quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Colheita


Colheita

Por Leandra Migotto Certeza*

Escrevo aqui após ler este forte poema de Vinícius Blauth Chaim, sobrinho da minha também tia e amiga. Não o conheço, mas convivi por mais de 35 anos com a mesma pessoa que o inspirou a deixar esta marca na areia da vida...

Areia

Olhando direto para fogueira
Contemplando o momento
Em que eu serei nada mais do que poeira
Um dia onde não mais verei a cachoeira
Um dia onde o fim não estará próximo porém estará aqui
Melhor eu ficar quieto quando estiver perto de desaparecer
Não quero fazer ninguém sofrer

Os meus últimos momentos
Segurei aquela mão fria
Aquela mão que me amava
Aquela pessoa que chorava
Aquela pessoa que trocava sorrisos
Aquela pessoa em que chamava uma irmã
Aquela pessoa…

Piso em um chão agora
Porém, não sou, nem estou igual.

Acordei
Olhando pra cima me curei
Olhando para baixo chorei
Para todos os lados vi pessoas
Com luz, com escuro, pessoas boas

Pra baixo, vi mágoas
Vi minha família
Vi meus amigos favoritos
Eu, em um lugar com tudo
Mas também com um vão agudo

Agora estarei no mar
Estou em todo lugar
Minhas cinzas materiais
Meus sentimentos especiais

Eu penso
Um mundo crível
Um mundo de onde não verei mais
As cores do arco-íris
Os sorrisos dos meus amigos
O abraço da minha família
O sol forte e lindo
O ar macio e frio

Agora estarei no mar
Estou a perfumar
Estou aqui
Estou ali,
Não estou olhando pra fogueira

E estou
No Mar
Eu estou
Na Chuva
Eu estou
No fogo
Da fogueira
Eu estou

Na Areia

Para mim o que fica é o colheita.
Colheita de sorrisos fartos e doces de uma moça ‘diferente’ que eu conheci aos 6 anos.
De cabelos louros e pele clara, iluminou um lado da minha vida que eu não conhecia.
Foi com a convivência divertida ao lado dela que eu aprendi a amar incondicionalmente a Natureza em toda a sua grandeza e PLENITUDE.
E FINITUDE

Foi brincando de boneca-gente (empurrando seus braços duros feito robô - eu dizia), que descobri a alegria em rir da própria casca que habitamos.
Quando menina, não lembro de tê-la visto triste uma única vez…
E como me deixava feliz quando abria um sorriso e me abraçava apertado olhando para dentro da minha caixa também ‘diferente’.
Eu me sentia segura e acolhida ao seu lado...

Quando comecei a questionar tudo e não entender muita coisa, foi ela quem me mostrou caminhos tão ‘diferentes’ e possíveis, bem longe do que ‘as pessoas da sala de jantar’ (que bem fala Marisa Monte), teimava em jogar na minha cara.
Traduzia letras de música de rock e me falava que eles não eram tudo, apenas uma parte (e na maioria das vezes um pouco duvidosa…. rsrsrs).
Falava sério - olhando nos olhos - que a Xuxa não era exemplo de NADA.
Demorei um pouco para entender que o caminho da auto-aceitação não passava pela imagem distorcida de supostos modelos sociais que inocentemente acreditamos ser os melhores e únicos.

Depois veio a fase mais cheia de ensinamentos (palavra que acredito ela não gostaria que eu falasse, mas para mim foi).
Aprendi a fazer papel reciclado sendo levada - com muito carinho no colo por ela - em uma oficina em que me senti tão incluída…
Aprendi que é preciso não produzir aquilo que o homem não tem a capacidade de descartar sem agredir a natureza.
Aprendi a não adquirir materiais e embalagens sem nenhuma utilidade.
Aprendi a separar os resíduos da forma correta para a coleta seletiva.
Aprendi a comer os alimentos (principalmente as frutas) por inteiro! Mesmo que a casca de pêssego fosse horrível! rsrsrsrs

Nossos adoráveis e quentes papos sobre política (em todos os sentidos, incluindo a responsabilidade de cada uma na sociedade) me fizeram ser quem sou hoje.

