sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Reconhecimento profissional


Queridas e queridos,

Olá! Como vão? É com muita alegria e emoção que publico mais um importante reconhecimento profissional. Para quem acompanha a minha trajetória, além dos trabalhos que fiz (ver currículo ao lado) recebi dois prêmios internacionais, fui responsável por uma revista sobre educação durante os últimos 7 meses, e agora continuo a minha carreira como consultora.

Todo esse processo só foi possível devido ao imenso apoio, grande dedicação e incondicional amor que a minha adorável família e amigos sempre me proporcionarem com carinho. Para quem me viu caber na 'palma de uma mão' e ter os dias contatos pelos médicos, deve ser bem significativo saber, que fizeram parte da minha história de sucesso, pela garra e determinação que sempre tiveram ao acreditar em meu potencial.

Cada um e uma sabem do papel determinante que têm em minha vida! Vocês são extremamente especiais porque são únicos e únicas! Tenho as melhores lembranças de cada momento que vivemos e de como foram importantes para o meu crescimento profissional e pessoal.

Agradeço, do fundo do meu coração, por cada gesto de carinho, apoio financeiro, e incentivo durante 33 anos. Espero continuar proporcionando mais alegrias para muitas pessoas, pois não sou pior ou melhor do que ninguém. E tenho MUITO o que aprender ainda! Apenas sigo o meu caminho com humildade e alegria, pois a vida é um desafio trágico e gostoso que eu amo! Sou FELIZ!

Beijos estalados e abraços apertados,



São Carlos, 11 de novembro de 2010.

Em 29 de outubro de 2010 contamos com a presença da jornalista Leandra Migotto Certeza que proferiu a conferência de encerramento da XVI Semana de Estudos em Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos, no campus de São Carlos, SP. O tema de sua conferência foi “Pessoas com Deficiência e Direitos Humanos”.

Os recursos utilizados pela conferencista trouxeram dinamicidade e tornaram a conferência mais interativa e rica, pois a mesma utilizou-se de vídeos breves, apresentação de imagens para reflexão, bem como de slides contendo as principais idéias de sua apresentação.
Durante toda a conferência a platéia foi convidada a se colocar, a dar suas opiniões, o que possibilitou a troca de impressões e uma maior aproximação entre conferencista e espectadores, que não foram ouvintes passivos, mas sujeitos ativos naquela conversa.
Leandra desenvolveu de maneira clara, concisa e bem ilustrada o conceito da deficiência como um dos aspectos da diversidade humana, assim como gênero, etnia, condição social, faixa etária, orientação sexual, nacionalidade, religião, cultura, opinião política e até mesmo filosofia e estilos de vida.

Na sua conferência foram problematizados os estereótipos sociais da pessoa com deficiência, onde ora aparece como heroína, ora como vítima de uma tragédia pessoal e portanto merecedora da caridade. Para romper com esses estereótipos é necessário incluir a questão da cidadania, da dignidade humana e dos direitos das pessoas com deficiência.
Nesse sentido foram trazidas informações fundamentais como o panorama mundial das pessoas com deficiência, a Convenção Internacional dos direitos das pessoas com deficiência (da qual o Brasil é signatário), a importância do desenho universal e da equiparação das oportunidades na inclusão das pessoas com deficiência de forma efetiva na vida social.

Leandra tem uma grande capacidade de se comunicar com o público pela sua simpatia e clareza de idéias, e o fato de ser uma pessoa com deficiência com uma trajetória bem sucedida na vida escolar, afetiva e profissional traz grande autenticidade à sua apresentação, pois seu discurso reflete sua experiência de vida.
Dessa forma, uma conferência sobre esse tema proferida por uma pessoa sem deficiência talvez não tivesse a mesma força e o mesmo impacto junto aos espectadores, que certamente saíram deste encontro bastante mobilizados acerca da temática apresentada.


