sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Palestra da Caleidoscópio Comunicações é sucesso em Brasília


Descrição da imagem: Foto de Leandra sorrindo com o microfone na mão.


Leandra Migotto Certeza - Jornalista e Consultora em Inclusão, coordenadora da Caleidoscópio Comunicações realizou dia 20/09/13 a Palestra: "A diversidade humana faz parte da vida" em evento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios de Brasília. O objetivo foi conversar com o público sobre a importância da reflexão da quebra de tabus, preconceitos e estigmas em relação às pessoas com deficiência. 

Leandra realizou uma dinâmica com perguntas e respostas levando os servidores à reflexão. “Todos nós somos diferentes, mas quanto a direitos e oportunidades, acabamos excluindo alguns. As pessoas precisam ter atitudes livres de preconceitos e discriminações, rompendo convencionalismos. Perfeição é a ausência de erros e defeitos, mas ninguém é perfeito”, disse.

Vejam as fotos: 


Descrição da imagem: janela do avião com linda paisagem de nuvens no céu.


Descrição da imagem: Foto de Leandra sorrindo dentro do avião a caminho de Brasília. 


Descrição da imagem: Foto da vista de cima da terra vermelha da cidade de Brasília. 


Descrição da imagem: Folheto de Divulgação do evento: "DiversiARTE" - 16 a 20 setembro de 2013. 


Descrição da imagem: folheto de divulgação com a programação do evento com o nome de Leandra.


Descrição da imagem: foto de Leandra com microfone na mão gesticulando com as mãos durante palestra. 


Descrição da imagem: foto de Leandra com a equipe do NIC - Núcleo de Inclusão: Maria José, Carla e Lianne.


Descrição da imagem: foto da platéia realizando pergunta durante a palestra. 


Descrição da imagem: foto de Leandra com microfone na mãos e a apresentação da palestra no telão.


Leandra Migotto Certeza na TV GLOBO


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Mundo do trabalho inclusivo ou exclusivo?

Em minha palestra: "A diversidade faz parte da vida" em evento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios de Brasília, irei falar sobre a política afirmativa de inclusão de profissionais com deficiência.




terça-feira, 17 de setembro de 2013

Nova palestra da Caleidoscópio Comunicações



A Caleidoscópio Comunicações realizará a Palestra: "A diversidade faz parte da vida" em evento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios de Brasília.

Em sua quarta edição, a DiversidArte de 2013 traz o slogan A diversidade enriquece a vida, mostrando que conviver com as diferenças promove o crescimento de todas as pessoas. A DiversidArte é realizada sempre nos meses de setembro quando se comemora o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21/9). 

A cada ano é promovida uma semana dedicada a atividades culturais, palestras e até esportes voltados à inclusão de pessoas com deficiência. Ao lado de mostras de pintura, escultura e fotografia, várias atividades inclusivas chamam a atenção dos visitantes.

Leandra Migotto Certeza - Jornalista e Consultora em Inclusão realizará a palestra: "A diversidade faz parte da vida" dia 20/09 às 16hs. 

Informações e programação: 



Como as flores, a inclusão embeleza a vida

Em virtude da correria do dia a dia, você talvez não tenha parado para pensar em algo aparentemente simples: o que as flores podem representar.

Independentemente das distintas impressões que nos causam, podemos, com um olhar  mais atento e deixando que se aflore a sensibilidade, perceber-lhes a variedade de  formas e cores que possuem. Ao admirar um jardim, devemos fazê-lo dirigindo o nosso olhar para o conjunto, pois a força de todas as plantas ali reunidas é que constituem a sua beleza.

Assim, ver-se incluído é notar que o inseriram em um conjunto, pois, quando se esquece da parte, não se consegue valorizar o todo. E é aí que nasce o belo. 

É dar a você a oportunidade de mostrar a sua importância e, mesmo havendo limitações, provar que é capaz de superar barreiras. É ser flor, mas sentir-se jardim. 

André Marques

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Reportagens Setor 3 - Portal do Terceiro Setor do SENAC

Para gerente da IBM, inclusão de deficientes no mercado de trabalho evoluiu bastante, mas ainda há muito o que fazer.
Por Leandra Migotto Certeza - Repórter free lancer
Site: Portal Setor 3 - SENAC

A poliomielite adquirida aos seis meses de idade não impediu que Eliane Pelegrini Ranieri, 44 anos, Gerente de Operações de Vendas da IBM.com – Brasil, perseguisse seus objetivos e conquistasse um posto de trabalho numa importante multinacional. Este é mais um exemplo de como o processo de inclusão social de pessoas com deficiência pode dar certo.


Formada em Letras (inglês e espanhol), Eliane dirige hoje seu próprio carro (adaptado) e afirma ter total autonomia, tanto em sua vida pessoal como profissional. A executiva conta que já experimentou muletas e outros aparelhos ortopédicos, mas acabou fazendo opção pela cadeira de rodas, que, segundo ela, lhe dá mais mobilidade no seu dia-a-dia.

Eliane acredita que o fato de ter sido obrigada a conviver com a deficiência desde a infância acabou lhe facilitando as coisas depois. Ela avalia que aprendeu a tirar melhor proveito da situação e se diz mais preparada para enfrentar os desafios da vida, por já conhecer os obstáculos. O suporte familiar, considera Eliane, foi fundamental para se sentir incluída socialmente.

Em entrevista exclusiva ao Portal Setor3, concedida durante a conferência sobre Inclusão Social de Pessoas com Deficiência no Mercado, a executiva enfatiza, tomando como exemplo o próprio encontro, que a pessoa com deficiência pode plenamente exercer sua cidadania participando de atividades fora de seu ambiente de trabalho ou familiar. Ela conta também como foi seu processo de inclusão no mercado e das principais dificuldades que a pessoa com deficiência tem hoje pela frente.

Setor3: Como você avalia o encontro? Quais as palestras que lhe acrescentaram mais informações ou esclareceram dúvidas?

Eliane Pelegrini Ranieri: A conferência conseguiu reunir um grande número de pessoas interessadas na implementação deste processo dentro de suas empresas, o que demonstra que as empresas estão, cada vez mais, sentindo a necessidade de esclarecimento sobre o assunto e já identificam os benefícios sociais e para a própria empresa que o processo de inclusão pode trazer. A conferência foi muito interessante porque as empresas levaram suas experiências de implementação do processo e conseguiram mostrar todas as etapas necessárias, além das dificuldades a serem superadas. Sem dúvida, para o público que estava presente, estas experiências agregaram muito valor, inclusive para mim.