Tenho na memória o dia em que vi seus olhos se encherem de água quando uma linda árvore ardia em chamas bem na nossa frente!
Pra mim ela também parecia sentir a dor daquele pedaço de natureza se esvaindo…
Por mais que ela fosse a pessoa por quem eu mais entendi o significado de FIM, parecia que no fundo ela acreditasse que a natureza era ETERNA.

Sempre divertida e estabanada… Comia com tanta vontade que a gente até ficava sem fome… rsrsrs.
Andava rápido. Falava alto. Olhava nos olhos.
Aceitava a vida… Mas no fundo, pra mim, tinha uma tristeza misteriosa…

Foi com ela que aprendi que o AMOR não se compra nunca! Nem com chantagem emocional, egoísmo ou prepotência.
E que para ser feliz lá no fundo, primeiro é preciso saber nos respeitarmos.
Mesmo que machuquemos profundamente quem amamos muito um dia…
Não era perfeita. E nem sonhava em um dia ser…

Quando ela adoeceu dei um soco muito forte no travesseiro e BERREI!!
Tão jovem… Com a vida inteira pela frente… Puta merda! Ela não!
Mas logo meu coração acalmou e chorei muito junto com uma mistura esquisita de sorrisos…
Chegou a hora dela, caramba. Assim, como vai chegar a minha!
Foi esta a MAIOR lição que aprendi com a breve mais INTENSA passagem dela por aqui.
Tudo PASSA! TUDO mesmo!!

Ainda bem que tive a GRANDE felicidade de ter tido a oportunidade de conviver com ela e aprendido tanta coisa boa sobre a vida que é tão efêmera...

Não sei quantos anos eu vou ficar por aqui. Mas enquanto durar, guardarei com muito carinho e amor, a doce lembrança da uma grande amiga-tia e saberei colher os frutos que ela plantou em mim…

Patrícia Blautch, te agradeço por ter estado ao meu lado…   
    

PS: escrevi este texto no dia do aniversário da Pat (5 de outubro) porque ela pra mim sempre será lembrada VIVA!!!      



*Leandra Migotto Certeza tem Osteogenesis Imperfecta, é
comunicadora pela Universidade Anhembi Morumbi, jornalista desde 1998 com ampla e premiada experiência em inclusão. Trabalha como consultora e palestrante em empresas, ONGs, escolas e universidades. É estudante de Jornalismo Literário - Narrativas Biográficas e de Escrita Criativa. Escreve poemas desde os 9 anos.
Lançaráo selo Caleidoscópio de biografias sobre pessoas com deficiência, e começará pela Coleção Janelas contando a sua trajetória profissional. Assina a coluna “Bate papo” no portal Sem Barreiras, mantêm 2 blogs e participa do Coletivo Mulheres pela Inclusão.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Leandra Migotto Certeza no Boteco da Diversidade em Sampa




O Boteco da Diversidade é um projeto contínuo, e que propõe ocupar a Comedoria do Sesc Pompeia. Trata-se de uma iniciativa que se dispõe a ampliar a visibilidade política e artística de personalidades, ações e assuntos vinculados à diversidade cultural e à defesa dos direitos humanos. Cada encontro é construído de forma diversa, com individualidades, artistas, e formatos também diversos, mantendo-se o ineditismo a cada edição.

Em junho, a arte encontra o diálogo político sobre as muitas formas de se reconhecer a corporalidade e as sexualidades das pessoas com deficiência no Brasil. Com Estela Lapponi, Edu O., Billy Saga, Leandra Migotto, Leandrinha Du Art, Tuca Munhoz, Gata de Rodas.





Dia 03 de junho, sábado às 20hs



Retirada de ingressos com 1h de antecedência na bilheteria.

