segunda-feira, 20 de julho de 2009

Bola de meia, bola de gude

A sutileza do conhecimento

Por Leandra Migotto Certeza

O olhar doce e ingênuo de um menino de seis anos ao perguntar se é triste ficar só sentada em uma cadeira de rodas e não poder andar é a semente de um mundo livre de pré-conceitos, e não discriminações. Elas sempre irão existir, por mais que nós tentamos eliminá-las. Mas com certeza a distância entre o conhecimento e o julgamento ficará muito maior. É preciso apenas ouvir o que as crianças têm a nos dizer e não conduzi-las ao nosso próprio egoísmo e medo.

Brincar de ‘ser deficiente’ sentando em uma cadeira de rodas não nos destitui de nada. Continuamos, obviamente, não desejando que nossos filhos sofram um acidente a qualquer momento, mesmo tendo a absoluta certeza que todos os seres humanos não estão livres da imprevisibilidade.

Agora ter a grande oportunidade de ser aceita e querida por um lindo e inteligente menino de seis anos é muito mais gratificante do que todos os julgamentos por termos nascidos ou não com alguma deficiência. Um acidente genético poderá um dia ser evitado – mesmo que, na minha humilde opinião, esta previsão seja completamente incoerente – agora, o olhar de alegria do menino ao jogar ‘basquete imaginário’ com sua prima em uma cadeira de rodas é um sinal de que o ser humano pode evoluir, e muito. Só depende da disposição dos adultos em aceitar a convivência saudável com a diversidade. Diversidade esta que está em cada célula do nosso corpo ou em cada átomo do Universo. Então, por que será que teimamos em sermos perfeitos, se a perfeição não existe?

Eu e meu marido fomos pais, mais uma vez, por quatro dias. Eu em minha cadeira de rodas e ele com seu par de muletas. Ainda buscamos autonomia financeira, mas temos independência emocional de sobra para mostrarmos as várias faces da vida para um menino de seis anos, curioso e esperto, que nos amou incondicionalmente. Amor este que nos preencheu de mais amor, e nos fez mais fortes e sábios, para respondermos e questionarmos os julgamentos dos adultos, que ainda não enxergam a profundidade e a simplicidade que um abraço de uma criança sem preconceitos tem.

Jogar bola com o novo parceiro, que tem um par de muletas e duas pernas diferentes, foi tão divertido quanto empurrar uma cadeira de rodas, com tanta naturalidade, pela quadra de futebol. Conhecer os limites e as possibilidades dos primos com deficiência física foi tão importante quanto aprender o nome de outros animais marinhos. Querer dormir ao lado dos ‘novos amigos’ foi tão tocante quanto ensinar uma menina mais nova - sem deficiência - a colocar um fone de ouvido em uma exposição de arte.

Obedecer a ‘prima-tia’ e seu marido foi tão fácil quanto comer dois pratos de arroz com feijão na casa da avó ou no restaurante. Respeitar a prima - que é mais baixa do que o menino - foi tão simples quanto se lambuzar todo com um delicioso sorvete de chocolate. Dar a mão para a mãe da menina mais nova, sem deficiência, ao atravessar uma rua, foi tão importante quanto brincar de usar o par de muletas do novo amigo com deficiência.

Conhecer, conviver, aprender, experimentar. Este é o segredo de saber viver bem, livre de pré-conceitos. O menino talvez não desejasse ter alergia a certos alimentos, mas tem, e aprendeu a ser muito feliz com suas limitações. A prima talvez preferisse não andar só em uma cadeira de rodas, mas aprendeu a ser muito mais feliz com suas possibilidades. E o novo amigo com deficiência não queria ter sido abandonado em um orfanato, mas aprendeu a dar muito carinho para depois receber sempre mais.

Quando na Terra existirem muito mais meninos e meninas que cresceram sem pré-conceitos, os poucos adultos e idosos (que ainda insistirem na busca pela suposta perfeição como a única forma de evolução) finalmente, reconhecerão que perderam preciosos dias de suas vidas sem conhecerem a diversidade; e aprenderão a serem apenas meninos e meninas, muito felizes com suas possibilidades e seus limites.

A Justiça é Cega?

JUSTIÇA, CEGUEIRA E DIREITOS
"Só se pode conceber o Homem, como homem e sua circunstância; não se pode compreender o Direito e o Estado fora dos contextos que os engendraram, que são históricos e sociais e, por conta disso, resultados de antagonismos..." Prof. Dr. Wilson Ramos Filho (apresentação do livro)
Por Jorge Marcio Pereirade Andrade 2009-2010 em Informativo DefNet (favor citar a fonte em reproduções e citações)
Há livros que quando compramos, ao sair da livraria, temos a sensação de que carregamos com ele uma dedicatória invisível e desejada. Este é o caso do livro: O TRABALHO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA - Lapidação dos Direitos Humanos: o direito do trabalho, uma ação afirmativa. Este é um livro que revela, para além do mérito e da conquista recém difundidas do autor, um grande pesquisador. Assim como a sua intensa e histórica dedicação à causa dos Direitos Humanos. Este é o título do livro do nosso amigo Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, publicado pela LTr Editora, publicado em 2006.
Neste livro Ricardo Tadeu é apresentado como Procurador Regional do Ministério Público do Trabalho, Professor Universitário, Especialista e Mestre em Direito e Processo do Trabalho pela Faculdade de Direito da USP e Doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná. Em sua obra, até onde pude ler e compreender, não encontrei nenhuma citação pessoal de Ricardo sobre a sua história pessoal e privada, apenas a sua saga e dedicação à afirmação de que: "O Direito do Trabalho surgiu, historicamente, para viabilizar um aprofundamento de reflexões em torno de uma discussão filosófica e política concernente ao princípio da igualdade, e esta é a discussão do presente trabalho...", em suas 304 páginas escritas com rigor e com profundo conhecimento e estudo das questões jurídicas, constitucionais e históricas de direitos das pessoas com deficiência. É portanto leitura obrigatória e indispensável para todos os que se implicam e se deixam transversalizar pelos Direitos Humanos.
Portanto, com a certeza de que teremos uma nova edição deste livro, sugiro à Editora que passe a incluir a qualificação de Juiz e Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho, 9ª Região, em Curitiba, Paraná. Já teria escrito este editorial antes se diferentes e bem consolidadas barreiras não tivessem de ser removidas pelo Ricardo em sua trajetória ao seu 'sonho de ser/estar um Juiz'. A sua conquista de seu ideal é fundamentada em uma persistente e criativa carreira, não é apenas resultante de sua condição humana de pessoa com deficiência.
Muitas pessoas podem interrogar-se se sua chegada à Justiça do Traballho ocorreu, como algumas notícias da mídia revelam, por sua condição de pessoa que nasceu com uma Paralisia Cerebral e Cegueira, que sua 'raridade' no cargo que ocupará é devido à sua qualificação de um 'herói' que superou diferentes obstáculos.
A sua deficiência é apenas uma das afirmações de sua diversidade//multiplicidade funcional e humana. Ele é, pelo que já tive a honra de conhecer, um cidadão consciente de seu papel social e de suas responsabilidades para com todos e todas, um defensor intransigente dos Direitos Humanos. Já pude vê-lo atuando em diversas situações, das Conferências Nacionais de Direitos das Pessoas com Deficiência à Audiências Públicas no Senado Federal. Assim como o fez no processo de elaboração e discussão da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, nos EUA. Sempre e com a mesma galhardia estava lá para a defesa de os Direitos, em especial o do Trabalho, que devem ser instrumentos de busca de IGUALDADE.
Sabemos que a Justiça foi e é, indevidamente, associada à cegueira, com uma imagem que traz a balança de ponderação/equilibrio, ao mesmo tempo que a espada do corte de nós-górdios dos impasses jurídicos. Mas esta imagem foi também, como a afirmação do Prof. Wilson Ramos Filho, produzida históricamente em um contexto onde o paradigma que moldava os direitos das pessoas com deficiência ainda os tratava com discriminação quanto às suas habilidades/potencialidades. Não foi uma ato de "cegueira jurídica benevolente" que elevou o Prof. Dr. Ricardo Tadeu à condição de Desembargador, foi um ato de 'transvisão', como uma iluminação do direito de que todos podem e devem almejar ocupar quaisquer dos cargos ou funções públicas, independentemente de suas visíveis ou invisíveis deficiências.
Portanto, eu, aqui meio imóvel físicamente, por força de uma temporária incapacidade de superar a dor de uma coluna vertebral, me coloco, mais uma vez, identificado com os milhares de pessoas com imobilidade temporária. E, graças a minha vulnerável condição humana, me sinto afetado, e feliz, por mais esta oportunidade, ao me ver projetado em sua figura, reconhecendo a importância de que muitos se 'identifiquem' com este alegre e sempre aguerrido companheiro dos incansáveis enfrentamentos dos antagonismos. Sei, pela minha própria pele, o quanto muitas vezes nos elogiam/criticam mais por nossas 'diferenças' do que por nossas qualificações ético-profissionais. Mas sei, tenho esta vivência, que muitas vezes rompemos com algumas naturalizações e hegemonias de forma de pensar, ser, estar e agir em nossos campos de atuação. Enfim afirmar, mais uma vez, que a Vida tem muito mais possibilidades que limites ou limitações.
Por isso, desejo, intensamente, que o livro e obra de Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, possa ser lido, difundido, acessibilizado (devemos solicitar a sua apresentação em formato digital à Editora), para que a busca substancial de igualdade entre os cidadãos e cidadãs brasileiros, com e sem deficiência, seja uma ação afirmativa de nossos cotidianos. A frase "a lei é igual para todos' tornou-se, lamentavelmente, apenas uma citação, por a terem tornado nas Leis Brasileiras mais 'iguais' e efetivadas/cumpridas para muito poucos, como dizem no vox populi: somente para os ricos e abastados de poder, ao ignorar a maioria marginalizada/desfiliada e empobrecida, 'uma vez que a igualdade meramente formal em face da lei mostrou-se importante conquista da modernidade, mas insuficiente para assegurar o equilíbrio social'.
Ainda teremos e temos uma longa jornada para que, por exemplo, a inclusão de pessoas com deficiência no mundo do Trabalho venha romper com os preconceitos, segregações, explorações e invisibilidades. Na afirmação final de Ricardo está um desejo de lapidação que todos devemos compartilhar: "...Não se ignoram as ameaças que vem sofrendo os direitos humanos. As próprias liberdades indi viduais que tanto orgulham a sociedade estadunidense estão sendo afrontados pela doutrina de segurança lá imperante; os direitos sociais são acusados de custosos, havendo a idéia de sua eliminação e as normas de de ação afirmativa, que por sua vez, têm sido apontadas igualmente como discriminatórias e atentatórias contra as liberdades... Só o tempo poderá oferecer uma resposta esclarecedora a respeito de como se conformarão as forças em confronto. A trilha em direção à emancipação anima a proposta aqui defendida (no livro). Há que se lapidar, assim o diamante ético de Herrera Flores. Diamante sólido, precioso, indivisível, mas ético e, portanto, fluídico, intangível, consolidado nas idéias e cujos instrumentos de lapidação aninham-se, tão somente, em mentes e corações." (pág. 293).
Referência Bibliográfica:Fonseca, Ricardo Tadeu Marques da - O Trabalho da Pessoa com Deficiência e a Lapidação dos Direitos Humanos: o direito do trabalho, uma ação afirmativa. São Paulo, SP, LTr, 2006. LTr Editora - Rua Apa, 165, Tel (11) 38262788 Fax (11) 38269180.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Direitos das Pessoas com Deficiência