Stella Maris Nicolau

Docente do curso de Terapia Ocupacional da
Universidade Federal de São Carlos
Coordenadora da XVI Semana de Estudos em
Terapia Ocupacional da UFSCar

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde
Departamento de Terapia Ocupacional
Rod. Washington Luís, Km.235-C.P.676-CEP 13565-905-São Carlos-S P
Tel./Fax: (0xx16) 3351-8342 - Tel: (0xx16) 3351-8342 e 3351-8344

Descrição da imagem: logo da UFSCar com a carta.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mãe: Herança eterna

Escrevi esta crônica no calor da emoção...

Espero que gostem...

O link é http://inclusive.org.br/?p=17873

Abraços apertados e beijos estalados!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

MEC aplicará R$ 5 milhões em universidades para inclusão

XVI Semana de Estudos em Terapia Ocupacional

Vou fazer uma palestra sobre Educação e Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência na Universidade Federal de São Carlos amanhã dia 29/10 às 11hs. Vejam a programação:

http://www.ufscar.br/semto10/programacao.html

E acompanhem os vídeos e os relatos aqui no blog Caleidoscópio e no Twitter: @lecaleidoscopio.

Abraços!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Jéssica - a graça de Deus

Hoje re-nasceu Jéssica Nunes Herculano aqui na Terra dos seres humanos e lá no céu dos seres eternos!

Vida longa para o anjo em forma de menina-mulher que nos concedeu o presente de seus 19 anos!

Obrigada querida e amada, por simplesmente, ser LUZ e PAZ todos os dias com seu sorriso honesto, franco e único: cheio de AMOR!

Te amamos muito e sempre. Vamos continuar sua jornada conquistando cada vez mais quem precisa de AMOR INCODICIONAL!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Lealdade à justiça a ao amor

"Qualquer descrição é inútil (...). Eu tenho pudor da realidade da China. É tudo tão miseralvelmente absurdo, que eu nunca tive coragem ou ânimo de narrar o que encontrei ali. A mentira, a fábula grotesca me horroriza pelo ridículo e eu mesma penso que tudo que vi foi mentira.
As crianças e os ratos. O excremento e as feridas. O lixo de cadávares recolhidos já desmanchados pelos carros de limpeza. Os chicotes matando, as torturas públicas no povo revoltado, ou no povo indiferente até ao terror".
Trecho da obra: "Dos esconbros de Pagu - Um recorte biográfico de Patrícia Galvão", escrito por Tereza Freire (2008) - Editora SENAC São Paulo / Edições SESC.
Em tempos de eleições no Brasil, e mudanças profissionais pessoais, refleti sobre o que acreditamos e por quais motivos vivemos...
Durmo e acordo com muita insegurança financeira, dependência familiar e vários outros problemas, mas tenho a consciência tranquila por pagar o preço por minhas escolhas em respirar cada dia o ar da verdade e da lealdade ao meu lado de justiça e amor à diversidade humana!
Sigo caminhando por um 'mundo' interior e exterior livre ao máximo de precoceitos e discriminações veladas...
Leandra Migotto Certeza - passageira do Planeta Terra.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência - 21 de setembro

Respeito aos Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência que sempre existiram.
Garantia total e irrestrita do cumprimento integral eficiente e eficaz da legislação mundial para promover a: autonomia, independência, dignidade, cidadania, liberdade, acessibilidade física e comunicacional, educação, trabalho, cultura, lazer, reabilitação, transporte, turismo, saúde, moradia, atendimento especializado, comunicação, participação política para todas as pessoas com deficiência física, auditiva, visual, intelectual, múltipla e surdocegueira, familiares e amigos!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Entrevista no Portal Vida Mais LIVRE

Pessoal, já está publicada a entrevista que concedi ao jornalista Daniel Limas ao site Vida Mais Livre!

O link está aqui no título desta postagem.

Espero que gostem e comentem!

Muito obrigada e até a próxima.

Beijos, Leandra.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Nova fase em minha vida...


Trabalho como jornalista responsável por uma revista de educação inclusiva!


Queridas amigas e queridos amigos,

É com grande alegria, e o coração cheio de esperança, que conto a linda novidade: consegui emprego fixo depois de 7 anos sem trabalho na minha área de formação e atuação!

Desde dia 25/02/10 às 8hs da manhã sou jornalista da revista Ciranda da Inclusão, uma publicação da editora Ciranda Cultural, especializada em livros infantis educativos.

