sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

CARTAS LANÇADAS A UM OCEANO FORA DO TEMPO


                                     Carolina Maria de Jesus

Texto de Regina Dalcastagnè
Para Maria Clara Machado, que foi ponte.
A escrita também pode ser lugar de espera, carta lançada ao mar que talvez nunca chegue ao seu destino, daí encontros que só acontecem assim, aninhados no papel (ou na tela do computador) e na vontade de um terceiro, que escreve. 
É quando o discurso deixa de ser ferramenta de convencimento do outro e passa a ser guarida, superfície que acolhe e se entrega como possibilidade. Que este seja, então, espaço para um encontro que nunca houve: entre as escritoras Carolina Maria de Jesus (1914-1977) e Françoise Ega (1920-1976), uma martiniquense que emigrou para a França durante a Segunda Guerra Mundial. 
                                            Françoise Ega 

Não tenho intenção de fazer um trabalho comparativo entre duas autoras negras, pobres e exploradas que lutaram bravamente por seu lugar no mundo – e no campo literário. Pretendo apenas juntar duas vozes que, acredito, teriam se alegrado ao se tocar, e convidar outras pessoas a participar desse diálogo.
Quando publicou seu Quarto de despejo, em 1960, Carolina Maria de Jesus certamente não tinha ideia de quantas vidas iria atingir, não só no Brasil, mas em diferentes países, com sua narrativa. Gente que, como ela, não entrou no mundo pela sala de visitas, mas pelo quintal. 

