quarta-feira, 1 de maio de 2013

Dia Internacional do Trabalhador

Queridas leitoras e queridos leitores do Caleidoscópio, 

O ótimo artigo do meu amigo Jorge Márcio, foi o gatilho que eu precisava para começar a elaborar uma crônica muito dolorosa e deliciosa que eu estou carinhosamente gestando (no intelecto e na alma) há anos sobre a minha vida laboral e carreira como jornalista com deficiência física desde 1998. 

Esta nova crônica será o primeiro registro da minha trajetória pelo mundo do trabalho, assim como foi a crônica "Ser e Estar" (http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=6186), sobre minha vida escolar, que foi premiada em Classificação de Excelência no “Concurso de Periodismo y Comunicación Sociedad para Todos” na Associación Capital Humano na Colômbia em 2003.

A crônica foi publicada em diversos portais, além da obra: “Educação Inclusiva: o que o professor te a ver com isso?” (pg: 81/82 da Rede SACI/ Imprensa Oficial em 2005), e um trecho na 3° edição da Revista Síndromes (pg. 32). Também foi publicada no portal Inclusão Já - http://inclusaoja.com.br, que luta em defesa do direito a educação inclusiva para apoiar às políticas públicas em prol de uma sociedade brasileira, que respeita e aceita toda a diversidade humana, começando pelo alicerce fundamental da cidadania: a educação! 

Mas como agora estou super atolada com muitos textos para escrever (quanto trabalho!), por hora, fiquem com a leitura das indicações bibliográficas do Jorge, e aguardem a minha interessante história pelo 'mundo das reportagens', desde 1996 (quando ingressei na universidade) até hoje. 

Boa leitura e ótimo dia do trabalhador! Abraços carinhosos, Leandra. 


SOMOS TRABALHADORES COM "SAÚDE"? COM DOR OU ARDOR NAS LUTAS E LABUTAS? ATÉ QUANDO?


Imagem – a figura de SÍSIFO, em uma pintura clássica de Tiziano Vecellio, datada de 1549, onde está pintado o mítico mortal que traz sobre as costas uma enorme pedra, em movimento de subida de uma montanha. Ele recebeu um castigo de Zeus, por suas ousadias, espertezas e tramas, condenado a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível. Por esse motivo, a tarefa que envolve esforços inúteis passou a ser chamada "Trabalho de Sísifo". Quem são e serão os Zeus destes tempos da Idade Mídia? Os Sísifos nós já os somos e sabemos.

“OCULTO retêm os deuses o vital para os homens, senão comodamente em um só dia trabalharias par teres um ano, podendo em ócio ficar [...] Mas Zeus encolerizado em suas entranhas ocultou, pois foi logrado por Prometeu de curvo tramar, por isso para os homens tramou pesares: ocultou o fogo” (Hesíodo – Os Trabalhos e os Dias)

Esta citação a utilizei em um texto de 2007, dentro de um artigo publicado no livro A Reforma Psiquiátrica no Cotidiano II, onde já falava, como antevisão pessoal, a resposta à indagação deste trecho onde indagava sobre a nossa saúde ao trabalhar.

O texto era sobre o Risco como potencialidade no trabalho com Saúde Mental. Estava ainda no combate cotidiano de um Caps III aqui em Campinas. Não imaginava que iria vivenciar, dois anos depois, um “acidente de trabalho”. Não tinha a resposta sobre a dor que pode nos acompanhar a cada dia nas lutas e, mais ainda, nas labutas.

Hoje, Dia Internacional do Trabalho, ou seja, do trabalha-a-dor, resolvi relembrar este artigo e o que indiquei sobre nossos riscos, principalmente os criativos, mas também os que são negados sobre a realidade dos muitos que se arriscam em todos os campos da atividade laborativa, para que o “trabalho seja um sucesso”.

Somos ainda uma mistura de Sísifos com Prometeus? Sim, pois nosso mundo hipercapitalista, gestado e gerado nos tempos das fábricas do modelo fordista, com sua serialização alienante, indo até os ambientes mais humanizados, com suas ginásticas laborativas, nos ditos tempos modernos, ainda não nos deu o direito ao “fogo” oculto por Zeus.

Aquele que Prometeu roubou há milênios era apenas o que acende e apaga. O fogo que crepita, que ilumina, resolve nosso temor do Outro na escuridão e que nos deu, como história, as nossas primeiras guerras.

O “fogo da grana” que, simbolicamente, atualmente é fugaz e consumidor, ainda nos mantêm fascinados pelo trabalho. E, contentes, como os anões da Branca de Neve, vamos com nossas hipermodernas picaretas extrair novos valores das novas e maquiadas Serras Peladas.

Segundo o sociólogo Richard Sennet estamos nos iludindo, apesar de todas as mudanças para melhor com as novas tecnologias no trabalho, já que a fugacidade de nossos empenhos nos deixa sem um objetivo maior. Nossas construções têm mais de Torres Gêmeas de Wall Street do que Muralha da China para este autor.