Setor3: O que mais a motivou a participar do evento?
Eliane: Meu interesse foi o de tomar contato com o que o mercado está praticando, além de desenvolver networking (contatos de trabalho). Auxilio o projeto de inclusão social dentro da empresa pelo setor de RH (Recursos Humanos), comentando sobre as necessidades das pessoas com deficiência em termos de adaptações, além de trazer as novidades da área como essa conferência. 

Setor3: Qual o trabalho que a IBM pretende realizar ou já realiza em relação ao processo de inclusão social de pessoas com deficiência?
Eliane: A IBM tem por filosofia igualdade de direitos e respeito pelo indivíduo. Isto já se pratica na empresa em todos os níveis e eu sou um exemplo disso já que sou "cadeirante". Estou na IBM há 18 anos e nunca tive qualquer discriminação ou exclusão, desde o processo de recrutamento até as oportunidades de carreira que surgiram ao longo destes anos. Mas é claro que o processo sempre deve ser melhorado e é preciso estruturá-lo bem, principalmente quando existe a disposição da empresa aumentar o quadro de funcionários com deficiências. Isto é parte de um programa corporativo fundamentado no princípio de que as diversidades ampliam a possibilidade de negócios para a empresa.

Setor3: Conte um pouco da sua história dentro da empresa? Você encontrou dificuldades de adaptação?

Eliane: Minha entrada na IBM foi através de contrato de trabalho para cobrir licenças maternidade. Fui chamada para cobrir três contratos. Na quarta chamada fui efetivada, o que demonstrou que a empresa apostou na minha capacidade de realização e também por eu estar preparada em termos de formação para assumir as responsabilidades da função. Durante estes 18 anos, trabalhei em muitas áreas e nunca houve qualquer tipo de exclusão, seja por parte dos funcionários ou da empresa.

Setor3: Qual a sua opinião a respeito da situação atual do processo de inclusão social das pessoas com deficiência no mercado de trabalho?

Eliane: Já evoluiu muito com relação à conscientização de indivíduos e empresas, mas ainda há muito trabalho, principalmente em termos de acessibilidade e capacitação. Nosso país tem muitas dificuldades de sobrevivência que precisam ser superadas e o trabalho com pessoas com deficiência, muitas vezes, implica em investimentos por parte das empresas por questões relacionadas à adequação de infra-estrutura. Além disso, ainda é muito raro o deficiente que consegue desenvolver seu potencial intelectual em escolas que permitam o ingresso no mercado de trabalho em igualdade com os não-deficientes. Por isso, as ações das empresas que participaram da conferência foram tão ricas em termos de criatividade e iniciativa para superar essas barreiras.

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Conferência debate a contratação de pessoas com deficiência

Trabalhar com a diversidade tem sido a tônica dos últimos anos. Em especial, após a publicação da Lei 8.213/91, que prevê a reserva de vagas, dentre as existentes no mercado, às pessoas com deficiência nas empresas e nos órgãos públicos.

Programas de capacitação profissional e inclusão social no mercado de trabalho promovidos por ONGs e empresas socialmente responsáveis vêm conquistando bons resultados e restituindo o exercício da cidadania às pessoas historicamente excluídas da sociedade. Durante a conferência "Contratação de Portadores de Deficiência - Como Implementar o Projeto e Atender a Legislação Vigente" realizada pela ACTsystem (empresa da área de recursos humanos) , no último dia 25 de fevereiro, na cidade de São Paulo. Os palestrantes foram unânimes ao admitir que muito ainda precisa ser feito em relação à tarefa de conscientizar os empresários e o governo sobre a importância da responsabilidade social.
 
Entretanto, dados divulgados pelo Ministério Público (MP) revelam que a situação, aos poucos, está mudando. De acordo com Adélia Augusto Dominguese, procuradora do MP membro da Coordenadoria Nacional de Promoção de Igualdade e Eliminação da Discriminação no Trabalho, nos últimos três anos, 20.400 pessoas com deficiência em todo o país foram incluídas no mercado de trabalho devido a ações movidas pelo MP. Por outro lado, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a taxa de desemprego entre os portadores de deficiência ainda continua superior com relação às pessoas sem deficiência. 

Dentre os 24 milhões de brasileiros que possuem alguma deficiência (física, auditiva, visual, intelectual e/ou múltipla – dados Censo 2000 do IBGE), 12 milhões deles - que se encontram em idade economicamente ativa - ainda não encontraram espaço no mercado de trabalho. Fora isso, só no ano de 2000, 18.134 pessoas foram vítimas de acidentes que deixaram algum tipo de deficiência. Dois anos depois, elas continuam lutando para conseguir assegurar todos os direitos previstos na Constituição Federal como saúde, educação, transporte, esporte, lazer, entre outros. "Frente a um quadro como esse: o que fazer?" Essa foi a principal discussão levantada na conferência.

A inclusão social é a adequação da sociedade às necessidades de seus membros, para que eles possam exercer plenamente seu direito à cidadania. Essa inclusão deve ser feita principalmente por meio do trabalho, foi o que concluíram empresários, promotores, membros de ONGs, profissionais liberais, e estudantes os presentes no evento."Lidar com a diversidade inata ao ser humano é o segredo para uma nação mais justa, solidária e principalmente auto-sustentável. Até quando iremos suportar arcar com as despesas de um cidadão que não produz porque não tem suas potencialidades respeitas?", questionou Linamara Batistella, médica fisiatra, diretora da Área de Reabilitação do Hospital das Clínicas. 


Para José de Araújo Neto, presidente da AME (Associação Amigos Metroviários dos Excepcionais), "os fatores que determinam a exclusão são muito grandes, por isso é necessário um projeto de democratização, o qual aceite cada vez mais as pessoas com deficiência nas empresas". Já Flávio Gonzáles, especialista em reabilitação profissional de pessoas portadoras de deficiências da AVAPE (Associação para Valorização e Promoção de Excepcionais), ressaltou que é sempre importante lembrar que ter ou não uma deficiência aparente não afeta a produtividade das pessoas. João Batista Oliveira, da HR. Shared Services Manager, completou dizendo que a empresa é o estrato da sociedade, por isso é importante valorizar a diversidade criando projetos eficazes de inclusão social.
    