Local: Comedoria do SESC Pompéia

Rua Clélia, 93 - Pompéia - SP 


Com 22 anos e entregue às causas de igualdade, Leandra é mulher, transexual, fotógrafa, produtora, presidenta da 
Associação das Pessoas Portadoras de Deficiência de Passos, no Sul de MG - a Reintegrar. É ativista, midialivrista, cadeirante e uma das referências na luta LGBTs e das Pessoas com Necessidades Especiais.
http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br/2015/12/conheca-leandrinha.html



Blogueira (Gata de Rodas), feminista, militante pela diversidade sexual e pelos direitos das pessoas com deficiência. 



Jornalista, escritora e ativista dos direitos das Pessoas com Deficiência. Coordena o projeto Fantasias Caleidoscópicas sobre sexualidade da pessoa com deficiência. Foi premiada pelo projeto de pesquisa Fantasias Caleidoscópicas pela Associação Internacional para o Estudo da Sexualidade, Cultura e Sociedade em Lima.  




Ativista pelos direitos das pessoas com deficiência. Ex secretário adjunto da Secretária da Pessoa com Deficiência . Assessor do Grupo de Trabalho Acessibilidade São Paulo Transportes S/A e Coordenador do Coletivo We Fuck Brasil . Locutor e produtor do programa de rádio Minuto da Inclusão.Também interpreta a personagem Tucalino, o Clowndeirante.




Professor da Escola de Dança da UFBA , onde também concluiu o mestrado, em 2014. É dançarino, coreógrafo e diretor do Grupo X de Improvisação em Dança. Criador de espetáculos premiados como "Judite quer chorar, mas não consegue!", "Ah, se eu fosse Marilyn!" e "O Corpo Perturbador". Possui experiência internacional junto à Candoco Dance Company (Inglaterra), Cia. Artmacadam e Cie Kastor Agile.

Performer paulistana que tem como foco de pesquisa o discurso cênico do corpo com deficiência, o relacional com o público e o trânsito entre as linguagens cênicas e visuais. Criou o termo Corpo Intruso (2009) e sua manifestação Zuleika Brit. Vimeo Estela Lapponi 

Rapper cadeirante, publicitário, artista plástico, Presidente da ONG Movimento SuperAção e consultor da ONG Mais Diferenças. Lançou recentemente o seu segundo disco intitulado “As ruas estão olhando”.


Informações: 

https://www.sescsp.org.br/programacao/123949_BOTECO+DA+DIVERSIDADE+SEXUALIDADE+E+DEFICIENCIA

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Carolina Maria de Jesus - Escritora que toca o meu coração!




Em uma Mulher Negra toda a verdadeira História e negritude - O DIA 20 DE NOVEMBRO é que é o nosso marco... Pelo Mês das Des-Abo-lições - trago e trarei poetas/poetisas negros(as)... que, talvez, alguns nem se lembrem, já leram ou nem sabiam de sua importância na História do Brasil: 

CAROLINA MARIA DE JESUS (14 de março de 1914, Sacramento, Minas Gerais -13 de fevereiro de 1977, São Paulo, SP ) negra, 'Mãe Solteira', 'favelada', poetisa e uma das nossas maiores escritoras...

Nascida na ''roça'' ganhou o mundo... e embora pouco conhecida por aqui, teve muitas versões, mais de 40 países, de seu Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada..

"Não digam que fui rebotalho,
que vivi à margem da vida.
Digam que eu procurava trabalho,
mas fui sempre preterida.
Digam ao povo brasileiro
que meu sonho era ser escritora,
mas eu não tinha dinheiro
para pagar uma editora".


Carolina Maria de Jesus, Quarto de despejo, 1960


Texto escrito nas redes sociais do meu querido amigo Jorge Márcio Andrade, ativista social e autor do blog: 

http://infoativodefnet.blogspot.com.br/

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Projeto de Lei n. 6.787, de 2016 da Reforma Trabalhista é preconceituoso e extremamente lesivo aos direitos da pessoa com deficiência no mercado de trabalho.




Hora de nos unirmos, procurar apoios nos Operadores do Direito e nossas representantes.
Prezado Parceiro da Inclusão de Pessoas com Deficiência e Reabilitados no Mercado de Trabalho,

Com muita preocupação, recebemos o relatório da Comissão Especial destinada a proferir parecer ao projeto de Lei n. 6.787, de 2016, denominada de mini reforma trabalhista.