Foco da convenção das Nações Unidas sobre direitos das pessoas com deficiência
Fonte: Rede Saci - 30/06/2009

Retirado e traduzido do documento "Enable - Rights and dignity of persons with disabilities - Visão Geral (Overview)

Comentário SACI: Traduzido do inglês e digitado por Maria Amelia Vampré Xavier, da Rede de Informações Área Deficiências Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais), Rebrates, SP, Carpe Diem, SP, Sorri Brasil, SP, Inclusion InterAmericana e Inclusion International em 5 de junho, 2009.

As pessoas com deficiências sempre foram o segmento mais excluído e desvalorizado na sociedade humana, isso durante séculos. Houve épocas em que pessoas com deficiências, fossem quais fossem, eram dizimadas pois se julgava que fossem arautos de mau agouro, representavam a parte negativa do ser humano, e assim as sociedades foram conservando afastadas pessoas com deficiência pois em alguns países menos desenvolvidos pessoas com deficiência eram o sinal de que seus pais que as haviam gerado tinham cometido faltas tão graves que Deus decidira puni-las com um filho que lhes traria muito sofrimento.

Por muitos motivos, até por proteção de parte de suas famílias, esse segmento da população permaneceu “invisível” e isso permanece até hoje. Uma das defesas que se faz da educação inclusiva é que as crianças desde bem pequenininhas passam a conviver com crianças normais e, dessa forma, quebra-se uma barreira existente desde o nascimento de crianças com deficientes, que passam a ter uma vida próxima de seus irmãos, primos, amigos da vizinhança e amigos que vão formando na escola.

Existe muita gente que em pleno fim da primeira década do século 21 ainda não sabe o que é uma pessoa com deficiência, olhando-a de longe com muito medo de se aproximar. Vamos, pois, recorrer a um texto das Nações Unidas que dá uma clara explicação sobre esta questão. Vamos a ele:

“O termo “pessoas com deficiências” se aplica a todas as pessoas que têm por longos períodos de tempo limitações físicas, mentais, intelectuais ou sensoriais, as quais diante de várias atitudes negativas ou obstáculos físicos, podem impedir que essas pessoas participem integralmente da sociedade. Contudo, esta não é uma definição definitiva daqueles que podem exigir proteção sob a Convenção, da mesma forma que essa definição não exclui categorias mais amplas encontradas na lei nacional, incluindo pessoas com deficiências de curto prazo ou pessoas que tiveram deficiências no passado.

Uma pessoa com deficiência pode ser considerada como tal em uma sociedade ou ambiente, porém não em outro. Na maior parte do mundo existem estereótipos negativos profundos e persistentes, assim como preconceitos contra pessoas com certas condições e diferenças. Estas atitudes determinam quem é considerado uma pessoa com deficiência e perpetuam a imagem negativa de pessoas com deficiência.
A linguagem usada para fazer referência a pessoas com deficiência exerce papel significativo em criar e manter estereótipos negativos. Termos como “aleijado” ou “retardado mental” são claramente depreciativos. Outros termos como “cadeirantes” (no Brasil) salientam a deficiência em vez da pessoa. Historicamente, a sociedade tem falhado, não usando os termos que as pessoas com deficiência utilizam para definir a si próprias ou tem forçado as pessoas a se definirem, usando termos com os quais se sentem desconfortáveis.

As pessoas que fizeram o primeiro esboço da Convenção tinham a clareza de que a deficiência deveria ser encarada como o resultado da interação entre uma pessoa e seu ambiente, que deficiência não é alguma coisa que resida no indivíduo como resultado de alguma limitação. Esta Convenção reconhece que a deficiência é um conceito que evolui e que a legislação pode ser adaptada para refletir mudanças positivas dentro da sociedade.

Para pessoas que nasceram com uma deficiência como eu, frequentemente a família espera muito pouco delas, de forma que as expectativas são baixas; barreiras físicas na comunidade podem impedi-las de ter acesso a sua comunidade; barreiras sociais podem impedi-las de acessar sua comunidade.

Linda Mastandrea, advogada na área da Deficiência e atleta paraolímpica.

· Aproximadamente 10 por cento da população do mundo vive com uma deficiência – a mais ampla minoria do mundo. Este número está aumentando devido ao crescimento da população, progressos médicos e o processo de envelhecimento. (OMS)

· Estima-se que 20 por cento das pessoas mais pobres do mundo tenham uma deficiência, e tendem a ser consideradas em suas próprias comunidades como as pessoas que estão em maior desvantagem (Banco Mundial).

· Índices de deficiência são significativamente maiores em grupos que tenham nível educacional mais baixo nos países da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD). Em média, 19 por cento das pessoas menos educadas têm deficiências, comparado a 11 por cento entre pessoas que tiveram melhor educação. (OECD)

· Mortalidade para crianças com deficiências pode ser tão alta quanto 80 por cento em países nos quais a mortalidade antes dos 5 anos, como um todo, caiu até 20 por cento. Em alguns casos parece que crianças com deficiência foram “extirpadas”. Departamento de Desenvolvimento Internacional, Reino Unido)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Saudade...