Conceição Evaristo conta, em entrevista, do desejo de escrita que surge em sua mãe, também empregada doméstica, a partir do contato com o texto da autora: “Nas páginas da outra favelada nós nos encontrávamos. Conhecíamos, como Carolina, a aflição da fome. E daí ela percebeu que podia escrever como a outra, porque ela era também a Outra... São lindos os originais de minha mãe, caderninhos velhos, folhas faltando, exteriorizando a pobreza em que vivíamos. Ali, para além de suas carências, ela se valeu da magia da escrita e tentou, como Carolina, manipular as armas próprias do sujeito alfabetizado”.
Escrever, especialmente para aqueles que adquiriram recentemente essa capacidade, parece ser uma maneira de reafirmar sua presença no mundo. Colocar-se em palavras seria, nesse caso, uma forma de participar de uma coletividade marcada pela escrita e, ao mesmo tempo, ser reconhecido como indivíduo, portanto, único. 
Como bem mostra a repercussão da obra de Carolina Maria de Jesus, é também um modo de alcançar o outro e compartilhar experiências que costumam ser invisibilizadas nos mais diferentes discursos e espaços sociais. A potência revolucionária da escrita reside no seu convite implícito para que leitores se transformem em novos produtores, como defendia Walter Benjamin.
Françoise Ega já não era uma jovenzinha quando leu um resumo de Quarto de despejo na revista Paris Match – seu único luxo de empregada doméstica em Marselha –, enquanto ia de ônibus para o trabalho. Era uma mulher experiente de 40 anos, tinha atuação política em sua comunidade, cinco filhos pequenos para criar e nenhum tempo livre. 
Tocada pelo que sentiu ser uma experiência comum entre os seus, resolveu escrever um livro como uma carta a uma mulher que nunca veria e que, sabia bem, jamais a leria. Lettres a une noire (Cartas a uma negra), que começou a ser produzido em 1962 e só foi publicado em 1978, após a sua morte (e a de Carolina Maria de Jesus), é um impressionante apelo à compreensão de sua própria existência e do desespero de outras imigrantes em condições ainda piores do que as dela.
Assim como Dona Joana, a mãe de Conceição Evaristo, Françoise Ega se reconhece na escrita de Carolina, lembrando que “as misérias dos pobres do mundo inteiro se parecem como irmãs”. Por isso decide começar esse livro, para evitar que essas histórias de vida fossem apagadas, como tantas outras. Mas segue fazendo-o por uma necessidade própria, como se usasse o “diálogo” estabelecido para refletir sobre sua escrita e, de algum modo, aplacar sua angústia. Seus filhos riem de seu esforço, seu marido debocha de sua presunção. Ela mesma chega a duvidar do que está fazendo, mas prossegue:
Faz um mês que parei de escrever, de falar com você, Carolina, porque meu primogênito riu, ele me disse com sua lógica infantil que era ridículo escrever a uma pessoa que jamais me lerá. Eu sei, eu repito isso para mim em um sussurro, mas ele me disse em alto e bom som, tanto que seus irmãos repetiram em coro: “Tá! Por que você diz coisas a Carolina? Ela não fala francês”. Nós não falamos a mesma língua, é verdade, mas o idioma do nosso coração é o mesmo e é bom se encontrar em algum lugar, onde nossas almas se juntem. Hoje, eu retomei minha serenidade e converso com você, eu me sinto tranquila.
Do outro lado do oceano, Carolina Maria de Jesus poderia responder: “Hoje eu estou com frio. Frio interno e externo. Eu estava sentada ao sol escrevendo e supliquei, oh meu Deus!, preciso de voz”.
O livro é concebido como um conjunto de cartas, todas datadas, sendo que a primeira é de maio de 1962 e a última de 23 de junho de 1964. (Lembro que Quarto de despejo, que tem a estrutura de um diário, começa em 15 de julho de 1955 e termina em 1º de janeiro de 1960.) As cartas, que algumas vezes são tão curtas quanto bilhetes, vão adquirindo outros matizes ao longo do livro: poderiam ser páginas de um diário, ou breves crônicas, mas alcançam, de qualquer modo, unidade narrativa. 
E ganham força ao incluir outras personagens – faxineiras e empregadas domésticas, mas especialmente patroas e seus filhos mimados. Afinal, é na relação entre patrões e empregadas que vemos aflorar as tensões e o preconceito. Como quando, no auge do verão em Marselha, em seu apartamento fechado e sufocante, uma francesa estranha o fato de sua faxineira antilhana reclamar do calor ali dentro: “Apoiada em minha vassoura, eu falei da imensa sombra proporcionada pelas mangueiras, do frescor trazido pelos ventos alísios e das janelas abertas para acolhê-lo, de persianas aspirando o ar, de rios, de banhos de mar”.
A resposta saudosa de Ega, que não esconde uma ponta de indignação – completada com o relato a Carolina sobre o mau cheiro dos quartos fechados e do quão exóticas as patroas podem ser –, toma novas formas ao longo da narrativa, mas, muitas vezes, não passa de silêncio amargo, que reverbera depois, no texto. É o que acontece, por exemplo, quando ela conta da patroa que decide chamá-la de Renée, o nome da empregada afastada que ela está substituindo, porque prefere não mudar seus hábitos. 
O livro, assim, não deixa de ser também um retrato da elite francesa: pessoas mesquinhas, exploradoras, com hábitos retrógrados e um tanto estúpidas. Afinal, não é a França vislumbrada por intelectuais e turistas na Rive Gauche, mas aquela vista a partir da entrada de serviço, por sobre o cabo da vassoura e do esfregão. Como em toda a obra de Carolina Maria de Jesus, mas, especialmente, em Diário de Bitita, em que ela mostra a cara – deformada pelos séculos de escravidão – da elite brasileira:
Se o filho do patrão espancasse o filho da cozinheira, ela não podia reclamar para não perder o emprego. Mas se a cozinheira tinha filha, pobre negrinha! O filho da patroa a utilizaria para o seu noviciado sexual. Meninas que ainda estavam pensando nas bonecas, nas cirandas e cirandinhas eram brutalizadas pelos filhos do senhor Pereira, Moreira, Oliveira e outros porqueiras que vieram do além-mar.
Ao contrário de Carolina Maria de Jesus, que abandonou o trabalho doméstico – preferindo a precariedade maior da coleta e venda de material reciclável, nos termos de hoje – para poder ter tempo para a escrita, Françoise Ega (que era casada e possuía uma situação financeira muito mais estável) começou a trabalhar como faxineira para entender melhor as dificuldades de jovens imigrantes que ela auxiliava em sua comunidade. 
Não se tratava, é claro, de algum tipo de experiência antropológica, nem de uma imersão com objetivos literários. Sua escrita e seu trabalho, ao que parece, andavam juntos. Ela, com o primário completo e um curso de datilografia, podia tentar emprego em algum escritório, como seu marido insistia de vez em quando, mas o relato feito a Carolina diz outra coisa: “Eu tinha lido em um jornal que precisavam de uma datilógrafa para uma substituição. Eu me apresentei, mas a diretora do escritório me disse que o lugar já não estava vago. Ela me olhou com espanto, percebi que minha pele a surpreendeu”. Por fim, a mulher lhe oferece trabalho como faxineira.

