quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Clube da Escrita - SESC Pinheiros



Paixão pelo presente

Por Leandra Migotto Certeza - 28 de janeiro de 2015

Tenho paixão pelo presente. O aqui e o agora. Na verdade aprendi a vivê-lo para não enlouquecer com o ontem e o amanhã. Creio que amadureci valorizando cada segundo do que me pendendo ao que fui ou serei. Mas é um exercício diário pensar só no dia de hoje. Temos que nos apaixonar em cada novo amanhecer por nós mesmos e pela vida. É como presentear a pessoa mais querida. Escolhemos ver algo diferente no cotidiano. E justamente o ato de nos surpreender é que vale como um presente.


Talvez eu faça isso porque tem momentos do passado que eu quero deixar lá. E o futuro é incerto demais e tão efêmero que me assusta. Mas mesmo sem saber como será o próximo segundo do dia presente, me agarro nas assas desse tempo para não voar junto com a imaginação para um lugar tão longe que seja difícil voltar. Escrever é isso. Exatamente a linha mais tênue entre o lá e o aqui. Por isso, vivo cada dia mais presente no mundo das palavras.  

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Dia do desrespeito

Hoje foi assim: descaso na hora de marcar exames e consultas no Hospital das Clínicas em SP, desrespeito na hora de desbloquear o cartão no Banco Bradesco e mal-trato na hora de comprar uma toalha nas Lojas Pernambucanas. Além de ser carregada em minha cadeira de rodas no SESC Pinheiros para chegar até a piscina e conseguir nadar. 

UFA!! Haja paciência e ânimo para passar por isso tudo e ainda ter forças para denunciar a discriminação. E o pior de tudo é que amanhã será outro dia e tudo irá se repetir só mudando o nome dos locais por onde eu vou tentar viver a minha cidadania com autonomia e independência em uma cidade ainda extremamente excludente. 

Na hora de marcar o exame em um dos maiores hospitais da Amárica Latina, o funcionário público não me atendeu ao lado do balcão altíssimo simplesmente porque não quis. Eu fui obrigada a gritar para ser ouvida e nem ver direito a cara do cara. Fico pensando: se em um hospital não tem adaptações para atender com dignidade as pessoas mais baixas ou que usam uma cadeira de rodas onde terá!

Já na agência bancária, a situação é bem pior porque nos últimos 3 meses é a quarta vez em que sou mal atendida, ou na verdade não sou atendida, porque preciso de ajuda para conseguir apertar o botão da máquina para digitar a minha senha, sendo que existe um balcão baixo preparado para o atendimento preferencial de pessoas com deficiência, idosos, e grávidas, conforme determina da lei. Fico pensando: porque será que o local está sempre desativado e nunca tem um funcionário disponível para atender, e muito menos equipamentos instalados, se a placa deixa bem claro que eu devo ser bem atendida somente neste local onde serei vista e ouvida. 

Agora o mais humilhante foi na loja de departamento em que como consumidora tive que lutar para pagar uma toalha que havia comprado. A atendente simplesmente afirmou que não iria abrir o caixa preferencial somente para me atender! Mesmo com a placa enorme sinalizando que eu deveria ser bem atendida no balcão baixo para conseguir digitar a senha, ela insistiu - de forma bem mal educada e grossa - que eu deveria usar o outro caixa bem mais alto, coisa que só foi possível com a ajuda do meu marido, que também foi mal tratado porque por ser mais alto do que eu, a mesma atendente grossa insistiu que ele teria o dever de usar o outro caixa e não o preferencial. Detalhe: o meu marido também é uma pessoa com deficiência física, portanto, tem o total direito de usar o caixa preferencial, e a atendente tem o dever de ligar o computador e ativar o caixa da loja na hora. 

Bom pessoal, é isso! Juro que tem dias que dá vontade de não sair da cama porque tô cansada de matar um leão por hora ou uma manada de elefantes a cada segundo. Enche o saco não ser vista e nem respeitada, se a cor do meu dinheiro é exatamente igual a de todas as pessoas que pagam seus impostos! 

Mas como eu sou bem mais forte do que todas as pessoas que já me maltrataram desde que nasci, vou continuar lutando pelos meus direitos, denunciando, e conscientizando para que todas as pessoas evoluam de um mundo tão mesquinho e nojento para uma sociedade humana, inclusiva, justa e igualitária! Seguimos em frente que atrás vem gente! Gente idiota e muita gente boa e forte que nem eu!

E para quem não sabe, em pleno século 21 já passamos do paradigma da segregação e da integração para a completa inclusão! Eu NUNCA vou deixar de fazer absolutamente nada que eu queira porque o local e as pessoas de uma sociedade ainda excludente tem a prepotência de achar que eu não posso ou não devo existir e exercer os meus direitos! Como diz aquele técnico de futebol: vocês vão ter que me engolir!!!!! E à seco!!!!!!!!!!!