Não queremos discorrer sobre os pontos que não são pertinentes ao tema da inclusão, dos quais destaco, por ilustrativo, a permissão de gestante trabalhar em lugar insalubre sobre a justificativa de ampliar o papel da mulher no mercado de trabalho.



Nos limitaremos à questão da inclusão de PcD (Pessoas com Deficiência)/Reabilitados. 

O relatório sugere a seguinte proposta:

Art. 5º O art. 93 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5º, 6º e 7º:

“Art. 93. ..................................

§ 5º Ficam excluídas da base de cálculo do percentual da cota mencionada no caput deste artigo as funções que forem incompatíveis com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência, assim definidas em convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho.

§ 6º Na ausência de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho que definam as funções incompatíveis com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência, a definição será feita pelo Ministério do Trabalho, desde que solicitada pelo empregador.

§ 7º Quando não forem alcançados os percentuais estabelecidos neste artigo, as empresas poderão ser isentadas de multa, pelo prazo máximo de três anos, desde que atendidas simultaneamente as seguintes condições:

I – comprovem ter utilizado todos os meios possíveis para contratação, incluindo o contato com programas oficiais de colocação de mão de obra, sites e organizações não governamentais que atuem na causa da pessoa com deficiência e a oferta da vaga por meio de publicações em veículos de mídia local e regional de grande circulação;

II – comprovem que a não contratação ocorreu por razões alheias à vontade do empregador, conforme regulamento. 

Entendemos que a proposta acima é preconceituosa e extremamente lesiva aos direitos da pessoa com deficiência.

Preconceituosa, pois supõe que a pessoa com deficiência é um ser menor, incapaz de realizar tarefas e ser incluída nos processos produtivos. 

Lesiva, pois delega a "um mero acordo" o descumprimento de direitos fundamentais inalienáveis. 

Se tal dispositivo vier a ser Lei, milhares de pessoas com deficiência serão alijadas do mercado de trabalho.

E está CONTRA a Lei Brasileira da Inclusão e a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, firmadas pelo Governo Federal. 

É um momento extremamente difícil. 

É tempo de mobilização para evitar o retrocesso das garantias de inclusão.

Divulgue, articule na sua rede de contatos e faça chegar aos seus representantes no Congresso Nacional.