Tia Heleninha

Por Leandra Migotto Certeza

Biscoitos crocantes com canela, licor de ameixa, gatinhos, plantas, muito carinho e rizadinhas. É assim que me recordo de Tia Heleninha, como seu filho carinhosamente chamava sua doce mãe, Helena. Meu tio materno, filho de Helena, é meu segundo pai, e sua mãe, uma pessoa muito especial que eu tive o prazer de conhecer.

Quando a visitava em sua linda casa, o que mais gostava era ouvir algumas histórias que contava sobre seus filhos. Tia Heleninha falava pouco, mas sempre tinha um farto sorriso no rosto quando me via. Dizia que eu trazia alegria para ela. Os momentos que desfrutamos juntas foram muito gostosos, e eu nunca vou me esquecer deles.

Professora Helena era uma mulher tímida e muito carinhosa com os amigos, que sempre a visitavam. Adorava juntar todos para os demorados almoços ou lanches, em sua casa, cheia de muito verde e ar puro. Sempre contava com um grande orgulho do barco que o filho está construindo em seu jardim, e ria das minhas aventuras com sua filha pelos bares de São Paulo.

Eu dormi em sua casa algumas noites, e sempre fui muito bem acolhida. Ainda adolescente, eu ficava encantada com tantas fotos da família nas paredes, tapetes e almofadas diferentes, e móveis antigos. Sua casa era aconchegante. Tia Heleninha parecia ter um olhar distante, mas um sorriso fácil, quando os amigos se aproximavam dela.

Lembro do cheiro dos biscoitos que eu devorava; do licor que eu sempre levava para casa; dos gatinhos fofos correndo pela sala; e do sapatinho de lã colorido, tricotado por ela, e que ainda aquecem meus pés. Lembro também que ela gostava de ficar, às vezes, quietinha ao meu lado sem dizer uma só palavra. Nossos olhares eram suficientes...

Hoje recebi a triste notícia que Tia Heleninha foi embora e nunca mais vou poder vê-la. Ela ficará em meu coração para sempre, assim como todo o carinho que sempre transmitiu às pessoas.
Sentirei a sua falta sempre que for até Caucáia porque ela não estará mais lá, arrumando suas plantinhas. O que me conforta é que cada flor que ela plantou continuará exalando o doce perfume das suas mãos macias. E o gosto de seus biscoitos deliciosos ficará para sempre em minha boca.
Descrição das imagens: no canto superior esquerdo está um lindo botão de rosa vermelha; e no canto inferior direito, um gatinho malhado, muito fofo, tirando uma soneca.

sábado, 4 de julho de 2009

Alma gêmea


Alma gêmea é a pessoa que completa a minha vida.

Alma gêmea é a pessoa em quem podemos confiar em todos os momentos da vida.

Alma gêmea é a pessoa que nos ama de verdade e nos aceita como nós somos.

Alma gêmea é a pessoa que nos ensina a viver com alegria e de forma simples.


Eu encontrei a minha alma gêmea.

Marcos dos Santos é o meu grande e único amor.

O homem com quem vou continuar vivendo por muitos anos e para sempre em meu coração.

Marcos dos Santos é um homem alegre, feliz, e sempre sorri com as coisas mais simples da vida.

É o homem que me ensinou a viver de forma mais leve, doce e tranquila.

É o amor que me faz muito feliz em todos os momentos.

Nunca vou esquecer nossos passeios juntos, nossas comidinhas gostosas em nosso lindo ninho de amor, e nosso jeito especial de sorrir quando descobrimos alguma coisa juntos.

Nunca vou esquecer dos momentos maravilhosos que passamos com nossos amigos novos e com os amigos já conhecidos.

Nunca vou esquecer da nossa família em Ilha Comprida que me recebeu de braços abertos e sempre me amou desde o primeiro dia que me conheceu.

Nunca vou esquecer das nossas aventuras de ônibus pelas ruas malucas de São Paulo sempre esburacadas, com a minha cadeira de rodas e suas muletas.

Nunca vou esquecer de cada objetos que compramos juntos com muito esforço para enchermos nosso lar de mais conforto.

Nunca vou esquecer das nossas tardes de brincadeiras na piscina.

Nunca vou esquecer de nossas manhãs, tardes e noites de amor e paixão sempre muito quentes de desejo.

Marcos dos Santos é o homem mais corajoso, simples, gentil, carinhoso, generoso e amável que eu conheci.

É o homem mais honesto, verdadeiro, e tranquilo que eu tenho o prazer de viver junto.

Marcos dos Santos é o homem que tem um coração de menino.


Eu ainda tenho muito o que dizer sobre nosso amor...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Abaixo ao preconceito nú e cru

Projeto aprovado exclui a expressão "alienada ou débil mental" do Código Penal

Fonte: Jornal da Ordem- OAB/RS em 22/06/2009

A mudança vai no sentido de empregar termos adequados às situações

O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 79/07, aprovado pelo Plenário do Senado com uma emenda da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), altera parte de artigo do Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40) - que trata da presunção de violência - para excluir a expressão "alienada ou débil mental" e substituí-la por outros termos. A matéria vai agora à Comissão Diretora para a redação final.

O projeto modifica o artigo 224, no Capítulo IV do Código, que trata das disposições gerais, formas qualificadas e presunção de violência. Pelo Código, presume-se a violência se a vítima: a) não é maior de 14 anos; b) é alienada ou débil mental, e o agente conhecia esta circunstância; c) não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência.

A redação final do PLC, emendado na CCJ, modifica a alínea "b" para determinar que se presume a violência se a vítima não tem capacidade suficiente de entendimento para consentir na prática do ato, por doença ou deficiência mental, e o agente conhecia essa circunstância.

A emenda da CCJ ampliou e deixou mais clara a redação da alínea "b" que, no projeto original, resumia-se à frase "apresenta deficiência mental, e o agente conhecia essa circunstância".

Proteção dos direitos das pessoas com deficiência

CCJ realiza série de debates sobre assuntos sociais

Fonte: Senado Federal em 22/06/2009

Audiência pública na próxima quinta-feira deve tratar de normas de proteção dos direitos das pessoas com deficiência

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) deverá realizar audiência pública na próxima quinta-feira (25), a partir das 10h, para instruir o projeto (PLS 112/06), do senador Jose Sarney (PMDB-AP), que trata de normas de proteção dos direitos das pessoas com deficiência, alterando leis sobre o tema.

Os autores do requerimento aprovado nesta quarta-feira (17) - senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Eduardo Suplicy (PT-SP) - observam que, quando da apresentação do projeto, o Brasil ainda não havia adotado a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU), que, como argumentam, trouxe vários avanços nesse campo, em especial relativos à educação e trabalho.

Deverão ser convidados representantes do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade); da Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa com Deficiência (Corde); do Centro de Vida Independente (CVI) Brasil; da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência (Ampid) e da Secretaria das Pessoas com Deficiência do estado de São Paulo.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Repúdia ao Projeto de Lei nº 112/2006 do senador José Sarney

Secretaria manifesta-se contrária ao Projeto de Lei nº 112

Fonte: Rede Saci em 17/06/2009

Leia comunicado da Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência Linamara Rizzo Battistella