Foi uma enorme conquista 100% MINHA! Modéstia a parte, mais a uma grande em minha vida!

Tudo aconteceu ultra rápido e demorou para cair a minha ficha. Li na internet uma notícia sobre duas novas publicações sobre inclusão de pessoas com deficiência. Enviei um e-mail com o currículo, sem qualquer espectativa (como fiz inúmeras vezes nesses últimos 7 anos). A responsável pelo RH da editora me ligou no dia seguinte e agendou uma entrevista para o outro dia.

Aceitaram logo de cara! Eu vibrei! Só não comecei a trabalhar há duas semanas atrás porque estava com viagem marcada para o litoral há um mês.

Foram as 'férias', mais maravilhosas que eu vivi ao lado da minha alma gêmea: meu amor Marcos dos Santos. A sua linda familia é maravilhosa. Quando conseguir vou escrever sobre estes momentos inesquecíveis...

Voltar a trabalhar depois de tantas reviravoltas em minha vida é um marco! Depois de quase perder o Marcos em uma enchente, sofrer um acidente, ficar 15 dias internada, e passar por fases muito difícies psicologicamente, voltei a produzir!

Sou jornalista e agora posso mostrar tudo o que sei e TUDO o que vou aprender! O desafio de COORDENAR toda a edição da revista sobre educação é enorme, mas tenho CERTEZA que vou conseguir fazer sempre o melhor que posso.

As dores nas costas continuam e o cansaço físico é cada vez maior. Minha deficiência física, Osteogenesis Imperfecta, está sem complicando um pouquinho a cada ano, e os 32 anos 'começam a pesar', mas minha ALMA é mais FORTE!

Como dizem: "Vamos em frente, que atrás vem gente...". Eu tenho que seguir o meu destino, ou o que quiserem chamar de cartas marcadas da vida. Sou 90% responsável pela minha felicidade! Continuarei vivendo sempre com muita garra para ser feliz e solidária, amante da vida!

Agradeço a todas e a todos que me sempre me acompanharam com muita dedicação, carinho, amor, paciência, e grande e verdadeira amizade. Sem o fundamental apoio de vocês, minha caminhada teria sido muito mais árdua...

Agradeço em especial a minha familia que, mesmo com dificuldades, sempre acreditou em meu potencial. Sem as condições para que eu sobrevivesse, e conquistasse independência para buscar minha autonomia, nada teria sido possível!

Este novo trabalho é apenas o início de várias conquistas: casar com o Marcos, comprar a nossa casa, viajar o mundo com a nossa exposição sobre fotos sensuais de pessoas com deficiência, cursar pós-graduação em jornalismo literário, trabalhar em uma ONG de Direitos Humanos, e escrever minha auto-biografia. Isso tudo só para começar!

Quem quiser que venha comigo!

Beijos estalados e abraços apertados!

Leandra.
PS: quando puder escrevo mais!


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Depoimento na TV GLOBO

Leandra Migotto Certeza na Novela "Viver a vida"

Amigas e amigos,

Foi maravilhoso contar um pouco da minha história de vida na TV. Sou apenas mais uma gota no oceano de emoções da vida... Fico feliz de tocar e cativar os corações das pessoas que amam "Viver a Vida"!

Assistam e divulguem! Beijos, Lê.

Depoimento curto na TV GLOBO:

http://www.youtube.com/watch?v=TyxaoaO13bA

Depoimento maior no site da REDE GLOBO:

http://www.youtube.com/watch?v=a9xC5DOLiQY

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Novo lar em Cidade Tiradentes

Nosso novo lar provisório em Cidade Tirandentes, bairro super populoso da Zona Leste de São Paulo.

Nosso amigo maravilhoso e extremamente generoso, Carlinhos, nos abrigou em sua linda casa! A familia carinhosa e simples que nos acolheu com tanto amor é linda. Este é o Cauâ tentando pegar os óculos do Má. Ele tem 9 meses e é uma fofura!!!!

Logo escrevemos mais e mostramos outras fotos!

Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Papai Noel existe?

Recordar é viver!!! Que saudade da minha família do coração!!! 