No debate, os palestrantes também abordaram temas como legislação vigente; aspectos clínicos; sistemas implantados em outros países; avaliação de resultados e de novas formas de trabalho e de conscientização sobre a responsabilidade social.

José Guilherme Monteiro de Castro, vereador e presidente do CONDEF (Conselho Municipal das Pessoas Portadoras de Deficiência), da cidade de Matão (interior de São Paulo), cobrou mais compromisso dos empresários com a questão. "Tomara que as pessoas que estão aqui levem as outras o enfoque real do que foi tratado. Que os empresários, que ainda não o fazem [contratação de pessoas com deficiência], assumam de maneira séria a sua responsabilidade social com a comunidade, dando oportunidade de trabalho às pessoas com deficiência, que têm este direito assegurado por lei. Porém, só ela [a lei] não basta", alertou o vereador.
 
Alex Celestino dos Santos, estagiário do MP e portador de Síndrome de Down, e Luiz Eduardo Baudakian, fundador da ONG "Aprendendo a Viver" (http://www.aprendendoaviver.com.br/) alertaram o público para a importância da inclusão social durante seus testemunhos. "Estou aqui para dizer com muita alegria que gostaria que esse estágio fosse para sempre. Espero encontrar outro trabalho que eu goste tanto quanto este", disse Alex. Já Luiz, contou sua história de vida. Sugeriu para todos darem as mãos; fechar os olhos e ouvirem a voz de seus corações, dizendo "que o amor é o mais importante de tudo". Ele também pediu para que as pessoas se abraçassem como forma de expressar o espírito de união.

Fatores de exclusão social precisam ser eliminados

"Por que a sociedade ainda desconsidera o potencial das pessoas com deficiência?" Essa foi outra questão bastante debatida durante a conferência. Os palestrantes declararam que barreiras físicas e comportamentais, falta de informação e preconceito entre outros fatores, promovem o distanciamento com a diversidade. "Imagine, por exemplo, um engenheiro que sofreu um acidente e consegue explorar todo seu potencial com uma prótese (colocada no lugar de uma perna amputada) ter que parar de trabalhar? O problema não está nele e sim na sociedade que não pensou na acessibilidade universal. É por isso que falamos em direitos e não em criar oportunidades assistencialistas. O que não está bom nós mudamos", afirmou Linamara, médica do HC.

Para ela, os conceitos de deficiência, "incapacidade" e inclusão precisam ser revistos por todos os países. Segundo a médica, os dados do Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2000 também precisam ser reavaliados. "As leis existem quando é instaurado um conflito entre as pessoas. Elas podem ser sempre reavaliadas, mas com certeza promovem mudanças de comportamento na sociedade. Com a reserva de vagas, as pessoas estão tendo que olhar mais para suas imperfeições. Afinal, quem o que é normal?", questionou.

Ana Maria Schneider Corrêa Araújo, do Departamento de Recursos Humanos da Bandeirante Energia, concordou com Linamara. "Isso é o que sempre buscamos: mobilizar o interesse da empresa para uma reflexão sobre a lei, a educação para o trabalho e a diversidade. É que a lei nunca está pronta, ela muda conforme mudamos", declarou Ana Maria.

Na opinião do presidente da AME, João Batista Oliveira, a falta de escolaridade e qualificação profissional, pouco estímulo da família, informação escassa, e preconceito por parte dos empregadores são os principais fatores de exclusão do mercado de trabalho. Segundo ele, esses obstáculos devem ser eliminados por meio de políticas públicas, cursos de profissionalização e campanhas de sensibilização sobre a inclusão social. "Para isso, é preciso engajar a direção de uma empresa desde o início do projeto", afirmou.

"O trabalho de consultoria em acessibilidade e o banco de 5.700 currículos da ONG 'Muito Especial' é um exemplo de capacitação das empresas e apoio aos PPDs. O nosso lema é: 'Lutando com Você para um Mundo Mais Justo", ressaltou Marcus Scarpa, presidente da ONG.             

Para empresários, respeitar o potencial de cada um é a chave para bons resultados

"Devemos olhar primeiro para as aptidões e os talentos de cada candidato, e não para suas supostas 'limitações'. A palavra chave é compatibilidade de funções", destacou Flávio Gonzáles da Avape.

João Batista, da AME, trouxe um exemplo para ilustrar a afirmação de Flávio: "Em uma das empresas que visitei, encontrei um rapaz que se candidatou a uma vaga e ao ser entrevistado pelo diretor da empresa, pôde mostrar como era capaz de realizar o serviço digitando com os pés. Hoje, o clima entre os funcionários melhorou bastante e não há mais atrasos nos relatórios. É por isso que acho importante aprender com a prática respeitando as potencialidades de cada um. O fundamental é fazer as coisas, não importa como", ressaltou.

Já Luciani Faria, da empresa Marelli Cofap, contou que um candidato surdo se expressou muito bem durante um processo de seleção e a equipe ficou surpresa com a facilidade de lidar com uma PPD. "Sua produção é exemplar e hoje ele até voltou a estudar. Está cursando Direito. O ambiente organizacional melhorou e pessoas reabilitadas de LER (Lesão por Esforços Repetitivos) voltaram ao seu rendimento normal", de acordo com ela.

Lei 8.213/91, umas das ferramentas para a inclusão social


O artigo 36, da Lei 8.213/91, estabelece que a empresa com 100 ou mais empregados é obrigada a preencher de 2 a 5% de seus cargos em aberto com beneficiários reabilitados da Previdência Social ou com pessoas portadoras de deficiências habilitadas, na seguinte proporção: 2% das vagas devem ser destinadas aos PPDs nas empresas com até 200 funcionários; 3% de 200 a 500; 4% quando o número de empregados for superior a 500; e, finalmente, 5% para as empresas com mais de 1000 trabalhadores. É importante ressaltar que as empresas não são obrigadas a abrirem vagas para contratarem as PPDs, e sim preencherem seu quadro de funcionários na medida que disponibilizarem as vagas dando preferência às pessoas com deficiência devidamente qualificadas e selecionadas para a função. 