Ele nos indaga, com sua posição sobre o trabalho como gênese de nosso caráter, como traços pessoais a que damos valor em nós mesmos. Hoje não mais seriam os que esperamos ou buscamos para que outros nos valorizem.

Estou cercado, onde moro, por trabalhadores e os ruídos que produzem. E, invadido por sua dodecafonia intensa, pois erguem um enorme prédio, posso ver sua célere dedicação à construção, como na música do Chico Buarque.

 As suas atividades não cessam nem mesmo na hora do almoço. Devem fazer turnos para o mesmo, como nos Tempos Modernos de Chaplin. Eu os imagino sendo submetidos àquela máquina à qual Carlitos, experimentalmente, como cobaia humana, engole porcas e parafusos junto com uma espiga de milho. Uma máquina que otimiza o tempo fabril, aumenta a produção e garante, já 1936, apenas lucros. Assistam ao filme e o compreenderão como uma antevisão que nos avisa até da Sociedade do Controle.

Nessa obra prima já poderíamos incluir as indagações de Sennet: “Como decidimos o que tem valor duradouro em nós numa sociedade impaciente, que se concentra no momento imediato?”.

Por isso nos tornamos Sísifos? Por essa velocidade que temos de ter e responder socialmente que não nos deixa ver o fardo que nós carregamos, descarregamos e, inconscientes, novamente carregamos até o monte final e imediatista do lucro.

Não bastou terminarem o grande prédio, a ser totalmente comercial, e, na outra esquina, da mesma rua, grandes máquinas e seus operadores já batem as estacas de outro “empreendimento totalmente vendido”.

A não sinfonia dos motores, serras, brocas, martelos, e, imagino, das mãos sôfregas reinicia uma jornada prometeica. Há trabalho, há riscos e há necessidade de mais uma construção. Surgirá ali mais um templo para os trabalholatras e sua trabalholatria.

O novo momento imediato comprova que novas massas e cimentos, assim como a de homens, se formam/reproduzem para erguer, apesar da dor e do cansaço um novo espaço para outros trabalhadores ou adoradores do próprio umbigo trabalhista.

Em 2007, com citei, já refletia que o “trabalho tem em sua derivação etimológica um componente indicativo de uma das  suas possibilidades de afetar a saúde de quem o exerce”.

Hoje, à tarde, tive de fechar os olhos,o nariz, a boca e os ouvidos. Estavam lançando quilos e mais quilos de poeira da obra. Eles, os trabalhadores em atividade, não pensavam no que inalavam e nem o que, aos transeuntes, impunham como castigo prometeico também.

Segundo a história do trabalho, este termo deriva de ‘tripalium’, do latim, que eram os três paus ou estacas de madeira utilizados para a ‘tortura’ de quem recebia por e para ser um escravo.

 Aquele Império, o mesmo que nos legou o Direito, se sustentava com essas práticas e com o ‘sal-ário’ (salário) utilizados para o disciplinamento e submissão dos corpos que alicerçavam e pavimentaram os monumentos e as Vias Ápias de Roma e de todo o Império.

Os nossos gregos, hoje desempregados e não mais clássicos senhores ou patrões, há alguns milênios nos distinguiram a diferença entre os radicais: “erg”“pónos”. O ergón se aplicava apenas ao trabalho agrícola, à mão na enxada. Este radical está no meu nome: George = agricultor, aquele que trabalha terra.

Já o “pónos’ poderia ser traduzido como ‘fadiga’. É este o trabalho árduo, o dos que carregam as pedras, como Sísifo, e é o termo grego para um dos males que saiu da jarra de Pandora, aplicados aos homens por Zeus. Os ‘males’ que nos restaram como punição a Prometeu que ousou nos entregar o fogo divino.

Nessa mitologia, que aproximo dos nossos dias incendiados da modernidade cansada pela cultura do medo, repetimos, neurótica e histericamente, a submissão dos nossos corpos adestrados, já que “tendo escondido o fogo (pyr), o homem, desfalcado, precisa trabalhar”.

Dessa constatação é que deriva a minha frase: “o Trabalho não dignifica o Homem. O Trabalho Danifica o Homem”, quando se torna escravizante, idolatrado, ocultador de valores, indigno, explorador das vulnerabilidades, desumano, contrário aos Direitos Humanos e pseudo-includente, ou seja, cria, como no caso de pessoas com deficiências, um espaço reservado, porém, sempre subalterno e submetido de quem é incluído.

Por isso, indo além da histórica greve de Chicago, passando, hoje, para as fábricas de roupas de marca que exploram imigrantes, deve-se reconhecer, como Hesíodo, que há “diferentes trabalhos”, assim como “diferenças no trabalho”, como a raça, a orientação sexual, as deficiências ou o gênero, que podem nos trazer ‘dias’ muito díspares. Uns mais duros do que outros. E, as greves já não têm os mesmos objetivos e ideais.