domingo, 2 de abril de 2017

7 dicas de Steven Pinker para escrever melhor



Psicólogo rockstar”. É assim que a Forbes define Steven Pinker, professor do departamento de psicologia da Universidade Harvard, gênio das ciências cognitivas e da linguística, dono de um simpático cabelo cacheado, agora grisalho, e autor de livros de divulgação científica impecáveis – que deixam pulgas atrás da orelha em vez de dúvidas.
Pinker é um cara tão legal, diga-se de passagem, que quando o mundo parou para decidir de qual cor era o agora célebre vestido azul e preto – ou será branco e dourado? –, ele se prontificou e deu a explicação. Mas isso é assunto para outro post.
O fato é que ele é um cara muito bom em uma coisa que interessa a muita gente: colocar informação no papel. E em 2014 decidiu compartilhar sua cartola de truques com o livro Sense of Style – que agora chega ao Brasil como Guia de Escrita (Editora Contexto, R$ 49,90). A GALILEU separou algumas dicas valiosas – e o livro está cheio de muitas outras.
1. Esqueça essa história de que antigamente as pessoas escreviam melhor.
Se uma pessoa está na face da Terra há muito tempo, é natural que se incomode com mudanças culturais. Mas você não pode deixar suas tradições e opiniões transformarem seu texto em um autêntico José de Alencar. A verdade é que a língua muda rápido, e desde que o mundo é mundo professores e acadêmicos estão reclamando da decadência moral e linguística. Pinker faz até uma coletânea de exemplos de várias épocas. Em 1478 o tipógrafo William Caxton afirmou que "nossa língua tal como é usada hoje difere de longe daquela que era usada e falada quando eu nasci". Já um anônimo de 1917 foi categórico: "Nossos calouros não sabem soletrar, não sabem pontuar. Todos os colégios estão desesperados, porque os alunos desconhecem os rudimentos básicos".
2. Fuja do jargão de sua área do conhecimento. Rápido. 
Já tentou ler um texto jurídico? Ou o manual de instruções para a instação de um roteador em casa?  Ou mesmo um dos artigos científicos que a GALILEU lê todos os dias para te atualizar? Pois é, a redação é indecifrável em grande parte dos casos. Pinker afirma que é difícil para uma pessoa saber como é para outra pessoa não saber o que ela sabe. Em outras palavras, quando você entende tudo de um assunto, tem a impressão de que todo entende pelo menos um pouquinho. A consequência é o que ele denomina "maldição de conhecimento". Em resumo: evita abstrações demais, e use palavras que todo mundo conhece. Não vai doer nada, e vai te ajudar a enviar sua mensagem ao maior número possível de pessoas. 
3. Evite transformar verbos em substantivos.
O fechamento brusco da peça pode ocasionar a quebra de suas dobradiças. Não é difícil topar com um aviso como esse na caixa de um produto qualquer. Soa péssimo, e o pecado está em não assumir as ações. Por que usar "ocasionar a quebra" se "quebrar" é tão mais simples? Pinker chama esse tipo de substantivo de "zumbi", e dá uma boa sugestão: trazer todos de volta à vida verbal: Fechar a peça bruscamente pode quebrar suas dobradiças.
4. Diminua a distância entre palavras relacionadas entre si.
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas... De um povo heróico o brado retumbante.
Que tal colocar na ordem? As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico. Ufa! Vamos do hino nacional a Os Lusíadas, de Camões.
As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
O sujeito são "as armas e os barões assinalados". O verbo, "cantando".
Você não viu o verbo na estrofe acima? Pois é. A não ser que você seja Camões, separar os dois dessa maneira não é uma boa maneira de escrever um e-mail para seu chefe. À proposito, ele está destacado na estrofe abaixo, 14 versos depois. 
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
5. Use as vozes passiva e ativa para dirigir o olhar do leitor para o que interessa.
A voz passiva é considerada por alguns gramáticos e revisores uma grande inimiga de uma boa redação. Não seja tão radical. Como você pode perceber pela frase anterior — que está em voz passiva — começar uma frase por seu objeto é um ótimo jeito de chamar a atenção do leitor para o que realmente interessa. O contrário pode até dar certo: Alguns gramáticos e revisores consideram a voz passiva uma grande ... Mas tiraria o foco do assunto da frase. 
Pinker também lembra que ela pode tirar do caminho sujeitos que não interessam para quem lerá a frase. Em helicópteros foram levados ao local do incêndio, o ouvinte não precisa saber quem são os pilotos. Políticos e jornalistas sabem muito bem disso, e podem usar a passiva para omitir o sujeito quando, na verdade, ele é de interesse público, como em R$ 25 milhões foram desviados de uma empresa estatal em vez de João da Silva desviou R$ 25 milhões de empresa estatal.
6.  Use sinônimos para não repetir palavras, mas não exagere na dose.
Não é uma boa ideia repetir uma palavra vezes demais. João é legal. João foi à escola. Lá, João falou com seus amigos. É por isso que no gênero jornalístico uma instrução comum é não repetir palavras essenciais para a matéria na mesma página. Buscar sinônimos, porém, pode te levar a construções desconfortáveis.
Isso acontece, em primeiro lugar, porque não há tantos sinônimos assim: gato pode ser trocado por bichano ou felino, mas seu nome científico, Felis catus, já seria um exagero fora de um texto especializado. Outro é que é preciso tomar cuidado para usar palavras na sua ordem de abragência. Dá para dizer O ônibus acelerou. As pessoas caíram dentro do veículo. Já O veículo acelerou. As pessoas caíram dentro do ônibus não deixa claro que o veículo em questão é um ônibus. A categoria "veículo" engloba muitas coisas, entre elas, ônibus.
7. Tome cuidado com ambiguidades sintáticas.
A polícia cercou o ladrão do banco na rua Santos. Afinal, o ladrão do banco da rua Santos foi cercado em um lugar qualquer ou o ladrão de um banco qualquer foi cercado na rua Santos? Quando conhecemos uma história, o significado de uma frase parece óbvio. Tão óbvio que não temos o costume de revisar para ver se alguém poderia entender algo completamente diferente. 
Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Life-Hacks/noticia/2016/10/7-dicas-de-steven-pinker-para-escrever-melhor.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post