Cabe ao Ministério Público (MP) e às Delegacias Regionais do Trabalho o poder de fiscalização. A empresa que não atender a lei sofrerá as autuações e também aplicação de multas, além de representação perante o MPT e a abertura de inquérito civil público. "O principal objetivo do MP é conscientizar. Após o levantamento do número de funcionários PPDs, sugerimos às empresas que implementem um projeto eficaz de inclusão, fazemos o acompanhamento das primeiras contratações e estipulamos um prazo para o cumprimento da lei. O mais importante é saber que as pessoas estão exercendo atividades compatíveis com a sua qualificação profissional, potencial e adequação à deficiência, nunca sendo colocado dentro da empresa para simplesmente cumprir cotas, gerando assim, outra exclusão", declarou a promotora Adélia Augusto.

 Outro ponto levantado pelos palestrantes foi a importância de saber usufruir corretamente dos benefícios que a lei traz para um bom projeto de inclusão. "É preciso deixar claro que o funcionário admitido pela lei de vagas não veio tomar o lugar de ninguém e nem ganhar mais do que os outros. Ele deve ser tratado em igualdade de condições, (pois não é nem santo nem diabo), e nem tampouco de forma assistencialista, só para cumprir a lei", esclareceu Luciani Faria.


Ela acrescenta que sua empresa demitiu um funcionário PPD pelo fato dele não estar correspondendo às expectativas de trabalho, como acontece com qualquer funcionário. "O PPD deve ser tratado como qualquer outro empregado, contanto que respeitemos suas necessidades de adaptação física ou de comunicação", explicou Luciani da Marelli Cofap.

V Conferência Municipal de Direitos Humanos de 2001

A paz só será possível se houver respeito à diversidade




Reportagem e fotos exclusivas: Leandra Migotto Certeza 
Inserida em: 20/12/2001 no Site Sentidos


Não há como negar que nos últimos anos, tendo em vista o novo paradigma introduzido pela Constituição Federal de 1988, ocorreram diversos avanços no campo legislativo na defesa e promoção dos direitos humanos. 

Há quem afirme: de que vale um rol de direitos fundamentais colocados no papel se não são criadas condições para a conscientização da titularidade desses direitos e sua concretização? Essa é uma questão polêmica, a qual permeia a maioria dos cidadãos conscientes, no momento em que são abordados temas sociais. 

Conquistar cada dia mais, os direitos humanos. Este foi o lema, daqueles que estiveram presentes na V Conferência Municipal de Direitos Humanos, realizada em São Paulo, dia 17 de dezembro de 2001. Foram apresentadas durante mais de 9 horas de debates, leituras de propostas, encaminhamentos de projetos e explanações a respeito das conquistas e derrotas, no que tangue a inclusão social das chamadas "minorias". Devido à complexidade dos fatos relatados, os resultados tanto quantitativos como qualitativos serão constatados no decorrer da realização de novos projetos em 2002.

Encerrando as atividades do ano, pessoas com necessidades especiais (deficientes visuais, auditivos, físicos, mentais e múltiplos), crianças e adolescentes carentes, mulheres, negros (as), imigrantes, representantes de povos indígenas, portadores do vírus da Aids, familiares e amigos de desaparecidos políticos na ditadura militar, gays, lésbicas, travestis, trabalhadores do sexo, idosos, encarregados e usuários dos serviços de saúde mental, entre outros, expressaram-se livremente na construção de um sistema de proteção e promoção dos direitos humanos. 

Foi muito mais, do que um simples alerta aos órgãos responsáveis, sobre os reais acontecimentos, mais principalmente, um verdadeiro raio X das violações que determinadas regiões da cidade vem sofrendo, como por exemplo: agressões físicas, sexuais e morais, falta de acessibilidade ao meio físico, desrespeito a diversidade cultural, preconceitos de raça, etnia, condição social, injustiças criminais, o abandono do sistema público de atendimento, entre outros fatores. E aproximadamente 90 ofícios, contendo diversas denúncias foram encaminhados à Comissão Permanente de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Municipal e da Prefeitura do Município de São Paulo.

Fazendo com que a sistematização das políticas públicas ganhe um maior embasamento, este canal de participação entre as comunidades e os governantes, foi criado em 1997, e vem se expandindo por meio dos fóruns municipais das entidades. Uma das maiores conquistas foi a publicação do Guia Municipal de Direitos Humanos, sobre coordenação do vereador Ítalo Cardoso, e a ampliação de suas atividades juntamente com a Prefeitura de São Paulo. Saiba mais sobre a comissão."A Comissão foi uma grande conquista, que vai continuar acompanhado as ações públicas. Agradecemos a todos que sempre estiveram conosco participando das atividades durante esse ano", afirmou o vereador durante a solenidade de abertura.

Aproximadamente mais de 40 organizações não governamentais, associações, e entidades como: ONG Fala Preta, SOS Tortura, Associação Indígena Pankararu, Coordenadoria Especial da Mulher, Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes, Pastoral Carcerária de São Paulo, Associação de Mães e Amigos do Adolescente em Situação de Risco, Centro de Referência do Idoso da Zona Leste, entre outras, apresentaram suas propostas por escrito lendo detalhadamente os principais pontos reivindicatórios mais polêmicos. Que em sua maioria, de acordo com suas especificidades, afirmaram a importância de se criarem mecanismos públicos de defesa dos diretos básicos de sobrevivência como: acesso à saúde, educação, habitação, emprego, esporte, lazer e cultura, entre outros fatores.

O manifesto "Pela Criação da Defensoria Pública", entregue à comissão, resume o desejo de todos os presentes na conferência: a aplicação da Lei Municipal nº 11.300/92, a qual cria o Sistema de Apoio Jurídico à População Necessitada. Segundo informações das chamadas "minorias", "Prestar assistência jurídica integral e graduada à população, entidades e grupos comunitários necessitados, promovendo a integração social dos direitos e garantias fundamentais de modo a viabilizar o pleno exercício da cidadania", é o que diz a lei, porém ainda encontra-se apenas no papel. "As pessoas que estão aqui lutando pelos seus direitos, são aquelas realmente comprometidas com a causa social", afirmou Luiz Hespanha, secretário de comunicação do vereador Ítalo Cardoso. 