Por exemplo, aos trabalhadores que assisto de minha janela, distante da ‘mão na massa’, só parece restar muito mais ‘pónos’, estafa, exaustão e novas pedras para rolarem. Porém, reconhecendo que não há trabalho sem estes riscos, tento ver nos seus rostos um pouco mais que o suor. Há também sua possibilidade de construção e não corrosão de seu caráter.

Esta perspectiva de um futuro para todos e todas, trabalhadores e trabalhadoras, hoje termos que já não tem os mesmos significados e significantes do passado, exige de nós a construção de outro “prédio” a que chamarei de a Torre de Pisa da ética do trabalho. Um monumento que deverá ser mantido e preservado.

Somos agora, nesse instante das redes e da inteligência coletiva, passíveis de construirmos um novo equilíbrio, uma nova edificação para além das reengenharias, um novo e consistente modo de receber pelo que fazemos ou criamos ou inventamos.

Porém, enfim, será necessário que os sabotadores de nós mesmos, que tenhamos a ideia e não a ilusão de que nossos trabalhos, cada dia mais ‘especialistas’, não são uma ditatorial fonte da Vida.

Não podemos alegar, toscamente, que, por exemplo, se um jovem pode ter alguns “privilégios” como o trabalho com carteira assinada, sua maioridade penal já está consubstanciada por essa condição. Muitas vezes esses trabalhos não são nem serão sua garantia para o usufruto de direito dos bens sociais.

Em tempos de cultura e culto do Medo e da ideologia de segurança privada para alguns, com outras tendências microfascistantes do viver, é urgente que nesse cenário se produzam novas cartografias, novos agenciamentos e encontros, com a suavidade e a inversão de nosso temor de sermos tocados.

Outrora, na escuridão das noites pré-históricas, nos reuníamos em torno do fogo, e nos aproximávamos uns dos outros. Nossa sobrevivência dependia do Outro. Hoje, individualistas e tementes dos riscos, embora eles sejam imanentes a quaisquer trabalhos, aceitamos e naturalizamos quaisquer formas de escravidão, desde as visíveis até as mais sutis.

Voltei ao meu ‘trabalho’ escrito de 2007. Voltei também a refletir sobre a busca de um modo menos endurecido e cristalizador de trabalhar.

O ato de escrever não é, nem será menos nem mais do que aquele trabalho que vejo, sinto e escuto tão perto de minha janela, do meu chão, do meu teto. O que eles constroem para o trabalho futuro de outros também deveria ser mais “ergonômico”, e, dentro da minha visão, menos árduo, sem o temor de construir sincera e eticamente uma torre aparentemente torna e inclinada com estas letras.

Quando a dor ou o ardor do trabalho dos outros me afeta, e os resíduos ou entulhos ideológicos são lançados fora, abrimos novas portas e janelas para formar coletivos criativos de devir afetuoso.

Há futuro para os trabalhadores e trabalhadoras, no meu desejo, se não tememos ousar romper as correntes, visíveis e invisíveis, das estigmatizações, dos preconceitos, das segregações, das flexibilizações, da negação dos direitos adquiridos e conquistados, das ausências de dignidade, das explorações que ainda se perpetuam em nosso país.

O relógio de abertura dos Tempos Modernos não para. O tempo digital não perdoa. A nossa finitude é que continua a mesma, e continuará... Vamos escolher: dor ou ardor? Ou ambas? Ou não?

Copyright/left jorgemarciopereiradeandrade 2013/2014 (favor citar o autor e as fontes em republicações livres pela Internet ou outros meios de comunicação de massas)

Termos e referências ligados ao texto (na Internet):



Dia do Trabalhador 

Tempos Modernos (1936) – Charles Chaplin – (legendado de português, mas ainda não audiodescrito) http://www.youtube.com/watch?v=_kh8QRoe8Bw

LIVROS/AUTORES CITADOS –

OS TRABALHOS E OS DIAS – Hesíodo, Editora Iluminuras, São Paulo, SP, 1990.

A REFORMA PSIQUIÁTRICA NO COTIDIANO II – Emerson Elias Mehry & Heloisa Amaral (Orgs) – O Risco como Potencialidade no Trabalho com Saúde Mental – Jorge Márcio Pereira de Andrade (págs. 82 a 106), Editora Hucitec, São Paulo, SP, 2007.

A CORROSÃO DO CARÁTER – Consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo – Richard Sennet, Editora Record, Rio de Janeiro, 2001.

