sábado, 3 de outubro de 2015

Leandra participou do Festival Internacional: "Assim Vivemos" - Filmes sobre Deficiência em São Paulo

Pessoal, o debate sobre: "Imagem e Estigma" dia 02 de outubro de 2015 no Centro Cultural do Banco do Brasil - SP foi lindo! Amei o alto nível dos pensamentos, sentimentos, e experiências compartilhadas!

Parabéns a Lara Pozzobon e toda a sua equipe! Que logo TODOS os maravilhosos filmes do festival sejam compartilhados gratuitamente ao maior número de pessoas! Este deve ser o objetivo do festival: chegar ao alcance de todos e todas!!!






Conheçam o sétimo festival internacional de filmes sobre deficiência:


A cada ano que realizamos o Assim Vivemos, nos surpreendemos com a impressão de que existe uma grande sintonia mundial, pois recebemos levas de filmes sobre um mesmo tema, produzidos nos mais distantes lugares, sem que um saiba da existência do outro.

Já houve anos em que o grande tema foi o amor; outros em que predominaram filmes sobre as lutas políticas das pessoas com deficiência. Este ano, recebemos uma grande quantidade de filmes sobre pessoas com autismo, seguida de perto por filmes sobre pessoas com síndrome de Down e deficiência intelectual – e nos parece mesmo que existem questões que foram menos discutidas pela sociedade do que outras mais específicas das pessoas com deficiência física, por exemplo.

Mas o grande tema deste ano, que norteia a maior parte dos filmes, é a autonomia, a possibilidade de uma vida com independência. Este assunto surge como o grande objetivo, o grande desejo, o grande sonho, e os filmes do Assim Vivemos, em seu conjunto, nos trazem um belo repertório de experiências, dificuldades e conquistas neste sentido.

Nesta 7a edição, serão exibidos 33 filmes de 20 países. O Brasil se destaca com sete filmes selecionados, com filmes do sul, sudeste, centro-oeste e nordeste, numa demonstração de que a reflexão sobre o tema tem merecido cada vez mais atenção da nossa sociedade.

O Assim Vivemos tem a honra de ser o primeiro festival de cinema no Brasil a oferecer acessibilidade para pessoas com deficiência visual (audiodescrição em todas as sessões e catálogos em Braile) e para pessoas com deficiência auditiva (legendas Closed Caption nos filmes e interpretação em LIBRAS nos debates). Quanto à acessibilidade física, o Centro Cultural Banco do Brasil tem sua arquitetura concebida para garantir o acesso de pessoas com mobilidade reduzida e cadeirantes.

debate: "imagem e estigma" foi 2 de outubro de 2015 às 18hs e 30min. 

rosana de lima soares

Doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP. Professora no Departamento de Jornalismo e Editoração e no Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais dessa mesma Escola, realizou pesquisa de pós-doutorado no King’sCollegeBrazilInstitute (Londres/Inglaterra) sobre políticas da representação e estigmas sociais presentes nas narrativas do cinema e da televisão. É pesquisadora do MidiAto – Grupo de Estudos de Linguagem: Práticas Midiáticas e autora de Margens da comunicação: discurso e mídias (2009), além de diversos artigos publicados em livros e revistas acadêmicas.

fabiano puhlmann

Psicólogo Formado Pela Universidade São Marcos; Psicoterapeuta Especialista Em Psicologia Hospitalar Da Reabilitação Pela Faculdade De Medicina Da USP; Especialista Em Sexualidade Humana Pelo Instituto H. Ellis; Especialista Em Integração De Pessoas Com Deficiências, Pela Universidade Salamanca, Espanha;Especialista Em Reabilitação Pela Secretaria De Saúde Do Estado De São Paulo; Educador Sexual Pela Sociedade Brasileira De Sexualidade Humana E Faculdade De Medicina Do Abc; MBA em Gestão para entidades do Terceiro Setor pelo IGESC/FEA, Membro Do Corpo Docente Do Curso De Pós-Graduação da SBRASH; Atuação Reconhecida Nas Áreas De Acessibilidade, Tecnologias de Apoio e inclusão educacional e econômica.

leandra migotto certeza

Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Anhembi Morumbi desde 1999; Jornalista há 15 anos e Palestrante e Idealizadora da Caleidoscópio Comunicações - Consultoria em Inclusão, realizando palestras motivacionais e cursos em seminários e congressos no Brasil e no exterior em empresas, escolas e/ou universidades. Também mantém o Blog Caleidoscópio e coordena o projeto Fantasias Caleidoscópicas sobre sexualidade da pessoa com deficiência, no endereço:http://leandramigottocerteza.blogspot.com/.