Linamara Rizzo Battistella

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo manifesta-se contrária ao texto atual do Projeto de Lei nº 112/2006, de autoria do senador José Sarney, em tramitação no Senado Federal. Consideramos que o referido projeto tem grande impacto negativo na inclusão social das pessoas com deficiência por alterar a chamada Lei de Cotas de forma prejudicial ao universo de mais de 24 milhões de brasileiros com deficiência.
A Lei de Cotas, que estabelece patamares de absorção, pelo mercado de trabalho, de pessoas com deficiência em percentuais de 2% a 5% para empresas com mais de 100 empregados, é uma conquista não só das pessoas com deficiência, mas também de toda a sociedade, ao seguir o princípio do respeito à diversidade e exigir o envolvimento das empresas no processo de inserção profissional de pessoas com deficiência.
O projeto em questão propõe a redução do percentual da cota de empregos públicos para pessoas com deficiência na proporção mínima de 3%. Também pretende instituir para as empresas privadas um único percentual de 3%. Além disso, permite que a terceirização de mão-de-obra possa ser considerada para fins do cálculo dessa quota, quebrando o compromisso direto da empresa com o cumprimento da lei e distorcendo o real significado dessa política catalisadora do processo de inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
O atual texto do referido Projeto de Lei faz ainda uso inadequado das terminologias em relação às pessoas com deficiência, reforçando o preconceito e a discriminação que embasam seu conteúdo. Causa-nos estranheza também o fato de que o projeto não foi submetido à consulta popular.
Assim, a significativa parcela da população brasileira com deficiência e mesmo os movimentos civis que a representam não foram ouvidos, tampouco puderam promover sugestões à proposta. O cenário atual é de promoção da inclusão e da democracia.
A diversidade é uma condição inerente à Humanidade. Por isso, ao invés da fragilização dos direitos adquiridos pela pessoa com deficiência, é o momento de promovermos a ampliação gradual no número de trabalhadores com deficiência com vínculo formal e incentivarmos concursos públicos respeitando a reserva de vagas para esse público.
Devem ser incentivadas as ações de capacitação complementar de pessoas com deficiência custeada por empresas, assim como os editais de compra de mobiliário escolar contemplando as necessidades dos alunos com deficiência.
Alguns municípios, cientes dessa nova palavra de ordem, já contam com frota de ônibus 100% acessível, pólos de lazer e entretenimento com total acessibilidade e programas de reforma dos prédios escolares para que possam ser acessíveis às pessoas com deficiência, entre tantas outras ações e políticas públicas estabelecidas.
Marco de grande relevância no contexto é o compromisso assumido em julho passado pelo Brasil frente à Organização das Nações Unidas, quando o Congresso Nacional ratificou, elevando à condição de Emenda Constitucional, a íntegra do texto da Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, incluindo o Protocolo em que submete sua implementação ao monitoramento internacional.
Por isso, não podemos nos calar diante do fato do texto do PL em questão conflitar com a Constituição Federal, principalmente quanto ao Decreto Legislativo 186 (antes Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência), de 2008, publicado no Diário Oficial da União em 20 de agosto daquele ano.
Além de oferecer retrocessos à inclusão da pessoa com deficiência, o PL 122/2006 ainda expõe o País ao desgaste internacional, oportunizando denúncias ao Comitê de Monitoramento da ONU.

Audiência pública discutirá o PLS 112/2006

Audiência pública discutirá o PLS 112/2006 à luz da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

Fonte: http://agenciainclusive.wordpress.com/ em Junho 17, 2009.

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) deverá realizar audiência pública na próxima quinta-feira (25), a partir das 10h, para instruir o projeto (PLS 112/06), do senador Jose Sarney (PMDB-AP), que trata de normas de proteção dos direitos das pessoas com deficiência, alterando leis sobre o tema.

Os autores do requerimento aprovado nesta quarta-feira (17) – senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Eduardo Suplicy (PT-SP) – observam que, quando da apresentação do projeto, o Brasil ainda não havia adotado a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU), que, como argumentam, trouxe vários avanços nesse campo, em especial relativos à educação e trabalho.

Deverão ser convidados representantes do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade); da Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa com Deficiência (Corde); do Centro de Vida Independente (CVI) Brasil; da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência (Ampid) e da Secretaria das Pessoas com Deficiência do estado de São Paulo.

Mandado de Segurança contra o Ministro das Comunicações Hélio Costa

Nota para Divulgação, de Responsabilidade da Comissão de Comunicação da Organização Nacional de Cegos do Brasil, ONCB A ORGANIZAÇÃO NACIONAL De CEGOS DO BRASIL, ONCB, junto com o CONSELHO NACIONAL DOS CENTROS DE VIDA INDEPENDENTE – CVI-BRASIL e a FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE SÍNDROME DE DOWN - FBASD, impetraram nesta sexta-feira, 19 de junho, Mandado de Segurança contra o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, requerendo a suspensão da terceira consulta pública sobre a audiodescrição por falta de acessibilidade nos documentos disponibilizados e pelo uso de outros idiomas que não o português.
Isso impede a participação plena das pessoas com deficiência as quais acham-se excluídas da possibilidade de opinar sobre esse direito que lhes diz respeito, diretamente. A consulta pública, que estará disponível no portal do MC, até o dia 30 de junho, compõe-se de oito arquivos, que foram “escaneados” no formato de imagem, fato que impede a sua decodificação através de leitores de tela, ferramenta usada por usuários cegos e com outras deficiências, para a interação com o computador.
A medida do Mc, segundo reconhece o texto do mandado de segurança, fere os direitos humanos líquidos e certos desse segmento social integrante da população brasileira e de todas as pessoas com deficiência que utilizam leitores de telas para sua comunicação, entre elas as pessoas com deficiência física e intelectual.
Ressalte-se que a publicação de documentos em formatos inacessíveis fere ainda a equidade e a ampla participação com equiparação de oportunidades previstas não apenas no ordenamento jurídico brasileiro, notadamente nas Leis nº 7.853/1989 e 10.098/200, mas principalmente na Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, aprovada pela ONU e ratificada no Brasil com equivalência de emenda constitucional através do Decreto Legislativo nº 186/2008.
A consulta fere ainda, a Constituição Federal Brasileira, em seu artigo 13, na medida em que publica os documentos de acesso em idiomas estrangeiros, como o alemão, inglês e francês, configurando-se numa clara discriminação contra aqueles que não dominam tais idiomas. Desde que foi disponibilizada, no último dia 15 de maio, a consulta tem suscitado inúmeros protestos, dirigidos diretamente ao Ministro Hélio Costa, por pessoas, ou por organismos de defesa de direitos, a exemplo do Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência, Conade.
Até o momento, o ministro não se posicionou oficialmente sobre a questão.
Para maiores informaçõesAna Paula de Crosara de Resende: anapaula@cataniecrosara.com.br (34) 32123866 advogada responsável pelo processo ONCB contatos: Brasília@oncb.org.br
Fone: 61 3041-8288 (Escritório de Brasília).

Pesquisa revela o alto grau de preconceito nas escolas

PRECONCEITO no ambiente 'escolar' - 1º LUGAR - pessoas com deficiência física e deficiência intelectual...
"O ser humano não é uma coisa entre outras; 'coisas' se determinam mutuamente, mas o 'ser humano' em última análise, se determina a si mesmo. Aquilo que ele se torna - dentro dos limites dos seus dons e do meio ambiente - é o que ele faz de si mesmo." Viktor E. Frankl - Em busca de sentido - 26ª Edição.
Pesquisa realizada em 501 escolas públicas de todo o país, baseada em entrevistas com mais de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores, professores e funcionários, revelou que
99,3% dessas pessoas demonstram algum tipo de preconceito étnico-racial, socioeconômico, com relação a portadores de necessidades especiais, gênero, geração, orientação sexual ou territorial.
O estudo, divulgado hoje (17/06/09), em São Paulo, e pioneiro no Brasil, foi realizado com o objetivo de dar subsídios para a criação de ações que transformem a escola em um ambiente de promoção da diversidade e do respeito às diferenças.

De acordo com a pesquisa Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep):
  • 96,5% dos entrevistados têm preconceito com relação a portadores de necessidades especiais (PESSOAS COM DEFICIÊNCIA),
  • 94,2% têm preconceito étnico-racial,
  • 93,5% de gênero,
  • 91% de geração,
  • 87,5% socioeconômico,
  • 87,3% com relação à orientação sexual e
  • 75,95% têm preconceito territorial.
Segundo o coordenador do trabalho, José Afonso Mazzon, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), a pesquisa conclui que as escolas são ambientes onde o preconceito é bastante disseminado entre todos os atores.
Não existe alguém que tenha preconceito em relação a uma área e não tenha em relação a outra. A maior parte das pessoas tem de três a cinco áreas de preconceito. O fato de todo indivíduo ser preconceituoso é generalizada e preocupante?, disse.

Com relação à intensidade do preconceito, o estudo avaliou que 38,2% têm mais preconceito com relação ao gênero e que isso parte do homem com relação à mulher.
Com relação à geração (idade), 37,9% têm preconceito principalmente com relação aos idosos.
A intensidade da atitude preconceituosa chega a 32,4% quando se trata de portadores de necessidades especiais e fica em 26,1% com relação à orientação sexual, 25,1% quando se trata de diferença socioeconômica, 22,9% étnico-racial e 20,65% territorial.