LEIA TAMBÉM NOS MEUS BLOGS –

TRABALHO ESCRAVO/LEIS - Urgência de Leis mais duras para sua erradicação - OIT pede leis mais duras contra trabalho escravohttp://infonoticiasdefnet.blogspot.com.br/2013/02/trabalho-escravoleis-urgencia-de-leis.html

DEFICIÊNCIAS/TRABALHO - Quantos estão "incluídos" e inseridos no mercado? Números oficiais distintos: quantas pessoas com deficiência trabalham? Vinicius Garcia http://infonoticiasdefnet.blogspot.com.br/2013/01/deficienciastrabalho-quantos-estao.html

LEIS/DEFICIÊNCIAS - Projeto de Lei 4773/12 quer "flexibilizar" as cotas de pessoas com deficiência no trabalho PROJETO FLEXIBILIZA COTA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM EMPRESAS 
A SAÚDE E O SENTIDO PARA A VIDA II - 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Caleidoscópio Comunicações na REATECH 2013





Somos todos exatamente iguais?
Existem robôs ou clones?   
Viveremos para sempre jovens?

Podemos evitar 100% dos acidentes genéticos, de trânsito, armas de fogo, domésticos e/ou de trabalho, diariamente e para sempre? 

É possível prever absolutamente TODAS as doenças que podem causar deficiências e/ou doenças? 


NOVA PALESTRA NA REATECH - XII Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade - Dia 19/04/13 - Sexta-feira

Amigas e amigos, estarei realizando mais uma palestra da Caleidoscópio Comunicações - Consultoria em Inclusão 

Será no REASEM - XII Seminário de Tecnologias de Reabilitação e Inclusão

Espero a fundamental presença de todas e todos! Prestigiem e comentem! 

Filmem, façam fotos e registrem essa importante troca de experiências entre profissionais do setor. 



Data: 19 de Abril de 2013 - Hora: das 14h às 15h - 
GRÁTIS

Tema: A DIVERSIDADE HUMANA FAZ PARTE DA VIDA

Público-alvo: empresas, ONGs, estudantes e grupo de pessoas de todas as áreas de atuação em inclusão de profissionais com deficiência.

Palestrante: LEANDRA MIGOTO CERTEZA

Local: Sala 1 - Piso Térreo Convenções
Rodovia dos Imigrantes - Km 1,5 - São Paulo - 

Transporte acessível e gratuito da Estação do Metrô Jabaquara - Vans saindo da Rua Nelson Fernandes, 400 

Hora do transporte: das 12hs às 22hs (dias 18 e 19) e das 9hs às 20hs (dias 20 e 21).

Informações: Cel: (11) 98697-9067  

https://www.facebook.com/leandra.migottocerteza



Descrição das imagens: logotipos da Reatech e do Reasem e cartum do Ricardo Ferraz. 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Conflitos, Direitos e Diversidade - I Simpósio Internacional de Estudos sobre a Deficiência


Descrição da imagem: logo do I Simpósio Internacional de Estudos sobre a Deficiência "Conflitos, Direitos e Diversidade", onde aparece um mapa mundi abraçado por uma figura representando o ser humano. 

O Memorial da Inclusão: os Caminhos da Pessoa com Deficiência – órgão da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em parceria com o Diversitas, Núcleo de Estudo das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos – FFLCH/USP e o Programa USP Legal, Comissão Permanente para Assuntos Relativos às Pessoas com Deficiência – USP convidam a comunidade acadêmica, bem como profissionais, ativistas e demais interessados e ligados ao universo da Deficiência, para o I Simpósio Internacional de Estudos sobre a Deficiência.

