“Não quero ser tolerada! Exijo respeito!”
sexta-feira, 3 de dezembro de 2021
NÃO QUERO SER TOLERADA, EXIJO RESPEITO!
DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
“Nada sobre nós, sem nós” e “Nossos passos vêm de longe”
segunda-feira, 29 de novembro de 2021
SEMANA DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE A NOVA AVALIAÇÃO DA DEFICIÊNCIA - De 29/11 até 03/12- 19h
segunda-feira, 22 de novembro de 2021
Escutemos as vozes das escritoras brasileiras esquecidas pela história.
Autor do texto: Fred di Giacomo
"O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora." As reflexões da poeta mineira, que viveu parte de sua vida em uma favela de São Paulo, ainda ressoam atuais em nossa terra em transe. Carolina não grita sozinha. Ecoam com ela a utopia feminista da pioneira da ficção científica no Brasil e a luta abolicionista da fundadora da nossa literatura afro-brasileira. Mas quem são essas mulheres? Por que ficamos tanto tempo sem escutar suas vozes? Peço licença aos três filhos de Carolina que fazem barulho no seu barraco para que possamos escutá-la mais uma vez.
É que estamos em comemoração. Dia 30 deste setembro, a clássica estreia literária de Carolina torna-se sessentona. Com mais de 80 mil exemplares vendidos (número raro na literatura nacional) Quarto de despejo: Diário de uma Favelada foi escrito em formato de longos diários pela mineira Carolina Maria de Jesus. Ela já batalhava com os versos há 20 anos quando, finalmente, viu seu primeiro livro publicado. Apesar de ter esgotado seus primeiros 10 mil exemplares em apenas uma semana e ter sido traduzido para dezesseis línguas, a obra de Carolina, uma mulher negra e favelada, foi vista por muito tempo como "menor", como algo exótico, algo válido mais como documento histórico do que com curiosidade e isso a deixou deprimida". Infelizmente, a trajetória de Carolina não é uma exceção por essas bandas. Apenas a partir da segunda metade do século XX passou a ser "normal" ver mulheres escritoras se destacando no campo literário nacional. Mas quem são as outras Carolinas que escreveram livros fundamentais em todos cantos do Brasil, mas acabaram esquecidas pela história?
A ficção científica no Brasil tem mãe: Emília Freitas.
No país onde o presidente da república diz que ter uma filha mulher foi uma "fraquejada", imaginar uma sociedade comandada por mulheres e regida pela sororidade parece utopia ou realismo fantástico. No final do século XIX, quando mulheres não votavam e a democracia dava seus primeiros passos, então, só com muita imaginação. O primeiro romance de ficção científica publicado por essas bandas foi parido por uma mulher do interior cearense. Nascida em 1855, na pequena e quente Jaguaribe, a pioneira Emília Freitas escreveu A Rainha do Ignoto, no final do século XIX, publicando-o em 1899.
O livro descreve a utopia de uma sociedade fantástica e secreta formada só por mulheres, e liderada pela Rainha do Ignoto. A bondosa rainha, e suas paladinas, dedicavam-se a resgatar mulheres que sofriam de violência, solidão ou depressão. A obra, cujo prefácio avisava "não ter padrinho, nem molde", possui o melhor das ficções científicas: uma profunda reflexão sobre questões reais através das metáforas da fantasia. No entanto, tem poucas edições. A editora Fora do Ar preparou uma versão caprichada e ilustrada do livro de Emília, que você pode apoiar no Catarse.
Freitas, que é considerada por muitos uma precursora do feminismo, foi também abolicionista. Neste ponto, ela não foi a primeira. Maria Firmina dos Reis, nascida em São Luís do Maranhão, coleciona em seu currículo literário uma imensidão de pioneirismos. Ainda reinavam a escravidão e a monarquia no Brasil, quando Maria tornou-se a primeira romancista do Brasil ao publicar, em 1859, seu romance Úrsula. Negra e nordestina, Maria inaugurou a literatura afro-brasileira com nosso primeiro romance abolicionista. Narrado, em primeira pessoa, a obra retrata mais de 150 anos antes do fundamental "Um defeito de cor", como a personagem Mãe Suzana foi sequestrada e escravizada no continente africano, separada de sua família e de suas raízes e trazida num navio negreiro para o Brasil.
Não contente com todos esses marcos literários, Maria Firmina, que ganhava o pão como educadora, ainda criou a primeira escola mista no Brasil (em uma época em que meninos e meninas deviam ficar em colégios separados). O escândalo foi tanto que seu colégio não durou três anos.
Da primeira escritora até Carolina
Da primeira escritora até Carolina Quando São Paulo ainda era vila esquecida - terra dos tupis, dos guaranis e dos bandeirantes, orbitando as riquezas produzidas no nordeste brasileiro, nasceu Teresa Margarida da Silva Horta, a primeiríssima escritora de ficção em língua portuguesa. Isso no distante ano de 1711.