Ao mesmo tempo em que escrevia suas cartas, Françoise Ega preparava um outro livro, Le temps des madras (O tempo de madras), com as memórias de sua infância e adolescência na Martinica (obra que certamente mereceria uma comparação com as memórias de Carolina Maria de Jesus em Diário de Bitita). 

Em Lettres a une noire, Ega fala com carinho da própria escrita. Conta do volume de folhas que cresce devagar – e de como o deboche do marido, um ex-militar que trabalha em um hospital, diminui em proporção inversa, até que ele passa a chamá-la carinhosamente de “minha escritora” –, do susto com a perda e posterior recuperação dos manuscritos, do dia em que ela entra em uma livraria para perguntar ao vendedor o que devia fazer para publicar seu livro, da preocupação com as mãos estragadas ao levar os originais para uma editora em Paris. Le temps des madras foi publicado pela L’Harmattan em 1966, mesma editora que publicou Lettres a une noire e, também postumamente, o romance inacabado L’alizé ne soufflait plus (Os alísios não sopram mais), em 2000.
Françoise Ega tenta por várias vezes estabelecer contato com Carolina Maria de Jesus. Chega a enviar o marido em busca do jornalista da Paris Match que escreveu sobre Quarto de despejo, mas, pelo jeito, nunca obteve resultado. Não consegui localizar, até agora, nenhum estudo, sequer algum comentário sobre seu livro no Brasil. Em notas, artigos e teses em inglês, francês e espanhol, o foco se concentra em Ega, sem muito cuidado em relação à destinatária de suas cartas. 
Há os que dizem que escrevia a uma amiga, outros parecem pensar que é uma personagem, têm aqueles que se referem a Carolina como “uma brasileira das favelas do Rio de Janeiro” e os que a incluem apenas em uma nota de rodapé. Pouquíssimos buscam pensar a relação estabelecida na narrativa. São textos sobre militância feminina, diáspora negra, trabalho de imigrantes e algumas raras análises literárias, em sua maioria voltadas para uma reflexão mais ampla sobre a literatura antilhana produzida por mulheres. Há, até, um tom mais condescendente, como costuma acontecer com a própria Carolina Maria de Jesus. Mas a recepção dessas obras, vasto território a ser desbravado, é assunto para uma outra discussão.
Importa, neste primeiro momento, observar a reverberação de vozes que muitos, mesmo dentro do campo literário, gostariam de ver silenciadas. Ao incluir Carolina Maria de Jesus em sua escrita, não como inspiração, ou como citação, mas como presença viva, Françoise Ega dá solidez ao seu texto e ao de sua “irmã” brasileira. Vincula-se a uma outra tradição literária, que lhe permite, enfim, ser protagonista de sua própria história. Não tenho dúvidas de que Carolina se sentiria honrada por estar ali, entre mulheres, negras e trabalhadoras, entre aquelas que pensam o mundo e, ao reconstruí-lo poeticamente, o ampliam diante de nossos olhos.
Fonte: 
http://www.suplementopernambuco.com.br/edi%C3%A7%C3%B5es-anteriores/2008-cartas-lan%C3%A7adas-a-um-oceano-fora-do-tempo.htm

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

DESTRUIR RETROCESSOS DE 2017 PARA CONSTRUIR 2018 SOLIDÁRIO E INCLUSIVO !