O seminário está estruturado em torno de quatro campos temáticos, de modo a permitir sua apropriação pelas mais variadas áreas do conhecimento e, ao mesmo tempo, delimitar o espectro conceitual das discussões mais recentes sobre o campo da deficiência. Os eixos temáticos foram organizados em quatro Mesas Redondas, bem como servirão para dar sequência aos trabalhos e discussões que pretendemos realizar no evento. São eles: “Corpo, Gênero e Identidade”“Movimentos Sociais”; “Educação e Comunicação”, “Cidade e Direitos”.
O evento será realizado no Hotel Novotel Jaraguá Convention, São Paulo, entre os dias 19 e 21 de junho de 2013, e convida pesquisadores e profissionais da área para submissão de resumos. Os selecionados comporão as Comunicações Coordenadas, cujas áreas temáticas serão organizadas de acordo com os eixos temáticos. 
Os Estudos sobre a Deficiência (Disability Studies)
Os chamados Disability Studies consistem num campo de estudos interdisciplinares que ganhou projeção mundial, tendo origem no contexto anglo-saxão, em meados da década de 1960. A proposta principal desse movimento intelectual, e que, mais tarde, acabou compondo os discursos dos movimentos ligados aos direitos das pessoas com deficiência, é a de que a deficiência não é simplesmente uma tragédia individual cuja solução está reservada aos quartos dos hospitais; ela tem  dimensão social e política. Nessa perspectiva as políticas públicas voltadas para o tema, geram debates públicos que desconstroem preconceitos e retiram da deficiência a noção de ‘doença’, ‘degeneração’ e ‘desvio’ e a situam na perspectiva de uma ‘condição’ – como mulheres, negros, gays, índios e outras minorias.
No Brasil, a despeito da forte influência dos Disability Studies sobre o movimento das pessoas com deficiência, em meados dos anos 1970/80, pouca foi a penetração das discussões no âmbito acadêmico. Além disso, hoje, apesar de uma quantidade razoável de estudos que abordam a temática – majoritariamente na pedagogia , o Brasil ainda não possui uma rede que articule esses pesquisadores e centros de estudo. Em consequência observa-se pouca produção bibliográfica nacional em comparação com a produção internacional.
A intenção da organização desse Simpósio é justamente possibilitar a troca de conhecimento e ampliar os debates e a cooperação internacional.
Por consistir num evento organizado com o apoio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, representado pelo “Memorial da Inclusão: os caminhos da pessoa com deficiência”, a expectativa é que o debate atinja públicos para além dos muros da academia, como militantes, profissionais ligados às instituições de cuidado, de educação e reabilitação entre outros. O evento será transmitido online em tempo real, bem como registrado em áudio e vídeo, e esse material posteriormente será utilizado em publicações, exposições museológicas, material informativo etc.
A proposta central do Simpósio é debater a noção de ‘Deficiência’ nas suas mais diversas implicações, bem como refletir sobre a condição atual das pessoas com deficiência no Brasil. A experiência da exclusão, os dramas identitários, os preconceitos sociais, a condição do indivíduo com o corpo lesionado, as implicações no espaço e tempo urbanos, as políticas públicas e a legislação, e o papel atual dos movimentos sociais, esses temas serão analisados numa perspectiva interdisciplinar.
 Fonte: http://www.diversitas.fflch.usp.br/sied


terça-feira, 19 de março de 2013

Convite para publicar artigos sobre Síndromes

Caras leitoras e leitores do Blog Caleidoscópio, desde 2011, também sou jornalista free lancer da Revista Síndromes – Publicação Multidisciplinar sobre Desenvolvimento Humano da Editora Robles, dirigida por Ismael Robles. 

Por isso, convido vocês para a colaboração por meio de diversos artigos técnicos somente INÉDITOS com temas variados (escritos por profissionais e/ou estudantes de quaisquer áreas) dentro do assunto síndromes em geral. O destaque é para as síndromes mais raras e ainda desconhecidas, mas também abordamos outras síndromes mais discutidas. 

Nossas sessões são: Artigo tema da edição (sobre uma síndrome)
Entrevista (com profissional da área sobre a síndrome tema da edição); 
Desenvolvimento (aspectos médicos ou psicológicos sobre a síndrome tema da edição); Reabilitação (aspectos médicos ou psicológicos sobre a síndrome tema da edição); Inclusão (tema livre sobre diversos aspectos: legislação, educação, cultura, habitação, acessibilidade, transporte, políticas públicas, esportes, lazer dentro do assunto síndromes); Reportagem (matéria sobre uma ONG); 
Artigo do Leitor (tema livre dentro do assunto da revista: Síndromes, Deficiências e/ou Doenças. É possível publicar resumos de teses acadêmicas, desde que sejam inéditas).


Especificações técnicas para publicação dos artigos: 5 ou 6 páginas de Word (artigos maiores poderão ser publicados, desde exista espaço na edição após análise da editora); letra corpo 12, tipologia Arial, entrelinhamento 1,5. Incluir 5 ou 6 referências bibliográficas, um mini-currículo (4 linhas com e-mail para contato e site) com foto em close (resolução para impressão) de cada um dos autores. 

É permitido mais de um autor (e/ou estudante atuante) por artigo de qualquer local do Brasil, desde que seguindo as solicitações técnicas. Enviar o arquivo salvo somente em Word.txt ou Word.doc e caso tenha qualquer tabela, gráfico ou imagem colocar dentro do próprio texto como imagem. Não enviar qualquer imagem em separado. 

Em contrapartida a Revista Síndromes poderá divulgar em suas páginas, até duas obras publicadas por cada autor do artigo. Para isso é preciso enviar imagem e título dos livros junto com cada mini-currículo (de 4 linhas) dentro dos mesmos padrões técnicos estabelecidos. Também enviaremos 2 exemplares de cortesia para os endereços de correio de cada autor.




Encaminhem os artigos e as sugestões de pauta para mim no e-mail: leandramigottocerteza@gmail.com ou liguem para maiores informações: (11) 98697-9067. 

A publicação é comercializada por meio de assinaturas no site: http://revistasindromes.com.

