos se afastam quando ele passa no meio das carteiras. O mesmo acontece dentro do ônibus que os leva para a escola, ninguém quer se sentar ao lado dele nos bancos.
Quando o porco espinho vai tentar brincar no parque de diversões, os outros animaizinhos também saem de perto dele com medo de esbarrar em seus espinhos. Depois a bola jogada em uma brincadeira é furada, o que o deixa mais triste ainda, além de MUITO culpado por ter espinhos!
Até que em um dia, um esquilo ‘bonzinho’, acha que encontrou uma ‘brilhante’ forma de ‘incluir’ o porco espinho na turma. Ele lhe dá uma caixa por meio de ‘presente especial’. Quando o porco espinho abre a bonita caixa, encontra pedacinhos pequenos de isopor em forma de rolinhos, e não sabe o que fazer com aquilo… Mas a turma de ‘amigos’ mostra como é a ‘solução perfeita’ para ele ser aceito entre os demais animais.
Então, os ‘amigos’ colocam os pedacinhos de isopor para encobrir cada um dos seus espinhos! Assim, o porco espinho deixa de ter pedaços do seu corpo (que nasceram com ele!) para se adaptar a uma forma de viver entre seus ‘amigos’. 
E desta forma, o porco espinho esconde a sua própria natureza para fazer parte da turma. Afinal, ninguém gosta de estar ao lado de um ser vivo como ele com espinhos, né? Então, ele é quem precisa mudar?
No final do vídeo ainda está escrito: “Acredite no AMOR!”. Eu novamente me questiono: que amor é este que só aceita o porco espinho se ele colocar um ‘disfarce’? Ele vai deixar de ser diferente dos demais animais por causa dos isopores? Ou só será incluído na escola, nas brincadeiras e na turma se mudar a sua aparência?
Eu nasci com uma deficiência física, e hoje uso uma cadeira de rodas durante o tempo todo da minha vida. Ela faz parte do meu corpo porque é somente com ela que eu consigo realizar as atividades cotidianas com segurança, autonomia e conforto. E é por meio dela que eu respeito as minhas dificuldades e valorizo as capacidades. 
Então, quando alguém me convida para ir a algum lugar, eu simplesmente, não posso deixar a minha cadeira de rodas do lado de fora! Eu não existo sem ela, não apenas porque me traz mobilidade (o que já é uma grande condição), mas também porque a minha auto-imagem – como mulher e ser humano – passa por ela.
Carregar-me no colo para subir uma escada, por exemplo, não é uma forma ‘inclusiva’ de fazer com que eu me sinta parte da turma! Sabe por quê? Além de me deixar muito desconfortável por ser levada igual a um bebê, a minha condição de deficiência, não irá desaparecer ou ser minimizada. 
E ao chegar ao local, todas as pessoas continuarão convivendo com a minha imagem e as características físicas específicas da minha condição de deficiência (como ter 96cm de altura, pernas menores do que os braços, cabeça com formas retangulares, quadril arrebitado, coxas roliças…). Eu simplesmente, não posso apagar ou disfarçar que não tenho estas características!
Da mesma forma que eu, todas as pessoas com deficiência (física, auditiva, visual, intelectual, múltipla, mental e surdocegueira), adquirida ou não, nunca deixarão de ser quem são. E por mais que sejam ‘amadas’ por pessoas que supostamente, acreditam que as incluíram no seu cotidiano, sempre serão alvos de atitudes preconceituosas e discriminatórias, disfarçadas de inclusão. Vejam…
Você acha que ao dar uma aula sem intérprete de LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais, ou virado de costas para um aluno com surdez (que faz leitura labial), o professor está sendo inclusivo apenas por ‘aceitar’ que este aluno faça parte da turma? 
Exigir que este aluno mude sua forma de estar no mundo (no caso com a deficiência auditiva, como parte da sua existência) para aprender o conteúdo, é amá-lo e aceitá-lo exatamente como ele é?
Assim como, produzir filmes sem áudio-descrição (recurso de acessibilidade), e dizer que quem não enxerga se sentirá incluído, desde que ele peça ajuda para o seu acompanhante ‘amorosamente’ descrever cada cena? 
Ou dizer que não exclui o aluno com deficiência visual de suas aulas, mas não indicar livros acessíveis, é aceitar e amar o aluno exatamente como ele é?
Eu poderia descrever várias outros exemplos de falsas ações inclusivas, mas voltemos à estória do porco espinho. Você pode estar pensando: “nossa como esta escritora (no caso eu mesma!), não vê que os amiguinhos do porco espinho foram solidários e amáveis com ele?” 
Eu lhe pergunto: que amor é esse que não respeita a existência individual do porco espinho? Não seria mais justo, os amiguinhos do porco espinho aprenderem novas brincadeiras em que as qualidades dele fossem valorizadas? Ao invés de tentarem mudar a sua forma de estar no mundo?
Eu também me pergunto: encobrir partes do corpo do porco espinho para que ele se ajuste a um modelo padrão de sociedade é uma atitude amorosa? Eu acredito que não! Sabe por quê? 