Desejo que tenhamos muita força e coragem para enfrentarmos um Ano NOVO repleto de gigantescos desafios!
Que todos os fenomenais retrocessos de 2017 sejam destruídos e transformados em reflexões para uma temporada de SOLIDARIEDADE, UNIÃO, RESPEITO, INCLUSÃO, E DIVERSIDADE!!





ESTES SÃO OS MEUS DESEJOS PARA 2018.... 

VIVEREI 365 DIAS ACREDITANDO E ENVIANDO ENERGIAS POSITIVAS AO UNIVERSO PARA CONSEGUIR REALIZAR TODOS! E VOCÊS?



Descrição da imagem: vários símbolos de pessoas diferentes, brancas, negras, com deficiência, mulheres, homens, indígenas entre outras e uma frase escrita: "Tenho o direito de ser igual quando a diferença me inferioriza. Tenho direito de ser diferente quando a igualdade me descaracteriza" - Boaventura de Souza Santos.E abaixo da imagem está escrito: "O meu mundo é aberto a diversidade humana. Eu apoio essa ideia!" 



Descrição da imagem: lindas borboletas bem coloridas pousadas em uma flor laranja. 




Descrição da imagem: perfil de mulher negra com turbante colorido em um fundo lilás com desenhos africanos.  



Descrição da imagem: foto em preto e branco da escritora Conceição Evaristo com o microfone nas mãos onde está escrito: "A nossa escrevivência não pode ser lida como história para ninar os da casa grande e sim para comodá-los em seus sonhos injustos". 


Descrição da imagem: desenho de bonequinhos coloridos bem diferentes, um com cabelo castanho e óculos, outro ruivo, uma menina loira com cegueira e bengala, e menino negro sentado em uma cadeira de rodas. A frase escrita é: "Como as aves, as pessoas são diferentes em seus voos, mas iguais no direito de voar".  




Descrição da imagem: desenho de várias pessoas diferentes, uma negra sentada na cadeira de rodas com o computador no colo, uma loira de muletas, um rapaz com cegueira e seu cão-guia, uma mulher atleta com duas próteses nas pernas, um rapaz com surdez falando em Língua Brasileira de Sinais, e uma mulher sentada na cadeira de rodas falando por meio se sinais nas mãos com uma criança sem deficiência. A frase que está escrito em um fundo vermelho é: "Capacitismo Não!" 



Descrição da imagem: desenho de uma rampa e uma pessoa com deficiência física descendo com a cadeira de rodas. O texto escrito é: "Rampa de acesso não decoração. Se o seu estabelecimento não tem ele não é para todos".

Descrição da imagem: imagem do símbolo da justiça carregando uma placa com a seguinte frase: "A impunidade é a mãe da corrupção!". 




Descrição da imagem: foto em preto e branco da escritora Carolina Maria de Jesus onde está escrito a frase dela: "Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o seu sonho era escrever e o podre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Sejao que Deus quiser. Eu escrevi a realidade". 



Descrição da imagem: foto colorida da Maria da Penha, ativista pelos Direitos Humanos das Mulheres. Ela está sentada em sua cadeira de rodas e segura uma faixa colorida onde está escrito: "Homem de verdade não bate em mulher". 




Descrição da imagem: desenho de 5 bonequinhos representando a diversidade crianças. Uma é negra e está com um vestido rosa, outro é um menino com camiseta amarela e sentado em uma cadeira de rodas, outra tem cegueira, usa um vestido vermelho e uma bengala, um garotinho sem deficiência ao lado e no canto direito uma velinha sorrindo. A baixo da imagem está escrito: "A educação é um direito de todos".  