Conheçam a revista lendo gratuitamente uma edição no site Caleidoscópio Comunicações:

https://sites.google.com/site/leandramigotto/revista-sindromes

Liguem para o diretor Ismael nos cels: (11) 95432-5835 ou 9911-27131 - E-mail: ismael@revistasindromes.com

segunda-feira, 18 de março de 2013

Teatro do grande urso navegante

A próxima edição da Revista Síndromes trará um artigo sobre a importância da arte, por meio de comprovação cientifica, além da constatação de familiares e pessoas com a Síndrome de Williams, que a música pode operar grandes mudanças positivas no processo de desenvolvimento dessas crianças, jovens e adultos. 

Aguardem a divulgação aqui no Caleidoscópio do lançamento desta edição na qual eu sou jornalista free lancer.  

A convite de Valéria Peres Asnis, amiga de Jô Nunes (fundadora da Associação Brasileira de Síndrome de Williams), divulgo o trabalho do "Teatro do grande urso navegante". Vejam as próximas atrações do grupo no link: 

Agenda 2013 

E conheçam mais sobre a Valéria que é Educadora Musical e Pianista (OMB 48421/SP); Especialista em Intervenção em Neuropediatria / UFSCar; e tem Mestrado em Educação Especial (em andamento) / UFSCar - Bolg: http://valeriaperesasnis.blogspot.com

quarta-feira, 13 de março de 2013

Aniversário da minha mãe

Amor eterno

Amanhã - 14 de março - minha amada mãe faz 55 anos! Nem parece, né? Todo mundo diz que ela parece ser minha irmã! 

Ela é jovem de espírito e de aparência. Meu enorme amor por ela é eterno e infinito! 

Além de me dar a vida, ela me proporcionou que eu a desfrutasse sempre com segurança e conforto, em meio a todos os cuidados com as minhas condições físicas, fazendo com que eu conquistasse muitos objetivos: universidade, trabalho, lazer e relacionamento. 

Ela sempre esteve ao meu lado em todos os momentos. 

Minha mãe é uma mulher muito forte e corajosa, além de extremamente solidária. Eu tenho muito orgulho de ser sua filha. 

Feliz aniversário! Mãe querida, eu te desejo muita saúde, paz, amor, alegrias e ótimas realizações por mais 55 anos...  



Descrição da imagem: foto minha junto com Cristina Esteves Migotto Certeza, minha mãe. Eu estou usando uma blusa dela.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Carnaval inclusivo e diverso!


Programa visita ala da Portela composta por pessoas com e sem deficiência
Pankequinha e PimentinhaPankequinha e PimentinhaEspecial de Carnaval traz os palhaçosPankequinha e Pimentinha. Ambos têm nanismo e compõem marchinhas de Carnaval específicas para crianças. Eles nos descrevem esse divertido trabalho: “Convidei o Pimentinha para gravar um CD infantil. E gravamos um CD chamado Festa no Circo Pankequinha e Pimentinha, com doze músicas. São marchinhas boas, para frente, para cima, para todo mundo brincar à vontade, principalmente no Carnaval”, explica Pankequinha.
O Programa mostra a rainha do bloco inclusivo GargalhadaLeonardo Bracannoté maquiador e tem deficiência auditiva. Durante o Carnaval, ele se transforma em Kitana Mc News, drag queen e rainha do bloco. Conversamos também com Yolanda Braccannot,  mãe de Leonardo e presidente do Gargalhada.
O quadro Tudo que você queria saber sobre deficiência, mas tinha vergonha de perguntar traz um bate papo com os sambistas Renatinho Partideiro e Bira, do Cacique de Ramos, e Gabrielzinho do Irajá, jovem compositor que tem deficiência visual.
Embaixadores da AlegriaEmbaixadores da AlegriaFernanda Honorato apresenta uma reportagem sobre a Embaixadores da Alegria, primeira escola de samba voltada às pessoas com deficiência, e da qual é rainha de bateria. Caio Leitão, presidente da escola, conversa sobre o enredo deste ano. “A gente vai falar sobre as mães, uma homenagem às mães que amam incondicionalmente seus filhos, as mães especiais, as mães guerreiras, a gente vai levar isso tudo para a Sapucaí em um enredo bem bacana e bem alegre”, completa.
Para comprovar que o Carnaval é a festa da diversidade, uma reportagem mostra a ala Nós Podemos, da Portela, composta por pessoas com e sem deficiência.
Informações:
 Fonte: http://tvbrasil.ebc.com.br/programaespecial/episodio/especial-de-carnaval




quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Indignação!! AÇÃO!!

Carta de Marcella Martins (Santa Maria - RS) à Presidente Dilma



Descrição da imagem: foto em close da presidenta Dilma emocionada engolindo um choro

Amigas e amigos, esclareço que publico esta carta como um desabafo de uma pessoa desesperada por ter perdido seres humanos queridos. Faço minhas as palavras dela porque devem ser lidas de forma genérica, pois, infelizmente, a maioria dos governos brasileiros e em vários países ainda não conseguem driblar o capitalismo selvagem que invadiu o Planeta, pelas mãos de homens e mulheres gananciosas e egoístas! 

Confesso que estes gigantescos problemas sempre existiram no Brasil, que veio de uma colonização de exploração e de uma cultura de corrupção tão enraizada. A presidenta Dilma tem sim o dever de lutar todos os dia de seu mandato (concedido pelo povo), de melhorar sempre mais as condições de fiscalização, legislação, distribuição de renda e desigualdade social; mas neste momento ela realmente se emocionou devido a gravidade e intensidade dessa tragédia. 

A responsabilidade pela evolução dos seres humanos é de todos nós! Dilma tem que partir para ações de prevenção de acidentes (considerados crimes) e punir exemplarmente cada responsável por esse genocídio! Neste momento, não deve existir nenhuma rivalidade partidária, política ou ideológica, e sim UNIÃO de todos os seres em busca da sobrevivência com qualidade de vida, segurança e dignidade. 

Cada a todos nós não podemos compactuarmos nunca mais com o nojento 'jeitinho brasileiro' da corrupção, começando por não aceitar ou realizar subornos em todas as ações do cotidiano. Além, de participar ativamente da vida política do Brasil, ocupando os órgãos públicos, acompanhando as audiências, denunciando, enviando abaixo-assinados, comentando na imprensa, e participando de manifestações pacíficas mas reivindicatórias nas ruas. Tragédias fenomenais provocadas por criminosos irresponsáveis, egoístas, capitalistas selvagens nojentos, NUNCA mais ocorram!!!        



"Engula o choro, presidente. Engula o choro ao falar da tragédia de Santa Maria. Engula o choro e todos os problemas desse país que nele estão escancarados. Engula que o medo do segurança de ser demitido neste país é maior do que sua consciência de deixar as pessoas saírem sem pagarem suas contas para não morrerem. 

Engula a soberba dos donos de empresa desta nação que não estão nada preocupados com pessoas como eu e até mesmo como a senhora porque estão focados demais em lucrar, e preferem fechar as portas como numa câmara de gás a ter prejuízos. Engula a pressão que todos os seus funcionários sentem todos os dias. 

Engula que para arcar com seus altíssimos impostos, todos eles dão um jeitinho bem brasileiro de se desviar dos regulamentos e leis. Engula que os órgãos responsáveis por evitar que isso aconteça não funcionam. Engula que eles deixaram essa, entre tantas e tantas casas mais, funcionar sem licença. Engula que provavelmente alguém que também ganha pouquíssimo aceitou um suborno para que isso acontecesse. 

Engula que a senhora deu "é" sorte por ser apenas essa casa entre todos os tantos lugares que deveriam estar fechados, que caiu na boca da mídia. Engula a mídia que vai atacar com todo o sensacionalismo possível em cima das famílias que estão procurando celulares em cima de corpos para reconhecer seus filhos. Engula as operadoras que não funcionam e que provavelmente impediram uma série de vítimas a pedirem socorro. 

Engula que o socorro que chega para se enfiar em lugares como este, pegando fogo, cheio de corpos de jovens para serem resgatados, recebe um salário vergonhoso, com descontos ainda mais vergonhosos, e ainda assim executam um trabalho triste e digno antes de voltarem para a casa e agradecerem por seus próprios estarem dormindo.

Não, presidente. Não chore ao falar da tragédia. Faça! Faça alguma coisa. E pare de nos dar como exemplos uma série de catástrofes para tomar medidas idiotas que não valerão de nada alguns meses depois. Não se emocione. Acione! Acione a todos os órgãos públicos, faça uma limpa em sua maldita corrupção e devolva à segurança pública, às instituições sérias, aos professores, aos bombeiros, aos enfermeiros, aos seguranças, aos jovens, o mínimo de dignidade. 

Não faça um discurso. Mude o percurso. Mude tudo porque estamos cansados de ver nossos iguais pegando fogo, morrendo afogados, morrendo nas filas, morrendo no crack, morrendo, morrendo, morrendo, e tendo como última imagem aquela TV aos fundos anunciando o fim de mais uma bilionária obra de estádio de futebol.

Não, presidente. Desculpe, mas na minha frente, a senhora não pode chorar. Não pode chorar sua culpa. Não pode chorar sua inércia. Não pode chorar no Chile mas também não pode chorar em Santa Maria. Porque isso é muito maior do que só um acidente. Isso é muito maior do que só sua comoção. 

Engula o seu choro, presidente. O seu, o dos jovens que perceberam que não teriam mais o que fazer que não morrer, e em especial, o de seus amigos e familiares, que em um país como esse, não têm outra opção que não chorar. Engula o choro, presidente."


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Aniversário da São Paulo ainda inacessível e excludente!!!



Descrição da imagem: cartum de Ricardo Ferraz (desenhista com deficiência física) em que um homem com cegueira (com bengala e óculos) bata a cabeça fortemente em um poste de orelhão colocado erroneamente no meio da calçada. Acima do desenho está escrito: "O que vem de baixo não me atinge... Ui!".


Em 459 anos, a SP ainda não é acessível para todas as pessoas!! O RJ também tem inúmeros problemas; mas a cidade mais populosa do Brasil, DEVE melhorar muito para não excluir cidadãos e cidadãs que pagam devidamente uma das maiores taxas de impostos do Planeta, e têm o DIREITO de serem vistas e respeitadas 365 dias por ano!!!! 


Nesta importante data, parabéns aos ferrenhos defensores dos Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência da cidade de SP por lutarem todos os dias por lugares completamente acessíveis à todos e todas sempre!!!!!!!!!!

É necessário deixar bem claro que segundo a Convenção sobre os Direitos Internacionais das Pessoas com Deficiência, elaborada pela Organização das Nações Unidas, e oficializada como uma Emenda Constitucional, é inaceitável qualquer falta de acessibilidade, preconceito, discriminação e desrespeito aos seus direitos inalienáveis! Então, não é considerado correto inventar rotas supostamente percorridas pelo maior número de pessoas com deficiência dentro da cidade! 

TODAS as regiões DEVEM ser completamente acessíveis, principalmente, as periféricas que pelo seu desnível arquitetônico maior, excluem 99,9% as pessoas com deficiência de exercerem plenamente sua cidadania. 

Além disso, é necessário respeitar todos os artigos da Convenção da ONU, não apenas para garantir a acessibilidade física, mas a comunicacional, e junto com todos os direitos à educação, trabalho, habitação, saúde, cultura, esportes, e política de todas as 1, 5 milhões pessoas com deficiência que habitam a cidade de São Paulo. 

A mais populosa cidade do Brasil tem a obrigação de servir de exemplo para as demais!

Cabe somente à população, que elegeu seus governantes, cobrar seus direitos, para que seja bem representada para proporcionar, cada dia mais, uma vida melhor com autonomia, independência, empoderamento em cada cantinho da cidade.

É urgente deixar bem claro que ABSOLUTAMENTE todos os seres humanos podem adquirir qualquer deficiência em virtude dos acidentes de trânsito e domésticos, da violência (com armas de fogo, entre outros crimes); além de doenças, completamente, impossíveis de prevenir.

E além disso, o número de pessoas que envelhecem na cidade está cada dia aumentando. Portanto, estes cidadãos e cidadãs tem o direito de viverem com qualidade, autonomia e conforto em uma cidade acolhedora, que respeite suas dificuldades naturais de enxergar, ouvir, caminhar, falar, e conviver, pois TODOS os seres humanos que envelhecerem passarão por mobilidades reduzidas e/ou deficiências ao longo da vida, por menor que seja.

Por isso, o Desenho Universal e a Acessibilidade é necessária para todos e todas! Inclusive, crianças e mães com carrinhos de bebês.  

Força moradores de São Paulo!! Coragem e garra para exigir e construir uma cidade acessível e inclusiva HOJE!!!! 


Descrição da imagem: Cartum do desenhista Ricardo Ferraz. Quatro pessoas com deficiência carregam um grande lápis preto, como se levassem uma tora pesada para conseguirem entrar em uma porta fechada. Sobre ela está escrito SOCIEDADE. Uma pessoa com cegueira, outra com deficiência física em cadeira de rodas, uma pessoa com deficiência intelectual e um com surdez dizem: "Queremos Botar o Nosso Bloco na Rua".

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Caleidoscópio


Descrição da imagem: lindo pôr do sol em céu azul com raios desenhados e o dia escurecendo. Foto: Leandra Migotto Certeza - em Bertioga / 2011.

Hoje descobri que ter uma deficiência é ser acima de tudo gente. Ser uma pessoa é muito mais do que braços e pernas que se movam ou uma cabeça que pense, é acima de tudo sentimento e amor. É tudo como uma fórmula mágica, a qual leva proporções de substâncias vitais. Elas são colocadas em dosagens diversas, sutilmente.

Para olharmos alguém por inteiro é preciso paciência e humildade. Focalizar cada detalhe como único e especial. Há potencialidades em balanceamento e não apenas deficiências. Buscar a perfeição é um dom natural do ser humano que, afinal, quer sentir-se falsamente completo em algo, seja ele uma imagem ou uma concepção.

Então, será que se olharmos com cuidado a totalidade, como em um caleidoscópio formada por diversas peças refletidas, não chegaremos a uma forma mais do que perfeita, apenas: HUMANA?

Leandra Migotto Certeza - em 1998

Escrevi este poema em 1998 para a primeira revista especializada em pessoas com deficiência e inclusão quando comecei minha carreira de jornalista e passei por todos os veículos de comunicação da área de SP. Foi um lindo começo... Tenho muito o que aprender e desenvolver ainda. Espero que gostem...