O estudo indica ainda que 99,9% dos entrevistados desejam manter distância de algum grupo social.
  • Os deficientes mentais são os que sofrem maior preconceito junto com
  • 98,9% das pessoas com algum nível de distância social,
  • seguido pelos homossexuais com 98,9%,
  • ciganos (97,3%),
  • deficientes físicos (96,2%),
  • índios (95,3%),
  • pobres (94,9%),
  • moradores da periferia ou de favelas (94,6%),
  • moradores da área rural (91,1%) e
  • negros (90,9%).
De acordo com o diretor de Estudos e Acompanhamentos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação (MEC), Daniel Chimenez, o resultado desse estudo será analisado detalhadamente uma vez que o MEC já demonstrou preocupação com o tema e com a necessidade de melhorar o ambiente escolar e de ampliar ações de respeito à diversidade.
Pesquisa na íntegra:

SOS Corpo

Por que democracia e fim da violência contra as mulheres?

Democracia significa o direito de todas as pessoas decidirem sobre os rumos coletivos – de sua comunidade, de seu povo, de seu país.

A democracia significa o direito à voz, enquanto que a violência nos emudece. A democracia abre espaço para expormos nossos conflitos e nossas idéias. A violência impõe uma única crença, visão de mundo, vontade e desejo.

A democracia acontece quando as diferenças não são transformadas em desigualdades. Onde há desigualdade e violência, a democracia não pode se realizar. Ao lutarmos pelo fim da violência, lutamos por democracia no mundo e na vida. O feminismo afirma esta perspectiva ao defender a democratização da política e das relações sociais.

Democracia significa o direito de todas as pessoas decidirem sobre os rumos coletivos – de sua comunidade, de seu povo, de seu país.

A democracia significa o direito à voz, enquanto que a violência nos emudece. A democracia abre espaço para expormos nossos conflitos e nossas idéias. A violência impõe uma única crença, visão de mundo, vontade e desejo.

A democracia acontece quando as diferenças não são transformadas em desigualdades. Onde há desigualdade e violência, a democracia não pode se realizar. Ao lutarmos pelo fim da violência, lutamos por democracia no mundo e na vida. O feminismo afirma esta perspectiva ao defender a democratização da política e das relações sociais.

CONTEXTOS QUE AGRAVAM A VIOLÊNCIA

No Brasil, em diferentes contextos, a violência contra as mulheres está presente e, em alguns, torna-se mais crítica. Nas áreas de garimpo, fronteiras agrícolas ou de conflito provocado pela existência de latifúndios ou de grandes projetos de desenvolvimento, a violência doméstica e a violência sexual ficam invisibilizadas frente a outras formas de violência.

Em várias localidades rurais, terras indígenas e outras comunidades tradicionais, a violência contra as mulheres nem sempre é reconhecida como problema.

Em contextos urbanos, novas formas de violência contra as mulheres surgem, a cada dia.
Nas áreas de conflito armado espa-lhadas pelo mundo, a violência sexual contra as mulheres é uma das primeiras demonstrações de "domínio do território".

Ao longo da história e no cotidiano, a violência contra nós, mulheres, é um meio para nos dominar e submeter. A violência impõe o silêncio, cala nosso descontentamento e mina nossos esforços individuais e coletivos de transformação.

Pelo fato de sermos mulheres numa sociedade patriarcal e racista, estamos sujeitas a sofrer violência desde a infância.

Em nossas casas, muitas de nós sofremos violência doméstica e sexual. Pela vida afora, enfrentamos formas de violência mais sutis, como a humilhação e os maus-tratos. Estas atitudes podem ir destruindo a vontade de ser feliz dentro de nós. Quando nos damos conta, adoecemos ou nos vemos forçadas a abrir mão de nossos desejos e projetos de vida. Em situação de violência, perdemos, em vários momentos, a capacidade humana de transformar cotidianamente nossas vidas. Por isso é tão difícil enfrentar sozinhas a violência.

A violência contra nós, mulheres, acontece nas ruas e, até mesmo, quando procuramos os serviços públicos. Nas relações de trabalho, o maior poder dos homens às vezes se manifesta na prática de assédio sexual e moral contra nós, mulheres.
Pobreza, racismo, lesbofobia

A violência se agrava quando não temos autonomia econômica e acesso a direitos sociais que nos assegurem condições de enfrentar a pobreza.

Agrava-se muito se somos mulheres negras, como consequência do racismo predominante na sociedade brasileira. As marcas da violência contra mulheres negras e índias estão presentes desde o processo de colonização – na violação sexual praticada por senhores brancos – e se manifestam até hoje, por exemplo, em formas específicas de violência, como o tráfico para fins de exploração sexual, e na forma como as mulheres negras têm sido representadas na mídia.

Sendo lésbicas, além das formas de violência impostas às mulheres, sofremos ainda as decorrentes da lesbofobia (aversão às relações afetivo-sexuais entre mulheres).
Queremos democracia, autonomia e liberdade para as mulheres

A violência impede que nós mulheres decidamos nossos rumos – o que vestir, para onde ir, como viver nossas relações afetivas ou participar da vida política e ser sujeito.

Queremos democracia como poder sobre a nossa própria vida. Democracia é também viver com autonomia e liberdade. A violência nega este direito às mulheres.

Para que a violência contra as mulheres tenha fim, é necessário enfrentar os valores e idéias que ainda naturalizam este tipo de violência e que tentam justificá-la. Contribui para a naturalização da violência o "mito do amor romântico", que valoriza a idéia de posse (somos um/uma do/a outro/a), o ciúme e várias formas de controle sobre nós mulheres. Assim, a intimidação psicológica e a agressão física são vistas como demonstração de "afeto".

É necessário questionar e transformar as estruturas que reproduzem a desigualdade entre homens e mulheres, a desigualdade econômica e o racismo nas relações sociais.

A ação do Estado é imprescindível, por meio de políticas públicas que garantam a assistência e segurança às mulheres em situação de violência. Políticas que promovam o fim da impunidade e que criem as condições para uma vida autônoma para as mulheres, viabilizando renda, moradia, saúde e proteção social.

O Estado deve garantir às mulheres o acesso aos direitos já conquistados por meio da implementação de políticas públicas universais. Além disso, deve reconhecer e garantir os direitos pelos quais ainda lutamos.
Junte-se a nós!

Acesse os materiais de divulgação da Campanha em nosso site: www.soscorpo.org.br.
Você também pode solicitá-los por carta ou escrevendo para o e-mail sos@soscorpo.org.br.

Os materiais podem ser reproduzidos e divulgados por todas as pessoas, organizações, grupos e movimentos sociais que queiram se somar à luta feminista pelo fim da violência contra as mulheres!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A boneca que falava e vivia no sol.

Por Leandra Migotto Certeza em 15/06/09.

Flutuava. Era de cristal. A boneca que vivia no sol começou a falar. Tinha mais ou menos 9 meses e só alguns centímetros. Tão pequena que parecia um bebê, mas não era. Tati era o centro das atenções do céu. Raio e chuva, seus pais, viviam brigando por ela, e para saber o que fazer com ela. Brisa, sua avó materna, nunca a tirava do colo. Vento, seu avó materno, a admirava com muita tristeza, e a provia de todas as necessidades.

Tempestade, sua tia-avó materna, cuidada com tanto zelo dela, que se esqueceu de ouvir as primeiras palavras que Tati disse quando deixou de ser um bebê. Nuvem, sua tia materna, a olhava com o rabo de olho, e o pé atrás. Tinha receio de perder seu lugar no céu, por isso, tratava Tati como uma eterna criança.

Tati gostava de ser criança, e ao mesmo tempo não. Adorava o colo da avó, mas sabia que um dia iria cair do céu e deixar de viver no sol. Sabia também que viver na Terra era muito dolorido, por isso, preferia a dor de ser levada de um lado para o outro, como um saco de batatas que seus pais carregavam para cima e para baixo, sempre com o coração do tamanho de uma ervilha.