ACEITAR OS SERES HUMANOS EXATAMENTE COMO ELES SÃO É SABER RESPEITAR SUAS DIFERENÇAS, E NÃO IMPOR UM FALSO AMOR QUE ATENDA AOS SEUS PADRÕES SOCIAIS!
Eu também acredito que atitudes aparentemente ‘inofensivas’, e sutis de preconceito, como essa história de exclusão do porco espinho, em que as pessoas acham que estão incluindo um ser diferente, por meio de um suposto amor; naturalizam sentimentos de discriminação arraigados na nossa cultura! 
Infelizmente, ainda existem MUITAS pessoas que preferem dizer que amam quem é diferente dela (e aí encontram-se diversas diferenças: como deficiência, etnia, idade, gênero, entre outras), mas preferem que elas VIVAM BEM LONGE, ISOLADAS EM REDUTOS E GUETOS EXCLUDENTES!
E são estas mesmas pessoas que também fazem uso do suposto ‘amor’ para praticar CRIMES de DISCRIMINAÇÃO, PRECONCEITO E TOTAL EXCLUSÃO contra as pessoas com deficiência. Vejam… 
Dia 21 de agosto de 2019 de um grupo de moradoras do bairro do Cabo Branco (área em que fica o metro quadrado mais caro da Paraíba) procurou a vereadora Helena Holanda para pedir que ela IMPEDISSE a presença de pessoas com deficiência na orla da capital paraibana! 
Sabe qual a alegação destes moradores que se auto-declararam ‘pessoas ilustres e de renome’? Que a IMAGEM DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA RETIRAVA A BELEZA NATURAL DA PRAIA!!!
A vereadora Helena informou à imprensa que, diante de sua recusa em acabar com o Projeto Acesso Cidadão - que leva as pessoas com deficiência ao banho de mar e a esportes aquáticos - o grupo de moradores sugeriram que ela CERCASSE a área utilizada pelos usuários e colocassem um portão separando, os supostos SERES HUMANOS ‘ILUSTRES’ (as pessoas sem deficiência), DOS ‘MENOS HUMANOS’ (os cidadãos com deficiência)! Inacreditável, né? Mas infelizmente, casos como este ainda são bem frequentes em pleno século 21.
O capítulo 2 da Lei Brasileira da Inclusão (Lei 13.146 de 2015) define muito bem quais foram os CRIMES que essas pessoas cometeram ao exigir a exclusão das pessoas com deficiência das praias da Paraíba. Segundo o Art. 4º Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.
 1º Considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de distinção, restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais de pessoa com deficiência, incluindo a recusa de adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias assistivas.
Além desta lei nacional, no Artigo 5 da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (adotada como Emenda Constitucional pelo Brasil em 2007), está escrito que:
Os Estados Partes reconhecem que todas as pessoas são iguais perante e sob a lei e que fazem jus, sem qualquer discriminação, a igual proteção e igual benefício da lei.
Os Estados Partes proibirão qualquer discriminação baseada na deficiência e garantirão às pessoas com deficiência igual e efetiva proteção legal contra a discriminação por qualquer motivo.
Portanto, essas pessoas que exigiram a retirada dos cidadãos com deficiência das praias da Paraíba cometeram CRIME DE DISCRIMINAÇÃO tipificado em duas leis, uma nacional e outra internacional. E sabe o que aconteceu com elas? ABSOLUTAMENTE NADA!!
Eu acredito, que além da completa falta de seriedade em se fazer cumprir as leis (por meio da fiscalização inexistente); um dos principais motivos pelos quais, a maioria das pessoas afirma ser desnecessário RESPONSABILIZAR quem praticou este CRIME é a errônea visão de que CUIDAR DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA COM O SUPOSTO AMOR não é excluí-la. Mas desde que este ‘cuidado’ seja feito bem longe do convívio cotidiano daqueles que se declaram ‘seres humanos ilustres’!!!
Exatamente por causa de atitudes discriminatórias como essa que é preciso MUDAR esta errônea visão de ‘amor solidário’ que ainda está muito arraigada na cultura brasileira de assistencialismo com viés religioso de caridade.
Também é preciso COMPROVAR POR MEIO DE ATITUDES (como a da veredora, que não permitiu o encerramento do Projeto Acesso Cidadão) que todas as pessoas com deficiência têm o direito de FAZER PARTE DA SOCIEDADE POR MEIO DE SUAS PRÓPRIAS ESCOLHAS, COM AUTONOMIA, LUGAR DE FALA E PROTAGONISMO.
É PRECISO LUTAR POR UMA SOCIEDADE QUE AS RESPEITA E AS AMAM EXATAMENTE COMO ELAS SÃO!
Assista ao vídeo do porco espinho que tem com áudio-descrição (recurso de acessibilidade para pessoas com cegueira):


Fonte original da crônica: 

Ian - Uma história verídica de inclusão - Curta de animação