Cinderela do Brasil colonial, Teresa viu sua vida mudar bruscamente ainda criança: seu pai, com quem se mudou menina para Portugal, era um homem pobre que ascendeu socialmente. Vivendo em Lisboa, Teresa Margarida estudou na capital portuguesa e teve 12 filhos. Publicou, no ano de 1752, o romance Aventuras de Diófanes, considerado a primeira ficção escrita em língua portuguesa por uma mulher.
Teresa Margarida, Emília e Maria Firmina são pioneiras pouco estudadas em nossas colégios. Suas obras não caem no vestibular, nem são citadas no ENEM. Mas essas artistas foram as precursoras que sedimentaram o caminho espinhoso que, a hoje festejada, Carolina Maria de Jesus trilhou no século XX. Vinda da pequena Sacramento para a favela do Canindé, Carolina, muito mais do que Nélson Rodrigues, descreveu a vida como ela é. Suas personagens eram humanas, esféricas, reais. A própria narradora não se pintava de "fada sem defeitos"; era, na verdade, muitas vezes maldosa com os vizinhos, considerando-se melhor que eles por gostar de ler e escrever.
Sua linguagem mesclava o português oral "errado" (que lembra a estética adotada por bandas de rap, como o Trilha Sonora do Gueto), com achados poéticos e palavras garimpadas do português erudito. Quarto de despejo faz 60 anos já redescoberto e deixando, aos poucos, de ser cult para tornar-se clássico. Mas não deveria ser exceção. Carolina não existiu sozinha. É necessário ouvir as vozes das outras Carolinas esquecidas por nossa história. Essas seguem repetindo infinitamente a rotina de invisibilidade e afazeres domésticos às quais foram relegadas em seu tempo.
O que faz lembrar o final simples, impactante e dolorido de Quarto de despejo, o projeto literário de uma artista cuja principal obra foi sobreviver: "1 de janeiro de 1960 Levantei às 5 horas e fui carregar água".
Este texto foi originalmente postado em https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/arte-fora-dos-centros/2020/09/10/escutemos-as-vozes-das-escritoras-brasileiras-esquecidas-pela-historia.htm
Fred di Giacomo: Caipira punk de Penápolis, sertão paulista, Fred Di Giacomo é escritor e jornalista. Foi editor e professor na Énois, escola de jornalismo para jovens de periferia, onde editou o "Prato Firmeza: guia gastronômico das quebradas de SP" (finalista do Prêmio Jabuti). Seu primeiro romance "Desamparo" (Reformatório, 2018) foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e um dos vencedores do Edital Para Publicação de Livros da Cidade de São Paulo. Nesta coluna, propõe um espaço para refletir, investigar e divulgar o trabalho de artistas do interior, sertões, pampas e florestas que se encontram longe demais de grandes capitais.
sexta-feira, 8 de outubro de 2021
A Palavra Líquida | Debate "Escrita feminina contemporânea" com Leandra Caleidoscópica
quarta-feira, 22 de setembro de 2021
Café Polifônico - Luta por Direitos Humanos - 26/09/2021 às 18hs no Museu Vozes Diversas
O Café Polifônico de setembro traz o tema: "Luta por Direitos Humanos". Contamos com a presença de Izabel Maior e Shirley Menezes. Na mediação: Leandra Caleidoscópica.
terça-feira, 21 de setembro de 2021
DIA NACIONAL DE LUTA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA - Não quero ser tolerada! Exijo respeito!
Olá! Muito prazer! Eu sou Leandra Caleidoscópica, poeta, escritora e jornalista. Eu sou uma mulher de pele branca. Tenho olhos castanhos e sobrancelhas grossas. Meus cabelos também são castanhos e estão lisos na altura dos ombros. Tenho o rosto um pouco triangular, uma das características da minha deficiência física. Estou com lápis preto nos olhos, sombra e batom marrons. Uso uma blusa rosa de decote redondo com corações bordados e um colar colorido. Atrás de mim tem um guarda-roupas de madeira com duas portas nas cores marrom claro e escuro.
Neste 21 de setembro, Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, não quero ser TOLERADA, exijo RESPEITO!
Eu nasci, existo e permaneço. A cada olhar de preconceito, devolvo com um sorriso. A cada ato de discriminação, combato com um grito! A cada exclusão, imponho minha presença! A cada porta fechada, abro muitas janelas nas mídias sociais e denuncio!! E se for preciso PROCESSO!
Ninguém tem a obrigação de me aceitar, muito menos de me tolerar. Todos podem desejar que eu morra ou que viva bem longe. Mas NUNCA conseguirão que estes pensamentos tão mesquinhos e nojentos ultrapassem suas mentes e corações. Nada e nem ninguém me atingirá! E muito menos me derrubará!