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

2 mil pessoas mortas em cinco dias na Nigéria


Escritório de direitos humanos da ONU condena ataques ‘cruéis e impiedosos’ do Boko Haram na Nigéria

 AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA
Segundo o ACNUR, o número de refugiados da Nigéria em busca de segurança no Chade quase que quadruplicou nos últimos 10 dias.
Um grupo de refugiados nigerianos descansa na cidade de Mora, em Camarões, depois de fugir de ataques armados do Boko Haram. Foto: ACNUR/D. Mbaoirem
Um grupo de refugiados nigerianos descansa na cidade de Mora, em Camarões, depois de fugir de ataques armados do Boko Haram. Foto: ACNUR/D. Mbaoirem
O escritório de direitos humanos da ONU condenou a mais recente onda de violência cometida pelo grupo extremista Boko Haram em meio a relatos de novos assassinatos em massa e deslocamento forçado no nordeste da Nigéria.
Falando em uma coletiva de imprensa em Genebra na manhã desta terça-feira (13), a porta-voz do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), Ravina Shamdasani, disse que a agência lamentou profundamente “os ataques cruéis e impiedosos contra civis” dentro e em torno da cidade nigeriana de Baga, no estado de Borno, onde o Boko Haram estaria supostamente operando desde 3 de janeiro.
Relatos da imprensa apontam que pelo menos 2 mil pessoas teriam sido mortas em cinco dias, apenas na cidade de Baga. Atentados em outras cidades tiraram a vida de pelo menos 20 pessoas.
“O ataque deliberado de civis é expressamente proibido pelo direito internacional e estamos muito preocupados com relatos de que havia crianças e idosos entre as vítimas”, disse a porta-voz do ACNUDH a jornalistas.
De acordo com as contas iniciais “chocantes”, continuou ela, houve relatos de que meninas de até 10 anos foram também forçadas a realizar ataques em mercados na vizinha Maidugiri, também no estado de Borno, e em Potiskum, no estado de Yobe.
Shamdasani enfatizou que a utilização de uma criança para detonar uma bomba foi “não só moralmente repugnante, mas constitui uma forma flagrante de exploração infantil sob o direito internacional”.
Na semana passada, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) informou que o número de refugiados da Nigéria em busca de segurança no Chade quase que quadruplicou nos últimos 10 dias, após os ataques do Boko Haram terem retirado de suas comunidades cerca de 7.300 nigerianos.
Um porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) disse que o ataque de 3 de janeiro na cidade de Baga causou a fuga de 3.400 pessoas para o Chade.
Shamdasani disse que o ACNUDH exortou o governo nigeriano a agir rapidamente para restaurar a lei e a ordem na área, ao mesmo tempo em que deve garantir que as operações de segurança sejam realizadas em conformidade com o direito internacional e no pleno respeito pelos direitos humanos.
“Também instamos as autoridades nigerianas a redobrar seus esforços para criar condições para uma investigação eficaz sobre os incidentes, com o objetivo de estabelecer os fatos que cercam os assassinatos, de modo a responsabilizá-los.”
_______________________________________________________________________________

Fonte: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITOS-HUMANOS/480412-PROPOSTA-DETERMINA-QUE-ESTUPRO-DE-VULNERAVEL-INDEPENDE-DE-CONSENTIMENTO.html?utm_campaign=boletim&utm_source=agencia&utm_medium=email
15/01/2015 - 12h51

Proposta determina que estupro de vulnerável independe de consentimento

Em análise na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 8043/14 deixa claro, no Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40), que a punição para o crime de estupro de vulnerável independe do consentimento da vítima ou da ocorrência de relações sexuais anteriores. O objetivo é impedir a absolvição ou o abrandamento da pena do acusado nesses casos.
A proposta foi apresentada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual, presidida pela deputada Erika Kokay (PT-DF), e tem conteúdo idêntico a outro projeto (PL4665/12) apresentado em 2012 pela parlamentar, que aguarda votação do Plenário. Segundo sua assessoria, por ser de iniciativa da CPI, espera-se que o PL 8043 tenha maior visibilidade e mais chance de ser aprovado.

Segundo a justificativa da proposta, é preciso corrigir a fragilidade do Código Penal nessa questão, que abre brecha para decisões judiciais favoráveis ao agressor. “Não raras vezes, o julgamento é baseado na alegação de que a vítima consentiu e seduziu o agressor ou mesmo pelo argumento de se tratar de menor de catorze anos que já havia mantido relações sexuais anteriores com outros parceiros”, diz o texto.
A legislação considera como vulnerável os menores de 14 anos de idade; as pessoas com deficiência mental e sem discernimento para o ato sexual; pessoas com problemas físicos graves que não podem oferecer resistência, como paraplégicos; e pessoas em estado de torpor físico e mental causado por drogas ou bebidas alcoólicas.
Tramitação
A proposta deverá ser analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em seguida, será apreciada pelo Plenário.

Íntegra da proposta:

Da Redação – DC

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'