terça-feira, 21 de março de 2017

21 de março - Dia Internacional da Síndrome de Down



Quem nasce com síndrome de Down vem ao mundo cheio de potencialidades.

O acesso à informação faz toda a diferença na vida de uma pessoa com síndrome de Down e de sua família, desde o seu nascimento. Por meio de informações atualizadas e de qualidade, é possível compreender que, assim como qualquer pessoa, quem nasce com síndrome de Down vem ao mundo cheio de potencialidades.

Hoje são muitos os exemplos de pessoas com síndrome de Down e deficiência intelectual que alcançam importantes e diversas conquistas, como estudar, trabalhar, participar de sua comunidade, viver sozinhas e casar. A confiança para quebrar essas barreiras está diretamente ligada ao incentivo daqueles que acreditam na capacidade dessas pessoas.


SÍNDROME DE DOWN NÃO É DOENÇA. 

A síndrome de Down ocorre quando, ao invés da pessoa nascer com duas cópias do cromossomo 21, ela nasce com 3 cópias, ou seja, um cromossomo número 21 a mais em todas as células. Isso é uma ocorrência genética e não uma doença. Por isso, não é correto dizer que a síndrome de Down é uma doença ou que uma pessoa que tem síndrome de Down é doente.

AS PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN NÃO SÃO TODAS IGUAIS.

Apesar de indivíduos com síndrome de Down terem algumas semelhanças entre si, como olhos amendoados, baixo tônus muscular e deficiência intelectual, não são todos iguais. Por isso, devemos evitar mencioná-los como um grupo único e uniforme. Todas as pessoas, inclusive as pessoas com síndrome de Down, têm características únicas, tanto genéticas, herdadas de seus familiares, quanto culturais, sociais e educacionais.

PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN TÊM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL.

Deficiência intelectual não é o mesmo que deficiência mental. Por isso, não é apropriado usar o termo “deficiência mental” para se referir às pessoas com síndrome de Down. Deficiência mental é um comprometimento de ordem psicológica.




DEFICIÊNCIA NÃO É DOENÇA.

Ter uma deficiência não significa ter uma doença. Doença é um problema de saúde. Pessoas com deficiência, como qualquer um, eventualmente adoecem, mas na maior parte do tempo estão saudáveis. 

AS PESSOAS TÊM SÍNDROME DE DOWN, NÃO SÃO PORTADORES DE SÍNDROME DE DOWN.

Uma pessoa pode portar (carregar ou trazer) uma carteira, um guarda chuva ou até um vírus, mas não pode portar uma deficiência. A deficiência é uma característica inerente a pessoa, não é algo que se pode deixar em casa. Diante disso o termo “portador” tanto para síndrome de Down quanto para outras deficiências caiu em desuso. O mais adequado é dizer que a pessoa tem deficiência. 

Referir-se de forma adequada a pessoas ou grupo de pessoas é importante para enfrentar preconceitos, estereótipos e promover igualdade. 

A PESSOA É UM INDIVÍDUO. ELA NÃO É A DEFICIÊNCIA.

A pessoa vem sempre em primeiro lugar. Ter uma deficiência não é o que caracteriza o indivíduo. Por isso, é importante dizer quem é a pessoa para depois citar a deficiência. Por exemplo: o funcionário com síndrome de Down, o aluno com autismo, a professora cega, e assim por diante.

PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN TÊM OPINIÃO.

As pessoas com síndrome de Down estudam, trabalham e convivem com todos. Esses indivíduos têm opinião e podem se expressar sobre assuntos que lhes dizem respeito. Em caso de entrevistas, procure falar com as próprias pessoas com deficiência, não apenas com familiares, acompanhantes ou especialistas.

PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN NÃO DEVEM SER TRATADAS COMO COITADINHAS.

Ter uma deficiência é viver com algumas limitações. Isso não significa que pessoas com deficiência são “coitadinhas”. Pessoas com síndrome de Down se divertem, estudam, passeiam, trabalham, namoram e se tornam adultos como todo mundo. Nascer com uma deficiência não é uma tragédia, nem uma desgraça, é apenas uma das características da pessoa. 

DE PERTO, NINGUÉM É NORMAL.

No mundo não existem “os normais” e “os anormais”. Todos são seres humanos de igual valor, com características diversas. Se precisar, use os termos pessoa sem deficiência e pessoa com deficiência.

Dizer que uma pessoa é especial ou tem necessidades especiais virou um falso eufemismo para “compensar” a deficiência. Mais adequado seria dizer necessidades específicas. Todos podemos fazer a diferença no processo de inclusão.

Algumas pessoas acham que não há mal em usar o termo “retardado” quando estão se referindo a elas próprias ou a pessoas sem deficiência intelectual, mas essa expressão nunca deve ser usada, independentemente do contexto. 

Pais, amigos e pessoas com deficiência intelectual sentem-se desrespeitados com o uso da expressão "retardado" porque é sempre pejorativa e há forte ligação histórica com o tratamento desigual/segregador dado a pessoas com deficiência intelectual.


DIREITO CONSTITUCIONAL À INCLUSÃO E CIDADANIA.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência foi aprovada no Brasil em 2008 como norma constitucional. Ela diz que cabe ao Estado e a sociedade buscar formas de garantir os direitos de todas as pessoas com deficiência em igualdade de condições com os demais. A Convenção é uma importante ferramenta de acesso à cidadania e precisa ser mais difundida entre as próprias pessoas com deficiência, juristas e a população em geral. 

De acordo com o Artigo 19 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, sobre a participação na vida política e pública, as pessoas com deficiência e seus representantes devem estar representados em igualdade de oportunidades com as demais pessoas em todas as instâncias, de modo a contribuírem para a construção de políticas públicas de maneira transversal. É importante que associações ou grupos que lutam pela inclusão das pessoas com deficiência assegurem lugar nos conselhos, não apenas relativos às pessoas com deficiência, mas também de saúde, educação, assistência e outros que houver, a nível municipal, estadual e nacional, de modo a garantir que os direitos das pessoas com deficiência sejam sempre respeitados.

Garantir os direitos das pessoas com deficiência intelectual sem privá-las de exercer os atos da vida civil sempre que possível ainda é um desafio no Brasil. No entanto, a legislação assegura que importantes atos ligados à cidadania, como votar, assinar um contrato de trabalho e  ter uma conta bancária são direitos garantidos para aqueles que são interditados parcialmente.
No caso da participação política, mesmo as pessoas interditadas totalmente podem exercer o direito ao voto, desde que a deficiência intelectual não impeça a livre manifestação de sua vontade. Caso haja necessidade, um juiz poderá resguardar o direito ao voto. Aqueles que precisarem de ajuda para votar poderão receber o auxílio de uma pessoa de confiança para utilizar a urna, desde que o (a) acompanhante não apresente vínculos com candidatos, partidos, coligações ou com a Justiça Eleitoral. Também é possível fazer um cadastro previamente no ano em que ocorrem as eleições para votar em seções especiais de cada cidade, com adaptações para pessoas com deficiência e funcionários treinados especialmente para orientá-las.


CRÉDITOS:

Texto: Patricia Almeida, Adriana Nicacio e Melina Sales Fotografi a: Paula Moreira Fotografi a, Fábio Caffe e Rosilene Miliotti Projeto gráfi co: Raquel Bento


MAIS INFORMAÇÕES:

Site: www.movimentodown.org.br 

E-mail: movimentodown@movimentodown.org.br 

55. 21. 2239-9379 

RELAÇÃO DE FONTES http://www.movimentodown.org.br/sala-de-imprensa/