A participação política proporcionou maior densidade durante os discursos. Esteve presente durante a conferência entre outros ilustres líderes políticos: Sr. Hélio Bicudo, excelentíssimo vice-prefeito de São Paulo, Ítalo Cardoso, vereador da Câmara Municipal, Renato Simões, deputado estadual, Sr. Marco Aurélio Garcia, secretário municipal da cultura, Sr. Walter Jorge, presidente da OAB (Organização dos Advogados do Brasil). "É urgente que essa comissão se estruture o mais rápido possível, para que possamos avançar muito em relação aos direitos humanos. A questão mais preocupante sem dúvida é a violência urbana", afirmou o vereador Ítalo Cardoso. "Os ataques terroristas às torres gêmeas de 11 de setembro, nos Estados Unidos, é sem dúvida um grande retrocesso aos direitos humanos", afirmou o excelentíssimo vice-prefeito de São Paulo.

Mais de trinta pessoas com alguma deficiência, em sua maioria, representantes da FCD, deram voz e esse segmento, de forma contundente. "Nós temos o direito de começarmos a abrir a boca. Temos como objetivo uma sociedade nova, igual e justa. Eu ficaria muito feliz, o dia em que eu sair na rua e ninguém me olhar com um ar de piedade, porque eu sou diferente, mas me olhassem apenas como um cidadão! Tudo o que nós conseguimos foi só o início de um longo caminho pela inclusão social", concluiu José Roberto, portador de deficiência, membro da FCD. A conferência foi encerrada com um ato público, em que todas as ONGs resumiram em poucas palavras o significado da importância da continuidade da luta pelos direitos humanos. Maiores informações na íntegra sobre os conteúdos, dos documentos apresentados, durante a conferência, podem ser obtidos na Câmara Municipal de São Paulo. 

Quem colocou a "boca no mundo" e falou por um mundo melhor foi ... 

Maiores informações:
Câmara Municipal de São Paulo - Gabinete do vereador Ítalo Cardoso.
Tel: (0xx11) 3111-2023 ou 3111-2499 A/C Amelinha ou Hespanha.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Aniversário do meu amor: Marcos do Santos

Hoje é aniversário do meu grande amor: Marcos Dos Santos

O meu quarentão querido, está ao meu lado há 7 anos! 

Felicidades, saúde, paz, alegrias e muito amor!!! 

Eu te amo!!! Lê






segunda-feira, 1 de julho de 2013

O Gigante ainda dorme!!!!

Também somos o chumbo das balas

O Brasil não mudará em profundidade enquanto a classe média sentir mais os feridos da Paulista do que os mortos da Maré

ELIANE BRUM
Você está na sala assistindo à TV. Ou está no restaurante, com seus amigos. Ou está voltando para casa depois de um dia de trabalho. Você ouve tiros, você ouve bombas, você ouve gritos. Você olha e vê a polícia militar ocupando o seu bairro, a sua rua. É difícil enxergar, por causa das bombas de gás lacrimogêneo, o que aumenta o seu medo. Logo, você está sem luz, porque a polícia atirou nos transformadores. O garçom que o atendia cai morto com uma bala na cabeça. O adolescente que você conhece desde pequeno cai morto. Um motorista está dirigindo a sua van e cai ferido por um tiro. Agora você está aterrorizado. Os gritos soam cada vez mais perto e você ouve a porta da casa do seu vizinho ser arrombada por policiais, que quebram tudo, gritam com ele e com sua família. Em seguida você vê os policiais saírem arrastando um saco preto. E sabe que é o seu vizinho dentro dele. Por quê? Você não pergunta o porquê, do contrário será o próximo a ser esculachado, a ter todos os seus bens, duramente conquistados com trabalho, destruídos. Se você está em casa, não pode sair. Se você está na rua, não pode entrar.  


O que você faz?


Nada.
Você não faz nada porque não aconteceu com você. Você não faz nada especialmente porque se sente a salvo, porque sabe que não apenas não aconteceu, como não acontecerá com você. Não aconteceu e não acontecerá no seu bairro. Isso só acontece na favela, com os outros, aqueles que trabalham para você em serviços mal remunerados.
Aconteceu na Nova Holanda, no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, na segunda-feira passada (24/6). Com a justificativa de que pessoas se aproveitavam da manifestação que ocorria na Avenida Brasil – o nome sempre tão simbólico – para fazer arrastão, policiais ocuparam a favela. Um sargento do BOPE morreu e a vingança da polícia começou, atravessou a madrugada e boa parte da terça-feira. Saldo final: 10 mortos, entre eles “três moradores inocentes”.