Ser uma boneca era muito bom. Tinha tudo sempre à mão: guloseimas, brinquedos, passeios, carinho e, principalmente, atenção. Era o centro das atenções. O raio, a chuva, a tempestade, a brisa, a nuvem e o vento, viviam ao seu redor. Nunca a abandonavam, nem mesmo para deixá-la sozinha com seus pensamentos. Isso era bom? No começo sim. Foi ótimo ter todas as dores aplacadas por remedinhos, comidinhas e carinhos. Ser o centro das atenções a livrou da insuportável dor do medo de viver quebrada, por dentro e por fora.

Tati nasceu toda esfacelada. Os pedacinhos do seu corpo foram colados de qualquer jeito, e ela nem teve tempo de dizer como queria ser. Não entendia porque tanto sofrimento. Não sabia o que tinha feito para merecer tanta dor. Viver no sol era seu maior conforto. Lá era quente, acolhedor, seguro, e o mais legal, era um lugar privilegiado.

As estrelas tinham seu brilho, mas Tati era o centro delas. Viver no sol, trouxe calor para cada pedacinho do seu corpo, tão frágil e desamparado. Sem ele não seria capaz estar no céu. Lá pode ser feliz. Brincou como uma criança até mais ou menos 14 anos. Mas era muito engraçado como Tati sabia que não era mais criança, e mesmo assim gostava de ser uma marionete nas mãos das pessoas, em especial de seus pais.

O peso do seu leve corpo era tão grande que ela achava que não conseguia carregar sozinha, por isso, optou por fingir ser criança até mais tarde, quando encontrou o mar, seu eterno, único e verdadeiro amor, e tudo começou a tremer dentro dela. Mas esta é uma outra estória que ela conta depois.

Agora Tati quer se lembrar de quando era uma ‘boneca-bebê’ que falava. Nasceu com olhos grandes; cabeça maior e em forma de triângulo; cochas roliças; pernas curtas e braços compridos; cabelos castanhos bem finos; dedos alongados, e mãos perfeitas. Tati adorava suas mãos e dedos. Era a única parte do seu corpo que achava igual a das outras bonecas do céu. Ela não queria ter nascido feita de pano, palha ou plástico, mas ser de cristal era extremamente perigoso e trabalhoso. Chato até.

Tinha sempre que se proteger. Até de si mesma. Quebrava qualquer pedacinho do seu corpo, só de respirar. Por isso, fingiu que era feita de aço, e nunca deixou de se divertir pulando de bundinha pelo céu. Suas pernas não tinham força, mas em compensação, sua voz era mais forte do que o trovão, seu único irmão. Gritava tanto que o sol tremia, mas seu coração não percebia o mal que fazia a si mesma. Ganhou fama de dona do céu. Adorava esse título, mas não sabia até quando conseguiria carregar o peso de ser o centro das atenções.

Falar cedo foi sua tábua de salvação. O céu era muito grande e o sol muito quente. Quando disse as primeiras palavras, pode conhecer o horizonte da imaginação. Perdeu-se nele, e se entregou a ele em seus mais doces sonhos. Trovão, seu único irmão, sempre a despertava com tanta violência que Tati, voltava a se entregar nos braços do horizonte, com medo do barulho que todos os trovões têm. Como uma onda no mar, foi e voltou da sua imaginação várias vezes. A cada retorno quebrava um pedacinho da sua alma. Eram marcas que nunca seriam apagadas da sua memória, principalmente, no momento de fazer a primeira viagem ao Centro da Terra.

As outras bonecas tinham inveja da sua condição de rainha, mas Tati não achava a menor graça o peso de sua coroa. Era obrigada a exibi-la para todos no céu. Era o troféu mais esquisito que o céu ganhara, sem saber o motivo. Luz só tinha dito ao céu que foi um acidente, Tati ter nascido de cristal.

A boneca que falava e vivia no sol, perguntou inúmeras vezes porque não tinha nascido igual às outras, que eram como lindas bailarinas, mas nunca encontrou uma resposta verdadeira. Por isso, pensava que tinha sido ela quem pediu para vir ao céu em um corpo de cristal. Achava que era sua máxima e eterna culpa. E que a carregaria para todo o sempre. Por isso, tinha que levar alguma vantagem nessa estória.

Viver no reino da fantasia sabendo que já tinha crescido, foi a melhor tática que encontrou para continuar viva, mesmo sem saber. Assim, conseguia observar de longe, e bem segura, todas as outras bonecas se transformando em seres humanos, ao chegarem a Terra. Ela seria a última, ou uma das últimas, pois até então, ainda não conhecia outras bonecas iguais a ela. Raio e chuva a escondiam dentro de suas capas feitas de aço. Assim, era bem mais difícil Tati conseguir fugir e dar as mãos para o arco-íris rumo ao Centro da Terra.

Um dia, a boneca que falava e vivia no sol, conseguiu ver o pote de ouro do outro lado do arco-íris, e resolveu dar uma espiada nas condições da viagem que sempre soube que faria um dia, mais cedo ou mais tarde. Antes tarde do que nunca, já dizia sua outra tia-materna, a estrela cadente. Tati tirava todas as suas dúvidas com ela porque sabia que era a única capaz de entender seus mais íntimos desejos. Tão íntimos que o mar, seu eterno e único amor verdadeiro, ainda está conhecendo bem devagar, cada desejo seu.

Tati deu várias espiadas ao Centro da Terra, mas sempre amparada pelo cometa, que na verdade, era uma cometa com cara de anjo, mas que de boazinha não tinha nada. Passava tão depressa que Tati, às vezes, não conseguiu segui-la, mesmo que desejasse com seu mais profundo desejo. Um dia a cometa surgiu em sua vida com tamanha força que Tati não resistiu e subiu em sua cauda. Viajaram juntas por muitas galáxias, mas a boneca que falava e vivia no sol ainda não estava preparada para virar gente; e a cometa entendeu suas emoções.

Hoje Tati viaja na cauda da cometa com muito mais segurança, e principalmente, conforto. É uma viagem longa, cheia de tempestades, trovões, maremotos, vulcões, rochas, e muitas pedras pelo caminho, mas a boneca que falava e vivia no sol, está decidida a virar gente e entrar bem devagar no Centro da Terra, para ser de cristal, mas deixar de chamar a atenção de si mesma.

Não vai mais carregar nenhum peso nas costas, ser marionete de ninguém, e muito menos o centro das atenções. Será apenas mais uma boneca que virou gente e conquistou seu espaço na Terra, e não no centro dela. O maior desafio agora é Tati aprender a viver parecendo uma simples boneca, que sempre será de cristal, e chamará a atenção de todos, mas nunca deixará de ser e viver como gente, com todas as dores e delícias de ser HUMANA.

A história de Jéssica



Chamo-me Jéssica, tenho 17 anos.Sou uma pessoa muito feliz.Namoro o Thiago, o amor da minha vida.Sou alfabetizada, estou na sétima série.Falo inglês, sei um pouco de libras, francês.Navego na Internet.Sou recreadora de crianças.Faço e vendo bijuteria.Sou muito independente, viajo sozinha, ando de ônibus urbano e vou ao banco.Sou muito amada pelos meus Familiares e amigos.Tenho uma Cachorra muito fofa “Perola”.Enfim sou uma adolescente igual a qualquer menina de minha idade.Mas nem sempre minha vida foi assim.

Quando nasci, minha mãe percebeu que eu era diferente, embora ela falasse para os médicos, eles diziam que era da cabeça dela. Mesmo desacreditada minha mãe insistiu. Minha correu atrás de terapias tratamento mesmo não sabendo o que eu tinha.Houve momentos que chamaram minha mãe de louca. Ela percebia que meu desenvolvimento era diferente, demorei em levantar a cabeça, sentar, andar, falar, muitas infecções, uma criança muito irritada, Hiperativa... Por ironia do destino tive meningite bacteriana aos 16 meses, que atrasou ainda mas o meu desenvolvimento, andei com quase 3 anos, sempre tive muita dificuldades motoras. Passaram a tratar seqüela de Meningite, embora minha mãe nunca concordou com este diagnóstico.