Os filmes assistidos e debatidos pelos participantes foram estes: 

beleza desconhecida 

Unknown beauty
Duração: 47'
Diretor: Mahboubeh Honarian
Iran / 2014
Beleza Desconhecida é um tocante documentário que retrata a vida de três mulheres no Irã que tentam levar uma vida independente e sair do isolamento. Apesar de suas lutas diárias em um país que lhes oferece serviços precários, essas mulheres iranianas aceitam suas deficiências e trabalham duro para desenvolver seus talentos artísticos.

ser ou não ser

To be or not to be
Duração: 61'
Diretor: Aziz Zairov, Mukhamed Mamyrbekov
Kazakhstan / 2015
Shakespeare emerge inesperadamente em um retrato documental da rotina diária de Takhir Umarov, um jovem com paralisia cerebral. O filme mostra sua coragem para enfrentar as limitações motoras e garantir sua autonomia. Imagens do protagonista na neve com figurino de Hamlet intercaladas com o retrato documental, além de sutis surpresas narrativas, são ousadias que dão ao filme um caráter ímpar.

o entrevistador

The interviewer
Duração: 12'
Diretor: Genevieve Clay-Smith
Australia / 2012
Thomas Howell consegue muito mais do que foi buscar em uma entrevista de emprego em um importante escritório de advocacia: um insulto sobre sua gravata, uma rendição de Harry Potter, e a chance de mudar as vidas de um pai e seu filho.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Da invisibilidade à transparência




Por Leandra Migotto Certeza

Você é um cidadão? Cumpre com seus deveres e exige os direitos? Então, gostaria de ser sempre chamado de super-herói? Ou constantemente tachado pelas pessoas de coitadinho? É bem provável que não. Pois como todo ser humano você tem capacidades e potenciais a serem desenvolvidos. Ser super ou sub estimado o coloca em constante e sufocante pressão. É cobrado a corresponder a uma imagem que não existe e conseqüentemente, ninguém conseguirá enxergar quem realmente você é.

Um ser humano pode ter mais facilidades para realizar determinadas coisas e/ou menos para outras. Pois a diversidade é inata a todos. Ninguém é perfeito! E todos estamos no mesmo barco. Então, por que rotularmos a maneira como cada um encontra para continuar vivo? O que pode parecer tão complicado para você pode ser fácil para outra pessoa e vice-versa. Depende do repertório e da experiência de cada um. Para um jogador de basquete, que usa uma cadeira de rodas desde que nasceu, vencer mais uma partida não significa ser melhor do que todos os outros. Já para quem conseguiu fazer um bolo sozinho pela primeira vez, pode ser uma grande vitória. Mas também não gostaria de ser idolatrado por isso. Elogios ou críticas não preconceituosas e bem colocadas estarão livres de julgamentos e taxações. Quando um atleta vence uma prova, não seria muito mais sensato relatarmos seu desempenho elogiando seu esforço na medida de suas capacidades, mesmo que ele tenha superado outro atleta? Isso não significa que ele é o melhor do mundo. O mesmo serve para alguém que ainda não teve acesso aos recursos necessários para exercer sua cidadania.

Apenas por estar momentaneamente em uma situação socialmente desfavorecida, não quer dizer que não tenha capacidade de realizar o que alguém em melhor situação financeira consegue. Ou que seja uma pessoa totalmente incapaz. O mesmo raciocino vale para alguém que tenha ficado surdo devido a um acidente de trabalho. Ele pode ou não desenvolver mais os seus outros sentidos, devido à falta de audição. Porém, também não é um herói por realizar melhor um determinado serviço. Poderá cometer falhas como qualquer outro. Mas também não deve ser considerado um coitadinho, incapaz de voltar ao mercado de trabalho. Outro exemplo é quando vemos um cego na rua. Não seria muito mais justo conhecê-lo primeiro, antes de comentarmos com o colega do lado que ele é um "coitado" por que não enxerga com os olhos?