Os brasileiros foram às ruas, algo de profundo mudou nas últimas semanas, tão profundo que levaremos muito tempo para compreender. Mas algo de ainda mais profundo não mudou. E, se esse algo ainda mais profundo não mudar, nenhuma outra mudança terá o peso de uma transformação, porque nenhuma terá sido capaz de superar o fosso de uma sociedade desigual. A desigualdade que se perpetua no concreto da vida cotidiana começa e persiste na cabeça de cada um.
Quando a polícia paulista reprimiu com violência os manifestantes de 13 de junho, provocando uma ampliação dos movimentos de protesto não só em São Paulo, mas em todo o Brasil, houve um choque da classe média porque, dessa vez, muitos daqueles que foram atingidos por balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo eram seus filhos, irmãos e amigos. Como era possível que isso acontecesse? 
Era possível porque a polícia militar – e não só a de São Paulo, como se sabe e tem se provado a cada manifestação, nas diversas cidades – agiu no centro com quase a mesma truculência com que cotidianamente age nas favelas e nas periferias. Quase com a mesma truculência, porque algumas vozes se levantaram para lembrar que nas margens as balas são de chumbo. Balas de borracha, como foi dito em tom irônico, seria um “upgrade”. A polícia fez, portanto, o que está acostumada a fazer no dia a dia das periferias e favelas, o que é ensinada e autorizada a fazer. E muitos policiais devem ter se surpreendido com a reação da opinião pública, já que agem dessa maneira há tanto tempo e as reclamações em geral ficavam, até então, limitadas às mesmas organizações de direitos humanos de sempre.  
E então veio a Maré. E, em vez de balas de borracha, as balas eram de chumbo. Em vez de feridos, houve mortos. E, ainda que o massacre tenha tido repercussão, especialmente no Rio de Janeiro, ela foi muito menor e menos abrangente do que quando a violência foi usada no centro de qualquer cidade. Por quê? Seriam os brasileiros da Maré ou de outras favelas menos brasileiros do que os outros? Seriam os humanos da Maré ou de outras periferias menos humanos do que os outros? Sangrariam e doeriam os moradores da Maré menos do que os outros? 
É preciso que a classe média se olhe no espelho, se existe mesmo o desejo real de mudança. É preciso que se olhe no espelho para encarar sua alma deformada. E perceber que essa polícia reflete pelo menos uma de suas faces. Parece óbvio, do contrário essa polícia não seguiria existindo e agindo impunemente, mas às vezes o óbvio é esquecido em nome da conveniência.
É fácil renegar a polícia militar como algo que não nos diz respeito, como sempre fazemos com as monstruosidades que nos envergonham. Sem precisar assumir que essa polícia existe como resultado de uma forma de ver a sociedade e se posicionar nela – uma forma que perpetua a desigualdade, dividindo o país entre aqueles que são cidadãos e têm direitos e aqueles que não têm nenhum direito porque, mesmo que trabalhem dura e honestamente, são criminalizados por serem pobres.
No momento em que os mortos da Maré incomodam menos que os feridos da Paulista ou de outros lugares do Brasil, se justifica e legitima a violência da polícia. Se justifica e legitima de várias maneiras – e também por aqueles que sentem menos a violência da Maré do que a da Paulista, apesar de ela ser numa proporção muito maior, a começar pela diferença das balas. Se justifica e se legitima e se perpetua porque, ainda que não confessado, mas claramente expressado, vive-se como se os mais pobres, os que moram em favelas e periferias, pudessem ter suas casas invadidas, seus bens destruídos e suas vidas extintas.  
Se fosse você ou eu na Maré, reconheceríamos os rostos dos que tombam e estaríamos lá, aterrorizados com a possibilidade de sermos os próximos a virar estatística. O garçom que caiu morto com um tiro na cabeça é Eraldo Santos da Silva, 35 anos. Quem estava no restaurante contou que os policiais do BOPE atiraram no transformador para o local ficar às escuras e então mudar a cena do crime, retirando as cápsulas do chão. O garoto de 16 anos que foi assassinado se chama Jonatha Farias da Silva. A polícia disse que ele estava com uma arma na mão, mas várias pessoas que o conhecem desde criança afirmam ser impossível. Jonatha é descrito como um menino tímido e muito sozinho que perdeu a mãe de tuberculose aos 11 anos e vivia com um irmão mais velho num quarto de quatro metros quadrados. Engraxava sapatos e vendia biscoitos nos congestionamentos da Linha Vermelha para sobreviver, enquanto sonhava com ser mecânico. O motorista ferido quando dirigia a van alvejada por tiros é Cláudio Duarte Rodrigues, de 41 anos. Foi levado ao hospital por moradores, mas despachado para casa com a bala ainda alojada no glúteo. Só depois uma ONG obteve a promessa de uma ambulância para buscá-lo. Você ainda poderia ser a empregada doméstica que ouviu os policiais arrombarem a porta da casa do seu vizinho, ouviu seus gritos – “Me larga! Socorro!” – e o viu ser retirado de lá, dentro de um saco preto. 
Mas isso não acontece com você, nem com seus filhos. Nem comigo. Mas, ainda que não aconteça, como é possível sentirmos menos? Ou mesmo não sentir? Ou ainda viver como se isso fosse normal? Ou olhar distraidamente para a notícia no jornal e pensar: “mais uma chacina na favela”?
Em que nos transformamos ao sentir menos a morte de uns do que a de outros, a dor de uns do que a de outros, mesmo quando olhamos para uns e outros apenas pela TV?
O que torna isso possível? 
É preciso parar e pensar. Porque esses, que assim morrem, só morrem porque parte da sociedade brasileira sente menos a sua morte. É cúmplice não apenas por omissão, mas por esse não sentir que se repete distraído no cotidiano. Por esse não sentir que não surpreende ninguém ao redor, às vezes nem vira conversa. Essa polícia que mata nos reflete, por mais que recusemos essa imagem no espelho.
São vários os discursos que se imiscuem na vida cotidiana e penetram em nossos corações e mentes, justificando, legitimando e perpetuando a ideia de que a vida de uns vale menos do que a de outros, de que a vida dos mesmos de sempre vale menos do que a dos mesmos de sempre. Um desses discursos é a afirmação, que nesse caso foi assumida e amplificada por parte da imprensa, de que a polícia teria admitido que “três moradores mortos eram inocentes”. A frase tem tom de denúncia, ao afirmar que a polícia reconheceu a morte de “inocentes” na Maré. A declaração expressa, de fato, a ideia de que ao menos esses três não deveriam ter sido assassinados. Por oposição, cabe a pergunta: e os outros deveriam? 
Essa frase diz ainda mais: se “três são inocentes”, aceita-se automaticamente e sem maior investigação que os demais seriam suspeitos de tráfico e outros crimes – e destes, quase nada ou nada é contado. É nesse ponto que se oculta algo ainda pior contido nesse discurso, que é a aceitação da pena de morte de suspeitos. Ou seja, os supostamente “não inocentes”, os supostamente “bandidos”, “traficantes”, “vândalos” poderiam, então, ser mortos? É isso o que se diz nas entrelinhas. Mas não seriam todos “inocentes”, até julgamento em contrário, dentro do ritual jurídico previsto pelo Estado de direito? Sem contar que a lei brasileira não prevê a pena de morte de julgados e condenados por crimes, nem sequer os hediondos. Mas o Estado, com o aval de uma parte significativa da sociedade, executa suspeitos. 
A aceitação dessa quebra cotidiana da lei pelo Estado está presente na narrativa dos acontecimentos – e a imprensa tem um papel importante na reprodução desse discurso: “três deles eram inocentes”, “morreram em confronto”, “morreu ao resistir à prisão”, “troca de tiros” são algumas das expressões entranhadas nos nossos dias como se tudo explicassem. Como se isso fosse corriqueiro – e não monstruoso. Mesmo para a morte de “inocentes”, fora as mesmas vozes dissonantes de sempre, se atribui expressões como “efeito colateral”. E parece ter sido fácil para a classe média aceitar que o “efeito colateral” é a morte dos filhos, dos irmãos, dos pais e das mães dos pobres.
Em um artigo no site do Observatório de Favelas, que vale a pena ser lido (aqui), Eliana Sousa Silva, diretora da Redes da Maré e da Divisão de Integração Universidade Comunidade PR-5/UFRJ, faz uma análise da frase dita na TV pelo consultor de segurança pública Rodrigo Pimentel: “Fuzil deve ser utilizado em guerra, em operações policiais em comunidades e favelas. Não é uma arma para se utilizar em área urbana”. Ele criticava, em 18/6, a imagem de um policial militar atirando para o alto com uma metralhadora, perto de manifestantes que praticavam ações violentas em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Como afirma Eliana, parece um comentário “natural, racional e equilibrado”, mas, de fato, o que ele está dizendo? Que na favela pode. E, fora uma ou outra voz, como a dela, não causa nenhuma surpresa. Nem mesmo se estranha que na favela pode, nos protestos do centro não.