Descrição da imagem: ilustração colorida onde várias mãos também coloridas estão carimbadas em fundo branco e abaixo está os símbolos das principais deficiências: visual, auditiva, física, intelectual, além do símbolo de uma mulher grávida, um idoso, uma pessoa com muletas.   














domingo, 24 de dezembro de 2017

O verdadeiro espírito do NATAL é a SOLIDARIEDADE INCLUSIVA!!

Vídeos promocionais levam mensagens inclusivas!


Neste vídeo promocional de uma marca de alimentos, a mensagem de solidariedade aparece em uma menina com Síndrome de Down que aprende a correr com a ajuda de uma amigo muito especial, um ex-corredor mais velho negro que vive sozinho em uma casa perto de onde ela mora. O amigo a incentiva a continuar treinando muito, empresta o seu cachorro para ela continuar treinando todos os dias. E no final ela vence a corrida do bairro e chama o amigo para passar a noite de natal na casa dela com toda a sua família.  


Já neste vídeo promocional de uma marca de roupas, uma menina tenta falar com a vizinha nova da rua e não consegue porque ela não responde. Então, a menina percebe que ela não escuta e começa a aprender a falar em Língua Brasileira de Sinais. E quando a encontra na noite de natal se aproxima dela tocando no ombro e falando em LIBRAS - "Oi! Meu nome é Rita. Feliz Natal Você quer brincar?" 

FELIZ NATAL E ANO NOVO SEM PRECONCEITOS


Descrição da imagem: vários bonequinhos coloridos com fundo também coloridos, enfileirados um ao lado do outro.

FELIZ NATAL DA DIVERSIDADE HUMANA!
QUE 2018 SEJA UM ANO NOVO SEM PRECONCEITOS, DISCRIMINAÇÕES, CAPACITISMO (preconceitos contra pessoas com deficiência), RACISMO, MACHISMO, HOMOFOBIA E TODAS AS FORMAS DE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA!

Descrição da imagem: desenho do Papai Noel em um fundo azul com estrela onde está escrito: Natal da Diversidade. E na foto abaixo eu estou ao lado do Papai Noel com Síndrome de Down em uma festa da ABSW. 


Descrição das imagens: a primeira imagem tem duas mulheres vestidas com gorrinho de Natal vermelho olhando uma para outra com paixão. E a segunda imagem tem dois homens também se olhando com rostinho colado e enrolados em luzinhas de Natal. 


Descrição das imagens: são três Papai Noel diferentes, um sentado na cadeira de rodas, outro com bengala usada por pessoas com cegueira e óculos escuros, e o último usando as mãos para falar em LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais. 



Descrição das imagens: na primeira é uma moça oriental vestida com roupas de natal, a segunda é um Papai Noel negro de óculos, e na terceira é uma família de pessoas negras com roupas em estilo africano bem coloridas em volta de uma mesa de Natal com frutas, velas e instrumentos musicais.    

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Leandra Migotto Certreza entrevista com exclusividade João Simões - ator da peça Colegas





Pessoal, é com grande alegria e satisfação, que compartilho com vocês uma ótima entrevista que realizei com exclusividade!

Assisti a peça "Colegas no teatro" e tive a maravilhosa oportunidade de estar ao lado dos três atores e atrizes. Foi uma experiência incrível e muito enriquecedora!!


Vejam como João Simões, terceiro entrevistado, já atuou em várias peças e diz que é isso o que ele gosta na vida: ser ator!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Leandra Migotto Certeza entrevistada por estudantes da ECA USP








Foi com grande alegria que recebi estudantes da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo em minha casa para ser entrevistada em dezembro de 2017. 

Conversamos sobre o histórico de ostracismo, preconceitos, estigmas e discriminações que as pessoas com deficiência passaram e ainda vivem. Falamos também sobre o novo termo utilizado hoje: o CAPACITISMO.