É muito emocionante reler esta doce crônica sobre um sentimento tão forte e marcante que ficará pra sempre em minha alma... Que aperto no coração quando sinto a falta da amada Jéssica... O maravilhoso é relembrar sempre de seu sorriso nos iluminando lá do céu com doçura e alegria.  

Dia 12/12/09 já ficou para história do movimento social brasileiro. Amigos e amigas, de todas as idades, unidos por um único ideal: SER FELIZ. Comemorar a DIVERSIDADE humana que faz parte da VIDA.

Por Leandra Migotto Certeza*Fotos: Marcos dos Santos, Leandra e amigos.








Descrição da imagem: o pátio da escola todo decorado com as pessoas almoçando felizes.

Enchentes. Gritos. Desespero. Apelo. Solidariedade. Amizade. Tranqüilidade. E lá vem o Natal de novo. Fim de ano tumultuado esse... Quase perdi o noivo! (que horror!). Crianças desabrigadas. Histórias de vidas interrompidas. Corações renovados, graças ao amor entre os seres humanos. Almoço comunitário. Ajuda mútua. E todos foram salvos.

Os Governos (infelizmente, ainda salvo raríssimas exceções) continuam demagogos, hipócritas, nojentos, corruptos e desonestos. Ainda bem que, felizmente, poucas mais ilustres pessoas de, literalmente, alma lavada, sabem que o único e verdadeiro significado da vida é: sermos solidários!

O almoço de Natal da ABSW - Associação Brasileira de Síndrome de Willians, mais uma vez, cativou o coração de quem ainda está apenas descobrindo porque vive no Planeta Terra; e coroou aqueles que todos os anos trabalham 365 dias por um mundo mais justo.

Muitas mãos, pernas, pés, cabeças, olhos, bocas, corações e espíritos cozinharam cada alimento com tanto carinho. Muitos outros dedos, mentes, braços e almas serviram as mais de 50 pessoas que desfrutaram de um delicioso cardápio preparado dias antes, depois de muito suor.

Arroz primavera lindo; batatas coradas macias; saladas variadas coloridas; molhos suculentos; torradinhas picantes; e a estrela do dia: carne assada, derretendo de tanto sabor. Para completar refrigerantes, cervejas, melancias e abacaxis, servidos sempre com todo o cuidado. Além, é claro, do cheiroso café! O bolo de chocolate derretia na boca e iluminava o olhar das crianças...






Descrição da imagem: saladas variadas e coloridas na mesa decorada.

Para mim e meu noivo é sempre um dos momentos mais marcantes de nossas vidas. Mas desta vez foi especial. Teve sabor de renovação! Os problemas foram muitos, e as dificuldades estão só começando, depois da revira-volta de nossa vida. Sair de lá com as pilhas recarregadas foi fundamental.

A energia foi tão contagiante que o meu noivo ajudou na decoração, enquanto eu descansava um pouco me recuperando do tombo que levei no meio do mês de novembro. Oito dias internada no hospital, e eu já estava firme e forte pronta para ajudar no que fosse possível. Adoro a presidente da ABSW, Jô Nunes, e sua incansável “tropa da alegria”! Êta mulher guerreira! Sua história de vida é um capítulo a parte...
Descrição da imagem: eu a Jô, uma das minhas ‘ídalas’!
Dia 12/12/09 já ficou para história do movimento social brasileiro. Amigos e amigas, de todas as idades, unidos por um único ideal: SER FELIZ. Comemorar a DIVERSIDADE humana que faz parte da VIDA. Para isso, a Escola Municipal de Educação Infantil Ignácio Henrique Romero, no bairro de Moema na cidade de São Paulo, novamente, foi toda decorada, delicadamente, com muito brilho.

Suas confortáveis e práticas instalações, gentilmente cedidas pelas suas generosas diretoras (em especial a Hughetti), são o palco do show da vida, que a cada ano é sempre mais bem iluminado. Placas por todos os lados indicando onde é o banheiro (muito bem cuidado); o bazar solidário dos “Amigos da ABSW” (com lindos presentes arrumados com todo o capricho); as lindas prendas das rifas vendidas por voluntários dedicados (em especial Edson Natali), e onde se comprava as bebidas e depositava o material reclicável depois de usado. Tudo no seu devido lugar.