Só descobriram o que eu tinha aos 7 anos, isto porque minha mãe encontrou com um médico americano no corredor de um hospital e ele disse que eu tinha Síndrome de Williams. Minha família me levou a uma geneticista e lá foi diagnosticada a Síndrome de Williams. Uma síndrome genética que falta um pedaço do cromossomo 7 , não tenho elastina , tenho muito cálcio no corpo, já operei 2 vezes da estenose aórtica supravalvar, tenho problema na bexiga, dor de ouvido, muita dificuldade para amarrar cadarço, não sei o que é direita ou esquerda, sou muito ansiosa, uso óculos, usei aparelho no dente, porque meus dentes eram para fora.Se vcs quiserem saber mais entrem na Internet: http://www.swbrasil.org.br/

Minha mãe me colocou na creche aos 4 meses,porque ela sempre trabalhou fora. No segundo dia chamaram a minha mãe para perguntar o que eu tinha, minha falou que os médicos diziam que eu era normal. Era uma loucura, eles não sabiam como lidar comigo, eu era muito chorona e mole, todo começo de ano não queriam que eu mudasse de turma, por que eu não acompanhava as outras crianças, minha mãe exigia que ficasse com crianças de minha idade, ela sempre acreditou que eu convivendo com pessoas da mesma idade eu ia ter referencia passando a acompanhar meus amiguinhos e isso sempre aconteceu embora mais lento.
Com isso eu mesmo atrasada acabava aprendendo com meus amiguinhos, minha mãe era tirada de mãe chata, ela nunca me tratou diferente. Ela sempre foi muito general, nunca me deixou ter privilégio sempre exigiu que minhas dificuldades fossem respeitadas, mas que eu fosse tratada igual meus amiguinhos. Tanto que minha mãe me mudou 2 vezes de creche porque as tias estavam me mimando muito, e eu manipulava as tias.Aos 5 anos fui estudar Escola Municipal de Educação Infantil, próxima de casa, como sempre chamaram meus Pais no segundo dia de aula para perguntar o que e tinha e avisaram que eles não estavam preparados para lidar comigo, queriam diminuir o meu horário escolar, meus pais não concordaram. Falaram que sabiam que eu era diferente mas como os médicos não haviam dado diagnóstico, eu era tratada como um pessoa normal.

Nesta EMEI aconteceu de tudo, ficava isolada no canto da sala de aula, todos dias a professora reclamava que não sabia como trabalhar comigo. Eu ficava perambulando pela escola, me molhava no bebedouro, sumiam meus materiais escolares, eu não me integrava com a turma.O Relacionamento da minha família com a escola piorou quando começaram a acontecer coisas desagradáveis como:- Molhar toda a escola com uma mangueira que achei ligada.- Desligar o quadro de força que achei aberto.- Pintar uma parede que o pintor esqueceu de guardar as tintas.- Tomar chuva durante 4 horas no play ground da escola porque a professora me esqueceu, como conseqüência acabei pegando uma pneumonia ficando indo parar numa UTI.- Apanhar todos os dias das outras crianças- Fugir da escola em horário de aula.- Bilhetes mal educados da professora.Houve até boletins de ocorrências em delegacias.
Nesta época já se falavam em SAPNE (sala de apoio pedagógico para pessoas com necessidades Especiais) Eu freqüentava pela manhã e ia a para a EMEI a tarde , Era muito longe tinha que atravessar a cidade, acordava de madrugada, estava sempre cansada e de mal humor.Como eu já estava com 7 anos, meus pais resolveram entrar na justiça para conseguir uma escola adequada as minhas necessidades, por falta de opção acabei indo estudar numa sala especial.

E studei lá por 3 anos apesar de ter aprendido muita coisa hoje sei que foi perca de tempo, a sala tinha 8 colegas de várias deficiência acabava aprendendo as manias deles, chorava para não ir, fugia da sala e ia para sala dos “ditos normais”. No segundo ano de sala especial,na escola ia ter uma feira de ciência e minha sala ia falar sobre o papel, ai a sala foi fazer uma visita a uma fabrica de papel, neste dia minha mãe recebeu um bilhete da professora, que não havia prestado atenção e nem me interessei por nada, no dia da feira minha mãe me levou para a minha sala A professora tinha feito uma market de todo o processo da fabrica, ai entrou uma senhora e eu perguntei se ela queria uma explicação, expliquei tudo que haviam falado lá, neste dia eu convenci minha família que eu estava num lugar errado.
Embora minha família sem condição financeira, sempre tive acesso todos os profissionais (fono, psicólogo, neuropsicologo, psicopedagoga, terapeuta ocupacional, musico terapeuta, psicomotrocista) necessários para o meu desenvolvimento, isto era possível porque minha mãe teve a cara de pau de ir a consultórios e pedir a possibilidade de me atenderem gratuito ou pagamento simbólico, ou até mesmo fazer faxina no consultório para pagar as terapias. Com este fato citado acima minha mãe relatou para eles e os mesmo se juntaram e me aplicaram vários testes.

O resultado foi que eu estava acima daquela turma, era por isto que eu não prestava atenção em nada.Naquela época já se falava em INCLUSÂO, orientaram a escola para me incluir na primeira série. A escola teve muita resistência em me incluir alegando que eu não estava preparada e no ano seguinte eu estava novamente na classe especial. Novamente no segundo dia de aula a professora falou que não estava preparada para lidar comigo, neste dia minha mãe explodiu e falou tudo que pensava de um educador, falou coisas horríveis.Minha mãe me levou para casa com a certeza que nunca mais eu pisava numa escola, mas graças Deus a professora ligou a noite para minha mãe e pediu desculpas, disse que ela precisava ouvir tudo aquilo, disse também que estava muito envergonhada, falou do medo que ela sentia em relação a mim e pediu ajuda para minha mãe.I sto fez muita diferença as duas passaram a trabalharem juntas, falando a mesma língua, em 3 meses eu estava alfabetizada.No ano seguinte fui “incluída”.

Vocês devem estar pensando que é um final feliz, pasmem foi ai que começaram todos os meus pesadelos.Fui “incluída” numa classe com 42 alunos, a professora recém formada com mais 2 hiperativos na sala. Eu ficava jogada no fundo da sala de aula, sumiam todos os meus materiais, apanhava dos colegas, a professora não me dava atividades, ficava passeando pelos corredores era um pesadelo para todos, minha mãe era proibida de entrar na escola, quando ela ia falar com a direção eles alegavam que a “ inclusão” não tinha dado certo e eu tinha que voltar para sala especial mas minha família acreditavam na minha capacidade, sabiam que eu não estava sendo atendida de maneira adequada.

Minha mãe continuava recebendo os bilhetes de reclamações, Um dia ligaram para minha mãe ir me buscar porque eu estava agressiva na sala reclamara que eu tinha enfiado um lápis no ouvido de um colega de sala de aula, minha mãe foi muito preocupada porque eu sempre fui dócil e amável, minha mãe saiu comigo sentou no banco da praça e me perguntou o porque? Mostrei minha orelha toda ensangüentada e disse para ela:- Ontem o colega puxou minha orelha até sangrar fui falar para a professora e ela falou:- Bem feito quem mandou você mexer com ele.- Hoje eu fui me vingar. Minha mãe chorou e voltamos na escola ela pediu para ver o livro de ocorrências e não tinha nada relatada do fato do dia seguinte, ai minha mãe exigiu que também constasse no livro o acontecido e o colega também recebesse advertência igual eu.Meus pais se sentiam constrangidos quando iam à reunião de pais os assuntos sempre era eu. Um dia minha mãe foi falar com coordenadora Pedagógica da escola e ela muito impaciente falou para a minha mãe que ela enchia o saco, quem era minha mãe para ensinar o serviço para ela, sendo que ela tinha 18 aos de pedagogia.

Neste dia minha mãe cansada de tudo saiu da escola e foi para o fórum, chegando lá pediu para falar com o juiz da vara do menor, falaram que ele não a receberia , minha mãe deu uma de louca ficou 4 horas sentou na porta dele, quando começou chegar a imprensa o juiz a recebeu, minha mãe explicou tudo que estava acontecendo e pediu uma autorização para eu ficar em casa sem estudar. Inconformado o Juiz pediu explicação para a secretária de Educação, a escola respondeu que minha mãe era omissa e eu não tinha atendimento, (como já citei acima sempre tive todos profissionais necessários para meu desenvolvimento) ai minha mãe mostrou todos os laudos que tinha, o juiz viu que eles que eram omissos .