Em sociedades capacitistas, a ausência de qualquer deficiência é vista como o 'normal', e pessoas com alguma deficiência são entendidas como 'exceções'; a deficiência é vista como algo a ser superado ou corrigido, se possível por intervenção médica.

Um exemplo de postura capacitista é dirigir-se ao acompanhante de uma pessoa com deficiência em vez de dirigir-se diretamente à própria pessoa.

Também conversamos sobre o a imagem de esteriótipo e discriminação - velada e/ou explícita - de que as pessoas com deficiência são - na maioria das vezes - rotuladas de heróis ou coitadinhos! 

Assistam a entrevista, comentem e compartilhem! E depois leiam o texto que escrevi sobre o tema:  

Leandra MIgotto Certeza entrevista com exclusividade Giulia Merigo - atr...





OUÇAM ESTE VÍDEO COM FONES DE OUVIDO!! 

Pessoal, é com grande alegria e satisfação, que compartilho com vocês uma ótima entrevista que realizei com exclusividade!


Assisti a peça "Colegas no teatro" e tive a maravilhosa oportunidade de estar ao lado dos três atores e atrizes. Foi uma experiência incrível e muito enriquecedora!!



A atriz Giulia Merigo foi a segunda entrevistada. Ela nos contou que faz teatro há mais tempo e participa de duas companhias. Assistam! Comentem! E compartilhem!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Leandra Migotto Certeza entrevista com exclusividade Ian Pereira - ator ...





Pessoal, é com grande alegria e satisfação, que compartilho com vocês uma ótima entrevista que realizei com exclusividade!


Assisti a peça "Colegas no teatro" e tive a maravilhosa oportunidade de estar ao lado dos três atores e atrizes. Foi uma experiência incrível e muito enriquecedora!!



Vejam como Ian, primeiro entrevistado, fala da importância do teatro em sua vida. Comentem! 




E compartilhem! Amanhã publico a próxima entrevista com a atriz Giulia Merigo.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O Brasil lidera o ranking mundial de homicídios de travestis e transexuais.

O que é um nome? O nome é aquilo que de fato nós somos. Leandra é o nome que o Brasil conheceu em 2017, um nome que representa o corpo no qual ela se reconhece.


E é por isso que diversas mulheres e homens no Brasil batalharam para ter seus nomes respeitados. Pessoas que um dia acordaram, se olharam no espelho e perceberam que são mais do que aquilo que foi colocado biologicamente, também são o conjunto psicológico, cultural e querem ter a estética que se reconhecem.

Para além de decretos judiciários, a população trans luta para ser tratada e reconhecida como ser humano e o primeiro passo é o nome.

O Brasil lidera o ranking mundial de homicídios de travestis e transexuais. Tudo o que conseguimos e chamamos de avanço foi o direito à existência: um decreto que autoriza o uso do nome e o acesso por uma portaria do SUS ao processo de transexualização. E quando pensamos que conseguiríamos mais avanços, nosso país foi tomado por uma onda conservadora que anda dominando os territórios que ocupamos. As mídias livres se posicionaram e tomaram conta das redes sociais, como o Facebook. E na semana passada, ela foi colocada à margem, no território em que a sereia nasceu. Foi negado o direito básico de sua existência. O mundo chama Leandra e o preconceito cala esse nome.

[…] Hoje mudo meu discurso sobre nunca ter sido desrespeitada, violada, atacada e censurada. O “destaque”, adquirido através do meu trabalho em conjunto com grupos de luta incríveis e revolucionários, me trouxe carinho, admiração e respeito, mas tem efeitos colaterais. Pela primeira vez, pude senti-los de forma drástica:

No último dia 17 de novembro de 2017 tive meu perfil no Facebook atacado por grupos de ódio organizados em massa. O alvo foi uma foto com o amigo, também deficiente, Marco Gaverio (doutorando em ciências sociais UFSCar).Em suma, os ataques eram direcionados ao fato de termos nossos corpos bem longe do que o “padrão” podrão impõe.