Descrição da imagem: eu e o meu noivo, Marcos, muito felizes!

Cada mesa com sua arvorezinha de Natal, toalhas coloridas e rendadas, pratos e copos decorados, arrumados com graça e leveza. Eu ajudei a dar brilho às cadeiras, colocando papéis dourados nos encostos.
As maravilhosas voluntárias e os carinhosos voluntários - em sua maioria, pais e amigos de pessoas com síndrome de Willians - estavam por toda parte, sempre prontos para estender uma mão amiga. Eu também ajudei a limpar os pratos novos, comprados especialmente para esta importante data. A grande mesa onde o almoço é servido também foi cuidadosamente decorada. Bandejas estavam à disposição para aqueles que precisassem de ajuda para comer.

Faz mais de três anos que eu e meu noivo participamos deste encontro, mas ainda ficamos impressionados com a organização, competência, agilidade, dedicação, carinho, cuidado e amor, com que tudo é preparado por tantas e diferentes pessoas ao mesmo tempo.

E como o tempo voa. Chegamos às 9hs e ao meio dia tudo já estava pronto. As pessoas foram chegando com total segurança, transportadas por vans da Prefeitura de São Paulo, que sempre prestigia e apóia os encontros da associação. Os motoristas, sempre simpáticos, brincam com as crianças, e ajudam cada um a encontrar um lugar bem confortável para começar a festa.










Descrição da imagem: Alex de pé! E seu amigo, filho da Silvana, da família ABSW.

Vou depressa até a cozinha para ver como andam os preparativos. Minha intenção é fotografar o crucial e primoroso trabalho das cozinheiras em ação. Ledo engano. Elas já terminaram tudo e estão prontas para servirem o almoço. O que aconteceu? A fadinha passou por aqui?

Não. Os sorrisos largos e gostosos, e os olhares profundos e amáveis, mostram o segredo de tanta competência: UNIÃO! A mais simples (e tão esquecida nos dias de hoje), verdadeira união! Ela realmente faz a força. E que força! Está tudo limpo e arrumado. Só esperando as louças usadas chegarem para serem também rapidamente lavadas e arrumadas novamente. Consigo apenas captar algumas imagens, e muitas lágrimas escorrem pelo meu rosto.










Descrição da imagem: voluntárias maravilhosas da cozinha.

Segura o choro Leandra. O turbilhão de emoções está só começando... Amigos queridos sempre comparecem e novos aparecem. E assim a família cresce. O som rola solto... É rock pesado, misturado com dance music e um pouco de MPB (bem pouco, para minha ‘tristeza’). Afinal, os anfitriões da festa são garotos e garotas com os hormônios a flora da pele. Beijos e abraços por todo lado. O amor está no ar.

Namorados e namoradas esperam ansiosos o momento de se reencontrarem para reafirmarem declarações de amor acaloradas de paixão. Jéssica e Tiago seguram o microfone e gritam bem alto que se amam. Mostram ao mundo que ter uma deficiência intelectual não os impedem de ser felizes, muito mais do que inúmeras pessoas rabugentas que vivem se odiando, sem ter uma única unha encravada no dedão do pé.










Descrição da imagem: Jéssica e Tiago, o casal mais apaixonado que eu conheço.

Agora é a vez de outro casal de jovens, Karine e Leandro, com síndrome de Willians deixar o seu recado: o amor salva o mundo das guerras e dos preconceitos! A vida é muito mais simples do que nossa vã filosofia idiota pensa. Basta apenas viver a vida cada dia, como se fosse única. Aproveitar o momento presente, sem se esquecer que a perfeição nunca existiu, e o ser humano é rico por sua diversidade inata.










Descrição da imagem: Bruna e Willian, um lindo casal de namorados com Síndrome de Willians.










Descrição da imagem: Leandro e Karine, outro lindo casal de namorados com Síndrome de Willians.