Foi marcada uma reunião com todos os profissionais que me acompanhavam (19), conselhos e meus pais, foram 4 horas de reunião e esclarecido tudo. A escola foi reformada para se adequarem as minhas necessidades, a direção afastada, todos se conscientizaram e passaram a respeitar minhas limitações, também adaptaram o currículo escolar. Com esta intervenção eu e meus colegas com deficiências tivemos um ganho muito grande acabaram as salas especiais todos foram incluídos.Estudei nesta escola até a terceira série, ai minha mãe acabou me tirando por conta da escola ser longe e eu tinha que tomar 2 condução para chegar.
Fui estudar numa escola próxima de casa, no começo se assustaram porque eu fui a primeira com deficiência a estudar lá, eu e minha mãe esclarecemos tudo e eu ensinei eles a lidar comigo, estudei lá por 2 anos.Tive problemas na quinta série, primeiro queriam me dar atestado de terminalidade. Eu não queria parar de estudar, então minha família me matriculou numa escola Publica muito famosa. Novamente voltamos a lutar, a escola funcionava com classes ambientes ( o aluno que vai até o professor), nos intervalos eu me perdia acabava estudando em sala errada, eu ia todos os dias, mas ficava com falta.

Mi ha mãe tentou de todas as formas tentar ajudar a escola , mas eles tinham muita resistência em ouvir minha mãe, até a professora da quarta série foi até a escola para ensin- los como lidar comigo, mas nem isto adiantou, na matemática sei fazer as 4 operações com material dourado , o professor de matemática não sabia usar este material, não consigo copiar a lição da lousa com rapidez, o professor apagava antes de eu te copiado, só escrevo com letra de forma o professor de português exigia que eu escrevesse com letra cursiva, tentamos de todas as formas para eu permanecer na escola.

No final do ano eu muito decepcionada e frustrada decidi que ia parar de estudar. Minha família me aconselhava não desistir minha mãe falava que acreditava em mim, que eu tinha potencial. Depois de muita insistência minha mãe me falou do CIEJA ( Centro Integrado de Educação de Jovens e adultos ), me pediu para eu ir conhecer, lá fui muito bem recebida, me identifiquei muito com meus colegas com a minha idade. Estou estudando lá há 2 anos. O sistema educacional do CIEJA é por ciclos , cada um corresponde há 2 série escolares estou no terceiro que corresponde a sétima série.

Quando tinha 11 anos percebi que minha família estava me protegendo muito, tinha uma moça que trabalhava em casa para cuidar de mim, eu não saia sozinha, minha mãe ou meu pai me levava para a escola e meus irmãos me buscavam. Eu sabia que eles faziam isto porque gostavam de mim. Mas me sentia sufocada, eu sempre tive a liberdade de falar tudo que penso em casa sempre tive o direito a voz e voto como qualquer membro de minha família, um dia resolvi ter uma conversa séria com eles, comecei perguntando se eles confiavam em mim , todos disseram que sim, ai eu questionei porque eu precisava de babá, porque eu não podia ir a padaria, na feira sair sozinha, falei que não era mais um bebê? Foi como eu tivesse jogado uma bomba em casa, uma revolução, me pediram um tempo, vi minha mãe muito preocupada afinal ela sempre esteve do meu lado.

A primeira vez que me deixaram ir à padaria só , encontrei o meu vizinho na rua que me pegou na mão e me levou de volta para casa dizendo que eu estava fugindo, minha esclareceu que eu ia a padaria, ele chamou minha mãe de louca.Uma vez estava esperando meu irmão num terminal de ônibus o fiscal chamou a policia dizendo que eu estava perdida nem me perguntaram nada e me levaram para a delegacia ai chegou lá dei o endereço de casa e o telefone da minha mãe ai ela foi lá me buscar.O próximo passo foi me ensinar a ir só para a escola, sei que não devo falar com estranhos, depois tiraram a babá. A primeira vez que fiquei só em casa cheguei muito atrasada na escola, ai minha família percebeu a minha dificuldade com horário, minha mãe comprou vários despertadores coloridos para tocarem nos horários necessários, eu me guiava pelas as cores, hoje sei ver a hora no relógio digital.

Como tenho falta de coordenação motora apertei muito o botão do micro ondas (1 hora) ao colocar um pão para descongelar e ele pegou fogo, minha mãe descartou o micro, e colocou Rabo quente (uma boca de fogão elétrica), nosso fogão tinha acendimento automático, girei vários botões coloquei fogo no fogão , minha mãe descartou o acendimento automático, não uso o fogão porque não gosto de fósforos. Mas já estou aprendendo a usar o fogão e cozinhar afinal um dia quero ter minha casa.È muito engraçado as pessoas ainda não estão acostumados com a minha independência vivem me perguntando se estou perdida.

Sofri muitos preconceitos, nunca liguei para isto, aprendi a lidar, quando tinha 5 anos reconheço que eu era um pouco esquisita: usava botas ortopédicas, tampão no olho, aparelho no dente e babava. Moramos num prédio, quando descia para brincar as crianças me mandavam embora, como sempre ganhei muitos brinquedos da moda, eu descia com o brinquedo que eles não tinham ai brincavam comigo, com isto conquistei a todos. Na escola aprendi a conquistar meus colegas , temos que mostrar as nossas qualidades para as pessoas compreenderem que somos como qualquer pessoa e respeitarem nossas limitação.Outro dia entrei no ônibus quando me sentei ao lado de um senhor ele imediatamente se levantou, preferiu ir de pé, ai eu perguntei para ele qual o preconceito que ele estava sentindo, só queria entende se era porque sou pobre, negra, mulher ou porque tenho deficiência ele ficou bravo desceu no próximo ponto.

Já sofri tentativa de abuso sexual na escola, graças a Deus minha mãe sempre conversou sobre este assunto comigo e eu aprendi a identificar quando somos obrigados a fazer o que não queremos, ai eu corri e denunciei eles para a direção da escola.Quando estou sozinha não falo com ninguém e nem sento com homens no ônibus, por uma vez eu sentei e ele pos as mãos nas minhas pernas, levantei e me mudei de lugar , me senti muito triste, liguei para minha mãe que me esperou no final com a policia.

Quero casar com o Thiago e ter filhos, dizem que meus filhos terão a SW, para mim não tem problema nenhum tenho muito orgulho de ter SW e daí se meus filhos tiverem, tenho certeza que eles serão pessoas maravilhosas.Participo da Associação Brasileira de síndrome de Williams, que minha mãe acabou se juntando com outras mães e fundando, lá é muito legal, mas fico muito preocupada com meus amigos. Tenho alguns que tem a minha idade e suas mães ainda os tratam como bebês, outros que não conseguiram estudar, outros que a família não acredita no potencial deles, mas espero um dia mudar tudo isto e todos terem a mesma oportunidade que eu tive.Tenho muitos amores, minha mãe, meu pai, meus 2 irmãos (maternos), minhas Irmãs(paternas) enfim toda famílias toda, Meus amigos, a coisa fofa da Perola, e o meu amor Thiago, estamos namorando desde o Natal , ele me faz muito feliz, ele também tem Síndrome de Williams e as nossas famílias dão o maior apoio.

Vou terminar dando um conselho para os pais de pessoas como eu: Não mimem seus filhos trate eles iguais a qualquer filho, acredite em seu filho o futuro dele será o que você correr hoje lembre se seu filho tem deficiência , mas não é incapaz.Conselho para Professores: Quando você receber uma pessoa com qualquer deficiência não tenha medo não somos ETs somos seres humanos iguais a vocês, não tenham medo de perguntar para nos ou nossas mães a suas duvidas. Não somos um transtorno e sim uma pessoas que tem direito de cidadão de estudar como qualquer um.Me magoa muito me lembrar dos professores que não me aceitaram, mas de uma coisa eu tenho certeza eles perderam a única oportunidade de morar no meu coração, todos as pessoas que acreditaram em mim tem um lugar especial no meu coração.
Agradeço a minha Família principalmente minha mãe que sempre lutou por mim , graças a ela hoje eu sou uma cidadã. Agradeço a todos que sempre acreditaram em mim.Espero que me história ajude a muitas pessoas vencerem o preconceito e melhora a qualidade de vida sendo INLUIDO na sociedade.