Em um país onde as pessoas com deficiência não são ouvidas da maneira que deveriam e travestis sequer tem oportunidade de fala, incomoda ver um ser “estranho”, ”bizarro”, ocupando lugar de fala e mérito. Dói muito ver “O TRAVECO ALEIJADO” tornando-se referência e conquistando, no grito, dignidade e um espaço já deveriam ser garantidos a nós, taxados como “minorias”, mas que o conservadorismo de mente fechada, cega e ignorante nos rouba.

Agora vem a cereja do bolo: minutos depois dos ataques, meu perfil da plataforma do Facebook caiu. O próprio site de relacionamentos, devido às varias denúncias, me enviou um “lindo” comunicado: “Parece que você está usando um nome no Facebook que viola as nossas políticas.”. Eu explico: denunciaram meu perfil por uso de nome falso e agora o Facebook não me permite usar meu nome social sem antes comprová-lo enviando meus documentos que, devido a “ágil justiça” (sentiram minha ironia?) para pessoas Trans no Brasil, não são retificados. Sem pensar nessa questão, sem me dar opções de justificar meu nome social, o site derruba meu perfil e, sem uma análise criteriosa, resolve alterar para o gênero masculino, me levando a desativar meu próprio perfil devido ao constrangimento.

Agora, o grande questionamento: Quem culpar? As pessoas frágeis, mesquinhas e desinformadas que denunciaram minha conta na tentativa fútil de me calar, ou a uma plataforma com mais de 1,2 bilhão de usuários que não está preparada pra lidar com esse tipo de situação e assegurar o direito pelo uso nome social às pessoas Transexuais? A campanha do orgulho serve de que? “Celebrate Pride” do que? Pra quem?


Um recado: NADA VAI ME CALAR! Perdi uma batalha hoje, mas não perdi a guerra. Só saio do campo se todxs os meus deixarem de resistir, e sabe quando isso vai acontecer se depender de mim? 
Nunca.



Introdução : Karina Pierroti
Revisão : Melissa de Assis 
Fonte original: 


http://midianinja.org/leandrinhaduart/doi-muito-ver-o-traveco-aleijado-tornando-se-referencia/
Data da publicação: 19 de novembro de 2017. 




_________________________________________________________________




Eu, Leandra Migotto Certeza, conheci a minha querida xará em um lindo evento organizado pelo SESC Pompéia em junho de 2017! Leiam um trecho da reportagem que fiz sobre o nosso encontro:
Durante o "Boteco da Diversidade" muitas pessoas fizeram perguntas e ouviram suas histórias contadas com um bom humor incrível, Leandrinha fez questão de dizer: 
“Ainda somos superprotegidos de uma forma ridícula, vetados de conhecer nosso próprio corpo! Nosso papel é mostrar justamente o contrário! Meu corpo faz sexo e precisa de sexo, eu preciso conhecer meu corpo como qualquer outra pessoa dita ‘normal’. Por isso digo a sociedade que eu desejo, eu gozo, faço gozar, eu chupo e quero ser chupada, eu dou e eu como, sem que isso seja considerada a oitava praga do Egito. Sou um corpo igual aos demais, com algumas limitações e só isso”.
Leandrinha também nos contou em entrevista exclusiva, que desde quando resolveu criar a página e escrever textos eróticos, reflexões, postar vídeos e levantar debates, bate muito na tecla das pessoas se conhecerem como são. 
“Eu sei que escrevo para ‘corpos fora dos padrões’, pessoas com deficiência, e mulheres fragilizadas com seu corpo com a estima no chão, ambos inseguros por não agradar o resto do mundo. Durante minhas apresentações artísticas começo falando da minha sexualidade e fazendo reflexões sobre corpo, empoderamento e aceitação em cima do que eu já vivi. E no final, o melhor que acontece é a identificação das pessoas com minha história e um novo ângulo de como ver todas essas adversidade que a vida põe em nossos caminhos”, concluiu. 
E para aproveitar a reportagem inteira vá neste site: