sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O desafio de educar para a diversidade


Por Francisca Romana Giacometti 

No filme Entre os muros da escola (França, 2008), em uma sala de aula marcada por diferentes ordens de conflitos, a certa altura uma aluna adolescente de ascendência árabe questiona seu professor, com ironia, sobre o porquê de os livros didáticos trazerem personagens apenas com nomes franceses, como se não existem pessoas com nomes árabes.

Com isso, queria ilustrar o desconforto sentido por ela e diversos outros jovens de origem não francesa e o choque cultural vivido naquela sala, naquela escola e, claro, em toda a França.

Evidentemente, essa é uma situação tipicamente vivida na Europa, onde o tema da atenção à diversidade na Educação ganha corpo já há algumas décadas.

São problemas reais, enfrentados com grande dificuldade pelo sistema escolar. Mas não queremos falar da França e da Europa. Apenas ilustrar, com um exemplo já trazido para o cinema – num filme provocativo, que vale a pena assistir –, um dos mais importantes desafios da escola contemporânea brasileira: a educação para a diversidade.

No Brasil, o tema da diversidade está cada vez mais presente em livros, seminários, oficinas. Mas, como costuma acontecer em nossa tradição pedagógica, ainda vivemos em dois mundos – o das boas teorias e, ao mesmo tempo, o das práticas defasadas.

Somos um país que tem a diversidade cultural em suas raízes históricas, amalgamando influências indígenas, negras, europeias. Há um século, recebemos um dos maiores fluxos migratórios da história recente, e agora chegam bolivianos, peruanos, argentinos.

E ainda mais: do ponto de vista social, nossa escola reúne crianças nas diferentes situações socioeconômicas, que têm suas próprias experiências e aprendem em seu próprio ritmo.

Contudo, de modo geral, as escolas brasileiras ainda parecem funcionar como se tivessem apenas um tipo de estudante: o aluno ideal, que corresponde a todos os estereótipos daquilo que desejamos consciente ou inconscientemente.

Parafraseando o autor português João Barroso, ainda educamos a muitos como se fossem um só, e não a todos como se fossem “cada um”.

A diversidade cultural é tratada muitas vezes de modo quase folclórico; já as diferenças individuais, especialmente as ligadas às questões sociais, são simplesmente ignoradas.

Isso precisa mudar, por todos os motivos. Nossas salas de aula são de uma diversidade incrível, que produzem, naturalmente, grande riqueza humana.

São um espaço fecundo para as trocas, para que as crianças se expressem, ganhem autoestima, que se orgulhem do que são e se encontrem em país multicultural.

A questão da diversidade precisa definitivamente estar contemplada nos materiais empregados, nas práticas pedagógicas cotidianas.

Mais do que isso, precisamos preparar nossos professores para uma mudança de atitude, para criar um ambiente onde as diferenças sejam o combustível de uma maravilhosamente rica experiência educativa.

* Pedagoga, mestre em Educação e diretora de serviços educacionais do Agora Sistema de Ensino (www.souagora.com.br)e do Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br), da Editora Saraiva.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Lição de Olímpio


Fonte: http://blogdojolimpio.blogspot.com/2011/05/o-ceu-caiu.html

segunda-feira, 16 de maio de 2011


O céu caiu (?)


Sempre considerei o físico Stephen Hawking um homem valente e controverso. Não só porque é um cientista que propõe teorias desconcertantes mas, principalmente, porque parece viver em constante questionamento, contrapondo-se às coisas que o afetam. Isso pode ser uma virtude, em se tratando de alguém que trabalha e pensa no plano muitas vezes imponderável da Física. Mas, também é um empenho do qual não pode sair sem cicatrizes.

Sua mais recente afirmação - a de que não existe vida após a morte - chocará muita gente e fará outras tantas cabeças matutarem sobre o que o levou a essa mudança de ideia. Na década de 80, ele afirmava que uma certa Teoria do Tudo (já estudada por Einstein) levaria o homem a "conhecer a mente de Deus". E, agora, como fica Deus se (conforme Hawking) já não há mais vida eterna?

Longe de mim querer desbancar o argumento dele, mesmo porque a mídia adora pinçar ditos e feitos fora de contexto; ele bem pode estar dizendo algo bem diferente do que foi noticiado. Porém, essa suposta guinada a respeito da eternidade me sugere uma trip bem mais pessoal do que uma simples sacada genial do Stephen cientista.

Minha ideia segue mais pela observação do quadro pessoal dele, marcado pela limitação progressiva de sua autonomia, por uma doença sem resolução. Penso no quanto seria difícil acreditar num paraíso, para alguém que vai perdendo movimento, força física e capacidade de interagir com os demais. Num outro nível, eu também passo por isso e vivo me perguntado: como será, amanhã?

Respostas à parte, o que me sobra é o gosto de viver intensamente o momento presente. Ninguém está livre de nascer cético ou crente. Mas, na mesma linha de pensamento, ninguém está vacinado contra o convencimento trazido até nós por ideias ou fatos marcantes. Só que o futuro, esse mistério sem resposta, não nos pertence.

O enigma da vida - eterna ou não - provavelmente acompanhará o homem para sempre. Se o sempre existir mesmo, é claro...

1 comentários:

Larissa disse...
Muito bonito. Muito bonito!
Se é que se questionar é uma virtude ou não, eu não sei, mas que é para poucos, isto é.
E eu acho que o mais importante de tudo isso é justamente esse questionamento acerca das coisas, do mundo, das teorias... porque assim, pelo menos, o ser humano tem um momento de liberdade (nesse lógica mundana maluca que, às vezes se parece mais com uma correnteza) e autonomia para escolher no que acreditar.

Adorei o post, primo.
Beijão