Depois dessa lição de vida, a festa atinge o seu ponto mais alto. O Papai Noel chegou! O cenário é um sonho: casinhas de boneca coloridas em um lindo jardim. Debaixo de uma árvore, ele chama todos e todas para acreditarem em seus sonhos... Os presentes são cuidadosamente distribuídos com muito carinho.

Chamados pelo nome, os jovens e crianças da associação sentem o valor que tem, e a diferença que fazem no mundo. São especiais, não porque têm uma deficiência, mas por serem gente boa que sabem viver e ser feliz, exatamente como são: únicos.










Descrição da imagem: crianças sem deficiência abrindo seus presentes de Natal. Inclusão é isso!









Descrição da imagem: Mel (com síndrome de Willians) e Alex (com Osteogenesis Imperfecta) mostram que criança não tem preconceito e brincam juntos felizes com seus novos presentes.

Cada carrinho, bola, boneca, ursinho de pelúcia, camiseta, colar, pulseira e livro vão para o seu novo dono e dona. Foram escolhidos, comprados e doados por papais e mamães noéis sempre muito atentos aos gostos de cada um. Ninguém resiste a dar um beijo e posar para uma foto ao lado do Papai Noel, principalmente, os adultos que nessas alturas estão chorando de tanta alegria.

Eu e o meu noivo Marcos, também revelamos nossas eternas e saudáveis crianças dentro de nós. As fotos ficarão para sempre em nossas recordações. E eu até ganhei um presente porque Papai Noel existe sim! O nosso tem Síndrome de Donw e um olhar indescritivelmente único!
Feliz Natal e um Ano Novo repleto de SOLIDARIEDADE.


Descrição da imagem: eu feliz da vida ao lado do Papai Noel.

PS: eu esqueci de dizer que depois de tudo isso, a ‘fadinha’ passou de novo, e a escola voltou a ser só uma escola, cheia de risadas e lágrimas ecoando pra sempre entre suas paredes... Parabéns a todas e todos (aqui registrados ou não), importantes e fundamentais para que em 2010, tudo aconteça novamente.

Muitas outras fotos estão nos links:
Conheça a ABSW e saiba como fazer parte dessa grande familia sendo voluntário!
http://www.swbrasil.org.br/




*Leandra Migotto Certeza é jornalista e repórter especial da Revista Síndromes. Ela tem deficiência física (Osteogenesis Inperfecta), é assessora de imprensa voluntária da ABSW, consultora em inclusão e mantém o blog “Caleidoscópio – Uma janela para refletir sobre a diversidade da vida” - http://leandramigottocerteza.blogspot.com/. Conheçam os modelos de palestras, oficinas, cursos e treinamentos sobre diversidade, realizados em empresas, escolas, ONGs, centros culturais e grupos de pessoas no site: https://sites.google.com/site/leandramigotto/

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ah, esse preconceito velado...

As conquistas das pessoas com deficiência são muitas, mas o preconceito ainda existe
Por Adriana Lage na Rede Saci - 15/12/2009

Felizmente, a situação das pessoas com deficiência tem melhorado muito nos últimos anos. Hoje em dia, palavras como inclusão, diversidade e acessibilidade estão sendo incorporadas ao nosso cotidiano. As escolas já aceitam melhor os alunos com deficiência, empresas se esforçam para cumprir a Lei de Cotas, novas edificações só recebem o alvará se forem acessíveis, dentre outras conquistas.

Até nas novelas estamos presentes. Querendo ou não, temos que reconhecer que grande parte da população assiste às novelas e acaba aprendendo que as pessoas com deficiência são seres humanos como qualquer pessoa, com qualidade e defeitos, habilidades e deficiências. A informação é sempre a melhor arma na luta contra o preconceito.
Torço muito para que um dia datas como 3 de dezembro não existam mais. Acredito que estamos no caminho certo. Fico impressionada como algumas pessoas ainda possuem um pensamento tão pequeno em relação às pessoas com deficiência. Nos últimos dias, algumas situações me deixaram chateada:
- Sou cliente assídua de uma feirinha próxima a minha casa. Parei em uma barraca e me interessei por algumas blusas. Quando a vendedora percebeu que minha compra estava chegando perto dos R$ 100,00, ela começou a insistir para que eu não levasse as peças. Por sorte, um vendedor de bolsas do qual sou cliente foi mexer comigo e comentou que sou uma excelente cliente e que meu cheque é garantido. Após ouvir esse comentário, ela ficou toda sem graça e me devolveu todas as peças que eu queria levar. Fiquei chateada com a atitude dela. Tive a impressão que a vendedora imagina que deficientes não possuem renda.
Há tempos atrás, eu teria desistido da compra. Na mesma semana, na academia que freqüento, minha mãe comentou com uma vendedora de roupas que eu queria olhar as peças. A mulher inventou um monte de desculpas e não me mostrou as roupas. Minha mãe ficou indignada com a situação e, na aula seguinte, contou o caso da feira pra ela. Resultado, nessa segunda feira, ela foi até minha casa para que eu comprasse as roupas e se surpreendeu com minhas compras.
- A festa de final de ano da empresa em que trabalho foi realizada em um Hotel Fazenda. A equipe é formada por cerca de 130 pessoas, sendo uma cadeirante, uma usuária de bengala (esclerose múltipla) e um deficiente auditivo. Em momento algum, o comitê organizador da festa pensou na acessibilidade. Liguei para o local da festa e fui informada que eles não estavam aptos para me receber. O local possui muitas escadas, não possui rampas e nem banheiro adaptado.
Para entrar no banheiro, minha amiga precisou subir 6 degraus. A cadeira de rodas também não passou nas portas. Comentei com meu chefe e com outras pessoas que eu gostaria muito de ir, mas que ficaria difícil por causa da acessibilidade. Muitas pessoas não concordaram com meus argumentos. Resultado, as pessoas foram para a festa e eu fiquei trabalhando normalmente.
Após a festa, várias pessoas comentaram que eu acertei quando escolhi não participar da festa. Ao invés de me divertir, ficaria estressada com tantas escadas para subir... Querendo ou não, me senti excluída. É fácil para quem não anda em uma cadeira de rodas e tem equilíbrio no tronco falar que as pessoas carregariam a cadeira sem problemas. Ninguém pensa o quanto é desconfortável e perigoso para a cadeirante!!
- Estava conversando com um amigo que é atleta paraolímpico sobre esporte. Ele me contou indignado, e com toda razão, que em provas como o Iron Biker (competição internacional de ciclismo) e na Volta Internacional da Pampulha (corrida), os deficientes podem participar, mas só recebem uma medalha de prêmio. As outras categorias são premiadas com dinheiro. No esporte paraolímpico, o Brasil está entre as potências mundiais. Imagina então se não estivesse....
- No último domingo, estava no clube conversando com uma amiga cadeirante, que é nadadora, e ela me disse que uma das sócias do clube não gosta da sua presença, pois se sente incomodada com as cicatrizes que ela possui devido a um acidente de carro.
- Fui passear com minhas irmãs e minha prima pela Savassi, um bairro famoso em Belo Horizonte e ponto de encontro da galera, e passei aperto para andar nas ruas esburacadas, com degraus altos nas calçadas, sem nenhum rebaixamento ou rampa. Tanto na pastelaria quanto na sorveteria, existem degraus para entrar na loja, sem falar nas mesas que não combinam com os pés da cadeira de rodas...
- Quanto se trata de relacionamentos, a situação ainda é complicadíssima. Tenho amigos deficientes que não conseguem arrumar nenhuma namorada por causa do preconceito e acabam tendo que recorrer às profissionais do sexo. Fico brava demais quando recebo algumas propostas que no final das contas se resumem a tirarem casquinhas de mim, como se eu não servisse para ter um relacionamento estável e duradouro. Muitas pessoas ainda pensam que só porque você anda em uma cadeira de rodas está ‘encalhada’ e desesperada... As coisas não são assim!!!
Enfim, o que mais me mata de tristeza é esse preconceito velado. As pessoas falam que não são preconceituosas, mas acabam nos excluindo sim, seja através das barreiras arquitetônicas ou das atitudinais. Mas, se Deus quiser, e ele há de querer, um dia isso muda!