A palavra “confronto” encobre forças desiguais – e o que tem sido chamado de “confronto” seguidamente não é o que diz ser. Mesmo em confrontos de fato trata-se o que é desigual como se fosse igual, também simbolicamente. Como se uma das forças em confronto não encarnasse o Estado e tivesse, portanto, de respeitar a lei e seguir parâmetros rígidos de conduta – e não igualar-se a quem supostamente está no outro lado. Como se a polícia, como aconteceu na Maré, tivesse autorização para se vingar pela morte – lamentável – do sargento do BOPE, entrando na favela e arrebentando. E o sargento do BOPE Ednelson Jerônimo dos Santos Silva, 42 anos, é também uma vítima desse sistema avalizado por uma parte significativa da sociedade dita “de bem”.  


A questão é que, se a polícia não tem autorização de direito, tem de fato. E tem porque a classe média sente menos a dor dos pobres. Tem autorização porque uma parcela da sociedade primeiro criminaliza os pobres – e, depois, naturaliza a sua morte. É por isso que a polícia faz o que faz – porque pode. E pode porque permitimos. A autorização não é dos suspeitos de sempre, apenas, mas de parte considerável dessa mesma classe média que vai às ruas gritar pelo fim da corrupção. Mas haverá corrupção maior, esta de alma, do que sofrer menos pelos mortos da Maré do que pelos feridos da Paulista?

A autorização para a morte dos pobres é de cada um que sente mais as balas de borracha da Paulista do que as balas de chumbo da Maré. Sentir, o verbo que precede a ação – ou a anula.
“Estado que mata, nunca mais!” é o chamado de um ato ecumênico marcado para as 15h desta terça-feira (2/7), com concentração na passarela 9 da Avenida Brasil, pelos moradores da Maré. A manifestação, anunciada como “sem violência e pacífica”, pretende lembrar os 10 mortos de 24 e 25 de junho, inclusive o sargento do BOPE. “Não é mais aceitável a política militarizada da operação do estado nos territórios populares, como se esses locais fossem moradas de pessoas sem direitos. Responsabilizamos o governador do Estado e o secretário de Segurança Pública pelas ações policiais nas favelas. Exigimos um pedido de desculpas pelo massacre e o compromisso com o fim das incursões policiais nas favelas cariocas, sustentadas no uso do Caveirão e de armas de guerra”, diz a chamada na internet.
Este ato poderá se tornar um momento de inflexão nos protestos que atravessam o país. Saberemos então se os cidadãos das favelas estarão sozinhos, como sempre, ou acompanhados pelas mesmas organizações de direitos humanos de sempre – ou se o Brasil está, de fato, disposto a começar a curar sua abissal e histórica cisão.  
Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista. Autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua  -  (Foto: Lilo Clareto/Divulgação)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Caleidoscópio

O embrião do meu amado e acalentado livro Caleidoscópio está crescendo... Aguardem... 

Por isso escreve

Certo dia, Sophia teve a felicidade de ouvir, que quando fazemos alguma coisa é porque simplesmente precisamos fazer. O ato de compor uma música, pintar um quadro, tocar um instrumento, esculpir uma peça, escrever um poema ou um simples texto, assim como outras inúmeras ações são considerados divinos dons artísticos. Porém, a beleza está em se fazer por fazer. Pelo simples fato de exprimir uma necessidade interior que transcende a qualquer norma, conceito ou objetivo preestabelecido. Por isso escreve.

 Escreve pela paz que sente ao colocar no papel todos os sentimentos e experiências vividas até agora. Sem se ‘pré-ocupar’ com o que as pessoas irão pensar; com o que realmente se tornará um dia seu caderno, e com o que o espírito tanto sonhara.

Como cada dia é um dia; e cada momento é um simples sopro de vida, por isso, escreverá sem fronteiras. É complicado escrever uma história da qual faz parte. Porém, acredita que o interessante será essas mudanças de tempo e espaço, o que tornará prazeroso o ato de escrever... (Leandra Migotto Certeza em ?/07/94)

Dentro do meu mundo, sinto falta.
Falta da certeza de senti-lo
Pequena em relação a tudo.
Quero mostrar o que vejo
Quero tocar aqueles que não enxergam
Quero ser alguém única de glória.
           Tudo é vago, ao mesmo tempo, que é forte.

Por que não tentar ter esperança de outro mundo? 

(Leandra Migotto Certeza em ?/?/1996).

Em tempos de manifestações...

Queridas leitoras e queridos leitores, 

Encontrei esta crônica em meus arquivos e constatei que infelizmente, praticamente NADA mudou de 2006 até hoje. 

Momento histórico, em que mais de 1 milhão de pessoas foram às ruas em todo o Brasil para mostrar que existem, pagam as taxas mais altas de impostos do PLANETA e exigem que seus DIREITOS como cidadãos sejam respeitados IMEDIATAMENTE por meio de ações práticas URGENTES, independente de partidos políticos, ideologias e teorias!!  

Raízes, troncos, folhas, flores, e frutos...*

Por Leandra Migotto Certeza

A família pode ser a base como muitos dizem, mas as raízes podem estar plantadas em terrenos diversos. Para aqueles que não tem pais ou parentes, os amigos conquistados ao longo da estrada é que dão a sustentação em sua vida. Para aqueles que nem amigos têm, os colegas que passam voando como folhas podem dizer palavras estruturais. Creio que o mais significativo é o que nós fazemos com essas palavras para se transformarem em flores e frutos cheios de luz.