Justamente por serem humanas as pessoas não deveriam ser idolatradas, ignoradas ou alvos de piedade. Independente da raça; etnia; nacionalidade; gênero; opção sexual; idade; tamanho; peso; déficit aparente como uma deficiência física, mental, auditiva, visual, múltipla (a união de duas ou mais), ou não aparente como o mau caráter. Porém, infelizmente ainda são preconceituosamente utilizadas expressões como: "vencer obstáculos é o lema dos deficientes", "a maioria dos obesos supera barreiras todos dos dias", "conquistar espaços com muita garra é o objetivo de todas as mulheres", "ele é um ser especial e super eficiente", "mesmo morando em um lugar tão precário, realiza algo fenomenal", "em uma cadeira de rodas é um super-herói", "deficientes mentais são um exemplo de vida", "pode ultrapassar limites mesmo sendo cego" e etc. Estas expressões proporcionam um distanciamento da condição humana.

O mesmo ocorre no extremo oposto, com expressões também preconceituosas como: "ajude, pois ele é um coitadinho", "carentes precisam do seu apoio", "quem é paraplégico é um incapaz", "todo negro é fraco", "a maioria dos idosos são dependentes", "é pequeno, mas merece sua ajuda", "cuide dos aleijados que não podem viver sozinhos", "apesar de ele ser pobre, conseguiu realizar tal coisa", "mesmo sem uma perna, trabalha", entre outras. Generalizar, nivelar, taxar, pré-julgar, acreditar exclusivamente no senso comum não conhecendo como realmente é o outro, só nos conduz à ignorância, ao preconceito, e à atitudes discriminatórias. Devemos estar dispostos a assumir nossa diversidade e humanidade, e não construirmos esteriótipos ou reforçarmos tabus já ultrapassados.

As pessoas com alguma deficiência - objeto de análise desta publicação - por estarem começando a serem reconhecidas como cidadãos após dois séculos de ostracismo, infelizmente, ainda são preconceituosamente consideradas superiores a todos, tratadas com piedade e assistencialismo, ou completamente negligenciadas. Creio que cada um de nós é responsável por alterar rapidamente e por completo essa visão distorcida. Pois pessoas com deficiência como qualquer outro indivíduo também rirem; choram; ficam triste, cansadas; gritam; dormem; tem um bom desempenho na escola; são promovidas no trabalho; ocupam cargos de liderança; dirigem um carro; vivem internadas em hospital; fazem bagunça; cometem crimes; tiram dúvidas sobre sexo; viajam; sofrem acidentes; cursam universidade; são analfabetas; usam roupas da moda; são antipáticas, chatas, bravas, felizes, ou revoltadas; tem direito ao esporte, lazer, saúde, moradia, alimentação, entre outras inúmeras características. Portanto, merecem respeito por suas especificidades, e devem ser tratadas iguais na medida das suas diferenças. Nem a mais ou a menos.

21 de setembro - Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência

Edição do dia 14/09/2015
14/09/2015 21h51 - Atualizado em 14/09/2015 21h52

JN mostra flagrantes do desrespeito a cidadãos com deficiência no país

Repórteres apresentam retrato dos problemas de acessibilidade no país.
Jogadores de time de futebol de deficientes enfrentam problemas no Rio.