Então, sugiro que gritem bem alto de baixo do chuveiro ou entre os seus travesseiros para que ninguém ouça. Por que da porta pra fora do seu quarto, você vive em SOCIEDADE e eu FAÇO PARTE DELA!! Você tem a OBRIGAÇÃO LEGAL de me RESPEITAR!! Será que me expressei de forma objetiva, ou preciso repetir?
Leia esta frase como se eu estivesse falando bem alto no seu ouvido, tá? EU EXISTO E VOCÊ TEM A OBRIGAÇÃO LEGAL DE ME RESPEITAR – EXATAMENTE COMO EU SOU – SEMPRE QUE ESTIVERMOS NOS MESMOS ESPAÇOS CONVIVENDO EM SOCIEDADE!! EU NÃO ATRAPALHO NINGUÉM!!
Ah… E só mais uma coisinha: EU TAMBÉM TENHO O DIREITO LEGAL E LEGÍTIMO DE ESTAR EM QUALQUER LUGAR QUE EU DESEJE! VOCÊ NÃO PODE ME IMPEDIR DE ABSOLUTAMENTE NADA! ENTENDEU?
Eu posso frequentar exatamente a mesma escola ou faculdade que o seu filho! Eu posso trabalhar no supermercado que você faz compras ou na multinacional da sua filha. Eu também vou aparecer ao seu lado na danceteria, hotel ou cruzeiro.
Posso morar bem ao seu lado, no mesmo condomínio, rua ou bairro. Eu estou passeando pelos parques, praças e vielas da sua cidade. Eu consigo visitar os centros culturais da sua comunidade. Viajo para praias, campos, e qualquer ponto turístico. Também ando pelas ruas, estradas, calçadas, passarelas, ciclovias, aviões, trens, barcos, metrôs, ônibus e elevadores!
E não esqueça que eu TENHO TOTAL DIREITO CONSTITUCIONAL de trabalhar e estudar em qualquer profissão que eu deseje e tenha qualificações. Então, não ‘se assuste’ se você for atendida por mim em um hospital, escritório de advocacia, táxi, igreja, centro de pesquisa científica, bar, multinacional, órgão público, universidade, casa de show, companhia aérea, padaria, restaurante, empresa de comunicação, salão de beleza, gabinetes da câmara municipal, da assembléia legislativa e do judiciário! Em tantos outros lugares!! Até pesquisando sobre vida em outros planetas!
Bem que eu gostaria de povoar um novo espaço nas galáxias totalmente livre de CRIMES DE DISCRIMINAÇÃO e CAPACITISMO. Mas por enquanto, vivo aqui na TERRA, juntinho com você e todos que me amam ou me odeiam!! Vou lutar até o último dia da minha vida, para simplesmente SER FELIZ EM PAZ!
E a cada OBSTÁCULO, BARREIRA, PRECONCEITO OU ATÉ PROJETO DE LEI INCONSTITUCIONAL, que você ou qualquer um achar que colocou na minha frente para me atrapalhar, eu vou aumentar a minha carga de energia vital para PERMANECER COM ALEGRIA EXATAMENTE AO SEU LADO, TE MOSTRANDO COMO É POSSÍVEL E ENRIQUECEDOR VIVERMOS JUNTOS, NOS RESPEITANDO!! Ah… só mais uma coisinha: você não precisa me INCLUIR em nada porque eu JÁ FAÇO PARTE DA MESMA SOCIEDADE QUE A SUA!!
Criação do texto e gravação da imagem: @leandracaleidoscopica - Leandra Migotto Certeza Intérprete de Libras: @claudiav__ferreira - Claudia Ferreira Legendas e edição de vídeo: @ju.jaspion - Juliana Keiko Realização: @vozesdiversas - Museu Vozes Diversas
quarta-feira, 4 de agosto de 2021
Acessibilidade na arte contemporânea e nas redes sociais - Um Novo Olhar de Arte/Educação
#pratodosverem: sobre o fundo branco, abaixo, alinhado à esquerda temos em letras maiúsculas, em negrito “PALESTRANTES:” Abaixo temos escrito em letras pretas, com o nome dos palestrantes em negrito: Patrícia Dorneles (Mediadora) - Coordenadora das ações de acessibilidade do projeto Um Novo Olhar e co-organizadora do Encontro Um Novo Olhar de Arte/Educação + Acessibilidade (Rio de Janeiro - RJ)”; “@leandracaleidoscopica - poeta, escritora, editora, jornalista e influencer (São Paulo - SP)”; “Sara Nina - artista, professora, pesquisadora e influencer (São Paulo - SP)”; “Robson Xavier - coordenador do curso Artes Visuais + Educação + Acessibilidade + Decolonialismo e co-organizador do Encontro Um Novo Olhar de Arte/Educação + Acessibilidade (João Pessoa - PB)”.