Minha numerosa e adorável família - com absoluta certeza - foi crucial em minha vida. Mas se meu espírito não estivesse aberto para ouvir e enxergar suas diretrizes, eu não teria evoluído. Agora também não existe relação sem troca de experiências. Sei que só a minha força interna pode ensinar como meus pais, avós, tios, primos, e amigos poderiam melhor conviver comigo, mulher com deficiência física em todas as fases da vida. A diferença assusta, porque não sei qual o imbecil motivo, os seres humanos teimam em querer somente a perfeição e a simetria.

Quando nasci creio que a grande maioria, dos meus familiares sentiram medo. Medo da diferença! Medo de sentir medo. Medo de se verem no espelho, pois TODOS e TODAS somos diferentes! Eu também tive medo. Medo de não me aceitar como sou, apesar de lá no fundo da minha alma ter a certeza que eu sou além da aparência e/ou os sentidos pelos quais me comunico. Nesses momentos, a família deu aquela força, mas se eu não estivesse vontade de lutar, nada teria se movido do lugar. 

Sou privilegiada por ter dito condições financeiras para fazer tratamentos ótimos, estudar em escolas com crianças com e sem deficiência, passear, brincar, aprender coisas novas, ser cuidada e até muito paparicada. Aproveitei o que a vida me deu sempre consciente das flores e frutos que eu tinha o dever de espalhar pelo mundo.

Não sou melhor nem pior do que ninguém. Na verdade admiro e aprendo muito a cada amanhecer com pessoas que construíram suas raízes totalmente sozinhas! Bom, seria se não precisasse contar essas tristes histórias. Abomino discursos ridículos, assistencialistas, moralistas, piegas, e principalmente, demagógicos, que retiram a responsabilidade das pessoas. Como por exemplo: o povo brasileiro ‘é guerreiro mesmo’ e ‘gosta de lutar e de sofrer sempre com um sorriso nos lábios’. Eu espero e luto para que - o mais rápido possível - a maioria dos relatos que escreverei sejam sobre famílias que vivem felizes sem precisarem se sacrificar para sobreviverem. Mas infelizmente, hoje ainda é extremamente necessário falar da luta de muitas famílias!

Conheci mães que carregam seus pesados filhos com deficiência nos braços por longas distâncias, e sobem em ônibus caindo aos pedaços e sem adaptação nenhuma. Lutam com uma garra e coragem - que não sei de onde brota - para que eles conquistem seus espaços na sociedade. Elas não medem esforços para levá-los a escola, ao hospital, a clínica de reabilitação, e tantos outros lugares. 

Sem falar naqueles que não tem absolutamente ninguém que olhem por eles, nem para ensinar os caminhos. Vocês já pararam para pensar que em pleno século XXI muitas pessoas com deficiência vivem pior do que animais jogados em depósitos, chamados de ‘instituições’? Ninguém faz - nada ou pouquíssimo - de concreto para que essa situação mude! Fiquei sabendo de um homem com deficiência intelectual - que depois de ser jogado na rua, desalojado de uma dessas instituições - foi queimado vivo! Uma grande amiga me disse que, infelizmente, ainda existem muitos casos como esse.

É por isso, que tenho o dever de informar os cidadãos sobre essa realidade. Apoio familiar é muito importante, mas se os Governos federais, estaduais e municipais, e toda a sociedade não cumprirem com seu papel, as pessoas simplesmente, desaparecerão da face da terra! A existência de transportes públicos adaptados e acessíveis a todos, é um dos caminhos mais urgentes - nesse momento - para as pessoas com deficiência física, auditiva, visual, intelectual, múltipla e/ou surdocegueira conquistarem direitos e cumprirem deveres, com o sem o apoio das famílias e dos amigos. Pois como poderão ser ouvidos, sem nem conseguem chegar até os representantes? Não adianta nada existirem escolas, parques, hospitais, órgãos públicos, entre outros lugares, um pouco mais inclusivos, se estas pessoas ainda não têm condições de usufruir deles com qualidade!

Por isso, as pessoas, com ou sem deficiência precisam lutar por transportes acessíveis, totalmente seguros e confortáveis!! Até o fim de suas vidas pelo direito de ir, vir e permanecer nos lugares com DIGNIDADE. 

O Brasil tem umas das melhores legislações do mundo em relação às pessoas com deficiência. Sem contar os mais de 20 documentos internacionais os quais o país é signatário desde 1955. Em meio a tantas leis, parece simples fazer valer os diretos dessas pessoas, mas a teoria ainda é bem diferente da prática! Haja vista a dura realidade relatada na matéria do jornal Folha de São Paulo escrita em 2003. Muitos anos depois, infelizmente, afirmo que quase nada mudou!

A reportagem (de um jornal da cidade de SP) levou o professor de tênis Sérgio Gatto, 36 anos, para um passeio pela cidade. No trajeto, ele demonstrou algumas das dificuldades vividas pelos cadeirantes. 

Na estação de metrô da praça da Sé (centro), da linha azul, Gatto precisou descer com a cadeira de rodas pela escada rolante, de costas, para que a roda encaixasse nos degraus. Para não correr o risco de a cadeira virar, pediu a uma pessoa para que ficasse um degrau abaixo do dele. "Eles dizem que têm funcionários para nos ajudar, mas como chamá-los daqui de cima?", questionou. Continuando o "passeio" pela praça da Sé, algumas surpresas. Ao tentar atravessá-la, Gatto deparou-se com cinco lances de escada. 

A solução foi tentar o percurso pela lateral da praça. Mas a calçada acabou de repente, sem nenhuma rampa que permitisse a Gatto continuar sozinho. Na avenida Paulista, o professor esperou 20 minutos por um ônibus adaptado. Nos 40 minutos seguintes, não passou mais nenhum. Nesse período, atravessaram a Paulista 88 ônibus comuns. 

A reportagem também percorreu algumas das principais avenidas da cidade. Bons exemplos, como a Avenida Paulista, com guias rebaixadas em todos os cruzamentos, são minoria. A rua Brigadeiro Faria Lima tem rebaixamento em metade de seus cruzamentos, mas há casos incompreensíveis como na rua Iraci, onde só há rebaixamento em uma das duas esquinas. Na Avenida Brasil, apenas dois cruzamentos têm rebaixamento de guias.

*Crônica originalmente publicada na “Agenda do Portador de Eficiência” / 2006.