Pelo menos em teoria, você, qualquer pessoa da sua família, um amigo, qualquer cidadão têm o direito de ir e vir, no Brasil. Tem artigo da Constituição que trata dessa liberdade, mas isso é só na teoria.
Nesta semana, os repórteres Leandro Cordeiro, Jonathan Santos e Marcos Losekann apresentam um retrato dos problemas de acessibilidade no país. O desrespeito do Brasil com as pessoas que têm alguma deficiência.
Uma pedrinha de nada no caminho de quem usa as pernas é uma montanha intransponível para quem depende de rodas.
Quem usa muleta ou cadeira de rodas sabe bem o que significa um meio fio sem rampa, ônibus que não tem elevador, ou que tem, só que estragado. Buracos que mais parecem crateras. Pedreira para todo lado.
“É de eu cair e não conseguir levantar. Quanto eu estou no chão não consigo levantar”, conta Maria de Lousa de Oliveira, dona de casa.
E quando o problema é não conseguir enxergar? Dentro de casa, Éder Fonseca até que se vira. “Porque eu sei onde eu coloco tudo. Se alguém vier aqui e mudar de lugar, por exemplo, aí já complica”, explica Éder Fonseca, massagista.
O pior é da porta para fora. O que os deficientes geralmente mais valorizam é a própria independência. Poder se virar, sem depender de ninguém. Esse seria o mundo ideal para eles. Só que no mundo real, com tantos percalços, não há determinação nem força de vontade que consigam superar as dificuldades espalhadas pelo caminho. E o jeito as vezes é contar com uma mãozinha.
A Natália tem um grande motivo para comemorar. Ela acaba de receber moderníssimos aparelhos de ouvido importados da Europa. “Me fez descobrir novos sons que eu não escutava”, diz a jogadora de vôlei.
O que a Natalia sempre teve foi uma boa visão. Na quadra do time de vôlei, inclusive jogando pela seleção brasileira, ela não vê dificuldade.
Um em cada sete habitantes da Terra não enxerga, não ouve, não se move direito ou tem problemas mentais. No Brasil, um quarto da população apresenta algum tipo de deficiência, segundo o IBGE. Gente que tem o direito de ir e vir, mas que nem sempre encontra condições para isso. É o que acontece em Brasília. Planejada, patrimônio da humanidade, mas essa cidade, construída no centro do Brasil, está longe de ser a capital da acessibilidade.
Outro exemplo é o Rio de Janeiro, a Cidade Olímpica, que vai sediar também os Jogos Paralímpicos no ano que vem. Em termos de acessibilidade, não é considerada maravilhosa. Pelo contrário, o atleta com qualquer tipo de deficiência que decidir sair do centro esportivo para dar um passeio terá muitos obstáculos para superar.
Livingston e André não enxergam nada. São jogadores de um time de futebol de deficientes visuais. Invencíveis para eles, só as ruas do Rio, onde vivem.
Situações que contrastam com o moderníssimo prédio administrativo dos Jogos Olímpicos. A começar pelas rampas, que realmente dão acesso. O Augusto é o engenheiro responsável.
Tem surdos e também cegos na equipe dele. Mais de 70 funcionários. No paraíso da acessibilidade, eles mal lembram das dificuldades.
“Eu tenho essa sensação. Eu só percebo a minha deficiência quando falta acessibilidade”, diz Augusto Fernandes, engenheiro.
O instrutor e auditor da Associação Brasileira de Normas Técnicas aceitou o desafio de andar por alguns lugares mais famosos do mundo: o Calçadão de Copacabana.
“Não tem piso uniforme, contínuo. Isso porque a gente está em Copacabana que não é um dos piores lugares por aqui”, diz Edison Passafaro, instrutor e auditor-ABNT.
Mas tem rampa, não é? “Isso aqui e nada é a mesma coisa. A mesma habilidade que eu uso para descer aqui, eu uso para descer o meio fio. Uma rampa armadilha”, afirma.
Armadilha que não poupa ninguém. Acessibilidade, cidadania, respeito. Juntar tudo isso pra permitir a convivência de todos: está aí uma missão pra quem enxerga longe, sabe ouvir críticas e sugestões e se mexe.
A prefeitura do Rio declarou que está trabalhando para tornar a cidade mais acessível, que, em breve, vai adaptar o acesso aos principais pontos turísticos do Rio para pessoas com deficiência. E instalar mais de 500 rampas na cidade.
Fonte: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/09/jn-mostra-flagrantes-do-desrespeito-cidadaos-com-deficiencia-no-pais.html

http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-sao-paulo/t/edicoes/v/bdsp-mostra-o-caminho-de-pessoas-que-precisam-de-uma-cidade-acessivel/4481743/

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Atualização do meu perfil profissional

Pessoal, fiz atualizações em meu perfil profissional detalhando experiências, atividades, publicações, notas, prêmios, e demais informações. É um RAIO X bem legal da minha carreira desde 1996 até hoje. Vale a pena conferir!!! 

 http://www.linkedin.com/pub/leandra-migotto-certeza/41/121/a

sábado, 15 de agosto de 2015

ONU alerta!

A maior minoria da humanidade: um bilhão de pessoas com deficiência 

 15 Ago 2015  Lenin Moreno
A maior minoria da humanidade: um bilhão de pessoas com deficiência
Se analisarmos os temas globais tratados como prioridade no âmbito dos direitos humanos, veremos que as pessoas com deficiência foram as últimas a serem contempladas. Nos diversos debates e na evolução dos modelos políticos e socioeconômicos dos Estados, as pessoas com deficiência estavam ausentes – e em muitos casos ainda estão – das políticas públicas.

Aos poucos, foram atendidas de forma progressiva como um “grupo vulnerável” e uma “carga social” que o Estado deveria contemplar. O enfoque dos direitos humanos foi fundamental para iniciar uma transformação profunda nas políticas dirigidas para acabar com uma história de exclusão. É nesse ponto que radica, sem dúvida, a relevância da Convenção Internacional sobre Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada em 2006.

Na ocasião, 153 países ratificaram o tratado, vigente desde maio de 2008. Esse acordo implica para cada Estado signatário o reconhecimento de que a atenção prioritária a esse grupo é uma obrigação nacional. Porém, o processo de adesão é relativamente recente, e o impacto nas leis e políticas públicas ainda é incipiente em muitos países.

Apesar dos avanços nas últimas décadas, ainda há muito por fazer em termos de políticas públicas para que o conceito de justiça social, igualdade jurídica e de solidariedade inclua as pessoas com deficiência, assim como foi feito com outros grupos que, por suas características particulares, também precisaram de legislação e políticas específicas para que suas oportunidades se equiparassem com o resto da sociedade.

As organizações de e para as pessoas com deficiência conseguiram mobilizar apoios significativos para inserir seus direitos na agenda internacional. A Convenção de 2006 é resultado desse esforço. Múltiplas redes nacionais, regionais e internacionais agrupam pessoas de forte compromisso e alto nível profissional que, com anos de análises e experiência, são as melhores conhecedoras do tipo de normas e políticas necessárias para tornar o mundo mais inclusivo e acessível a milhões de pessoas com deficiência. Infelizmente, a participação desses indivíduos ainda é escassa nos espaços intergovernamentais onde se definem acordos de relevância global na agenda de desenvolvimento e de direitos humanos, assim como nos espaços de formulação de políticas públicas nacionais.

Talvez pelos poucos espaços de participação internacional, esses grupos estiveram ausentes da Declaração do Milênio no ano 2000 e nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). O mundo se comprometeu a acabar com a pobreza e com a fome, universalizar o ensino fundamental, alcançar a igualdade entre os sexos, reduzir a mortalidade das crianças menores de 5 anos, melhorar a saúde materna, combater a aids, a malária e outras doenças, garantir a sustentabilidade do meio ambiente e fomentar uma aliança mundial para o desenvolvimento.

Dezenas de indicadores mostraram que, para impulsionar estratégias nacionais dirigidas a esses objetivos e alcançá-los de forma integral, seria necessário identificar as metas e os indicadores que serviram de guia aos Estados para que os ODM também contemplassem as pessoas com deficiência.

Como bem assinalou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, “os ODM apresentam um esforço dirigido para abordar a pobreza mundial. Eles, contudo, não incluíram as pessoas com deficiência, que nem sequer são mencionadas. Apesar dos progressos notáveis em relação ao cumprimento dos ODM, é difícil avaliar se as pessoas com deficiência foram de alguma forma beneficiadas com a aplicação dos Objetivos ou atividades relacionadas”.

A invisibilidade e a discriminação de pessoas com deficiência geram um círculo vicioso de desigualdade, iniquidade e pobreza. Para a humanidade do século XXI, isso deveria ser inaceitável. Esse grupo é mais vulnerável à pobreza, e a grande maioria reúne uma ou mais das seguintes características: carece de alimentação adequada; vive em moradias precárias e sem condições de acessibilidade; não tem acesso a água potável e saneamento; carece de dispositivos técnicos de ajuda e assistência pessoal; não recebe atenção adequada de saúde; e está fora dos sistemas educativos. Em resumo, hoje as pessoas com deficiência são as mais pobres entre os mais pobres.

Em setembro de 2015, na sede da ONU, acontece o encontro de chefes de Estado e governo para discutir e aprovar o que será a Agenda de Desenvolvimento pós-2015. Espera-se que, nessa ocasião, as pessoas com deficiência façam parte das decisões e compromissos do evento.

Os governos e a sociedade deveriam assumir pelo menos oito prioridades para assegurar a inclusão e garantir os direitos de pessoas com deficiência:

1) Colocar o desenvolvimento científico e tecnológico a serviço das pessoas com deficiência, ou seja, tornar a ciência e a tecnologia instrumentos solidários que sirvam para melhorar a acessibilidade e a qualidade de vida das pessoas com deficiência e facilitar sua participação na sociedade e seus aportes a ela.

2) Incluir plenamente crianças e jovens com deficiência nos sistemas educativos. Para isso, é necessário transcender a visão de “educação especial” e de integração, por meio da compreensão clara da diversidade das deficiências. Para que o ensino seja verdadeiramente universal, são os sistemas educativos que precisam se adaptar a todos os seus estudantes.

3) Prestar serviços de saúde especializados e acessíveis. As pessoas com deficiência são mais vulneráveis a doenças preveníveis, por isso é preciso haver um sistema de saúde adaptado a suas necessidades.

4) Assegurar a inclusão trabalhista das pessoas com deficiência. O emprego digno é o melhor caminho para sair da pobreza, e milhões de pessoas com deficiência estão esperando contar com mais oportunidades para oferecer todo seu capital humano, sua capacidade e seu compromisso com o desenvolvimento econômico e social.

5) Assegurar a vida e os direitos das pessoas com deficiência em situações de conflito e catástrofes naturais. Infelizmente, o diálogo ainda está longe de ser uma medida prioritária para resolver nossas diferenças – e são muitos os conflitos armados ao redor do mundo. Esses conflitos, além de aumentarem o número de pessoas com deficiência, geram sofrimentos adicionais a quem já está nessa condição. Por outro lado, em situações de desastre e emergências, as pessoas com deficiência requerem medidas especiais de evacuação e atenção.

6) Visibilizar as pessoas com deficiência nas estatísticas nacionais e globais. Uma informação estatística específica e independente de outras é fundamental para desenhar políticas que garantam o gozo pleno de direitos de cada pessoa que vive com algum tipo de deficiência.

7) Construir sociedades acessíveis. Devem ser eliminados quanto antes obstáculos e barreiras que impedem o acesso de pessoas com deficiência ao entorno físico, ao transporte, à tecnologia, à informação e à comunidade.

8) Acabar com a discriminação. Apenas a inclusão plena acabará para sempre com o estigma e a exclusão. Na luta contra a discriminação, os entornos social e familiar desempenham papel determinante.

Essas oito prioridades podem mudar o mundo e saldar essa dívida da sociedade com as pessoas com deficiência. O célebre astrofísico Stephen Hawking, que vive com uma doença motoneuronial e cuja vida foi retratada em um filme recente chamado A teoria de tudo, ponderou: “Percebo que, de muitas formas, sou um afortunado. Posso confiar em uma equipe de assistentes que me permitem viver e trabalhar de forma cômoda e digna. Minha casa e meu local de trabalho são acessíveis para mim. Especialistas em informática me ajudaram com um sistema de comunicação assistida e um sintetizador de voz, que me permitem redigir conferências e documentos, e comunicar-me com distintos públicos”.

O físico completou: “A eliminação de obstáculos liberará o potencial de um grande número de pessoas que têm muito a oferecer ao mundo. Os governos de todo o planeta já não podem ignorar milhões de pessoas com deficiência a quem se nega o acesso à saúde, à reabilitação, ao apoio, à educação, ao emprego; a quem se nega o direito da oportunidade 
de brilhar”.

Talvez Hawking seja o melhor exemplo do enorme potencial que o mundo está perdendo ao não prestar atenção a cada um e cada uma desse 1 bilhão de seres humanos que constituem a maior minoria da humanidade.

*Lenin Moreno é enviado especial das Nações Unidas sobre Deficiência e Acessibilidade e ex-vice-presidente do Equador.
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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Mulheres com Osteogenesis Imperfecta

Atualizado em 20/04/2013 às 20:58
MONTIVIDIU DO NORTE

A mulher que tem ossos de ‘vidro’

Doença rara impediu que Cidinha tivesse uma vida ‘normal’, mas não foi suficiente para barrar a realização dos seus sonhos

Anderson Alcântara
Cidinha mostra CD e DVD gravados por ela: celebrações de amor à vida
Cidinha mostra CD e DVD gravados por ela: celebrações de amor à vida
Há quem não acredita em milagres. Há quem acredita que tudo é milagre. E há pessoas como a cantora Cidinha Silva, 31 anos, que é o próprio milagre. Maria Aparecida da Silva, por conta de uma incompatibilidade sanguínea de seus pais, nasceu portadora de osteogenesis imperfecta, aquela doença que a pessoa tem os ossos de "vidro", ou seja, quebram com facilidade.
Cidinha teve sua primeira fratura aos 20 dias de nascida. Até os 13 anos, ela contabilizou mais de 100 fraturas. Vivia o tempo todo engessada. Isso inibiu seu crescimento. Ela mede apenas 1m04 de altura. Cidinha conta que desenvolveu sérios traumas psicológicos por conta da anomalia. "Pensei em tirar a própria vida várias vezes. Ser diferente não é fácil. Eu tinha muito medo de não ser aceita na escola, na sociedade, não arranjar trabalho, não ter uma vida normal", conta.
A vida era dura, ao contrário de seus frágeis ossos. Um dia, segundo ela, quando ainda morava em Formoso, foi a uma igreja evangélica e sua vida mudou para sempre. Um pastor (Edmilson, ela se recorda) orou por ela e o que era quebradiço tornou-se sólido. "Deus me curou. Meu irmão Gaspar, que tinha o mesmo problema, também alcançou o milagre. Ele não andava, passou a andar. Eu, que vivia em cadeira de rodas, consegui me apoiar nas próprias pernas e caminhar. Desde então minha vida tomou novo rumo. Eu tinha 13 anos na época", lembra.
"Aceitei Jesus e passei a viver um milagre", explica. "Meu emocional também foi reestabelecido. Perdi a timidez e passei a cantar. Através da música pude ser notada e respeitada", completa.
O tempo passou e as fraturas, tão comuns como respirar, cessaram. Apenas seu crescimento ficou estagnado. Mas a vida pôde ser retomada e novos horizontes foram sendo conquistados pela pequena grande mulher. "Meus sonhos começaram a ser realizados", vibra.
O primeiro sonho a se tornar real foi conseguir se formar. Pela UEG de Porangatu, graduou-se em História. Diploma na mão, foi à luta, começou a virar o jogo da vida em seu favor. Elegeu-se conselheira tutelar em 2007, na cidade de Formoso, onde morava. Um ano depois, abandona o posto por ter sido aprovada em um concurso público para lecionar em Montividiu do Norte. Encarou a sala de aula e fez bonito. Mesmo com suas limitações físicas, se destacou e conquistou o respeito e a admiração dos alunos e colegas professores.
O segundo sonho era ter um veículo para facilitar sua locomoção. "Muita gente duvidava que eu seria capaz de trabalhar, comprar minhas coisas, ter meu carro. Mas graças a Deus estou mostrando que posso", desabafa. Ela não só adquiriu seu carro, como conseguiu tirar sua CNH. "Sou uma motorista habilitada", gaba-se.
MAIS SONHOS
Cidinha Silva não parava de sonhar. E não parava de correr atrás da realização. Cantar apenas não bastava. Era preciso levar sua arte a mais pessoas. Conseguiu: gravou um CD e uma DVD, intitulados "Sou Um Milagre". O álbum, composto de dez faixas, tem quatro canções de sua própria autoria, inclusive a faixa-título. "Foi um grande presente que Deus me deu", revela.
O CD e o DVD alcançaram boa acolhida no seio evangélico. Na divulgação de seu trabalho, Cidinha cantou em dezenas de cidades de três estados: Goiás, Tocantins e Rio de Janeiro. "As pessoas ficam maravilhadas com o milagre de Deus na minha vida", afirma. Mas seu sucesso não fica restrito ao fato de suas características físicas. Cidinha é dona de uma voz muito afinada e poderosa. Possui muitos recursos vocais, aperfeiçoados por horas diárias de ensaio e dedicação.
Ela quer mais: "Quero gravar o segundo CD e viajar todo o Brasil, cantando", compartilha a cantora de fala mansa e pausada.
O último grande sonho realizado foi há seis meses, quando subiu ao altar para dizer "sim" a Marcos, o grande amor da sua vida. "Estou muito feliz. Todos os meus sonhos estão sendo realizados. Não é fácil, mas com força de vontade e fé em Deus tenho superado os obstáculos", disse. "Não tenho filhos ainda, mas Deus me dará em muito breve. É o próximo sonho que realizarei", relata, com a certeza e a fé, que a fazem uma gigante.
"Passei a entender que sou diferente exatamente para fazer a diferença na vida das pessoas", finaliza a cantora, que não tem mais seus ossos triturados a qualquer toque. O que ela quebra todos os dias é a barreira do medo, do preconceito e da desconfiança das pessoas.
"Problemas de saúde atrapalharam o crescimento de Cidinha, mas não interromperam os seus sonhos. Mente aberta, muito amor e exemplo de vida"
Anderson Alcântara

Fonte: http://www.jornaldiariodonorte.com.br/detalhes-impresso.php?tipo=982&cod=9772